Calendário de auditorias 5S: como montar e 13 exemplos preenchidos
A auditoria que segura o 5S depois do projeto: ritmo, quem audita, dono e reação, lidos em 13 áreas que já tinham batido a meta.
Sou auditor líder ISO 9000 pela IRCA, e aprendi cedo uma regra que vale em qualquer auditoria de sistema de gestão: ninguém audita o próprio trabalho. Levada para o 5S, essa régua me faz olhar primeiro para quem assina cada linha de um calendário de auditorias. O calendário de auditorias é a folha que diz em que dia a área vai ser conferida, por quem, e o que acontece se a nota cair. No fim de um projeto ele parece papelada. Na prática, é o documento que decide se o 5S continua de pé no sexto mês.
O Plano Mestre do Kit 5S fecha com uma dica que eu assino embaixo: o 5S não fracassa no descarte nem na faxina. Fracassa quando ninguém volta para auditar. Se o bloco de consolidação ficar em branco, a área volta ao que era em 90 dias. Todo o esforço do programa 5S fica apoiado no calendário de auditorias, a última folha do plano.
Neste guia você vai ver o que entra no calendário de auditorias do 5S e o que 13 calendários preenchidos a partir dos casos do Kit 5S mostram, inclusive onde eles se afastam da regra de independência. Depois vêm os 5 passos para montar o seu e o modelo em branco para baixar.
O que é o calendário de auditorias do 5S
O calendário de auditorias do 5S é o plano anual que fixa, mês a mês, a data de cada auditoria da área, a dupla de auditores, a nota obtida e a reação quando ela fica abaixo do limiar. Ele transforma o quinto senso, a disciplina, em compromisso com dia marcado e dono conhecido.
No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o capítulo 5, “5S: a base da qualidade”, trata na página 37 a manutenção das melhorias como “Etapa crítica do processo, que demanda atenção e regras de monitoramento e controle”. Na mesma página, o capítulo põe auditores na sustentação: “Equipes de auditores podem auxiliar nesse processo, fiscalizando se os novos padrões estão sendo mantidos”. O calendário de auditorias é a forma concreta dessas regras: sem data, a fiscalização vira intenção.
Vale separar o calendário de auditorias das peças vizinhas do kit, porque cada uma responde uma pergunta. O checklist de auditoria (R11) diz o que se confere. O gráfico radar (R12) compara o antes com o depois, senso a senso. O calendário diz quando, com quem e o que fazer com o resultado. A conferência diária de poucos itens tem nome próprio, o kamishibai, e o plano de reação (C15) cuida do que acontece depois que a nota cai, na mesma lógica do OCAP.
Uma distinção que evita confusão: o calendário de auditorias não mede o projeto. O projeto já terminou quando ele começa a rodar. Ele mede a sustentação, que é a parte do 5S que o cronograma de implantação deixa como última linha e quase ninguém detalha.
O que 13 calendários de auditorias preenchidos mostram
A gente montou um calendário de auditorias para cada um dos 13 casos do Kit 5S, a partir do bloco 8 do Plano Mestre, que é a etapa de consolidação. São exemplos preenchidos (ilustrativos), sempre em áreas que já tinham batido a meta do projeto. Cinco coisas aparecem quando eles ficam lado a lado.
- O limiar de reação é a própria meta. Nos 13 casos, a nota que dispara o mutirão é a mesma que o projeto precisava bater para ser encerrado: 80% em cinco áreas, 85% em quatro e 78%, 82%, 88% e 90% nas outras quatro. O modelo C14 pede, no calendário de auditorias, uma meta de sustentação própria; nenhum caso separou as duas.
- Só uma área cruzou a linha. A oficina de manutenção caiu a 79% em agosto, depois de uma parada geral. O mutirão saiu em 5 dias e setembro voltou a 86%. É o único teste do plano de reação em todo o conjunto.
