Gestão & Liderança

Status report: o que é, como fazer e modelo em PDF

Como escrever o relato do período com farol, justificativa, entregas, desvios e próximos passos, com o caso de uma rede de farmácias cujo vermelho veio da curva S

Thiago Coutinho
Publicado em 16 de set de 2026  ·  Atualizado em 1 de out de 2026  ·  22 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta apresentando no palco diante da tela azul iluminada, com o texto Status report: o que é, como fazer e modelo em PDF sobre fundo escuro à esquerda

Lá por 2015, a Voitto esteve no fundo do poço financeiro. A receita era alta, e a despesa subia mais rápido que ela. Quem olhasse só para a receita diria que a empresa crescia. Eu aprendi ali, na marra, que sensação de crescimento e conta fechando são duas coisas diferentes. O status report é o documento do projeto que existe para essas duas coisas não se confundirem.

Um bom status report é curto de propósito. Uma página por período, com o farol do projeto e a justificativa da cor. Depois vêm o que foi entregue, o que desviou do combinado, os riscos que mudaram de patamar e os próximos passos. Quem lê é quem decide e não acompanha o dia a dia: o patrocinador, a diretoria, o comitê.

O Kit de Ferramentas para Gestão de Projetos dá ao status report uma folha própria, a M13, ligada ao monitoramento. A folha tem três instruções no topo, e a terceira resume o artigo inteiro: antes de afirmar que o projeto está em dia, olhe a curva S. É ela que confirma ou desmente a sensação.

Na folha preenchida do kit, o relato é do PMO da rede de farmácias, em plena troca de ERP. O status report de 18/08/2026 acende o farol vermelho com os dois índices da curva S, e cada desvio aponta para o documento que o sustenta.

Daqui para a frente vêm as seis partes da folha e a regra do farol. Depois, a justificativa que sai da curva S, o desvio com referência e a diferença entre entrega e atividade. No fim, quatro exemplos preenchidos com PDF e o M13 em branco. Antes de começar, uma nota de procedência. A rede de farmácias foi inventada pela gente, na Voitto, para servir de caso ao kit. Os outros três relatos foram montados para este artigo e também são ilustrativos.

O que é o status report

O status report é o relatório periódico de um projeto, escrito para quem decide sem acompanhar a execução. Em uma página, ele diz se o projeto está sob controle, com farol e justificativa. Diz também o que foi entregue, o que desviou e com qual referência, os riscos que mudaram e os próximos passos.

O que define o status report é o leitor. O plano do projeto é escrito para quem executa. O status report é escrito para o patrocinador que lê seis relatórios na mesma manhã e precisa saber, em um minuto, onde a decisão dele faz falta. O óbvio para a equipe tem que estar dito, e o detalhe de execução pode ficar de fora.

O status report pertence à fase de monitoramento, e monitorar é comparar o que aconteceu com o que foi combinado. Por isso o status report que não cita a linha de base descreve o projeto, mas não monitora nada. A comparação precisa de números calculados em outro lugar. O custo e o prazo estão na curva S, os problemas no registro de problemas, as mudanças no controle de mudanças.

O vocabulário dos índices que sustentam o farol, CPI e SPI, é o do valor agregado, o mesmo do guia PMBOK do Project Management Institute. A folha do kit não inventa métrica nova. Ela obriga quem escreve a citar a métrica que já existe.

As seis partes do M13

A folha começa com um cabeçalho de identificação: projeto ou código, responsável pelo relato e data do relato. Depois vêm seis blocos, sempre na mesma ordem.

BlocoO que entraO que ele responde
Período cobertoAs datas de início e fim do intervalo relatadoContra qual janela de tempo o resto deve ser lido
Farol geral e justificativaVerde, amarelo ou vermelho, com a frase que sustenta a corO projeto está sob controle, e por quê
Principais realizaçõesO que foi entregue no período, com dataO que de concreto mudou desde o último relato
Principais desviosO desvio, o efeito em prazo e custo, e a referênciaOnde o projeto se afastou do combinado, e quanto
Riscos em destaqueOs riscos que mudaram de patamarO que pode piorar antes do próximo relato
Próximos passosO que será feito até o próximo períodoO que cobrar na próxima leitura

As três instruções do topo valem como regra de preenchimento. São estas.

