Status report: o que é, como fazer e modelo em PDF
Como escrever o relato do período com farol, justificativa, entregas, desvios e próximos passos, com o caso de uma rede de farmácias cujo vermelho veio da curva S
Lá por 2015, a Voitto esteve no fundo do poço financeiro. A receita era alta, e a despesa subia mais rápido que ela. Quem olhasse só para a receita diria que a empresa crescia. Eu aprendi ali, na marra, que sensação de crescimento e conta fechando são duas coisas diferentes. O status report é o documento do projeto que existe para essas duas coisas não se confundirem.
Um bom status report é curto de propósito. Uma página por período, com o farol do projeto e a justificativa da cor. Depois vêm o que foi entregue, o que desviou do combinado, os riscos que mudaram de patamar e os próximos passos. Quem lê é quem decide e não acompanha o dia a dia: o patrocinador, a diretoria, o comitê.
O Kit de Ferramentas para Gestão de Projetos dá ao status report uma folha própria, a M13, ligada ao monitoramento. A folha tem três instruções no topo, e a terceira resume o artigo inteiro: antes de afirmar que o projeto está em dia, olhe a curva S. É ela que confirma ou desmente a sensação.
Na folha preenchida do kit, o relato é do PMO da rede de farmácias, em plena troca de ERP. O status report de 18/08/2026 acende o farol vermelho com os dois índices da curva S, e cada desvio aponta para o documento que o sustenta.
Daqui para a frente vêm as seis partes da folha e a regra do farol. Depois, a justificativa que sai da curva S, o desvio com referência e a diferença entre entrega e atividade. No fim, quatro exemplos preenchidos com PDF e o M13 em branco. Antes de começar, uma nota de procedência. A rede de farmácias foi inventada pela gente, na Voitto, para servir de caso ao kit. Os outros três relatos foram montados para este artigo e também são ilustrativos.
O que é o status report
O status report é o relatório periódico de um projeto, escrito para quem decide sem acompanhar a execução. Em uma página, ele diz se o projeto está sob controle, com farol e justificativa. Diz também o que foi entregue, o que desviou e com qual referência, os riscos que mudaram e os próximos passos.
O que define o status report é o leitor. O plano do projeto é escrito para quem executa. O status report é escrito para o patrocinador que lê seis relatórios na mesma manhã e precisa saber, em um minuto, onde a decisão dele faz falta. O óbvio para a equipe tem que estar dito, e o detalhe de execução pode ficar de fora.
O status report pertence à fase de monitoramento, e monitorar é comparar o que aconteceu com o que foi combinado. Por isso o status report que não cita a linha de base descreve o projeto, mas não monitora nada. A comparação precisa de números calculados em outro lugar. O custo e o prazo estão na curva S, os problemas no registro de problemas, as mudanças no controle de mudanças.
O vocabulário dos índices que sustentam o farol, CPI e SPI, é o do valor agregado, o mesmo do guia PMBOK do Project Management Institute. A folha do kit não inventa métrica nova. Ela obriga quem escreve a citar a métrica que já existe.
As seis partes do M13
A folha começa com um cabeçalho de identificação: projeto ou código, responsável pelo relato e data do relato. Depois vêm seis blocos, sempre na mesma ordem.
| Bloco | O que entra | O que ele responde |
|---|---|---|
| Período coberto | As datas de início e fim do intervalo relatado | Contra qual janela de tempo o resto deve ser lido |
| Farol geral e justificativa | Verde, amarelo ou vermelho, com a frase que sustenta a cor | O projeto está sob controle, e por quê |
| Principais realizações | O que foi entregue no período, com data | O que de concreto mudou desde o último relato |
| Principais desvios | O desvio, o efeito em prazo e custo, e a referência | Onde o projeto se afastou do combinado, e quanto |
| Riscos em destaque | Os riscos que mudaram de patamar | O que pode piorar antes do próximo relato |
| Próximos passos | O que será feito até o próximo período | O que cobrar na próxima leitura |
As três instruções do topo valem como regra de preenchimento. São estas.
- Um status report por período de acompanhamento, com o farol pelo critério da folha: verde no prazo e custo, amarelo com desvio sob controle, vermelho com desvio sem resposta.
