Carreira & Desenvolvimento

Como ser mais comunicativo: a checagem de informação que evita retrabalho

Geórgia Lima é advogada, organiza o TEDx de João Pessoa e ensina oratória. Ela dá a progressão para quem é tímido e a pergunta que evita qualquer mal-entendido.

Thiago Coutinho
Publicado em 20 de out de 2026  ·  Atualizado em 20 de out de 2026  ·  14 min de leitura
Capa do artigo Como ser mais comunicativo: o teste dos 10 pneus, com a arte do episódio 87 do VoittoCast e a foto do convidado

Geórgia Lima é advogada com mestrado em direito e atuou na área por cerca de dez anos. É licenciada do TEDx em João Pessoa, na Paraíba, e desenvolveu um método de oratória a partir da própria dificuldade: era comunicativa, mas tímida diante de grandes públicos. Nesta conversa com Adriana Cubas, ela dá a progressão para quem trava ao falar, a técnica de uma pergunta que elimina mal-entendido no trabalho, e o diagnóstico que explica por que gente prolixa costuma ser tímida.

Comunicativo não é quem fala muito

Adriana Cubas abre desmontando a confusão:

"As pessoas às vezes confundem a comunicação com a pessoa que fala demais, a pessoa superextrovertida que chega no lugar e fala pelos cotovelos. E não é. A pessoa comunicativa de verdade, que tem uma comunicação assertiva, é aquela que sabe transmitir as suas ideias de maneira assertiva, focando naquilo que é mais importante. E, principalmente, é a pessoa que sabe fazer as devidas adaptações para determinados tipos de público." — Adriana Cubas

E Geórgia Lima acrescenta o ponto que fecha a definição:

"Não é uma coisa que você nasce sabendo. Não necessariamente você nasceu com um dom."

A razão pela qual isso é decisivo no trabalho:

"Imagina: às vezes tem um funcionário que é intelectualmente fantástico, mas na hora de se comunicar, de negociar, até mesmo nas relações interpessoais dentro do próprio trabalho, ele não consegue. As pessoas só conseguem mostrar quem elas são, o que estudam, o que desenvolvem, como atuam, através da comunicação." — Geórgia Lima

Ela chama a competência de inteligência comunicacional.

Os sinais de que a sua comunicação está te atrapalhando

Geórgia separa em duas camadas, e a ordem importa:

Os sinais mentais vêm primeiro.

"Tudo começa no mental, na nossa autopercepção. Será que toda vez que eu vou para uma entrevista de emprego, ou vou fazer alguma fala pública, como é que eu me sinto? Eu me sinto já confiante, ou eu já me sinto sabotando a mim mesma, dizendo 'ah, eu não sou tão boa assim, vão me julgar, o que vão achar de mim'?" — Geórgia Lima

Os físicos vêm depois: esquecimento, gagueira, suor, voz trêmula.

"Eu tinha esse da voz trêmula e do suor. Nossa, era terrível isso para mim."

E Adriana faz a calibração necessária, para o sinal não virar diagnóstico:

"Isso também não é sinal de que 'meu Deus, você se comunica terrivelmente'. É algo a que a gente tem que se atentar, e entender as origens também." — Adriana Cubas

Como ser mais comunicativo: a progressão para quem trava

Esta é a parte mais útil para quem está no começo, e ela é deliberadamente gradual.

Etapa O que fazer Por que funciona
1 falar em ambiente seguro — voluntariado, igreja, a própria família "você começa a falar em ambientes em que você se sente mais tranquilo, e aí vai vencendo e se acostumando, e vendo onde está errando"
2 gravar vídeos em casa você se vê
3 ler livros em voz alta, com ênfase e entonação "vai fazer com que você perceba como está saindo o som da sua voz, e você se acostumar com o seu gestual também"
4 a prática pública —

E a posição dela sobre estudar o tema:

"Muitas pessoas me perguntam livros. Eu digo: o melhor livro é você abrir o vídeo aqui e começar a treinar. Isso sim funciona. É prática, não adianta ficar só na teoria." — Geórgia Lima

O outro lado: escutar

"A comunicação fica mais rica ainda quando você também tem a habilidade de escutar os outros. Porque muitas vezes a gente fica só naquela 'eu preciso falar, eu preciso falar' — e às vezes não escuta para gerar uma conversa realmente rica." — Geórgia Lima

E a ferramenta que ela coloca no mesmo nível da fala:

"A pergunta é uma coisa poderosíssima. Pergunte a necessidade do outro, estude o seu público, porque assim você consegue influenciar muito melhor."

