Metodologias & Qualidade

Certificação Seis Sigma: as faixas do White ao Master Black Belt e qual fazer

O que cada faixa do Lean Seis Sigma faz, quanto tempo dedica a projetos, como o título é avaliado pela régua v4 da banca e uma planilha com comparativo e teste de 10 perguntas para escolher a sua.

Thiago Coutinho
Publicado em 4 de nov de 2020  ·  Atualizado em 19 de out de 2026  ·  18 min de leitura
Capa do artigo com foto da Voitto e o texto Certificação Seis Sigma: as faixas do White ao Master Black Belt e qual fazer sobre fundo escuro à esquerda

Eu carrego duas credenciais que parecem da mesma família e funcionam de jeitos opostos. Sou auditor líder ISO 9000 pela IRCA e sou Master Black Belt em Lean Seis Sigma. A primeira me habilita a auditar um sistema de gestão da qualidade, dentro de um esquema de normas e de organismos que todo mundo conhece. A segunda diz o tamanho do problema que eu sei conduzir num projeto de melhoria.

Quem procura uma certificação Seis Sigma costuma imaginar algo parecido com a ISO: um órgão central, uma prova única e um título que vale igual em qualquer lugar. Essa expectativa leva a escolhas caras. Tem gente que paga a certificação mais alta para resolver um problema pequeno. E tem empresa que forma dezenas de pessoas num nível que não conduz projeto nenhum, esperando resultado.

Este guia mostra quais são as faixas do Lean Seis Sigma, o que cada uma faz, quanto tempo dedica a projetos e como a certificação avalia cada nível. No meio do caminho tem um material para baixar: o comparativo das faixas com a fonte de cada linha e um teste de 10 perguntas que recomenda o seu belt pela função e pelo objetivo de carreira.

Certificação Seis Sigma: quais são as faixas

A certificação Seis Sigma é organizada em faixas, como nas artes marciais: White, Yellow, Green, Black e Master Black Belt. White e Yellow apoiam os projetos. Green e Black lideram. O Master Black Belt cuida do programa. Acima delas ficam o Sponsor e o Champion, que patrocinam e acompanham os projetos sem conduzi-los.

No Guia Prático Lean Seis Sigma, essa escala aparece no capítulo 10, “Seis Sigma”, na seção 10.1.8, “Certificações Belts em Seis Sigma”. Na página 81 eu escrevi: “O Seis Sigma faz uma analogia às graduações das artes marciais, sendo os profissionais chamados de ‘White Belt’, ‘Yellow Belt’, ‘Green Belt’, ‘Black Belt’ e ‘Master Black Belt’.”

A analogia ajuda porque a faixa descreve o que a pessoa assume sozinha. Ela fala de papel no projeto, e o conhecimento vem junto com o papel. Por isso a mesma pessoa pode ter muita estatística na cabeça e ainda estar no começo da escala, se nunca conduziu um projeto do começo ao fim.

O resumo do capítulo organiza os papéis em três níveis. Acionista ou Sponsor, Champion e Master Black Belt ficam no nível estratégico. Black Belt e Green Belt ficam no nível tático, onde os projetos são liderados. Na base, White e Yellow sustentam os projetos no nível operacional.

Pirâmide com os três níveis do Lean Seis Sigma: estratégico com Sponsor, Champion e Master Black Belt; tático com Black Belt e Green Belt; operacional com Yellow Belt e White Belt
Quem decide, quem conduz e quem apoia. Figura refeita pela Voitto a partir do capítulo 10 do Guia Prático Lean Seis Sigma, p. 81 e 83.
Faixa ou papelNívelO que faz no programa
Sponsor (acionista)EstratégicoForma a carteira de oportunidades, aprova os projetos e libera recursos
ChampionEstratégicoLidera a área que vai receber o projeto
Master Black BeltEstratégicoIdentifica oportunidades e necessidades de capacitação e define o controle do programa
Black BeltTáticoResolve problemas de alta complexidade e orienta Green Belts
Green BeltTáticoLidera projetos e faz as análises sem sair da função
Yellow BeltOperacionalApoia os projetos com as ferramentas básicas
White BeltOperacionalConhece os fundamentos e participa do time

As descrições resumem a página 81 do livro. O resto deste guia desdobra cada linha: o que cada belt faz na rotina, o tempo que ela tira da agenda e o que a banca espera do projeto dela.

