O que é Green Belt: o que faz, o primeiro projeto e como a banca avalia
O papel da faixa verde no Lean Seis Sigma, como a Voitto avalia o primeiro projeto pelos 35 critérios da rubrica v4, um case real lido pela régua e um checklist do primeiro projeto com pontuação e semáforo para baixar.
Em Lafaiete, fui coordenador de operações da MRS Logística por dois anos. Eu chefiava os inspetores, que chefiam os maquinistas, e a ferrovia não para para ninguém fazer projeto. Foi ali que eu entendi onde mora o Green Belt. Ele é a pessoa que tem uma área para tocar e uma meta para entregar. E tem um problema que ninguém de fora vai resolver por ela.
Na MRS a gente tinha programas de melhoria contínua, 5S e olimpíadas de melhoria. E tinha um desdobramento de metas que descia do presidente até o coordenador. Cada número tinha dono. Num lugar assim, o problema do dia a dia só vira projeto quando alguém da própria área se dispõe a medir direito. E a provar a causa antes de gastar com a solução.
Este guia responde o que é Green Belt, o que ele faz na rotina e onde fica entre as faixas. Mostra como a banca da Voitto avalia o primeiro projeto, pela mesma régua de 35 critérios que vale para todas as faixas. E traz dois materiais para baixar: um checklist do primeiro projeto, com pontuação e semáforo, e a planilha de autoavaliação pelos critérios da banca.
O que é Green Belt
Green Belt é o profissional treinado em Lean Seis Sigma que lidera projetos de melhoria na própria área, pelo método DMAIC, dedicando parte do tempo a eles. Numa certificação séria, o título de especialista Green Belt depende do primeiro projeto real concluído e aprovado por banca, e não só do curso.
No Guia Prático Lean Seis Sigma, a seção sobre certificações de belts fica no capítulo 10, “Seis Sigma”. Na página 81, eu escrevi assim. “Profissional que dedica parte de seu tempo (geralmente cerca de 20 a 30%) a atividades de Melhoria Contínua e execução de projetos Seis Sigma. O Green Belt está preparado para liderar projetos e realizar análises estatísticas.”
As duas frases carregam o que define a faixa. A primeira fala de tempo. O profissional continua analista, engenheiro, supervisor ou coordenador, e o projeto divide a agenda com a rotina. A segunda fala de capacidade. Ele conduz o projeto e faz as contas, sem depender de alguém de fora para decidir se a causa é aquela mesmo.
Green quer dizer verde. A cor vem da escala das artes marciais que o Seis Sigma adotou. Nela, a faixa verde fica no meio do caminho. Está acima de quem reconhece o problema e abaixo de quem conduz projetos entre áreas e forma outras pessoas.
Curso, prova e projeto
No mercado, “sou Green Belt” pode significar três coisas diferentes. Pode ser só o curso. Pode ser uma prova. E pode ser um projeto concluído com resultado medido e conferido por alguém que entende do assunto.
O Council for Six Sigma Certification mostra bem essa diferença. A certificação da faixa verde deles é um exame de 100 questões, com consulta e duas horas de duração. A própria página avisa que ela não exige projeto. O projeto só aparece no nível seguinte. Na Voitto, que é acreditada por esse mesmo conselho, o título de especialista sai do projeto. Quem vai investir meses na faixa verde precisa saber de antemão qual das três coisas está comprando.
A rotina do Green Belt e o lugar dele entre as faixas
O trabalho da faixa verde tem uma parte de projeto e uma parte de função. As duas acontecem no mesmo processo. Ele escolhe um problema da própria área, mede o tamanho dele, prova a causa com dado, implanta a solução e deixa um controle para o ganho não voltar. No resto da semana, ele segue tocando o mesmo processo que está melhorando.
