Metodologias & Qualidade

O que é Green Belt: o que faz, o primeiro projeto e como a banca avalia

O papel da faixa verde no Lean Seis Sigma, como a Voitto avalia o primeiro projeto pelos 35 critérios da rubrica v4, um case real lido pela régua e um checklist do primeiro projeto com pontuação e semáforo para baixar.

Thiago Coutinho
Publicado em 19 de out de 2026  ·  Atualizado em 19 de out de 2026  ·  22 min de leitura
Capa do artigo com foto da Voitto e o texto O que é Green Belt: o que faz, o primeiro projeto e como a banca avalia sobre fundo escuro à esquerda

Em Lafaiete, fui coordenador de operações da MRS Logística por dois anos. Eu chefiava os inspetores, que chefiam os maquinistas, e a ferrovia não para para ninguém fazer projeto. Foi ali que eu entendi onde mora o Green Belt. Ele é a pessoa que tem uma área para tocar e uma meta para entregar. E tem um problema que ninguém de fora vai resolver por ela.

Na MRS a gente tinha programas de melhoria contínua, 5S e olimpíadas de melhoria. E tinha um desdobramento de metas que descia do presidente até o coordenador. Cada número tinha dono. Num lugar assim, o problema do dia a dia só vira projeto quando alguém da própria área se dispõe a medir direito. E a provar a causa antes de gastar com a solução.

Este guia responde o que é Green Belt, o que ele faz na rotina e onde fica entre as faixas. Mostra como a banca da Voitto avalia o primeiro projeto, pela mesma régua de 35 critérios que vale para todas as faixas. E traz dois materiais para baixar: um checklist do primeiro projeto, com pontuação e semáforo, e a planilha de autoavaliação pelos critérios da banca.

O que é Green Belt

Green Belt é o profissional treinado em Lean Seis Sigma que lidera projetos de melhoria na própria área, pelo método DMAIC, dedicando parte do tempo a eles. Numa certificação séria, o título de especialista Green Belt depende do primeiro projeto real concluído e aprovado por banca, e não só do curso.

No Guia Prático Lean Seis Sigma, a seção sobre certificações de belts fica no capítulo 10, “Seis Sigma”. Na página 81, eu escrevi assim. “Profissional que dedica parte de seu tempo (geralmente cerca de 20 a 30%) a atividades de Melhoria Contínua e execução de projetos Seis Sigma. O Green Belt está preparado para liderar projetos e realizar análises estatísticas.”

As duas frases carregam o que define a faixa. A primeira fala de tempo. O profissional continua analista, engenheiro, supervisor ou coordenador, e o projeto divide a agenda com a rotina. A segunda fala de capacidade. Ele conduz o projeto e faz as contas, sem depender de alguém de fora para decidir se a causa é aquela mesmo.

Green quer dizer verde. A cor vem da escala das artes marciais que o Seis Sigma adotou. Nela, a faixa verde fica no meio do caminho. Está acima de quem reconhece o problema e abaixo de quem conduz projetos entre áreas e forma outras pessoas.

Curso, prova e projeto

No mercado, “sou Green Belt” pode significar três coisas diferentes. Pode ser só o curso. Pode ser uma prova. E pode ser um projeto concluído com resultado medido e conferido por alguém que entende do assunto.

O Council for Six Sigma Certification mostra bem essa diferença. A certificação da faixa verde deles é um exame de 100 questões, com consulta e duas horas de duração. A própria página avisa que ela não exige projeto. O projeto só aparece no nível seguinte. Na Voitto, que é acreditada por esse mesmo conselho, o título de especialista sai do projeto. Quem vai investir meses na faixa verde precisa saber de antemão qual das três coisas está comprando.

A rotina do Green Belt e o lugar dele entre as faixas

O trabalho da faixa verde tem uma parte de projeto e uma parte de função. As duas acontecem no mesmo processo. Ele escolhe um problema da própria área, mede o tamanho dele, prova a causa com dado, implanta a solução e deixa um controle para o ganho não voltar. No resto da semana, ele segue tocando o mesmo processo que está melhorando.

