Verificação Antes e Depois: o que é, como fazer e 13 exemplos
A folha da fase Checar que separa ganho medido de ganho de apresentação, e por que trocar a fonte do dado no meio do projeto derruba o resultado na banca
Auditando um sistema de gestão, pedi a evidência de eficácia de uma ação corretiva. O auditado abriu um gráfico com duas barras, uma alta e uma baixa. A diferença entre elas estava destacada em vermelho. Perguntei de onde tinha saído a barra da esquerda. “Da planilha do turno, a gente anotava à mão”, respondeu o coordenador da área, sem desconfiar do que tinha acabado de entregar. Já a barra da direita vinha do sistema novo, que entrou em operação no meio do projeto. Uma verificação antes e depois não se julga pelo tamanho da diferença. Ela se julga pela régua que produziu os dois números.
A credencial de auditor líder ISO 9000 que eu carrego, emitida pelo IRCA, não me ensinou nenhuma técnica nova. Ela me deu uma pergunta, e é a primeira que eu faço diante de qualquer resultado de melhoria. Não é se o indicador melhorou. É se os valores antes e depois saíram da mesma fonte. Depois, se saíram da mesma janela de tempo. E, por fim, se usaram o mesmo critério de contagem. Quando a resposta demora, o projeto já respondeu.
A peça que resolve isso tem nome e lugar. No Kobetsu Kaizen ela é o bloco de verificação, e no Kit de Ferramentas TPM ela é o passo 6 da fase Checar. É uma folha só. Nela entram o indicador de resultado e o indicador de atividade lado a lado, o veredito de cada meta e o ganho em reais validado por quem responde pelo dinheiro. Fecha com a relação benefício/custo realizada.
Aqui você vai ver o que entra em cada um dos quatro blocos da folha antes e depois. Vai ver também o que muda quando o OEE é aberto em Disponibilidade, Performance e Qualidade. Vai ver como se fecha o B/C real contra o estimado. E vai ver por quanto tempo o resultado precisa ser observado antes de alguém declarar vitória. São seis passos de preenchimento, sete erros que derrubam o ganho na banca e 13 registros preenchidos. Há um por setor, cada um com o PDF para baixar.
Sobre esses 13 registros, uma declaração antes de começar. Todos são projetos ilustrativos, assim declarados na folha de Kobetsu Kaizen que deu origem a cada um. Indicadores, valores, metas, vereditos e memórias de cálculo são os do documento. Não há alteração nem arredondamento meu. O que é real neles é a estrutura da verificação antes e depois. E é dela que este artigo trata.
O que é a verificação antes e depois
A verificação antes e depois é o documento que fecha um ciclo de melhoria. Ele registra o valor do indicador antes da intervenção, o valor depois dela e o veredito de cada meta. A garantia é que os dois números foram medidos do mesmo jeito. É a peça que autoriza a padronização.
Essa folha antes e depois ocupa a fase Checar do ciclo PDCA e nasceu dentro do Kobetsu Kaizen, o pilar de melhoria focada dos 8 pilares do TPM. O nome sugere uma tarefa simples: duas colunas, uma seta e a diferença em destaque. É justamente essa aparência de obviedade que faz a peça antes e depois ser preenchida no fim do projeto. Ela sai às pressas, com o número que estava mais à mão. E o número mais à mão quase nunca é o número comparável.
O que a verificação antes e depois faz de fato é registrar quatro coisas em uma página. Elas entram na ordem em que precisam ser defendidas. Nenhuma delas sobrevive sozinha.
| Bloco | O que entra | O que ele impede |
|---|---|---|
| 1. KPI e KAI antes e depois | o indicador de resultado e o indicador de atividade, no mesmo formato de gráfico usado na identificação da perda | atribuir ao projeto uma melhora que veio de outra coisa |
| 2. OEE decomposto e confiabilidade | Disponibilidade, Performance, Qualidade, MTBF, MTTR e número de quebras, com a fonte e a janela de cada linha | comemorar um OEE que subiu sem saber por qual das três parcelas |
| 3. Ganho validado e B/C real | memória de cálculo em reais por mês e por ano, com nome e data de quem validou, e o benefício/custo realizado | ganho de apresentação, que a controladoria não reconhece no orçamento |
| 4. Efeitos secundários | o que aconteceu com segurança, qualidade, prazo e custo fora do alvo declarado do projeto | ganho comprado com um problema novo criado em outro lugar |
Repare no que não está na tabela. Fora ficam o histórico do projeto e a lista de quem participou. Fora ficam também a foto da equipe e o agradecimento à diretoria. Tudo isso pertence ao relatório de encerramento. Não pertence à folha antes e depois. O relatório A3 tem espaço próprio para essas coisas. Numa folha antes e depois cada linha é uma afirmação que alguém vai conferir.
Comparar essa peça com um gráfico de resultado ajuda a ver a diferença. O gráfico sequencial mostra o comportamento do indicador ao longo do tempo. É ele que sustenta a leitura. A verificação antes e depois obriga a escrever, ao lado de cada linha, se a meta foi atingida, parcialmente atingida ou não atingida. Escrever parcial custa mais caro do que parece. E é exatamente por isso que ela existe. Vale o aviso de leitura: na folha em branco essa última coluna do bloco 1 vem impressa como variação em %, e é nela que os treze registros preenchidos escrevem o veredito, com a coluna renomeada para meta atingida.
Existe ainda uma função que ninguém escreve no cabeçalho. Ela é a mais útil no dia a dia. A folha antes e depois preenchida é o documento que a próxima área vai ler quando quiser copiar a solução. É dela que sai a padronização que o yokoten vai espalhar. Um yokoten sem verificação honesta multiplica uma prática que talvez nunca tenha funcionado. E espalhar rápido o que não funciona é o jeito mais caro de perder a confiança de um programa.
A régua: mesma fonte, mesma janela, mesmo critério
Três coisas precisam ficar congeladas entre os dois lados da folha antes e depois. A fonte do dado, que é o sistema ou o registro de onde o número sai. A janela, que é o período e a frequência de agregação. E o critério, que é a definição do que conta como ocorrência. Mudar qualquer uma delas produz variação que não veio do processo. É essa variação que contamina a comparação antes e depois.
Trocar a fonte é o desvio mais comum e o mais difícil de enxergar no fim. Um projeto que instala coletor automático no meio do caminho passa a contar eventos que o apontamento manual nunca registrou. O indicador pode até piorar no papel enquanto o processo melhora. O inverso também acontece. Nos dois casos a leitura antes e depois está quebrada.
