Matrizes D e E do WCM: método, custo-benefício e 6 exemplos
A matriz que escolhe o tamanho do método e a conta que decide qual projeto vai primeiro, com o tempo do time dentro do custo
No nível 1 do pilar de custos, meu livro descreve uma fábrica que já começou projetos de melhoria e ainda não sabe quanto eles valem. A frase da página 105 é seca: “embora alguns projetos de melhoria tenham sido iniciados, seus resultados não foram validados financeiramente. Matrizes D, E e F estão disponíveis.” As matrizes D e E são as duas primeiras dessa trinca. A D escolhe o tamanho do método, e a E põe cada projeto candidato numa conta de benefício contra custo.
Para ver como essa dupla aparece na prática, li o bloco 2 dos treze Major Kaizen do Kit WCM da Voitto, um por setor, todos marcados como projeto ilustrativo no rodapé. Os treze preenchem as planilhas D e E. O que muda de um para outro é o custo. Seis documentos separam o investimento das horas da equipe, e nesses seis as horas pesam de 36% a 71% do custo total. Tirar as horas da conta faria o B/C do alimentício pular de 13,8 para 33,2.
A gente começa pelo que são as matrizes D e E e por onde elas entram no Cost Deployment. Depois vêm a régua de proporção da Matriz D, o pilar de ataque, o custo completo da Matriz E e o B/C sem as horas como contraprova. Fecham o texto o modelo P03 passo a passo, seis exemplos preenchidos em PDF e os erros que derrubam as duas matrizes na banca.
O que são as matrizes D e E
As matrizes D e E são as duas planilhas do WCM que transformam uma perda já valorizada em projeto escolhido. A Matriz D define o método pela complexidade da perda: Quick, Standard, Major ou Advanced Kaizen. A Matriz E compara benefício anual e custo total de cada candidato e ordena todos pelo B/C.
Elas vêm depois da matriz de perdas. As Matrizes A, B e C dizem onde está o dinheiro perdido e quanto ele vale por ano. A pergunta seguinte é outra: qual projeto ataca essa perda, com que tamanho de equipe, e se ele vale mais do que os outros que disputam o mesmo orçamento. É nesse ponto que o Cost Deployment deixa de ser diagnóstico e vira carteira de projetos.
O método tem lastro acadêmico. O artigo Manufacturing cost deployment, publicado em 2002 no International Journal of Production Research, propõe uma forma sistemática de ligar custo, perda e programa de redução de custos. O World Class Manufacturing levou essa lógica para o chão de fábrica com uma sequência de matrizes, e cada letra responde a uma pergunta.
| Matriz | Pergunta que responde | Saída |
|---|---|---|
| A | Onde estão as perdas? | Perdas mapeadas em medida física |
| B | Qual perda causa qual? | Perdas causais separadas das resultantes |
| C | Quanto cada perda custa? | Perdas em reais por ano |
| D | Qual método ataca a perda? | Tipo de Kaizen e pilar de ataque |
| E | Qual projeto vai primeiro? | Candidatos ordenados pelo B/C |
| F | O ganho aconteceu? | Saving validado por Finanças |
O ponto de partida é a relação custo-benefício, um conceito que vale para qualquer decisão de investimento. A diferença no WCM é a disciplina. As matrizes D e E obrigam o time a decidir o método antes de fazer a conta, e a fazer a conta antes de pedir equipe.
Onde as matrizes D e E entram no livro
O capítulo 13 do meu livro, World Class Manufacturing, apresenta o pilar de custos pela Figura 13.4, na página 105. São sete passos de implantação. Os quatro primeiros identificam, classificam e valorizam perdas. O Passo 5 pede “Identificar métodos para recuperar perdas e desperdícios”, e o Passo 6 pede “Estipular os custos de melhorias e o total das possíveis reduções de custos”.
Nos dois passos eu leio a origem das matrizes D e E. O Passo 5 é a pergunta da Matriz D: com que método. O Passo 6 é a pergunta da Matriz E: quanto custa e quanto devolve. Um passo sem o outro não fecha. É a Matriz D que define o tamanho da equipe, e sem esse tamanho a Matriz E não tem custo para pôr no denominador.
