Gestão & Liderança

Matriz de Ansoff: quatro rotas de crescimento e o custo de descobrir o erro

A folha F10 do kit campo por campo, a rede de clínicas que trocou a 13ª unidade pelo paciente que não volta, o erro de classificar pelo nome e o relógio de cada rota

Thiago Coutinho
Publicado em 16 de set de 2026  ·  Atualizado em 6 de out de 2026  ·  20 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta no escritorio segurando uma pilha de livros de Lean Seis Sigma, com o texto Matriz de Ansoff: quatro rotas de crescimento e o custo de descobrir o erro sobre fundo escuro à esquerda

Quando a pergunta é como crescer, as ideias chegam misturadas: vender mais para quem já compra, lançar algo novo, abrir em outra cidade, atender outro tipo de cliente. Todas parecem crescimento e nenhuma custa o mesmo. A matriz de Ansoff separa essas ideias pela pergunta que importa: o que muda, o produto, o mercado ou os dois. Cada resposta põe a ideia num degrau de risco.

Eu percorri as quatro rotas na minha carreira antes de saber que elas tinham nome, e a que mais me ensinou foi a mais lenta para responder. Conto essa história mais abaixo, porque ela explica o ponto que eu acho mais subestimado da ferramenta: o tempo até descobrir que a rota não funciona.

A gente pôs a matriz de Ansoff no kit de planejamento estratégico da Voitto como a ferramenta F10, uma folha de uma página. No kit, quem carrega o exemplo do começo ao fim é a OdontoVita, dona de doze clínicas odontológicas e obrigada a decidir entre abrir a 13ª unidade e aprofundar a base que já tem. A F10 é onde essa decisão sai do gosto e vai para o número.

Primeiro vêm os quatro quadrantes e a F10 campo por campo. Depois, a decisão da OdontoVita, o erro de classificar pelo nome, o tempo até o primeiro sinal e os testes da diversificação. Fecham o texto quatro folhas F10 preenchidas, cada uma em PDF e todas ilustrativas, mais a folha vazia para você usar.

O que é a matriz de Ansoff

A matriz de Ansoff é uma ferramenta de planejamento que organiza as opções de crescimento em quatro rotas, cruzando produto atual ou novo com mercado atual ou novo: penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento de produto e diversificação. Cada rota tem risco, custo e prazo de resposta diferentes.

Igor Ansoff publicou a ideia em 1957 na Harvard Business Review, num artigo chamado Strategies for Diversification. O título já diz onde estava a preocupação dele: diversificar era a rota que as empresas da época discutiam, e ele mostrou que ela era só uma das quatro, e a mais distante do que a empresa já sabe fazer.

A utilidade da matriz de Ansoff é de ordenação. Ela não inventa ideia nenhuma; pega as que já estão na mesa e diz de que natureza cada uma é. A separação muda a conversa porque obriga a comparar as quatro, e a comparação costuma derrubar a ideia mais bonita.

O ponto que a ferramenta deixa mais claro é o gradiente de risco. Penetração de mercado é vender mais do que já existe para quem já compra, e a empresa conhece os dois lados. Diversificação é produto novo para mercado novo, e a empresa não conhece nenhum dos dois. Ela continua válida, só que pede mais preparo, mais caixa e mais paciência para esperar a resposta.

Os quatro quadrantes da matriz de Ansoff

RotaProdutoMercadoRisco relativoO que a empresa precisa descobrir
Penetração de mercadoAtualAtualMenorPor que o cliente atual não compra mais
Desenvolvimento de mercadoAtualNovoMédioSe o público novo tem a mesma necessidade
Desenvolvimento de produtoNovoAtualMédioSe a empresa consegue construir e entregar o novo
DiversificaçãoNovoNovoMaiorQuase tudo, ao mesmo tempo

Penetração de mercado mira o cliente que a empresa já tem, ou alguém igual a ele. Entram aqui aumentar a frequência de compra, recuperar inativos, converter melhor quem já chega e reduzir o churn. É a rota mais barata da matriz de Ansoff e a mais esquecida, porque não tem cara de novidade.

Desenvolvimento de mercado leva o mesmo produto para um público novo: outra região, outro segmento, outro tipo de comprador. O produto é conhecido, o que reduz o risco de execução. O desconhecido é se aquele público tem a mesma necessidade e compra pelo mesmo motivo.

