Cartão vermelho do 5S: como usar no Seiri, com 13 exemplos e modelo para imprimir
A etiqueta que decide o que sai da área no primeiro senso: gatilho, prazo de defesa, quem decide e o registro de descarte, lidos em 13 áreas.
Entrei na MRS como trainee, e o 5S chegou ao meu trabalho pelos programas de melhoria contínua da ferrovia. Foram quatro promoções em quatro anos, e passei dois anos na coordenação de operações, chefiando os inspetores que chefiam os maquinistas. A convicção que ficou é que o programa ganha ou perde a confiança da equipe no primeiro senso. Tudo se decide no dia em que alguém prende um cartão vermelho num item que outra pessoa guardava. O cartão vermelho é a etiqueta que marca o item em dúvida, diz por que ele foi marcado e propõe um destino. O jeito de usá-la decide a adesão ao resto do programa.
A dica impressa no modelo do Kit 5S cabe em três palavras: na dúvida, etiqueta. A etiqueta vermelha não condena o item. Ela convida o dono a defendê-lo, com prazo, e impede que alguém jogue fora sozinho o que é de todos. O guia do programa 5S explica os cinco sensos. Aqui o assunto é só o primeiro, com o cartão e o registro de descarte que o acompanha.
A gente leu o Seiri dos 13 casos do Kit 5S, que somam 1.408 cartões tratados. O guia tem o que o livro diz sobre o senso de utilização e sete achados dos casos. Tem também a tabela das treze áreas, os cinco passos para usar o cartão vermelho, os exemplos preenchidos com PDF e o modelo em branco para imprimir.
O que é o cartão vermelho do 5S
O cartão vermelho do 5S é a etiqueta que marca, durante o Seiri, todo item cuja necessidade na área está em dúvida. Ele registra o que é o item, onde estava, por que foi marcado e o destino proposto. Depois leva o item a uma decisão registrada: descartar, devolver, vender, realocar ou manter.
O nome cartão vermelho não aparece no Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt. O que o capítulo 5, “5S: a base da qualidade”, descreve na página 37 é o critério que a etiqueta aplica. Sobre o primeiro senso, o livro diz: “Significa ‘uso’, ou seja, corresponde à definição de materiais considerados relevantes e que agregam valor ao processo, bem como a eliminação ou realocação do que for desnecessário”. O objetivo vem na mesma página: “identificar e descartar objetos desnecessários no ambiente de trabalho, ganhando espaço e tempo, além de reduzir riscos com lesões dos funcionários”.
Ainda na página 37, o livro manda avaliar cada item por três critérios. Pergunta se ele é necessário, em que quantidade e com que frequência é usado. A consequência vem logo depois: “deve-se descartar o que não será utilizado, realocar itens e manter os que são necessários”. O cartão vermelho é o jeito de fazer essa avaliação por escrito, item por item, e de guardar a resposta.
Em inglês a prática se chama red tagging. O léxico do Lean Enterprise Institute tem um verbete próprio para ela. No Brasil, o mesmo instrumento aparece como cartão vermelho ou etiqueta vermelha. As duas grafias querem dizer a mesma coisa.
O que 13 registros de descarte mostram
No plano mestre de cada um dos 13 casos, a gente separou três trechos do Seiri. São o critério do cartão vermelho, a linha do registro com os cartões e os destinos, e a nota do primeiro senso na entrada e na saída. Sete coisas se repetem, e algumas contrariam o que o modelo em branco sugere.
- O prazo do gatilho vai de 30 dias a 2 anos. A doca de expedição etiqueta o que ficou 30 dias sem uso. O posto de enfermagem e o escritório usam 60 dias, a ferramentaria e o almoxarifado farmacêutico usam 90. A sala de pesagem usa 3 meses, a oficina e a rouparia usam 6. A base de elevadores usa 12, e o financeiro, 2 anos. O prazo segue o giro do item, e o modelo deixa esse campo em branco. É a primeira decisão da área.
- Nem todo gatilho é de tempo. O marketing etiqueta o que não tem uso previsto nos próximos 12 meses, olhando para a frente. A central de resíduos etiqueta o que está fora de baia, olhando para o lugar. A rouparia soma um critério de qualidade: peça abaixo do padrão também recebe etiqueta.
