Termo de encerramento de projeto: o que é, como fazer e modelo em PDF
Como comparar o realizado com o termo de abertura, linha a linha, com o caso de uma rede de farmácias que fechou 49 dias atrasada e explicou cada dia
Dos 17 negócios que eu abri, um foi na construção civil. Teve quebra no caminho, e teve nome sujo por 4 anos. Quem passa por isso aprende que o fim de uma coisa e o fim das contas dela quase nunca caem no mesmo dia. Com projeto acontece igual, e o termo de encerramento existe para os dois fins caírem juntos.
O termo de encerramento compara o que foi entregue com o que o termo de abertura prometeu, linha a linha. Prazo contra prazo, orçamento contra orçamento, escopo contra escopo. Cada distância vem com a causa e a referência que a documenta. E o que sobrou em aberto sai do documento com dono, prazo e destino.
O Kit de Ferramentas para Gestão de Projetos dá a ele uma folha própria, a F17, na fase de encerramento. São três instruções no topo. A primeira resume o método: compare cada linha com o termo de abertura, na mesma unidade e na mesma referência, sem arredondar o desvio para menos.
Na folha preenchida do kit, uma rede de farmácias fecha a troca de ERP com 49 dias de atraso, R$ 95.000,00 acima do orçado e 36 lojas em vez de 34. Cada um desses números aponta para uma linha do controle de mudanças. É o tipo de termo de encerramento que serve a quem vai estimar o próximo projeto.
Daqui para a frente vêm as cinco partes da F17, a tabela de linha de base, a causa nomeada, o escopo que entrou por fora, as pendências e o aceite. Depois, o que o meu livro pede antes de encerrar e quatro termos preenchidos com PDF. Uma nota de procedência antes: a rede de farmácias foi inventada pela gente, na Voitto, para servir de caso ao kit. Os outros três termos foram montados para este artigo e também são ilustrativos.
O que é o termo de encerramento
O termo de encerramento é o documento que fecha formalmente um projeto comparando o realizado com o que o termo de abertura fixou. Para cada compromisso da abertura há uma linha com o original, o realizado e o desvio com a causa. Fecha com o escopo acrescido, as pendências e o aceite.
A estrutura é espelhada de propósito. Um encerramento que descreve o que foi feito, sem referência ao que foi combinado, vira relatório de atividades. Ele informa o que houve e para por aí. O valor está na distância entre as duas colunas, porque é dela que sai a calibração da estimativa do projeto seguinte.
Daí uma consequência que vale dizer cedo. Se o termo de abertura foi vago, o termo de encerramento será vago, sem conserto no fim. Projeto que abriu com "melhorar a experiência do cliente" não tem contra o que comparar. Nesse caso o encerramento honesto declara a falta da régua em vez de inventar uma linha de base retroativa.
O documento também cumpre a parte administrativa: liberar a equipe, encerrar contratos, arquivar. No guia PMBOK do Project Management Institute, encerrar o projeto ou a fase é um processo com entradas e saídas próprias. Essa parte é necessária. Ela só não justifica gastar duas horas no termo em vez de vinte minutos. O que justifica é a comparação.
As cinco partes da F17
A F17, a folha de termo de encerramento do kit, cabe numa página A4 e tem cinco blocos, sempre na mesma ordem. A ordem importa: a comparação vem antes do aceite, porque quem aceita precisa ler a comparação primeiro.
| Bloco | O que entra | Por que existe |
|---|---|---|
| Identificação | Projeto ou código, responsável, data de encerramento | Permite arquivar e achar o documento depois |
| Baseline contra realizado | Uma linha por dimensão: original, realizado, desvio e causa | É a comparação que dá função ao documento |
| O que entrou fora do escopo | Tudo que foi acrescentado depois da abertura, mesmo entregue e aceito | Explica boa parte do desvio de prazo e custo |
| Pendências no encerramento | O que fica em aberto, com prazo e responsável | Impede que encerrar vire adiar |
| Aceite formal | Quem aceita e quando, com a ressalva se houver | Fecha a responsabilidade do projeto |
As três instruções do topo da F17 dizem o que cada bloco cobra. Uma: cada linha do termo de encerramento é lida contra a mesma linha da abertura, com a mesma unidade e a mesma referência. Duas: o desvio cita a causa, com referência ao controle de mudanças ou ao registro de problemas. Três: pendência sem prazo e responsável não fecha o projeto, só adia o problema para depois do encerramento.
