Painel de indicadores do projeto: como montar, ler o status e exemplo
Entregas no verde não provam que o projeto vai bem. O painel coloca execução e governança lado a lado, com a mesma régua para todos os números.
Um projeto pode estar entregando bem e, ao mesmo tempo, indo mal. A equipe cumpre as tarefas, o treinamento sai com boa nota, os sistemas entram no ar. E mesmo assim o custo e o prazo escapam. O painel de indicadores do projeto existe para mostrar essas duas coisas na mesma folha, antes que a reunião de status escolha a errada.
Nas empresas sem um painel de indicadores, o problema não é falta de número. É número demais, espalhado em planilhas, e-mails e relatórios. Falta uma regra comum que diga o que está dentro e o que está fora do esperado. Na gestão de projeto, isso produz uma conversa por impressão: cada área traz o indicador que a favorece.
O Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, que escrevi como Master Black Belt, trata dos KPIs no capítulo 19. Aqui eu levo essa base para a planilha do Kit de Ferramentas para Gestão de Projetos: as sete colunas do painel de indicadores, o cálculo do status e o efeito da meta zero na régua. Também mostro como ler vários indicadores críticos de uma vez sem culpar a pessoa errada.
O exemplo é o M15 da Rede Vitalfarma, caso ilustrativo do kit. São sete indicadores de um projeto de ERP. No fim há o modelo em branco em XLSX, com a fórmula do status já pronta.
O que é painel de indicadores do projeto
Painel de indicadores do projeto é uma tabela que junta, numa folha só, os números que dizem se o projeto vai bem: custo, prazo, escopo, riscos e entregas. Cada linha traz sentido, meta, valor atual, status calculado, a ferramenta de onde o número saiu e o responsável por ele.
A diferença para uma lista solta de indicadores de desempenho em projetos está na régua. Todo indicador do painel é comparado com a sua própria meta pela mesma regra. O resultado cabe em três palavras: OK, ATENÇÃO ou CRÍTICO. Quem abre a folha não precisa saber se um CPI de 0,9 é bom ou ruim; a coluna de status já respondeu.
Cada linha é um KPI no sentido estrito: uma medida escolhida porque responde a um objetivo do projeto, com valor-alvo definido antes de medir. O que o painel de indicadores acrescenta é o lugar. Os indicadores ficam lado a lado, e a leitura passa a ser do conjunto, não de um número isolado.
No kit de gestão de projetos que montamos na Voitto, o painel de indicadores é a ferramenta 15 da fase de Monitoramento. Ele não gera dados próprios. Recebe números de outras planilhas do projeto. Delas sai uma coisa que nenhuma faz sozinha: a comparação entre o que a equipe entregou e o que aconteceu com o projeto em volta dela.
Para que serve um painel no monitoramento do projeto
O uso mais comum é alimentar o status report. O farol verde, amarelo ou vermelho que o patrocinador vê na reunião precisa de uma justificativa numérica. O painel de indicadores é o lugar onde essa justificativa fica exposta, linha por linha, com a fonte de cada número.
O uso mais valioso é outro: separar um problema de execução de um problema de governança. Quando o custo sobe e o prazo escorrega, a reação natural do gerente de projetos é cobrar velocidade de quem executa. O painel do projeto mostra se essa cobrança faz sentido. Se os indicadores de entrega estão na meta e os de governança não, o atraso vem de outro lugar.
O Guia do kit dá nome a esse erro: é a armadilha da etapa de monitoramento. Os índices de custo e de prazo caem. A equipe vira a primeira suspeita antes que alguém abra o histórico de mudanças de escopo do mesmo período. Um painel de indicadores bem montado torna essa checagem automática, porque as duas coisas aparecem juntas.
Há ainda um uso de dono. Cada linha tem um responsável. Quem cuida do painel de indicadores, normalmente a PMO, sabe a quem pedir o número atualizado e a quem cobrar ação quando ele sai da meta. Indicador sem dono é o primeiro a ficar desatualizado.