- Toda linha da tabela de desvios cita a referência: controle de mudanças (E12), matriz de riscos (P07) ou registro de problemas (M16).
- Antes de escrever "projeto em dia", cheque a curva S (M14).
A ordem dos blocos tem lógica. O farol vem antes das realizações porque o leitor precisa da conclusão antes da evidência. Os desvios vêm antes dos riscos porque desvio já aconteceu e risco ainda pode acontecer. E a folha não tem campo de observações gerais. Campo livre no fim atrai o que deveria estar estruturado: o desvio que ninguém quer nomear e o risco que ninguém quer classificar.
O período coberto é o campo mais esquecido. Sem ele, três entregas não dizem se o ritmo subiu ou caiu, porque ninguém sabe se o intervalo foi de sete ou de vinte e um dias. A regra prática é simples: períodos sem buraco e sem sobreposição. Se o relato anterior fechou em 07/03, este começa em 08/03.
O farol: a cor mede a resposta
O farol é a parte mais lida do status report, e a mais fácil de pintar por conveniência. Ele é lido porque cabe num olhar. É pintado por conveniência porque o verde evita a conversa difícil, e porque pouca organização escreve o critério das cores antes do primeiro relato.
- Verde: no prazo e no custo. Verde não quer dizer sem problema. Quer dizer que os desvios existentes não ameaçam a data nem o orçamento acordados.
- Amarelo: desvio sob controle. Há afastamento da linha de base, e há resposta em curso, com dono e prazo.
- Vermelho: desvio sem resposta. O afastamento existe e não há plano capaz de recuperá-lo, ou a recuperação depende de uma decisão que ainda não foi tomada.
A distinção que mais importa é entre amarelo e vermelho, e ela não é de tamanho. Um atraso grande com plano de recuperação rodando é amarelo. Um atraso pequeno parado há três semanas esperando decisão é vermelho. Lido assim, o farol diz ao patrocinador a única coisa que ele precisa saber primeiro: onde a decisão dele está faltando.
Repare na última linha do quadro. A mudança de sede tem CPI 0,99, o custo está praticamente no plano, e o farol é vermelho. A obra está parada e a saída depende dos sócios estenderem o aluguel atual. Já o galpão tem SPI abaixo do limite e fica no amarelo, porque o turno de sábado já está recuperando os dias.
Para os três exemplos ilustrativos eu escrevi um critério numérico, impresso em cada folha. CPI e SPI a partir de 0,95 dão verde. Abaixo disso, a cor depende da resposta. O 0,95 é um critério dos exemplos, não do kit. Cada organização escolhe o seu. O que não dá é não escolher, porque aí cada gerente pinta com o próprio termômetro e os faróis de dois projetos deixam de ser comparáveis.
A justificativa do farol sai da curva S
O guia do kit nomeia o erro comum do M13 sem rodeio. É justificar o farol por impressão, sem citar os índices de custo e prazo que a curva S calcula. E fixa a ordem no passo a passo da fase: primeiro a curva S, depois o status report, porque os índices que sustentam a cor saem dela.
Os dois índices medem coisas diferentes. O CPI divide o valor agregado pelo custo real: abaixo de 1, cada real gasto comprou menos trabalho que o planejado. O SPI divide o valor agregado pelo custo planejado até a data: abaixo de 1, o projeto entregou menos do que deveria ter entregue. Quem quiser a conta passo a passo acha na curva S, e o guia de estimativa de custos do GAO, órgão de auditoria do Congresso americano, dedica capítulos inteiros ao valor agregado.
No caso do kit, a curva S de agosto tem valor agregado de R$ 816 mil, custo real de R$ 1,065 milhão e planejado de R$ 970 mil. Daí saem os dois índices que o status report põe na justificativa. Daí sai também o "9,8% acima do custo planejado", e esse número engana quem lê com pressa.
Os 9,8% comparam o gasto real com o gasto planejado. Contra o valor agregado, que é o trabalho de fato feito, o real está 30,5% acima: R$ 1,065 milhão pagos por R$ 816 mil de trabalho. As duas contas estão certas e respondem perguntas diferentes. Quem lê só a porcentagem conclui que o estouro é de um décimo, quando o CPI diz que cada real comprou 77 centavos de trabalho.