- Vencido não espera prazo. Em 4 áreas o vencimento tem regra própria, fora do relógio do cartão. São a sala de pesagem, almoxarifado farmacêutico, doca e posto de enfermagem. O item é segregado na hora, e o descarte sai com registro.
- Quem etiqueta não decide sozinho. Em todos os casos, o destino passa por uma segunda assinatura ou por uma regra escrita. As duplas são planejador e dono do item, líder e supervisor, farmacêutica e garantia da qualidade, técnica de meio ambiente e mestre de obras, jurídico com a tabela de temporalidade. É o comitê do modelo em escala de área piloto.
- Manter aparece em só 6 das 13 áreas. O modelo prevê manter o item depois da defesa do dono. Seis áreas registram itens mantidos, 108 no total, e as outras sete não registram nenhum. O documento não diz se ninguém defendeu ou se a categoria ficou sem uso.
- Os destinos não cabem nas cinco opções do modelo. Aparecem doação em 3 casos, reciclagem em 1, devolução ao fornecedor em 1 e envio ao arquivo central em 1. Vender, que o modelo prevê, aparece uma vez só, com recicláveis vendidos a uma cooperativa.
- Quase nenhuma linha do Seiri registra m². A dica do modelo pede o espaço liberado em metros quadrados, e o total do registro tem esse campo. Nos casos, o ganho físico do Seiri aparece em armários esvaziados, caçambas e quilos de sucata. Só o posto de portas anotou área na evidência do Seiri, 11 m² livres. A ferramentaria mediu 9 m², mas só no balanço final do projeto.
Em todas as áreas, o primeiro senso saiu de uma nota entre 25% e 40% para uma entre 85% e 95%. A régua dessa nota é assunto das auditorias, não deste guia. Um caso contado do começo ao fim, com o Seiri no meio, está no case de 5S em serviços.
As 13 áreas lado a lado
Cada linha resume o cartão vermelho de uma área. Traz o gatilho, quem decide o destino, quantos cartões foram tratados, para onde os itens foram e a nota do primeiro senso antes e depois do Seiri.
| Área (caso ilustrativo) | Gatilho do cartão | Quem decide | Cartões | Destinos | 1S antes → depois (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Ferramentaria (produção) | 90 dias sem uso | Líder com o supervisor de produção | 121 | 48 sucata, 31 devolvidos, 27 realocados, 15 mantidos | 35 → 95 |
| Sala de pesagem (alimentício) | 3 meses sem uso; vencido na hora | Qualidade registra o descarte | 77 | 31 utensílios e 18 insumos vencidos descartados, 16 devolvidos, 12 realocados | 35 → 95 |
| Almoxarifado de insumos (farmacêutico) | Vencido ou 90 dias sem giro | Farmacêutica com a garantia da qualidade | 68 | 29 em descarte controlado, 21 reciclados, 12 realocados, 6 ao fornecedor | 30 → 95 |
| Doca de expedição (logística) | 30 dias sem uso; cinta vencida na hora | Líder do 5S com o dono do item | 138 | 52 descartados, 34 cintas e catracas vencidas, 29 devolvidos, 23 realocados | 30 → 90 |
| Oficina (manutenção) | 6 meses sem uso | Planejador com o dono do item | 156 | 61 sucateados, 38 devolvidos, 33 realocados, 24 mantidos | 25 → 90 |
| Pré-montagem de portas (produção de elevadores) | 6 meses sem ordem de produção | Engenharia de processos no sucateamento | 143 | 48 sucateados, 31 devolvidos, 37 realocados, 27 mantidos | 30 → 95 |
| Base e vans (manutenção de elevadores) | Mais de 12 meses sem giro | Planejamento de peças | 127 | 58 ao CD, 26 sucateados, 31 realocados, 12 mantidos | 30 → 90 |
| Posto de enfermagem (saúde) | 60 dias sem uso ou vencido | Farmácia como testemunha do descarte | 84 | 32 vencidos descartados, 28 devolvidos, 24 realocados | 30 → 95 |
| Escritório (serviços) | 60 dias sem uso | Supervisor com o analista administrativo | 96 | 38 descartados, 27 devolvidos, 22 realocados, 9 doados | 40 → 90 |