  1. Um status report por período de acompanhamento, com o farol pelo critério da folha: verde no prazo e custo, amarelo com desvio sob controle, vermelho com desvio sem resposta.
  2. Toda linha da tabela de desvios cita a referência: controle de mudanças (E12), matriz de riscos (P07) ou registro de problemas (M16).
  3. Antes de escrever "projeto em dia", cheque a curva S (M14).

A ordem dos blocos tem lógica. O farol vem antes das realizações porque o leitor precisa da conclusão antes da evidência. Os desvios vêm antes dos riscos porque desvio já aconteceu e risco ainda pode acontecer. E a folha não tem campo de observações gerais. Campo livre no fim atrai o que deveria estar estruturado: o desvio que ninguém quer nomear e o risco que ninguém quer classificar.

O período coberto é o campo mais esquecido. Sem ele, três entregas não dizem se o ritmo subiu ou caiu, porque ninguém sabe se o intervalo foi de sete ou de vinte e um dias. A regra prática é simples: períodos sem buraco e sem sobreposição. Se o relato anterior fechou em 07/03, este começa em 08/03.

O farol: a cor mede a resposta

O farol é a parte mais lida do status report, e a mais fácil de pintar por conveniência. Ele é lido porque cabe num olhar. É pintado por conveniência porque o verde evita a conversa difícil, e porque pouca organização escreve o critério das cores antes do primeiro relato.

  • Verde: no prazo e no custo. Verde não quer dizer sem problema. Quer dizer que os desvios existentes não ameaçam a data nem o orçamento acordados.
  • Amarelo: desvio sob controle. Há afastamento da linha de base, e há resposta em curso, com dono e prazo.
  • Vermelho: desvio sem resposta. O afastamento existe e não há plano capaz de recuperá-lo, ou a recuperação depende de uma decisão que ainda não foi tomada.

A distinção que mais importa é entre amarelo e vermelho, e ela não é de tamanho. Um atraso grande com plano de recuperação rodando é amarelo. Um atraso pequeno parado há três semanas esperando decisão é vermelho. Lido assim, o farol diz ao patrocinador a única coisa que ele precisa saber primeiro: onde a decisão dele está faltando.

Quadro com as quatro folhas do artigo, CPI, SPI e cor do farol: rede de farmácias do caso do kit com CPI 0,77 e SPI 0,84, vermelho, novo prazo dependendo do comitê; galpão logístico com CPI 0,98 e SPI 0,93, amarelo, turno de sábado em curso; Green Belt de refugo com CPI 1,03 e SPI 0,98, verde; mudança de sede com CPI 0,99 e SPI 0,71, vermelho, dependendo de decisão dos sócios
As quatro folhas do artigo pelo mesmo critério. A mudança de sede tem custo no plano e farol vermelho.

Repare na última linha do quadro. A mudança de sede tem CPI 0,99, o custo está praticamente no plano, e o farol é vermelho. A obra está parada e a saída depende dos sócios estenderem o aluguel atual. Já o galpão tem SPI abaixo do limite e fica no amarelo, porque o turno de sábado já está recuperando os dias.

Para os três exemplos ilustrativos eu escrevi um critério numérico, impresso em cada folha. CPI e SPI a partir de 0,95 dão verde. Abaixo disso, a cor depende da resposta. O 0,95 é um critério dos exemplos, não do kit. Cada organização escolhe o seu. O que não dá é não escolher, porque aí cada gerente pinta com o próprio termômetro e os faróis de dois projetos deixam de ser comparáveis.

A justificativa do farol sai da curva S

O guia do kit nomeia o erro comum do M13 sem rodeio. É justificar o farol por impressão, sem citar os índices de custo e prazo que a curva S calcula. E fixa a ordem no passo a passo da fase: primeiro a curva S, depois o status report, porque os índices que sustentam a cor saem dela.

Os dois índices medem coisas diferentes. O CPI divide o valor agregado pelo custo real: abaixo de 1, cada real gasto comprou menos trabalho que o planejado. O SPI divide o valor agregado pelo custo planejado até a data: abaixo de 1, o projeto entregou menos do que deveria ter entregue. Quem quiser a conta passo a passo acha na curva S, e o guia de estimativa de custos do GAO, órgão de auditoria do Congresso americano, dedica capítulos inteiros ao valor agregado.