Tem mais uma coisa que a curva mostra e o relato do mês esconderia. Em julho e agosto, o gasto mensal real do caso foi igual ao planejado, R$ 140 mil nos dois meses. Um status report que olhasse só o período diria custo no plano. O acumulado carrega o desvio de abril, maio e junho, e o CPI não volta. É a armadilha de 2015 em escala de projeto: o faturamento alto era a metade confortável da frase, e o gasto acumulado era a outra metade.
A regra prática fica assim. A justificativa do farol cita pelo menos um índice com a fonte, "CPI 0,77 (M14)", e uma consequência concreta, "Onda 1 em andamento 11 dias depois da data". Se você não tem curva S, use o painel de indicadores do projeto ou os marcos do cronograma, mas cite um número com origem. Sem isso, o farol é um indicador sem fórmula.
Desvio sem referência não é desvio
A tabela de desvios do status report tem três colunas: o que desviou, quanto isso pesou em prazo e dinheiro, e onde está documentado. A segunda instrução da folha limita a referência a três documentos: o E12 das mudanças, o P07 dos riscos e o M16 dos problemas. A terceira coluna é o que separa um status report de uma conversa de corredor.
Desvio sem referência aparece num relato, some no seguinte, e ninguém sabe se foi resolvido ou esquecido. Com referência, ele tem endereço. Quem lê pode abrir o pedido de mudança, a linha da matriz de riscos ou o problema registrado, ver o histórico e cobrar o encaminhamento.
A referência também separa desvio de risco. Um item que ainda não produziu efeito não é desvio, é risco, e vai para o bloco de riscos em destaque. Misturar os dois incha a tabela de desvios sem que o projeto tenha piorado, e os desvios reais se perdem no meio.
No caso do kit, as três linhas têm referência, e duas delas mostram um cuidado que vale ter. A segunda linha traz R$ 95.000,00 de desvio acumulado de custo, com o número da curva S. A terceira traz R$ 95.000,00 de efeito das três mudanças de escopo feitas fora do comitê. É o mesmo dinheiro visto por dois documentos: a curva S mede o excesso, e o controle de mudanças diz de onde ele veio. Quem soma as duas linhas chega a 190 mil, que não existem.
Quando a mesma referência aparece em três relatos seguidos, o documento está avisando outra coisa: o encaminhamento não anda. Essa leitura exige comparar relatórios em vez de ler um só, e é a que mais rende.
Realizações: relatar entrega, não atividade
As realizações do status report listam as entregas do período, cada uma com a sua data. A palavra entregue exclui o que está em andamento, o que está quase pronto e o que foi iniciado, que enchem relatórios e não deixam concluir nada.
- Não é entrega: "em andamento", "iniciado", "90% concluído", "aguardando retorno".
- É entrega: artefato aceito, sistema em produção, contrato assinado, teste concluído com resultado, treinamento realizado com lista de presença.
- Fronteira: entrega parcial combinada antes, desde que a parte entregue tenha critério de aceite próprio.
O status report escrito por atividade tem um efeito perverso que só aparece no terceiro ou quarto período. Atividade sempre existe, então o documento nunca fica vazio, e um projeto travado produz quatro relatórios cheios. O relato por entrega fica visivelmente vazio quando nada fechou. Esse vazio é o que dispara a conversa certa na semana certa.
Quando o período não teve entrega, escreva isso. "Nenhuma entrega concluída no período" é uma frase difícil de mandar, e é a que o relato da mudança de sede, mais abaixo, traz na tabela de realizações.
Dois detalhes do caso do kit só aparecem para quem confere as datas. A primeira realização, o piloto aprovado em 3 lojas, é de 10/07, fora do período coberto de 01/08 a 18/08. O cabeçalho diz que o acompanhamento é acumulado desde fevereiro, então a linha cabe, mas o leitor apressado conta três entregas no período quando foram duas. A segunda, 8 das 10 lojas faturando, é entrega parcial: a Onda 1 não fechou, e a própria folha diz isso no primeiro desvio. A folha é honesta nos dois casos. O leitor é que precisa ler a data.
