Metodologias & Qualidade

Exemplo de PDCA preenchido, giro a giro

Três giros completos sobre o mesmo problema de rotina, com as quatro fases preenchidas, uma hipótese descartada pelo dado e as contas fechando entre os meses

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  16 min de leitura

Quase todo material sobre PDCA mostra o diagrama com quatro setas e um exemplo de um giro só, no qual tudo dá certo na primeira tentativa. Esse exemplo não ensina o método, porque o método não é o diagrama: é o que acontece quando o Check mostra que a meta não foi alcançada e o Act devolve o problema ao Plan com informação nova.

Um exemplo de PDCA preenchido que sirva de modelo precisa ter número de partida, meta com prazo, ação com dono e data, resultado medido e decisão escrita, em pelo menos três giros encadeados sobre o mesmo indicador. É a única forma de ver o ciclo funcionando como ciclo, e não como lista de tarefas com nome de metodologia.

Este artigo acompanha quatro meses de uma central de atendimento que precisava responder o cliente em até 60 minutos e conseguia isso em 41% dos chamados. O giro 1 atinge metade da meta. O giro 2 derruba com dado a hipótese em que todo mundo apostava. O giro 3 fecha o número e padroniza.

Você vai ver as quatro fases preenchidas em cada giro, com ações nomeadas, prazos reais e atrasos registrados. Vai ver a conta que liga a variação de cada giro à variação total dos quatro meses. E vai ver o SDCA que segura o patamar depois e a folha única onde tudo isso fica.

Os números do exemplo foram montados para este artigo, no formato dos kits da Voitto, e conferidos para que as parcelas somem o total. São ilustrativos: mostram a mecânica de três giros encadeados, não descrevem uma empresa real.

O que precisa estar preenchido para o exemplo servir

A maioria dos exemplos de PDCA que circulam mostra o diagrama com quatro setas e um texto genérico dentro de cada quadrante. Isso não é um exemplo preenchido: é a figura legendada. Um exemplo preenchido tem número de partida, meta com prazo, ação com dono e data, resultado medido depois e uma decisão escrita.

O teste é simples. Se você tapar o campo de resultado, a pessoa que lê consegue dizer o que seria considerado sucesso? Se não consegue, o Plan não foi preenchido, foi enfeitado. E se o Check traz só uma frase do tipo "melhorou bastante", o ciclo não fechou.

Por isso este artigo traz três giros encadeados sobre o mesmo indicador, do mesmo processo, em quatro meses seguidos. Um giro que acerta pela metade, um giro que derruba a hipótese principal com dado, e um giro que fecha e padroniza.

CampoPreenchido de verdadePreenchido de mentira
ProblemaIndicador, valor atual, período e fonte do dado"Demora no atendimento"
MetaNúmero, unidade e data limite"Reduzir o tempo"
AnáliseEstratificação com contagem por faixa"Falta de processo"
AçãoVerbo, dono nominal e prazo de calendário"Melhorar a triagem"
CheckValor medido, comparado com a meta"Houve evolução"
ActPadronizar, corrigir ou escalar, por escrito-

O problema, a linha de base e o indicador

O exemplo de PDCA preenchido deste artigo tem um processo só: a central de atendimento de uma empresa para clientes corporativos. Seis analistas, fila única de chamados por e-mail e portal, expediente das 8h às 17h30. O contrato de suporte exige primeira resposta em até 60 minutos de expediente, em pelo menos 80% dos chamados do mês. Abaixo disso, a mensalidade sofre desconto de 2%.

O indicador escolhido é o tempo de primeira resposta, contado do registro do chamado até a primeira mensagem humana enviada ao cliente. Resposta automática de recebimento não conta, porque ela não move o problema do cliente.

Três leituras do mesmo indicador entram no quadro, e essa escolha é deliberada. A mediana mostra o miolo da fila. O percentual dentro de 60 minutos é o que o contrato cobra. E o percentil 90 mostra a cauda, que é onde mora a reclamação.

LeituraMarço (linha de base)O que ela responde
Mediana do tempo de primeira resposta94 minComo anda o chamado típico
Chamados respondidos em até 60 min41%O que o contrato cobra
Percentil 90310 minQuanto espera quem espera mais
Volume do mês1.104 chamadosSe a carga explica o resultado

Março fechou em 41% contra os 80% do contrato. Foi o terceiro mês seguido abaixo do piso, e o desconto já tinha virado assunto de reunião de diretoria. É esse o lastro da meta: ela não saiu de uma conversa, saiu da cláusula.