A mesma página traz a frase que abriu este texto, no nível 1 da pontuação do pilar. Ali a fábrica tem projetos iniciados sem validação financeira e já dispõe das Matrizes D, E e F. O detalhe me parece o mais honesto do capítulo. Ter as matrizes disponíveis é o degrau de entrada. Usar as matrizes D e E para escolher e defender projeto é o que separa esse degrau dos seguintes.
O livro cobra a mesma conta fora do pilar de custos. Na página 108, entre os critérios do nível 2 da manutenção autônoma, um dos pilares técnicos, o texto escreve: “uma análise de custo-benefício comprova a viabilidade do quarto passo”. Na página 109, a exigência volta: “análises de custo-benefício comprovam os benefícios do WO”. As matrizes D e E padronizam essa cobrança.
Matriz D: o método proporcional à perda
A Matriz D responde a uma pergunta de proporção. Método grande demais para uma perda simples queima equipe e prazo. Método pequeno demais para uma perda crônica produz uma contramedida que não segura, e a perda volta no trimestre seguinte. O P03, modelo do Kit WCM para as matrizes D e E, organiza a decisão em três classes.
| Classe no P03 | Quando usar | Sinal no documento |
|---|---|---|
| Quick ou Standard Kaizen | Causa única e evidente, ou evidente depois da estratificação | Equipe enxuta, poucas áreas, contramedida de método ou padrão |
| Major Kaizen | Perda crônica e multicausal | Equipe multifuncional, os 7 passos completos, várias áreas envolvidas |
| Advanced Kaizen | Fenômeno que só se separa com estatística | Base grande de dados, estratificação em vários níveis, modelagem |
O P03 junta Quick e Standard numa classe só. Os treze documentos do kit usam na Matriz D as quatro palavras separadas, e a régua de quatro tipos fica para um texto próprio sobre Major Kaizen. Aqui interessa o sinal que leva de uma classe a outra. A contagem dos treze ficou em 8 Major, 4 Standard, 1 Advanced e nenhum Quick.
O primeiro sinal é o tempo. Perda crônica é a que está estável há meses, e a estabilidade mostra que as correções pontuais já foram tentadas. O segundo é o número de causas. Quando o Pareto mostra duas ou mais causas dominantes de naturezas diferentes, uma contramedida só não fecha. O terceiro é a fronteira: se a perda atravessa três ou quatro áreas, o projeto precisa de equipe multifuncional.
O quarto sinal é o mais fácil de errar: a causa parece evidente e não é. É aí que entra a estratificação. Um problema que parece espalhado costuma se concentrar em poucos equipamentos, turnos ou tipos de contrato quando os dados são cortados por fonte. Se o corte já mostra a causa, o Standard dá conta. Se o corte revela um fluxo que nem ele consegue separar, o caso é de Advanced.
Todo kaizen parte do mesmo princípio de melhoria contínua, e a Matriz D decide só o tamanho. Entre os formatos de projetos kaizen, o evento kaizen de poucos dias resolve causa conhecida com contramedida local. O Major pede meses e o ciclo completo. O Advanced traz ferramentas como o controle estatístico de processo e testes de hipótese. A comparação mais ampla está no texto sobre qual metodologia de melhoria escolher.
Os documentos do kit ainda justificam a classe pelo que ela não é. O alimentício escreve que o caso não era Quick porque a explicação corrente na fábrica estava errada, e não era Advanced porque a medição direta resolvia. Essa dupla negação é a melhor prática da Matriz D, e a gente recomenda copiá-la em toda ficha D e E. A justificativa diz por que o método não é menor nem maior do que precisa ser.
O pilar de ataque: quem é dono da perda
O segundo campo da Matriz D é o pilar de ataque. A classe diz o tamanho do método, e o pilar diz de onde vêm as ferramentas. A escolha segue a natureza do fenômeno, não o departamento onde a perda aparece. Perda de material e de eficiência em processo costuma ir para a Melhoria Focada (FI). Defeito vai para Qualidade (QC), e erro humano recorrente vai para Desenvolvimento de Pessoas (PD).
