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Acidente com césio-137 em Goiânia completa 34 anos

Veja como aconteceu o acidente com césio-137 em Goiânia há 34 anos atrás, e que ainda é considerado o maior acidente radiológico do mundo.

Camila Rocha
Por Camila Rocha
Publicado em 13 de set de 2021  ·  Atualizado em 25 de abr de 2026  ·  2 min de leitura
acidente com cesio 137 completa 34 anos

Muito se ouve falar sobre Chernobyl, o maior acidente nuclear da história, porém você sabia que o maior acidente radiológico do mundo ocorreu no Brasil? Pois é, no dia 13 de setembro de 1987, se deu início ao acidente com césio-137 em Goiânia, que carrega o título de maior acidente radiológico do mundo até hoje.

Vamos relembrar essa parte marcante de nossa história, 34 anos depois, com os seguintes tópicos:

  • O que foi o acidente com césio-137 em Goiânia?
  • As consequências do acidente radioativo com césio-137
  • Leia mais!

O que foi o acidente com césio-137 em Goiânia?

No dia 13 de setembro de 2021, dois catadores de lixo encontraram dentro do Instituto Goiano de Radioterapia, desativado desde 1985, um aparelho utilizado em radioterapias que ficou abandonado nas instalações.

Os catadores levaram o aparelho até o ferro-velho e desmontaram para reaproveitar o chumbo que continha nele, porém se depararam com um pó azul que brilhava no escuro, o cloreto de césio-137.

Encantado com a beleza e o brilho que era emitido, o dono do ferro-velho, Devair Alves Ferreira, levou a substância para casa, e distribuiu para que a família e amigos pudessem observar.

Infelizmente, no dia 23 de outubro a esposa de Devair, Maria Gabriela e a sobrinha de Leide das Neves - que chegou a ingerir a substância ao estar se alimentando -  faleceram.

Os sintomas sentidos pelos que se contaminaram eram náuseas, tonturas, vômitos e diarreias, porém os profissionais de saúde não conseguiam detectar a causa e tratavam como uma doença contagiosa desconhecida.

Porém a esposa Maria Gabriela desconfiou que a substância que emitia o brilho azul era o responsável pelos sintomas e levou a cápsula para a vigilância sanitária com o auxílio de um funcionário do ferro-velho.

O físico Walter Ferreira foi o responsável por constatar que realmente se tratava de um acidente radiológico por causa do material radioativo, detectando os altos níveis de radiação. Isso permitiu que o tratamento das vítimas fosse readequado para essa situação e evitou que as consequências fossem piores.

As consequências do acidente radioativo com césio-137

No total, 4 pessoas que tiveram contato com o césio-137 morreram ainda em 1987 e 2 pessoas, incluindo o Devair, morreram após alguns anos.

Porém a Associação das Vítimas do Césio-137 relaciona cerca de 104 mortes com a tragédia, até o ano de 2012.

No total cerca de 1000 pessoas foram contaminadas e muitas casas tiveram que ser esvaziadas e limpas a vácuo, além de recolherem muitos objetos e materiais contaminados.

Os rejeitos da limpeza, que gerou cerca de 13,5 mil quilogramas de lixo radioativo, foram enterrados, com concreto e chumbo, no Parque Estadual Telma Ortegal, em 14 contêineres lacrados. Além de lotes como a casa e o ferro-velho de Devair estão vazios e cobertos com concreto.

A desinformação acerca da radioatividade também fez com que os moradores da região sofreram preconceitos por causa do acidente. Até hoje diversos atingidos relatam consequências do acidente radioativo.

Leia mais!

A radiação fez suas vítimas nesse caso por causa da desinformação e do mal direcionamento dos resíduos, por parte do Instituto de Radioterapia quando foi desativado. Porém, a radiação pode ser usada para coisas muito positivas.

Como é o caso de uma empresa de mineração de bitcoin, que planeja utilizar energia nuclear para mineração, em parceria com usinas nucleares e assim reduzir os custos de energia.

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Perguntas frequentes

O que foi o acidente com césio-137 em Goiânia?
Foi o maior acidente radiológico do mundo, iniciado em 13 de setembro de 1987 em Goiânia. Dois catadores de lixo encontraram em um instituto de radioterapia desativado um aparelho abandonado, o levaram a um ferro-velho e, ao desmontá-lo, depararam-se com um pó azul que brilhava no escuro, o cloreto de césio-137.
Como o material radioativo se espalhou e quais foram os primeiros sintomas?
Encantado com o brilho, o dono do ferro-velho, Devair Alves Ferreira, levou a substância para casa e a distribuiu para família e amigos observarem. Os contaminados apresentaram náuseas, tonturas, vômitos e diarreias, mas os profissionais de saúde não conseguiam detectar a causa e tratavam como uma doença contagiosa desconhecida.
Como o acidente foi finalmente identificado?
A esposa de Devair, Maria Gabriela, desconfiou que a substância de brilho azul era a responsável pelos sintomas e levou a cápsula à vigilância sanitária com auxílio de um funcionário do ferro-velho. O físico Walter Ferreira constatou que se tratava de um acidente radiológico, detectando os altos níveis de radiação, o que permitiu readequar o tratamento das vítimas.
Quais foram as consequências do acidente com césio-137?
Quatro pessoas que tiveram contato com o césio-137 morreram ainda em 1987 e duas, incluindo Devair, morreram anos depois, mas a Associação das Vítimas do Césio-137 relaciona cerca de 104 mortes com a tragédia até 2012. Cerca de 1000 pessoas foram contaminadas, muitas casas foram esvaziadas e limpas, e cerca de 13,5 mil quilos de lixo radioativo foram enterrados com concreto e chumbo no Parque Estadual Telma Ortegal.
Qual foi a causa que agravou o acidente?
A radiação fez vítimas por causa da desinformação e do mau direcionamento dos resíduos por parte do Instituto de Radioterapia quando foi desativado. A desinformação sobre a radioatividade também fez com que moradores da região sofressem preconceito por causa do acidente.
Camila Rocha
Escrito por
Camila Rocha
Grad. em Engenharia Elétrica com ênfase em Robótica e Automação Industrial pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Possui curso técnico em Meio Ambiente pelo Instituto Fe…

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