As sete colunas do painel e o que vai em cada uma
O painel de indicadores do kit tem sete colunas. Quatro você preenche e uma a folha calcula. Duas registram de onde vem o número e quem responde por ele. A legenda no rodapé separa as células digitadas das calculadas.
| Coluna | O que registra | Quem preenche |
|---|---|---|
| Indicador | O nome da medida, com a unidade entre parênteses quando houver: %, dias, nota de 1 a 5 | Você |
| Sentido | Maior melhor ou menor melhor: a direção em que o número melhora | Você |
| Meta | O valor-alvo, definido antes de medir | Você |
| Atual | O valor medido no período do status report | Você |
| Status | OK, ATENÇÃO ou CRÍTICO, pela regra dos 20% | A planilha |
| Fonte / ferramenta de origem | A planilha do kit de onde o número foi copiado | Você |
| Responsável | O papel que informa o número e responde por ele | Você |
A coluna Sentido costuma ser a mais negligenciada. É ela que mais estraga o resultado. O mesmo par de meta e valor atual pode dar OK ou CRÍTICO dependendo dela. Por isso a primeira instrução da folha pede que o sentido seja definido antes de comparar meta e atual.
Quem sustenta o resto da linha é a coluna Fonte. Um número sem origem vira opinião na primeira pergunta do patrocinador. Com a ferramenta citada, qualquer pessoa consegue abrir a planilha de origem e refazer a conta.
A coluna Responsável fecha a linha. Nela vai um papel, não um nome: PMO, equipe de TI, RH. O papel sobrevive à troca de pessoas no meio do projeto. Também deixa claro quem informa o número e quem responde quando ele sai da meta. Quando a linha depende de duas áreas, as duas aparecem, e a reunião sabe a quem perguntar.
Como a planilha calcula o status de cada indicador
A regra é curta e vale para todas as linhas do painel de indicadores. Com sentido maior melhor, o indicador fica OK quando o atual chega à meta ou passa dela, ATENÇÃO quando fica até 20% abaixo, e CRÍTICO quando cai mais do que isso. Com sentido menor melhor, a lógica se inverte: OK até a meta, ATENÇÃO até 20% acima, CRÍTICO além.
| Sentido | OK | ATENÇÃO | CRÍTICO |
|---|---|---|---|
| Maior melhor | Atual maior ou igual à meta | Atual de 80% da meta até a meta | Atual abaixo de 80% da meta |
| Menor melhor | Atual menor ou igual à meta | Atual acima da meta até 120% dela | Atual acima de 120% da meta |
Com números redondos fica mais fácil. Meta 100 e sentido maior melhor: um atual de 85 sai ATENÇÃO, porque passa de 80, e um atual de 75 sai CRÍTICO. Meta 10 e sentido menor melhor: um atual de 11 sai ATENÇÃO, porque não passa de 12, e um atual de 13 sai CRÍTICO. A conta é sempre contra a meta da própria linha.
A régua de cima mostra por que dois índices parecidos recebem cores diferentes. Um CPI de 0,77 está além dos 20% de tolerância e sai CRÍTICO; um SPI de 0,84 ainda cabe na faixa e sai ATENÇÃO. A diferença entre os dois é pequena, mas a regra é a mesma para todos. Isso evita a discussão sobre qual cor cada um merece.
A régua de baixo mostra um detalhe que pega muita gente. Quando a meta é zero e o sentido é menor melhor, a faixa de ATENÇÃO some, porque 120% de zero continua sendo zero. Qualquer valor acima de zero vai direto a CRÍTICO. Um único risco alto sem resposta, ou um único dia de atraso projetado, já acende o vermelho.
Isso não é defeito da fórmula. Metas zero costumam ser escolhidas justamente para coisas que não deveriam acontecer nunca, e a régua trata o primeiro caso como grave. Se você quiser uma faixa de tolerância, a meta precisa ser diferente de zero. Essa decisão tem de ser tomada ao montar o painel, não quando o número piora.
O sentido trocado é o outro erro clássico. Se o percentual de lojas atendidas for cadastrado como menor melhor, 100% de cobertura vira CRÍTICO. A folha não tem como adivinhar a intenção; ela só compara.
Execução e governança no mesmo painel
Os indicadores de um projeto cabem em dois grupos. Os de execução medem o que a equipe produz: entregas concluídas, sistemas homologados, treinamentos com boa avaliação, indicadores de qualidade das entregas. Os de governança medem se o projeto está sendo conduzido pelas regras que ele próprio definiu: mudanças aprovadas pelo comitê, riscos com resposta, custo e prazo contra a linha de base.
| Grupo | O que mede | Exemplos de indicador |
|---|---|---|
| Execução | O que a equipe produz e com que qualidade | Entregas concluídas no prazo (%), unidades implantadas (%), nota da pesquisa de treinamento |
| Governança | Se o projeto segue as regras que ele mesmo definiu | Mudanças aprovadas pelo rito (%), riscos altos sem resposta, CPI, SPI, atraso projetado (dias) |
A entrega esperada do M15, segundo o Guia do kit, é exatamente essa: indicadores de execução e de governança lado a lado, cada um com meta, atual e status calculado. O erro comum descrito para a ferramenta é o oposto: olhar só os indicadores de execução e não perceber que o de governança está em crítico.