No pé da folha vêm os sinais de um bom termo. Todo desvio de prazo e custo tem causa nomeada. O escopo acrescido está listado mesmo quando já foi aceito. O aceite traz quem aceitou e em que data, escritos na própria folha.
Abrir a F17 em branco (PDF) e acompanhar a leitura
A tabela de linha de base contra realizado
É a parte central e a que mais pede disciplina. Cada linha tem a dimensão, o valor original do termo de abertura, o que de fato aconteceu e a distância com o motivo. A F17 traz quatro dimensões: prazo, orçamento, escopo em quantidade e escopo em conteúdo. O escopo em conteúdo é lido contra a EAP quando ela existe.
No termo de encerramento do caso do kit, a linha de prazo diz assim. Original: 9 meses, de 02/02/2026 a 31/10/2026. Realizado: 9 meses e 7 semanas, até 19/12/2026. Desvio: 49 dias de atraso, somando o efeito das 3 mudanças de escopo que entraram sem passar pelo comitê. Nenhuma palavra ali é "cerca de".
Sobre a mesma unidade. Se a abertura fixou meses e datas, o encerramento relata meses e datas. Trocar para "pouco mais de dez meses" parece equivalente e apaga 49 dias dentro da margem da palavra "pouco". O mesmo vale para orçamento em faixa e para escopo em percentual quando a abertura falava em lojas.
Sobre não arredondar para menos. A tentação é real e quase sempre inconsciente. R$ 95.000,00 viram "menos de 8% acima", e 7 semanas viram "um mês e pouco". O percentual não está errado. Só que ele troca um número que a organização consegue somar por um que ela só consegue sentir. Guarde o percentual para o comentário e ponha o valor absoluto na coluna, como a folha do kit faz: R$ 95.000,00 e 7,9%, os dois.
E sobre o desvio que encolhe. Encerramento que só registra o que cresceu conta metade da história. Escopo reduzido explica prazo cumprido, e omitir a redução faz o projeto parecer mais eficiente do que foi. O primeiro exemplo ilustrativo, mais abaixo, é exatamente esse caso: um WMS entregue no dia, com 3 dos 4 processos.
Desvio precisa de causa nomeada
A quarta coluna pede o desvio e a causa. O sinal da F17 é direto: nenhum desvio de prazo ou custo fica sem causa nomeada, e "atraso da equipe" não conta como uma. É essa coluna que transforma o termo de encerramento em insumo de aprendizado.
Causa nomeada tem três propriedades. Aponta para um evento com data, que dá para achar no calendário do projeto. Cita o documento que a registra: controle de mudanças, registro de problemas, registro de decisões. E é específica o bastante para alguém perguntar se o mesmo risco existe no próximo projeto.
No caso do kit dá para refazer a conta. O controle de mudanças traz três solicitações executadas sem passar pelo comitê: o e-commerce, com 3 semanas e R$ 45.000,00; as 2 lojas de maio, com 2 semanas e R$ 28.000,00; e a integração de convênios corporativos, com 2 semanas e R$ 22.000,00. Somadas, dão 7 semanas e R$ 95.000,00. São os dois desvios da F17, ao centavo.
- Não é causa: "atraso da equipe", "complexidade maior que a esperada", "problemas de comunicação".
- É causa: "módulo de e-commerce pedido em 02/04 e executado sem passar pelo comitê (E12, CM-01)".
- Teste rápido: se a frase serviria para qualquer outro projeto da empresa, ela é só categoria.