Desenvolvimento de produto oferece algo novo para quem já é cliente. O mercado é conhecido, e isso pesa: a empresa tem acesso, relação e informação sobre a necessidade. O risco mora na capacidade de construir e entregar o novo com a qualidade que o cliente já espera da casa.

Diversificação junta os dois desconhecidos. Ela tem razões legítimas, que eu detalho mais abaixo em três testes. Fora delas, o dinheiro costuma se espalhar por frentes que a empresa não sabe tocar.

As quatro rotas que eu percorri antes de conhecer o nome delas

Olhando hoje com a régua da matriz de Ansoff, a minha carreira passou pelos quatro quadrantes, e na ordem do gradiente. Na Votorantim Metais, a penetração era o dia a dia: projetos de melhoria, parada industrial, o programa de manutenção autônoma. Fazer mais e melhor do que eu já fazia, para a mesma empresa.

O desenvolvimento de produto veio quando eu conheci o Seis Sigma lá dentro e bati na porta do Master Black Belt: "quero fazer projeto Seis Sigma, como é que funciona?". Era uma competência nova oferecida ao mesmo cliente, a mesma fábrica, as mesmas pessoas. Fiz o White Belt liderando projeto. Na MRS Logística veio o desenvolvimento de mercado: o que eu sabia de melhoria contínua levado para uma ferrovia, com 5S, olimpíadas de melhoria e desdobramento de metas.

E aos 28 anos veio a diversificação. Saí da MRS para fundar a Voitto, produto novo e mercado novo: ensinar, e para aluno, não para chefe. O que eu repetia para mim mesmo, na época, era que não ia dormir em paz sem ter tentado. No capítulo 3 do meu livro, sobre gerenciamento de mudanças, eu escrevi na página 20 uma frase que resume aquele momento: "Não existe conforto na zona de desenvolvimento, e nem desenvolvimento na zona de conforto".

O que a matriz me mostra hoje é o tempo de resposta. O White Belt respondeu dentro da própria fábrica, com gente que eu conhecia, e a resposta veio no ritmo do projeto. A Voitto levou anos para responder se tinha dado certo, e a resposta passou por um 2015 bem difícil no meio do caminho. Não me arrependo da rota. Mas eu entendo melhor por que ela é a última da fila numa empresa que tem gente dependendo do caixa.

A matriz de Ansoff na F10, campo por campo

A F10 é a matriz de Ansoff do Kit de Ferramentas para Planejamento Estratégico, uma folha de uma página na fase de Formulação. O subtítulo diz o que ela entrega: "qual das quatro rotas o número recomenda". São quatro blocos.

  • Como preencher. São quatro instruções, e a mais dura é a segunda: "Rota sem número não entra na priorização".
  • A tabela das quatro rotas. Rota, o que muda, evidência numérica, investimento e prioridade. O investimento é relativo: baixo, médio ou alto.
  • A conclusão. Um campo para "qual rota sai na frente, e o número que sustenta".
  • Os sinais. Três frases que separam uma Ansoff de verdade de uma opinião preenchida.

A regra que organiza a folha está na instrução 4: "A prioridade sai do cruzamento evidência x investimento, não da rota que parece mais ambiciosa". Ela responde ao erro que o Guia do Kit aponta como o típico da F10: "Escolher a rota mais ambiciosa sem comparar as 4".

Três detalhes da folha em branco merecem atenção. O primeiro: a tabela tem uma linha por rota, e não há coluna para o nome da iniciativa. Quando duas ideias caem na mesma rota, uma fica de fora ou as duas se espremem na mesma célula. Nos exemplos deste artigo eu escrevi a iniciativa junto do que muda.

O segundo: a instrução 2 manda a evidência vir do diagnóstico de capacidades ou das 5 forças de Porter. Faz sentido no kit, mas quem usa a folha sozinha pode trazer o número de outra fonte, desde que medido. O terceiro: o último sinal fala em "plano de abertura de unidade", que é o caso da OdontoVita. Numa empresa sem unidade para abrir, leia como o investimento mais caro do plano.

Falta uma coluna que eu acrescentaria em toda matriz de Ansoff: o tempo até o primeiro sinal. Ela aparece nos exemplos, e tem seção própria mais abaixo.