Essa proximidade é a força da faixa. Quem opera o processo sabe onde o dado mora, quem registra errado e qual turno faz diferente. E é também a fraqueza, porque a rotina tem prazo todo dia e o projeto tem prazo daqui a quatro meses. Quando os dois disputam a mesma hora, a rotina ganha.
| Faixa | Papel no projeto | Tempo dedicado |
|---|---|---|
| Yellow Belt | Dá suporte aos projetos e resolve melhoria pontual na própria rotina | Pontual |
| Green Belt | Conduz o projeto da própria área e cuida da análise dos dados | Parte do tempo, em geral de 20% a 30% |
| Black Belt | Assume os problemas complexos e dá mentoria a quem está na faixa verde | Em geral, dedicação integral |
As linhas do Green e do Black vêm da mesma página 81 do livro. O mapa completo das faixas Lean Seis Sigma mostra os cinco degraus, do White ao Master, com carga horária e prazo de cada um. Ele também explica por que ninguém precisa passar por todas as faixas em sequência.
Green, Yellow e Black: onde passa a fronteira
Para baixo, a fronteira é a exigência de prova. O Yellow Belt resolve problema em que a causa fica visível para quem conhece o processo. O Green entra quando há várias causas candidatas e nenhuma forma de escolher entre elas sem dado. O artigo sobre Yellow ou Green Belt traz um teste de cinco perguntas para classificar o seu problema.
Para cima, a fronteira é o tamanho do problema e a responsabilidade por gente. O Black Belt pega o sintoma que atravessa áreas e orienta os projetos de quem está na faixa verde. Quem está em dúvida entre os dois encontra a comparação em Green Belt ou Black Belt. Na prática, decide mais a alçada que a pessoa tem do que a quantidade de estatística que ela quer aprender.
Quem costuma ser Green Belt
Engenheiros, analistas de qualidade e de processos, supervisores e coordenadores de operação são o perfil mais comum. Mas a faixa saiu da fábrica faz tempo. Um dos cinco projetos da faixa verde que a gente publicou no blog ataca a compra sem contrato na manutenção. É um processo administrativo de requisição, cotação e pedido. O que une todos é um processo que se repete e varia mais do que deveria.
Como a Voitto avalia o projeto Green Belt
A régua vigente da Academia de Certificação Lean Seis Sigma da Voitto tem nome comprido. É o documento Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC, versão 4, de setembro de 2026. O primeiro projeto aprovado certifica Green Belt, o segundo Black Belt e o terceiro Master Black Belt. A régua é a mesma nos três. O que muda é o que se espera de cada nível.
Do primeiro projeto, a página da Academia espera que o candidato aplique o DMAIC a um problema do dia a dia, geralmente com apoio. Pede investigação do problema, uso do passo a passo e resultado. E acrescenta uma frase que tira um peso das costas de muita gente: profundidade estatística básica é plenamente aceitável no primeiro projeto.
A régua em números
São 5 fases do DMAIC, e cada uma tem 7 critérios. Todos os 35 usam a mesma escala de conceitos. A, exemplar, vale 3 pontos. B, adequado, vale 2 e é o patamar esperado para recomendação. C, parcial, vale 1. D, insuficiente, não pontua. Assim, uma fase chega a no máximo 21 pontos, e o projeto inteiro a 105.
| Fase | Essenciais da fase | Armadilha comum na fase |
|---|---|---|
| Definir | D1 problema real · D3 meta SMART | Escopo largo demais e meta genérica, sem número nem prazo |
| Medir | M3 dado confiável · M4 linha de base | Dado frágil e linha de base que não foi registrada |
| Analisar | A3 causa comprovada com dado | Causa preferida escolhida contra o que o dado mostra |
| Melhorar | I1 solução ligada à causa · I6 melhoria comprovada · I7 alcance da meta | Solução implantada sem medir o resultado contra a linha de base |
| Controlar | C1 plano de controle · C5 ganho sustentado | Comemorar o resultado sem deixar nada que o sustente |
As duas primeiras colunas vêm do documento de critérios. A da direita resume as armadilhas que o guia de certificação lista em cada fase. Os dez essenciais são eliminatórios: um essencial em D impede a recomendação, e um essencial em C só permite recomendação com ressalvas.