Quando a causa real é organizacional e desconfortável, escrevê-la é o que dá valor ao documento. Prioridade que mudou, pedido da diretoria fora do rito, decisão que demorou. Termo que atribui todo desvio à execução ensina a organização a culpar quem executa, e a mesma perda volta no projeto seguinte.
O escopo que entrou por fora continua contando
O terceiro bloco do termo de encerramento lista tudo que foi acrescentado depois da abertura. A regra tem uma parte contraintuitiva: o item fica listado aqui mesmo quando já foi entregue e aceito.
No caso do kit, o e-commerce estava escrito como fora do escopo no termo de abertura. Entrou mesmo assim, junto com a integração de convênios corporativos, e os dois foram entregues. A F17 lista os dois no bloco e registra que nenhum foi avaliado pelo comitê antes de começar. Pelas lições aprendidas do mesmo caso, as três mudanças fora do rito chegaram por e-mail ou pedido direto, fora do canal que o plano de comunicação definia.
A pergunta óbvia é por que registrar o que o cliente já aceitou. Porque consumiu prazo e dinheiro que não estavam previstos. E porque a organização precisa separar quanto do esforço foi para o combinado e quanto foi para o acrescentado. Sem essa separação, o próximo projeto parecido é estimado com base num esforço que incluía coisas que ninguém contou.
Há também um aprendizado sobre o processo. Uma lista longa de escopo acrescido, com a maioria dos itens sem aprovação formal, diz que o controle de mudanças não funcionou. Durante o projeto, cada item isolado parecia pequeno. É só no encerramento, vendo o conjunto, que a conclusão aparece.
Pendência sem prazo e sem dono não fecha projeto
Quantos projetos você já viu fechar com tudo resolvido? Quase nenhum, e isso é normal. O problema é a pendência genérica, sem prazo e sem responsável, que entra na lista para parecer considerada. Ela foi adiada para um futuro sem dono. Meses depois reaparece como problema novo, quando já não há equipe para tratá-la.
No termo de encerramento, toda pendência precisa de quatro campos: descrição, responsável, prazo e destino. Destino é o campo que mais falta. Para onde essa pendência vai quando o projeto fechar? Para a operação, para outro projeto, para um contrato de suporte? Sem destino, ela fica órfã no dia em que a equipe se dissolve.
E aqui vale uma leitura crítica do próprio kit. O bloco de pendências da rede de farmácias traz três itens. Formalizar as 3 mudanças "na próxima auditoria interna". Manter a folha de pagamento fora do escopo. Revisar o controle de mudanças "antes do próximo projeto de porte semelhante". Nenhum dos três tem responsável, e os prazos são eventos, sem data. Pela terceira instrução da própria folha, esse bloco adia mais do que fecha.
Eu gosto de mostrar isso porque o termo de encerramento do caso é bom no resto. A tabela de desvios é exemplar e o bloco de escopo também. A pendência é o lugar onde até um documento bem feito escorrega, porque ela olha para depois do projeto, e depois do projeto ninguém está escalado.
Um teste ajuda a separar. Se uma pendência não consegue receber os quatro campos, talvez ela seja escopo não entregue. Escopo não entregue pertence à tabela de linha de base, com o desvio declarado. A lista de pendências fica para o resto. Confundir os dois fecha no papel um projeto que não terminou.
O aceite formal
O último bloco é o mais curto e o que mais trava encerramentos. A F17 pede quem aceita e quando. No caso do kit: a Diretoria de Operações e TI, a mesma patrocinadora do termo de abertura, aceita em 19/12/2026, com a ressalva registrada nas pendências.
Você já abriu o arquivo de um projeto antigo e achou o termo pronto, esperando assinatura? Aceite pendente é o estado mais comum dos termos arquivados. O documento fica pronto, circula, e a assinatura não vem. Quem assina sabe que assinar é concordar com a tabela de desvios. O projeto termina sem encerramento formal, e a memória que sobra é a versão oral de quem conta a história.