O caso do kit: o vermelho da rede de farmácias
O M13 preenchido do kit é o status report de 18/08/2026 da troca de ERP da rede de farmácias. Essa troca de ERP é o caso que reaparece em cada folha do kit. O período vai de 01/08 a 18/08 e o farol é vermelho. Cada bloco puxa o número de outra folha.
A justificativa do farol faz o que a terceira instrução pede. Cita CPI e SPI com a fonte e dá a consequência concreta: a primeira onda de lojas ainda aberta onze dias depois da data prevista. O bloco de riscos destaca um único risco. É o de o escopo crescer sem passar pelo controle de mudanças. Ele estava classificado como ALTO desde o planejamento e é o único da matriz sem resposta cumprida, porque das 4 mudanças registradas, 3 entraram sem passar pelo comitê.
O próximo passo é um só. Concluir a Onda 1 e levar ao comitê, na reunião quinzenal seguinte, o novo prazo final com as 7 semanas de atraso já acumuladas. É o que torna o vermelho legítimo. A recuperação depende de uma decisão do comitê que ainda não foi tomada.
Se eu fosse revisar esta folha antes de ela subir, mexeria em duas coisas. Juntaria as linhas 2 e 3 dos desvios numa só, ou escreveria nas duas que se trata do mesmo valor. E poria o CPI ao lado dos 9,8% na justificativa, para o leitor não ler o estouro como um décimo. O resto eu deixaria como está: um vermelho com número, causa e pedido.
Para quem o relatório é escrito
Meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Atlas), trata de relatório de indicadores no capítulo "Definição do Problema e Planejamento do Projeto". Na página 165 eu escrevi: "O primeiro passo para desenvolver o relatório é determinar para quem este é destinado e qual é o seu objetivo." Duas linhas abaixo vem a outra metade: "o relatório deve ser claro e de fácil compreensão pelo público-alvo".
O livro sustenta a premissa da folha M13, mesmo sem tratar dela. No mesmo capítulo, na página 167, está o papel do escritório de projetos. Lá eu escrevi que "O PMO é responsável pela organização dos dados sobre os projetos, pela mensuração de indicadores e pela apresentação do status dos projetos em reuniões periódicas." O status report é a peça escrita dessa apresentação. Quando existe um PMO, é ele quem costuma fixar o critério do farol para todos os projetos.
Há um desencontro que boa vontade não resolve. Quem escreve conhece o projeto por dentro e quem lê decide por fora. A tabela abaixo junta os desencontros mais comuns e a correção de cada um.
| O que quem escreve pensa | O que quem lê entende | Correção |
|---|---|---|
| "Todo mundo sabe que a integração é o gargalo" | Não sabe, e lê os desvios sem hierarquia | Uma frase declarando a frente crítica do período |
| "Já expliquei essa sigla no relatório 3" | Não lembra, e pula a linha | Expandir a sigla em cada relatório |
| "O atraso é pequeno perto do que já recuperamos" | Lê o número absoluto e se assusta | Dar o absoluto e depois o acumulado |
| "Amarelo porque está sob controle" | Não sabe qual é o controle | Justificativa com o plano, o dono e o prazo |
Quem recebe o status report, com que frequência e por qual canal não é decisão de quem escreve. Isso está no plano de comunicação do projeto, que por sua vez sai do mapa de stakeholders. No caso do kit, a primeira linha do plano é o status geral para a diretoria, em reunião de comitê quinzenal. Quando o relatório vira apresentação ao vivo, o texto sobre como apresentar projeto para a diretoria ajuda a montar a conversa.
Como escrever o relato de um período ruim
Todo projeto tem período ruim, e é nele que a qualidade de quem escreve o status report aparece. A tentação é diluir: abrir pelas realizações, espalhar a má notícia em texto longo, deixar amarelo o que é vermelho. Isso compra uma semana e cobra caro depois, porque credibilidade perdida não volta no relato seguinte.
- Ponha a cor certa no topo. Vermelho com justificativa de uma linha é mais fácil de defender do que amarelo explicado depois que alguém percebeu.
- Nomeie a causa, não a categoria. "Atraso da equipe" é resumo. "Três mudanças de escopo executadas fora do comitê" é causa, e aponta quem pode resolver.
- Quantifique o efeito, mesmo aproximado. "Impacto significativo" não permite decisão. "Atraso projetado de 49 dias" permite.