Por que três giros, e não um

A tentação em um caso assim é montar um plano grande, com doze ações, e chamar isso de PDCA. Não é. Plano grande adia o Check, e o Check adiado é o que mata o ciclo PDCA na prática.

O desenho adotado foi o oposto: um giro por mês, com no máximo três ações por giro, todas com dono nomeado e prazo dentro do mês. Um mês é tempo suficiente para acumular volume de dado e curto o bastante para que a equipe veja o resultado do que fez.

  • Giro 1, abril: horário de chegada e fila parada no almoço
  • Giro 2, maio: a cauda e o dono da fila sem produto identificado
  • Giro 3, junho: os três assuntos que dependiam de terceiros
  • Julho em diante: SDCA, para segurar o patamar conquistado

Giro 1, Plan: meta, estratificação e plano de ação

O Plan começou pela estratificação, não pela ideia. A pergunta foi onde o tempo se acumula, e o corte escolhido foi o horário de chegada do chamado, porque era o dado que já existia no sistema sem precisar de coleta nova.

Faixa de chegadaChamados em marçoMediana do tempo de primeira resposta
8h00 às 11h0031258 min
11h00 às 14h00268168 min
14h00 às 17h3034171 min
Fora do expediente183402 min

A faixa do almoço tinha quase o triplo da mediana da manhã, e a fila da noite ficava parada até alguém abrir o sistema no dia seguinte. As duas causas eram de disponibilidade de gente, não de competência técnica.

A meta do giro foi escrita com dois números e uma data: mediana de no máximo 70 minutos e ao menos 70% dos chamados dentro de 60 minutos, medidos sobre o mês fechado de abril. O percentil 90 entrou como acompanhamento, sem meta, porque ninguém sabia ainda o que o movia.

AçãoDonoPrazo
Escala de revezamento para que a fila nunca fique sem triador entre 11h e 14hRenata08/04
Triagem da fila acumulada da noite às 8h, antes de qualquer outra tarefaRenata08/04
Substituir as caixas de e-mail individuais por uma fila única visível a todosPaulo15/04

Giro 1, Do: execução e o que escorregou

O Do é a fase que mais some dos exemplos publicados, e é a que mais ensina. Duas ações saíram no prazo. A terceira atrasou nove dias, e esse atraso precisa estar escrito, porque ele muda a leitura do resultado.

AçãoPrazoConclusãoObservação do executor
Escala do almoço08/0407/04Rodou em revezamento de dois analistas por dia
Triagem das 8h08/0408/04Virou primeiro item do checklist de abertura
Fila única15/0424/04Migração dependeu de janela de TI

A fila única só passou a valer nos últimos cinco dias úteis do mês. Isso significa que o resultado de abril mede quase inteiramente as duas primeiras ações, e que o efeito da terceira ainda estava por vir. Sem esse registro, o giro 2 teria partido de uma leitura errada.

Giro 1, Check: mediana caiu, cauda não

Abril fechou com 1.096 chamados, volume praticamente idêntico ao de março. A comparação, portanto, não precisa de ajuste por carga.

LeituraMarçoMeta de abrilAbrilSituação
Mediana94 min70 min68 minAtingida
Chamados em até 60 min41%70%58%Não atingida
Percentil 90310 minsem meta295 minPraticamente parado

A mediana caiu 26 minutos e passou da meta. O percentual dentro de 60 minutos subiu 17 pontos e ficou 12 pontos abaixo do que fora combinado. E o percentil 90 andou 15 minutos em um mês inteiro, o que é ruído.

A leitura conjunta é o achado do giro: o miolo da fila andou e a cauda ficou onde estava. Isso só é visível porque o indicador foi medido em três leituras. Com a mediana sozinha no quadro, o giro 1 teria sido declarado vitorioso e o contrato continuaria sendo descumprido.

A estratificação de abril pela mesma faixa horária confirmou o efeito das ações: a mediana do almoço caiu de 168 para 74 minutos, e a de fora do expediente caiu de 402 para 96 minutos.

Giro 1, Act: a decisão de girar de novo

O Act tem três saídas possíveis, e escolher entre elas é a decisão que fecha o giro. Padronizar, quando a meta foi atingida e a causa é conhecida. Corrigir e girar de novo, quando o resultado ficou aquém. Escalar, quando a causa está fora do alcance da área.