No caso do kit, a curva S de agosto tem valor agregado de R$ 816 mil, custo real de R$ 1,065 milhão e planejado de R$ 970 mil. Daí saem os dois índices que o status report põe na justificativa. Daí sai também o "9,8% acima do custo planejado", e esse número engana quem lê com pressa.

Os 9,8% comparam o gasto real com o gasto planejado. Contra o valor agregado, que é o trabalho de fato feito, o real está 30,5% acima: R$ 1,065 milhão pagos por R$ 816 mil de trabalho. As duas contas estão certas e respondem perguntas diferentes. Quem lê só a porcentagem conclui que o estouro é de um décimo, quando o CPI diz que cada real comprou 77 centavos de trabalho.

Tem mais uma coisa que a curva mostra e o relato do mês esconderia. Em julho e agosto, o gasto mensal real do caso foi igual ao planejado, R$ 140 mil nos dois meses. Um status report que olhasse só o período diria custo no plano. O acumulado carrega o desvio de abril, maio e junho, e o CPI não volta. É a armadilha de 2015 em escala de projeto: o faturamento alto era a metade confortável da frase, e o gasto acumulado era a outra metade.

A regra prática fica assim. A justificativa do farol cita pelo menos um índice com a fonte, "CPI 0,77 (M14)", e uma consequência concreta, "Onda 1 em andamento 11 dias depois da data". Se você não tem curva S, use o painel de indicadores do projeto ou os marcos do cronograma, mas cite um número com origem. Sem isso, o farol é um indicador sem fórmula.

Desvio sem referência não é desvio

A tabela de desvios do status report tem três colunas: o que desviou, quanto isso pesou em prazo e dinheiro, e onde está documentado. A segunda instrução da folha limita a referência a três documentos: o E12 das mudanças, o P07 dos riscos e o M16 dos problemas. A terceira coluna é o que separa um status report de uma conversa de corredor.

Desvio sem referência aparece num relato, some no seguinte, e ninguém sabe se foi resolvido ou esquecido. Com referência, ele tem endereço. Quem lê pode abrir o pedido de mudança, a linha da matriz de riscos ou o problema registrado, ver o histórico e cobrar o encaminhamento.

A referência também separa desvio de risco. Um item que ainda não produziu efeito não é desvio, é risco, e vai para o bloco de riscos em destaque. Misturar os dois incha a tabela de desvios sem que o projeto tenha piorado, e os desvios reais se perdem no meio.

No caso do kit, as três linhas têm referência, e duas delas mostram um cuidado que vale ter. A segunda linha traz R$ 95.000,00 de desvio acumulado de custo, com o número da curva S. A terceira traz R$ 95.000,00 de efeito das três mudanças de escopo feitas fora do comitê. É o mesmo dinheiro visto por dois documentos: a curva S mede o excesso, e o controle de mudanças diz de onde ele veio. Quem soma as duas linhas chega a 190 mil, que não existem.

Quando a mesma referência aparece em três relatos seguidos, o documento está avisando outra coisa: o encaminhamento não anda. Essa leitura exige comparar relatórios em vez de ler um só, e é a que mais rende.

Realizações: relatar entrega, não atividade

As realizações do status report listam as entregas do período, cada uma com a sua data. A palavra entregue exclui o que está em andamento, o que está quase pronto e o que foi iniciado, que enchem relatórios e não deixam concluir nada.

  • Não é entrega: "em andamento", "iniciado", "90% concluído", "aguardando retorno".
  • É entrega: artefato aceito, sistema em produção, contrato assinado, teste concluído com resultado, treinamento realizado com lista de presença.
  • Fronteira: entrega parcial combinada antes, desde que a parte entregue tenha critério de aceite próprio.

O status report escrito por atividade tem um efeito perverso que só aparece no terceiro ou quarto período. Atividade sempre existe, então o documento nunca fica vazio, e um projeto travado produz quatro relatórios cheios. O relato por entrega fica visivelmente vazio quando nada fechou. Esse vazio é o que dispara a conversa certa na semana certa.

Quando o período não teve entrega, escreva isso. "Nenhuma entrega concluída no período" é uma frase difícil de mandar, e é a que o relato da mudança de sede, mais abaixo, traz na tabela de realizações.