A saída é envolver quem aceita na construção da tabela, antes de o documento ficar pronto. Desvio discutido durante o projeto é assinado sem resistência. Desvio revelado no documento final vira negociação. Se o status report acompanhou o projeto com a mesma régua, não existe revelação no termo de encerramento, só consolidação. Na reunião de aceite vale o cuidado de apresentar o projeto para a diretoria: a tabela primeiro, a narrativa depois.
Quando o aceite não vem, registre isso no próprio documento, com data e motivo, e arquive assim. Termo com aceite recusado e motivo declarado é informação. Termo que nunca foi arquivado porque faltava uma assinatura é perda total.
O que o livro pede antes de encerrar
No meu Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o encerramento está no capítulo 32, "Sustentando Melhorias". A condição para fechar está lá: “Para validar se um projeto está em condições de encerramento, o gestor precisa assegurar-se de que todas as questões e problemas do projeto foram resolvidos, que todas as atividades estão completas e que todos os riscos foram mitigados” (p. 472).
Lida ao pé da letra, essa frase mandaria esperar até a última pendência sumir. Na prática, o termo de encerramento da F17 resolve o choque assim: o que não foi resolvido sai do projeto com dono, prazo e destino. A questão continua aberta, só que agora tem endereço. O mesmo vale para o risco que sobrou na matriz de riscos: ele sai com dono.
Uma página adiante, no item do resumo executivo do relatório final, está a régua da comparação: “é analisado o desempenho final de tempo, custo e escopo, de modo a listar os principais problemas encontrados e tratados, de modo que estes não se tornem reincidentes” (p. 473). Tempo, custo e escopo são as linhas do termo de encerramento. A reincidência é o motivo de ela existir.
O mesmo capítulo lista os motivos pelos quais um projeto encerra, e eles mudam o jeito de preencher a folha:
| Motivo (livro, p. 472) | O que é | O que muda no termo |
|---|---|---|
| Extinção | O projeto é concluído e finalizado | O caso padrão: comparação completa, linha a linha |
| Esgotamento | Os recursos são cortados e o projeto é encerrado | O realizado é o ponto de parada; a causa explica a decisão de parar |
| Absorção | O projeto passa a ser uma unidade de negócio independente | O termo define a fronteira: o que vira operação, de quem, a partir de quando |
| Integração | Os recursos são retirados e alocados em outros trabalhos | Igual ao esgotamento, com o destino da equipe registrado |
O termo do projeto que foi cancelado
Projeto cancelado também tem termo de encerramento, e o dele é o mais útil e o menos escrito. A lógica da organização costuma ser a oposta: se foi cancelado, não haveria o que prestar contas. Há, e é isso que impede o próximo cancelamento pela mesma razão.
A estrutura da F17 se mantém. A coluna do realizado registra até onde o projeto chegou. O desvio vira a distância entre o previsto e o ponto de parada, e a causa passa a explicar a decisão de cancelar, com a referência ao registro de decisões.
- Quanto foi consumido: prazo e orçamento gastos até a parada, em valor absoluto.
- O que é aproveitável: integrações, contratos, ambientes, dados. Cancelamento quase nunca produz zero.
- O gatilho: a premissa que caiu, a prioridade que mudou, com data e referência.
- Onde dava para parar antes: a data em que a informação que motivou o cancelamento já existia.
O último item é o que dói e o único que economiza dinheiro no futuro. Ele exige honestidade e dispensa culpado. A pergunta é em que data a informação existia. Quem deveria tê-la usado fica fora da conta. No exemplo da rede de clínicas, mais abaixo, essa distância é de 28 dias e R$ 38.000.
O termo do projeto que vira operação
Uma classe de projeto termina de um jeito que o formulário não prevê. Ele entrega e continua, porque vira rotina. Implantação de sistema, programa de 5S, estruturação de área. Todos terminam com alguém continuando a fazer aquilo, e o encerramento fica ambíguo.