| Sala, arquivo e rede (financeiro) | Caixa sem consulta há mais de 2 anos | Jurídico, pela tabela de temporalidade | 104 | 61 expurgadas, 24 ao arquivo central, 19 mantidas | 40 → 90 |
| Estúdio e almoxarifado (marketing) | Sem uso previsto em 12 meses | Gerente aprova a doação | 93 | 38 lotes doados, 27 descartados, 17 realocados, 11 mantidos | 35 → 90 |
| Rouparia central (hotelaria) | 6 meses fora de giro ou abaixo do padrão | Governanta, com conferência da controladoria | 89 | 34 lotes baixados, 22 devolvidos, 19 realocados, 14 descartados | 30 → 90 |
| Central de resíduos (sustentabilidade) | Resíduo fora de baia | Técnica de meio ambiente com o mestre de obras | 112 | 48 retriados, 27 de madeira reaproveitada, 22 vendidos, 15 perigosos licenciados | 25 → 85 |
Em 10 das 13 áreas, a maior pilha é o descarte, com algum nome (sucata, baixa, expurgo). As três exceções contam alguma coisa. Na base de elevadores, a peça parada ainda tem valor e volta ao centro de distribuição. No marketing, o brinde da marca antiga serve para alguém e vira doação. Na central de resíduos, o item já é resíduo. O trabalho é retriar o entulho e mandar cada fração para o destino certo.
E quem assina o destino, afinal? A terceira coluna responde, e conta outra história. Onde o item tem dono fora da área, como a TI, a farmácia ou o jurídico, esse dono entra na decisão. Onde o item é da própria área, a decisão fica com uma dupla interna. A etiqueta nunca basta sozinha.
Como usar o cartão vermelho em 5 passos
Os cinco passos abaixo seguem a ordem do modelo S06 e o que os casos mostram na prática. Eles valem para uma área piloto; numa área maior, repita a sequência por setor.
- Escreva o critério antes de imprimir o primeiro cartão. Defina o prazo sem uso que dispara a etiqueta, a regra para vencido e quem assina cada destino. O prazo muda muito de uma área para outra. Parta do giro real do item, não de um número padrão.
- Faça a varredura com a regra do modelo: na dúvida, etiqueta. A varredura é um gemba walk com etiqueta na mão. Preencha no cartão vermelho o item, a quantidade, onde estava, o motivo (sem uso há tantos meses, quebrado, duplicado ou não pertence à área), a data, o responsável e o destino proposto. O cartão fica preso ao item até a decisão.
- Leve o que puder para uma área de espera demarcada. Item etiquetado parado no mesmo lugar volta ao uso sem ninguém perceber. Separado e visível, ele vira assunto. Vencido e item de risco não passam por aqui: saem na hora, com registro.
- Dê prazo para a defesa e decida em comitê. O modelo sugere 30 dias: item sem defensor nesse prazo ganha destino. O comitê pode ser a dupla que a regra da área nomeou. Manter só vale com uso comprovado pelo dono.
- Feche o registro consolidado. Some os itens etiquetados, descartados, devolvidos, realocados e mantidos, e anote o espaço liberado em m². É esse total que prova o Seiri na auditoria e na hora de pedir espaço.
Ver o cartão vermelho e o registro de descarte em branco que esses passos preenchem
O próprio modelo traz um cartão preenchido como exemplo, o CV-001. É uma talha manual de 1 t guardada como reserva no corredor 2, sem uso há 8 meses, com o almoxarife como responsável e a proposta de realocar para a oficina central. Vale olhar para ele antes da primeira varredura. Ele mostra o nível de detalhe de que o comitê precisa para decidir sem ir até o item.
- Etiquetar sem critério escrito: cada item vira debate de opinião, e o Seiri empaca no terceiro armário.
- Jogar fora durante a varredura: quem perde um item que usava deixa de confiar no programa inteiro.
- Deixar o cartão vermelho sem data. Sem data não existe prazo de defesa, e o item fica etiquetado por meses.