- A independência do auditor varia muito. O C14 traz impressa a regra de que o auditor vem sempre de outras áreas, nunca da área auditada. Na rouparia do hotel e na central de resíduos da obra, a dona do 5S participa da auditoria da própria área, e só na rouparia alguém de fora, a qualidade corporativa, entra a cada trimestre. Em outras quatro áreas, o olhar de fora entra só a cada trimestre. No posto de três turnos, o rodízio do mês é interno; nas outras três, o bloco 8 não diz de onde vem o auditor do mês. Só a ala do hospital e o escritório de serviços escrevem que o auditor mensal vem de outra ala ou de outro setor.
- Nenhum caso publica as 12 datas nem as duplas. O Plano Mestre registra ritmo, dono e reação. A grade anual do calendário de auditorias, com data prevista, dupla e nota, é o que o C14 pede e o que cada área ainda precisa escrever. Os PDFs deste artigo servem de ponto de partida; a grade de doze meses fica para o modelo.
- Três áreas auditam em mais de um ritmo. O posto de enfermagem, o escritório de serviços e a ferramentaria somam conferências curtas e frequentes à auditoria mensal. As outras dez têm só a mensal; o índice semanal da central de resíduos fica no quadro e não é auditoria.
Nenhum dos cinco achados é defeito de caso. O terceiro é a tensão mais interessante do conjunto: olhar de fora custa tempo de gente de outra área, e cada caso pagou esse custo numa medida diferente. O que o calendário de auditorias precisa é deixar essa escolha escrita, para que ela seja revista quando a nota começar a escorregar.
Os 13 calendários lado a lado
A tabela põe lado a lado o calendário de auditorias de cada uma das treze áreas, com as quatro informações que o bloco 8 publica e a série de notas depois do projeto. A última coluna mostra as auditorias registradas, na ordem dos meses; a nota em negrito é a única abaixo do limiar.
| Área (caso ilustrativo) | Ritmo | Quem audita | Limiar de reação | Notas depois do projeto (%) |
|---|---|---|---|---|
| Alimentício: sala de pesagem | Mensal, 3ª semana | Rodízio entre salas | 88% | 91, 90, 92, 90 |
| Farmacêutico: almoxarifado de insumos | Mensal, 1ª semana | Auditora da qualidade em rodízio trimestral | 90% | 91, 93 |
| Financeiro: sala e arquivo | Mensal | Rodízio; auditor de fora a cada trimestre | 82% | 85, 88 |
| Hotelaria: rouparia central | Mensal, 1ª semana | A dona do 5S; qualidade corporativa a cada trimestre | 85% | 87, 89 |
| Logística: doca de expedição | Mensal, última sexta | Rodízio entre docas | 80% | 85, 84, 86, 87 |
| Manutenção: oficina | Mensal | Rodízio entre manutenção, almoxarifado e produção | 80% | 84, 81, 79, 86 |
| Manutenção de elevadores: base e vans | Mensal, base e 3 vans sorteadas | Rodízio | 80% | 83 |
| Marketing: estúdio e almoxarifado | Mensal | Rodízio; outra área a cada trimestre | 80% | 87 |
| Produção: ferramentaria | Mensal de 25 itens e autoauditoria semanal | Rodízio qualidade e produção | 85% | 87, 88 |
| Produção de elevadores: pré-montagem de portas | Mensal | Rodízio entre os 3 turnos; qualidade a cada trimestre | 85% | 86, 89 |
| Saúde: posto de enfermagem | A cada plantão, quinzenal e mensal de 25 itens | Auditor de outra ala | 85% | 88, 87, 89 |
| Serviços: escritório da operação | A cada turno, semanal e mensal de 25 itens | Auditor de outro setor | 80% | 83, 85, 84 |
| Sustentabilidade: central de resíduos | Mensal e índice semanal no quadro | A dona do 5S e encarregado em rodízio | 78% | 80 |
O gráfico mostra uma coisa que a tabela esconde: a folga é curta. Em onze das treze áreas, a pior nota depois do projeto ficou a três pontos do limiar ou menos, e uma delas passou para baixo dele. Quando o limiar é a própria meta, qualquer oscilação normal de um mês ruim aciona o mutirão. Por isso eu separaria as duas: a meta do projeto fica onde está, e a meta de sustentação do calendário de auditorias fica alguns pontos abaixo, com uma segunda regra para queda em dois meses.