Essa proximidade é a força da faixa. Quem opera o processo sabe onde o dado mora, quem registra errado e qual turno faz diferente. E é também a fraqueza, porque a rotina tem prazo todo dia e o projeto tem prazo daqui a quatro meses. Quando os dois disputam a mesma hora, a rotina ganha.

FaixaPapel no projetoTempo dedicado
Yellow BeltDá suporte aos projetos e resolve melhoria pontual na própria rotinaPontual
Green BeltConduz o projeto da própria área e cuida da análise dos dadosParte do tempo, em geral de 20% a 30%
Black BeltAssume os problemas complexos e dá mentoria a quem está na faixa verdeEm geral, dedicação integral

As linhas do Green e do Black vêm da mesma página 81 do livro. O mapa completo das faixas Lean Seis Sigma mostra os cinco degraus, do White ao Master, com carga horária e prazo de cada um. Ele também explica por que ninguém precisa passar por todas as faixas em sequência.

Green, Yellow e Black: onde passa a fronteira

Para baixo, a fronteira é a exigência de prova. O Yellow Belt resolve problema em que a causa fica visível para quem conhece o processo. O Green entra quando há várias causas candidatas e nenhuma forma de escolher entre elas sem dado. O artigo sobre Yellow ou Green Belt traz um teste de cinco perguntas para classificar o seu problema.

Para cima, a fronteira é o tamanho do problema e a responsabilidade por gente. O Black Belt pega o sintoma que atravessa áreas e orienta os projetos de quem está na faixa verde. Quem está em dúvida entre os dois encontra a comparação em Green Belt ou Black Belt. Na prática, decide mais a alçada que a pessoa tem do que a quantidade de estatística que ela quer aprender.

Quem costuma ser Green Belt

Engenheiros, analistas de qualidade e de processos, supervisores e coordenadores de operação são o perfil mais comum. Mas a faixa saiu da fábrica faz tempo. Um dos cinco projetos da faixa verde que a gente publicou no blog ataca a compra sem contrato na manutenção. É um processo administrativo de requisição, cotação e pedido. O que une todos é um processo que se repete e varia mais do que deveria.

Como a Voitto avalia o projeto Green Belt

A régua vigente da Academia de Certificação Lean Seis Sigma da Voitto tem nome comprido. É o documento Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC, versão 4, de setembro de 2026. O primeiro projeto aprovado certifica Green Belt, o segundo Black Belt e o terceiro Master Black Belt. A régua é a mesma nos três. O que muda é o que se espera de cada nível.

Do primeiro projeto, a página da Academia espera que o candidato aplique o DMAIC a um problema do dia a dia, geralmente com apoio. Pede investigação do problema, uso do passo a passo e resultado. E acrescenta uma frase que tira um peso das costas de muita gente: profundidade estatística básica é plenamente aceitável no primeiro projeto.

A régua em números

São 5 fases do DMAIC, e cada uma tem 7 critérios. Todos os 35 usam a mesma escala de conceitos. A, exemplar, vale 3 pontos. B, adequado, vale 2 e é o patamar esperado para recomendação. C, parcial, vale 1. D, insuficiente, não pontua. Assim, uma fase chega a no máximo 21 pontos, e o projeto inteiro a 105.

FaseEssenciais da faseArmadilha comum na fase
DefinirD1 problema real · D3 meta SMARTEscopo largo demais e meta genérica, sem número nem prazo
MedirM3 dado confiável · M4 linha de baseDado frágil e linha de base que não foi registrada
AnalisarA3 causa comprovada com dadoCausa preferida escolhida contra o que o dado mostra
MelhorarI1 solução ligada à causa · I6 melhoria comprovada · I7 alcance da metaSolução implantada sem medir o resultado contra a linha de base
ControlarC1 plano de controle · C5 ganho sustentadoComemorar o resultado sem deixar nada que o sustente

As duas primeiras colunas vêm do documento de critérios. A da direita resume as armadilhas que o guia de certificação lista em cada fase. Os dez essenciais são eliminatórios: um essencial em D impede a recomendação, e um essencial em C só permite recomendação com ressalvas.