Mexer na janela é mais silencioso. Ele desfaz a comparação antes e depois sem alarde. Comparar um trimestre inteiro contra as três melhores semanas depois da implantação é uma escolha que ninguém declara. Ela muda o resultado sem mudar um dado sequer. A regra prática é simples: a janela do depois tem o mesmo comprimento da janela do antes. E ela não começa antes de o processo novo estar rodando por completo.
Quando a medição é por amostra, e não por censo, o plano de amostragem entra na conta como quarta coisa a congelar. Tamanho de amostra, frequência de coleta e forma de sorteio precisam ser os mesmos dos dois lados. E se o projeto atacou só uma família de produto ou só um turno, a estratificação do antes tem que ser refeita no mesmo recorte. Sem isso, o número do depois está sendo comparado com uma média que inclui o que ficou de fora.
Mudar o critério é o desvio mais defensável e o mais perigoso. Alguém percebe, durante o projeto, que a definição antiga de defeito era ruim. Corrige a definição, e faz bem. Só que a partir daí os dois lados deixaram de falar da mesma coisa. O caminho correto é recalcular o antes com o critério novo, quando os dados brutos permitirem, e declarar isso na própria folha antes e depois.
Este é o assunto de um campo inteiro da estatística aplicada. Ele tem nome. No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma, o capítulo 23 se chama Análise do Sistema de Medição. Ele abre a página 231 definindo o MSA como "um conjunto de métodos e procedimentos que avaliam a capacidade de um sistema de medição em fornecer dados precisos e repetíveis". A mesma definição acrescenta que o método serve também para "identificar pontos de não conformidades e oportunidades de melhoria". A MSA nasce na fase de medição. É ela que a verificação antes e depois cobra de volta no fim.
A mesma página traz a epígrafe do capítulo, atribuída pelo livro a Douglas Montgomery: "Um sistema de medição confiável é a base para qualquer iniciativa de melhoria contínua. Sem ele, os esforços de qualidade são como construir uma casa sobre areia movediça". A frase costuma ser lida como advertência da fase Medir. Ela vale igual na fase Checar. E ali custa mais caro, porque já tem dinheiro contado em cima.
Na prática, cinco perguntas resolvem a conferência da régua antes de qualquer comparação. Elas cabem no rodapé da própria folha, e levam menos de dez minutos.
- De qual sistema saiu cada valor? Se as duas colunas não citam a mesma origem, a diferença entre elas não é do processo.
- Qual o comprimento de cada janela? Mesmo número de dias, semanas ou lotes dos dois lados. E sem recorte escolhido depois de ver o resultado.
- A definição do evento mudou? Se mudou, recalcule o antes com a definição nova ou registre a divergência em nota. Anote junto o tamanho estimado do efeito.
- Quem mede é o mesmo? Troca de turno, de inspetor ou de laboratório entra na conta como fonte diferente até prova em contrário.
- O denominador continua o mesmo? Percentual comparado sobre volumes muito diferentes engana. E o volume de cada janela antes e depois precisa aparecer escrito.
Quando alguma dessas respostas vier torta, ainda dá para salvar a verificação antes e depois. O que não dá é seguir em frente sem declarar. Uma folha que diz "o antes vem do apontamento manual e o depois do coletor, e por isso a parcela de ganho atribuível ao projeto está entre tanto e tanto" é muito mais forte do que uma folha limpa que esconde a troca. Auditor nenhum reprova declaração. O que reprova é a diferença que aparece sozinha.
KPI e KAI na mesma folha antes e depois
O primeiro bloco da folha antes e depois pede dois tipos de indicador, e não um. O KPI é o indicador de resultado, aquilo que a empresa quer ver mudar. São exemplos o percentual de retrabalho, o lead time, a taxa de erro e o OEE. O KAI é o indicador de atividade, aquilo que a equipe passou a fazer diferente. Entram aí a aderência ao plano de calibração, as auditorias realizadas, os checklists aplicados e as pessoas treinadas com proficiência comprovada.
A razão de os dois viverem na mesma folha cabe em uma frase que os treze registros preenchidos trazem na caixa que fecha a página: o KPI diz que o resultado veio, e o KAI diz de onde ele veio. Uma meta batida com o KAI parado é sorte ou é efeito de outra coisa que aconteceu no período. Um KAI cumprido com o KPI parado significa que a hipótese da causa estava errada. E essa é uma informação valiosa, não um fracasso.
Vale olhar as quatro combinações possíveis. Cada uma pede uma decisão diferente diante do quadro antes e depois.
| KAI | KPI | Leitura antes e depois | O que fazer |
|---|---|---|---|
| cumprido | melhorou | a hipótese da causa se sustentou | padronizar e passar para a sustentação |
| cumprido | parado | a atividade aconteceu e não moveu o resultado | voltar à análise de causa, não insistir na mesma ação |
| parado | melhorou | a melhora tem outra origem | não creditar ao projeto até identificar a fonte |
| parado | parado | o plano não foi executado | problema de gestão do projeto, não de método |
A terceira linha é a que mais gera discussão. É também a que mais protege o programa no médio prazo. Creditar ao projeto um ganho que veio de queda de volume, de troca de fornecedor ou de um lote atípico cria um número que ninguém consegue repetir depois. Quando o próximo projeto do mesmo pilar de melhoria focada prometer o mesmo tamanho de ganho, a diretoria vai cobrar com base no número inflado.
Aderência com denominador explícito é o KAI mais útil que eu encontro nas folhas preenchidas. Oito auditorias de oito previstas. Noventa e seis por cento das ordens de serviço com kit completo. Trinta e dois operadores de trinta e dois com proficiência avaliada. Percentual sozinho, sem o denominador ao lado, esconde amostra pequena demais para significar alguma coisa.
Isso vale para qualquer conjunto de indicadores de desempenho que entre na folha antes e depois. A meta ao lado de cada linha também precisa ter sido escrita antes. Ela vai no formato de metas SMART, com valor e prazo. Meta redigida depois de ver o resultado é a forma mais silenciosa de garantir que todas as linhas fechem em SIM.
Linha de veredito do bloco 1 em projeto ilustrativo. É ela que transforma a folha antes e depois em decisão; sem ela, o documento vira relatório de resultado.A coluna do veredito é a última a ser preenchida e a primeira a ser questionada.
Uma escolha de formato ajuda mais do que parece. O gráfico do depois tem que ser do mesmo tipo do gráfico usado na identificação da perda. Se a perda foi identificada em histograma, o depois vem em histograma. Se veio em carta de controle, o depois vem na carta, com os limites recalculados e declarados. Trocar o formato entre as duas pontas obriga o leitor a fazer a conversão de cabeça. E é nessa conversão que a comparação antes e depois se perde.