Nos treze documentos, o FI é o pilar mais escolhido, e ele aparece também fora da fábrica. O marketing classifica o funil de leads como perda transacional, no FI, e chama isso de WCM de escritório. A mesma lógica do Lean Office vale aqui: o fluxo de informação tem espera, retrabalho e perda como o fluxo de material.
O pilar também pode ser um dos que não aparecem na lista clássica da produção. A obra da sustentabilidade escolhe o pilar Ambiente para atacar resíduo de canteiro, e a manutenção de elevadores escolhe o PD porque a perda nasce de omissão na visita técnica. A ligação entre melhoria e resíduo tem um texto próprio sobre kaizen e gestão ambiental.
Na manutenção de elevadores, a justificativa do pilar merece leitura. O documento escreve que a resposta do PD não é punir o técnico nem só treinar mais. É entender por que o erro acontece, montar a matriz de habilidades e criar um padrão que não dependa de memória. Na ficha D e E, um pilar bem escolhido já traz a hipótese da contramedida dentro dele.
Matriz E: o custo inclui as horas da equipe
A Matriz E tem quatro colunas que importam: projeto candidato, benefício por ano, custo e B/C. O benefício é a fatia da perda valorizada que o projeto promete recuperar, e não a perda inteira. O custo é investimento mais horas da equipe. A razão entre os dois ordena a carteira, e o maior B/C tem prioridade.
O benefício raramente é a perda toda. No alimentício, o projeto promete recuperar cerca de 60% do giveaway, e na manutenção de elevadores, bloquear 92% do Pareto. Essa fração é a hipótese mais frágil da Matriz E, e a banca vai perguntar de onde ela saiu. A resposta boa aponta a fatia do Pareto que o projeto ataca.
O custo tem uma parcela que o orçamento não mostra. Material, serviço e software aparecem no orçamento porque alguém tem de aprovar a compra. As horas da equipe não aparecem, porque o salário já está pago. Só que cada hora de um analista num projeto é uma hora que ele não gasta em outro, e esse é o custo de oportunidade que a Matriz E precisa carregar.
Dos treze documentos do kit, seis separam na ficha D e E o investimento das horas. Nesses seis dá para medir quanto do custo total é tempo de gente, e em nenhum deles as horas ficam abaixo de um terço.
| Setor | Custo total | Investimento | Horas da equipe | Peso das horas |
|---|---|---|---|---|
| Alimentício | R$ 60 mil | R$ 25 mil | R$ 35 mil | 58% |
| Farmacêutico | R$ 55 mil | R$ 17 mil | R$ 38 mil | 69% |
| Manutenção industrial | R$ 44 mil | R$ 25 mil | R$ 19 mil | 43% |
| Logística | R$ 48 mil | R$ 27,4 mil | R$ 20,6 mil | 43% |
| Serviços (CSC) | R$ 62 mil | R$ 18 mil | R$ 44 mil | 71% |
| Construção civil | R$ 70 mil | R$ 45 mil | R$ 25 mil | 36% |
A coluna das horas é a diferença entre custo total e investimento, os dois valores que os documentos informam. Em cinco dos seis casos, as horas passam de 40% do custo, e em dois passam de dois terços. Uma análise D e E montada só com o orçamento de compra ignora a maior parte do que o projeto consome, e o P03 avisa isso na dica do especialista.
A conta tem parentes conhecidos. O ROI mede o retorno sobre o investimento, e o payback mede em quantos meses o dinheiro volta. O B/C da Matriz E é mais simples do que os dois, porque compara um ano de benefício com o custo total do projeto. Para a carteira que sai das matrizes D e E, essa simplicidade é uma vantagem: a mesma régua vale para todos os candidatos.