Dois detalhes do caso do kit só aparecem para quem confere as datas. A primeira realização, o piloto aprovado em 3 lojas, é de 10/07, fora do período coberto de 01/08 a 18/08. O cabeçalho diz que o acompanhamento é acumulado desde fevereiro, então a linha cabe, mas o leitor apressado conta três entregas no período quando foram duas. A segunda, 8 das 10 lojas faturando, é entrega parcial: a Onda 1 não fechou, e a própria folha diz isso no primeiro desvio. A folha é honesta nos dois casos. O leitor é que precisa ler a data.

O caso do kit: o vermelho da rede de farmácias

O M13 preenchido do kit é o status report de 18/08/2026 da troca de ERP da rede de farmácias. Essa troca de ERP é o caso que reaparece em cada folha do kit. O período vai de 01/08 a 18/08 e o farol é vermelho. Cada bloco puxa o número de outra folha.

Diagrama de procedência do status report de 18/08/2026 do caso do kit: farol e justificativa vêm da curva S (M14), com CPI 0,77, SPI 0,84 e 9,8% acima; realizações do cronograma (P06), com o piloto aprovado em 10/07; o desvio 1 do registro de problemas (M16), Onda 1 atrasada e 49 dias; os desvios 2 e 3 do controle de mudanças (E12), com R$ 95.000,00 nas duas linhas; e os riscos em destaque da matriz de riscos (P07), com o risco de escopo ALTO
De onde vem cada bloco do status report do caso: a folha cita, não calcula.

A justificativa do farol faz o que a terceira instrução pede. Cita CPI e SPI com a fonte e dá a consequência concreta: a primeira onda de lojas ainda aberta onze dias depois da data prevista. O bloco de riscos destaca um único risco. É o de o escopo crescer sem passar pelo controle de mudanças. Ele estava classificado como ALTO desde o planejamento e é o único da matriz sem resposta cumprida, porque das 4 mudanças registradas, 3 entraram sem passar pelo comitê.

O próximo passo é um só. Concluir a Onda 1 e levar ao comitê, na reunião quinzenal seguinte, o novo prazo final com as 7 semanas de atraso já acumuladas. É o que torna o vermelho legítimo. A recuperação depende de uma decisão do comitê que ainda não foi tomada.

Se eu fosse revisar esta folha antes de ela subir, mexeria em duas coisas. Juntaria as linhas 2 e 3 dos desvios numa só, ou escreveria nas duas que se trata do mesmo valor. E poria o CPI ao lado dos 9,8% na justificativa, para o leitor não ler o estouro como um décimo. O resto eu deixaria como está: um vermelho com número, causa e pedido.

Para quem o relatório é escrito

Meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Atlas), trata de relatório de indicadores no capítulo "Definição do Problema e Planejamento do Projeto". Na página 165 eu escrevi: "O primeiro passo para desenvolver o relatório é determinar para quem este é destinado e qual é o seu objetivo." Duas linhas abaixo vem a outra metade: "o relatório deve ser claro e de fácil compreensão pelo público-alvo".

O livro sustenta a premissa da folha M13, mesmo sem tratar dela. No mesmo capítulo, na página 167, está o papel do escritório de projetos. Lá eu escrevi que "O PMO é responsável pela organização dos dados sobre os projetos, pela mensuração de indicadores e pela apresentação do status dos projetos em reuniões periódicas." O status report é a peça escrita dessa apresentação. Quando existe um PMO, é ele quem costuma fixar o critério do farol para todos os projetos.

Há um desencontro que boa vontade não resolve. Quem escreve conhece o projeto por dentro e quem lê decide por fora. A tabela abaixo junta os desencontros mais comuns e a correção de cada um.

O que quem escreve pensaO que quem lê entendeCorreção
"Todo mundo sabe que a integração é o gargalo"Não sabe, e lê os desvios sem hierarquiaUma frase declarando a frente crítica do período
"Já expliquei essa sigla no relatório 3"Não lembra, e pula a linhaExpandir a sigla em cada relatório
"O atraso é pequeno perto do que já recuperamos"Lê o número absoluto e se assustaDar o absoluto e depois o acumulado
"Amarelo porque está sob controle"Não sabe qual é o controleJustificativa com o plano, o dono e o prazo

Quem recebe o status report, com que frequência e por qual canal não é decisão de quem escreve. Isso está no plano de comunicação do projeto, que por sua vez sai do mapa de stakeholders. No caso do kit, a primeira linha do plano é o status geral para a diretoria, em reunião de comitê quinzenal. Quando o relatório vira apresentação ao vivo, o texto sobre como apresentar projeto para a diretoria ajuda a montar a conversa.