O Capa do documento Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC v4 da Voitto, usado para avaliar o projeto Green Beltdocumento completo é público e tem 14 páginas. Ali estão a escala e o que cada critério exige como evidência. Também estão as âncoras que os avaliadores usam para calibrar o conceito, um caso ilustrativo já pontuado e os modelos de folha e de parecer. A capa abre o documento inteiro, com o botão para baixar. Eu recomendo ler a fase Definir inteira antes de escolher o problema, porque metade das decisões que derrubam um projeto acontece nela.

Gates, faixas e quem decide

Dois gates vêm antes da nota. O primeiro confere integridade: projeto feito pelo candidato, em contexto real, com dado verdadeiro. O segundo confere o fio condutor, a cadeia que liga problema, métrica, causa, solução e controle. Projeto inventado é barrado antes da pontuação. Fio condutor quebrado limita o laudo a recomendado com ressalvas.

Faixa do laudoO que precisa acontecer
Recomendado com distinçãoA partir de 90 pontos, com toda fase em 15 ou mais e nenhum essencial abaixo de B
Recomendado ao títuloA partir de 74 pontos, com toda fase em 12 ou mais e nenhum essencial abaixo de B
Recomendado com ressalvasEntre 58 e 73 pontos, ou fase abaixo de 12, ou essencial em C, ou fio condutor quebrado
Não recomendadoAbaixo de 58 pontos, ou essencial em D, ou gate de integridade reprovado

Quando os indicadores apontam faixas diferentes, vale a mais restritiva. Nas ressalvas, o título é concedido e o plano de melhoria fica registrado no laudo. Quem fica sem recomendação recebe os apontamentos de cada fase e pode ressubmeter. A pré-avaliação é feita por um agente de IA; quem decide é a banca humana.

O guia de certificação Lean Seis Sigma, escrito para o aluno, traduz a régua e é claro sobre o primeiro nível. Profundidade estatística, ganho financeiro estimado, gestão de stakeholders, escopo desafiador e visualização de dados enriquecem o projeto. O guia diz que a ausência deles não reprova um bom Green Belt. Mais adiante, resume: “Um Green Belt precisa demonstrar domínio do ciclo e um resultado real.”

O que um bom primeiro projeto Green Belt tem: escopo, meta e dados

A escolha do problema decide mais o resultado do que qualquer ferramenta usada depois. O critério que costuma guiar a escolha é o tamanho do ganho, e ele engana. Problema grande atrai patrocínio no começo e trava no meio, porque escopo largo multiplica donos, interfaces e dados que não existem. O critério melhor é a chance de terminar com evidência.

O guia da Voitto chama o erro número 1 de chegar com a solução pronta. A página da Academia resume o que procurar. O problema precisa ser relevante para o negócio ou para o cliente, com escopo factível, nem trivial nem um oceano. Precisa ter dados disponíveis, patrocínio e equipe definidos. A gente transformou isso em perguntas que dá para responder numa tarde.

  • Problema com dado. Um número que mostra que o problema existe hoje e quanto ele pesa. Planilha imperfeita serve; processo sem registro nenhum vira primeiro um projeto de coleta.
  • Escopo que cabe em três a quatro meses. Começo, fim e o que fica de fora, num pedaço do processo onde você ou o patrocinador conseguem mudar alguma coisa.
  • Meta SMART. Número, prazo e o mesmo indicador do problema. Meta sem prazo escrito deixa o D3, que é essencial, em C.
  • Linha de base. Média e variação do indicador antes de mexer, num período que represente o processo.
  • Patrocinador com nome. Alguém que aprova, libera acesso ao dado e cobra o andamento.
  • Ganho estimado com premissas. A conta escrita, mesmo aproximada, e combinada com quem vai validar no fim.