O B/C sem as horas: a contraprova
A dica do P03 traz uma frase que eu colaria na parede da sala de projetos. Ela diz: “Projeto que só fecha a conta escondendo o custo do time não sobrevive à validação de Finanças na Matriz F.” O teste é refazer o B/C com o investimento apenas e ver quanto ele infla.
| Setor | B/C com horas | B/C só com investimento | Quanto infla |
|---|---|---|---|
| Alimentício | 13,8 | 33,2 | 2,4 vezes |
| Serviços (CSC) | 11,3 | 38,9 | 3,4 vezes |
| Farmacêutico | 8,5 | 27,6 | 3,2 vezes |
| Manutenção industrial | 12,0 | 21,2 | 1,8 vez |
| Logística | 12,0 | 21,0 | 1,8 vez |
| Construção civil | 8,6 | 13,3 | 1,6 vez |
A inflação é igual à razão entre custo total e investimento, e por isso não depende do tamanho do benefício. No CSC de serviços, o B/C sem as horas mais que triplica. Um B/C inflado é combustível adulterado: o projeto arranca bem na planilha e engasga na primeira reunião com Finanças, quando alguém soma a folha do time.
A contraprova também pode mudar a ordem da carteira D e E. Se o alimentício e o CSC de serviços disputassem a mesma verba, com as horas o alimentício viria à frente, 13,8 contra 11,3. Só com o investimento, a ordem inverte: 38,9 contra 33,2. O projeto que consome mais tempo de gente e menos compra subiria para o primeiro lugar, e o erro de conta viraria erro de prioridade.
Nos outros sete documentos, a leitura da D e E pede cuidado. Cinco dão o custo total sem separar as parcelas: financeiro, hotelaria, marketing, produção e saúde. A produção de elevadores lista itens e horas sem separar os valores. A manutenção de elevadores soma kits embarcados e contramedidas até perto de R$ 330 mil e não mostra horas. Onde o documento não registra a parcela, o exemplo abaixo diz isso, e a gente não estima o que falta.
Para levar a conta ao rigor de um projeto Seis Sigma, o texto sobre como calcular o retorno financeiro de um projeto Seis Sigma detalha as parcelas de ganho e de custo. A lógica é a mesma da Matriz E, com mais linhas.
Como preencher o modelo P03 passo a passo
O P03, o modelo D e E do Kit WCM, cabe numa página A4 e segue cinco passos. No cabeçalho vão a perda focalizada, que chega da estratificação feita no modelo anterior, quem priorizou e a data. O subtítulo do modelo resume a proposta em duas partes: o método proporcional à perda e a conta que faz o projeto vencer os concorrentes.
- Classificar a complexidade na Matriz D. Para cada perda, anote a complexidade, o método e a justificativa. Causa única evidente vai para Quick ou Standard. Perda crônica e multicausal vai para Major, com equipe multifuncional. O que exige estatística vai para Advanced.
- Indicar o pilar de ataque. O pilar sai da natureza do fenômeno e define o repertório de ferramentas do projeto.
- Montar a Matriz E. Para cada candidato, escreva o benefício anual, que é a fatia recuperada da perda, e o custo total, que soma investimento e horas da equipe.
- Calcular o B/C e ordenar. Divida benefício por custo e ordene a lista. O maior B/C tem prioridade, e os demais ficam para o próximo ciclo.
- Registrar a decisão. O modelo pede a resposta para “por que este projeto e não outro?”, que o P03 chama de primeira pergunta da banca.
A miniatura ao lado abre o P03 em branco. O exemplo impresso no quadro do projeto escolhido é o das micro paradas da enchedora da linha 3, classificadas como Major Kaizen do pilar FI e primeiras da Matriz E. A rotulagem, segunda colocada, fica para o próximo ciclo. Repare que o modelo registra o perdedor. A lista de quem ficou de fora é o que prova que houve escolha.
Baixe o P03 em branco e ordene a sua próxima carteira de projetos pelo B/C
Antes de preencher as matrizes D e E, vale uma triagem rápida. A matriz esforço x impacto separa candidatos óbvios dos que precisam de conta. A triagem corta a lista, e a Matriz E ordena com número o que sobrou.
Seis exemplos de matrizes D e E preenchidas
Os seis exemplos trazem as fichas D e E do P03 preenchidas com o bloco 2 de seis Major Kaizen do kit, o de Pareto e estratificação. Na Matriz D vão classe, pilar e justificativa como cada documento escreve. Na Matriz E vão benefício, custo e B/C, com os concorrentes que o documento cita. Onde o documento não traz um dado, a ficha escreve “o documento não registra”, e o campo das horas no custo diz como cada documento monta a conta. Todos são projetos ilustrativos, como os documentos de origem declaram.
