Metodologias & Qualidade

Metodologia 5S: o que é, os 5 sensos, como implantar e planilha de auditoria

Os cinco sensos explicados com o livro, as cinco etapas de implantação, uma dinâmica para engajar a equipe e uma planilha de auditoria com radar e evolução de 12 meses para baixar.

Thiago Coutinho
Publicado em 1 de abr de 2022  ·  Atualizado em 9 de out de 2026  ·  18 min de leitura
Capa do artigo com foto da Voitto e o texto Metodologia 5S: o que é, os 5 sensos, como implantar e planilha de auditoria sobre fundo escuro à esquerda

Na Votorantim Metais, eu trabalhei no programa de manutenção autônoma e passei por uma formação internacional com uma empresa japonesa certificadora de TPM. A manutenção autônoma começa pela limpeza inicial do equipamento, feita pelo próprio operador, e é ali que fica claro por que o 5S vem antes: com a área cheia de coisa sem uso e sem lugar definido, a limpeza não revela defeito nenhum. No TPM, a metodologia 5S é a base: só o necessário na área, cada coisa no seu lugar e uma limpeza que serve para enxergar defeito.

Essa ordem me marcou porque contraria o jeito como o assunto costuma chegar às empresas. O 5S chega como mutirão de sexta-feira, com sacos de lixo, fita amarela e foto de antes e depois. Três meses depois a área voltou ao que era, e alguém conclui que o programa não funciona na empresa. Quase sempre faltou o que vem depois da faxina: régua, dono e rotina.

Este guia junta o que você precisa para fazer direito. Ele explica o que é o programa e cada um dos cinco sensos, com o que o meu livro diz sobre eles. Mostra as cinco etapas de implantação e uma dinâmica de vinte minutos para abrir o programa com a equipe. E traz uma planilha de auditoria em Excel, com nota por senso, radar e curva de doze meses, para você medir em vez de achar.

O que é a metodologia 5S

A metodologia 5S é um programa de organização do local de trabalho baseado em cinco sensos japoneses: Seiri (utilização), Seiton (organização), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização e saúde) e Shitsuke (disciplina). Ela elimina o que sobra, dá endereço ao que fica, transforma limpeza em inspeção e sustenta o padrão com auditoria periódica.

No Guia Prático Lean Seis Sigma, o capítulo 5 tem um título que resume a minha posição: “5S: A Base da Qualidade”. Logo na página 35 eu escrevi que “a filosofia 5S é reconhecida por muitos como a base para qualquer programa orientado à qualidade e à satisfação de clientes de uma organização”. Base, aqui, quer dizer o que vem primeiro e o que segura o resto.

A origem é o Japão do pós-guerra. O livro registra que a filosofia surgiu por volta da década de 1950, diante da desorganização e da sujeira das fábricas. O Brasil iniciou sua implantação em 1991. Primeiro vieram as empresas privadas, depois os órgãos públicos. O glossário do Lean Enterprise Institute traz um detalhe que pouca gente conhece. A Toyota tradicionalmente fala em apenas quatro esses, sem o Shitsuke.

O 5S serve tanto para chão de fábrica quanto para escritório. O próprio capítulo lembra que ele vai do layout da produção até a organização de dados e arquivos num computador. Uma pasta de rede com dez versões do mesmo relatório tem o mesmo problema de uma bancada com três chaves iguais e nenhuma no lugar.

Os cinco sensos, um por um, com o que fazer em cada um

Os nomes japoneses assustam mais do que deveriam. Cada senso responde a uma pergunta simples sobre a área, e a ordem importa: os três primeiros mudam o espaço, os dois últimos mudam o hábito. O livro recomenda começar pelos três primeiros e só depois expandir para os outros dois.

SensoTradução usualPergunta que ele respondeEntrega visível
SeiriUtilizaçãoIsto precisa estar aqui?Área só com o necessário e destino dado ao resto
SeitonOrganizaçãoOnde isto mora?Endereço, etiqueta e demarcação para cada item
SeisoLimpezaDe onde vem a sujeira?Fonte de sujeira tratada e limpeza que acha defeito
SeiketsuPadronização e saúdeComo qualquer um confere o certo?Foto-padrão, padrão visual e regras de segurança à vista
ShitsukeDisciplinaQuem garante que continua?Checklist em uso, auditoria no calendário e desvio tratado

Seiri: senso de utilização

O primeiro senso separa o necessário do desnecessário e dá destino ao que sobra. O livro propõe três perguntas para cada item da área: se ele é mesmo necessário, quantas unidades precisam ficar e a cada quanto tempo alguém o usa. A resposta define onde o item fica. O que se usa de hora em hora fica ao alcance da mão. O que se usa algumas vezes no mês fica no local, mas não à mão. E o que raramente se usa vai para um estoque mais distante.

