Mapa de fontes de dados: o que é, como fazer e exemplo preenchido
O que registrar para cada fonte, por que o grão decide se duas bases se cruzam e o que fazer com a fonte que não existe, com a folha E04 do kit, a leitura do livro e um caso completo
Todo mapa de fontes de dados deveria ter uma linha para a fonte que quase nenhuma empresa tem: o registro da venda que não aconteceu. Quando falta produto, o cliente vai embora e o vendedor não lança o pedido que ficou pela metade. A falta some da base no mesmo instante em que acontece.
Tenho no currículo o Gestão 4.0 (turma 9, 2019), e de tudo o que o rótulo 4.0 promete, a parte que mais cobro de uma equipe de dados é a menos vistosa. Antes de sonhar com sistemas que conversam sozinhos, alguém precisa escrever quais fontes de dados existem, em que grão cada uma guarda o dado e quais delas não conversam com ninguém. Na minha opinião, a empresa conectada começa numa folha honesta sobre o que ainda está desconectado.
O fio deste texto é o caso ilustrativo que a gente escreveu para o kit da Voitto. Em 2026, a ruptura de estoque de uma rede atacadista de materiais de construção cresceu 40% de janeiro a junho, somando os sete CDs. Para entender a alta, a equipe listou oito fontes de dados. Só três estavam liberadas para consulta, e a fonte que mais ajudaria a medir o prejuízo não existia.
A seguir, você vê o que é um mapa de fontes de dados, o que cada coluna registra, por que a granularidade decide se duas fontes se somam e como montar o seu em sete passos. O modelo em branco está no fim, pronto para baixar.
O que é mapa de fontes de dados
Mapa de fontes de dados é a lista de todo sistema, planilha ou relatório que guarda parte da resposta de uma análise. Para cada fonte, registra o que ela responde, a granularidade, o período coberto, o dono, o caminho até o dado e se o acesso já está liberado.
É a primeira foto de onde o dado mora, tirada antes de qualquer consulta. No Kit de Ferramentas de Análise de Dados, o mapa de fontes de dados é a ferramenta E04, a que abre a fase Dados. O guia do kit define a entrega assim: “Toda fonte usada, com granularidade, período coberto e forma de acesso.” A frase tem uma palavra que costuma passar batida, que é usada. O mapa não é o inventário de todos os sistemas da empresa. É o recorte das fontes que a pergunta vai tocar.
Esse recorte separa o mapa de fontes de dados de um catálogo corporativo. Programas de governança de dados mantêm catálogos de toda a empresa, com dezenas de bases e regras de retenção, na linha do corpo de conhecimento da DAMA International (DMBOK). O mapa da análise cabe numa página. O que ele perde em abrangência, ganha em compromisso: cada linha tem um dono que a equipe vai procurar ainda nesta semana.
Para que serve, na prática? Serve para descobrir cedo o que vai atrasar o trabalho. Uma fonte sem acesso, um período curto demais ou duas bases que não se cruzam aparecem já no primeiro dia, bem antes da véspera da reunião com a diretoria. Serve também para quem lê a conclusão depois. Com o mapa em mãos, qualquer pessoa sabe de onde veio cada número e o que ficou de fora.
E serve de base para as outras ferramentas da fase. O gerenciamento de dados de uma análise começa por saber onde cada informação está guardada. Sem essa lista, o dicionário, o teste de qualidade e o perfil estatístico trabalham sobre um conjunto de fontes de dados que ninguém escreveu.