O que cada faixa faz, do White ao Master Black Belt

A escala tem cinco faixas e dois papéis de liderança. Vale olhar cada um pelo que entrega no projeto, porque é isso que decide se ele serve para você.

White Belt

A faixa branca entrega vocabulário. A pessoa passa a entender o que é desperdício, variação e causa raiz quando esses termos aparecem numa reunião, e consegue participar do time de um projeto. Ela não conduz nada sozinha. Na Voitto, o curso White Belt tem 4 horas, é gratuito e o pré-requisito é vontade de aprender.

O valor dela aparece em escala. Um time inteiro com o mesmo vocabulário para de confundir sintoma com causa. Uma pessoa sozinha com White Belt muda pouco.

Yellow Belt

A faixa amarela já usa ferramenta. Fluxograma, folha de verificação, Pareto, Ishikawa, 5 porquês e 5W2H entram na rotina dela. O livro coloca o Yellow no nível operacional, treinado para dar suporte aos Green e Black Belts. Na prática, ele também resolve melhorias pequenas na própria etapa, quando a causa provável está à vista. O curso da Voitto tem 20 horas.

O guia completo do Yellow está em o que é Yellow Belt. Ele explica a função no dia a dia e como se certificar.

Green Belt

A faixa verde é a primeira que lidera um projeto inteiro pelo método DMAIC. Ela transforma o incômodo em indicador com meta, mede o ponto de partida, comprova a causa e só então muda o processo, com um controle para o ganho ficar. Segundo o livro, faz isso com parte do tempo, sem sair do cargo, e faz as próprias análises estatísticas.

É também o nível em que a certificação passa a exigir projeto avaliado por banca. O guia de o que é Green Belt traz a rotina, o primeiro projeto e um checklist com pontuação para conferir se ele está pronto.

Black Belt

O livro descreve o Black Belt como o profissional de “amplas ferramentas e profunda bagagem estatística”, preparado para problemas de alta complexidade. Ele costuma ser dedicado a projetos e faz a mentoria de quem está na faixa verde. O problema dele atravessa áreas e pede patrocínio de cima.

O pilar o que é Black Belt mostra como a banca de certificação lê o projeto do Black Belt e traz a planilha de autoavaliação pelos 35 critérios.

Master Black Belt

O Master Black Belt muda de objeto. Ele cuida do programa: identifica oportunidades de projeto, define quem precisa de capacitação e decide como o programa vai ser controlado. A visão é gerencial, financeira e estratégica, nas palavras do livro. A página sobre o Master Black Belt detalha as responsabilidades e o caminho até lá.

Sponsor e Champion

Os dois papéis de cima não são faixas, e muita gente pula essa parte. O Sponsor participa da formação da carteira e da aprovação dos projetos e viabiliza recursos financeiros e humanos. O Champion, segundo o livro, “normalmente é líder da área que receberá o projeto”. Sem os dois, o Green Belt mais bem formado perde a briga com a rotina toda semana.

Se a sua função é aprovar e cobrar projetos de outras pessoas, você não precisa conduzir um DMAIC. Precisa entender o suficiente para fazer as perguntas certas, e um White ou Yellow Belt resolve isso.

Quanto tempo cada faixa dedica a projetos

Esta é a linha que mais decide se o projeto termina e se a certificação sai. E é onde mais circulam números sem fonte, então vale separar o que o livro diz do que é estimativa de mercado.