Classificação do senso de utilização: itens necessários ficam mais perto ou mais longe conforme a frequência de uso, e itens desnecessários são vendidos, descartados ou transferidos para onde são úteis
A classificação do Seiri redesenhada a partir da Figura 5.4 do capítulo 5 do livro: a frequência de uso decide a distância, e o item sem uso ganha um destino.

A ferramenta que torna isso justo é o cartão vermelho. Todo item em dúvida recebe um cartão e vai para uma área de quarentena com prazo. De lá, só sai com decisão registrada: descartar, devolver, vender, realocar ou manter. Sem quarentena, o descarte vira briga entre quem quer jogar fora e quem tem apego. Com ela, vira critério.

Seiton: senso de organização

Com a área enxuta, o segundo senso define um lugar para cada coisa e deixa esse lugar visível. O livro fala em padronizar objetos, usar cores de identificação, etiquetar armários e estantes, numerar documentos e marcar locais de risco. A pergunta de teste é prática: alguém de fora da área acha o item em menos de trinta segundos, sem perguntar? O artigo sobre organização e etiquetagem no Seiton mostra três jeitos de endereçar, por coordenada, por classe ou por kit.

Seiso: senso de limpeza

Aqui mora a frase do capítulo que eu mais gostaria que as empresas levassem a sério. Na página 39 está escrito que “a limpeza deve ser encarada como um modo de inspeção, pois quando o local de trabalho e os equipamentos estão limpos, as oportunidades de detectar falhas são maiores”. Quem limpa com atenção acha o vazamento, a folga e o parafuso que sumiu antes da quebra.

O segundo movimento do Seiso é atacar a fonte. Limpar a mesma sujeira toda semana é trabalho sem fim. Vedar o dosador que espalha pó ou corrigir o dreno que molha o piso acaba com ela. O padrão e o cronograma de limpeza, com áreas, responsáveis e frequência, estão no artigo sobre o padrão de limpeza do Seiso.

Seiketsu: senso de padronização e saúde

O quarto senso transforma o estado bom em padrão que qualquer pessoa confere de longe. No livro ele aparece como senso de saúde, com atenção à segurança, à ergonomia e ao bem-estar. É nessa fase que se faz o plano de manutenção dos três primeiros sensos. Na prática da fábrica, as ferramentas são a foto-padrão do estado ideal, a demarcação e a gestão à vista. O padrão visual da área detalha o que publicar e onde.

Shitsuke: senso de disciplina

O último senso é o que mais se confunde com virtude pessoal. O livro pede que a disciplina seja incorporada por todos os colaboradores, e não só pela direção. Indica três atitudes para isso: treinar, estimular a criatividade com recurso para testar as ideias e premiar o esforço conjunto. Disciplina, nesse sentido, é rotina com dono, checklist em uso e auditoria que acontece na data. A rotina de disciplina do Shitsuke mostra como montar esse ritual.

Por que o 5S vem antes do Lean, do TPM e do Seis Sigma

Tente medir o tempo de setup numa área em que a ferramenta muda de lugar todo dia. O cronômetro vai registrar procura, e não setup. Tente calcular a capacidade de um processo cujo método varia de turno para turno. A variação do jeito de trabalhar esconde a variação do processo. É por isso que a organização vem primeiro: ela tira o ruído que impede qualquer outra ferramenta de medir direito.

No Lean Manufacturing, a arrumação é pré-condição para fluxo, trabalho padronizado e gestão visual. Ela também ataca de frente alguns dos 8 desperdícios: movimentação, espera e estoque parado. No TPM, a limpeza com inspeção é o primeiro passo da manutenção autônoma, exatamente o ponto em que eu conheci o assunto. E num projeto Seis Sigma, área desorganizada produz dado ruim.

Isso não quer dizer que o 5S resolve tudo. Uma operação arrumada pode continuar lenta, porque ordem e fluxo são coisas diferentes. Quem quer entender onde um começa e o outro termina encontra a comparação completa em 5S e Lean. O programa prepara o terreno. A obra vem depois.

Como implantar o programa 5S em cinco etapas

O capítulo do livro organiza a aplicação em cinco etapas. Elas valem para uma sala de 20 m² e para uma planta inteira, desde que a planta comece por uma área piloto. Abaixo, cada etapa com o que entregar e qual modelo do kit usar.