Abra a F10 em branco para acompanhar campo por campo

A OdontoVita na F10: aprofundar antes de expandir

A OdontoVita cresceu de 3 para 12 clínicas em seis anos abrindo unidade, na região metropolitana de Sorocaba. O Guia do Kit conta que o orçamento da 13ª unidade não fecha como os anteriores fechavam. Antes da F10, o diagnóstico já tinha medido o gargalo: retenção de 31% em doze meses contra 55% do setor, recompra de 24% contra 40%, e uma relação entre o LTV e o custo de aquisição de 1,7, contra o mínimo saudável de 3,0.

A F10 preenchida do caso não está no arquivo do kit que chegou até mim. O Guia traz a conclusão dela, que eu cito quase inteira: "Penetração de mercado sai na frente: o gap de 24 pontos percentuais em retenção e de 16 pontos em recompra (D04) supera qualquer ganho plausível da 13ª unidade". O resto da frase lembra a praça, que passou de 68 para 104 clínicas em cinco anos. Para ter a folha inteira, eu montei a matriz de Ansoff da rede sobre essas evidências.

Matriz de Ansoff da OdontoVita montada sobre o caso do kit: penetração com recall ativo para quem já é paciente em primeiro, plano de manutenção com orçamento fechado em segundo, a 13ª unidade numa área nova em terceiro e congelada, plano odontológico para empresas fora da ordem por falta de número; abaixo, a conta do orçamento das iniciativas, R$ 300 mil para aprofundar contra R$ 1,85 milhão para abrir a 13ª unidade
As evidências e a conta são do caso. Iniciativas de produto e diversificação e a ordem são montagem minha.

A penetração ganha pelo tamanho do buraco que ela tapa. A matriz SWOT do caso fala em uma base perto de 28 mil pacientes, e menos de um terço dela volta. Cada ponto de retenção recuperado é paciente que já confiou na rede uma vez e não custa aquisição. A proposta de valor do caso aponta para o mesmo lugar: acompanhamento contínuo com lembrete ativo e orçamento fechado.

A 13ª unidade não sai da folha: ela ganha um gatilho. Na SWOT cruzada, a opção de fraqueza com ameaça diz "Congelar orçamento da 13ª unidade até a relação LTV/CAC voltar para 3,0". Rota descartada com condição escrita para voltar é muito mais útil do que um não seco, e atende o segundo sinal da F10: a rota de menor prioridade também tem evidência.

A conta que fecha a tese está no orçamento das iniciativas. As seis iniciativas do ciclo somam R$ 300 mil; a 13ª unidade custaria R$ 1,85 milhão. Aprofundar custa cerca de 16% do preço de expandir. O próprio Guia manda fazer esse contraste com "o custo da alternativa descartada na Formulação (F10)".

E tem um detalhe de classificação que eu gosto de levantar com a turma. A 13ª unidade só é desenvolvimento de mercado se atender paciente de uma área que as doze não cobrem. Se ela abrir a dois bairros de uma clínica existente, disputa o mesmo paciente com a rede, e vira penetração comprada com tijolo. A análise PESTEL e a leitura de Porter do caso mostram uma praça que ganhou 12 clínicas só no último ano. Abrir mais uma ali é comprar fatia de um mercado que já está apertado.

Classifique pelo que muda, não pelo nome da iniciativa

O erro mais caro da matriz de Ansoff acontece antes da comparação: pôr a iniciativa no quadrante errado. O nome que a ideia ganha na reunião quase sempre descreve a intenção de quem propôs, e quase nunca o que muda para o cliente. Por isso a classificação sai de duas perguntas, e não do nome.

  1. Quem compra é o mesmo perfil de quem já compra? Mesmo processo de decisão, mesmo motivo, mesmo jeito de pagar.
  2. O que a gente entrega é o mesmo que já entrega? Mesma operação, mesma competência, mesmo fornecedor.

Duas respostas sim é penetração. Duas não é diversificação. Uma de cada cai num dos quadrantes do meio. A pergunta sobre o comprador pega mais erro do que parece. Vender o mesmo serviço para o setor público, por exemplo, tem cara de vender mais do mesmo. Só que o processo de compra, o prazo, a documentação e o ciclo de pagamento são outros, e isso é desenvolvimento de mercado.