Adriana completa com o motivo:

"A pergunta também é uma forma de você demonstrar empatia — de você não supor o que a pessoa precisa, mas dar espaço para que ela se expresse e diga o que precisa." — Adriana Cubas

Comunicação em chamada de vídeo

As recomendações técnicas são simples e ela as lista sem cerimônia:

  • Olhar para a câmera, não para a imagem da pessoa na tela. "Eu estou procurando não olhar para você, estou procurando olhar para a câmera, então eu sempre imagino que é você que está aqui por trás."
  • Para quem ainda travar: "imagina que é um grande amigo seu que está aqui na frente, no sofá da sua casa, e você está conversando com ele"
  • Preparar o ambiente e testar o equipamento e a conexão antes

E a parte que alivia:

"E lembre: você não está só. E está tudo bem se algum dia cair a conexão, se o microfone não pegar. A gente está vulnerável nesse momento." — Geórgia Lima

Adriana estende para o contexto doméstico: o porteiro que interfona, a criança que demanda atenção.

"E a gente também entender os contextos e adaptar. Não tentar camuflar algo que está acontecendo ao nosso redor. Ter esse jogo de cintura para tornar a comunicação mais orgânica, mais natural, e humanizar também." — Adriana Cubas

O que fazer quando você erra na hora

Pergunta de uma espectadora: fui para uma entrevista e comecei a gaguejar de nervosismo. O que você faria no meu lugar?

A resposta de Geórgia é a tática mais aproveitável do episódio:

"Eu seria engraçada na hora. Eu ia falar algo do tipo: nossa, essa entrevista é tão importante para mim que eu até estou gaguejando de tanta emoção — mas me dá um minuto que eu vou tomar uma água e já respondo. A gente tem a chance de pedir um minuto ao entrevistador, não tem problema." — Geórgia Lima

E a regra por trás:

"Melhor isso do que dizer 'ai, gente, eu estou muito nervosa, me desculpe'. Chamar atenção para o erro é muito pior."

Com o enquadramento que transforma o problema em evidência a favor:

"Até porque isso já é um teste para a pessoa. Se ela conseguir vencer, já mostra que tem inteligência emocional."

Adriana reconhece a mesma estratégia na própria prática de treinadora: quando dava branco ou errava uma palavra, "eu levava para esse lado: gente, olha só, a pessoa já está inventando palavra que não existe, vamos voltar".

"Porque isso humaniza e cria o rapport, cria essa empatia com o seu público." — Adriana Cubas

A posição dela sobre timidez — e ela sabe que é polêmica

Perguntada como criar coragem para falar a um grande número de pessoas sendo introvertido, Geórgia dá uma resposta que ela mesma antecipa como controversa.

"Eu falo uma coisa que é até um pouco polêmica: a introversão, a timidez é egoísmo. E eu vou explicar por quê. Quando eu falo egoísmo, é excesso de ego. E quando eu falo excesso de ego, é excesso de eu. As pessoas que têm esse cuidado excessivo estão querendo se proteger a todo custo, proteger a sua imagem. Elas se preocupam se estão falando bem, se o conteúdo está legal, se vão ser aprovadas. Então o foco é em quem? Nelas, o tempo todinho." — Geórgia Lima

A operação que ela propõe a partir disso é o que interessa, e é independente de se concordar com a premissa:

"Para enfrentar um grande público, a gente tem que se colocar a serviço do outro. Não é sobre mim aqui, é sobre ensinar comunicação para os outros, é sobre a minha mensagem. E sobre a minha mensagem eu posso ter controle."

E o teste de realidade que ela propõe para o medo do julgamento:

"Ninguém sai de casa querendo lhe julgar. Eu pergunto a vocês que estão assistindo: vocês acessaram esta conversa pensando 'hoje eu vou julgar o que elas estão fazendo de errado'? Certamente não. Então por que vocês acham que, quando são vocês lá na frente, os outros estão todos cheios de dedos para apontar?" — Geórgia Lima

Sobre a progressão dela própria: enfrentou dez pessoas, depois quinhentas.

"É um desafio a cada vez. E sabendo que vai dar frio na barriga, vai dar medo, vai dar ansiedade — só que a gente tem que enfrentar. Não existe segredo: é treino, muito treino, técnica e prática."

Linguagem corporal: o que vale e o que não vale

Geórgia lista um conjunto de recomendações, e algumas têm mais respaldo do que outras.

O que ela aponta sobre postura e gesto:

"A coluna já diz muito da gente. Pode testar: se você estiver triste um dia, a tendência do seu corpo é ficar fechado. Se você se abrir, você já vai mudar." — Geórgia Lima

  • Evitar braço cruzado — "isso mostra que o seu corpo está fechado"
  • Evitar balançar as pernas numa entrevista
  • Aperto de mão: "só as pontinhas do dedo, uma coisa leve, a mão mole — isso não é bom"
  • Mostrar as mãos, com gesto suave, mas com congruência com a fala

Sobre as mãos, a observação dela é a mais útil:

"É a transparência da nossa alma ali. Porque se eu estou muito nervosa, eu vou ficar falando assim. Se me perguntarem algo que eu não sei, eu vou ficar me coçando, mexendo."