FaixaTempo em projetos, segundo o livro (cap. 10, p. 81)
White e Yellow BeltSem percentual; dão suporte aos projetos no nível operacional
Green BeltParte do tempo, geralmente cerca de 20% a 30%
Black BeltGeralmente tempo integral em projetos
Master Black BeltSem percentual; o trabalho é o programa

O livro só põe número no Green Belt. Numa semana de 40 horas, 20% a 30% dão de 8 a 12 horas, algo como um dia ou um dia e meio. Para o Black Belt, a descrição é qualitativa. Para as outras faixas, não há percentual, e eu prefiro deixar assim a inventar uma régua.

Eu vejo a agenda como o ponto mais frágil do projeto de Green Belt. Quem tem duas horas por semana vê o projeto perder para a rotina, por mais competente que seja. Combinar esse bloco com o gestor antes de começar vale mais que qualquer ferramenta.

O curso é rápido; o projeto leva meses

Carga de curso e prazo até o título são números diferentes. A página da Academia de Certificação da Voitto diz que um projeto Lean Seis Sigma costuma levar de 3 a 5 meses, conforme a complexidade. E a régua da banca pede o ganho mantido por no mínimo 3 pontos de dados, ou cerca de 30 a 90 dias depois da implantação.

Por isso o prazo real sempre passa do cronograma otimista. O artigo sobre quanto tempo leva cada faixa decompõe o prazo por fase e mostra o efeito da dedicação semanal.

Ferramentas e estatística por faixa

A lista de ferramentas cresce a cada belt, mas o salto que importa fica entre o Yellow e o Green. Até o Yellow, as ferramentas descrevem o que aconteceu. A partir do Green, entram as que concluem se uma diferença é real ou só variação.

FaixaFerramentas típicasEstatística
WhiteConhece fluxograma, Pareto, Ishikawa e 5 porquêsNenhuma
YellowUsa as básicas, mais 5W2H e matriz esforço x impactoDescritiva: contagem, gráfico, histograma
GreenCharter, SIPOC, plano de coleta, carta de controle, capabilidade, MSA, FMEATeste de hipóteses, ANOVA, regressão simples
BlackTudo do Green, mais desenho de experimentos e regressão múltiplaModelagem e experimentos
Master BlackCarteira de projetos e formação de BeltsRevisa e orienta a análise de outros

A tabela completa, ferramenta por ferramenta, com a diferença entre conhecer e usar, está em as ferramentas que cada faixa precisa dominar. Para quem quer escolher o teste certo para o tipo de dado, o hub de ferramentas estatísticas do blog traz uma planilha que indica o teste.

Um ponto que alivia muita gente: estatística pesada não é condição para começar. A régua da banca da Voitto tem uma regra de ouro. A ausência de um teste formal não reprova um projeto cuja causa foi comprovada por outro caminho válido. E ferramentas Lean, como mapa de fluxo de valor e gemba, contam como evidência na mesma medida das estatísticas.

Como a certificação avalia o projeto de cada faixa

Treinamento e certificação andam juntos no nome, mas medem coisas diferentes. Vale separar as duas antes de escolher. O curso entrega método. A certificação de especialista confere se você aplicou o método num problema real e chegou a um resultado medido.

No livro, a regra da certificação de especialista está na mesma página 81. O certificado depende da entrega de um projeto, e a contagem é simples: o primeiro projeto apresentado dá o Green Belt, o segundo dá o Black e o terceiro, o Master. A Academia de Certificação da Voitto segue exatamente essa titulação.

TítuloProjetoO que a banca espera
Green Belt1º aprovadoDomínio do ciclo DMAIC num problema real, com decisão por dados e resultado mensurável
Black Belt2º aprovadoProblema de maior complexidade ou impacto e condução mais autônoma
Master Black Belt3º aprovadoDomínio pleno do método e, idealmente, evidência de liderança, mentoria ou replicação

A coluna da direita vem do guia de certificação e da página da Academia. White e Yellow Belt são certificados de treinamento, sem projeto avaliado por banca.