Elemento do giro 1Decisão do ActJustificativa
Escala do almoçoPadronizarEfeito claro na mediana da faixa
Triagem das 8hPadronizarEfeito claro na fila da noite
Fila únicaManter e reavaliarSó rodou cinco dias úteis
Meta de 70% em até 60 minGirar de novoFicou em 58%, cauda intocada

As duas ações que funcionaram entraram no procedimento de abertura e fechamento do dia na mesma semana, sem esperar o fim do projeto. Padronizar o que já provou efeito é o que impede o indicador de voltar enquanto os giros seguintes acontecem.

E o problema voltou para o Plan com uma pergunta muito mais estreita do que a que abriu o giro 1. Não é mais "por que o atendimento demora", é "o que faz 10% dos chamados esperarem mais de cinco horas".

Giro 2, Plan: a hipótese que parecia óbvia

A hipótese da equipe inteira era a mesma: a cauda é dos chamados que chegam fora do expediente, porque a triagem das 8h não dá conta do acumulado da noite. Ela tinha apoio na tabela do giro 1, onde essa faixa exibia a pior mediana do mês, 96 minutos contra 54 minutos da manhã.

A hipótese era razoável e estava errada. Essa combinação é comum o bastante para merecer um nome próprio: a faixa com a pior mediana não é necessariamente a que produz a cauda. Mediana alta e cauda longa são propriedades diferentes da mesma distribuição.

O Plan do giro 2 começou, então, por testar a hipótese antes de escrever qualquer ação. Foram isolados os 110 chamados mais lentos de abril, o décimo superior da distribuição, todos acima de 295 minutos, e cada um foi classificado à mão.

Origem dos 110 chamados mais lentosQuantidadeParticipação na cauda
Chegaram fora do expediente2321%
Chegaram dentro do expediente8779%

Vinte e três em cento e dez. A hipótese principal explicava um quinto da cauda e foi descartada na mesma reunião em que foi enunciada. Fora do expediente chegaram 181 chamados no mês, e apenas 12,7% deles terminaram na cauda, contra 9,5% dos chamados de horário comercial. A diferença existe e é pequena demais para sustentar um plano.

Giro 2, Plan: o corte que mostrou onde a cauda estava

Descartada a hipótese, restavam 87 chamados lentos que chegaram em pleno horário de trabalho, com gente disponível. O segundo corte foi por fila de destino, e ele resolveu o caso.

Destino dos 87 chamados lentos de horário comercialQuantidade
Caíram na fila "Geral", sem produto identificado61
Duplicados criados pela integração de e-mail de um cliente16
Demais causas, sem concentração10

A regra de triagem automática roteava o chamado pela palavra-chave do assunto. Quando o cliente escrevia um assunto livre, o chamado caía na fila "Geral", e a fila "Geral" não tinha dono. Ficava ali até alguém, por conta própria, resolver olhar.

A taxa deixa o tamanho do efeito evidente. Dentro do expediente, 132 chamados foram para a fila "Geral" em abril, e 61 deles, ou 46,2%, terminaram na cauda. Dos outros 783, apenas 26, ou 3,3%, terminaram lá. É uma razão de quase catorze para um.

Um diagrama de Pareto sobre esse segundo corte teria chegado ao mesmo lugar em menos tempo. O que não teria acontecido sem o primeiro corte é o descarte explícito da hipótese, e é o descarte que impede a equipe de voltar a ele três meses depois.

Giro 2, Do: três ações com dono e prazo

A meta do giro 2 foi escrita sobre as duas leituras que não andaram: ao menos 78% dos chamados em até 60 minutos e percentil 90 de no máximo 120 minutos, em maio. A mediana entrou como restrição, não como meta: não podia passar de 70 minutos.

AçãoDonoPrazoConclusão
Dono do dia para a fila "Geral", com varredura de 30 em 30 minutos e nome escrito no quadroRenata06/0505/05
Campo de produto obrigatório no formulário do portal e no modelo de e-mailPaulo13/0515/05
Deduplicação de chamados do mesmo remetente abertos em até 10 minutosPaulo20/0519/05

Três ações, um dono cada, todas no mês. Um plano de ação com esse tamanho cabe na reunião semanal de quinze minutos, que é onde ele é cobrado. Plano de doze linhas vira relatório e deixa de ser cobrado por volume.

Giro 2, Check e Act: resultado e o que sobrou

Maio fechou com 1.132 chamados, o mês mais carregado dos quatro. O resultado veio apesar do volume maior, não por causa de um mês fraco.