A ambiguidade se resolve com uma frase no aceite do termo de encerramento: o que passa a ser operação, quem passa a ser dono e a partir de que data o projeto deixa de responder por aquilo. Sem essa fronteira, o gerente do projeto continua sendo procurado seis meses depois, e a operação nunca assume de fato.
Nesses casos o bloco de pendências pesa mais, porque quase tudo que fica em aberto vai para a operação. "Passa para a operação" é encaminhamento vago. Destino é a área com nome, o mecanismo pelo qual ela recebe e a data. Vale registrar também o que a operação precisa para sustentar a entrega: treinamento, acesso, orçamento recorrente. No 5S, por exemplo, o que sustenta o programa depois do projeto é a auditoria com dono e verba.
Quando escrever o termo, e por que o prazo importa
O termo de encerramento tem uma janela curta de qualidade. Enquanto a equipe está junta, os desvios têm causa conhecida e as referências são fáceis de achar. Duas semanas depois da dissolução, cada causa custa uma conversa. Um mês depois, boa parte delas já se perdeu.
O que funciona é agendar o termo de encerramento antes da entrega final, no próprio cronograma. Assim ele disputa atenção com as outras tarefas em pé de igualdade. Deixado para "assim que der", ele disputa com o projeto seguinte, e perde sempre.
Boa parte do conteúdo já existe antes do fim. A tabela de desvios sai da curva S e dos relatórios de acompanhamento. As causas saem do registro de problemas e do painel de indicadores. O escopo acrescido sai do controle de mudanças. Com esses documentos em dia, o termo de encerramento é consolidação de meia hora. Sem eles, vira investigação de dois dias, e é aí que ele deixa de acontecer.
A sequência do guia do kit fecha assim: o termo de encerramento compara contra o termo de abertura, e as lições aprendidas (F18) nomeiam a causa. O termo vem primeiro. Ele produz os fatos, e as lições saem deles. Quando a sessão de lições vem antes, ela trabalha com impressão.
Exemplos de termo de encerramento preenchido
Abaixo estão quatro exemplos de termo de encerramento, e cada folha abre no próprio PDF. A primeira é a do kit. As outras três a gente montou para este texto, no formato da F17, e cobrem o que o caso do kit não cobre: o projeto que fecha no prazo encolhendo o escopo, o projeto cancelado e o projeto que vira rotina.
Nas três montadas, o rodapé tem um quadro de conferência calculado. Ele refaz o desvio de prazo pelas datas, o de custo pelos valores, e confere se as causas somam o desvio. Confere também se toda pendência tem responsável, prazo e destino. Vale ler o quadro antes da tabela.
1. Rede de farmácias: 49 dias e R$ 95 mil com causa nomeada (caso do kit)
O projeto troca os sistemas de PDV e retaguarda de 34 farmácias da mesma rede por um ERP único. O termo de abertura, de 02/02/2026, fixou 9 meses, R$ 1.200.000,00 e o e-commerce explicitamente fora. A F17 fecha em 19/12/2026.
O problema aparece em todas as linhas da tabela. São 49 dias de atraso e R$ 95.000,00 acima do orçado, ou 7,9%. Há também 36 lojas em vez de 34, e o e-commerce com a integração de convênios entregues sem aprovação. Tudo isso volta a uma causa só: 3 mudanças executadas sem passar pelo comitê.
O que eu mais gosto nesta folha é a linha de orçamento. Ela separa a única mudança que seguiu o rito, a CM-04 de R$ 12.000,00, paga pela reserva de contingência, das três que não seguiram. Quem lê entende que o estouro não foi falta de dinheiro previsto. Foi dinheiro gasto sem decisão.
Onde a folha escorrega é nas pendências, como comentei antes. Elas apontam o que fazer e deixam sem dono quem vai fazer. O aceite vem da mesma diretoria que patrocinou o projeto, com a ressalva escrita.