As colunas da E04 e o que cada uma evita
A E04 é uma folha de uma página. O miolo é uma tabela com uma linha por fonte e sete colunas. Embaixo, três blocos completam o quadro: as fontes que faltam, os riscos de integração e os sinais de um mapa completo. A tabela resume a função de cada coluna.
| Coluna | O que registra | O que evita |
|---|---|---|
| Fonte / sistema | O nome do sistema, da planilha ou do relatório | Chamar de “o sistema” duas bases diferentes |
| O que responde | A parte da pergunta que a fonte cobre | Buscar numa fonte o que ela não guarda |
| Granularidade | O que uma linha representa: pedido, dia, entrega | Somar números que não estão no mesmo grão |
| Período disponível | Desde quando a fonte tem histórico | Descobrir tarde que o histórico não cobre a pergunta |
| Dono do dado | Quem autoriza o acesso e explica o campo | Dúvida sem destinatário |
| Como acessar | Consulta, exportação, arquivo ou papel | Prometer prazo sem saber o caminho até o dado |
| Acesso liberado? | Sim, parcial ou não | Esperar uma liberação que ninguém pediu |
O bloco de fontes que faltam registra a informação que a análise precisaria e que não existe em lugar nenhum. O bloco de riscos de integração anota o que vai dar trabalho na hora de cruzar as fontes, como grãos diferentes e códigos que não batem. Os dois blocos são curtos na folha, e são os que mais mudam o plano da análise.
O rodapé traz quatro sinais de mapa completo. Toda fonte tem uma pessoa nomeada como dona. A granularidade de cada fonte está escrita. O que precisa de pedido formal está marcado antes de a análise começar. E a lacuna aparece escrita ao lado das fontes que existem. Os quatro sinais funcionam como revisão final da folha, e a seção do exemplo mostra que nem o caso do kit cumpre todos.
Granularidade: o que uma linha de cada fonte representa
Granularidade é a resposta para uma pergunta simples: uma linha desta fonte é o quê? Pode ser um pedido, um item de pedido, um SKU num dia, uma entrega, um mês de um centro. O guia do kit resume a consequência numa frase: “Duas fontes em granularidades diferentes não se somam sem tratamento.”
No caso da distribuidora, as três fontes de dados principais estão cada uma num grão. O ERP guarda uma linha por pedido. O WMS guarda o saldo de cada SKU em cada dia. A planilha do Compras guarda uma linha por entrega de fornecedor. As três falam do mesmo produto, mas nenhuma linha de uma corresponde a uma linha da outra.
O que a E04 do caso escreve como risco é a condição para o cruzamento: uma chave de SKU e de data. Na prática, isso costuma significar levar tudo para o grão mais grosso que a pergunta aceita. Se a ruptura é medida por SKU e por dia, os pedidos do ERP precisam ser somados por SKU e dia, e as entregas da planilha também. É o tipo de transformação que um processo de ETL (extração, transformação e carga) faz quando a rotina se repete, e que numa análise pontual costuma sair de uma consulta ou do Power Query.
O erro clássico é o contrário: juntar as fontes de dados pelo nome parecido da coluna e deixar o grão para depois. Uma junção entre uma tabela por pedido e outra por SKU e dia repete linhas sem avisar. O total de vendas cresce, o saldo aparece duas vezes e o gráfico sai com um número que nenhuma fonte tem. Um grão escrito na folha evita isso antes da primeira consulta.
O caso traz um segundo risco, que não é de grão. O fornecedor não tem o mesmo código no ERP e na planilha. Mesmo com o grão acertado, a pergunta sobre qual fornecedor atrasa mais depende de uma tabela de equivalência entre os dois cadastros. A integração de dados entre sistemas começa por esse tipo de detalhe, e o mapa é o primeiro lugar onde ele fica escrito.
Período disponível: quanto histórico cada fonte guarda
A pergunta do caso cobre janeiro a junho de 2026, e todas as fontes de dados principais alcançam esse intervalo. O ERP guarda pedidos desde 2019, a planilha do Compras desde 2023 e o WMS desde jan/2024. À primeira vista, a coluna de período está resolvida.