OEE decomposto e confiabilidade antes e depois
O bloco 2 existe porque um OEE agregado esconde de onde veio a variação. Subiu de 66% para 74% é uma boa notícia sem endereço. Aberto em Disponibilidade, Performance e Qualidade, o mesmo movimento antes e depois passa a dizer o que a equipe efetivamente mudou.
Num dos registros preenchidos, o de produção, a decomposição sai de 89% × 85% × 87% para 91% × 86% × 95%. As três parcelas subiram, mas a Qualidade subiu oito pontos percentuais enquanto as outras duas somaram três. O projeto atacava retrabalho no posto de fixação, e a decomposição confirma que o ganho apareceu onde a hipótese dizia que apareceria. Esse é o valor do bloco: ele testa a coerência interna do resultado antes e depois.
Quando o alvo é manutenção, a folha pede três linhas a mais na mesma lógica de coerência: MTBF, MTTR e número de quebras por mês. Elas se movem em direções diferentes conforme a natureza da intervenção, e a combinação é que conta a história.
- MTBF sobe e o número de quebras cai: a causa raiz foi atacada, o equipamento falha menos.
- MTTR cai e o MTBF fica parado: a equipe ficou mais rápida para reparar, e a falha continua acontecendo na mesma frequência.
- MTTR cai muito e as quebras sobem: sinal de reparo paliativo, com retorno da mesma falha em intervalo curto.
- Disponibilidade sobe sem que MTBF ou MTTR mudem: a melhora veio de fora da manutenção, provavelmente de programação ou de demanda menor.
A coluna que a peça reserva para "como foi medido, mesma fonte e mesma janela" ao lado de cada linha de confiabilidade não é burocracia. MTBF calculado sobre horas calendário e MTBF calculado sobre horas de operação programada dão números diferentes para o mesmo equipamento. Se a fórmula mudou entre os dois lados, a linha inteira precisa ser recalculada antes de entrar na folha.
Um detalhe de leitura que muda a conversa: nos tipos de manutenção que convivem numa mesma planta, parte da queda de corretiva costuma vir de plano de manutenção preventiva que já estava em implantação antes do projeto. Se foi assim, a folha antes e depois precisa separar as duas parcelas, ou o projeto leva crédito por uma decisão de gestão da manutenção tomada meses antes.
Vale lembrar o alcance dessa parte do documento. Ela mede confiabilidade do equipamento, e não o efeito da manutenção autônoma sobre a cultura do time, que aparece nos KAIs. Registro de verificação bom é aquele que separa as duas coisas em linhas diferentes, cada uma com sua fonte.
Em um dos registros de manutenção de elevadores, a carteira crítica sai de MTBF 47 dias para 104 dias, com MTTR de 3,4 h para 2,1 h e disponibilidade de 98,1% para 99,3%. Os três pares antes e depois se movem juntos, na direção prevista. Isso sustenta a leitura de que a causa foi atacada. Se o MTBF tivesse ficado parado, a mesma disponibilidade contaria outra história, bem mais frágil.
Ganho validado em reais e B/C real
O bloco 3 é o que separa um projeto de melhoria de um exercício de convencimento. Ele pede a memória de cálculo do ganho, o valor por mês, o valor por ano, o nome e a data de quem validou, e a relação benefício/custo realizada contra a que foi estimada na priorização.
No dinheiro vale a mesma exigência da régua do indicador. O ganho tem que ser calculado na mesma régua da valorização inicial da perda. Se a perda foi valorizada usando custo de hora parada de um valor, e o ganho aparece calculado com outro valor, a diferença entre os dois números não é ganho. É troca de premissa. A peça traz isso impresso: "O ganho só existe na mesma régua da valorização inicial". E completa: "mudou o custo de hora parada ou a janela de medição no meio, virou 'ganho de apresentação' e a banca (e a auditoria) derruba".
Validar significa assinatura de quem responde pelo número, e não concordância verbal em reunião. Na maioria das empresas isso é a controladoria ou o financeiro. A pessoa que valida não precisa concordar que o projeto foi bom. Ela precisa confirmar que o cálculo usa as mesmas premissas de custo que o orçamento usa. É uma conferência de contabilidade de custos dentro do gerenciamento de custos da empresa, e não um julgamento de mérito.
O B/C real fecha o bloco. Benefício anual validado dividido pelo custo total realizado, com o custo incluindo as horas da equipe, e não só o desembolso em contramedidas. Comparar o B/C real com o B/C estimado é a única forma de calibrar a priorização da próxima rodada. Se todos os projetos entregam metade do que prometeram, o problema está na estimativa, e não na execução. Quem quiser o passo a passo da conta pode seguir o roteiro de cálculo de retorno financeiro de projeto.
Nos 13 registros antes e depois que acompanham este artigo, o benefício declarado e o custo realizado ficam assim. Todos os valores são os do documento de origem, sem arredondamento.
| Registro | Benefício anual validado | Custo total realizado | B/C real |
|---|---|---|---|
| Produção | R$ 108 mil | R$ 12 mil | 9,0 (estimado 8,2) |
| Serviços | R$ 696 mil | R$ 62,5 mil | 11,1 |
| Saúde | R$ 486 mil | R$ 54 mil | 9,0 |
| Logística | R$ 576 mil | R$ 48 mil | 12,0 |
| Manutenção | R$ 528 mil | R$ 44 mil | 12,0 |
| Alimentício | R$ 826 mil | R$ 60 mil | 13,8 |
| Farmacêutico | R$ 470 mil | R$ 55 mil | 8,5 |
| Sustentabilidade | R$ 610 mil | R$ 70 mil | 8,7 |
| Hotelaria | R$ 180 mil | R$ 29,6 mil | 6,1 (estimado 7,0) |
| Financeiro | R$ 320 mil | R$ 28 mil | 12,1 (estimado 13) |
| Marketing | R$ 780 mil | não declarado na folha | não declarado na folha |
| Produção de elevadores | R$ 540 mil | R$ 65 mil | 8,3 |
| Manutenção de elevadores | R$ 1,18 milhão | cerca de R$ 317 mil | 3,7 (estimado 3,3) |
Duas leituras dessa tabela antes e depois valem mais do que a média. A primeira é o registro de hotelaria, um dos dois que fecham abaixo do estimado, com 6,1 contra 7,0. O outro é o de financeiro, com 12,1 contra 13. Um B/C que cai em relação à previsão e mesmo assim é declarado é sinal de folha honesta. A segunda é o de manutenção de elevadores, com o menor B/C do conjunto, 3,7, e o maior benefício absoluto, R$ 1,18 milhão por ano. Ele custou caro porque envolveu montar kit em 74 veículos.