O artigo sobre o primeiro projeto depois do curso detalha onde procurar o problema e os sinais de que ele vai travar. Aqui, o foco é chegar à banca com cada item virado em evidência.

Planilha gratuita: Checklist do primeiro projeto Green Belt. São 13 perguntas, cada uma ligada a um critério da rubrica v4, com resposta Sim, Parcial ou Não, peso e a evidência ao lado. As fórmulas somam a pontuação, contam os itens essenciais e acendem o semáforo. Verde é para começar, amarelo é para começar resolvendo pendências e vermelho pede recortar o problema antes.

Checklist do primeiro projeto Green Belt preenchido com o case das sobras de corte: respostas em verde, amarelo e vermelho, 43 de 56 pontos e semáforo amarelo

O arquivo tem a aba Como usar, o checklist em branco e um exemplo preenchido com um case real publicado no blog, explicado na seção seguinte. Sem macros; funciona no Excel, no LibreOffice e no Google Planilhas. Um clique na imagem abre o exemplo completo, com o botão de download.

Como ler o semáforo

Cinco das 13 perguntas são essenciais porque espelham critérios essenciais da banca. São elas: problema real, meta, dado confiável, linha de base e a possibilidade de medir o depois. Qualquer uma delas em Não acende o vermelho, por mais alta que seja a pontuação. Em Parcial, o melhor resultado possível é o amarelo.

A pontuação e o semáforo são uma régua do checklist para orientar a escolha, e não a nota da banca. A planilha avisa isso na primeira aba. O papel dela é impedir que você descubra no laudo um defeito que dava para ver na primeira semana.

De onde vem uma meta defensável

Olhe os cinco cases da faixa que a gente publicou. Em três deles, o alvo bate com o primeiro quartil da série histórica do próprio processo. Foi assim nas sobras de corte, no forno de tratamento térmico e no consumo de níquel. A meta pede que o processo rode sempre no nível que ele já atinge nos seus 25% melhores períodos.

É uma âncora fácil de defender diante do patrocinador, porque o patamar já aconteceu. O guia da Voitto traz uma regra de bolso parecida, marcada como didática. Ela sugere mirar pelo menos 50% da distância entre o desempenho atual e o ideal. As duas evitam a meta tirada do ar, que é o jeito mais rápido de transformar um bom projeto num resultado parcial.

Um case real lido pelo checklist e pela régua

A aba de exemplo usa o case de redução de sobras de corte no inox 430. É um projeto real de aluno da Voitto, com os dados descaracterizados. As respostas se apoiam apenas no texto publicado. Ninguém está repetindo aqui o parecer da banca sobre esse projeto, e o documento original pode conter evidências que o artigo não mostra.

O contexto: a tira que sobra da bobina

Num centro de corte de aço inox, a bobina larga é dividida em tiras na largura que cada cliente pediu. Raramente a soma das larguras fecha com a bobina. Sobra uma faixa, às vezes uma tira inteira sem pedido, e sem destino ela vira sucata vendida a uma fração do preço do material laminado.

A empresa, chamada no case de Voitto Steel, perdia em média 0,515% da produção acabada em sobras de corte sucateadas, numa série de 42 meses. A meta foi 0,373%, com ganho previsto de R$ 168 mil por ano. O valor da meta coincide com o primeiro quartil do histórico, de 0,37318%.

O que o projeto acertou antes de começar

O indicador foi bem escolhido: peso sucatado por sobras dividido pela produção acabada do mês. Normalizar pela produção impede que um mês de volume alto pareça pior. E o escopo deixou de fora, por escrito, a sucata por defeito de qualidade, que tem outras causas.