No calendário de auditorias, a escada de dois degraus já existe em dois casos. Na ferramentaria, quem recebe o caso depois de 2 meses abaixo é a gerência industrial; no escritório de serviços, é a reunião de resultados. É a mesma ideia de um plano de controle: uma reação para o ponto fora e outra para a tendência.
Como montar o calendário de auditorias em 5 passos
A ordem dos cinco passos importa: a data vem antes da dupla, porque sem data fixa nenhuma dupla se organiza. Todos saem do modelo C14 e do que os treze casos fizeram bem.
- Fixe as 12 datas pelo calendário da operação. Use uma regra que qualquer um lembra, como 1ª semana, 3ª semana ou última sexta, e fuja dos dias de fechamento, inventário e parada geral. Escreva as doze datas no calendário de auditorias no começo do ano, não mês a mês.
- Monte as duplas pela regra de independência. Quem audita não trabalha na área. Se o custo de trazer gente de outra área for alto, faça rodízio interno e coloque um auditor de fora pelo menos a cada trimestre, deixando escrito que essa é uma concessão.
- Defina o limiar e o prazo da reação. Nota abaixo do limiar aciona mutirão com prazo, de uma semana na maioria dos casos. Acrescente a regra de item crítico, que dispensa a média: vencido, item de segurança zerado, corredor obstruído.
- Nomeie o dono do 5S e o quadro. O dono recebe a nota e responde pela reação. O C14 pede que o resultado esteja no quadro em até 24 horas, no gráfico de evolução da gestão à vista.
- Decida as camadas de frequência. A mensal é obrigatória. Área que desarruma em horas ganha conferência por turno; área compartilhada ganha autoauditoria semanal feita pelo próprio time.
Ver o modelo em branco que esses cinco passos preenchem
Na grade anual do calendário de auditorias, cada linha é um mês. As colunas pedem pouco:
- Data prevista, escrita no começo do ano;
- Dupla de auditores, com o rodízio já distribuído;
- Realizada?, que separa auditoria adiada de auditoria esquecida;
- Pontuação, a nota do checklist de 25 itens ou do que a área adotar.
A coluna “realizada?” é a que mais ensina. Um calendário de auditorias com nota boa e três meses sem auditoria diz menos do que um com uma nota ruim e doze datas cumpridas. Se você quiser ver como o auditor chega na área, o gemba walk é o formato mais próximo.
13 calendários de auditorias do 5S preenchidos, com PDF para baixar
Cada exemplo abaixo tem o calendário de auditorias da área em PDF, com ritmo, quem audita, dono, reação combinada, o texto do bloco 8 transcrito e as barras das auditorias depois do projeto contra o limiar. Os casos são ilustrativos, tirados do Kit 5S, e a ordem começa pelo único que acionou o plano de reação. Um clique na miniatura abre o calendário em tamanho grande, e o PDF se baixa pelo botão dessa mesma janela.
1. Manutenção: a oficina que caiu a 79% e voltou
Em agosto de 2026, a oficina de manutenção caiu a 79% depois de uma parada geral, um ponto abaixo do limiar de 80%.
Cinco dias depois, dentro do prazo de 7, o mutirão estava feito, e a auditoria de setembro deu 86%. Nenhum outro exemplo deste artigo precisou disparar a reação escrita. Para mim, ele funcionou porque três coisas estavam escritas antes da queda: o limiar, o prazo e o dono.
O dono do 5S é o planejador de manutenção. A auditoria mensal roda entre manutenção, almoxarifado e produção, então quem confere a oficina pode vir de outra área. Entre os casos que fazem rodízio, é o arranjo que eu vejo mais perto do que o C14 pede.