Como escrever o relato de um período ruim

Todo projeto tem período ruim, e é nele que a qualidade de quem escreve o status report aparece. A tentação é diluir: abrir pelas realizações, espalhar a má notícia em texto longo, deixar amarelo o que é vermelho. Isso compra uma semana e cobra caro depois, porque credibilidade perdida não volta no relato seguinte.

  1. Ponha a cor certa no topo. Vermelho com justificativa de uma linha é mais fácil de defender do que amarelo explicado depois que alguém percebeu.
  2. Nomeie a causa, não a categoria. "Atraso da equipe" é resumo. "Três mudanças de escopo executadas fora do comitê" é causa, e aponta quem pode resolver.
  3. Quantifique o efeito, mesmo aproximado. "Impacto significativo" não permite decisão. "Atraso projetado de 49 dias" permite.
  4. Separe o que você já está fazendo do que depende de terceiro. É essa separação que transforma má notícia em pedido claro.
  5. Não prometa recuperação sem plano. Recuperação prometida e não cumprida custa mais que o atraso original.

A quarta linha é a que muda a conversa. Um vermelho que diz só "estamos atrasados" convida à cobrança. Um que diz "estamos atrasados, e o novo prazo final depende do comitê aceitar as 7 semanas das mudanças fora do rito" convida à decisão. As decisões que saem daí, cortar escopo, adiar onda, contratar apoio, vão para o registro de decisões, senão ninguém lembra delas três meses depois.

Riscos em destaque não é a matriz de riscos

Os riscos em destaque têm uma função estreita: mostrar o que mudou de patamar desde o último relato. A matriz tem dezenas de linhas e ciclo de revisão próprio. O status report do período precisa de três, no máximo quatro: os riscos que subiram de probabilidade, os que se aproximaram no tempo e os que viraram fato. Esses últimos migram para a tabela de desvios.

O critério de seleção é a mudança, não a gravidade. Um risco alto e estável desde o começo já está na matriz e já é conhecido. Repeti-lo em todo relatório treina o leitor a pular o bloco inteiro, e aí o risco novo, que importava, some junto. A pergunta que ajuda: o que eu sei hoje sobre risco que não sabia no relato anterior?

O caso do kit usa o bloco de um jeito que vale copiar. Ele não lista a matriz. Escolhe o único risco ALTO sem resposta cumprida e dá a prova em números, 3 de 4 mudanças fora do comitê. Nos exemplos ilustrativos, cada risco vem com o gatilho que o transforma em desvio, uma data ou uma contagem, escrito no próprio risco ou nos próximos passos.

Próximos passos: compromisso, não intenção

O último bloco é o mais fácil de escrever mal. Ele começa como compromisso e vira lista de intenções, com verbo no infinitivo e sem data: avançar na homologação, alinhar com o fornecedor, revisar o cronograma.

  • Compromisso: "Reapresentar o projeto elétrico à concessionária até 21/03. Responsável: engenheiro elétrico."
  • Intenção: "Alinhar com a concessionária."
  • Compromisso com consequência: "Se não for aceito até 15/04, o R-07 vira desvio."

A terceira forma é a mais útil, porque declara antes o que acontece se o passo falhar. O desvio do relato seguinte já estava previsto e nomeado. Esse é o relatório que antecipa, além de informar.

O teste do bloco é ler o status report anterior antes de escrever o atual. Cada próximo passo de lá deveria reaparecer aqui, nas realizações ou nos desvios. Item que sumiu entre um relato e outro é sinal de que ninguém está lendo o documento, nem quem escreve. Entre três e cinco itens é um bom limite. Doze próximos passos viram inventário, e o detalhe pertence ao plano de ação.

Exemplos de status report preenchido

Seguem quatro status reports preenchidos, cada um com o próprio PDF. O da rede de farmácias é o do kit. Os outros três a gente montou para este texto no formato do M13. Eles cobrem as três cores. Uma obra fica no amarelo, um projeto Green Belt no verde e uma mudança de sede no vermelho, sem nenhuma entrega no período.