Mesma régua para os três títulos

Os três títulos passam pelos Capa dos Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC v4, a régua que a banca da Voitto usa para os títulos Green, Black e Master Black BeltCritérios Técnicos de Avaliação DMAIC, na versão 4. São 35 critérios, sete por fase, com conceito de A a D. A nota vai até 105 pontos e dez critérios são essenciais. Antes da nota, dois gates conferem se o projeto é real e se o fio condutor liga problema, causa, solução e controle.

O laudo sai em faixas de pontuação. A partir de 90 pontos é recomendado com distinção. De 74 em diante, recomendado ao título, com todas as fases em 12 ou mais e os essenciais em B ou A. Entre 58 e 73, recomendado com ressalvas. A capa ao lado abre o documento inteiro, com o botão para baixar.

O guia de certificação resume a diferença entre os níveis numa frase: “a régua é a mesma, a altura da barra é que sobe”. Do Green se espera domínio do ciclo e um resultado real. Do Black, mais autonomia e complexidade. Do Master, profundidade e capacidade de liderar melhoria.

Na Academia Voitto, a gente já passou 259 projetos por essa régua. Juntos, eles somam um ganho estimado de R$ 180,8 milhões. O detalhe de cada critério, um case lido pela régua e a planilha de autoavaliação estão no pilar do Black Belt.

Precisa seguir a ordem das faixas? Dá para pular?

Depende de qual ordem você está olhando, a do curso ou a do título. As duas têm regras diferentes, e é aí que mora a confusão.

No curso, dá para pular. Nenhuma faixa de treinamento exige a anterior na Voitto. A formação Green Belt não pede graduação nem White ou Yellow. A formação Black Belt, de 175 horas, já inclui o treinamento Green Belt e o upgrade para o Black Belt. O artigo sobre os pré-requisitos do Green Belt compara o que outras escolas exigem.

Na certificação, a ordem existe. A banca titula pelo número do projeto aprovado. Quem faz a formação Black Belt e submete o primeiro projeto recebe o Green Belt. O Black vem com o segundo. Para submeter qualquer projeto, você anexa o certificado de treinamento como pré-requisito.

Isso responde uma dúvida antiga do blog, sobre se os treinamentos Seis Sigma obedecem uma sequência. O treinamento não obedece. A prática, sim, porque o segundo projeto se apoia no que o primeiro ensinou.

As três dúvidas de fronteira

  • Yellow ou Green? Se o problema pede provar com dado qual é a causa, vá de Green. Se a causa provável já está à vista, o Yellow resolve. O comparativo Yellow ou Green Belt traz cinco perguntas para separar os casos.
  • Green ou Black? Olhe a alçada antes da ambição. Black Belt sem autoridade para mexer em processo de outra área acaba conduzindo projeto de Green. O artigo Green Belt ou Black Belt compara objetivos e rotina.
  • Do Green para o Black. O intervalo tem estatística nova, mas o que mais pesa é recortar problema difuso e orientar projeto que não é seu. Os quatro blocos de estudo estão em de Green para Black Belt.

Comparativo das faixas do Lean Seis Sigma para baixar

Juntei tudo o que está acima numa planilha. A aba de comparativo cruza as sete linhas da escala, do Sponsor ao Master Black Belt, com dez colunas. Cada linha traz a fonte: página do livro, régua v4, guia de certificação ou página do curso.

Planilha gratuita: Qual faixa fazer, comparativo e teste. Quatro abas de uso e uma de pontos. Como usar explica a régua. Comparativo das faixas traz papel, tempo em projeto, tipo de projeto, ferramentas, estatística, quem costuma fazer, pré-requisito e carga do curso. Teste tem 10 perguntas fechadas que somam pontos por fórmula e recomendam o belt com a justificativa. Exemplo preenchido mostra um perfil fictício respondido.