1. Planejamento do programa

É a etapa de escolher a área piloto, aquela em que o resultado aparece rápido e serve de argumento para expandir. Também se definem os envolvidos e as iniciativas. Na prática, três decisões vêm antes de qualquer etiqueta: quem responde pelo programa, qual área começa e o que acontece quando o padrão não é cumprido. As regras do programa registram esse combinado, e o diagnóstico inicial da área dá a nota de partida com os mesmos 25 itens que vão medir a saída.

2. Sensibilização do time

É o momento de explicar para todas as partes por que a área vai mudar e o que cada um ganha com isso. Uma apresentação de slides costuma render pouco. O que funciona é fazer as pessoas sentirem a diferença no próprio corpo, e para isso a dinâmica da seção seguinte resolve em vinte minutos.

3. Implantação prática e o Dia D

O livro descreve o Dia D como “o dia em que todos se propõem a reorganizar as suas iniciativas”. É o mutirão do 5S, com hora marcada, cartão vermelho em mãos e quarentena demarcada. A recomendação é aplicar primeiro utilização, ordenação e limpeza e só depois expandir para padronização e disciplina. O plano mestre guarda a implantação inteira numa folha, da área escolhida à consolidação.

4. Estratégias para manutenção e continuidade

O livro chama esta de “etapa crítica do processo, que demanda atenção e regras de monitoramento e controle”. E cita equipes de auditores fiscalizando se os padrões se mantêm. É aqui que a planilha de auditoria entra, e é aqui que a maior parte dos programas morre, por falta de calendário e de régua.

5. Celebração, valorização e reconhecimento

A última etapa costuma ser cortada por parecer supérflua. Não deveria. Reconhecer a equipe que segurou o padrão é o argumento mais forte para convencer a área vizinha, e é a área vizinha que transforma um piloto em programa. O passo a passo semana a semana está no guia de como implantar na empresa. Ele traz o cronograma de dez semanas e o responsável de cada entrega.

Dinâmica 5S: o jogo dos números para abrir o programa com a equipe

Eu aprendi na marra, errando e batendo cabeça, que a teoria convence pouco quem está no chão da operação. A minha formação acadêmica ficava longe do que acontecia na prática. Por isso gosto tanto desta dinâmica: em vinte minutos, ela faz a equipe sentir o efeito dos dois primeiros sensos sem ouvir uma palavra em japonês.

Quem conduz é o gestor da área, sozinho. O material é uma tela ou um projetor com quatro imagens. A tarefa é sempre a mesma: em 30 segundos, encontrar em sequência os números de 1 a 49.

Rodada 1, a área como está. Mostre a primeira imagem, com números de vários tamanhos espalhados e misturados a números acima de 49. Ao fim dos 30 segundos, pergunte até onde cada um chegou. Quase ninguém passa da metade.

Jogo dos números da dinâmica de sensibilização, primeira rodada: números de 1 a 90 espalhados sem ordem pela tela
Rodada 1: a área como está, com o que serve misturado ao que não serve.

Rodada 2, o Seiri. Tire da imagem os números acima de 49, que não servem para a tarefa, e mantenha os demais na mesma posição. Mesma tarefa, mais 30 segundos. O grupo vai mais longe, e alguns terminam.

Jogo dos números, segunda rodada: só os números de 1 a 49 continuam na tela, ainda fora de ordem
Rodada 2: o que não serve saiu da área, e o que ficou não mudou de lugar.

Rodada 3, o Seiton. Organize os números em nove quadrantes, de forma que cada número esteja num quadrante e o seguinte no próximo. Nenhum par de números consecutivos fica no mesmo quadrante. A busca vira um percurso previsível.

Jogo dos números, terceira rodada: os números de 1 a 49 distribuídos em nove quadrantes, com números consecutivos em quadrantes vizinhos
Rodada 3: cada coisa no seu lugar, com uma regra de endereço que todos entendem.

Rodada 4, o padrão. Mostre os números em ordem, como num painel padronizado. Todo mundo cumpre a tarefa em menos de 30 segundos.

Jogo dos números, quarta rodada: os números de 1 a 49 dispostos em sequência, como num padrão visual
Rodada 4: com padrão, a tarefa deixa de depender de quem é mais rápido.