Por que isso acontece com tanta frequência? Porque os indicadores de execução são os que as áreas gostam de reportar. Eles dependem do esforço de quem executa. Quando estão bons, dizem que o trabalho foi bem feito. Os de governança dependem de decisões de gestão, e quando estão ruins, apontam para cima.
Com linhas só de execução, um painel de indicadores mede o esforço da equipe. Ficam de fora as decisões que mexeram no escopo. Um painel que só tem custo e prazo aponta o sintoma sem sugerir a causa. É a combinação que permite dizer, com número, se o problema está na equipe ou no escopo que mudou em volta dela.
De onde vem cada número do painel
Todo indicador cita a ferramenta do kit de onde o número vem, nunca uma estimativa solta: é o que pede a terceira instrução. O painel de indicadores não é o lugar onde se calcula; é o lugar onde se reúne o que outras ferramentas já calcularam.
O CPI e o SPI, por exemplo, saem da curva S do projeto, que acumula custo planejado e custo real mês a mês. A curva aplica a técnica do valor agregado. O Guia do kit recomenda ler a curva S antes do status report, porque é ela que calcula os índices que sustentam o farol.
O percentual de mudanças que passaram pelo rito formal vem do controle de mudanças. Cada solicitação fica registrada ali com a data e a decisão do comitê. Os riscos sem resposta vêm da matriz de riscos. O avanço das entregas vem do cronograma com marcos. A satisfação com o treinamento vem da pesquisa prevista no plano de comunicação.
Essa disciplina tem um efeito colateral bom: ela revela as lacunas. Se um indicador que você acha importante não tem ferramenta de origem, das duas uma. Ou ele não está sendo medido de verdade, ou está sendo medido fora do projeto, sem regra. Nos dois casos, o painel de indicadores mostra onde falta um instrumento. O controle de orçamento costuma ser o primeiro candidato.
O Guia resume o critério numa pergunta para a fase, que vale repetir na reunião: os dois índices saíram da curva S, ou a cor do farol foi escolhida no olho?
Como ler o painel a cada status report
Reler o painel de indicadores inteiro a cada status report é a quarta instrução. A palavra que importa é inteiro. Olhar só a linha que mudou desde a última reunião é o jeito mais rápido de perder o padrão.
A mesma instrução traz uma regra de interpretação que vale guardar: um indicador isolado em CRÍTICO pede ação; mais de um no mesmo grupo pede revisão de causa. A diferença é prática.
- Um CRÍTICO sozinho: trate como problema local. O responsável da linha propõe uma correção, e o plano de ação registra o que será feito e até quando.
- Vários CRÍTICOS no mesmo grupo: pare antes de agir. Quando custo, prazo e governança pioram juntos, é provável que exista uma causa comum. Corrigir cada linha separadamente só trata sintomas.
- CRÍTICOS em execução e governança ao mesmo tempo: o projeto tem dois problemas, e a ordem importa. Resolva primeiro o de governança, porque ele costuma alimentar o de execução.
Eu insisto em ler o painel do projeto em grupo porque isso protege a equipe. Se os indicadores de entrega estão em OK e os críticos se concentram em escopo e custo, não faz sentido pedir mais horas a quem executa. Faz sentido olhar para as decisões que mudaram o projeto.
Vale também comparar com a versão anterior do painel de indicadores. Um indicador que passou de OK para ATENÇÃO em um período, e de ATENÇÃO para CRÍTICO no seguinte, conta uma tendência que a foto de hoje não mostra. Guarde as versões de cada status report.
Quem mantém o painel atualizado e em que ritmo
Um painel de indicadores envelhece rápido quando ninguém é dono dele. Na planilha do kit, cada linha tem um responsável, mas a folha inteira precisa de alguém que junte os números, confira as fontes e leve o resultado à reunião. Em projetos com escritório de projetos, esse papel costuma ficar com a PMO.
O ritmo segue o do status report. Alguns dias antes da reunião, quem mantém a folha pede o valor atual a cada responsável, copia os números das ferramentas de origem e salva uma versão datada. A data de corte deve estar no cronograma do projeto, como qualquer outra entrega, para que ninguém descubra na véspera que o número não chegou.