O espelhamento como forma de rapport:

"Você chegou numa negociação e a pessoa está de braço cruzado. Isso já quer dizer que ela não está tão interessada. Então você imita ela discretamente em algum momento, fica um tempinho desse jeito, e depois de um tempo você abre as suas mãos — e o subconsciente vai fazer com que essa pessoa também tenda a espelhar o seu gesto." — Geórgia Lima

O exemplo dela: em sala de aula, quando o professor muda de postura, a turma tende a acompanhar.

Gatilhos mentais, com a ressalva que ela faz questão de dar

"Os gatilhos mentais são fantásticos se forem usados de forma ética. Eu sempre bato muito nessa tecla, porque eles são muito poderosos." — Geórgia Lima

Os que ela cita: prova social, surpresa, curiosidade, urgência — "tem mais de 20".

A ressalva ética partiu dela, sem ser provocada, e vale registrar como parte do conselho, não como anexo.

A dica que vale ouro: o teste dos dez pneus

Esta é a melhor parte do episódio, e ela a aprendeu num curso de liderança situacional.

"Vamos imaginar que eu sou dona de uma borracharia e você trabalha para mim. Aí eu chego e falo: Adriana, por favor, empilha esses dez pneus, eu quero eles prontos amanhã. Chego no outro dia, e existem ali cinco fileiras com dois pneus cada. Eu olho e falo: caramba, não era isso que eu queria. Aí você fala: mas não está empilhado? E eu: não, eu queria duas fileiras com cinco cada." — Geórgia Lima

O diagnóstico:

"Só que eu não comuniquei para você. Eu falei no meu modelo mental de organização, e você entendeu no seu modelo mental. Eu, que estou comunicando, eu tenho a obrigação de detalhar."

E a técnica, em uma frase:

"Adriana, por favor, repete para mim o que você entendeu da minha informação."

O nome que ela dá: checagem de informação.

"Basta pedir para repetir. Façam isso com seus relacionamentos pessoais e profissionais, que vocês vão ver o quanto isso vai evitar retrabalho."

A mesma técnica, invertida

Adriana aplica a validação do outro lado da mesa:

"Muitas vezes, em entrevistas de emprego, as pessoas não entendem a pergunta do recrutador — às vezes o recrutador não é claro — e a pessoa responde uma coisa que não tem absolutamente nada a ver. E fica aquele clima de tensão, sendo que isso poderia ser evitado se você validasse: 'você quer saber tal informação?'" — Adriana Cubas

E o medo que impede:

"As pessoas ficam com medo de validar, pensando 'ele vai achar que eu não prestei atenção, que eu sou desligada'. E não — você está validando exatamente porque você está prestando atenção."

Prolixo por timidez

Pergunta de um espectador: já recebi feedbacks de ser objetivo demais, e hoje acho que fui para o outro extremo e me tornei prolixo. Como equilibrar?

O princípio:

"Primeiro de tudo: saber o tempo que a gente tem e o público para quem a gente vai falar. Estude seu público e procure o equilíbrio." — Geórgia Lima

O contraste que ela usa: numa palestra do formato TEDx há até 18 minutos, "e não tem como ser prolixo"; numa reunião em que é preciso detalhar números e resultados, "não tem como também eu dizer 'olha, o número é esse' e acabou".

E o caso que explica a causa. Ela atendeu um responsável técnico de TI de um grande hospital. Os colegas a procuraram dizendo que ninguém aguentava reunião com ele.

"Minha aula tem uma hora de duração. Com ele, ele ficou 55 minutos falando e não me deixou falar, para você ter ideia."

E então veio a explicação dele, que inverte o diagnóstico óbvio:

"Ele me falou que ele era prolixo porque ele era tímido — que ele preferia falar muito para ninguém interrompê-lo. Então ele preferia não ter perguntas: ele disparava tudo, saía e ia embora." — Geórgia Lima

É um achado útil para quem lidera: a pessoa que ocupa todo o tempo da reunião pode não estar se exibindo. Pode estar se defendendo.

A contramedida: a linha mestra

"O que ajuda muito é o que Chris Anderson, do TED, chama de linha mestra. É o que vai conectar a minha informação do começo ao fim. Pensem no poder da única mensagem: o que, no final, vocês querem que os outros levem para casa?" — Geórgia Lima

O roteiro que decorre disso, nas perguntas dela:

  1. Para quem eu quero falar?
  2. Com quem eu vou falar?
  3. Por que eu vou falar isso?
  4. Como eu vou falar isso?

Mais a pergunta que fecha: "qual o problema que eu estou solucionando, e que mensagem eu vou deixar?"