- Esquecer o registro: sem o consolidado, ninguém prova depois o que saiu, para onde foi e quanto espaço sobrou.
O livro apresenta os três primeiros sensos juntos, e eles funcionam como um bloco. O cartão vermelho resolve o primeiro. O que fica na área passa para a ordenação, e o que foi ordenado passa para a limpeza. Por isso a regra da ferramentaria proíbe comprar antes de terminar o Seiri.
13 exemplos de cartão vermelho preenchidos, com PDF para baixar
Cada exemplo mostra o Seiri de uma área, do problema de partida até a nota final, passando pela regra do cartão, por quem decidiu e pelo destino do que saiu. O PDF de cada um traz o registro de descarte do caso. São exemplos preenchidos a partir dos 13 casos do Kit 5S (ilustrativos), sem nome de empresa nem de pessoa.
1. Produção: sucata no meio da ferramenta boa
A ferramentaria da linha de montagem tem 52 m² e uma equipe de 6 pessoas sob um líder de produção. Cada operador perdia 22 min por dia procurando ferramenta, uma conta acima de R$ 30 mil por ano, e a área teve 2 quase-acidentes em 2025. Havia coisa parada ali havia mais de 1 ano.
O 1S partiu de 35%, e a bancada explicava a nota: sucata misturada com ferramenta boa. Bastou um critério curto para separar as duas. Item sem uso há 90 dias ganha o cartão vermelho. O martelo fica com o líder e o supervisor de produção, e sucata só sai com romaneio.
O líder e 2 preparadores trataram os 121 cartões de 02 a 20/mar. Desses, 48 foram para sucata, num romaneio que pesou 640 kg. Outros 15 ficaram depois de análise, 27 mudaram de lugar e 31 voltaram ao almoxarifado.
O projeto inteiro marcou 89% ao terminar, em 26/jun. Sobraram 9 m², um a mais que os 8 m² da meta, e procurar ferramenta passou a levar 5 min.
A regra mais dura do plano não estava no cartão: nenhuma compra nova antes do fim do Seiri. A equipe teve de descobrir o que já tinha antes de pedir mais, e o Seiri terminou em 95%. É a regra que eu levaria para qualquer área.
2. Alimentício: dois relógios na sala de pesagem
Na sala de pesagem, o cartão vermelho funcionou com dois relógios. Utensílio sem uso há 3 meses recebia a etiqueta e esperava a decisão. Insumo vencido não esperava nada. Saía da prateleira no mesmo dia e ia para um descarte registrado pela qualidade, jamais para o lixo comum.
A área é tocada pela supervisora do turno da manhã, com 2 pesadores e uma analista da qualidade. As prateleiras guardavam utensílios de receitas descontinuadas e 18 insumos vencidos ou sem identificação, dividindo espaço com o que ia para o lote. O cuidado ali é sanitário, e não só de espaço. Todo insumo descartado passa pela assinatura da qualidade.
A varredura correu de 02 a 13/fev. Ela fechou 77 cartões. O descarte levou 31 utensílios fora de uso e os 18 insumos vencidos, estes com registro formal. O almoxarifado recebeu de volta 16 itens, e 12 mudaram de lugar. A evidência é uma planilha com dupla assinatura, junto com os registros de descarte. Nesse intervalo, a nota do Seiri subiu de 35% para 95%.
No balanço de 18/mai a sala marcava 91%. As não conformidades desceram de 9 para 1 por mês. Pesar um lote virou tarefa de 7 minutos, quando antes eram 12.
3. Farmacêutico: 480 posições conferidas uma a uma
O almoxarifado de insumos tinha 6 desvios por trimestre e um retrato que ninguém gostava de ver, com lote vencido ao lado de lote aprovado.
São 90 m² e 480 posições, e o inventário levava 6 h. Na entrada, o 1S valia 30%.
A meta que o cronograma escreveu para o Seiri foi direta, zero vencido em prateleira. A triagem andou posição a posição, de 09 a 20/mar. O gatilho do cartão vermelho juntou validade e giro: vencido, ou sem giro há 90 dias. Para descartar, duas assinaturas, a da farmacêutica e a da garantia da qualidade, além do registro.