Escolhi os seis pela variedade de classe e de custo: quatro separam as horas, um soma kits sem horas e um dá só o total. Cada miniatura abre em tamanho grande, com o botão de baixar o PDF na janela. Os modelos em branco estão no kit de ferramentas WCM da Voitto, ao lado das outras ferramentas do WCM.
1. Alimentício: excesso de peso nos bicos 5 a 8, Major no FI e B/C de 13,8
Quatro semanas de dados da balança, abertos por bico, turno, produto e momento, desmontaram a ideia de que o excesso de peso estava espalhado. O desvio morava em quatro bicos, do 5 ao 8, e na janela logo após cada troca de produto, com picos de 4,9% em qualquer turno. O Pareto dos 214 ajustes manuais fechou o alvo: deriva dos bicos e instabilidade pós-troca somam 70,1% das ocorrências.
Na Matriz D, o documento classifica a perda como crônica e multicausal, com equipamento e método misturados, e escolhe Major Kaizen no FI. A justificativa trabalha pelas duas pontas. Não é Quick, porque a explicação corrente na fábrica era a massa do dia, e estava errada. Nem Advanced, porque a medição direta resolve.
A Matriz E promete R$ 830 mil por ano, recuperando cerca de 60% do giveaway, contra um custo de R$ 60 mil. Desse custo, R$ 25 mil são orçamento e o resto são horas da equipe, ou seja, 58% do total é tempo de gente. Com B/C de 13,8, o projeto abre a carteira da Produção. Os dois concorrentes da mesma carteira, menos filme plástico e setup curto na embaladora, marcaram 5,2 e 4,1.
Para mim, o valor deste exemplo está na contraprova. Com o orçamento apenas, a razão iria a 33,2. Sem as horas, o número ficaria vistoso e frágil, e é essa distância que Finanças mede.
2. Serviços: faturas com erro num CSC, Standard no FI e o maior peso de horas
O censo de 18 meses reuniu 3.540 faturas com erro. Tarifa divergente do contrato respondeu por 42,9% dos casos, e dados cadastrais incorretos, por 28,5%. Juntas, as duas fatias chegam a 71,5%. O cruzamento com o tipo de contrato acrescentou um endereço: 57% dos erros estavam em contratos com aditivos.
Standard Kaizen no FI, com equipe enxuta de 3 áreas, é a classe escolhida. A estratificação e o rastreio já tinham mostrado as causas, sem fenômeno físico complexo e sem necessidade estatística. Major seria desproporcional para uma causa já demonstrada, e Quick ficaria pequeno para um processo que cruza Comercial, TI e Faturamento.
O benefício previsto é de R$ 700 mil por ano, com a taxa de erro caindo de 6,2% para 2,0%. O custo é de R$ 62 mil, dos quais R$ 18 mil em parametrizações. As horas das equipes formam o restante, 71% do custo, o maior peso entre os seis documentos que separam as parcelas. Na carteira do CSC, esse 11,3 lidera, e a automação de cobrança vem atrás com 4,2. Retirar as horas levaria o B/C a 38,9.
Projeto de escritório não tem máquina para comprar, e a maior parte do custo é tempo das equipes de três áreas, que a conta precisa mostrar.
3. Farmacêutico: 512 lotes presos em espera, o único Advanced da série
É o único Advanced Kaizen entre os treze documentos, e a razão está nos dados. Foram 512 lotes, de janeiro de 2025 a junho de 2026, cortados por etapa, família e período, com conferência física em 30 lotes e concordância acima de 95%. O Pareto mostrou que 68% do tempo total era espera: 41% na fila de análise do CQ e 27% na revisão do dossiê. O retrabalho por desvios veio em terceiro, com 13%.
O tempo de análise em si era estável. O que variava era a espera antes de cada etapa, e as famílias de maior mix eram as mais castigadas. Separar espera de processamento num fluxo de alto mix e muitas etapas exige análise estatística, e por isso a Matriz D aponta Advanced, ancorado no QC.