Três cuidados evitam a maior parte dos problemas:
- Meta travada. A meta de cada linha é a da linha de base. Ela só muda quando uma mudança formal é aprovada, e a versão anterior fica guardada.
- Mesmo período para todos. Os valores atuais precisam fechar na mesma data. Misturar o CPI de um mês com a satisfação de outro produz uma foto que nunca existiu.
- Fonte aberta. Quem lê o painel precisa conseguir abrir a planilha de origem. Um número que só o responsável consegue ver não serve de base para decisão.
Nada disso pede software novo. Os indicadores de desempenho da operação costumam viver em sistemas próprios. Os do projeto cabem numa planilha, desde que a disciplina de atualização seja a mesma a cada ciclo.
Quantos e quais indicadores colocar
Não existe número certo, mas existe um limite prático. Um painel de indicadores que ninguém consegue ler em dois minutos tem linhas demais. Sete, como no modelo do kit, é suficiente para cobrir custo, prazo, escopo, riscos e duas ou três entregas.
A escolha parte do objetivo do projeto. Cada indicador precisa atender a uma dúvida real do patrocinador; o dado estar à mão no sistema não conta como motivo. Números fáceis de medir e sempre bonitos são métricas de vaidade. Eles ocupam o espaço de quem deveria estar ali.
Um bom teste é ligar cada linha a um critério de sucesso do termo de abertura. Se o projeto prometeu uma data, entra um indicador de prazo. Se prometeu uma exigência regulatória, entra o percentual de conformidade. As métricas de sucesso definidas no início são a matéria-prima natural do painel de indicadores.
Para projetos ligados à estratégia da empresa, a árvore de indicadores ajuda a descer do objetivo corporativo até o número que o projeto consegue mover. O painel fica com as folhas dessa árvore, não com o tronco.
Por fim, garanta a mistura. Pelo menos um indicador de governança precisa estar lá, mesmo que ninguém peça. É ele que evita que um conjunto de entregas em OK esconda um projeto saindo do controle.
Como montar um painel de indicadores em seis passos
- Liste os objetivos do projeto. Parta do termo de abertura e dos critérios de sucesso escritos. Cada objetivo vira candidato a uma ou mais linhas do painel de indicadores.
- Escolha um indicador por objetivo. Prefira o que já é calculado por alguma ferramenta do projeto. Garanta pelo menos um de execução e um de governança.
- Defina o sentido de cada linha. Maior melhor ou menor melhor, antes de digitar qualquer número. Confira as linhas de percentual, onde o erro é mais comum.
- Fixe as metas. Registre o valor-alvo de cada indicador na linha de base do projeto. Decida agora se a meta pode ser zero, sabendo que zero elimina a faixa de ATENÇÃO.
- Aponte fonte e responsável. Para cada linha, cite a planilha de origem e o papel que informa o número. Sem essas duas colunas, o painel não se sustenta na primeira pergunta.
- Atualize e releia a cada status report. Copie os valores atuais das ferramentas de origem, deixe a folha calcular o status e leia o conjunto pela regra da quarta instrução.
O passo mais demorado costuma ser o segundo. É ali que a equipe descobre quais números o projeto realmente mede e quais só imagina medir. Reserve tempo para ele ainda no planejamento. É esse esforço do começo que dá gás ao painel nas reuniões seguintes.
O que o livro diz sobre KPIs e relatório de indicadores
No capítulo 19 do Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, na seção 19.2.4, os KPIs são definidos como indicadores-chave de desempenho, “métricas que quantificam a performance de processos de acordo com os objetivos organizacionais” (p. 162). O livro insiste que, para serem significativos num projeto, os KPIs precisam partir do planejamento estratégico e de metas compatíveis com os objetivos da organização.
Nas páginas seguintes, o capítulo apresenta os tipos de indicador, de produtividade, qualidade, capacidade e estratégicos, e o Balanced Scorecard como forma de equilibrar perspectivas. É uma boa referência para quem precisa decidir quais linhas entram no painel.
A parte mais útil para quem monta o M15 está na página 165, no item sobre o relatório de KPIs. O livro manda começar o relatório decidindo para quem ele se destina e para que serve. O painel do projeto tem um destinatário claro: o patrocinador e o comitê que leem o status report.
O mesmo item pede que se fixe a periodicidade do relatório e avisa que indicador sem relação com o objetivo produz “sobrecarga com KPIs desnecessários” (p. 165). É o mesmo princípio do limite de linhas: cada indicador a mais disputa atenção com os que importam.