Saíram 68 cartões: 29 vencidos foram para descarte controlado, 21 embalagens obsoletas foram recicladas, 12 itens mudaram de posição e 6 voltaram ao fornecedor.
O programa chegou a 92% até 26/jun, com 95% no senso de utilização. Os desvios zeraram, o FEFO ficou em 100% em 8 checagens semanais e o inventário coube em 2h30.
A planilha foi feita por lote, com fotos, e sustenta a rastreabilidade de tudo o que saiu, até os 6 itens que voltaram ao fornecedor.
4. Logística: 30 dias de prazo na doca 3
Numa doca de expedição o espaço gira todo dia, e o prazo acompanha esse ritmo. Na doca 3, bastavam 30 dias parado para o item levar o cartão vermelho. A palavra final era da líder do 5S, ouvido quem usava o item.
A equipe era pequena: a supervisora, 2 conferentes, um operador de empilhadeira e um auxiliar. O que atrapalhava eram paletes quebrados, sobras de embalagem e um transpalete parado ocupando posição. Cinta vencida tinha regra à parte. Amarrar carga com cinta fora da validade é risco de carga solta. Ela era segregada na hora, sem prazo de defesa.
Foram dois mutirões entre 06 e 17/abr, com 138 cartões. Os descartes somaram 52 itens e encheram 2 caçambas. Das cintas e catracas vencidas, 34 saíram com registro; 29 itens retornaram ao almoxarifado e 23 foram realocados. O destino dos itens ficou numa planilha assinada, e o mural recebeu as fotos datadas.
A doca atingiu 85% em 27/jul, depois de um Seiri que levou a nota de 30% a 90%. A taxa de avaria desceu a 1,1%, contra 2,8% antes. O carregamento encurtou de 42 para 31 minutos. O corredor de emergência está 100% livre desde 15/jun.
5. Manutenção: peças de máquinas que não existem mais
A oficina de manutenção tratou 156 cartões em três mutirões de sábado. A nota de entrada do 1S era 25%.
O que ocupava a oficina era herança. Peças de máquinas que não existem mais, 3 equipamentos parados há mais de 1 ano e ferramentas danificadas misturadas às boas.
A regra dava 6 meses sem uso para a etiqueta. A decisão cabia ao planejador de manutenção com o dono do item. Equipamento não sai só com um cartão. Sucatear exige baixa formal no ativo, e foi o que aconteceu com os 3. Participaram 2 mecânicos, um eletricista e o almoxarife.
No registro, 61 itens foram sucateados, os 3 equipamentos incluídos, 38 voltaram ao almoxarifado central, 33 foram realocados e 24 ficaram com endereço novo.
Mantido, aqui, quer dizer mantido em outro lugar. Em 22/jun, a auditoria geral da oficina registrou 84%, com 90% no Seiri. Achar uma ferramenta, que tomava 18 min, virou coisa de 4.
6. Produção de elevadores: gabaritos de modelos que saíram de linha
No posto de pré-montagem de portas, cada setup levava 34 min, e 21 deles eram de procura. Com 5 a 7 trocas por dia, o tempo perdido pesava. O posto ainda registrava 14 peças erradas por mês.
Aqui o cartão vermelho não conta dias de uso, conta ordem de produção. Dispositivo sem OP há 6 meses recebe a etiqueta. No posto havia 52 dispositivos e gabaritos de modelos descontinuados. O desafio era não sucatear o que um pedido ainda podia exigir. A engenharia de processos dava o aval, porque conhece a carteira de cada modelo.
Entre 02 e 20/mar, o líder do 1º turno fechou 143 cartões. Com o aval, 48 dispositivos viraram sucata. Outros 37 ganharam posição nova, 31 voltaram ao ferramental central e 27 continuaram no posto, cada um com endereço.
A auditoria de 25/jun deu 88% ao posto, e a nota de utilização, que partira de 30%, bateu 95%. O setup desceu para 19 min, a peça errada para 4 por mês, e 11 m² foram liberados e demarcados.
7. Manutenção de elevadores: a base que devolveu peça ao CD
Uma regra de cartão vermelho precisa de exceção escrita. Na base de manutenção de elevadores, ela cabe numa linha: item crítico de contrato não sai, mesmo sem giro.