- Separe o que você já está fazendo do que depende de terceiro. É essa separação que transforma má notícia em pedido claro.
- Não prometa recuperação sem plano. Recuperação prometida e não cumprida custa mais que o atraso original.
A quarta linha é a que muda a conversa. Um vermelho que diz só "estamos atrasados" convida à cobrança. Um que diz "estamos atrasados, e o novo prazo final depende do comitê aceitar as 7 semanas das mudanças fora do rito" convida à decisão. As decisões que saem daí, cortar escopo, adiar onda, contratar apoio, vão para o registro de decisões, senão ninguém lembra delas três meses depois.
Riscos em destaque não é a matriz de riscos
Os riscos em destaque têm uma função estreita: mostrar o que mudou de patamar desde o último relato. A matriz tem dezenas de linhas e ciclo de revisão próprio. O status report do período precisa de três, no máximo quatro: os riscos que subiram de probabilidade, os que se aproximaram no tempo e os que viraram fato. Esses últimos migram para a tabela de desvios.
O critério de seleção é a mudança, não a gravidade. Um risco alto e estável desde o começo já está na matriz e já é conhecido. Repeti-lo em todo relatório treina o leitor a pular o bloco inteiro, e aí o risco novo, que importava, some junto. A pergunta que ajuda: o que eu sei hoje sobre risco que não sabia no relato anterior?
O caso do kit usa o bloco de um jeito que vale copiar. Ele não lista a matriz. Escolhe o único risco ALTO sem resposta cumprida e dá a prova em números, 3 de 4 mudanças fora do comitê. Nos exemplos ilustrativos, cada risco vem com o gatilho que o transforma em desvio, uma data ou uma contagem, escrito no próprio risco ou nos próximos passos.
Próximos passos: compromisso, não intenção
O último bloco é o mais fácil de escrever mal. Ele começa como compromisso e vira lista de intenções, com verbo no infinitivo e sem data: avançar na homologação, alinhar com o fornecedor, revisar o cronograma.
- Compromisso: "Reapresentar o projeto elétrico à concessionária até 21/03. Responsável: engenheiro elétrico."
- Intenção: "Alinhar com a concessionária."
- Compromisso com consequência: "Se não for aceito até 15/04, o R-07 vira desvio."
A terceira forma é a mais útil, porque declara antes o que acontece se o passo falhar. O desvio do relato seguinte já estava previsto e nomeado. Esse é o relatório que antecipa, além de informar.
O teste do bloco é ler o status report anterior antes de escrever o atual. Cada próximo passo de lá deveria reaparecer aqui, nas realizações ou nos desvios. Item que sumiu entre um relato e outro é sinal de que ninguém está lendo o documento, nem quem escreve. Entre três e cinco itens é um bom limite. Doze próximos passos viram inventário, e o detalhe pertence ao plano de ação.
Exemplos de status report preenchido
Seguem quatro status reports preenchidos, cada um com o próprio PDF. O da rede de farmácias é o do kit. Os outros três a gente montou para este texto no formato do M13. Eles cobrem as três cores. Uma obra fica no amarelo, um projeto Green Belt no verde e uma mudança de sede no vermelho, sem nenhuma entrega no período.
Cada folha ilustrativa traz um quadro de conferência calculado. Ele mostra os dias do período e as realizações dentro dele. Mostra também os desvios com referência, a soma dos dias de atraso e a cor pelo critério do exemplo. Comece pelo quadro e depois leia a folha.
1. Rede de farmácias: o vermelho com número, causa e pedido (caso do kit)
O projeto troca o ERP de uma rede de farmácias, loja a loja, em ondas. A folha é o relato de 18/08/2026, com período de 01/08/2026 a 18/08/2026 e acompanhamento acumulado desde 02/02/2026.
O problema do período está na justificativa. O CPI é 0,77, o SPI é 0,84 e o custo está 9,8% acima do planejado. A Onda 1, de 10 lojas, prevista para 07/08/2026, segue em andamento 11 dias depois. O farol é vermelho.