LeituraAbrilMeta de maioMaioSituação
Chamados em até 60 min58%78%79%Atingida
Percentil 90295 min120 min132 minNão atingida
Mediana68 minaté 70 min61 minDentro da restrição

A fila "Geral" recebeu 34 chamados em maio, contra 132 em abril. O campo obrigatório de produto tirou a maior parte do problema na origem, e o dono do dia tratou o que restou. O percentil 90 despencou de 295 para 132 minutos, uma queda de 163 minutos em um mês.

E ainda assim a meta do percentil 90 não foi atingida, por 12 minutos. O Act do giro 2 não tem espaço para arredondar isso. Meta de 120 minutos, resultado de 132 minutos, decisão de girar de novo.

Elemento do giro 2Decisão do Act
Dono do dia da fila "Geral"Padronizar
Campo de produto obrigatórioPadronizar
Deduplicação por remetentePadronizar
Meta de percentil 90 em 120 minGirar de novo

Giro 3, Plan: a cauda concentrada em três assuntos

O décimo superior de maio eram 113 chamados acima de 132 minutos. Os dois cortes anteriores já não separavam nada: a fila "Geral" tinha sumido e o horário de chegada estava distribuído. O corte novo foi por assunto do chamado.

AssuntoChamados na caudaVolume do assunto no mêsTaxa de cauda
Erro de integração347843,6%
Divergência de fatura299131,9%
Acesso bloqueado após atualização214744,7%
Demais 14 assuntos299163,2%

Três assuntos concentravam 84 dos 113 chamados lentos, ou 74,3% da cauda, com apenas 19,1% do volume do mês. A taxa de cauda desses três assuntos era de 38,9%, contra 3,2% de todos os outros: uma razão de mais de doze para um.

A causa comum ficou clara na leitura dos históricos. Os três assuntos não tinham resposta padrão e obrigavam o analista a consultar o time de produto, que respondia quando podia. O tempo de primeira resposta do suporte estava amarrado ao tempo de resposta de outra área.

Giro 3, Do e Check: fechamento do número

A meta do giro 3 foi escrita sobre as três leituras ao mesmo tempo, porque era o giro de fechamento: percentil 90 de no máximo 120 minutos, ao menos 80% em até 60 minutos e mediana de no máximo 60 minutos, em junho.

AçãoDonoPrazoConclusão
Três respostas padrão para os assuntos da cauda, validadas pelo time de produtoCamila10/0609/06
Acordo de retorno em até 45 minutos do time de produto para consulta de suporte, das 8h às 17hDiego05/0604/06
Procedimento de triagem consolidando as regras dos três girosRenata24/0624/06
LeituraMaioMeta de junhoJunhoSituação
Percentil 90132 min120 min108 minAtingida
Chamados em até 60 min79%80%84%Atingida
Mediana61 min60 min54 minAtingida

Junho teve 1.118 chamados e fechou acima do piso contratual de 80% pela primeira vez no semestre. Quatro pontos de folga não são muitos, e a equipe registrou isso como observação, não como margem de segurança.

Giro 3, Act: padronizar de verdade

Padronizar é o único Act que encerra o ciclo, e é o que quase nunca é feito. Escrever o procedimento não basta; o padrão precisa estar no lugar onde o trabalho acontece, com alguém responsável por mantê-lo.

  • O procedimento operacional padrão de triagem incorporou as sete regras que sobreviveram aos três giros
  • As três respostas padrão entraram na biblioteca de modelos do sistema, não em uma pasta compartilhada
  • O acordo de 45 minutos com o time de produto virou item de pauta fixo da reunião mensal entre as duas gerências
  • A escala do almoço e a triagem das 8h entraram no checklist de abertura do dia
  • O dono do dia da fila "Geral" passou a ser sorteado na reunião de segunda, com o nome no quadro

O treinamento dos seis analistas no procedimento levou quarenta minutos e aconteceu em 26 de junho, dois dias depois de o texto ficar pronto. Padrão escrito que espera um mês pelo treinamento é padrão que já nasceu desatualizado.

Os três giros lado a lado: as contas fechando

Visto de perto, cada giro parece modesto. Visto em conjunto, o percentual dentro do prazo contratual dobrou em três meses e o tempo de quem mais esperava caiu para um terço.

LeituraMarçoAbrilMaioJunhoVariação total
Mediana94 min68 min61 min54 min-40 min, ou 42,6%
Chamados em até 60 min41%58%79%84%+43 pontos
Percentil 90310 min295 min132 min108 min-202 min, ou 65,2%
Volume do mês1.1041.0961.1321.118±1,8% da média

A contribuição de cada giro separa bem o que cada um fez. A mediana caiu 26 minutos no giro 1, 7 no giro 2 e 7 no giro 3. O percentual subiu 17 pontos, 21 pontos e 5 pontos. O percentil 90 caiu 15 minutos, 163 minutos e 24 minutos.