Cada folha ilustrativa traz um quadro de conferência calculado. Ele mostra os dias do período e as realizações dentro dele. Mostra também os desvios com referência, a soma dos dias de atraso e a cor pelo critério do exemplo. Comece pelo quadro e depois leia a folha.

1. Rede de farmácias: o vermelho com número, causa e pedido (caso do kit)

Status Report (M13) preenchido do caso ilustrativo do kit, uma rede de farmácias: relato de 18/08/2026, período de 01/08 a 18/08/2026, farol vermelho com CPI 0,77 e SPI 0,84, três realizações, três desvios com referência ao registro de problemas e ao controle de mudanças, um risco em destaque e o próximo passoO projeto troca o ERP de uma rede de farmácias, loja a loja, em ondas. A folha é o relato de 18/08/2026, com período de 01/08/2026 a 18/08/2026 e acompanhamento acumulado desde 02/02/2026.

O problema do período está na justificativa. O CPI é 0,77, o SPI é 0,84 e o custo está 9,8% acima do planejado. A Onda 1, de 10 lojas, prevista para 07/08/2026, segue em andamento 11 dias depois. O farol é vermelho.

As realizações mostram que a equipe entregou. O piloto em 3 lojas foi aprovado em 10/07/2026. Em 05/08/2026, 8 das 10 lojas da Onda 1 faturavam no ERP novo, e o treinamento fechou nas 10 lojas em 15/08/2026. O desafio está nos desvios: atraso projetado de 49 dias, R$ 95.000,00 de desvio acumulado e 3 mudanças de escopo executadas fora do comitê.

O que eu mais gosto nesta folha é o fecho. O risco em destaque é um só, o de escopo, com a prova de que 3 das 4 mudanças passaram por fora.

No fim, ela pede ao comitê o novo prazo final com as 7 semanas acumuladas. Um vermelho que já chega com o pedido escrito poupa uma reunião inteira de cobrança.

2. Galpão logístico: o amarelo com resposta em curso (exemplo ilustrativo)

Status report ilustrativo no formato M13, montado para o blog: construção de um galpão logístico de 6.000 m², relato de 14/03/2025, farol amarelo com SPI 0,93 e CPI 0,98, duas realizações, três desvios com referência e quadro de conferência calculadoA obra é um galpão logístico de 6.000 m² com mezanino, orçamento de R$ 4.600.000 e entrega contratada em 30/06/2025. A folha é ilustrativa, montada para este artigo, e cobre a quinzena de 01/03/2025 a 14/03/2025.

O problema é de prazo, e só de prazo. A chuva levou 6 dias da terraplenagem e a estrutura metálica chegou 3 dias depois do contratado. São 9 dias, e o SPI fica em 0,93. O custo está no plano, com CPI de 0,98, mesmo com os R$ 38.000 da telha termoacústica pedida pelo cliente, aprovada no controle de mudanças.

O desafio de quem escreve aqui é não pintar de vermelho por susto. O atraso existe, mas a resposta também: turno de sábado aprovado até 12/04, com dono. A entrega de 30/06 está mantida. É o amarelo de manual.

Eu chamaria a atenção para o risco em destaque. A ligação de energia subiu de média para alta em 10/03, e a folha já escreve que, sem aceite do projeto elétrico até 15/04, o R-07 vira desvio. Se a concessionária atrasar, o diretor da operadora vai saber com semanas de folga.

3. Projeto Green Belt: o verde que justifica o verde (exemplo ilustrativo)

Status report ilustrativo no formato M13, montado para o blog: projeto Green Belt de refugo numa linha de envase de cosméticos, relato de 11/04/2025, farol verde com CPI 1,03 e SPI 0,98, duas realizações, um desvio dentro da folga e quadro de conferência calculadoTambém ilustrativa, esta folha acompanha um projeto DMAIC na fase Medir. O alvo é o refugo por sobrepeso numa envasadora de 250 ml. O orçamento é de R$ 60.000 e o tollgate está marcado para 25/04/2025.

Em projeto Green Belt, o verde é a cor que mais pede justificativa, justamente porque ninguém cobra. Esta folha justifica: CPI de 1,03, SPI de 0,98 e o tollgate mantido. O único desvio, 2 dias na coleta do turno C, cabe na folga de 5 dias que o cronograma deixou.