O
documento completo é público e tem 14 páginas. Ali estão a escala e o que cada critério exige como evidência. Também estão as âncoras que os avaliadores usam para calibrar o conceito, um caso ilustrativo já pontuado e os modelos de folha e de parecer. A capa abre o documento inteiro, com o botão para baixar. Eu recomendo ler a fase Definir inteira antes de escolher o problema, porque metade das decisões que derrubam um projeto acontece nela.
Gates, faixas e quem decide
Dois gates vêm antes da nota. O primeiro confere integridade: projeto feito pelo candidato, em contexto real, com dado verdadeiro. O segundo confere o fio condutor, a cadeia que liga problema, métrica, causa, solução e controle. Projeto inventado é barrado antes da pontuação. Fio condutor quebrado limita o laudo a recomendado com ressalvas.
| Faixa do laudo | O que precisa acontecer |
|---|---|
| Recomendado com distinção | A partir de 90 pontos, com toda fase em 15 ou mais e nenhum essencial abaixo de B |
| Recomendado ao título | A partir de 74 pontos, com toda fase em 12 ou mais e nenhum essencial abaixo de B |
| Recomendado com ressalvas | Entre 58 e 73 pontos, ou fase abaixo de 12, ou essencial em C, ou fio condutor quebrado |
| Não recomendado | Abaixo de 58 pontos, ou essencial em D, ou gate de integridade reprovado |
Quando os indicadores apontam faixas diferentes, vale a mais restritiva. Nas ressalvas, o título é concedido e o plano de melhoria fica registrado no laudo. Quem fica sem recomendação recebe os apontamentos de cada fase e pode ressubmeter. A pré-avaliação é feita por um agente de IA; quem decide é a banca humana.
O guia de certificação Lean Seis Sigma, escrito para o aluno, traduz a régua e é claro sobre o primeiro nível. Profundidade estatística, ganho financeiro estimado, gestão de stakeholders, escopo desafiador e visualização de dados enriquecem o projeto. O guia diz que a ausência deles não reprova um bom Green Belt. Mais adiante, resume: “Um Green Belt precisa demonstrar domínio do ciclo e um resultado real.”
O que um bom primeiro projeto Green Belt tem: escopo, meta e dados
A escolha do problema decide mais o resultado do que qualquer ferramenta usada depois. O critério que costuma guiar a escolha é o tamanho do ganho, e ele engana. Problema grande atrai patrocínio no começo e trava no meio, porque escopo largo multiplica donos, interfaces e dados que não existem. O critério melhor é a chance de terminar com evidência.
O guia da Voitto chama o erro número 1 de chegar com a solução pronta. A página da Academia resume o que procurar. O problema precisa ser relevante para o negócio ou para o cliente, com escopo factível, nem trivial nem um oceano. Precisa ter dados disponíveis, patrocínio e equipe definidos. A gente transformou isso em perguntas que dá para responder numa tarde.
- Problema com dado. Um número que mostra que o problema existe hoje e quanto ele pesa. Planilha imperfeita serve; processo sem registro nenhum vira primeiro um projeto de coleta.
- Escopo que cabe em três a quatro meses. Começo, fim e o que fica de fora, num pedaço do processo onde você ou o patrocinador conseguem mudar alguma coisa.
- Meta SMART. Número, prazo e o mesmo indicador do problema. Meta sem prazo escrito deixa o D3, que é essencial, em C.
- Linha de base. Média e variação do indicador antes de mexer, num período que represente o processo.
- Patrocinador com nome. Alguém que aprova, libera acesso ao dado e cobra o andamento.
- Ganho estimado com premissas. A conta escrita, mesmo aproximada, e combinada com quem vai validar no fim.
O artigo sobre o primeiro projeto depois do curso detalha onde procurar o problema e os sinais de que ele vai travar. Aqui, o foco é chegar à banca com cada item virado em evidência.