O painel de indicadores do kit é uma forma enxuta de seguir essas recomendações: tem destinatário, tem ritmo e tem poucas linhas. O texto sobre relatório de KPI do blog detalha outros formatos. O que não muda entre eles é a exigência com que o livro fecha o item: o público do relatório precisa entendê-lo com facilidade.
Painel de indicadores do projeto e dashboard de BI
A palavra painel também é usada para dashboard, e a confusão é comum. Os dois mostram indicadores, mas servem a propósitos diferentes.
| Aspecto | Painel do projeto (M15) | Dashboard de BI |
|---|---|---|
| Horizonte | A duração do projeto | Contínuo, enquanto a operação existir |
| Atualização | A cada status report | Automática, muitas vezes diária |
| Fonte | Ferramentas do projeto, citadas linha a linha | Sistemas transacionais e bases de dados |
| Tamanho | Poucas linhas, todas com meta e dono | Muitos gráficos e filtros |
| Pergunta | O projeto está sob controle? | Como a operação está se comportando? |
Um dashboard operacional acompanha processos que se repetem, como vendas, atendimento ou produção. O painel de indicadores do projeto acompanha algo que tem começo e fim. Por isso precisa de metas fixadas na linha de base. Se você procura inspiração visual para o seu, os modelos de dashboard do blog ajudam, mas a régua do status é o que diferencia um do outro.
Os dois conversam com a gestão à vista. Pendurar o painel de indicadores na parede da sala do projeto, ou deixá-lo aberto na tela da reunião, é uma forma simples de fazer a equipe acompanhar os próprios números sem depender de um relatório.
Versão reduzida para projetos pequenos
Nem todo projeto justifica sete linhas. O Guia do kit admite que o painel de indicadores tenha menos linhas num projeto simples, com uma condição: que misture sempre um indicador de execução com um de governança.
A versão mínima tem, portanto, duas linhas. Uma mede a entrega principal, como o percentual de unidades atendidas ou de etapas concluídas. A outra mede se o projeto está sendo conduzido pelas regras, como o percentual de mudanças aprovadas pelo rito ou o número de riscos altos sem resposta.
Com duas linhas, a leitura em grupo da quarta instrução perde sentido, mas a comparação entre os dois lados continua funcionando. Se a entrega vai bem e a governança vai mal, você já sabe onde olhar.
O que não se reduz é a coluna de fonte. Mesmo num projeto pequeno, o número precisa vir de algum lugar verificável, nem que seja uma lista simples de mudanças mantida pela própria equipe.
Onde o painel entra no kit de gestão de projetos
Dentro da fase de Monitoramento, o M15 fica no meio, entre as ferramentas que produzem números e as que registram consequências. Antes dele vêm a curva S, que calcula os índices de custo e prazo, e o status report, que leva o farol ao patrocinador. Depois dele vem o registro de problemas, que anota cada problema já acontecido com a sua origem.
A ordem recomendada no Guia é ler a curva S antes do status report. O painel do projeto entra nesse caminho como a folha que coloca os índices ao lado dos indicadores de entrega e de governança. Ela dá ao farol uma justificativa que qualquer pessoa consegue conferir.
Essa lógica de medir o desempenho do projeto contra a linha de base aparece nos padrões de mercado, como o PMBOK Guide, padrão do PMI, que trata o monitoramento como um domínio contínuo, e não como um evento no fim de cada fase.
No encerramento, o painel de indicadores ainda tem uma última utilidade. A sequência de versões guardadas a cada status report mostra quando cada indicador saiu da meta. Isso vira matéria-prima para as lições aprendidas do projeto.
Erros comuns no painel de indicadores
- Só indicadores de execução. O painel de indicadores fica verde enquanto o custo e o escopo escapam. É o erro que o Guia do kit aponta para a ferramenta.
- Sentido trocado. Um percentual de cobertura cadastrado como menor melhor vira CRÍTICO justamente quando atinge 100%.
- Meta zero sem saber o efeito. Com meta zero, não existe ATENÇÃO. Se a equipe esperava uma faixa de tolerância, vai achar a planilha severa demais.
- Número sem fonte. O valor atual digitado de memória, ou estimado na hora, derruba a confiança no painel inteiro na primeira conferência.
- Meta alterada no meio do projeto. Mudar a meta para o indicador voltar ao verde apaga a informação que o painel deveria dar. Meta muda por mudança formal, registrada.
- Ler só a linha que mudou. A regra de revisão de causa só funciona quando o painel é lido inteiro, em grupo.