Feche a dinâmica com uma pergunta: onde, na nossa área, a gente está na rodada 1? A resposta costuma vir com exemplos concretos, e esses exemplos viram a lista de partida do Dia D. Vale anotar também quem chegou mais longe na rodada 1. Na operação, essa é a pessoa que decorou a bagunça, e o padrão vai libertá-la de ser a única que acha as coisas.

Como medir a metodologia 5S: planilha de auditoria para baixar

Programa sem número vira opinião. Uma área parece arrumada para quem passou por lá no dia da visita, e desarrumada para quem trabalha no turno da noite. A auditoria resolve isso com uma régua única: os mesmos itens, a mesma escala e, se possível, um auditor de fora da área.

Exemplo preenchido da planilha de auditoria da metodologia 5S, com a nota por senso, o radar e a curva de 12 mesesPlanilha gratuita: auditoria de cinco sensos com radar e evolução. São 25 itens, cinco por senso, cada um com o critério escrito para as notas de 0 a 4. As fórmulas somam o subtotal de cada senso, calculam o percentual, a nota geral de 0 a 100, a faixa de leitura e o senso limitante.

O radar compara a auditoria de entrada com a atual. A aba de evolução registra doze auditorias mensais contra a meta. Na aba de plano de ação, você digita o número do item e a planilha traz o texto e a nota dele. O exemplo preenchido usa um almoxarifado fictício. O arquivo dispensa macro e funciona em Excel, LibreOffice ou Google Planilhas: toque na miniatura, confira o exemplo em tamanho grande e faça o download.

Os 25 itens são os mesmos do checklist de auditoria R11 do kit da Voitto, na mesma ordem. Assim, quem preenche no papel e quem preenche na planilha usa a mesma régua. A escala também vem do checklist. Zero significa item inexistente. Um é tentativa sem constância. Dois vale para o que só acontece em um pedaço da área ou em alguns dias. Três é implantado com desvio pontual, e quatro é o padrão que qualquer visitante enxerga sustentado.

Esquema da pontuação da auditoria: nota de 0 a 4 em cada um dos 25 itens, subtotal de cada senso vezes 5 e total geral de 0 a 100, lido em quatro faixas
Da nota do item à faixa: cada senso soma até 20 pontos, o subtotal vezes 5 vira percentual, e o total de 0 a 100 cai numa das quatro faixas de leitura.

Cada faixa de nota geral pede uma decisão diferente:

  • Área referência (90 ou mais). Ela vira vitrine e recebe visitas das próximas áreas do programa 5S.
  • Consolidado (de 70 a 89). O trabalho agora é item a item, começando pelos que tiraram 2, 1 ou 0.
  • Parcial (de 50 a 69). Ainda não é hora de levar o programa para outra área; primeiro, firmar padrão e rotina.
  • Início (menos de 50). Refazer utilização, organização e limpeza com o líder da área presente.

Dois cuidados fazem a nota valer. O primeiro é dar a nota pela evidência, nunca pela intenção. Se o checklist de rotina existe mas foi preenchido em 14 de 20 dias, o item é 2, e a planilha tem a coluna de evidência para registrar isso. O segundo é comparar a área com ela mesma. Ranking entre áreas com auditores diferentes compara réguas, e ganha quem tem a régua mais frouxa.

O radar mostra o desenho do programa. Entrada pequena e torta, saída grande e equilibrada é o desenho de quem andou. Seiri e Seiton altos com Shitsuke baixo é área arrumada que vai desarrumar, e o exemplo da planilha mostra exatamente esse caso. Se você prefere o papel, o checklist R11 e o radar de antes e depois R12 abrem aqui mesmo. Treze auditorias de entrada e saída preenchidas, setor a setor, estão no artigo sobre auditoria.

As 17 ferramentas do kit 5S, etapa por etapa

O kit de ferramentas da Voitto organiza a implantação em quatro etapas e um documento que acompanha todas. Cada modelo abre aqui mesmo, em branco, para imprimir. Os artigos de cada senso, citados acima, trazem os mesmos modelos preenchidos em vários setores.