Planilha gratuita: Checklist do primeiro projeto Green Belt. São 13 perguntas, cada uma ligada a um critério da rubrica v4, com resposta Sim, Parcial ou Não, peso e a evidência ao lado. As fórmulas somam a pontuação, contam os itens essenciais e acendem o semáforo. Verde é para começar, amarelo é para começar resolvendo pendências e vermelho pede recortar o problema antes.
O arquivo tem a aba Como usar, o checklist em branco e um exemplo preenchido com um case real publicado no blog, explicado na seção seguinte. Sem macros; funciona no Excel, no LibreOffice e no Google Planilhas. Um clique na imagem abre o exemplo completo, com o botão de download.
Como ler o semáforo
Cinco das 13 perguntas são essenciais porque espelham critérios essenciais da banca. São elas: problema real, meta, dado confiável, linha de base e a possibilidade de medir o depois. Qualquer uma delas em Não acende o vermelho, por mais alta que seja a pontuação. Em Parcial, o melhor resultado possível é o amarelo.
A pontuação e o semáforo são uma régua do checklist para orientar a escolha, e não a nota da banca. A planilha avisa isso na primeira aba. O papel dela é impedir que você descubra no laudo um defeito que dava para ver na primeira semana.
De onde vem uma meta defensável
Olhe os cinco cases da faixa que a gente publicou. Em três deles, o alvo bate com o primeiro quartil da série histórica do próprio processo. Foi assim nas sobras de corte, no forno de tratamento térmico e no consumo de níquel. A meta pede que o processo rode sempre no nível que ele já atinge nos seus 25% melhores períodos.
É uma âncora fácil de defender diante do patrocinador, porque o patamar já aconteceu. O guia da Voitto traz uma regra de bolso parecida, marcada como didática. Ela sugere mirar pelo menos 50% da distância entre o desempenho atual e o ideal. As duas evitam a meta tirada do ar, que é o jeito mais rápido de transformar um bom projeto num resultado parcial.
Um case real lido pelo checklist e pela régua
A aba de exemplo usa o case de redução de sobras de corte no inox 430. É um projeto real de aluno da Voitto, com os dados descaracterizados. As respostas se apoiam apenas no texto publicado. Ninguém está repetindo aqui o parecer da banca sobre esse projeto, e o documento original pode conter evidências que o artigo não mostra.
O contexto: a tira que sobra da bobina
Num centro de corte de aço inox, a bobina larga é dividida em tiras na largura que cada cliente pediu. Raramente a soma das larguras fecha com a bobina. Sobra uma faixa, às vezes uma tira inteira sem pedido, e sem destino ela vira sucata vendida a uma fração do preço do material laminado.
A empresa, chamada no case de Voitto Steel, perdia em média 0,515% da produção acabada em sobras de corte sucateadas, numa série de 42 meses. A meta foi 0,373%, com ganho previsto de R$ 168 mil por ano. O valor da meta coincide com o primeiro quartil do histórico, de 0,37318%.
O que o projeto acertou antes de começar
O indicador foi bem escolhido: peso sucatado por sobras dividido pela produção acabada do mês. Normalizar pela produção impede que um mês de volume alto pareça pior. E o escopo deixou de fora, por escrito, a sucata por defeito de qualidade, que tem outras causas.
A linha de base veio do dado que existia. Média de 0,515%, desvio padrão de 0,193, carta I-MR sem pontos fora dos limites e capabilidade com Cpk de -0,29. Em 32 dos 42 meses, a perda passou da meta. A carta estável disse uma coisa importante para o projeto. A perda vinha do jeito como o sistema funciona, e caçar o pior mês não resolveria nada.
O passo que mais me agrada é o estudo de concordância. O indicador dependia de o operador classificar cada sucata como sobra ou como defeito. A equipe testou cinco apontadores: três acertaram tudo e dois concordaram com o padrão em 80% das vezes. Sem esse estudo, parte da melhoria futura poderia ser só sucata mudando de rubrica. Na régua, é o M3 com evidência.