Cinco ideias de crescimento de uma fábrica de móveis planejados ilustrativa, classificadas primeiro pelo nome que receberam na reunião e depois pelas duas perguntas: a linha corporativa passa de desenvolvimento de produto para desenvolvimento de mercado, os painéis ripados passam de penetração para desenvolvimento de produto e o marketplace passa de desenvolvimento de mercado para diversificação
Exemplo ilustrativo: três das cinco ideias mudaram de quadrante quando a pergunta trocou o nome.

Ela sai do segundo exemplo. Na fábrica de móveis, a linha corporativa chegou como produto novo e é o mesmo móvel sob medida para um comprador que decide por cotação. Os painéis ripados chegaram como aproveitamento da obra e pedem uma máquina nova. O marketplace chegou como canal e é outro produto, de série, para um cliente que compra por preço.

Por que isso importa? Porque o quadrante decide o tamanho do teste. Quem acha que está fazendo penetração testa pouco e investe rápido. Quem sabe que está diversificando escreve critério de parada antes do primeiro real gasto.

Por que a penetração é a rota mais subexplorada

Toda vez que eu vejo uma matriz de Ansoff com a penetração quase vazia, o motivo é o mesmo: ela não rende manchete. Ninguém faz evento para anunciar que a recompra subiu cinco pontos. A abertura de unidade, o produto novo e o mercado novo rendem foto. Só que a penetração tem três vantagens que as outras rotas não têm.

  • Dispensa aquisição. O cliente já chegou, já pagou o custo de conhecer a empresa.
  • Usa capacidade que já existe. A operação, a equipe e o fornecedor são os mesmos.
  • Responde rápido. Em semanas a empresa sabe se a recompra mexeu.

Retenção quase nunca aparece em plano de crescimento, e costuma ter o melhor retorno por real investido. Na OdontoVita o gap de retenção era de 24 pontos. No exemplo da integradora de energia solar, só 11% da base tinha contrato de manutenção. Em empresa de porte médio, quase sempre há uma conta parecida esperando.

Antes de aprovar rota cara, vale uma pergunta simples: a penetração foi esgotada ou só foi ignorada? Se a resposta honesta for a segunda, o dinheiro do quadrante de cima à esquerda ainda está na mesa.

O tempo até o primeiro sinal pesa tanto quanto o risco

O risco de cada rota costuma ser lido como probabilidade de dar errado. Falta a outra metade: quanto tempo a empresa leva para descobrir que deu errado. Esse tempo decide o custo do erro, porque é durante ele que a estrutura é montada e o caixa sai.

Barras do tempo até o primeiro sinal confiável de cada rota na rede de farmácias de manipulação ilustrativa: penetração em 30 dias, desenvolvimento de mercado em 3 meses, desenvolvimento de produto em 9 meses e diversificação entre 18 e 24 meses, com o que medir e o critério de parada de cada uma
Exemplo ilustrativo: a diversificação leva dois anos para dizer se deu certo.

O desenho é do terceiro exemplo. Na rede de farmácias de manipulação, o lembrete de recompra responde em 30 dias. A entrega regional, em três meses. A linha de dermocosméticos com marca própria, em nove. O espaço de estética levaria entre 18 e 24 meses, e nenhum critério de parada que alguém conseguisse escrever hoje.

Daí sai uma prática que vale para qualquer rota cara: começar pequeno, num lugar onde a resposta chegue rápido. No capítulo 13 do livro, sobre World Class Manufacturing, eu escrevi na página 121 que a área piloto é "utilizada para demonstração de resultados iniciais da metodologia, para colher aprendizados e gerar exemplos, preparando as demais áreas para o processo de expansão". Troque metodologia por rota de crescimento e a lógica é a mesma.

Na prática, isso vira uma coluna a mais na matriz de Ansoff: em quanto tempo sai o primeiro sinal, o que medir e quando parar. Vale preencher essa coluna antes do primeiro gasto, já que é ela que permite encerrar a rota sem transformar a reunião numa busca por culpado.

Quando a diversificação se justifica: três testes

A diversificação não é proibida. Ela tem três razões legítimas, e eu uso as três como teste antes de deixar a rota entrar na conversa.