EtapaFerramentaModelo
PlanejamentoTermo de abertura do programa
Área piloto, problemas, meta, equipe e marcos
abrir o P01
PlanejamentoDiagnóstico inicial da área
Auditoria de entrada com os 25 itens, nota de 0 a 4
abrir o P02
PlanejamentoRegras do programa
Descarte, identificação, papéis, rituais e acordos do time
abrir o P03
PlanejamentoCronograma de implantação
Quem faz o quê, senso a senso, em qual semana
abrir o P04
PlanejamentoPlano de ação 5W2H
Cada ação com dono, prazo, custo e senso
abrir o P05
ImplementaçãoCartão vermelho e registro de descarte
Seiri: separar e dar destino ao que sobra
abrir o S06
ImplementaçãoPlano de organização e etiquetagem
Seiton: endereço e etiqueta para cada item
abrir o S07
ImplementaçãoPadrão e cronograma de limpeza
Seiso: limpar, inspecionar e eliminar a fonte
abrir o S08
ImplementaçãoPadrão visual da área
Seiketsu: o estado bom vira padrão visível
abrir o S09
ImplementaçãoRotina de disciplina
Shitsuke: rotina, ritual e auditoria relâmpago
abrir o S10
AnáliseChecklist de auditoria
A régua oficial, igual à do diagnóstico de entrada
abrir o R11
AnáliseRadar antes e depois
Pontuação, ganhos medidos e lacunas
abrir o R12
ConsolidaçãoPOP, o padrão da área
Padrão escrito, publicado no quadro e treinado
abrir o C13
ConsolidaçãoCalendário de auditorias periódicas
Data marcada e auditores em rodízio
abrir o C14
ConsolidaçãoPlano de reação
Resposta combinada quando a área sai do padrão
abrir o C15
ConsolidaçãoLições aprendidas e expansão
Resultado registrado e próxima área planejada
abrir o C16
TodasPlano mestre
A implantação inteira numa folha, atualizada a cada etapa
abrir o PM5

A ordem de uso segue a do plano mestre. No Planejamento, o termo de abertura, o diagnóstico, as regras, o cronograma e o plano de ação. Na Implementação, um modelo por senso. Na Análise, a auditoria com a mesma régua da entrada e o radar. Na Consolidação, o padrão escrito, o calendário de auditorias, o plano de reação e as lições aprendidas com a próxima área. A página do kit de ferramentas reúne todos os modelos num lugar só.

Exemplos de 5S por segmento, com os números

O programa muda de cara conforme o setor. Num hospital, o Seiri esbarra na regra de descarte de material. Numa farmacêutica, mexer em layout pede controle de mudança. Num escritório, a bagunça mora na pasta compartilhada. Os casos abaixo são projetos ilustrativos montados com o kit, cada um contado senso a senso em artigo próprio.

SegmentoÁrea pilotoProblema de partidaO que mudou
ProduçãoFerramentaria de metalúrgica, 52 m²Cada operador gastava 22 minutos por dia procurando ferramentaAuditoria de 38% para 89% em quatro meses
SaúdeCarrinhos de emergência de hospital de 180 leitos74 segundos para ter o item em mãos numa simulação de paradaBusca caiu para 18 segundos
ServiçosEscritório e arquivo de uma operação de BPOContrato pedido por auditoria de cliente levou 40 minutos para aparecerNota geral de 41% para 86% em quinze semanas
AlimentícioFábrica de misturas secas, quatro linhas de envase68 minutos de troca entre lotes e 23 apontamentos na auditoria de certificaçãoSetup de 41 minutos, nove não conformidades e auditoria de 41 para 84

Repare no padrão dos quatro casos. Nenhum começa pela foto bonita. Todos começam por um número que dói, como minutos de procura, segundos numa emergência ou setup longo, e terminam com o mesmo número medido de novo. Para ver um caso inteiro, do diagnóstico à décima terceira auditoria com o custo linha a linha, leia o exemplo de aplicação com os números.

Por que o 5S volta ao que era depois do sexto mês

A curva da planilha de exemplo tem uma queda no sexto mês, e ela não está lá por acaso. É o desenho mais comum de um programa de organização: sobe rápido com o mutirão, estabiliza, e cai quando o entusiasmo acaba e a rotina ainda não pegou. O sintoma é miúdo no começo: uma etiqueta descolada que fica para depois, um carrinho estacionado fora da faixa, um item novo sem endereço. Cada um parece pequeno demais para virar assunto, e juntos devolvem a área ao estado de antes.

A explicação que a empresa costuma dar é falta de disciplina das pessoas, e essa explicação atrapalha porque não aponta nada para corrigir. O que segura a área é mecanismo:

  • Auditoria no calendário. Com data, auditor de fora da área e resultado no quadro.
  • Padrão mais fácil de seguir que de burlar. Sombra no painel, mínimo e máximo visíveis, kit de limpeza no ponto de uso.
  • Desvio com resposta combinada. Um plano de reação definido antes, para ninguém improvisar.
  • O programa dentro da rotina da liderança. O gestor passa na área na mesma reunião em que olha produção e qualidade.
  • Integração dos novatos. Rotatividade sem integração zera o padrão em poucos meses.