Ela deixa de estar resolvida quando a análise precisa comparar. Para saber se a alta do primeiro semestre é sazonal, a equipe quer o mesmo semestre dos anos anteriores. A ruptura por SKU e por dia depende do saldo diário, e no mapa só o WMS guarda esse grão. A comparação vai até onde vai o WMS, e não até onde vai o ERP, por mais longo que seja o histórico de pedidos.
O portal do fornecedor mostra outro tipo de limite. Ele guarda só os contratos vigentes. Uma entrega feita sob um contrato que já venceu perde o prazo contratado de referência, e o atraso dela só se calcula se alguém guardou o contrato antigo. Na pergunta sobre gestão de fornecedores, o atraso contra o prometido tem histórico curto, mesmo com a planilha de entregas cobrindo vários anos.
Duas linhas mostram como escrever o período quando não há resposta limpa. No sistema de trocas, a folha diz “não determinado, a confirmar com Logística”. Na folha de verificação, o período é só a semana da rodada de campo. As duas anotações valem mais do que um campo em branco, porque dizem o que falta saber e a quem perguntar.
A regra que tiro dessa coluna é curta: o período útil de um cruzamento é o da fonte mais curta que ele usa. Vale escrever isso ao lado do mapa de fontes de dados antes de prometer uma série histórica a alguém.
Dono do dado: uma pessoa, e não uma área
O terceiro passo de preenchimento da E04 diz quem é o dono: “É quem autoriza o acesso e quem explica o campo estranho.” São dois papéis numa pessoa só. Um libera a consulta. O outro sabe por que uma coluna tem valor em branco toda segunda-feira.
Por isso o primeiro sinal do rodapé pede dono nomeado. Uma área não responde mensagem. Escrever “TI” na coluna Dono deixa a dúvida sem endereço, e a análise espera enquanto alguém descobre a quem perguntar. No caso, a maior parte das linhas traz a área e uma pessoa ao lado.
Na primeira conversa com cada dono listado no mapa de fontes de dados, cinco perguntas cobrem quase tudo o que a folha pede.
- Uma linha desta fonte representa o quê?
- Desde quando existe histórico, e houve troca de sistema no meio do caminho?
- Algum campo mudou de significado nesse período?
- Como se pede o acesso, e quem aprova o pedido?
- Existe algum dado que você sabe que falta ou que ninguém confere?
A terceira pergunta abre caminho para o dicionário de dados, a ferramenta que vem logo depois na fase. A última costuma render a linha de fontes que faltam, porque quem opera o sistema sabe o que ele deixa de registrar.
A folha também mostra onde o dono se concentra. A mesma pessoa da Logística responde pelo WMS e pelo sistema de trocas. A mesma pessoa de Suprimentos responde pela planilha do Compras e pelo portal do fornecedor. Para quem monta a agenda, isso pesa: duas fontes dependem da mesma conversa, e um período de férias trava as duas.
Nas fontes em papel, o dono muda de natureza. A portaria de recebimento e a folha de verificação ficam com o encarregado ou com o líder de turno de cada centro. Aí o mapa registra um cargo, e não uma pessoa, porque o dado está espalhado por vários lugares. O próprio caso fica aquém do primeiro sinal nessas duas linhas, e o motivo é legítimo. Vale anotar isso na folha, em vez de fingir um nome.
Acesso liberado: a coluna que mais atrasa a análise
O quarto passo da E04 é marcar o que exige pedido formal de acesso, e o guia justifica em seis palavras: “É o que mais atrasa análise.” Pedido formal passa por aprovação, às vezes por justificativa escrita, e raramente sai no mesmo dia. Quem descobre isso na véspera da entrega perde a entrega.
Você já viu uma análise pronta parada à espera de uma senha? No caso, das oito fontes de dados, três estavam liberadas, uma parcialmente e quatro não. A figura mostra as oito na ordem da folha, com o caminho até o dado ao lado de cada uma.
O detalhe está no motivo de cada não, porque cada motivo pede uma ação diferente.