2. WMS no centro de distribuição: no prazo, com 3 de 4 processos (exemplo ilustrativo)
A folha é ilustrativa, montada para este artigo. Uma distribuidora de autopeças implanta um sistema de gestão de armazém no CD. A abertura fixou 20 semanas, R$ 680.000 e 4 processos: recebimento, armazenagem, separação e expedição.
À primeira vista, este termo de encerramento é de projeto perfeito. Prazo cumprido em 23/05/2025 e custo R$ 28.000 abaixo do orçado. A linha de escopo conta o resto. A expedição saiu do projeto em 07/04, por decisão do comitê, depois que o portal das transportadoras não ficou pronto.
Quem escreve este termo precisa declarar a redução com todas as letras. O custo menor vem dela: R$ 40.000 de licença e serviço não contratados, menos R$ 12.000 de coletores pedidos pela operação.
Sem a linha de escopo, o próximo WMS da casa seria estimado em 20 semanas para quatro processos, quando o dado diz três. É o desvio que o prazo esconde.
Repare na primeira pendência, que é onde esta folha acerta. Ela manda a expedição para um termo de abertura de fase 2, com data e dono. A parte que não foi feita entra em outro projeto com nome, sem ficar esquecida neste.
3. Agendamento online cancelado no piloto: o termo do que parou (exemplo ilustrativo)
Também ilustrativa, esta folha fecha um projeto de clínicas de fisioterapia com 3 unidades. O projeto era um aplicativo de agendamento para as 3, com 6 meses e R$ 300.000. A premissa do termo de abertura era clara: 30% dos agendamentos pelo app em 60 dias de piloto.
O piloto começou em 07/04/2025 e a adesão parou em 9%. O comitê cancelou em 10/06/2025, e o projeto encerrou em 13/06, 77 dias antes do fim previsto. Foram consumidos R$ 141.000, e a folha abre esse valor por frente: app, integração com o prontuário e piloto.
O ponto delicado está no quadro de conferência. Em 16/05 a adesão já estava em 8%, e entre essa data e o cancelamento passaram 28 dias e saíram mais R$ 38.000. Ninguém errou de má-fé. O registro serve para o próximo piloto nascer com uma data de corte escrita. E o aproveitável também está lá: a integração com o prontuário vai para a central telefônica, com analista responsável e prazo.
4. 5S numa fábrica de embalagens: o projeto que vira rotina (exemplo ilustrativo)
A quarta folha, também montada para o artigo, fecha a implantação do 5S em 6 áreas de uma fábrica de embalagens plásticas. O termo de abertura fixou 24 semanas, R$ 90.000 e os 5 sensos com auditoria mensal definida.
O atraso é de 21 dias e a folha decompõe os dois. São 14 dias da auditoria de linha de base da expedição, refeita depois da troca de layout, e 7 dias da parada da extrusora 2, que adiou o seiso. O custo subiu R$ 6.500, em duas mudanças aprovadas pelo comitê.
A dúvida aqui é a de todo projeto de implantação do 5S: saber quando ele acaba. A folha resolve no aceite. A partir de 01/01/2026 o 5S é rotina da qualidade, e o projeto deixa de responder por ele.
Eu chamaria a atenção para a terceira pendência: R$ 800 por mês de reposição de material no orçamento de 2026, com o gerente industrial como dono. Programa que vira rotina sem verba recorrente volta ao estado antigo em poucos meses. Aí o termo de encerramento terá registrado um sucesso que não durou.
Nas quatro folhas, o que separa um termo de encerramento útil de um decorativo é a coluna de causa. Nas quatro, ela aponta para uma linha de outro documento. Quando não aponta, o desvio vira opinião.
O termo como fonte da próxima estimativa
O retorno do termo de encerramento não aparece no projeto que ele fecha. Aparece no terceiro, no quinto, no décimo, quando existe uma série de documentos comparáveis. Aí a organização passa a estimar com dado próprio em vez de referência de mercado.