Vale ler a série inteira: 84% em junho, 81% em julho, 79% em agosto, 86% em setembro. Julho já mostrava a folga encurtando antes da parada.
A busca de ferramenta tinha caído de 18 para 4 min, e as compras duplicadas, zeradas desde maio, somavam cerca de R$ 21 mil por ano. O projeto tinha levado a área de 30% para 84% em 22/jun.
Minha leitura do caso: parada geral costuma entrar no plano anual com meses de antecedência, e a auditoria seguinte merece uma data própria logo depois dela.
2. Alimentício: sala de pesagem, auditoria na 3ª semana
Na sala de pesagem e preparação de uma fábrica de alimentos, a auditoria mensal cai sempre na 3ª semana. Quem audita vem de outra sala, num rodízio entre as salas, e a dona do 5S é a supervisora da manhã.
O limiar de 88% é alto, e o motivo, a meu ver, é o produto. Pesagem errada vira não conformidade de boas práticas, e o projeto tinha derrubado as não conformidades internas de 9 para 1 por mês. A pesagem baixou de 12 para 7 min por lote.
Só uma das regras de reação depende da nota. Abaixo de 88%, mutirão em até 7 dias. Insumo vencido é desvio crítico, com segregação e investigação imediatas, sem esperar a data da auditoria.
Depois de uma entrada de 40% e da meta superada em 18/mai, as quatro auditorias oscilaram entre 90% e 92%: 91, 90, 92 e 90, de maio em diante. A sala de embalagem está em diagnóstico desde jun/2026, apadrinhada pelos pesadores da sala piloto.
3. Farmacêutico: almoxarifado de insumos com limiar de 90%
90% é o limiar mais alto do conjunto. O bloco 8 deixa o motivo em branco, e eu aposto no rigor de farmácia. O almoxarifado de insumos tem 90 m² e 480 posições, e saiu de 37% para 92% em 26/jun.
A auditoria mensal acontece na 1ª semana do mês. A cada trimestre, uma auditora da qualidade entra no rodízio, e a dona do 5S é a farmacêutica responsável. Se o auditor dos outros meses for gente da própria área, o que o bloco 8 não informa, o desenho junta quem conhece cada posição com um olhar de fora a cada três meses.
Abaixo de 90%, mutirão em até 1 semana. A segunda regra é mais dura e não espera nota: vencido em prateleira interrompe a rua na hora.
Os ganhos têm peso regulatório. Os desvios de rastreabilidade caíram de 6 por trimestre para zero, o FEFO ficou em 100% em 8 verificações semanais seguidas e o inventário encolheu de 6h para 2h30.
Foram 91% na auditoria de julho e 93% na de agosto. Com um ponto de folga em julho, a área esteve perto de acionar o próprio mutirão, e é aqui que uma meta de sustentação um pouco abaixo da meta do projeto faria diferença.
4. Logística: doca de expedição, última sexta do mês
Toda última sexta do mês, alguém das outras docas audita a doca de expedição 3. Basta trocar de doca para auditar, e a nota vai para a dona do 5S, a supervisora da expedição.
A reação tem uma regra que eu recomendo copiar: item de segurança zerado aciona o mutirão mesmo que a nota geral passe de 80%. Um checklist pode fechar com nota alta e um item grave falhando, e a regra impede que a média esconda esse item.
Corredor obstruído nem espera a auditoria, é tratativa imediata. Mutirão por nota ou por segurança tem prazo de 7 dias.
O projeto levou a doca de 33% para 85% em 27/jul. A avaria caiu de 2,8% para 1,1% e o carregamento, de 42 para 31 min por veículo.
Só a oficina e a sala de pesagem acumulam tantas auditorias registradas quanto a doca, quatro: 85% em julho, 84% em agosto, 86% em setembro e 87% em outubro.