Comparativo das faixas do Lean Seis Sigma em planilha, com uma linha por faixa e a fonte de cada informação

Um clique na imagem abre o comparativo inteiro, com o botão de download. Sem macros; funciona no Excel, no LibreOffice e no Google Planilhas.

Duas colunas merecem atenção. A de tempo em projeto mostra onde o livro dá número e onde não dá, sem preencher lacuna com chute. A de pré-requisito separa o que vale para entrar no curso do que vale para receber o título, que é a confusão da seção anterior.

As cargas horárias são das páginas dos cursos da Voitto em outubro de 2026 e podem mudar. Para comparar preço e o que entra em cada formação, o artigo sobre quanto custa a certificação Lean Seis Sigma monta a tabela de preços da certificação por belt.

Qual faixa fazer: o teste pela função e pelo objetivo

A escolha fica mais fácil quando você responde pelo que vai conduzir nos próximos meses. O cargo que você gostaria de ter fica de fora. As 10 perguntas do teste seguem essa lógica. Cada uma tem cinco ou seis respostas fechadas, numa lista suspensa.

  1. Qual é o seu cargo hoje.
  2. Quanta autonomia você tem para mudar o processo.
  3. Qual vai ser o seu papel no próximo projeto.
  4. Quanto tempo por semana você terá para melhoria.
  5. Como é o seu contato com dados no trabalho.
  6. Quantos projetos com resultado medido você já concluiu.
  7. Qual é o seu objetivo de carreira para os próximos dois anos.
  8. Que patrocínio você tem para melhorar processos.
  9. Como é o problema que você tem na mesa.
  10. Que formação em Lean Seis Sigma você já tem.

Cada resposta soma de 0 a 3 pontos para cada faixa. A tabela de pontos fica aberta numa aba própria, para você conferir a régua. Vence a faixa com mais pontos. No empate, vence a menor, porque o título segue o projeto e começar menor custa menos.

Além da recomendação e da segunda opção, a planilha acende quatro alertas. Um aparece quando o seu papel é de patrocinador. Outro, quando o teste aponta Black ou Master sem projeto liderado. Os dois últimos aparecem quando a agenda é curta demais para o Green ou o Black Belt.

Pela função, o ponto de partida mais comum

A tabela abaixo é uma leitura minha dos papéis do livro aplicada a cargos. Ela serve de ponto de partida, e o teste corrige quando a sua situação foge do padrão.

Se você éFaixa que costuma servirPor quê
Operador, técnico ou assistenteWhite ou YellowParticipa do time e resolve melhoria da própria etapa
Analista ou especialista técnicoGreenTem processo e dado na mão para liderar um projeto
Supervisor, coordenador ou engenheiro de processoGreen, depois BlackMuda o processo da área e tem gente para envolver
Gerente de áreaBlack, ou ChampionProblema entre áreas, ou o papel de quem recebe o projeto
Diretor ou sócioSponsor, com White ou YellowAprova, libera recurso e cobra; precisa da linguagem
Responsável por programa de melhoriaBlack, depois MasterCarteira de projetos e formação das pessoas

Repare que nenhuma linha manda fazer todas as faixas. A escala é um mapa de papéis. Escolha pelo problema que você tem hoje na mesa.

Um perfil lido pelo teste, passo a passo

A aba de exemplo usa um perfil fictício, criado só para mostrar o teste. É uma analista de qualidade de uma fábrica de embalagens plásticas, com quatro anos de casa e o Yellow Belt feito. O gestor quer reduzir o refugo de uma extrusora e topou patrocinar o projeto.

Exemplo preenchido do teste. Dez respostas, os pontos de cada belt por pergunta, o total, a recomendação, a segunda opção, a justificativa e o alerta de agenda.

Teste de qual faixa fazer preenchido com um perfil fictício: Green Belt recomendado com 27 pontos e Yellow Belt como segunda opção

O exemplo está marcado como fictício na própria aba. A aba Teste vem em branco para você responder.