TestePerguntaPassa quando
Teto do negócio atualA penetração e os dois quadrantes do meio já foram esgotados?Há dado mostrando que o mercado atual parou de crescer para a empresa
Capacidade transferívelO que a gente leva de verdade para o mercado novo?Marca, base de clientes, competência técnica ou canal que o novo negócio usa no dia 1
DependênciaQual parte da receita depende de um mercado só?A concentração é um risco medido, não uma sensação

No exemplo da integradora de energia solar, os carregadores de carro elétrico para condomínios passaram em dois testes. Havia capacidade transferível, com eletricistas e projeto elétrico, e havia dependência, com 82% da receita no residencial. Falharam no primeiro: 89% da própria base estava sem contrato de manutenção. A rota ficou para a revisão de doze meses.

No capítulo 3 do livro eu trago Seth Godin, e a frase dele cabe aqui sob medida: ele "incentiva as pessoas a saírem de sua zona de conforto e a assumirem riscos calculados para atingir seus objetivos". O adjetivo é o que importa. Diversificar sem os três testes é risco sem cálculo.

Fica de fora uma razão que aparece em toda reunião: a atratividade de outro setor. Quando um setor parece bom visto de fora, muita empresa tem a mesma ideia na mesma época, e quem entra sem capacidade transferível disputa com quem já sabe operar.

Passou nos três testes? Ainda falta a conta. Uma análise de viabilidade da rota, com o investimento, o prazo até o primeiro sinal e o caixa consumido até lá, separa a diversificação planejada da aposta. Na matriz de Ansoff, esse resultado vira a evidência numérica da linha.

Quantas rotas seguir ao mesmo tempo

Menos do que a matriz de Ansoff sugere. A folha tem quatro linhas, e a tentação é aprovar uma iniciativa em cada. O limite real é a atenção da liderança. Duas frentes bem executadas produzem mais do que quatro iniciadas, e a matriz serve para escolher quais duas, não para justificar as quatro.

Na fábrica de móveis, cinco ideias chegaram à mesa e o fôlego dava para duas: o retorno de quem já comprou e a linha corporativa. Os painéis esperam a máquina caber no caixa. Na prática, eu sigo três regras de alocação.

  1. A maior parte do recurso vai para a rota de menor risco que ainda tenha espaço. Quase sempre é a penetração.
  2. As rotas arriscadas recebem fatia menor e critério de parada definido antes.
  3. Cada rota aprovada tem dono e data de revisão. Sem isso, a quarta frente come a atenção das três primeiras.

Depois da F10, o kit passa à matriz GUT, que ordena as iniciativas da rota escolhida, e à matriz BCG, que mostra qual serviço paga o crescimento. A matriz esforço x impacto ajuda quando as iniciativas são muitas e o dado é pouco.

Matriz GUT: gravidade, urgência e tendência pontuadas de 1 a 5, resultado G × U × T e maior produto como maior prioridade
Gravidade, urgência e tendência multiplicadas ordenam as iniciativas dentro da rota que a folha anterior escolheu. Adaptado da formação Green Belt Lean Seis Sigma da Voitto.

Cada rota aprovada na matriz de Ansoff precisa de um resultado que diga, no trimestre, se ela está andando. No kit, esse papel é do OKR do ciclo, que nasce com os resultados-chave em zero e mostra cedo qual frente travou.

Objetivo estratégico, indicador e projeto de melhoria ligados por setas, com dois exemplos: lucro e fidelização de clientes
A rota é o objetivo, o resultado do trimestre é o indicador, e cada iniciativa aprovada é o projeto que sustenta esse número.

Matriz de Ansoff em empresa pequena e de serviço

A matriz de Ansoff nasceu olhando para grandes empresas industriais, e isso gera a objeção de que ela não serve para quem tem uma loja, uma clínica ou dez funcionários. Serve, e às vezes serve melhor, porque em empresa pequena uma rota errada consome o caixa inteiro de um ano.

O ajuste principal é na definição de mercado. Em empresa pequena, mercado raramente é geografia. É perfil de comprador: a família que reforma, a empresa que compra por cotação, o produtor rural, o síndico. Duas cidades com o mesmo perfil de cliente podem ser o mesmo mercado; dois clientes vizinhos com processos de compra diferentes são mercados distintos.