O gatilho valia para peça parada havia mais de 12 meses. A devolução ao centro de distribuição passava pela validação do planejamento de peças. O Seiri cobriu a base e o kit das 12 vans, de 06 a 30/abr, sob o supervisor.
O problema de fundo era o retorno, que estava em 14%. Na base havia 58 peças sem giro há mais de 1 ano, ferramentas em triplicata e material de outra base.
Dos 127 cartões, 58 peças voltaram ao CD, 26 foram sucateadas com registro, 31 foram realocadas dentro da base e 12 ficaram depois de revisão.
As notas de transferência me convencem mais que qualquer foto: a maior pilha foi a das peças que voltaram ao CD, e cada uma tem papel.
A base deixou o Seiri com 90% no primeiro senso, contra 30% na entrada. O programa bateu 85% no dia 28/jul, e o retorno baixou para 5%.
As sete primeiras áreas são de chão de fábrica, armazém e manutenção. Ali quase tudo que recebe etiqueta é peça, ferramenta, dispositivo ou embalagem. As seis seguintes são de serviço, escritório e canteiro. Nelas o item marcado vira material hospitalar, caixa de arquivo, brinde, enxoval ou resíduo. O destino passa com mais frequência por alguém de fora da equipe.
8. Saúde: posto de enfermagem com a farmácia de testemunha
São 4 equipes em escala 12x36 dividindo o posto de enfermagem da ala B, que atende 22 leitos. Num posto assim, eu olharia primeiro para o material vencido, porque ali ele chega ao paciente. Havia 32 vencidos, e achar um material levava 4,5 min.
O critério escrito tem duas entradas, 60 dias sem uso ou vencimento, e uma saída controlada. Material vencido deixa a ala apenas com registro e com alguém da farmácia como testemunha, como pede a norma de resíduos de saúde. A devolução à farmácia tem formulário próprio.
A farmacêutica esteve no posto de 12 a 23/jan, e a triagem somou 84 cartões: os 32 vencidos descartados com registro e testemunha, 28 itens devolvidos à farmácia e 24 realocados. Lote e validade de cada item estão na planilha, e os formulários de devolução completam a evidência.
Da entrada à saída, o 1S foi de 30% a 95%. Em 28/abr o posto marcava 90%, não havia um vencido sequer, e achar qualquer material levava 1 min.
9. Serviços: o cartão vermelho que volta para a TI
O escritório da operação tem 48 posições para 72 atendentes em 3 turnos. É ali que o cartão vermelho encontra a TI. Equipamento fora de uso volta para a TI com registro, e ninguém da área o descarta por conta própria.
Antes do Seiri, preparar um posto levava 15 min e achar um documento, 12 min. Uma auditoria de cliente chegou a esperar 40 min.
O time juntou supervisor, analista administrativo e TI, de 02 a 20/fev. Documento não saía por cartão, e sim pela tabela de temporalidade. Junto da planilha foi anexado o registro do file server, porque parte do descarte era digital.
Os 96 cartões tiveram quatro destinos: descarte para 38, devolução à TI ou ao almoxarifado para 27, posição nova para 22 e doação para 9.
Resultado da área em 12/mai: 86% no programa e 90% no senso de utilização, que entrara com 40%. Deixar um posto pronto custa 4 min; nenhum documento demora mais de 1 min para aparecer. Na rede, 3,1 mil arquivos ficaram em quarentena, à espera do expurgo.
10. Financeiro: 104 caixas e uma tabela de temporalidade
No financeiro, o cartão vermelho foi preso em caixa de arquivo. O prazo se contava em anos: caixa sem consulta há mais de 2 anos.
A área guardava 104 caixas sem critério e contratos com até 5 cópias, espalhados entre a sala, o arquivo físico e as pastas de rede. Algumas caixas eram de obras encerradas há mais de 8 anos.
Papel não se joga fora por opinião. O expurgo só podia seguir a tabela de temporalidade validada pelo jurídico. Foi com esse apoio que a coordenadora, 2 analistas e uma assistente trabalharam de 02 a 20/mar.