5. Produção: ferramentaria com autoauditoria semanal
Duas camadas sustentam os 52 m² da ferramentaria que atende a linha de montagem. A auditoria mensal de 25 itens roda entre qualidade e produção, e o próprio time faz uma autoauditoria semanal.
O time confere a si mesmo toda semana e corrige cedo; nos meses em que a vez é da qualidade, a mensal ganha um olhar com mais distância. O dono do 5S é o líder da ferramentaria.
Aqui a reação sobe de nível com o tempo. Quando a nota fica abaixo de 85%, o mutirão tem até 1 semana para sair; 2 meses abaixo levam o assunto à gerência industrial.
Em 26/jun, a ferramentaria fechou o projeto com 89%, contra 38% na entrada. A busca por ferramenta caiu de 22 para 5 min por dia por operador, cerca de R$ 26 mil por ano, e 9 m² foram liberados. POP e fotos-padrão saíram em 30/jun, com 17 pessoas treinadas.
Nas duas auditorias mensais que vieram depois, a nota ficou em 87% e 88%. Desde 15/mai não há ferramenta danificada em uso, um indicador que qualquer auditor confere em segundos.
6. Produção de elevadores: três turnos no mesmo posto
Os três turnos se auditam em rodízio no posto de pré-montagem de portas de pavimento. Um turno confere o posto que outro turno usa, e a cada trimestre a qualidade entra no rodízio.
Para posto compartilhado, acho o arranjo esperto. Quem audita conhece o padrão porque trabalha nele e, ao mesmo tempo, não foi quem deixou o posto daquele jeito. O dono do 5S é o líder do 1º turno, e abaixo de 85% há mutirão em 1 semana.
O calendário de auditorias protege o setup, que caiu de 34 para 19 min na média de 12 trocas, cerca de 1,5 h por dia de posto devolvida à produção. A folha de setup por modelo entrou na documentação da engenharia de processos, e a nota foi de 32% para 88% em 25/jun.
A primeira auditoria mensal, em julho, deu 86%, um ponto acima do limiar; a segunda subiu para 89%. O próximo posto é a pré-montagem de cabinas, que abre o diagnóstico a partir de setembro, com 2 montadores do posto de portas como padrinhos.
7. Manutenção de elevadores: base e vans sorteadas
Três vans sorteadas por mês entram na auditoria junto com a base de manutenção. A área cobre a base e o kit embarcado das 12 vans. Eu entendo o sorteio como o jeito de manter a auditoria curta sem deixar nenhuma van fora do alcance.
Na reação, cada van responde sozinha: a reprovada não sai segunda. Abaixo de 80% na nota, mutirão em 1 semana. O dono do 5S é o supervisor da base, e a auditoria roda em rodízio.
O kit embarcado tem uma lista única, revisada por trimestre com o planejamento de peças pelo consumo dos chamados. O retorno por falta de peça caiu de 14% para 5% dos chamados no bimestre jun-jul. Em 28/jul, com 3 dias de sobra no prazo, a área marcava 85%, contra 31% no começo do projeto.
Agosto trouxe a única nota registrada até aqui, 83%, três pontos de folga. O supervisor da base piloto vai apadrinhar duas outras bases, cujo diagnóstico começa em set/2026.
Até aqui foram sete áreas de fábrica, armazém e manutenção, e o calendário de auditorias de todas tem algum rodízio de auditores. As seis seguintes ficam fora da fábrica: duas trazem auditor de outro setor em toda auditoria mensal, e duas põem a dona do 5S como auditora.
8. Saúde: posto de enfermagem conferido a cada plantão
Plantão a plantão, a equipe confere o posto que atende os 22 leitos da ala B. A cada quinze dias há dupla checagem, e uma vez por mês um auditor de outra ala aplica os 25 itens.
Cada ritmo tem uma função. A conferência de plantão pega o que some no dia; a dupla checagem olha o que vence; a auditoria mensal, feita por gente de fora, dá a nota que vai para o quadro.