O segundo ajuste é em serviço. Produto, ali, é o que a equipe sabe entregar. Um escritório de contabilidade que passa a oferecer consultoria tributária ao mesmo cliente faz desenvolvimento de produto, mesmo sem nada físico mudar. A pergunta continua a mesma: a operação que entrega é a que já existe?

E um cuidado com o número. Empresa pequena quase nunca tem pesquisa de mercado, e a F10 pede evidência numérica em toda linha. Na matriz de Ansoff, o número que serve costuma estar dentro de casa: quantos clientes voltaram, quantos pedidos vieram de fora sem anúncio, quantos orçamentos de produto novo foram pedidos e não fechados. Todos os quatro exemplos do fim do artigo usam esse tipo de dado.

Onde a matriz de Ansoff entra no planejamento

A matriz de Ansoff não começa do zero. Ela recebe opções e devolve uma rota. No kit, as opções vêm da SWOT cruzada, que transforma cada cruzamento do diagnóstico em ação com verbo. O Guia é explícito: forçar cada cruzamento a virar ação "é isso que alimenta a Ansoff (F10) com opção de verdade".

Antes ainda, a arena competitiva diz contra quem a empresa disputa o cliente, e isso define o que é mercado atual. Depois da matriz de Ansoff, a rota escolhida vira objetivo no mapa estratégico, meta no painel de objetivos e metas e conta no orçamento.

No kit, quem revisa é o ritual de revisão trimestral. É ali que a rota congelada volta à mesa quando o gatilho dispara. O caminho completo, da PESTEL ao ritual, está no texto sobre como fazer um planejamento estratégico, e quem trabalha com saúde encontra o roteiro adaptado em planejamento estratégico em clínicas.

Exemplos de matriz de Ansoff preenchidos

Abaixo estão quatro matrizes de Ansoff no formato da F10. Clique na miniatura e o PDF abre aqui mesmo, sem sair do texto. Nenhuma descreve empresa real: a da OdontoVita usa as evidências do caso do kit, e as de móveis, farmácia e energia solar são montagens minhas. Cada folha ganhou a grade 2 x 2 que a F10 não desenha e um quadro que só ela tem.

1. OdontoVita: a 13ª unidade contra o paciente que não volta

Matriz de Ansoff ilustrativa no formato da F10, montada sobre o caso OdontoVita: as quatro rotas com iniciativa, evidência numérica das folhas do caso, investimento e prioridade, a conclusão do Guia do Kit, a grade 2 x 2 e o quadro do que o caso decidiu antes e depois da F10Doze clínicas odontológicas na região de Sorocaba formam a OdontoVita, o caso do kit. Montei esta F10 por conta própria, já que a folha do caso não está no arquivo do kit. As evidências são das folhas do caso e a conclusão é a do Guia. É ilustrativa e não reproduz a folha F10 do caso.

A pergunta chegou pronta do histórico da rede: crescer abrindo unidade, como sempre, ou parar e aprofundar. O orçamento da 13ª clínica já não fechava como os anteriores, e ninguém queria admitir que o modelo de seis anos tinha batido no teto.

Na construção, cada linha recebeu número de uma folha do caso. A penetração ficou com os gaps de retenção e recompra. A 13ª unidade ficou com a praça de 68 para 104 clínicas e a relação LTV/CAC de 1,7. O plano para empresas não achou número nenhum, e pela instrução 2 saiu da priorização.

O quadro do PDF mostra a matriz no meio da sequência do kit, da leitura de Porter ao A3. Meu palpite para a primeira revisão é o plano de manutenção, porque ele conversa com os 71% que comparam três orçamentos antes de fechar.

O que a folha não resolve é o tamanho do ganho da penetração em reais. O caso mede o gap em pontos, e a conta em dinheiro depende do ticket por paciente que volta. É a próxima linha que eu escreveria antes da revisão trimestral.

2. Móveis planejados: cinco ideias e fôlego para duas

Matriz de Ansoff ilustrativa no formato da F10 de uma fábrica de móveis planejados: as quatro rotas com iniciativa, evidência, investimento e prioridade, a grade 2 x 2 e o quadro das cinco ideias classificadas pelo nome e pelas duas perguntas, com três mudando de quadranteUma fábrica de móveis planejados com loja própria, numa cidade de 400 mil habitantes, e 62 pessoas na folha: o exemplo, ilustrativo. O sócio-diretor chegou ao planejamento com cinco ideias de crescimento e caixa para duas.