Onde o checklist acende o amarelo
Pelo que o artigo publica, o exemplo fecha em 43 de 56 pontos, 77%, com semáforo amarelo. Três pontos seguram a nota. A meta tem número, mas o prazo não aparece. O patrocinador não é citado. E uma das cinco causas raiz, o cancelamento e a devolução de pedidos, mora no Comercial, fora da área que corta a bobina.
Esse último item é o que eu mais gosto de mostrar para quem vai fazer o primeiro projeto. A equipe não fingiu que a causa era da operação. Levou a renegociação de pedidos para o plano de ação, e o gráfico final separa a sucata por área responsável. No primeiro projeto Green Belt, causa fora da alçada pede patrocinador da outra área, e isso precisa estar escrito desde o Definir.
O que a régua da banca cobraria no fim
O mês de fechamento, outubro de 2019, registrou 0,35%, abaixo da meta. A série depois das ações, porém, oscila. De maio a outubro, a média foi de 0,42%, e três dos seis meses ficaram acima de 0,373%. O próprio case lembra que o melhor mês da linha de base já tinha sido 0,21%.
Na rubrica v4, isso cai em dois essenciais. O C5 quer ver o ganho de pé depois da implantação, em no mínimo 3 pontos de dados ou num intervalo de 30 a 90 dias. O I7 mede o alcance da meta, e um resultado parcial explicado com dado ainda pontua entre C e B. O caminho para fechar está no próprio case: recalcular a carta de controle com os meses novos e escrever o plano de controle com dono, frequência e reação.
Vale notar o que não precisa de reforço. A estatística da fase Medir já está boa, e levar o Medir de B para A muda pouco. Pela regra da faixa mais restritiva, o que sobe a recomendação é tirar os essenciais de C. Por isso a revisão de um projeto começa pelos essenciais, e só depois pela fase com menos pontos.
Cinco projetos Green Belt publicados, e o que cada um ensina
O case das sobras faz parte de uma série de cinco. Todos são de alunos da faixa verde, com dados descaracterizados e narrados fase a fase. Dois não bateram a meta inteira, e a gente publicou assim mesmo.
| Case | Resultado publicado | O que ensina |
|---|---|---|
| Sobras de corte do inox 430 | 0,515% de sucata para 0,35% no mês de fechamento, meta de 0,373% | Um mês abaixo da meta não prova patamar novo |
| Umidade do carvão vegetal | Média de 6,94% para 5,26%, meta de 5,52%, R$ 1.874.500 de ganho acumulado | O Pareto das reclamações escolheu o problema: a umidade respondia por 76% delas |
| Compras sem contrato na manutenção | Compras spot de 89,9% para 84,4%, teto de 88%, contrato de R$ 171 mil por ano | Processo administrativo cabe na faixa verde, e a média pode cair sem a dispersão cair junto |
| Tempo de ciclo de um forno | Desvio padrão do aquecimento 38,4% menor; resfriamento quase na meta de 44 horas, aquecimento não | Variação menor já é ganho, mesmo com a média fora do alvo |
| Consumo de níquel no aço P310 | 49,61 para 44,8 kg/t, meta de 34,88 não atingida, R$ 55.890,30 em cinco meses | Meta não batida, com o desvio explicado por dado, ainda conta resultado |
Projeto publicado só com vitória ensina pouco a quem vai começar. O que a banca procura é a leitura honesta do resultado, e a rubrica v4 registra isso no I7. Para quem vai começar, os cinco mostram também o tamanho certo de um primeiro projeto: um indicador, uma área com dono e algumas causas comprovadas.
Por trás deles há um acervo bem maior. A Academia Voitto já avaliou 259 projetos de Lean Seis Sigma, que somam R$ 180,8 milhões de ganho estimado. O total é estimado: soma o ganho declarado por projeto e, onde o dado faltava, usa a mediana de projetos semelhantes.
Autoavaliação pelos 35 critérios antes de submeter
O checklist serve para escolher e para conferir o básico. Quando o projeto está pronto para a banca, vale passar por todos os 35 critérios. O próprio documento de critérios prevê essa etapa: uma autoavaliação opcional, em que o candidato dá conceito aos próprios critérios antes de submeter.