Eu leio a justificativa deste documento como o melhor argumento a favor da Matriz D. Sem a base de 512 lotes e a estratificação em vários níveis, a fábrica teria contratado analistas para um gargalo que não era de capacidade. A decisão errada tinha cara de óbvia.
A Matriz E soma R$ 470 mil por ano em benefício, vindos da quarentena mais curta e de menos horas extras no laboratório. O custo é de R$ 55 mil, com R$ 17 mil de investimento e o restante em horas, 69% do total. Com B/C de 8,5, o projeto lidera a carteira da Qualidade. O dossiê eletrônico, de capex alto, parou em 2,1.
4. Construção civil: 1.240 m³ de resíduo, Standard no pilar Ambiente
O projeto criou o próprio apontamento e separou os 1.240 m³ de resíduo do canteiro por categoria, processo gerador e pavimento. Argamassa e concreto somam 422 m³ (34%), cerâmica e alvenaria, 335 m³ (27%), e gesso, 223 m³ (18%). As três categorias chegam a 79% do volume.
O desperdício se repetia igual em todos os pavimentos e em todas as equipes. O documento lê isso como sinal de método errado, não de gente errada, e a leitura define a Matriz D. São três causas de método, comprováveis por medição direta no canteiro, sem estatística pesada nem equipamento.
A classe fica em Standard, no pilar Ambiente, com uma equipe de obra, suprimentos e qualidade. Quick não serve, porque são três frentes coordenadas, e Major exigiria um aparato multifuncional que o problema não pede.
Na Matriz E, o benefício de R$ 600 mil por ano vem de bloquear cerca de 2/3 do desperdício das três categorias. O custo total é de R$ 70 mil, com R$ 45 mil de orçamento e 36% em horas, o menor peso de horas entre os seis documentos que separam as parcelas. O B/C de 8,6 ganha da usina de reciclagem no local, que ficou em 1,8 por causa do capex. Só com a compra, a conta daria 13,3, a menor distância da tabela de contraprova, e o projeto fica de pé sem esconder horas.
Desperdício que se repete igual em todo pavimento pede método antes de usina, e a Matriz E confirmou essa leitura.
5. Manutenção de elevadores: 620 rechamadas, Major no PD e um custo sem horas
As 620 rechamadas do trimestre de novembro a janeiro tinham endereço: 62% vinham de 18% da carteira, um parque de uns 1.764 aparelhos antigos, de 15 anos para cima, com tráfego pesado. Preventivas abaixo de 35 minutos geravam 3,1 vezes mais rechamada do que visitas de 50 minutos para cima. Nas rotas mais cheias, a visita durava 32 minutos em média.
Porta mal ajustada lidera o Pareto por causa, com 214 casos (35%). Vêm depois o checklist feito pela metade, com 152 (25%), e a peça gasta que ninguém trocou antes da quebra, com 118 (19%). Fecham a lista a falha recorrente que ninguém escalou, com 87 (14%), e o diagnóstico errado, com 49 (8%). Quatro barras dominam.
A Matriz D marca Major Kaizen: perda estável há 8 meses, 4 causas dominantes e uma fronteira que atravessa técnicos, Central, logística de peças e engenharia. O pilar é o PD, porque o centro do fenômeno é erro ou omissão humana recorrente na visita.
A Matriz E é onde este exemplo ensina mais, e por isso eu o incluí. O benefício é de R$ 1,1 milhão por ano, bloqueando 92% do Pareto. O custo de R$ 330 mil soma kits embarcados nos 74 veículos, perto de R$ 259 mil, e contramedidas de R$ 70 mil. As horas da equipe o documento não registra. O B/C de 3,3 é o mais baixo dos treze e, ainda assim, traz o maior benefício absoluto da carteira de serviços.
Descartado pela própria matriz, o mutirão corretivo geral ficou com B/C de 0,8 porque atacava o sintoma. Falta a conta das horas de uma equipe que atravessa quatro áreas, e a banca vai querer saber quanto elas tiram do 3,3.
6. Marketing: leads que esfriam fora do plantão, Standard no FI de escritório
Cortar 2.480 leads pelo tempo da primeira resposta mostrou onde a venda se perdia. Quem recebe retorno em menos de 30 minutos converte 19%, e quem espera mais de 4 horas converte 4%. Além disso, 62% dos leads chegam fora do horário do plantão e convertem 5,1%, contra 12,3% no horário comercial.