A primeira rodada de classificação usou o nome que cada ideia tinha ganhado nos corredores. Deu uma matriz equilibrada e falsa. A segunda rodada usou as duas perguntas, e três ideias trocaram de quadrante.

Houve resistência com a linha corporativa. O gerente de produção defendia que era produto novo, porque o acabamento muda. O argumento que fechou a discussão foi o do comprador: empresa decide por cotação, com arquiteto e prazo de obra, e isso é mercado novo.

A evidência da penetração foi a que mais surpreendeu a sala. Trinta e oito por cento das clientes de cozinha voltaram em até três anos, sem nenhum programa ativo. A venda de retorno custava R$ 900 de comercial, contra R$ 4.200 da venda para cliente novo.

3. Farmácia de manipulação: o relógio de cada rota

Matriz de Ansoff ilustrativa no formato da F10 de uma rede de quatro farmácias de manipulação: as quatro rotas com iniciativa, evidência, investimento e prioridade, a grade 2 x 2 e o quadro de tempo até o primeiro sinal, o que medir e o critério de parada de cada rotaQuatro lojas de manipulação e 4.300 clientes ativos com fórmula de uso contínuo formam a rede do exemplo, ilustrativa, com 38 pessoas na equipe. A gerente geral queria crescer sem apostar a rede inteira numa ideia só.

O dado que reorganizou a matriz estava no próprio sistema de vendas. Sessenta e um por cento das fórmulas contínuas não eram recompradas no mês do vencimento. O cliente não tinha ido embora; tinha esquecido.

A discussão mais longa foi sobre a linha de dermocosméticos com marca própria, que a equipe adorava. Ninguém discordou do potencial. A F10 mostrou o prazo: nove meses até a primeira recompra confiável, contra trinta dias do lembrete.

O quadro do PDF ganhou uma coluna que a folha original não tem, o critério de parada. A diversificação, um espaço de estética, ficou em último porque ninguém conseguiu escrever o critério dela.

4. Energia solar: a diversificação que passou em dois testes

Matriz de Ansoff ilustrativa no formato da F10 de uma integradora de energia solar com 2.300 sistemas instalados: as quatro rotas com iniciativa, evidência, investimento e prioridade, a grade 2 x 2 e o quadro dos três testes da diversificação, com dois aprovados e o teto do negócio reprovadoA integradora do exemplo, ilustrativa, já instalou 2.300 sistemas residenciais na região e emprega 45 pessoas. A diretora de operações levou ao planejamento os carregadores de carro elétrico para condomínios, o assunto do momento no setor.

Para não decidir por entusiasmo, a diretoria passou a ideia pelos três testes. Ela passou em dois. A equipe de eletricistas e o projeto elétrico iam inteiros para o negócio novo, e 82% da receita dependia do residencial.

Reprovou no primeiro teste, e por uma margem grande: só 11% da própria base tinha contrato de limpeza e manutenção. Um em cada cinco chamados reclamava de queda de geração.

Ficou para depois. Os carregadores voltam na revisão de doze meses, com a penetração já medida. Até lá, a rota rural fica em segundo, porque leva o mesmo sistema a um comprador com ticket 3,1 vezes maior.

Um detalhe tornou a conversa mais fácil do que parecia. Com os três testes escritos na folha, ninguém precisou dizer que a ideia da diretora era ruim. Ela era boa e estava cedo, e a matriz de Ansoff deixou isso registrado com data para voltar.

Erros comuns na matriz de Ansoff

  • Classificar pelo nome da iniciativa. As duas perguntas decidem o quadrante, o nome não.
  • Escolher a rota mais ambiciosa sem comparar as quatro. O Guia do Kit põe esse erro como o típico da F10.
  • Deixar a penetração vazia. A rota mais barata some porque não rende foto.
  • Escrever rota sem número. Pela F10, ela não entra na priorização.
  • Ignorar o tempo até o primeiro sinal. Dois anos de espera custam mais do que o risco sugere.
  • Diversificar pela atratividade do outro setor. Sem os três testes, é dispersão.
  • Aprovar quatro frentes. A atenção da liderança acaba antes do dinheiro.
  • Descartar rota sem condição de volta. A 13ª unidade da OdontoVita tem gatilho escrito.