A linha de base veio do dado que existia. Média de 0,515%, desvio padrão de 0,193, carta I-MR sem pontos fora dos limites e capabilidade com Cpk de -0,29. Em 32 dos 42 meses, a perda passou da meta. A carta estável disse uma coisa importante para o projeto. A perda vinha do jeito como o sistema funciona, e caçar o pior mês não resolveria nada.

O passo que mais me agrada é o estudo de concordância. O indicador dependia de o operador classificar cada sucata como sobra ou como defeito. A equipe testou cinco apontadores: três acertaram tudo e dois concordaram com o padrão em 80% das vezes. Sem esse estudo, parte da melhoria futura poderia ser só sucata mudando de rubrica. Na régua, é o M3 com evidência.

Onde o checklist acende o amarelo

Pelo que o artigo publica, o exemplo fecha em 43 de 56 pontos, 77%, com semáforo amarelo. Três pontos seguram a nota. A meta tem número, mas o prazo não aparece. O patrocinador não é citado. E uma das cinco causas raiz, o cancelamento e a devolução de pedidos, mora no Comercial, fora da área que corta a bobina.

Esse último item é o que eu mais gosto de mostrar para quem vai fazer o primeiro projeto. A equipe não fingiu que a causa era da operação. Levou a renegociação de pedidos para o plano de ação, e o gráfico final separa a sucata por área responsável. No primeiro projeto Green Belt, causa fora da alçada pede patrocinador da outra área, e isso precisa estar escrito desde o Definir.

O que a régua da banca cobraria no fim

O mês de fechamento, outubro de 2019, registrou 0,35%, abaixo da meta. A série depois das ações, porém, oscila. De maio a outubro, a média foi de 0,42%, e três dos seis meses ficaram acima de 0,373%. O próprio case lembra que o melhor mês da linha de base já tinha sido 0,21%.

Carta de controle com linha média, limites superior e inferior e um ponto acima do limite superior marcado como causa especial
A carta recalculada com os meses depois das ações é o que separa um mês bom de um patamar novo. Imagem do material didático da Voitto.

Na rubrica v4, isso cai em dois essenciais. O C5 quer ver o ganho de pé depois da implantação, em no mínimo 3 pontos de dados ou num intervalo de 30 a 90 dias. O I7 mede o alcance da meta, e um resultado parcial explicado com dado ainda pontua entre C e B. O caminho para fechar está no próprio case: recalcular a carta de controle com os meses novos e escrever o plano de controle com dono, frequência e reação.

Vale notar o que não precisa de reforço. A estatística da fase Medir já está boa, e levar o Medir de B para A muda pouco. Pela regra da faixa mais restritiva, o que sobe a recomendação é tirar os essenciais de C. Por isso a revisão de um projeto começa pelos essenciais, e só depois pela fase com menos pontos.

Cinco projetos Green Belt publicados, e o que cada um ensina

O case das sobras faz parte de uma série de cinco. Todos são de alunos da faixa verde, com dados descaracterizados e narrados fase a fase. Dois não bateram a meta inteira, e a gente publicou assim mesmo.

CaseResultado publicadoO que ensina
Sobras de corte do inox 4300,515% de sucata para 0,35% no mês de fechamento, meta de 0,373%Um mês abaixo da meta não prova patamar novo
Umidade do carvão vegetalMédia de 6,94% para 5,26%, meta de 5,52%, R$ 1.874.500 de ganho acumuladoO Pareto das reclamações escolheu o problema: a umidade respondia por 76% delas
Compras sem contrato na manutençãoCompras spot de 89,9% para 84,4%, teto de 88%, contrato de R$ 171 mil por anoProcesso administrativo cabe na faixa verde, e a média pode cair sem a dispersão cair junto
Tempo de ciclo de um fornoDesvio padrão do aquecimento 38,4% menor; resfriamento quase na meta de 44 horas, aquecimento nãoVariação menor já é ganho, mesmo com a média fora do alvo
Consumo de níquel no aço P31049,61 para 44,8 kg/t, meta de 34,88 não atingida, R$ 55.890,30 em cinco mesesMeta não batida, com o desvio explicado por dado, ainda conta resultado

Projeto publicado só com vitória ensina pouco a quem vai começar. O que a banca procura é a leitura honesta do resultado, e a rubrica v4 registra isso no I7. Para quem vai começar, os cinco mostram também o tamanho certo de um primeiro projeto: um indicador, uma área com dono e algumas causas comprovadas.