As realizações mostram que a equipe entregou. O piloto em 3 lojas foi aprovado em 10/07/2026. Em 05/08/2026, 8 das 10 lojas da Onda 1 faturavam no ERP novo, e o treinamento fechou nas 10 lojas em 15/08/2026. O desafio está nos desvios: atraso projetado de 49 dias, R$ 95.000,00 de desvio acumulado e 3 mudanças de escopo executadas fora do comitê.
O que eu mais gosto nesta folha é o fecho. O risco em destaque é um só, o de escopo, com a prova de que 3 das 4 mudanças passaram por fora.
No fim, ela pede ao comitê o novo prazo final com as 7 semanas acumuladas. Um vermelho que já chega com o pedido escrito poupa uma reunião inteira de cobrança.
2. Galpão logístico: o amarelo com resposta em curso (exemplo ilustrativo)
A obra é um galpão logístico de 6.000 m² com mezanino, orçamento de R$ 4.600.000 e entrega contratada em 30/06/2025. A folha é ilustrativa, montada para este artigo, e cobre a quinzena de 01/03/2025 a 14/03/2025.
O problema é de prazo, e só de prazo. A chuva levou 6 dias da terraplenagem e a estrutura metálica chegou 3 dias depois do contratado. São 9 dias, e o SPI fica em 0,93. O custo está no plano, com CPI de 0,98, mesmo com os R$ 38.000 da telha termoacústica pedida pelo cliente, aprovada no controle de mudanças.
O desafio de quem escreve aqui é não pintar de vermelho por susto. O atraso existe, mas a resposta também: turno de sábado aprovado até 12/04, com dono. A entrega de 30/06 está mantida. É o amarelo de manual.
Eu chamaria a atenção para o risco em destaque. A ligação de energia subiu de média para alta em 10/03, e a folha já escreve que, sem aceite do projeto elétrico até 15/04, o R-07 vira desvio. Se a concessionária atrasar, o diretor da operadora vai saber com semanas de folga.
3. Projeto Green Belt: o verde que justifica o verde (exemplo ilustrativo)
Também ilustrativa, esta folha acompanha um projeto DMAIC na fase Medir. O alvo é o refugo por sobrepeso numa envasadora de 250 ml. O orçamento é de R$ 60.000 e o tollgate está marcado para 25/04/2025.
Em projeto Green Belt, o verde é a cor que mais pede justificativa, justamente porque ninguém cobra. Esta folha justifica: CPI de 1,03, SPI de 0,98 e o tollgate mantido. O único desvio, 2 dias na coleta do turno C, cabe na folga de 5 dias que o cronograma deixou.
As duas realizações são entregas de verdade: a análise do sistema de medição aprovada pelo laboratório em 04/04/2025 e o plano de coleta validado com o champion em 09/04/2025. Nenhuma linha diz em andamento. O desafio está no risco. A amostra do turno C pode não chegar a 30 lotes até 22/04, e o gatilho está escrito: menos de 18 lotes em 16/04. Se o número não vier, o verde de hoje vira amarelo, e o champion fica sabendo com nove dias de antecedência.
4. Mudança de sede: o vermelho sem nenhuma entrega (exemplo ilustrativo)
A quarta folha, também montada para o artigo, vem de um escritório de contabilidade de 120 pessoas. Ele troca dois andares alugados por um andar reformado em outro prédio. O contrato atual termina em 31/07/2025, e o relato cobre de 26/05/2025 a 06/06/2025.
É a folha mais difícil de mandar. A tabela de realizações diz: nenhuma entrega concluída no período. A obra do andar novo está parada desde 02/06 sem aprovação do condomínio. O SPI é 0,71. O atraso projetado soma 25 dias: 21 da obra parada e 4 da sala de arquivo pedida pela área fiscal.
O custo está quase no plano, CPI de 0,99, e mesmo assim o farol é vermelho. A recuperação depende de uma decisão dos sócios sobre estender o aluguel atual, pendente desde 29/05. Pelo critério da folha, desvio sem resposta é vermelho, e o tamanho do custo não muda isso.
O que faz esta folha funcionar é a linha final: levar a decisão à reunião de sócios de 16/06, com data e dono. Um status report assim chega à mesa dos sócios com a pergunta já formulada.
Nas quatro folhas, o que separa um relato útil de um relato decorativo é a justificativa do farol. Nas quatro ela traz índice e consequência. Quando a cor não é verde, a folha diz também, em algum bloco, o que falta para voltar ao plano.