As duas realizações são entregas de verdade: a análise do sistema de medição aprovada pelo laboratório em 04/04/2025 e o plano de coleta validado com o champion em 09/04/2025. Nenhuma linha diz em andamento. O desafio está no risco. A amostra do turno C pode não chegar a 30 lotes até 22/04, e o gatilho está escrito: menos de 18 lotes em 16/04. Se o número não vier, o verde de hoje vira amarelo, e o champion fica sabendo com nove dias de antecedência.

4. Mudança de sede: o vermelho sem nenhuma entrega (exemplo ilustrativo)

Status report ilustrativo no formato M13, montado para o blog: mudança de sede de um escritório de contabilidade de 120 pessoas, relato de 06/06/2025, farol vermelho com CPI 0,99 e SPI 0,71, nenhuma entrega no período, dois desvios com referência, um deles sem resposta, e quadro de conferênciaA quarta folha, também montada para o artigo, vem de um escritório de contabilidade de 120 pessoas. Ele troca dois andares alugados por um andar reformado em outro prédio. O contrato atual termina em 31/07/2025, e o relato cobre de 26/05/2025 a 06/06/2025.

É a folha mais difícil de mandar. A tabela de realizações diz: nenhuma entrega concluída no período. A obra do andar novo está parada desde 02/06 sem aprovação do condomínio. O SPI é 0,71. O atraso projetado soma 25 dias: 21 da obra parada e 4 da sala de arquivo pedida pela área fiscal.

O custo está quase no plano, CPI de 0,99, e mesmo assim o farol é vermelho. A recuperação depende de uma decisão dos sócios sobre estender o aluguel atual, pendente desde 29/05. Pelo critério da folha, desvio sem resposta é vermelho, e o tamanho do custo não muda isso.

O que faz esta folha funcionar é a linha final: levar a decisão à reunião de sócios de 16/06, com data e dono. Um status report assim chega à mesa dos sócios com a pergunta já formulada.

Nas quatro folhas, o que separa um relato útil de um relato decorativo é a justificativa do farol. Nas quatro ela traz índice e consequência. Quando a cor não é verde, a folha diz também, em algum bloco, o que falta para voltar ao plano.

O status report em portfólio

Tudo muda quando quem lê recebe seis status reports no mesmo dia. A atenção por documento cai para menos de um minuto, e o farol vira critério de triagem. O leitor procura o vermelho e o amarelo. Os verdes recebem dois segundos.

  • Mesmo critério de cor em todos os projetos, fixado pelo escritório de projetos.
  • Mesmo período de corte, para os relatos chegarem juntos e serem comparáveis.
  • Mesma ordem de blocos, porque a leitura em série depende de saber onde olhar.
  • Uma página. O que não cabe pertence aos documentos citados na coluna de referência.

Cuidado com a consolidação automática de status reports. Três verdes e um vermelho não dão um amarelo de portfólio. Dão um projeto que precisa de decisão e três que não precisam. Quando os faróis vão para um quadro na parede, a gestão à vista ajuda, desde que cada cor continue apontando para o relatório que a justifica.

E vale um ajuste de calendário: publique o status report antes da reunião de acompanhamento, não depois. Emitido depois, ele vira ata. Emitido antes, todo mundo chega tendo lido a mesma coisa, e a reunião passa a decidir em vez de informar.

Erros comuns no status report

  • Farol por impressão. É o erro que o guia do kit nomeia: cor sem CPI, SPI ou outro número com origem.
  • Verde por hábito. Quando o verde é o padrão, o amarelo soa como alarme e ninguém usa. Sobram duas cores.
  • Relato por atividade. Projeto travado produz relatórios cheios, e o vazio que deveria disparar a conversa não aparece.
  • Desvio sem referência. Some no relato seguinte sem que ninguém saiba se foi resolvido.
  • Risco na tabela de desvios. Incha a tabela e esconde os desvios reais.
  • Mesmo valor em duas linhas. O leitor soma, e o estouro dobra no papel.
  • Período em branco. As datas das realizações não dizem se o ritmo caiu ou subiu.
  • Só o número do mês. O gasto do período no plano esconde o desvio que o acumulado carrega.