O 3,7 desse último registro merece uma nota, porque é o tipo de número que faz alguém torcer o nariz numa comparação rápida. Um projeto com B/C 3,7 devolve mais de um milhão por ano e libera cerca de um técnico e meio por mês para a preventiva. Ele vale mais para a operação do que um projeto com B/C 13 que devolve sessenta mil. O benefício/custo ordena eficiência de investimento, e não tamanho de impacto. Quem usa só ele para priorizar acaba com uma carteira de projetos pequenos e baratos.
O payback entra como leitura complementar e costuma ser mais fácil de defender diante da diretoria. Nos registros preenchidos ele aparece em quatro casos: 1 mês no alimentício, 1,3 mês na produção de elevadores. E são 2 meses no farmacêutico, com cerca de 3 meses na saúde. Prazo curto tem uma vantagem prática sobre razão alta: ele reduz o tempo em que a premissa do cálculo pode envelhecer entre o valor de antes e o de depois.
Como preencher a folha antes e depois, passo a passo
A peça antes e depois tem seis passos de preenchimento, e a ordem importa. Pular o primeiro para chegar mais rápido ao terceiro é o erro que mais aparece nas revisões. O cálculo do ganho fica pendurado numa comparação que ninguém conferiu.
- Meça o mesmo indicador no mesmo formato de gráfico da identificação. KPI de resultado e KAI de atividade, os dois. Régua diferente não prova nada, e é por isso que este passo vem antes de qualquer outro.
- Abra o OEE em Disponibilidade, Performance e Qualidade, antes e depois. Em projeto de manutenção, some MTBF, MTTR e número de quebras, cada linha com a fonte e a janela declaradas.
- Valide o ganho em reais na mesma régua da valorização inicial. Com finanças ou controladoria, com nome, data e assinatura na folha.
- Feche o B/C real. Benefício anual validado dividido pelo custo total realizado, comparado com o estimado na priorização.
- Monitore tempo suficiente para separar melhoria de sorte. E cheque os efeitos secundários: segurança e qualidade têm prioridade absoluta sobre o ganho declarado.
- Escreva o veredito de cada meta. Atingida, parcialmente atingida ou não atingida, uma linha por meta, sem comentário atenuante ao lado.
Os dois primeiros passos rendem mais se forem feitos no gemba, com o dado na frente de quem o produz. Já o quinto e o sexto pedem sala fechada e calma. Essa divisão parece detalhe de agenda, e não é. Conferir a régua longe do processo é o que faz aparecerem os valores antes e depois que ninguém consegue rastrear depois.
O passo 5 é o que mais gera negociação, porque envolve esperar. Não existe número universal de semanas, e o que existe é um critério: a janela de observação precisa cobrir a variação normal do processo. Se a linha troca de produto seis vezes por mês, a janela tem que conter várias trocas. Se o ciclo de faturamento é mensal, duas semanas não dizem nada.
Os registros antes e depois mostram esse critério aplicado de formas diferentes, e a diferença é instrutiva. No alimentício foram duas semanas de piloto e três de acompanhamento, com seis trocas de produto dentro da janela. Na hotelaria, doze dias úteis entre 3 e 18 de agosto, com o tempo de liberação de quarto sempre entre 40 e 48 minutos. No marketing, doze semanas de rollout com a linha central da carta recalculada em 14,5% e nenhum ponto fora dos limites.
O farmacêutico é o caso em que a espera foi declarada como pendência, e não resolvida. A folha registra que a confirmação definitiva exige três meses de estabilidade na carta, prevista para fevereiro de 2027, e mesmo assim o resultado já foi verificado e assinado com o que existia. Declarar o que ainda falta é diferente de declarar vitória, e a folha comporta as duas informações na mesma página.
Só depois que os seis passos estão fechados a padronização faz sentido. É aí que a solução vira trabalho padronizado, entra em lição ponto a ponto para o treinamento no posto, ganha rodada de treinamento no próprio trabalho com quem opera e passa para o plano de controle. Padronizar antes da verificação antes e depois é congelar uma prática cujo efeito ninguém mediu.
13 exemplos de verificação antes e depois, setor a setor
Os 13 registros antes e depois abaixo vêm de folhas de Kobetsu Kaizen preenchidas, uma por setor, e cada um tem o PDF da peça para baixar. Todos se declaram projetos ilustrativos no próprio rodapé, e os números que aparecem aqui são os do documento, sem alteração.
Quadro da célula em projeto ilustrativo. Manter o gráfico da identificação ao lado da folha é o jeito mais barato de impedir a troca de régua entre o antes e depois.O mesmo gráfico do antes continua no quadro depois do fechamento, com a linha nova por cima.
Vale ler comparando o veredito, e não a magnitude. Cinco dos treze fecham com pelo menos uma meta em parcial, e esses são os mais úteis de estudar. Uma folha antes e depois em que todas as linhas dizem SIM ou é um projeto excepcional, ou é uma folha viciada. Nela, alguém escolheu as metas depois de ver o resultado. Programa de melhoria contínua maduro tem parcial na carteira, e sabe explicar cada um.
◆ PROJETO ILUSTRATIVO: ASSIM DECLARADO NA FOLHA DE KOBETSU KAIZEN DE ORIGEM. TODOS OS NÚMEROS ABAIXO SÃO OS DO DOCUMENTO, SEM ALTERAÇÃO. O QUE SE VERIFICA AQUI É A ESTRUTURA DA VERIFICAÇÃO, NÃO A OPERAÇÃO DE UMA EMPRESA REAL.
1. Produção: retrabalho no posto de fixação da montagem final
O projeto TP-2026-001 atacou defeito e retrabalho no posto de fixação. A perda foi valorizada em R$ 168 mil/ano, com janela de Mar/2026 a Jun/2026. O retrabalho sai de 12% das unidades para 4,3%, contra meta de 5%. A folha registra veredito de meta atingida, com queda de 64%. O ganho validado com a controladoria é de R$ 9 mil/mês, cerca de R$ 108 mil/ano, sobre custo de R$ 12 mil. Isso fecha B/C real de 9,0 contra 8,2 estimado.
Os KAIs fecham o raciocínio. As parafusadeiras passam de sem plano para 100% no plano de calibração do CIL. E as auditorias semanais de torque saem de inexistentes para 8 de 8 realizadas. Sem essas duas linhas, o resultado seria só uma diferença bonita entre duas barras.
A parte mais instrutiva está na decomposição do OEE. O indicador da montagem final vai de 66% a 74%, batendo os 73% pactuados, e as três parcelas registradas antes e depois vão de 89%, 85% e 87% a 91%, 86% e 95%. A Qualidade responde por quase todo o movimento, exatamente onde a hipótese da causa apontava.