As 104 caixas receberam cartão, e a tabela mandou expurgar 61. Outras 24 seguiram para o arquivo central e 19 ficaram. Na rede, as duplicatas só foram eliminadas depois de um backup de 30 dias. Cada fragmentação tem termo assinado.
O financeiro somou 87% na auditoria final, feita em 26/jun, cinco pontos sobre os 82% pedidos, com nota 90% no Seiri depois de começar em 40%. Um documento que levava 9 min sai em 1,5, e 40% da sala de arquivo ficou livre.
Para mim, o destino manter se entende melhor nesta sala: quem decidiu as 19 caixas foi a tabela validada pelo jurídico, e não o apego de quem trabalha ali.
11. Marketing: uso previsto no lugar de uso passado
Em marketing, a pergunta que dispara a etiqueta andou ao contrário. Em vez de medir há quanto tempo o item está parado, a regra olhou para a frente. A etiqueta ia para o item que ninguém planejava usar nos próximos 12 meses.
No estúdio e no almoxarifado promocional, 40% dos itens estavam nessa situação, muitos deles brindes e lonas da marca anterior ao rebranding de 2024. Montar o kit de um evento levava 3 h, e são 2 a 3 eventos por mês. A analista sênior que tocou o 5S tinha mais duas regras. Marca antiga sai sem exceção, e brinde em bom estado vira doação aprovada pela gerente.
De 06 a 24/abr foram 93 cartões: 38 lotes de brindes obsoletos doados, 27 lonas e banners vencidos descartados, 17 itens realocados para o estúdio e 11 mantidos. Os termos de doação são a evidência.
Com 35% de 1S no começo e 90% no fim, o projeto encerrou em 10/jul com 86%. A montagem de um kit de evento caiu de 3 h para 1h10.
12. Hotelaria: a rouparia que etiquetou peça abaixo do padrão
Peça de enxoval tem dois caminhos até o cartão vermelho na rouparia central: ficar 6 meses fora de giro ou perder a qualidade que a casa exige. Uma peça em pleno giro também pode receber o cartão.
A governanta executiva tinha dois números para derrubar. Montar um carro de andar levava 25 min, 7 vezes por dia, e sumiam 45 peças por mês. Havia 2 armários entulhados e a linha antiga misturada com a atual.
A rouparia fez a triagem de 02 a 13/mar, peça por peça, e chegou a 89 cartões. Foram baixados 34 lotes fora de giro, 240 peças ao todo; 22 voltaram a outros setores, 19 foram realocados e 14 foram descartados. Os 2 armários ficaram vazios.
A medição de 12/jun deu 88% à rouparia, acima da meta de 85%. No primeiro senso, a rouparia começou em 30% e terminou em 90%. O carro de andar se monta em 11 min, e o extravio recuou para 17 peças por mês.
Enxoval é patrimônio, e a controladoria conferiu cada termo de baixa que a governanta assinou.
13. Sustentabilidade: resíduo fora de baia no canteiro de obras
Na central de resíduos do canteiro, o que aciona a etiqueta é a posição: resíduo fora de baia recebe cartão vermelho, tenha a idade que tiver. Quem decide o destino é a técnica de meio ambiente com o mestre de obras.
O problema tinha número e custo. Só 54% do resíduo saía segregado, 14 caçambas circulavam sem manifesto e a destinação custava R$ 11,8 mil por mês.
O pátio levou 2 semanas, de 06 a 17/abr, para ser triado. O saldo foi de 112 cartões: 48 viraram entulho retriado, 27 foram madeira reaproveitada ou doada, 22 foram recicláveis vendidos à cooperativa e 15 foram resíduos perigosos mandados para destinação licenciada.
As 14 caçambas foram regularizadas, e o transporte ganhou regra fixa: nenhuma sai sem manifesto emitido e arquivado.
Na última auditoria (28/jul), a central marcou 82%, com o 1S subindo de 25% para 85%. A segregação foi a 93% e a conta mensal ficou R$ 3,2 mil menor.
O registro de descarte encosta na lei nesse ponto: o manifesto de cada caçamba prova que o resíduo chegou aonde devia.