- Culpar a equipe pelo atraso. Quando CPI e SPI caem e as entregas seguem em OK, a causa provável está nas decisões de escopo, não no ritmo de quem executa.
Exemplo de painel de indicadores preenchido: o M15 da Vitalfarma
O kit traz o M15 preenchido com o caso da implantação de um ERP numa rede de farmácias. O PDF reproduz a folha inteira, com as instruções, a tabela e a legenda.
1. Vitalfarma: sete indicadores do projeto de ERP no M15 (caso ilustrativo)
A Rede Vitalfarma está trocando os sistemas das suas farmácias por um ERP único, e o projeto chega ao monitoramento com o farol do status report em vermelho. A pergunta que o M15 precisa responder é incômoda: o atraso vem de quem executa ou de algo que mudou no projeto sem aprovação? Para responder, a PMO montou um painel com sete linhas, cinco sob a sua responsabilidade e duas nas mãos de outras áreas. O primeiro desafio foi o corte. Os sete valores tinham de fechar no mesmo mês, e o corte ficou em agosto, a última linha medida na curva S do caso.
As duas linhas de entrega foram informadas fora da PMO. A equipe de TI trouxe, do cronograma com marcos, o percentual de lojas com SNGPC homologado: 100, que é a própria meta. O RH, junto com a fornecedora de implantação, trouxe a nota da pesquisa feita depois do treinamento dos farmacêuticos: 4,2 numa escala de 1 a 5, com meta 4. As duas linhas saem OK.
Custo e prazo contam outra história. O CPI acumulado, copiado da curva S, está em 0,77 contra meta 1. A folha o marca CRÍTICO por ficar além dos 20% de tolerância. O SPI acumulado, da mesma origem, está em 0,84 e fica em ATENÇÃO. O Guia do kit resume o quadro dizendo que CPI e SPI estão em CRÍTICO; pela fórmula da própria planilha, só o CPI está, e este texto segue a planilha.
As outras três linhas explicam o resto. Das mudanças de escopo aprovadas, só 25% passaram pelo rito formal do controle de mudanças, quando a meta era 100. Chegar a esse número exigiu contar o que não passou pelo canal. Três dos quatro pedidos vieram por e-mail direto ou pedido informal; só um passou pelo comitê. A matriz de riscos tem 1 risco ALTO sem resposta em execução, com meta 0. O atraso projetado para a data final está em 49 dias, também contra meta 0. Com meta zero e sentido menor melhor, essas duas linhas não têm faixa intermediária e vão direto a CRÍTICO.
Pela quarta instrução da folha, o caso pede revisão de causa, não ação linha a linha: há mais de um CRÍTICO do mesmo lado. Os quatro vermelhos estão todos em custo, prazo e governança. Nenhum está nas entregas. Cobrar velocidade da equipe seria cair na armadilha que o Guia descreve para a fase. O painel aponta para o escopo, que cresceu por pedidos que não chegaram ao comitê.
Se eu estivesse nessa reunião de status, mudaria a pauta: sai o ritmo da equipe de TI e entram o histórico de mudanças e o risco de escopo que estava mapeado e ficou sem resposta em curso. A lição que a Vitalfarma deixa é colocar um indicador de governança ao lado dos de entrega desde a primeira versão do painel. Sem essa linha, os dois OK teriam tranquilizado todo mundo.
Os números de custo, prazo e escopo deste painel não nasceram nele. Vieram da curva S, do controle de mudanças e da matriz de riscos do mesmo projeto, e é por isso que a coluna de fonte cita cada uma. O texto sobre controle de mudanças conta como as solicitações fora do rito chegaram ao projeto. Se a Vitalfarma te prendeu até aqui, a gente deixou a folha inteira no PDF do caso, com as sete linhas do jeito que o kit entrega.
Modelo de painel de indicadores em branco para baixar (XLSX)
No arquivo em branco estão as quatro instruções no topo, as sete linhas prontas para receber os seus indicadores e a fórmula do status já ligada à coluna E. Células de digitação e de cálculo têm cores diferentes, explicadas na legenda do rodapé.
Colunas da folha: Indicador, Sentido, Meta, Atual, Status, Fonte ou ferramenta de origem e Responsável. O status sai calculado por fórmula, pela regra dos 20%.
Abrir e baixar o M15 em branco (XLSX)
Escreva o sentido exatamente como a folha espera, maior melhor ou menor melhor. A fórmula compara o texto. Para mais linhas, insira-as dentro da tabela e confira se a fórmula da coluna E acompanhou.
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