O livro fecha o capítulo com uma frase que resume o desafio, na página 41: “A metodologia 5S é de fácil implementação, visto que abrange tarefas simples. Porém, para que o resultado seja o proposto pela abordagem, a participação de todos os colaboradores é fundamental.” Os sinais precoces de queda e o que fazer quando a área regride estão no guia de como sustentar o programa.

6S, 7S, 8S e 10S: as variações do 5S e quando usar

Com o tempo, as empresas criaram adaptações para dar aderência à própria cultura. O livro descreve quatro, na seção 5.10:

  • 6S Lean. Os cinco sensos mais o senso de segurança.
  • 7S. O 6S Lean mais o senso de satisfação.
  • 8S. Os cinco clássicos mais determinação e união, qualificação e treinamento e combate ao desperdício.
  • 10S. O 8S mais princípios morais e éticos e responsabilidade social.

Qual escolher? A resposta do capítulo é direta: “A escolha da metodologia que será utilizada é baseada no contexto de organização, não existindo, portanto, metodologia melhor que outra.” Eu leio assim. Acrescentar sensos antes de dominar os cinco primeiros só aumenta o checklist. Comece pelos cinco, meça com a mesma régua por um ano e só então avalie se a segurança, por exemplo, merece um eixo próprio no radar.

Por onde começar na próxima segunda-feira

Escolha uma área pequena, com dono e com um problema que se mede em minutos ou em reais. Faça a auditoria de entrada com a planilha, de preferência com alguém de fora da área ao seu lado. Rode a dinâmica do jogo dos números com a equipe na mesma semana. Marque o Dia D, com cartão vermelho e quarentena prontos, e coloque a primeira auditoria de acompanhamento no calendário antes do mutirão, para ela não depender de memória.

A primeira auditoria que sobe dá um gás danado na equipe, porque mostra o 5S funcionando naquela área, com aquela gente. A partir dele, a próxima área pede para entrar, e o programa ganha a escala que nenhum decreto da diretoria consegue dar. Se a sua empresa já gira projetos de melhoria contínua, o programa de organização é a base que torna esses projetos mensuráveis.

Para implantar com alguém acompanhando o método, a gente forma quem conduz o programa 5S nas academias de certificação da Voitto, sempre com projeto real. E o livro fica como consulta para cada senso. Lembra da manutenção autônoma da Votorantim? O 5S vem antes dela por um motivo simples: sem organização, nenhuma outra ferramenta enxerga direito.

Perguntas frequentes

O que é a metodologia 5S?
É um programa de organização do local de trabalho baseado em cinco sensos japoneses: utilização, organização, limpeza, padronização e disciplina. Ele tira da área o que sobra, dá endereço ao que fica, usa a limpeza como inspeção e sustenta o padrão com auditoria periódica.
Quais são os cinco sensos?
Seiri, o senso de utilização; Seiton, o de organização; Seiso, o de limpeza; Seiketsu, o de padronização e saúde; e Shitsuke, o de disciplina. Os três primeiros mudam o espaço e os dois últimos mudam o hábito, por isso a implantação começa pelos três primeiros.
Como implantar o programa numa empresa?
Em cinco etapas: planejar o programa e escolher uma área piloto, sensibilizar a equipe, fazer a implantação prática com um Dia D, criar a rotina de manutenção com auditorias periódicas e reconhecer quem sustentou o padrão. Comece pequeno, com dono e com um problema medido.
Como fazer uma auditoria dos cinco sensos?
Use sempre a mesma régua: 25 itens, cinco por senso, com nota de 0 a 4 dada pela evidência vista na área. O subtotal de cada senso vezes 5 vira percentual e o total vai de 0 a 100. A planilha deste artigo faz as contas, desenha o radar e acompanha 12 meses.
Qual a diferença entre 5S, 6S, 7S e 8S?
São adaptações do programa original. O 6S acrescenta segurança, o 7S acrescenta satisfação, e o 8S soma determinação e união, qualificação e treinamento e combate ao desperdício. Segundo o livro, nenhuma é melhor que a outra: a escolha depende do contexto da organização.
Por que o programa perde força depois de alguns meses?
Porque o mutirão acaba e a rotina ainda não pegou. O que segura a área é mecanismo: auditoria com data e auditor de fora, padrão mais fácil de seguir que de burlar, desvio com resposta combinada e o tema dentro da rotina da liderança e da integração de novatos.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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