Vale insistir num ponto que a folha deixa visível e que ninguém comemora na reunião. O OEE fechou em 74% contra meta de 73%, e a folga é de um ponto percentual. Disponibilidade e Performance andaram dois pontos e um ponto, enquanto a Qualidade subiu oito. Se a Qualidade tivesse andado no mesmo passo das outras duas, a meta desse segundo KPI cairia, com o retrabalho batido do mesmo jeito. É essa leitura que decide o próximo ciclo, porque a perda que sobrou está nas duas parcelas que quase não se mexeram.
2. Serviços: erros de faturamento no centro de serviços compartilhados
Em ambiente administrativo não existe OEE para decompor. A folha resolve isso decompondo o ganho por modo de falha. É o que faz o registro TP-2026-002, do centro de serviços compartilhados. A perda é de R$ 1,06 milhão por ano, e a janela vai de Jul/2026 a Dez/2026.
As faturas B2B com erro caem de 6,2% para 2,6% num censo de 100%, com a semana 51 já em 2,1%. A meta era 2,0%. O veredito escrito na folha é parcial, com a nota de que o indicador está em rota. Uma folha que aceita escrever parcial diante de uma queda de 55% é uma folha em que dá para confiar.
A memória de cálculo atribui cerca de 78% do ganho à taxa de erro, por reemissão e crédito evitados. O restante vem do prazo de recebimento menor. São R$ 58 mil/mês, cerca de R$ 696 mil/ano, sobre custo total de R$ 62,5 mil. O B/C real fecha em 11,1, com confirmação formal prevista após seis meses de sustentação.
Duas réguas de tempo completam o quadro antes e depois. O lead time entre aditivo assinado e tarifa no ERP despenca de 23 dias para 1,4 dia. A meta escrita era de 2 dias, com veredito de atingida. Já o prazo médio de recebimento vai de 62 para 57 dias, contra meta contratual de 48. Ele volta a aparecer como parcial. Os dois KAIs, aditivos parametrizados em D+2 e bloqueios tratados dentro de 24 horas, fecham em 100%.
3. Saúde: tempo de permanência no pronto atendimento
No pronto atendimento, dois KPIs fecham em parcial e um fecha em atingida. Vale ler nessa ordem, porque o parcial é o que ensina. O registro é o TP-2026-003, com janela de Jul/2026 a Dez/2026. A evasão do fluxo verde e azul cai de 6,2% para 3,1%, contra meta de 2,5%. O porta-alta médio vai de 4,9 h para 2,7 h, contra meta de 2,5 h.
O terceiro indicador é o que dá endereço ao ganho. As ocorrências de espera fora do padrão nas duas etapas atacadas caem de 370 para 96, queda de 74%. A memória de cálculo dá destino às 274 ocorrências eliminadas. Delas, 174 vieram da etapa do laboratório e 100 da reavaliação.
O valor validado com a controladoria soma evasão recuperada e capacidade assistencial liberada. São cerca de R$ 40,5 mil/mês, ou R$ 486 mil/ano projetados. O custo realizado é de R$ 54 mil, com B/C real de 9,0 e payback de cerca de 3 meses.
Nos KAIs, as amostras com etiqueta prioritária saem de sem prioridade e 94 min para 97% e 41 min. Isso fica abaixo do teto de 45 min. As reavaliações com checklist de critérios objetivos de alta saem de inexistentes para 100%. Cada linha de resultado tem uma linha de atividade que a explica. É isso que sustenta a leitura antes e depois.
4. Logística: erros de separação de pedidos no centro de distribuição
Este registro traz um veredito que quase não se vê em apresentação de encerramento: em rollout. O TP-2026-004 mede o erro de separação em duas escalas ao mesmo tempo, a das ruas do piloto e a do centro de distribuição inteiro. E declara que a segunda ainda não fechou.
No piloto, o erro cai de 4,1% para 1,3% dos pedidos, contra meta de 1,0%, com veredito parcial e queda de 68%. Em escala, a folha registra 2,8% de antes e 1,0% projetado, com a data de fechamento anotada. Projetar e declarar que é projeção é diferente de apresentar projeção como resultado.
A decomposição do ganho é o ponto alto. Do total, 62% da redução vem do modo item trocado, ligado ao scan, e 31% de quantidade divergente, ligado à trava. Em escala, o ganho projetado é de R$ 48 mil/mês, cerca de R$ 576 mil/ano. As reclamações caem de 210 para perto de 75 por mês. O custo fica em R$ 48 mil, com B/C real de 12,0.
O OTIF do recorte do piloto vai de 91% para 95,8%, contra meta de 96%. Ele fica em parcial por 0,2 ponto. Os dois KAIs, de scan executado e de confirmação de quantidade, saem de scan desativado e trava dormente e chegam a 99,6% e 99,2%.
Uma linha da folha existe só para proteger o resultado. Ela não mede ganho nenhum. A produtividade da separação recua de 118 linhas por hora para 116, para um mínimo pactuado de 114. A folha escreve atingida, com a nota de que a perda de 1,8% está dentro do limite. Sem esse par antes e depois, ninguém saberia se a qualidade foi comprada com vazão.
5. Manutenção industrial: tempo médio de reparo dos equipamentos críticos
Poucos vereditos de fechamento são tão honestos quanto o que abre este registro de manutenção industrial: praticamente atingida. No TP-2026-005, O MTTR do piloto, nas linhas 2 e 5, cai de 7,4 h/OS para 3,6 h/OS contra meta de 3,5 h/OS, queda de 51%. Faltou um décimo, e a folha não arredondou para atingida.
Na planta inteira, com os 22 equipamentos críticos, o MTTR sai de 6,8 h/OS para 4,0 h/OS, contra a mesma meta de 3,5. O veredito é parcial, com a nota de que o projeto está em expansão. Medir o piloto e a planta em linhas separadas evita que o número bom do recorte cubra o número intermediário do todo.
A parada corretiva da planta cai de 280 h/mês para 140 h/mês, exatamente na meta, com queda de 50%. Essa é a linha que sustenta o ganho em reais. É a única do bloco que fecha com o valor cravado no alvo.
A validação com o financeiro usa 140 h/mês de parada corretiva recuperadas a R$ 314/h. São cerca de R$ 44 mil/mês, ou R$ 528 mil/ano de produção recuperada. Sobre custo realizado de R$ 44 mil, o B/C real fecha em 12,0, em linha com o estimado na priorização.
Os KAIs registram ordens de serviço com kit completo em 96% e aderência às lições ponto a ponto em 92%. Os dois saem de inexistentes. É o que explica a queda do MTTR. A maior parte dela vem de espera de peça e diagnóstico, e não de rapidez do técnico.