Para onde vai o item marcado
A página 38 do livro dá a regra de distância para o que fica. Os equipamentos usados de hora em hora, diz o texto, “devem ser mantidos ao alcance das mãos de quem vai operá-los”. Os itens usados uma vez por semana ou algumas vezes ao mês “não precisam ficar sempre ao alcance, mas devem ser mantidos no local de trabalho”. E “os elementos que raramente são usados devem ser guardados em um estoque distante, designado para uso daquele departamento.”
A Figura 5.4 do livro completa o quadro para o que não é necessário. Sem uso potencial, vender ou dispor; útil ou valioso, transferir para onde é útil. As cinco decisões do registro de descarte cobrem esse quadro. São elas descartar ou sucatear, devolver ao estoque, vender, realocar para outra área e manter, esta só depois da defesa.
Gosto de pensar no cartão vermelho como um disjuntor. Ele não conserta nada. Corta o circuito por um tempo, para que alguém olhe o item com calma antes de religar ou desligar de vez. Quem arranca o item da tomada durante a varredura, sem etiqueta e sem prazo, economiza uma semana e perde a confiança da equipe.
Descartar também tem regra fora da empresa. A Política Nacional de Resíduos Sólidos exige destinação ambientalmente adequada. É por isso que a central de resíduos não deixa sair caçamba sem manifesto e o posto de enfermagem só descarta vencido com testemunha da farmácia. Na ferramentaria, a sucata sai com romaneio. O registro do cartão vermelho liga a decisão da área ao papel que a lei pede.
Ferramentas que andam com o cartão vermelho
O cartão vermelho é a porta de entrada do processo de implantação do 5S. As datas do Seiri costumam vir do cronograma de implantação. Para ver os cinco sensos em sequência, o guia de metodologia 5S e o de 5S no ambiente de trabalho são o melhor começo. A relação com o resto do sistema está em 5S e Lean.
No almoxarifado, o cartão vermelho conversa com a gestão de estoque e com o giro de estoque. O gatilho de prazo é, na prática, uma leitura do giro. Depois do Seiri, o inventário cíclico mantém o que ficou em ordem. O FIFO evita que o vencido volte para o fundo da prateleira. No escritório, o equivalente é a organização de arquivos, com a tabela de temporalidade no lugar do prazo de uso. Os desperdícios de escritório mostram o que a etiqueta costuma achar ali. Para decidir onde fica o que sobrou, os tipos de armazenagem ajudam a separar o que vai ao alcance da mão do que vai para o estoque distante.
O que a etiqueta vermelha ataca tem nome no Lean. Estoque parado e movimentação à toa estão entre os 8 desperdícios. Na parede, a área de espera e o total do registro são gestão à vista. Na oficina, o Seiri é o primeiro passo da manutenção autônoma. E, com o espaço que sobrou, o layout do posto pode ser redesenhado, o SMED aproveita as ferramentas no lugar certo e o trabalho padronizado fixa onde cada coisa fica. Para o ganho não voltar, o ciclo de PDCA e SDCA mostra quando parar de melhorar e começar a manter.
Baixe o modelo em branco do cartão vermelho
O modelo S06 do Kit 5S tem duas páginas. A primeira traz os cartões para recortar, e a segunda, o registro consolidado que fecha o Seiri.
O cabeçalho traz o líder do 5S, a área piloto e a data da varredura. Cada folha tem quatro cartões, com número, item, quantidade, localização, motivo, data, responsável e destino proposto. A segunda página é o registro consolidado, com a decisão do comitê para cada item, o destino e a data, e embaixo os totais do descarte, incluindo o espaço liberado em m².
Ver e baixar o modelo em branco
Imprima em papel colorido ou use etiqueta vermelha de verdade: o cartão vermelho precisa ser visto de longe. Prenda com lacre ou barbante, e não com fita que solta. Numere os cartões em sequência para que o registro feche com a contagem da varredura.
Se o seu Seiri começa agora, escreva o critério nesta semana, antes de imprimir qualquer coisa. Combine também com a área quem assina cada destino. Se a tarefa for levar o programa à empresa inteira, as academias de certificação dão a formação para liderar esse trabalho.