Isso exige alguém que mantenha a série, e essa tarefa quase nunca tem dono. Os termos ficam na pasta de cada projeto, um por pasta, sem ninguém que os leia juntos. Uma planilha com uma linha por projeto encerrado resolve, e cabe em quatro colunas. O PMO é o dono natural dela.
| O que registrar por projeto | Como calcular | O que a série revela |
|---|---|---|
| Fator de prazo | Realizado ÷ original, em dias | A margem que as estimativas da casa precisam ter |
| Fator de custo | Realizado ÷ original, em reais | Se o custo desvia junto com o prazo ou sozinho |
| Escopo acrescido | Custo das mudanças ÷ orçamento original | Quanto de contingência o portfólio consome de fato |
| Causa dominante | A causa nomeada de maior efeito | A fragilidade que se repete entre projetos |
Com os números da rede de farmácias, a linha dela fica assim. Fator de prazo: 320 dias contra 271, ou 1,18. Fator de custo: 1,295 milhão contra 1,2 milhão, ou 1,08. Escopo acrescido fora do rito: R$ 95.000,00 sobre R$ 1.200.000,00, ou 7,9%. Causa dominante: mudança de escopo sem comitê.
A quarta coluna é a que muda decisão de gestão. Quando a mesma causa domina cinco encerramentos seguidos, o problema deixou de ser do projeto e passou a ser da organização. Com um termo só, nenhum gerente consegue mostrar isso. Com cinco lado a lado, o padrão aparece para quem quiser ver.
Cinco projetos são pouca amostra para conclusão fina, e a série nem pretende isso. A série não calcula a estimativa do próximo projeto com precisão. Ela mostra viés. Se os cinco fatores de prazo passam de 1, a casa subestima prazo, e essa conclusão aguenta poucos casos. Por isso a insistência na mesma unidade e no mesmo formato: um termo de encerramento fora do padrão tira uma linha da série. É a parte do encerramento que conversa com a gestão do conhecimento da empresa.
Erros comuns no termo de encerramento
- Fechar sem comparar com o termo de abertura. É o erro que o guia do kit nomeia: o desvio fica sem explicação, só com a sensação de que demorou.
- Escrever depois que a equipe se dissolveu. Sobra quem tem menos contexto.
- Trocar a unidade. Datas viram meses, valores viram percentuais, e o desvio some na margem da palavra.
- Registrar só o que cresceu. Escopo reduzido explica prazo cumprido.
- Causa por categoria. "Atraso da equipe" serve para qualquer projeto.
- Omitir o escopo aceito por fora. Some a explicação do desvio de custo.
- Pendência sem dono ou sem data. Fica órfã quando a equipe sai.
- Arquivar sem aceite e sem dizer por quê. O documento pronto vira perda total.
Quase todos têm a mesma raiz: o termo escrito só para fechar a pasta, sem pensar em quem vai abri-la depois. A F17 foi desenhada contra isso, com a referência obrigatória na coluna de causa.
Modelo de termo de encerramento em branco para baixar (PDF)
O modelo de termo de encerramento em branco está logo abaixo. É a F17 do kit: uma página em PDF, três instruções no topo e os cinco blocos na ordem em que quem aceita precisa deles.
No arquivo está a folha do termo de encerramento com as três instruções de preenchimento, a tabela que põe o original ao lado do realizado e os blocos de escopo, pendências e aceite.
Abrir e baixar a F17 em branco (PDF)
Dentro do kit, a fase de encerramento tem três folhas. O termo de encerramento vem primeiro, as lições aprendidas depois, e o A3 do projeto resume as cinco fases para o comitê. A linha de base que a F17 lê sai do termo de abertura e do orçamento do projeto. Se quiser a visão do ciclo inteiro, as fases de um projeto estão em outro texto.
E se este texto te fez levantar da cadeira para reabrir o último projeto que você fechou, a Academia de Certificação da Voitto te espera. O gerenciamento de projetos vem completo por lá, da abertura ao encerramento.