Planilha gratuita: Autoavaliação do projeto pela rubrica v4. É a mesma para Green, Black e Master Black Belt, porque a régua é uma só. Cada um dos 35 critérios aparece com a evidência esperada. Você escolhe o conceito de A a D numa lista e marca os dois gates. A planilha confere os dez essenciais e devolve a faixa do laudo, ficando com a mais restritiva.
O exemplo preenchido reproduz o caso de calibração da página 10 do documento. É um projeto fictício de refugo na injeção de plásticos, de 8,4% para no máximo 4% em quatro meses. Ele fecha em 74 de 105, exatamente no piso do recomendado ao título. A imagem abre a planilha inteira para baixar.
Duas regras deixam a autoavaliação honesta. Para cada conceito, escreva onde está a evidência no seu documento, e conceito sem evidência citável vira D. Na dúvida entre dois conceitos, fique com o menor. A banca lê o documento que você entregou, e não o projeto que você lembra de ter feito.
As ferramentas que o Green Belt domina
O Green Belt aprende a responder com dado uma pergunta que o Yellow costuma responder no olho. Essa diferença no indicador é efeito real ou só a variação de sempre? Para isso, a caixa dele junta as ferramentas da qualidade com a estatística de comparação de grupos, e cada uma tem lugar numa fase do DMAIC.
| Fase | Ferramentas centrais | Pergunta que respondem |
|---|---|---|
| Definir | Project charter, SIPOC, voz do cliente e CTQ | Qual é o problema, onde ele começa e termina, e o que o cliente valoriza? |
| Medir | Plano de coleta, MSA, carta de controle, capabilidade, estratificação | Qual é o tamanho do problema hoje, e o dado é confiável? |
| Analisar | Pareto, Ishikawa, matriz de causa e efeito, teste de hipótese, correlação | Qual causa explica o problema, e o dado confirma? |
| Melhorar | Matriz de esforço e impacto, piloto, 5W2H, poka-yoke | Qual solução ataca a causa, e funcionou no teste? |
| Controlar | Plano de controle, padronização, carta de controle | O ganho continua de pé depois que o projeto acaba? |
A tabela segue a referência rápida do guia de certificação. O guia avisa que a lista é um mapa de apoio. Nenhum projeto é reprovado por não usar uma ferramenta específica. A regra de ouro do documento de critérios diz o mesmo de outro jeito. Avalia-se a substância. Mapa de fluxo de valor, análise de desperdícios, lead time e gemba valem como evidência tanto quanto um teste estatístico.
O que a faixa verde ainda não usa como rotina é o desenho de experimentos e a regressão múltipla, que ficam com o Black Belt. A comparação de ferramentas por belt separa o que cada faixa aplica do que ela apenas reconhece. Para quem vai fazer prova, o artigo sobre o que cai na prova de Green Belt traz o peso de cada bloco e a tabela de decisão do teste estatístico.
O erro de quem acabou de sair do curso
Quem termina a formação quer usar tudo. O projeto ganha teste de hipótese onde um Pareto bastava, e a apresentação vira vitrine de ferramenta. O guia de certificação corta isso com o exemplo dos 5 Porquês. Quando eles mostram a causa raiz com clareza, o projeto é tão válido quanto outro que pediu teste estatístico. No critério A7, rigor e proporcionalidade, a banca cobra justamente a ferramenta do tamanho do problema.
Como se tornar Green Belt: formação, projeto e certificação
São três etapas, e a do meio é a que define o prazo.
1. Formação. O curso entrega o método, as ferramentas e a estatística da faixa. O artigo sobre o curso Green Belt mostra o que um bom programa cobre. Na Voitto não há exigência de diploma de engenharia nem de faixa anterior, e os pré-requisitos do Green Belt em outras escolas estão comparados lá. Se a dúvida é o formato, veja online ou presencial.
2. Projeto. É ele que estica o calendário, porque depende de coletar dado e esperar o processo mostrar o efeito da mudança. O artigo sobre quanto tempo leva o Green Belt monta três cronogramas, do acelerado ao confortável. O conselho que vale para todos é escolher o problema nas primeiras semanas do curso, e não depois da última aula.