E a ferramenta de disciplina:

"O que ajuda muito também é escrever em até 15 palavras o título. O título é fundamental, porque aí você não vai ficar tentando escapar daquilo ali." — Geórgia Lima

E para quem tem o problema oposto, de ser seco demais: acrescentar exemplos, histórias, analogias, comparações e referências.

Texto e áudio

Áudio como academia de oratória:

"Para quem quer melhorar a comunicação, a oratória, é ideal fazer mensagens de áudio. Eu acho isso uma ferramenta fantástica para a gente praticar." — Geórgia Lima

E a habilidade a treinar é específica: ênfase e entonação. Ela demonstra o mesmo convite em duas versões — uma corrida e monótona, outra com pausa e ênfase — e pergunta qual fica mais instigante.

"A gente tem que usar esse tom da fala com mais emoção e mais ênfase, que aí sim você vai conseguir fazer aquela comunicação ser viva."

Texto: revisar.

"Será que está fazendo sentido? Será que eu estou dando muitas voltas para chegar no meu objetivo?"

Sobre continuar aprendendo

"Já fiz todos os cursos de oratória que você pode imaginar, agora eu só faço fora do país e continuo fazendo. Não é porque eu já sou especialista na área que eu estou dominando — aí é que está o erro." — Geórgia Lima

Quem é Geórgia Lima

  • Advogada com mestrado na área, com cerca de dez anos de atuação no direito
  • Licenciada do TEDx em João Pessoa, na Paraíba — plataforma de palestras com edições em todo o mundo
  • Desenvolveu um método próprio de oratória, a partir da experiência de preparar palestrantes e, depois, de preparar a si mesma para entrevistas e rádio
  • Era comunicativa, mas tímida para grandes públicos — e cita voz trêmula e suor como os próprios sintomas

A entrevistadora é Adriana Cubas, palestrante e consultora de carreira, apresentadora do quadro Escalando Carreiras do VoittoCast, com atuação em treinamento e em preparação de candidatos para processos seletivos.

Ouvir o episódio

VoittoCast #87 — Como ser mais comunicativo e influenciar pessoas? Quadro: Escalando Carreiras, com Adriana Cubas Convidada: Geórgia Lima

Ouvir no Spotify

Página do episódio no VoittoCast

Para aplicar

Perguntas frequentes

Ser comunicativo é falar muito?
Não. Comunicação assertiva é transmitir a ideia focando no que importa e adaptando a mensagem ao público — o que é diferente de extroversão e de volume de fala. Geórgia Lima reforça que não é dom de nascença: é competência desenvolvida com técnica e prática.
Como começar a melhorar se eu travo ao falar?
Em quatro etapas, nessa ordem: falar primeiro em ambiente seguro, como voluntariado, igreja ou família; gravar vídeos em casa; ler livros em voz alta trabalhando ênfase e entonação; e só então a prática pública.
O que fazer se eu gaguejar ou travar numa entrevista?
Não chamar atenção para o erro. A tática que ela ensina é tratar com leveza e pedir o tempo: "essa entrevista é tão importante para mim que eu até estou gaguejando de emoção — me dá um minuto que eu vou tomar uma água e já respondo". Pedir um minuto ao entrevistador é aceitável.
Como vencer o medo de falar em público?
Deslocando o foco de si para a mensagem e para quem ouve. O argumento dela: ninguém chega a uma apresentação com a intenção de julgar quem está falando — e sobre a própria mensagem você tem controle, enquanto sobre o julgamento alheio não tem.
Qual técnica evita mal-entendido no trabalho?
A checagem de informação: depois de passar uma instrução, pedir que a pessoa repita o que entendeu. No exemplo dela, "empilhe dez pneus" produziu cinco fileiras de dois em vez de duas de cinco — e quem comunicou tinha a obrigação de detalhar. A mesma validação funciona recebendo instruções.
Como deixar de ser prolixo?
Definindo uma linha mestra — a única mensagem que conecta a fala do começo ao fim — e respondendo quatro perguntas antes: para quem, com quem, por que e como. A ferramenta de disciplina é escrever o título em até 15 palavras, e não sair dele.
Por que algumas pessoas falam demais em reuniões?
Pode não ser exibição. No caso que ela relata, um profissional prolixo explicou que falava muito porque era tímido: ocupando todo o tempo, ninguém o interrompia e ninguém fazia perguntas. É um diagnóstico que muda a abordagem de quem lidera a reunião.
Como praticar oratória no dia a dia?
Usando mensagens de áudio como academia, com atenção a ênfase e entonação — e lendo em voz alta. Em texto, revisando antes de enviar: a pergunta é se a mensagem faz sentido e se você está dando voltas antes de chegar ao objetivo.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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