- Falta permissão. A meta por centro mora num workspace de Power BI do Comercial, e a folha anota “Não, pedir acesso”. A ação é abrir o pedido no primeiro dia.
- O dado está em papel. O canhoto da portaria registra a data e a assinatura do recebimento, sem digitalização. Não há pedido que resolva. A ação é decidir se vale digitar uma amostra ou deixar a fonte de fora.
- O dado ainda não existe. A folha de verificação é a própria coleta desta rodada. O acesso é “não” porque ninguém preencheu ainda. A ação é o plano de coleta de dados.
- Não há integração. O sistema de trocas registra a devolução sem ligação com o pedido original e só aceita consulta manual. A ação é medir quanto trabalho braçal a fonte custa antes de contar com ela.
Quando a fonte tem dado pessoal, o acesso ganha outra camada. Cadastro de cliente, dados de motoristas e registros com nome e documento pedem base legal e cuidado com o uso, como prevê a Lei Geral de Proteção de Dados, cujo texto está na Lei 13.709/2018. O mapa ajuda a enxergar essas fontes antes de alguém exportar a base inteira para uma planilha.
A fonte que falta também entra no mapa
O guia do kit aponta o erro comum desta ferramenta, que é “registrar só o que existe, e esquecer de anotar o que falta e por quê”. Esse erro é fácil de cometer, porque a folha convida a listar sistemas, e a fonte que falta não tem nome de sistema.
No caso, a fonte que falta é a base de pedidos perdidos por falta de produto. A E04 explica o motivo em uma linha: o vendedor não lança a venda que não aconteceu. É a mesma lacuna da abertura, e ela pesa. Sem esse registro, a análise enxerga a ruptura só pelo lado do estoque, e a demanda que foi embora fica sem número.
O indicador do caso confirma a escolha. A árvore de indicadores do kit mede a ruptura em 7,8% dos SKU-dia, contra a meta de 4,0%. É uma medida de prateleira vazia, construída com o saldo do WMS. Ela diz com que frequência faltou produto, mas não quanto de venda a falta custou. A conclusão sobre prejuízo em reais precisaria da fonte que não existe.
Uma boa linha de fonte que falta tem três partes: o que a análise precisaria, por que o registro não existe e o que a conclusão deixa de afirmar por causa disso. A folha do caso traz as duas primeiras por escrito. A terceira fica implícita, e vale completar à mão, porque é a que a diretoria vai ler.
Anotar a lacuna muda duas coisas. Primeiro, a conclusão fica honesta sobre o que não mede. Segundo, a fonte que falta vira proposta. Um campo simples no pedido, com o motivo da venda não realizada, passaria a alimentar a próxima rodada. Sem a linha no mapa, essa ideia só aparece quando alguém da diretoria pergunta quanto a empresa perdeu, e aí é tarde para coletar.
O que o livro diz sobre onde o dado mora
O Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt trata o dado como matéria-prima do projeto de melhoria, e três trechos se ligam diretamente ao mapa de fontes de dados. O primeiro vem da página 215, no capítulo dedicado a métricas e coleta. Ali o livro pede duas qualidades ao sistema que coleta o dado: ser confiável e trazer informação relevante para o processo em estudo. São as duas perguntas que o mapa faz a cada linha.
O segundo está no resumo do mesmo capítulo, na página 229, que descreve a etapa de Medição como “examinando detalhadamente os dados históricos”. Dado histórico tem começo, e é esse começo que a coluna de período disponível registra. O terceiro vem do capítulo 3, “Gerenciamento de Mudanças”, na página 23: “E quando esses dados são relacionados entre si, por meio de um estudo sistemático, eles se transformam em informações preciosas e tornam-se fonte de conhecimento para um processo decisório.”
