Carreira & Desenvolvimento

Habilidades do profissional do futuro e como desenvolvê-las

Os empregadores projetam que 39% das habilidades exigidas hoje terão mudado até 2030. Veja quais estão no topo da lista e, sobretudo, como se desenvolve cada tipo.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de fev de 2022  ·  Atualizado em 1 de set de 2026  ·  4 min de leitura
Profissionais em treinamento de desenvolvimento de competências

O dado mais desconfortável do Future of Jobs Report, do Fórum Econômico Mundial, não é sobre quais profissões desaparecem. É sobre quem fica: os empregadores ouvidos projetam que 39% das habilidades exigidas hoje terão mudado até 2030.

Ou seja, o risco maior não é perder o emprego. É continuar no mesmo cargo, com o mesmo título, fazendo um trabalho que virou outro por baixo dos seus pés. Este artigo é sobre quais competências o mercado está pedindo e, principalmente, como desenvolvê-las sem virar colecionador de curso.

As habilidades que o relatório coloca no topo

A lista do capítulo de habilidades mistura o técnico e o humano, e a proporção surpreende quem espera uma lista só de tecnologia:

  • IA e big data: a competência que mais sobe, e não só para quem trabalha com tecnologia
  • Redes e cibersegurança: puxada pela digitalização de setores que antes não dependiam disso
  • Letramento tecnológico: saber operar e avaliar ferramentas, sem necessariamente programar
  • Pensamento criativo: a habilidade humana mais bem posicionada da lista
  • Resiliência, flexibilidade e agilidade: lidar com mudança de escopo sem travar
  • Curiosidade e aprendizado contínuo: o que sustenta todas as outras ao longo do tempo

Duas técnicas e quatro comportamentais. É um contraponto direto à ideia de que basta aprender a ferramenta da vez: as competências que decidem promoção continuam sendo as mais difíceis de certificar.

Por que a lista sozinha não resolve

Toda lista de habilidades sofre do mesmo problema: ela descreve o destino sem indicar o caminho. "Desenvolva pensamento crítico" é um conselho que ninguém sabe executar na segunda-feira.

O erro comum a partir daí é tratar habilidade comportamental como conteúdo: assistir a um curso sobre comunicação e achar que a comunicação melhorou. Não funciona porque essas competências se desenvolvem por prática com retorno, não por exposição a informação.

A diferença é a mesma entre ler sobre natação e entrar na água com alguém corrigindo sua braçada.

Como desenvolver de fato

Três mecanismos funcionam para competência comportamental, e todos exigem situação real.

Assuma um problema que force a habilidade. Quer desenvolver pensamento analítico? Conduza um projeto que exija provar a causa com dado, não com opinião. A competência aparece porque a situação cobra, não porque você decidiu tê-la.

Peça retorno específico e cedo. "Como foi minha apresentação?" rende pouco. "Em que momento você se perdeu no que eu apresentei?" rende muito. Retorno vago não corrige nada.

Repita em contextos diferentes. Uma habilidade só está incorporada quando funciona fora do ambiente onde foi aprendida. Comunicar bem com o próprio time e travar diante da diretoria significa que a competência ainda é contextual.

Para as duas competências técnicas do topo da lista, o caminho é mais direto: formação estruturada com aplicação. Análise de dados e letramento tecnológico se aprendem fazendo, e uma formação que termina em projeto entrega as duas coisas junto com um caso para contar.

Por onde começar, dado que não dá para tudo

Seis competências é mais do que qualquer pessoa desenvolve ao mesmo tempo. Duas perguntas escolhem por você.

Qual delas mais aparece nas vagas que você quer? Abra cinco anúncios da posição que é o seu alvo e conte o que se repete. Isso transforma a lista global em prioridade local. É o mesmo exercício que sustenta um planejamento de carreira decente.

Qual delas destrava as outras? Costuma ser aprendizado contínuo, porque quem aprende rápido adquire as demais quando precisar. Vale mais construir o hábito de estudar do que perseguir a competência da moda, e transformar isso em meta com prazo e marco é o que impede a intenção de virar lista de janeiro.

Perguntas frequentes

Quais habilidades serão mais exigidas até 2030?
Segundo o Future of Jobs Report do Fórum Econômico Mundial: IA e big data, redes e cibersegurança, letramento tecnológico, pensamento criativo, resiliência e flexibilidade, e curiosidade com aprendizado contínuo. Duas são técnicas e quatro comportamentais.
É verdade que 39% das habilidades vão mudar?
É a projeção dos empregadores ouvidos no relatório para o horizonte de 2030. O ponto central não é a profissão desaparecer, e sim o conteúdo do trabalho se transformar dentro do mesmo cargo.
Como desenvolver habilidades comportamentais?
Por prática com retorno, não por exposição a conteúdo. Assuma um problema que force a habilidade, peça retorno específico e cedo, e repita em contextos diferentes até funcionar fora do ambiente onde foi aprendida.
Por que fazer um curso não basta?
Porque competência comportamental não se adquire por informação. É a diferença entre ler sobre natação e entrar na água com alguém corrigindo a braçada: sem situação real e correção, o conteúdo não vira capacidade.
Por qual habilidade começar?
Por duas perguntas: qual mais aparece nas vagas que você quer, o que transforma a lista global em prioridade local; e qual destrava as outras, que costuma ser aprendizado contínuo.
Habilidade técnica ou comportamental importa mais?
As duas aparecem no topo da lista, mas na proporção de quatro comportamentais para duas técnicas. As técnicas são mais fáceis de certificar; as comportamentais costumam ser as que decidem promoção.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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