As linhas de confiabilidade se movem juntas e na direção prevista. Esse é o melhor sinal de que a régua ficou parada. O MTBF passa dos 71 h para 87 h, acima do piso pactuado, que era 85 h. As quebras caem de 41 para 35 por mês. E a disponibilidade dos críticos passa de 91,2% a 95,6%, acima dos 95% combinados. Nenhuma delas contradiz as outras.
6. Alimentício: sobrepeso de envase na linha de biscoitos
Sobrepeso de envase é perda que sai pela porta da frente, embalada e faturada abaixo do que custou. O TP-2026-006 ataca isso na linha de biscoitos 02, entre Jul/2026 e Dez/2026. Ele leva a taxa de defeito de peso medida no checkweigher de 3,4% para 1,6%, contra meta de 1,4%.
O veredito é parcial, com queda de 53%. A folha explica o que falta: os 0,2 ponto até a meta dependem da carta por bico e do treinamento no posto do terceiro turno. Registrar o caminho que falta é o que impede a discussão de recomeçar do zero na próxima reunião.
O cálculo é direto e verificável. São 1,8 ponto percentual sobre 420 t/mês, o que dá 7,56 t/mês a R$ 8.182/t, cerca de R$ 62 mil/mês. Somam-se R$ 7 mil/mês de pacotes reprocessados e horas eliminadas, totalizando R$ 69 mil/mês ou R$ 826 mil/ano. Com custo de R$ 60 mil, o B/C real é 13,8 e o payback é de 1 mês.
Duas linhas protegem esse resultado e não somam nada ao ganho. O subpeso, que é o defeito crítico do ponto de vista legal, se mantém em zero nos dois lados da folha. E o produto recuperado do giveaway passa a somar 7,56 t/mês, contra nada antes, que é a tradução física do que foi medido antes e depois. Os KAIs mostram os ajustes manuais por deriva caindo de 92 para 6 ocorrências por mês, com aderência ao CIL do dosador em 100%.
7. Farmacêutico: tempo de liberação de lotes de sólidos orais
Aqui a verificação antes e depois convive com uma pendência declarada. O registro fica mais forte por causa disso. O TP-2026-007, da planta de Anápolis, derruba o prazo de liberação dos sólidos orais. Ele era de 12,5 dias e passa a 6,0, cravado na meta, com queda de 52%.
Os lotes liberados no prazo sobem de 58% para 90%, na meta. A taxa de defeito documental cai de 9,4% para 2,7% contra meta de até 3. E o estoque imobilizado em quarentena sai de R$ 8,2 mi para R$ 4,0 mi, também na meta.
Uma linha existe só para provar que o ganho não foi comprado. A incidência de desvio e resultado fora de especificação vai de 11% para 10,6% dos lotes, com a meta escrita como não piorar. Em ambiente regulado, acelerar liberação às custas de investigação seria o pior desfecho possível. A folha fecha essa porta explicitamente.
No bloco de atividade, a fila no laboratório fica fixada em até 24 h e o backlog em até 10 amostras. Os dois ficam dentro da meta. A validação com o financeiro soma o carregamento menor de quarentena às horas extras do laboratório que deixaram de existir. Chega a R$ 470 mil/ano, sobre custo de R$ 55 mil. O B/C real é 8,5, com payback de 2 meses.
O bloco de sustentação é o que eu mostraria numa banca. Ele diz que desde 04/11 nenhum lote ficou parado sem justificativa e que a carta diária está estável. Mas registra que a confirmação definitiva exige três meses de estabilidade na carta, prevista para fev/2027. Verificado hoje, confirmado depois, e os dois estados escritos no mesmo papel.
Vale uma parada aqui. Sete registros já passaram e nenhum deles fecha com todas as metas em SIM sem uma linha de ressalva. Repare também que o bloco de efeitos secundários aparece preenchido mesmo quando não houve efeito nenhum, com a frase que declara isso. Campo vazio nesse bloco não significa que estava tudo bem: significa que ninguém olhou.
8. Sustentabilidade: geração de resíduos em obra residencial
Obra é o ambiente em que a régua muda sozinha, porque a fase do empreendimento muda o perfil de resíduo. O TP-2026-008, do residencial Vista Serra, resolve isso com indicador normalizado por área. E declara o intervalo de semanas medido.
O consolidado das semanas 19 a 30 sai de 0,182 para 0,125 m³/m², contra meta de 0,13, com queda de 31%. O piloto dos pavimentos 8 a 10 sai do mesmo 0,182 para 0,128, contra meta de até 0,135. Medir o piloto e o consolidado na mesma unidade permite ver se o efeito sobreviveu à escala.
O índice de destinação com controle de transporte de resíduos sobe de 71% para 96%. É um indicador de conformidade legal, e não de custo. Ele entra na folha porque um ganho de material acompanhado de destinação irregular não seria ganho nenhum.
A validação com o financeiro soma R$ 461 mil/ano de material que deixou de virar entulho. Entram também R$ 149 mil/ano de caçamba, transporte e destinação evitados, cerca de 1.550 m³/ano a R$ 96/m³. O total fica em aproximadamente R$ 610 mil por ano. Com custo de R$ 70 mil, o B/C real é 8,7. A folha ainda registra cronograma de 20 meses mantido e zero retrabalho nos revestimentos.
Dois pares de KAI sustentam o resultado. O primeiro traz pedidos por quantitativo em 100%, com sobra de argamassa em até 0,3 m³ por pavimento. O segundo traz CIL do silo cumprido em 98% dos dias, com segregação nas baias em pelo menos 90%.
Fecho por onde este registro fica acima da média dos treze. Os near miss no manuseio de entulho caem de nove por trimestre para dois. Essa linha pertence ao bloco de efeitos secundários e mostra o caso feliz. Nele, o comparativo antes e depois de segurança melhora junto com o de material, em vez de piorar.
9. Hotelaria: liberação de quartos no housekeeping
Este é um dos dois registros, entre os treze, que fecham o benefício/custo abaixo do estimado. É por isso que ele merece leitura atenta. O TP-2026-009, do Altavia Hotel Centro, entrega B/C real de 6,1 contra 7,0 previsto na priorização, e escreve os dois números lado a lado.
A janela de observação está declarada na própria folha: 12 dias úteis, de 03 a 18/08. As médias ficam entre 40 e 48 minutos, consolidando 43 contra 74 da baseline. O controller validou R$ 9,45 mil/mês de early check-in recuperado mais R$ 5,55 mil/mês de hora extra evitada. São R$ 15 mil/mês, ou R$ 180 mil por ano, sobre custo total de R$ 29,6 mil.