Há um erro de leitura que merece nota: tratar a matriz de Ansoff como recomendação. Ela classifica e ordena por risco. Quem escolhe é a evidência de cada linha, cruzada com o investimento e com o caixa que o fluxo de caixa projetado mostra disponível.

Modelo de matriz de Ansoff para baixar (PDF)

Para fechar, a folha vazia. É a matriz de Ansoff do kit, com as instruções, a tabela das quatro rotas, a conclusão e os sinais de uma análise bem feita.

Modelo em branco da Matriz de Ansoff, ferramenta F10 do kit: quatro instruções de preenchimento, campos de código, responsável e data, a tabela das quatro rotas com O que muda, Evidência numérica, Investimento e Prioridade, o campo de conclusão e três sinais de uma Ansoff bem feitaO arquivo é a folha Matriz de Ansoff do kit, sem dados: quatro instruções, a tabela com uma linha por rota, o campo de conclusão e os três sinais.

Abrir e baixar a F10 em branco (PDF)

Antes de usar, eu faria três ajustes. Escreveria o nome da iniciativa em cada linha, junto do que muda. Acrescentaria a coluna de tempo até o primeiro sinal, com o critério de parada. E, se a empresa não tem unidade para abrir, leria o último sinal como o investimento mais caro do plano.

Que tal pôr as suas ideias de crescimento na matriz de Ansoff ainda nesta semana? Junte quem propôs cada uma, faça as duas perguntas e escreva o número de cada linha. A primeira surpresa costuma ser a penetração, que estava vazia e tinha a conta mais barata da mesa. Esse é o combustível de um ciclo de planejamento que sai do papel. Se a rota escolhida vai virar projeto com meta, a Academia de Certificação da Voitto forma quem conduz esse projeto com dado, e o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt detalha cada etapa, da definição do problema ao controle.

Perguntas frequentes

O que é a matriz de Ansoff?
É uma ferramenta que organiza as opções de crescimento em quatro rotas, cruzando produto atual ou novo com mercado atual ou novo: penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento de produto e diversificação. Cada rota tem risco, custo e prazo de resposta diferentes.
Qual é a rota de crescimento de menor risco?
Penetração de mercado, vender mais do produto atual para o mercado atual. A empresa conhece os dois lados, dispensa aquisição e usa capacidade que já existe. É também a que responde mais rápido.
O que entra em penetração de mercado?
Aumentar a frequência de compra, recuperar inativos, melhorar a conversão de quem já chega e reduzir o cancelamento. Retenção raramente entra em plano de crescimento e costuma ter o melhor retorno por real investido.
Como classificar uma iniciativa na matriz de Ansoff?
Com duas perguntas: quem compra é o mesmo perfil de quem já compra, e o que a empresa entrega é o mesmo que já entrega? Duas respostas sim é penetração; duas não é diversificação; uma de cada cai num quadrante do meio.
Vender o mesmo serviço para o setor público é penetração?
Não, é desenvolvimento de mercado. O serviço não muda, mas o processo de compra, o prazo, a documentação e o ciclo de pagamento são outros. Tratar como mais do mesmo é um erro de classificação caro.
Quando a diversificação se justifica?
Quando passa em três testes: a penetração já foi esgotada, existe capacidade transferível concreta e a dependência de um mercado só é um risco medido. A atratividade de outro setor não é razão.
Por que o tempo até o primeiro sinal importa?
Porque ele define o custo de descobrir que a rota não funciona. Penetração responde em semanas; diversificação pode levar dois anos, e nesse tempo a estrutura já foi montada e o caixa já saiu.
Quantas rotas de crescimento seguir ao mesmo tempo?
Menos do que a matriz de Ansoff sugere. O limite real é a atenção da liderança: duas frentes bem executadas produzem mais do que quatro iniciadas.
Abrir uma nova unidade é desenvolvimento de mercado?
Depende de quem ela atende. Numa área que a empresa não cobre, sim. Perto das unidades atuais, ela disputa o mesmo cliente e é penetração comprada com investimento alto.
Onde baixar um modelo de matriz de Ansoff?
A F10 em branco, do kit de planejamento estratégico da Voitto, está em PDF na seção do modelo, no fim do artigo. As quatro matrizes preenchidas abrem nos exemplos, cada uma com o próprio PDF.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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