O status report em portfólio
Tudo muda quando quem lê recebe seis status reports no mesmo dia. A atenção por documento cai para menos de um minuto, e o farol vira critério de triagem. O leitor procura o vermelho e o amarelo. Os verdes recebem dois segundos.
- Mesmo critério de cor em todos os projetos, fixado pelo escritório de projetos.
- Mesmo período de corte, para os relatos chegarem juntos e serem comparáveis.
- Mesma ordem de blocos, porque a leitura em série depende de saber onde olhar.
- Uma página. O que não cabe pertence aos documentos citados na coluna de referência.
Cuidado com a consolidação automática de status reports. Três verdes e um vermelho não dão um amarelo de portfólio. Dão um projeto que precisa de decisão e três que não precisam. Quando os faróis vão para um quadro na parede, a gestão à vista ajuda, desde que cada cor continue apontando para o relatório que a justifica.
E vale um ajuste de calendário: publique o status report antes da reunião de acompanhamento, não depois. Emitido depois, ele vira ata. Emitido antes, todo mundo chega tendo lido a mesma coisa, e a reunião passa a decidir em vez de informar.
Erros comuns no status report
- Farol por impressão. É o erro que o guia do kit nomeia: cor sem CPI, SPI ou outro número com origem.
- Verde por hábito. Quando o verde é o padrão, o amarelo soa como alarme e ninguém usa. Sobram duas cores.
- Relato por atividade. Projeto travado produz relatórios cheios, e o vazio que deveria disparar a conversa não aparece.
- Desvio sem referência. Some no relato seguinte sem que ninguém saiba se foi resolvido.
- Risco na tabela de desvios. Incha a tabela e esconde os desvios reais.
- Mesmo valor em duas linhas. O leitor soma, e o estouro dobra no papel.
- Período em branco. As datas das realizações não dizem se o ritmo caiu ou subiu.
- Só o número do mês. O gasto do período no plano esconde o desvio que o acumulado carrega.
Quase todos têm a mesma raiz: o status report escrito para não gerar pergunta. A folha do kit foi desenhada contra isso, com a referência obrigatória e a curva S antes da cor.
Um teste de dez minutos para saber se o seu relatório é lido
Relatório não lido é indistinguível de relatório lido para quem escreve: nos dois casos ninguém responde. Tem um jeito barato de descobrir em qual dos dois você está, sem perguntar a ninguém.
- Pegue os três últimos relatórios e conte quantos desvios distintos apareceram. Zero ou um num projeto de porte é sinal de relato escrito para não gerar pergunta.
- Veja se algum desvio mudou de referência ao longo dos três, de risco para problema ou de problema para mudança. Movimento entre documentos mostra que o relato está ligado ao resto.
- Conte quantas vezes o farol mudou de cor. Farol que nunca muda não está medindo nada.
- Procure uma frase que tenha custado desconforto para escrever. Se não houver nenhuma, o relatório está otimizado para conforto.
Se o resultado for ruim, a correção raramente é de formato. Status report que ninguém lê costuma ser relatório sem conclusão, que entrega informação e deixa a interpretação para o leitor. O farol com justificativa existe para forçar a conclusão, e é o primeiro campo a consertar.
Modelo de status report em branco para baixar (PDF)
A folha vazia abre logo abaixo. É o M13 do kit, o status report em PDF de uma página, com as três instruções no topo e os seis blocos na ordem em que o leitor precisa deles.
No arquivo está a folha do status report com as três instruções de preenchimento, o farol com justificativa e as tabelas de realizações e de desvios.
Abrir e baixar o M13 em branco (PDF)
Dentro do kit, a sequência da fase de monitoramento começa pela curva S. Depois vêm o painel de indicadores e o registro de problemas. Os três dão os números que o relato vai citar. O orçamento do projeto e o termo de abertura são a linha de base contra a qual tudo é lido, e o termo de encerramento fecha a conta no fim.
Se este texto te fez levantar da cadeira para rever o farol da sua equipe, a Academia de Certificação da Voitto te espera. O gerenciamento de projetos vem completo por lá, da abertura do projeto até as lições aprendidas.