O livro não fala em mapa de fontes. A ligação de cada trecho a uma parte da E04 é leitura minha, e a tabela deixa essa leitura à vista.
| O que o livro diz | Página | Parte da E04 que responde |
|---|---|---|
| Sistema confiável de coleta | 215 | Como acessar e Acesso liberado?: o caminho até o dado e se ele está aberto |
| Informações relevantes para o processo | 215 | O que responde: só entra a fonte que cobre parte da pergunta |
| Dados históricos examinados em detalhe | 229 | Período disponível: desde quando cada fonte guarda histórico |
| Dados relacionados entre si | 23 | Granularidade e Riscos de integração: o que permite cruzar as fontes |
A última linha é a que mais pesa no caso. Relacionar dados entre si pede um ponto em comum, e o mapa da distribuidora mostra que esse ponto ainda não existe entre ERP, WMS e planilha. O livro descreve o destino. A E04 mostra a distância até ele.
Onde a E04 entra na fase Dados
O guia resume a fase Dados assim: “Onde o dado mora, o que cada campo significa e o quanto dele presta.” São três perguntas em sequência. A E04 responde à primeira. O dicionário de dados (E05), o checklist de qualidade (E06) e o perfil estatístico (E07) respondem às outras, e todas partem das fontes de dados que o mapa listou.
A fase anterior entrega a pergunta. No caso, ela se desdobra em três frentes: a causa da falta de produto, os fornecedores que entregam com mais atraso e a diferença entre os sete centros. Cada frente puxa fontes de dados diferentes. A falta pede saldo e movimentação do WMS. O atraso pede datas de pedido e de entrega da planilha e o prazo contratado do portal. A comparação entre centros pede a meta do painel comercial.
Quem já montou um SIPOC reconhece o raciocínio. O SIPOC pergunta quem fornece cada entrada ao processo. O mapa de fontes de dados faz a mesma pergunta para a análise: quem fornece cada pedaço do dado, em que forma e com que prazo.
O mapa também conversa com a fase seguinte. No caso, uma das oito linhas é a folha de verificação, que ainda não existia quando o mapa foi feito. Ela nasceu do plano de coleta e virou a folha de verificação preenchida em campo, com o motivo da ruptura por turno. O mapa registrou a fonte antes de ela existir, e isso deixou claro que parte da resposta dependia de uma coleta nova.
Como fazer um mapa de fontes de dados em sete passos
- Escreva a pergunta no topo. A definição do problema decide quais fontes entram. Sem pergunta, o mapa vira inventário da empresa.
- Liste tudo que guarda parte da resposta. Sistema, planilha, relatório, painel e papel. Pergunte também a quem opera o processo onde a informação fica.
- Escreva o grão de cada fonte. Responda “uma linha é o quê?” para cada uma. Se ninguém sabe, abra dez linhas e confira.
- Compare o período com a pergunta. Uma fonte que começa depois do período analisado não serve para comparar antes e depois.
- Dê nome ao dono. Área e pessoa. Nas fontes espalhadas, registre o cargo e diga por quê.
- Peça os acessos no primeiro dia. Marque o que exige pedido formal e abra o pedido antes de começar qualquer outra coisa.
- Registre as lacunas e os riscos. Anote a fonte que falta, com o motivo, e o que vai dar trabalho para cruzar: grão diferente, código diferente, falta de chave.
O passo que mais rende é o segundo. As fontes de dados que ninguém lembra de citar costumam ser as mais próximas do processo: um caderno na portaria, uma planilha pessoal do comprador, um relatório que só uma pessoa sabe tirar. Uma conversa com quem opera o processo acha mais fontes de dados do que uma lista de sistemas pedida à TI.
O passo mais subestimado é o sexto, justamente o pedido que faz a análise levantar da cadeira na primeira semana. Pedir acesso é a parte da análise que não depende de você. Enquanto o pedido tramita, o trabalho segue com as fontes já liberadas. Quem deixa o pedido para depois descobre que o prazo da análise era, na verdade, o prazo da aprovação.
