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Os motivos do aumento do preço dos combustíveis e possíveis projeções futuras

Em sua tentativa de alcançar os preços do mercado internacional, a Petrobras aprova o sexto reajuste no preço dos combustíveis em 2021.

Gregory Thainã
Por Gregory Thainã
Publicado em 9 de mar de 2021  ·  Atualizado em 11 de jan de 2026  ·  3 min de leitura
Aumento no preço dos combustíveis

No último dia 08 a Petrobras comunicou um novo aumento do preço dos combustíveis. Segundo dados da CNN Brasil, o aumento foi de 8,8% na gasolina e de 5,5% no diesel.

Por se tratar de um país cuja logística é majoritariamente rodoviária, um aumento no preço dos combustíveis incide sobre o preço dos produtos, gerando um aumento generalizado.

Isso se deve ao fato de que os custos com o transporte aumentam e esse aumento é repassado ao consumidor final.

O Brasil já convive há anos com problemas acarretados pelo preço dos combustíveis.

Em 2018, a greve dos caminhoneiros (cujo um dos principais motivos foi sobre os combustíveis) trouxe severas consequências, desabastecendo mercados e gerando grandes filas em postos de gasolina.

Diante desse cenário, é importante entendermos o motivo dos recorrentes aumentos no preço dos combustíveis no Brasil e o que podemos esperar nos próximos meses.

Por que ocorrem os aumentos nos preços dos combustíveis?

Para iniciar essa discussão é necessário entendermos antes quais são os parâmetros que influenciam na composição do preço dos combustíveis. Existem três fatores que mais influenciam na precificação: impostos, preço do petróleo no mercado internacional e o valor do dólar.

De acordo com o Index Mundi, o preço do petróleo Brent no mercado internacional vem aumentando desde outubro de 2020.

Além disso, em 2020 houve uma alta de 29% no preço do dólar, outra importante variável na equação da precificação da gasolina e do diesel.

Diante disso, é de se esperar que os combustíveis tenham uma variação em seu preço final.

Por que tantos aumentos no preço dos combustíveis em 2021?

Embora essa seja uma pergunta simples, a sua resposta não é. No início de 2020, o preço do barril de petróleo diminuiu muito, chegando a ficar abaixo dos 25 dólares em abril.

Porém, a partir de junho o seu preço voltou a subir devido à reabertura das economias do hemisfério Norte, sendo esse um dos motivos da variação.

Além da reabertura de mercados que haviam sido fechados durante a pandemia, um outro agravante foi o comunicado da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) com relação à restrição na produção de petróleo.

Como a política de preços da Petrobras utiliza o preço do barril de petróleo no mercado internacional para ajustar o preço dos combustíveis em território nacional e tanto o petróleo quanto o dólar oscilaram muito em 2020, ela acabou não conseguindo acompanhar toda essa variação.

Como resultado, houve uma defasagem entre o preço praticado pelo Brasil em seu mercado doméstico e o preço real do petróleo no mercado internacional.

Somado a isso, em novembro de 2020 a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) já criticava o mercado brasileiro acerca do preço dos combustíveis, pois, segundo ela, uma artificialização no preço abaixo do mercado internacional desestimula a atuação de importadoras.

Com todo esse contexto como plano de fundo, a Petrobras em 2021 iniciou uma série de reajustes no preço dos combustíveis.

O aumento do dia 08 de março já é o sexto desde o ano novo. Só nesse ano o preço da gasolina já aumentou em 54% e o diesel 41,6%, segundo a CNN Brasil.

O que esperar a partir de agora?

Como já citado, um aumento no preço dos combustíveis pode acarretar em um aumento generalizado no preço dos produtos do mercado nacional.

Além disso, caso novos aumentos ocorram, a insatisfação da população pode aumentar e o cenário de greve de 2018 pode voltar a ser uma realidade.

Ademais, segundo a Abicom, novos reajustes são praticamente inevitáveis, pois a Opep+ concordou em prorrogar o período de menor produção até abril deste ano.

A associação afirma que o diesel ainda precisaria de um aumento de R$ 0,10/litro para entrar em igualdade com o preço do mercado externo. A gasolina, por sua vez, precisaria de um aumento de R$ 0,05/litro no seu valor.

Assim, pode-se esperar um decreto que obrigue os postos de gasolina a aumentarem o valor final dos combustíveis, o que pode aumentar a incerteza dos investidores do setor.

No dia 1°, o presidente Jair Bolsonaro decretou que o PIS/COFINS será zerado no diesel, porém ainda não está claro se a medida será benéfica ou não.

Essa incerteza não é exclusividade do preço dos combustíveis no Brasil. É uma realidade vivenciada por todos os setores do país e do mundo. Neste cenário, cabe ao tempo dizer se a medida terá algum efeito positivo ou não.

Perguntas frequentes

Por que ocorrem os aumentos no preço dos combustíveis?
Existem três fatores que mais influenciam na precificação dos combustíveis: os impostos, o preço do petróleo no mercado internacional e o valor do dólar. Como o petróleo Brent vem subindo desde outubro de 2020 e o dólar teve alta de 29% em 2020, é esperado que os combustíveis tenham variação em seu preço final.
Por que houve tantos aumentos no preço dos combustíveis em 2021?
No início de 2020, o preço do barril de petróleo caiu muito, ficando abaixo de 25 dólares em abril, mas voltou a subir a partir de junho com a reabertura das economias e a restrição de produção anunciada pela Opep+. Como a política de preços da Petrobras acompanha o mercado internacional e tanto petróleo quanto dólar oscilaram muito, criou-se uma defasagem que levou a uma série de reajustes em 2021.
Qual foi o aumento mais recente anunciado pela Petrobras?
No dia 8, a Petrobras comunicou um aumento de 8,8% na gasolina e de 5,5% no diesel, segundo a CNN Brasil. Esse foi o sexto reajuste do ano, e só em 2021 o preço da gasolina já havia aumentado 54% e o diesel 41,6%.
Quais são os possíveis impactos do aumento dos combustíveis?
Como a logística brasileira é majoritariamente rodoviária, um aumento no preço dos combustíveis eleva os custos de transporte, que são repassados ao consumidor final e geram aumento generalizado nos preços dos produtos. Caso novos aumentos ocorram, a insatisfação da população pode crescer e o cenário da greve dos caminhoneiros de 2018 pode voltar a ser realidade.
Gregory Thainã
Escrito por
Gregory Thainã
Grad. em Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Maria. Participou do Movimento Empresa Júnior atuando em consultorias, gerenciamento de equipes e no setor de marketin…

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