Os três somam exatamente a variação total, e é essa conferência que separa um exemplo preenchido de um exemplo inventado. Se as parcelas não fecham com o total, ou houve um efeito não registrado ou algum número foi escrito de memória.

Repare no padrão: o giro que mais mexeu na cauda foi o giro 2, que é justamente o giro em que a hipótese principal foi descartada. O maior ganho veio depois do erro de hipótese, não apesar dele.

SDCA: segurar o patamar depois do terceiro giro

O PDCA levanta o patamar. O SDCA é o ciclo que o mantém, e ele troca o Plan pelo Standard: em vez de planejar uma melhoria, o ciclo parte do padrão escrito e verifica se ele está sendo cumprido.

FaseO que é no SDCA da centralQuem fazQuando
StandardProcedimento de triagem, três respostas padrão, acordo de 45 minRenataRevisão trimestral
DoExecutar a triagem conforme o procedimentoOs seis analistasDiário
CheckPercentual semanal dentro de 60 min, plotado no quadroRenataSegunda de manhã
ActTratar ponto fora de faixa; sem ponto fora, não mexerRenataNa mesma reunião

A faixa de normalidade foi calculada sobre o desempenho de junho em diante, e não escolhida. Com média de 84% e cerca de 258 chamados por semana, os limites de três desvios ficam em 77% e 91%. Uma carta de controle de proporção faz essa conta com os dados da própria operação.

A regra de decisão é o que evita o pior erro do SDCA, que é reagir a oscilação normal. Semana em 79% está dentro da faixa e não pede ação. Semana em 74% está fora e pede investigação no mesmo dia.

Quando o piso contratual subir, ou quando a operação decidir buscar 90%, o SDCA sai e o PDCA volta. Os dois ciclos se alternam no mesmo indicador, e saber em qual deles a área está é o que evita mexer no que está estável.

O registro em uma página

Um exemplo de PDCA preenchido com três giros cabe em uma folha, e precisa caber. Registro que ocupa vinte slides não é relido, e registro não relido não protege a organização de repetir a análise daqui a dois anos.

A estrutura do relatório A3 resolve isso: coluna da esquerda com o problema, os dados e a análise; coluna da direita com as ações, os resultados e a padronização. Com três giros, a coluna da direita vira três blocos empilhados, um por giro.

  1. Cabeçalho: processo, indicador, responsável, período coberto
  2. Situação inicial: as três leituras de março e o piso contratual
  3. Giro 1: estratificação por horário, três ações, resultado e decisão
  4. Giro 2: hipótese descartada com o número que a descartou, dois cortes, três ações, resultado e decisão
  5. Giro 3: concentração por assunto, três ações, resultado e decisão
  6. Padronização: o que virou padrão, quem mantém, com que frequência
  7. SDCA: indicador, faixa de normalidade e regra de reação

O item que mais costuma sumir é a hipótese descartada. Ela parece um erro a esconder e é a informação mais valiosa da página, porque poupa o próximo time de gastar um mês inteiro atrás do horário de chegada.

Os erros que aparecem em PDCA preenchido

ErroComo ele aparece no papelCorreção
Meta sem número"Reduzir o tempo de resposta"Valor, unidade e data limite
Ação sem dono nominalResponsável: "equipe" ou "TI"Nome de uma pessoa
Check contra o mês anterior"Melhoramos em relação a maio"Comparar com a meta escrita
Act sem decisãoCampo preenchido com resumo do CheckPadronizar, corrigir ou escalar
Um indicador sóMediana isolada no quadroUma leitura de miolo e uma de cauda
Giro únicoFormulário encerra no primeiro CheckDevolver ao Plan quando faltar meta

E há o erro de esconder o atraso. Ação concluída fora do prazo, registrada como concluída e pronto. O Check seguinte lê o resultado como se a ação tivesse rodado o mês inteiro, e a conclusão sai errada, como quase aconteceu no giro 1 deste exemplo.

Um exemplo preenchido honesto mostra a ação que atrasou, a hipótese que caiu e a meta que ficou 12 minutos longe. Exemplo em que tudo deu certo na primeira tentativa não ensina o método, ensina a redigir relatório.