Oito das dez respostas puxam para o Green. Ela muda o processo da própria área, vai liderar o projeto do começo ao fim, trabalha com indicador que tem histórico e tem patrocinador. O problema tem várias causas candidatas, o que pede prova com dado.

Duas respostas puxam para o Yellow. Ela só participou de um projeto, sem liderar, e terá de 2 a 6 horas por semana. A soma fecha em 27 pontos para o Green, 15 para o Yellow, 8 para o Black e 3 para o White.

A recomendação é Green Belt, e o alerta vem da agenda. Com 2 a 6 horas por semana o projeto anda devagar, enquanto o livro descreve o Green com cerca de 20% a 30% do tempo. A conversa que a planilha provoca é com o gestor, e o assunto é horário reservado. Mais curso não resolve isso.

Esse é o uso que eu mais recomendo. Responda sozinho, leve o resultado para o seu gestor e discutam o alerta antes de matricular. O belt certo com a agenda errada termina como o belt errado, e a certificação não sai.

Quem reconhece a certificação Seis Sigma: CSSC, ISO 13053 e ISO 18404

Volto à minha credencial de auditor. Na ISO 9001, a empresa recebe a certificação contra uma norma, dada por um organismo acreditado. Com os belts, o desenho é outro, e o livro deixa isso claro.

Na página 82, a citação da Werkema começa assim.

“A certificação de ‘Belts’ é uma certificação de indivíduos treinados na metodologia Seis Sigma, e não de um sistema de gerenciamento da qualidade, como, por exemplo, a ISO 9001:2000”. Logo depois, o texto diz que não existem requisitos oficiais e padronizados para que uma consultoria ou outra organização certifique Belts. Ou seja, não existe um órgão único que emita ou valide a certificação.

O que existe são três camadas de referência, e vale saber o que cada uma faz.

  • Acreditação privada. O Council for Six Sigma Certification acredita programas de treinamento. A página da Voitto no diretório do CSSC lista a acreditação de White, Yellow, Green, Black e Master Black Belt.
  • ISO 13053-1:2011. Descreve a metodologia DMAIC e recomenda como os projetos Seis Sigma devem ser conduzidos, incluindo papéis e treinamento das pessoas envolvidas. Ela não certifica ninguém.
  • ISO 18404:2015. Trata das competências do pessoal-chave em Seis Sigma e Lean. Cobre Black Belt, Green Belt e praticantes de Lean, e deixa o Yellow Belt fora do escopo.

A consequência prática é simples. O valor da certificação depende de quem emitiu e de como avaliou. Pergunte se houve projeto real, quem conferiu o resultado e se a escola é acreditada. O artigo a certificação Lean Seis Sigma é reconhecida? traz um checklist de cinco passos para verificar qualquer escola.

O livro ainda lembra que o retorno econômico do projeto deve ser validado pela diretoria financeira ou pela controladoria. É o tipo de lastro que diferencia título de papel, e é o que um entrevistador vai querer ouvir. Para contar isso no LinkedIn e no currículo, o artigo sobre Green Belt no currículo traz o passo a passo.

E o salário?

A certificação conta no mercado, mas o projeto conta mais. Os levantamentos de salário de Green Belt e de salário de Black Belt mostram os números por cargo e o que pesa mais que o título.

Erros comuns na escolha da faixa

  • Escolher pelo belt mais alto que o orçamento paga. O nível certo é o do problema que você tem. Black Belt para problema de Yellow vira meses de estatística parada.
  • Tratar a escala como trilha obrigatória. No curso, ninguém precisa passar por todas. No título, a ordem segue o projeto aprovado.
  • Tirar o papel sem projeto. O certificado de treinamento sai. A competência de conduzir só aparece no projeto, e é ela que o mercado pergunta. O artigo belt sem projeto real mostra por que isso não se sustenta.
  • Começar sem agenda. Green Belt com duas horas por semana entrega atrasado ou não entrega.
  • Formar Black Belt sem alçada. Ele não consegue mexer onde o problema mora.
  • Esquecer o Sponsor e o Champion. Sem quem aprove e cobre, a melhor formação perde para a rotina.
  • Estudar só para a prova. A prova cobra a escolha da ferramenta. O projeto cobra atravessar a organização. O guia do que cai na prova de Green Belt mostra onde a prova pesa.