Quase todos têm a mesma raiz: o status report escrito para não gerar pergunta. A folha do kit foi desenhada contra isso, com a referência obrigatória e a curva S antes da cor.

Um teste de dez minutos para saber se o seu relatório é lido

Relatório não lido é indistinguível de relatório lido para quem escreve: nos dois casos ninguém responde. Tem um jeito barato de descobrir em qual dos dois você está, sem perguntar a ninguém.

  1. Pegue os três últimos relatórios e conte quantos desvios distintos apareceram. Zero ou um num projeto de porte é sinal de relato escrito para não gerar pergunta.
  2. Veja se algum desvio mudou de referência ao longo dos três, de risco para problema ou de problema para mudança. Movimento entre documentos mostra que o relato está ligado ao resto.
  3. Conte quantas vezes o farol mudou de cor. Farol que nunca muda não está medindo nada.
  4. Procure uma frase que tenha custado desconforto para escrever. Se não houver nenhuma, o relatório está otimizado para conforto.

Se o resultado for ruim, a correção raramente é de formato. Status report que ninguém lê costuma ser relatório sem conclusão, que entrega informação e deixa a interpretação para o leitor. O farol com justificativa existe para forçar a conclusão, e é o primeiro campo a consertar.

Modelo de status report em branco para baixar (PDF)

A folha vazia abre logo abaixo. É o M13 do kit, o status report em PDF de uma página, com as três instruções no topo e os seis blocos na ordem em que o leitor precisa deles.

Modelo em branco do Status Report (M13): três instruções de preenchimento no topo, campos de projeto, responsável e data do relato, período coberto, farol geral com justificativa, tabela de realizações, tabela de desvios com efeito e referência, riscos em destaque e próximos passosNo arquivo está a folha do status report com as três instruções de preenchimento, o farol com justificativa e as tabelas de realizações e de desvios.

Abrir e baixar o M13 em branco (PDF)

Dentro do kit, a sequência da fase de monitoramento começa pela curva S. Depois vêm o painel de indicadores e o registro de problemas. Os três dão os números que o relato vai citar. O orçamento do projeto e o termo de abertura são a linha de base contra a qual tudo é lido, e o termo de encerramento fecha a conta no fim.

Se este texto te fez levantar da cadeira para rever o farol da sua equipe, a Academia de Certificação da Voitto te espera. O gerenciamento de projetos vem completo por lá, da abertura do projeto até as lições aprendidas.

Perguntas frequentes

O que é um status report de projeto?
É o relatório periódico escrito para quem decide sem acompanhar a execução. Em uma página, ele traz o período, o farol com justificativa, as entregas, os desvios com referência, os riscos que mudaram e os próximos passos.
Qual a diferença entre farol amarelo e vermelho?
A existência de resposta, não o tamanho do desvio. Amarelo é desvio com plano de recuperação em curso, com dono e prazo. Vermelho é desvio sem resposta, ou cuja recuperação depende de decisão ainda não tomada.
Como justificar o farol do status report?
Com pelo menos um número com origem, como o CPI e o SPI da curva S, e uma consequência concreta. O guia do kit aponta como erro comum justificar o farol por impressão.
O que é CPI e SPI no status report?
São os índices do valor agregado. O CPI divide o valor agregado pelo custo real e o SPI divide o valor agregado pelo custo planejado. Abaixo de 1, indicam desvio de custo e de prazo.
Por que todo desvio precisa de referência?
Porque desvio sem referência não pode ser acompanhado. Com referência ao controle de mudanças, à matriz de riscos ou ao registro de problemas, ele tem endereço e histórico.
O que entra nas realizações do período?
Só o que foi entregue, com data. Em andamento e iniciado são atividade. Se o período não teve entrega, a folha deve dizer isso.
Com que frequência fazer o status report?
Um por período de acompanhamento, sem buraco nem sobreposição entre períodos. O ideal é publicá-lo antes da reunião de acompanhamento, para que ela decida em vez de informar.
Quantos riscos devem aparecer no status report?
Três, no máximo quatro, escolhidos pela mudança desde o último relato. Risco alto e estável já está na matriz de riscos.
Onde baixar um modelo de status report?
O M13 em branco está em PDF na seção do modelo, perto do fim do artigo. Os quatro status reports preenchidos abrem nos exemplos, cada um com o próprio PDF.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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