Por trás deles há um acervo bem maior. A Academia Voitto já avaliou 259 projetos de Lean Seis Sigma, que somam R$ 180,8 milhões de ganho estimado. O total é estimado: soma o ganho declarado por projeto e, onde o dado faltava, usa a mediana de projetos semelhantes.

Autoavaliação pelos 35 critérios antes de submeter

O checklist serve para escolher e para conferir o básico. Quando o projeto está pronto para a banca, vale passar por todos os 35 critérios. O próprio documento de critérios prevê essa etapa: uma autoavaliação opcional, em que o candidato dá conceito aos próprios critérios antes de submeter.

Planilha gratuita: Autoavaliação do projeto pela rubrica v4. É a mesma para Green, Black e Master Black Belt, porque a régua é uma só. Cada um dos 35 critérios aparece com a evidência esperada. Você escolhe o conceito de A a D numa lista e marca os dois gates. A planilha confere os dez essenciais e devolve a faixa do laudo, ficando com a mais restritiva.

Consolidação da autoavaliação pela rubrica v4: total 74 de 105, menor fase 14 de 21, essenciais em B ou A e faixa Recomendado ao título

O exemplo preenchido reproduz o caso de calibração da página 10 do documento. É um projeto fictício de refugo na injeção de plásticos, de 8,4% para no máximo 4% em quatro meses. Ele fecha em 74 de 105, exatamente no piso do recomendado ao título. A imagem abre a planilha inteira para baixar.

Duas regras deixam a autoavaliação honesta. Para cada conceito, escreva onde está a evidência no seu documento, e conceito sem evidência citável vira D. Na dúvida entre dois conceitos, fique com o menor. A banca lê o documento que você entregou, e não o projeto que você lembra de ter feito.

As ferramentas que o Green Belt domina

O Green Belt aprende a responder com dado uma pergunta que o Yellow costuma responder no olho. Essa diferença no indicador é efeito real ou só a variação de sempre? Para isso, a caixa dele junta as ferramentas da qualidade com a estatística de comparação de grupos, e cada uma tem lugar numa fase do DMAIC.

FaseFerramentas centraisPergunta que respondem
DefinirProject charter, SIPOC, voz do cliente e CTQQual é o problema, onde ele começa e termina, e o que o cliente valoriza?
MedirPlano de coleta, MSA, carta de controle, capabilidade, estratificaçãoQual é o tamanho do problema hoje, e o dado é confiável?
AnalisarPareto, Ishikawa, matriz de causa e efeito, teste de hipótese, correlaçãoQual causa explica o problema, e o dado confirma?
MelhorarMatriz de esforço e impacto, piloto, 5W2H, poka-yokeQual solução ataca a causa, e funcionou no teste?
ControlarPlano de controle, padronização, carta de controleO ganho continua de pé depois que o projeto acaba?
Matriz que cruza X contínuo ou discreto com Y contínuo ou discreto e indica a ferramenta estatística de cada quadrante
A escolha da análise começa pelo tipo de dado da causa (X) e do efeito (Y). Ilustração do acervo da formação Lean Seis Sigma da Voitto.

A tabela segue a referência rápida do guia de certificação. O guia avisa que a lista é um mapa de apoio. Nenhum projeto é reprovado por não usar uma ferramenta específica. A regra de ouro do documento de critérios diz o mesmo de outro jeito. Avalia-se a substância. Mapa de fluxo de valor, análise de desperdícios, lead time e gemba valem como evidência tanto quanto um teste estatístico.