Os dois indicadores de atividade desse registro não têm baseline, e a folha assume isso em vez de esconder. O recall de limpeza aparece só no depois, em 1,4% contra teto de 2. O CIL cumprido e as etiquetas no prazo marcam 98% e 100%. Sem número antes, essas linhas não provam evolução. Elas provam que a rotina que segura o resultado existe e está sendo medida, que é o que faltava para o tempo de liberação não voltar aos 74 minutos do começo.
O resultado em si é forte. Vale ler depois do custo, justamente para não se encantar com ele. O tempo médio de liberação de quarto medido no PMS cai de 74 para 43 min, ante uma meta escrita em 45. A queda é de 42%. As pequenas paradas dos equipamentos de lavanderia caem de 209 para 35 por mês. O MTBF do conjunto secadora e calandra vai dos 6 h para 41 h. E o MTTR cai de 19 para 8 min. Os quartos prontos até as 15h vão de 62% para 96%, com a nota nas OTAs subindo de 8,1 para 8,7.
10. Financeiro: glosas nas medições de obra faturadas a clientes corporativos
Glosa é defeito de informação que vira custo financeiro, e o registro de medições de obra trata as duas faces na mesma folha. No TP-2026-010, as medições glosadas caem de 14,2% para 5,9% num censo de 100%, contra meta de 6,0, com queda de 58%.
Somados, são R$ 225 mil/ano de custo financeiro evitado, referentes a 9 dias a menos de ciclo. A isso se junta R$ 95 mil/ano de retrabalho eliminado. O total chega a R$ 320 mil por ano, o que representa 94% da perda valorizada. O custo realizado foi de R$ 28 mil, com B/C real de 12,1 na faixa do 13 estimado. A auditoria formal da controladoria está agendada para jan/2027.
Uma linha desse registro pede atenção antes de comemorar. Todos os indicadores de resultado fecham em SIM, mas o KAI das medições enviadas até o dia 25 para em 80%. Resultado atingido com a atividade em 80% é resultado que ainda depende de esforço individual, e não de rotina instalada. Enquanto esse número não subir, o veredito vale para a janela medida e não para o ano inteiro.
Duas outras linhas dão endereço ao número. O prazo médio de recebimento acompanha, indo de 61 para 52 dias, ante um teto contratado de 54. O retrabalho das três equipes cai de 1.180 para 460 horas por ano, queda de 61%. No bloco de atividade, a adesão ao checklist por contratante sai de 0 para 100%. E as medições enviadas até o dia 25 saem de sem padrão para 80%.
11. Marketing: conversão de leads em visitas agendadas em lançamentos imobiliários
Nem toda verificação antes e depois fecha com B/C, e esta é uma delas. O TP-2026-011 registra o ganho capturado como corte de mídia de 22% mantendo o volume de visitas, R$ 65 mil/mês ou R$ 780 mil/ano. Não declara custo total nem razão benefício/custo. Isso deixa incompleto o bloco do ganho validado em reais. Quem for copiar este modelo tem aí o campo a preencher.
O KPI de conversão de lead em visita em 7 dias sobe de 8,4% para 14,8%, contra meta de 14,0, com ganho de 76%. As duas réguas de tempo de execução acompanham. O lead time da primeira resposta cai de 6h40 para 11 min, contra meta de até 15 min. E o atendimento fora do padrão vai de 100% para zero.
No bloco de atividade entram capacitação e cadência. A proficiência avaliada na matriz de habilidades sai de 0 de 32 para 32 de 32 pessoas. A primeira resposta em até 15 min fica em 96% e a adesão à cadência em 100%.
A sustentação é medida em carta, e não em média. Essa é a forma mais segura de comparar antes e depois quando o indicador é percentual. O piloto fica em 13,6% contra 8,4% da baseline. Após o rollout são 12 semanas, da 27 à 38, com valores entre 13,5% e 15,8%. A linha central foi recalculada em 14,5%, sem nenhum ponto fora dos limites.
12. Produção de elevadores: retrabalho na montagem de portas de pavimento
Uma linha desta folha não existe nas outras doze. É a mais interessante do conjunto. Ela se chama régua EEM e mede tempo até o patamar estável: antes, 8 meses sem atingir o patamar de projeto; depois, 12 semanas. O indicador não é o defeito, é a velocidade com que a linha chega ao nível desenhado.
O retrabalho antes da expedição cai de 11,6% para 4,8%, contra meta de 5,0, com queda de 59%. Em unidades, as portas retrabalhadas saem de cerca de 348 para cerca de 144 por mês. Os kits de obra com pendência caem de 6,2% para 1,9%, contra meta de até 2,0.
Os KAIs registram soldas dentro da tabela em 96% e gabaritos verificados semanalmente em 100%. O ponto de partida era um estado com 14 combinações sem tabela. É a atividade que explica os dois KPIs de uma vez.
A validação soma R$ 289 mil/ano de retrabalho direto evitado, calculados sobre cerca de 204 portas/mês a R$ 118. Entram ainda R$ 250 mil/ano de multas contratuais e fretes extraordinários evitados. O total fecha em R$ 540 mil/ano. Com custo de R$ 65 mil, o B/C real é 8,3 e o payback é de 1,3 mês.
A folha ainda registra uma leitura de custo do ciclo de vida que raramente aparece numa comparação antes e depois. O ferramental corrigido evita aproximadamente 680 mil reais de retrabalho induzido ao longo de 5 anos. Esse valor está declarado como estimativa, fora do B/C, com confirmação formal da controladoria prevista para fev/2027.
13. Manutenção de elevadores: rechamadas em contratos de preventiva
Fechar o maior benefício absoluto do conjunto com o menor benefício/custo é o retrato de um projeto que precisou de investimento pesado para funcionar. O TP-2026-013 devolve cerca de R$ 1,18 milhão por ano e fecha B/C real de 3,7.
As rechamadas em 30 dias caem de 8,9% para 4,1% das preventivas, contra meta de 4,5, com queda de 54%. Em volume, isso significa sair de cerca de 872 para cerca de 402 por mês.
A carteira crítica mostra o efeito na confiabilidade com as três linhas se movendo juntas. O MTBF sobe de 47 para 104 dias, contra meta de pelo menos 90. O MTTR cai de 3,4 h para 2,1 h, contra meta de até 2,5. E a disponibilidade média sobe de 98,1% para 99,3%, acima do mínimo contratual de 99.
No bloco de atividade, o checklist concluído aparece em 98% das preventivas e o kit completo na conferência em 96%. Os dois saem de sem padrão. O kit é justamente o item que pesa no custo, porque teve de ser montado em 74 veículos.