Depois de pronto, o mapa pede uma revisão curta a cada rodada. Um acesso que saiu muda de não para sim. Uma fonte nova, como uma coleta em campo, entra na lista. Uma fonte que se mostrou inútil sai, com uma linha dizendo por quê.
Exemplo de mapa de fontes de dados preenchido
A folha abaixo é a do caso que abre este texto: oito fontes levantadas para a pergunta da ruptura, antes de qualquer consulta. A miniatura amplia a página, e o botão logo embaixo entrega o PDF.
1. Oito fontes para explicar a ruptura, três com acesso liberado
A distribuidora do caso trabalha com material de construção e opera sete CDs. A análise quer entender a alta da ruptura no primeiro semestre, e a pergunta se abre em três frentes: o motivo de faltar mercadoria, o fornecedor com mais atraso nas entregas e a diferença de ruptura entre os centros. O desafio é que a resposta está espalhada por sistemas sem ligação entre si, por papel e por um registro que ninguém faz. Para essa pergunta, a folha lista oito fontes. Três são sistemas com acesso liberado: o ERP Protheus, com venda, pedido e cadastros desde 2019; o WMS Vertice, com saldo e movimentação de estoque desde jan/2024; e a planilha Compras.xlsx, com as datas de pedido e de entrega desde 2023. São a espinha da análise, e cada uma guarda o dado num grão próprio.
O portal do fornecedor tem o prazo contratado, só dos contratos vigentes, e o acesso é parcial, por consulta manual. O painel de Power BI do Comercial tem a meta de venda por centro desde 2025, e a folha registra que é preciso pedir acesso ao workspace. As duas fontes cobrem a comparação entre o prazo prometido e o real, e a comparação entre os centros.
As três últimas linhas fogem do padrão de sistema. O canhoto da portaria guarda a data e a assinatura do recebimento, em papel, sem digitalização. A folha de verificação (P10) é a coleta da própria rodada, com o motivo da ruptura por turno. E o sistema de trocas registra devoluções sem vínculo com o pedido original, com período ainda a confirmar com a Logística.
Os blocos do rodapé fecham o quadro. A fonte que falta é a base de pedido perdido, porque o vendedor não lança a venda que não aconteceu. O risco de integração junta os três grãos, pedido, SKU-dia e entrega, e pede uma chave de SKU e de data. O cadastro de fornecedores ainda traz códigos que não batem entre o ERP e a planilha.
No saldo, a folha tem 3 fontes liberadas, 1 parcial e 4 ainda sem acesso. Nenhuma dessas quatro trava a pergunta sozinha, mas cada uma pede uma ação diferente. Uma depende de aprovação, uma de digitação, uma de coleta em campo e uma de trabalho manual. Com o mapa em mãos, a equipe sabia no primeiro dia o que dava para responder já e o que ia esperar.
Eu leio este exemplo de baixo para cima, e sugiro que você faça o mesmo. Os blocos do rodapé dizem mais sobre o andamento da análise do que as linhas da tabela. A fonte que falta avisa o que a conclusão não vai conseguir afirmar. O risco de integração avisa onde vai o primeiro dia de trabalho técnico.
Repare também no que o mapa não faz. Ele não mede quantos registros estão vazios, não define os campos e não calcula nada. Essas tarefas ficam para as ferramentas seguintes da fase. O mapa só garante que elas vão começar pelas fontes certas, com os acessos já pedidos.
Mapa de fontes, catálogo, dicionário e plano de coleta
Quatro documentos de dados aparecem juntos em análises e projetos, e cada um olha para um objeto diferente. A tabela separa os quatro pela pergunta que cada um responde.
| Documento | Olha para | Pergunta que responde | Escopo |
|---|---|---|---|
| Mapa de fontes de dados | Sistemas, planilhas e relatórios | Onde o dado mora e como chego até ele? | Uma análise |
| Catálogo de dados | Bases e tabelas da empresa | Que dados a empresa tem? | A empresa inteira |
| Dicionário de dados | Campos de uma base | O que cada coluna significa? | As fontes do mapa |
| Plano de coleta | Dado que ainda não existe | Como vou registrar o que falta? | A lacuna do mapa |
A ordem entre eles segue a lógica da fase. O mapa vem primeiro, porque diz de quais fontes o dicionário vai tratar. O plano de coleta entra quando o mapa aponta uma lacuna que dá para preencher em campo. O catálogo, quando existe, é uma boa lista de partida para o segundo passo, mas não diz o que a pergunta precisa.