O que a faixa verde ainda não usa como rotina é o desenho de experimentos e a regressão múltipla, que ficam com o Black Belt. A comparação de ferramentas por belt separa o que cada faixa aplica do que ela apenas reconhece. Para quem vai fazer prova, o artigo sobre o que cai na prova de Green Belt traz o peso de cada bloco e a tabela de decisão do teste estatístico.

O erro de quem acabou de sair do curso

Quem termina a formação quer usar tudo. O projeto ganha teste de hipótese onde um Pareto bastava, e a apresentação vira vitrine de ferramenta. O guia de certificação corta isso com o exemplo dos 5 Porquês. Quando eles mostram a causa raiz com clareza, o projeto é tão válido quanto outro que pediu teste estatístico. No critério A7, rigor e proporcionalidade, a banca cobra justamente a ferramenta do tamanho do problema.

Como se tornar Green Belt: formação, projeto e certificação

São três etapas, e a do meio é a que define o prazo.

1. Formação. O curso entrega o método, as ferramentas e a estatística da faixa. O artigo sobre o curso Green Belt mostra o que um bom programa cobre. Na Voitto não há exigência de diploma de engenharia nem de faixa anterior, e os pré-requisitos do Green Belt em outras escolas estão comparados lá. Se a dúvida é o formato, veja online ou presencial.

2. Projeto. É ele que estica o calendário, porque depende de coletar dado e esperar o processo mostrar o efeito da mudança. O artigo sobre quanto tempo leva o Green Belt monta três cronogramas, do acelerado ao confortável. O conselho que vale para todos é escolher o problema nas primeiras semanas do curso, e não depois da última aula.

3. Certificação. A submissão acontece na Academia LSS da Voitto, com o certificado do treinamento e um termo de veracidade sobre os dados. A plataforma tem um passo a passo por fase e 25 modelos de ferramenta. A banca aplica os 35 critérios e devolve a análise técnica e o laudo. Se o laudo recomenda, ainda que com ressalvas, o título é emitido, e para o primeiro projeto ele é o da faixa verde.

Quem quer orientação durante o caminho tem a certificação de especialista Lean Seis Sigma da Voitto, com acompanhamento e feedback em cada fase do DMAIC até o laudo. É o recurso que mais encurta projeto travado, porque a maioria trava na mesma semana: a do dado que não existe.

Quanto custa e se compensa

Aqui eu deixo a conta para quem já fez. Para comparar preços entre escolas, use o levantamento sobre quanto custa a certificação Lean Seis Sigma. O tempo de retorno, os casos em que a resposta é não e uma calculadora estão em Green Belt vale a pena. Repare que os dois artigos chegam ao mesmo ponto: o retorno depende de existir um processo real para melhorar.

Salário e currículo: o que o título muda

A faixa é uma certificação. Quem tem o título é contratado como analista, engenheiro ou coordenador e recebe o salário desse cargo. O artigo sobre salário de Green Belt junta os dados por cargo e explica por que os números de sites de autodeclaração saem tão diferentes entre si.

O que o título muda de verdade é a conversa na entrevista. Com a sigla no currículo, o recrutador que conhece o assunto pergunta pelo projeto. Qual era o problema em número? Como você mediu e como provou a causa? Quem validou o ganho, e o que aconteceu seis meses depois? A terceira pergunta é onde trava quem certificou só com prova. O guia de Green Belt no currículo mostra como escrever o projeto como linha de resultado.

Erros comuns no primeiro projeto Green Belt

  • Começar pela solução. Quando você já sabe a resposta antes de medir, o projeto vira justificativa. A banca percebe quando a linha de base apareceu depois da mudança.
  • Escolher pelo tamanho do ganho. O problema grande impressiona no charter e trava na fase Medir. Recorte por produto, linha, turno ou etapa até caber.
  • Meta sem prazo. Sem prazo, ninguém sabe se o projeto deu certo, e o D3 é essencial.
  • Confiar no dado sem olhar a fonte. Se a medida depende de alguém classificar, teste a classificação antes de analisar.
  • Plano de ação sem dono. Ação com o quê e sem o quem e o quando não anda quando depende de três áreas.
  • Encerrar no primeiro mês bom. O ganho precisa de pelo menos três pontos depois da implantação, e um mês bom pode ser só variação.
  • Deixar o ganho financeiro para o fim. Estime com premissas no Definir e combine a validação com o financeiro antes de implantar a primeira ação.