3. Certificação. A submissão acontece na Academia LSS da Voitto, com o certificado do treinamento e um termo de veracidade sobre os dados. A plataforma tem um passo a passo por fase e 25 modelos de ferramenta. A banca aplica os 35 critérios e devolve a análise técnica e o laudo. Se o laudo recomenda, ainda que com ressalvas, o título é emitido, e para o primeiro projeto ele é o da faixa verde.
Quem quer orientação durante o caminho tem a certificação de especialista Lean Seis Sigma da Voitto, com acompanhamento e feedback em cada fase do DMAIC até o laudo. É o recurso que mais encurta projeto travado, porque a maioria trava na mesma semana: a do dado que não existe.
Quanto custa e se compensa
Aqui eu deixo a conta para quem já fez. Para comparar preços entre escolas, use o levantamento sobre quanto custa a certificação Lean Seis Sigma. O tempo de retorno, os casos em que a resposta é não e uma calculadora estão em Green Belt vale a pena. Repare que os dois artigos chegam ao mesmo ponto: o retorno depende de existir um processo real para melhorar.
Salário e currículo: o que o título muda
A faixa é uma certificação. Quem tem o título é contratado como analista, engenheiro ou coordenador e recebe o salário desse cargo. O artigo sobre salário de Green Belt junta os dados por cargo e explica por que os números de sites de autodeclaração saem tão diferentes entre si.
O que o título muda de verdade é a conversa na entrevista. Com a sigla no currículo, o recrutador que conhece o assunto pergunta pelo projeto. Qual era o problema em número? Como você mediu e como provou a causa? Quem validou o ganho, e o que aconteceu seis meses depois? A terceira pergunta é onde trava quem certificou só com prova. O guia de Green Belt no currículo mostra como escrever o projeto como linha de resultado.
Erros comuns no primeiro projeto Green Belt
- Começar pela solução. Quando você já sabe a resposta antes de medir, o projeto vira justificativa. A banca percebe quando a linha de base apareceu depois da mudança.
- Escolher pelo tamanho do ganho. O problema grande impressiona no charter e trava na fase Medir. Recorte por produto, linha, turno ou etapa até caber.
- Meta sem prazo. Sem prazo, ninguém sabe se o projeto deu certo, e o D3 é essencial.
- Confiar no dado sem olhar a fonte. Se a medida depende de alguém classificar, teste a classificação antes de analisar.
- Plano de ação sem dono. Ação com o quê e sem o quem e o quando não anda quando depende de três áreas.
- Encerrar no primeiro mês bom. O ganho precisa de pelo menos três pontos depois da implantação, e um mês bom pode ser só variação.
- Deixar o ganho financeiro para o fim. Estime com premissas no Definir e combine a validação com o financeiro antes de implantar a primeira ação.
Quase todos esses erros nascem do mesmo atalho: pular da dor para a solução. A sequência do método DMAIC existe para impedir esse salto, e cada fase prepara a seguinte.
Por onde começar
Baixe o checklist e passe por ele o problema que mais incomoda a sua área hoje. Se o semáforo ficar vermelho, recorte o problema antes de descartar a ideia. Se ficar amarelo, comece e resolva os itens pendentes até o fim da fase Medir. Quando o projeto estiver perto do fim, use a planilha dos 35 critérios para conferir o que a banca vai ler.
Levantar da cadeira e ir ao processo medir o problema é a parte que nenhum curso faz por você. Se você quer fazer esse percurso com alguém olhando cada fase e uma banca no fim, fica o convite para conhecer a Academia de Certificação da Voitto. Depois do primeiro projeto, o que estudar para subir de faixa está em de Green para Black Belt.
Lá em Lafaiete, quem fazia diferença chegava com o número na mão e sabia de onde ele vinha. Meses depois, conseguia mostrar que o problema não tinha voltado. O título de Green Belt registra exatamente isso.