Perguntas frequentes

Quanto tempo deve durar cada giro do PDCA?
Depende da frequência com que o indicador acumula dado suficiente para o Check. Em indicador de rotina com volume diário alto, como tempo de resposta ou retrabalho, um mês costuma bastar e foi o intervalo usado no exemplo deste artigo. Em indicador mensal de baixo volume, o giro tende a levar um trimestre. A regra prática é que o giro precisa ser curto o bastante para a equipe enxergar a ligação entre a ação que executou e o número que mudou.
Quantas ações colocar em um giro?
De duas a quatro, com dono nominal e prazo dentro do próprio giro. Plano maior que isso adia o Check e dilui a responsabilidade, além de impedir que se saiba qual ação produziu qual efeito. Se a lista de ideias for longa, priorize as que atacam a causa identificada na estratificação e guarde o resto para o giro seguinte, que provavelmente vai descartar metade delas com dado novo.
O que fazer quando a meta do giro não é atingida?
Girar de novo, com o problema redefinido pelo que o Check mostrou. Não é fracasso nem motivo para afrouxar a meta: é o funcionamento normal do método. No exemplo deste artigo, o giro 1 ficou 12 pontos abaixo da meta de percentual e o giro 2 ficou 12 minutos acima da meta de percentil 90, e nos dois casos a decisão registrada foi girar de novo, mantendo padronizado o que já tinha provado efeito.
Pode padronizar uma parte do giro mesmo sem atingir a meta?
Pode e deve. As ações são avaliadas individualmente no Act, não em bloco. Se a escala do almoço derrubou a mediana daquela faixa de 168 para 74 minutos, ela entra no padrão na mesma semana, ainda que a meta geral do giro não tenha sido alcançada. Padronizar o que funciona enquanto o ciclo continua é o que impede o indicador de regredir durante os giros seguintes.
Como saber se uma hipótese deve ser descartada?
Quando o dado mostra que ela explica uma fração pequena do problema. No exemplo, a hipótese de que a cauda vinha dos chamados fora do expediente explicava 23 dos 110 chamados mais lentos, ou 21%. Não basta a hipótese ser plausível nem ter apoio em uma média alta: é preciso medir quantos casos do problema ela cobre. Hipótese descartada deve ficar escrita no registro, com o número que a descartou.
Por que usar mais de uma leitura do mesmo indicador?
Porque mediana e cauda respondem a causas diferentes e podem se mover em direções distintas. No giro 1 do exemplo, a mediana caiu 26 minutos enquanto o percentil 90 andou 15 minutos, que é ruído. Com a mediana sozinha no quadro, o giro teria sido declarado bem-sucedido e o contrato continuaria sendo descumprido. Uma leitura de miolo e uma de cauda, no mínimo, mais aquela que o contrato ou o cliente cobra.
Qual a diferença entre PDCA e SDCA?
O PDCA levanta o patamar do indicador e o SDCA o mantém. No SDCA, o Plan é substituído pelo Standard: o ciclo parte do padrão já escrito, executa, verifica se o resultado continua dentro da faixa de normalidade e age apenas quando há ponto fora dela. Os dois se alternam no mesmo indicador, e a confusão entre eles produz os dois erros clássicos: mexer no que está estável e deixar parado o que precisa melhorar.
Como calcular a faixa de normalidade do SDCA?
A partir dos dados do próprio processo depois que o patamar subiu, nunca por escolha de quem acompanha. No exemplo, com média de 84% de chamados dentro de 60 minutos e cerca de 258 chamados por semana, os limites de três desvios ficam em 77% e 91%. Semana dentro da faixa não pede ação, mesmo quando o número cai. Semana fora da faixa pede investigação no mesmo dia, mesmo quando o número é bom.
O que precisa estar escrito no campo Act?
Uma decisão, não um resumo. As três decisões possíveis são padronizar, quando a meta foi atingida e a causa é conhecida; corrigir e girar de novo, quando o resultado ficou aquém; e escalar, quando a causa está fora do alcance da área. O campo Act preenchido com repetição do Check é o defeito mais frequente em formulário de PDCA, e ele deixa o ciclo sem fechamento, porque ninguém sabe o que acontece depois.
Os números deste exemplo são de uma empresa real?
Não. Foram montados para este artigo, no formato dos kits de metodologia da Voitto, e conferidos para que as parcelas de cada giro somem a variação total dos quatro meses. Servem para mostrar a mecânica de três giros encadeados, com estratificação, hipótese descartada e padronização. Ao aplicar em uma operação real, a linha de base precisa sair do sistema que já registra o indicador, não de estimativa.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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