O primeiro erro é o mais caro, e o teste existe para evitá-lo. Ele força a resposta pelo papel, pela agenda e pelo patrocínio, que são as três coisas que decidem se o projeto termina.

Por onde começar

Baixe a planilha, responda o teste e leve o resultado para o seu gestor. Se der White ou Yellow, comece pelo curso e participe de um projeto. Se der Green, escolha o problema antes de terminar o curso, porque é o projeto que dá a certificação. O curso Green Belt e o guia do Green ajudam nessa escolha.

Quando o projeto estiver de pé, a submissão é pela Academia de Certificação Lean Seis Sigma. A página de certificação de especialista explica as etapas e a orientação em cada fase do DMAIC. Para entender o método por inteiro antes de escolher, o pilar de Lean Seis Sigma é a porta de entrada.

Lembra das minhas duas credenciais? A de auditor eu tirei estudando norma. A de Master Black Belt eu precisei meter a cara em projeto, errar e voltar, até o resultado ficar de pé. É esse caminho que a certificação Seis Sigma registra.

Perguntas frequentes

Quais são as faixas da certificação Seis Sigma?
São cinco: White, Yellow, Green, Black e Master Black Belt, numa analogia com as graduações das artes marciais. White e Yellow apoiam os projetos no nível operacional, Green e Black lideram os projetos e o Master Black Belt cuida do programa. Sponsor e Champion completam a estrutura sem ser faixas.
Preciso fazer White e Yellow Belt antes do Green Belt?
Não. Na Voitto, nenhuma faixa de treinamento exige a anterior, e a formação Green Belt não pede graduação. A ordem aparece no título de especialista: o primeiro projeto aprovado pela banca dá o Green Belt, o segundo dá o Black Belt e o terceiro, o Master Black Belt.
Quanto tempo o Green Belt e o Black Belt dedicam a projetos?
Pelo Guia Prático Lean Seis Sigma, cap. 10, p. 81, o Green Belt dedica parte do tempo, geralmente cerca de 20% a 30%, e segue na função de origem. O Black Belt geralmente atua em tempo integral em projetos. O livro não fixa percentual para as outras faixas.
Qual faixa Lean Seis Sigma fazer primeiro?
A do problema que você vai conduzir nos próximos meses. Se vai só participar do time, White ou Yellow bastam. Se vai liderar um projeto da sua área com dado, meta e patrocinador, Green Belt. Se o problema atravessa áreas e você vai orientar outros líderes, Black Belt.
Dá para fazer direto o Black Belt?
O curso, sim: a formação Black Belt da Voitto tem 175 horas e já inclui o treinamento Green Belt. O título segue o projeto. Quem submete o primeiro projeto aprovado recebe o Green Belt, e o Black Belt vem com o segundo projeto aprovado pela banca.
Quem reconhece a certificação Seis Sigma?
Não existe órgão único. A faixa certifica pessoas, e cada instituição define os próprios critérios. As referências são a acreditação de programas pelo Council for Six Sigma Certification e as normas ISO 13053-1, sobre o DMAIC, e ISO 18404, sobre competências de Green Belt, Black Belt e Lean.
Como a Voitto avalia o projeto para dar o título?
A banca aplica os Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC v4: 35 critérios com conceito de A a D, até 105 pontos e 10 essenciais, depois de dois gates de integridade e coerência. A recomendação ao título pede 74 pontos, todas as fases com 12 ou mais e os essenciais em B ou A.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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