Quase todos esses erros nascem do mesmo atalho: pular da dor para a solução. A sequência do método DMAIC existe para impedir esse salto, e cada fase prepara a seguinte.

Por onde começar

Baixe o checklist e passe por ele o problema que mais incomoda a sua área hoje. Se o semáforo ficar vermelho, recorte o problema antes de descartar a ideia. Se ficar amarelo, comece e resolva os itens pendentes até o fim da fase Medir. Quando o projeto estiver perto do fim, use a planilha dos 35 critérios para conferir o que a banca vai ler.

Levantar da cadeira e ir ao processo medir o problema é a parte que nenhum curso faz por você. Se você quer fazer esse percurso com alguém olhando cada fase e uma banca no fim, fica o convite para conhecer a Academia de Certificação da Voitto. Depois do primeiro projeto, o que estudar para subir de faixa está em de Green para Black Belt.

Lá em Lafaiete, quem fazia diferença chegava com o número na mão e sabia de onde ele vinha. Meses depois, conseguia mostrar que o problema não tinha voltado. O título de Green Belt registra exatamente isso.

Perguntas frequentes

O que é Green Belt?
É o profissional treinado em Lean Seis Sigma que lidera projetos de melhoria na própria área, pelo método DMAIC, dedicando parte do tempo a eles. Numa certificação séria, o título de especialista depende do primeiro projeto real concluído e aprovado por uma banca, e não só do curso.
O que significa Green Belt?
Significa faixa verde. O Seis Sigma adotou a escala das artes marciais para indicar o papel de cada pessoa nos projetos, e a faixa verde fica no meio: acima do White e do Yellow Belt, que dão suporte, e abaixo do Black Belt, que conduz projetos entre áreas.
O que faz um Green Belt no dia a dia?
Escolhe um problema da própria área, mede o tamanho dele, prova a causa com dado, implanta a solução e deixa um controle para o ganho não voltar. Segundo o Guia Prático Lean Seis Sigma, a faixa verde dedica cerca de 20% a 30% do tempo a isso e segue na função de origem.
Qual a diferença entre Green Belt e Black Belt?
O Green lidera projetos na própria área, em parte do tempo. O Black resolve problemas de alta complexidade, que atravessam áreas, geralmente em tempo integral, e orienta quem está na faixa verde. Na Voitto, os dois passam pela mesma rubrica de 35 critérios; do Black se espera projeto mais complexo e condução mais autônoma.
Como funciona a certificação Green Belt na Voitto?
O primeiro projeto aprovado dá o título da faixa verde. O candidato submete o projeto pela Academia LSS, e a banca aplica os Critérios Técnicos de Avaliação DMAIC v4: 35 critérios com conceito de A a D, até 105 pontos e 10 essenciais. A recomendação ao título pede 74 pontos, todas as fases com 12 ou mais e os essenciais em B ou A.
Preciso saber estatística para ser Green Belt?
Não. A formação ensina a estatística da faixa, como teste de hipótese, capabilidade e carta de controle, e o software faz as contas. Para o primeiro projeto, a Academia da Voitto considera profundidade estatística básica plenamente aceitável; o que pesa é causa comprovada com dado e resultado medido.
Quanto tempo leva para tirar o Green Belt?
O que define o prazo é o projeto, porque ele depende de coletar dado e esperar o processo mostrar o efeito da mudança. O artigo do blog da Voitto sobre o prazo da faixa verde monta três cronogramas, de 3 a 9 meses, conforme o ritmo semanal e o tempo do projeto.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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