A memória de cálculo usa 470 rechamadas/mês evitadas a R$ 210, doze vezes no ano. O custo total realizado é de cerca de R$ 317 mil, sendo cerca de R$ 259 mil de kits e R$ 58.300 de contramedidas. O payback fica abaixo de 4 meses, e o B/C real de 3,7 fica na faixa do 3,3 estimado na priorização.
Uma última linha vale por si: a hora técnica liberada pelo MTTR menor equivale a cerca de 1,5 técnico por mês devolvido à preventiva. A folha registra esse ganho como não monetizado, e não o soma ao benefício. Contar duas vezes o mesmo efeito é o jeito mais comum de inflar um B/C sem mentir em nenhuma linha isolada.
Sete erros que derrubam o ganho na banca
Esta lista sai da experiência de auditar sistemas de gestão e de participar de bancas de encerramento de projeto. Nenhum dos sete tem a ver com o tamanho do resultado. Todos têm a ver com a construção da comparação antes e depois.
- Trocar a fonte do dado no meio do projeto. Coletor automático que entra depois do baseline, sistema novo, planilha que virou relatório. Se aconteceu, declare a troca e estime o tamanho do efeito.
- Escolher a janela do depois olhando o resultado. As três melhores semanas não são o depois. Mesmo comprimento dos dois lados, definido antes de olhar.
- Mudar a definição do evento sem recalcular o antes. Corrigir a definição é certo; comparar as duas definições entre si é errado.
- Apresentar OEE agregado sem decompor. Sem Disponibilidade, Performance e Qualidade separadas, não dá para saber, no par antes e depois, se o ganho veio de onde a hipótese dizia.
- Calcular o ganho com premissa de custo diferente da valorização inicial. É o erro que a dica do especialista chama de ganho de apresentação, e o que a controladoria derruba mais rápido.
- Fechar sem KAI. Resultado sem indicador de atividade não distingue efeito do projeto de efeito do acaso, e não sobrevive à primeira pergunta sobre repetibilidade.
- Deixar o bloco de efeitos secundários em branco. Ganho de produtividade comprado com risco de segurança ou com queda de qualidade não é ganho, e o campo vazio não protege ninguém.
Existe um oitavo erro que não entra na lista porque não é do preenchimento, e sim do calendário: verificar cedo demais. O processo novo tem um período de atenção elevada logo depois da implantação, em que todo mundo faz certo porque está sendo observado. Medir a diferença antes e depois dentro dessa janela captura o efeito da atenção, e não o da contramedida.
O antídoto é olhar o comportamento do indicador no controle estatístico do processo em vez de olhar a média do período. Pontos dentro dos limites recalculados, sem tendência e sem sequência, sustentam a leitura. Média melhor com dispersão maior costuma ser sinal de que a causa continua viva e apenas mudou de frequência. Quando o indicador é de especificação, a capabilidade do processo recalculada diz isso de forma mais direta do que a média antes e depois.
Nenhum desses erros é de má-fé, e por isso mesmo eles voltam. Rodar os 5 porquês em cima do erro de preenchimento, e não só em cima do problema do processo, costuma revelar prazo curto de banca e ausência de conferência cruzada da folha antes e depois. São duas causas que se resolvem com agenda.
Eu aprendi isso do lado errado da mesa. O meu primeiro projeto de melhoria foi um White Belt na Votorantim Metais, no zinco, depois de bater na porta do Master Black Belt da unidade para perguntar como é que aquilo funcionava. Levei o antes e o depois prontos, orgulhoso da conta que eu tinha fechado sozinho. A primeira pergunta dele não foi sobre o resultado. Foi sobre a régua, e eu não soube responder de cabeça. Voltei, refiz com a mesma fonte dos dois lados e o ganho encolheu. O projeto seguiu de pé, e eu nunca mais montei uma folha começando pelo depois.
Quando um desses erros aparece na revisão, a saída não é refazer o projeto. É voltar o indicador para a régua original, recalcular os dois lados e reescrever o veredito. Já vi projeto que caiu de meta atingida para parcialmente atingida nessa correção e continuou sendo um bom projeto. O que não sobrevive é a folha que foi defendida com o número inflado e desmentida três meses depois.
Modelo de verificação antes e depois para baixar
A folha em branco tem duas páginas e segue a mesma sequência que este artigo percorreu. Os cinco passos de preenchimento abrem a frente, os blocos 1 e 2 vêm logo abaixo deles, e os blocos 3 e 4 ficam no verso. Ela foi desenhada para receber os valores antes e depois à mão na reunião de fechamento, com o gráfico do antes na mesa.
A peça que a gente publica no Kit de Ferramentas TPM é a folha C11, do passo 6 da fase Checar. Ela traz os quatro blocos com os campos já nomeados. Vem junto a coluna de "como foi medido, mesma fonte e mesma janela" ao lado de cada linha de confiabilidade. Traz também o espaço da memória de cálculo com nome e data de quem validou, e o campo onde o B/C real entra junto com a nota de sustentação.
Uma recomendação de uso que vale mais do que o formulário em si: preencha o bloco 1 na frente da equipe, e não depois. A discussão sobre de onde saiu cada número acontece melhor com as pessoas que coletaram o dado na sala. Feita por escrito e sozinho, ela vira suposição.
A dica que fecha a peça é curta e direta: "O ganho só existe na mesma régua da valorização inicial". Guardei essa frase de tanto ver o contrário acontecer.
Depois de preenchida e assinada, a folha tem dois destinos. Um é o registro de lições aprendidas do programa, para calibrar a próxima priorização. O outro é a auditoria, interna ou de certificação, onde ela passa a ser a evidência de eficácia que abriu este texto. Uma folha antes e depois bem-feita responde à pergunta do auditor antes de ele fazer.
Quem trabalha com auditorias reconhece o padrão na hora. Em sistema certificado pela família ISO 9000, a eficácia da ação corretiva é um requisito com evidência obrigatória. A ISO 9001 cobra essa análise de eficácia no requisito 10.2, e o registro antes e depois é a evidência mais barata de produzir, junto com o projeto. Montada depois, para atender o auditor, ela leva as duas horas mais caras do trimestre.
Quem precisa formar, de uma vez, o time que preenche a folha e o time que audita encontra essa trilha nas academias de certificação da Voitto, dentro do Lean Seis Sigma. E se você quer sair daqui com uma coisa feita hoje, escolhe o projeto que fecha este mês, imprime a folha e preenche o bloco 1 antes da reunião de fechamento. É meia hora que tira o seu resultado da conversa do achismo e coloca ele na conversa da evidência.