O Pareto de 420 leads perdidos tem a primeira resposta acima de 4h no topo (160, 38,1%), seguida da falta de cadência de follow-up (109, 26,0%). Depois vêm lead fora do perfil (80), distribuição desigual (42) e outros (29).
A classe é Standard Kaizen. A causa era de método de atendimento, evidente depois da estratificação e do teste no Genba. Não pedia equipe multifuncional de ciclo longo nem modelagem estatística, mas também não se resolvia com ajuste pontual. O pilar é o FI, na lente de perda transacional.
Na Matriz E, o benefício é de R$ 850 mil por ano, recuperando cerca de 60% da perda valorizada. O custo de R$ 95 mil junta contramedidas, a escala do plantão digital e horas, sem dizer quanto é cada parcela. O B/C de 9,0 bate a qualificação de leads, que ficou com 3,5 para o giro seguinte.
Escolhi este documento justamente por não separar as parcelas. A ficha registra que o documento não traz a divisão, e eu não estimo o que falta. Sem ela, ninguém refaz a contraprova das horas, e essa conta fica em aberto na ficha.
Erros comuns no preenchimento das matrizes D e E
Aprendi o peso da conta de prioridade antes de conhecer o nome das matrizes D e E. Na MRS, onde entrei como trainee, participei dos programas de melhoria contínua e das olimpíadas de melhoria, em que projeto disputava com projeto. A lição que ficou foi desconfortável. A verba e a gente de uma área são as mesmas para todos os projetos, e cada candidato disputa com os vizinhos por elas. Em Lafaiete, onde coordenei a operação por dois anos, essa gente tinha escala: inspetores sob a minha chefia e maquinistas sob a deles.
O desdobramento de metas, que descia do presidente ao coordenador, me ensinou a outra metade. A meta de cada nível só se mexe se o projeto escolhido mexe nela. Os erros abaixo são as formas mais comuns de perder essa disputa com uma ideia boa e uma conta ruim.
- Método desproporcional. Major para causa já demonstrada queima equipe, e Quick para processo que cruza três áreas não segura. O P03 trata as duas direções como erro de método.
- Custo que esquece o tempo do time. Nos seis documentos que separam as parcelas, as horas vão de 36% a 71% do custo. Fora da conta, elas voltam na Matriz F como surpresa.
- Benefício igual à perda inteira. O benefício é a fatia recuperada, e ela precisa apontar para as barras do Pareto que o projeto ataca.
- Carteira de um candidato só. Sem concorrente, a análise D e E não prioriza nada. A Matriz E existe para comparar, e o perdedor fica registrado.
- Confundir espera com capacidade. No farmacêutico, 68% do tempo do lote era espera, e a solução intuitiva seria contratar analistas. Quando o lead time é quase todo fila, a Matriz D pede método de fluxo, e contratar gente seria o projeto errado.
- Atacar o sintoma. Na manutenção de elevadores, o mutirão corretivo geral teve B/C de 0,8 e foi descartado. Contramedida que não mexe na causa aparece na Matriz E com benefício baixo e custo alto.
Depois das matrizes D e E: a Matriz F
O par D e E fecha com um B/C estimado. A Matriz F, que vem depois do projeto, confere se o benefício aconteceu, com a régua validada por Finanças. É por isso que a dica do P03 fala em sobreviver à validação. O custo escondido na E aparece na F, quando o ganho medido é comparado ao prometido.
A comparação entre antes e depois tem método próprio, descrito no texto sobre verificação antes e depois. Um projeto que sai das matrizes D e E com as horas fora da conta começa a validação devendo. Um que entrou com a conta completa só precisa provar o benefício.
Quem quer praticar a sequência inteira, da matriz de perdas à F, com os modelos do kit, encontra o caminho no curso de WCM da Voitto. Nas matrizes D e E o diagnóstico vira compromisso, e vale treinar esse ponto com calma. E quem precisa defender o próprio B/C diante de Finanças, com orientação de especialista, tem a trilha certificada nas academias de certificação.