Em ambientes maiores, as fontes de dados do mapa costumam ser integradas num data warehouse ou num data lake. A integração não dispensa o mapa. Ela muda a coluna de acesso, mas o grão, o período e o dono de cada origem continuam valendo. Num data lake, o ERP da distribuidora continuaria com uma linha por pedido, e o WMS com uma por SKU e dia.
Erros comuns ao fazer um mapa de fontes de dados
O erro que o guia registra, esquecer a fonte que falta, já tem seção própria acima. Os outros erros frequentes aparecem em quase toda análise que começa com pressa.
- Listar só sistemas. Papel, planilha pessoal e relatório impresso também são fontes. No caso, dois registros em papel entraram no mapa.
- Presumir o grão. Achar que a tabela de vendas é por item quando ela é por pedido muda o total sem que ninguém perceba.
- Ignorar o período. Uma fonte com histórico curto não sustenta comparação de tendência, por mais completa que seja.
- Dono genérico. Área sem pessoa deixa a pergunta sem destinatário e o pedido de acesso sem aprovador.
- Pedir acesso tarde. A marca de pedido formal serve para abrir o pedido no primeiro dia, não para lembrar dele na última semana.
- Tratar o mapa como catálogo. Documentar todos os sistemas da empresa atrasa a análise sem ajudar a pergunta.
- Apagar a fonte descartada. Se uma fonte saiu do escopo, deixe a linha com o motivo. Quem retomar a análise não perde tempo com ela de novo.
Quando o mapa de fontes pode ser curto
Uma análise com uma fonte só, acesso liberado e histórico de sobra pede um mapa de três linhas: a fonte, o grão e o período. Relatório recorrente, feito sempre sobre a mesma base, também dispensa a folha completa depois da primeira vez.
Alguns sinais pedem a folha inteira. Mais de uma fonte, grãos diferentes, dado em papel, acesso ainda não liberado e informação que a pergunta exige e ninguém registra. O caso da distribuidora tem os cinco sinais, e por isso ocupou a página toda.
Mesmo na versão curta, duas colunas não devem sair: a granularidade e a fonte que falta. São as duas informações que mais custam quando alguém retoma o trabalho meses depois. O resto se recupera consultando o sistema. Já o grão presumido e a lacuna esquecida ficam só na cabeça de quem fez a primeira rodada.
Modelo de mapa de fontes de dados em branco para baixar
A E04 em branco é o modelo de mapa de fontes de dados que a gente colocou no kit. É uma página em PDF, pronta para imprimir ou para preencher na tela.
O cabeçalho traz as quatro instruções de preenchimento. Abaixo, a tabela de fontes com as sete colunas, os blocos de fontes que faltam e de riscos de integração, e os quatro sinais de um mapa completo no rodapé.
Abrir e baixar a E04 em branco (PDF)
Um exercício bacana para estrear o modelo é refazer o caso da distribuidora na folha vazia, sem olhar o exemplo, e depois comparar. As diferenças mostram o que você presumiu. Em seguida, troque pela pergunta da sua própria análise e comece pelas fontes de dados que ninguém costuma listar.
Para praticar o percurso inteiro, da pergunta à recomendação, a formação em análise de dados da Voitto percorre as fases do kit em ordem. E quem aplica esse cuidado em projetos Lean Seis Sigma encontra na Academia de Certificação da Voitto o caminho das certificações.