Não existe prazo de mutirão neste caso. Nota abaixo de 85% ou item vencido encontrado aciona correção imediata com a farmácia, porque num posto de enfermagem uma semana de espera é tempo demais.
Os itens vencidos no posto caíram de 32 para zero, e a busca em urgência foi de 4,5 para 1 min na simulação cronometrada. A dupla checagem quinzenal está em 100% desde março.
Em 28/abr o posto bateu 90%, vindo de 36%, e o procedimento saiu em 30/abr, com 4 equipes treinadas com registro. De maio a julho, as três auditorias mensais deram 88%, 87% e 89%.
9. Serviços: escritório da operação com auditor de outro setor
Checklist por turno, autoauditoria semanal e auditoria mensal de 25 itens cobrem o escritório da operação, com 48 posições e arquivo. Na mensal, o auditor vem de outro setor.
O posto passou a ficar pronto em 4 min, contra 15 antes, e um documento aparece em menos de 1 min; o retrabalho de busca eliminado vale R$ 12 mil por ano.
Depois dos 86% de 12/mai, que fecharam o projeto partindo de 41%, junho, julho e agosto marcaram 83%, 85% e 84%.
Quem responde pelo 5S é o supervisor da operação. Abaixo de 80%, mutirão em até 1 semana; se a nota ficar 2 meses abaixo, o assunto sobe à reunião de resultados. A escada lembra a da ferramentaria, com outra instância no topo. O projeto inteiro desse escritório, folha por folha, está no case de 5S em serviços.
10. Financeiro: sala, arquivo físico e pastas de rede
Pastas de rede também são auditadas. A sala do financeiro soma arquivo físico e pastas digitais, e entrou no projeto com 42% e fechou com 87% em 26/jun, 4 dias antes do prazo da meta de 82%.
A auditoria mensal é em rodízio, e a cada trimestre vem um auditor de fora; pelo que eu leio, o rodízio do mês é interno. A dona do 5S é a coordenadora do financeiro, que será a madrinha de RH e compras quando o diagnóstico deles começar, em set/2026. Para quem audita pasta de rede, o padrão escrito pesa mais: o POP da sala saiu junto com uma política de nomenclatura publicada com versão e data.
Nota abaixo de 82% aciona mutirão em até 1 semana. O documento que levava 9 min para ser achado passou a levar 1,5 min, e o fechamento de junho ficou 1 dia útil mais curto.
A nota de julho foi 85%, e a seguinte, 88%. O guia de 1 página entregue a cada novato também serve ao auditor de fora como régua de comparação.
11. Marketing: estúdio e almoxarifado de materiais
Estúdio e almoxarifado de materiais promocionais formam a área auditada. É o caso mais longe do chão de fábrica e o que tem a maior folga depois do projeto: agosto fechou em 87%, bem acima do limiar de 80%.
O bloco 8 diz só que a auditoria mensal é em rodízio e que um auditor de outra área entra a cada trimestre; daí eu deduzo que, nos outros meses, o rodízio fica dentro da área. A dona do 5S é a analista de marketing sênior. Abaixo de 80%, mutirão em 1 semana.
O detalhe que faz o calendário de auditorias funcionar fica fora da auditoria. A lista única do kit de evento entrou no checklist oficial de eventos, e cada evento que sai confere o padrão sem precisar de data marcada.
Montar o kit de evento levava 3 h e passou para 1h10, na média de 3 eventos cronometrados. A nota subiu de 39% para 86% em 10/jul, 5 dias antes do prazo.
Na próxima etapa o papel se inverte: a equipe vira madrinha do almoxarifado da área comercial, cujo diagnóstico de entrada está marcado para setembro.
12. Hotelaria: rouparia auditada pela própria dona
Quem audita a rouparia central da governança, na 1ª semana de cada mês, é a governanta executiva, que também é a dona do 5S da área. A qualidade corporativa entra no rodízio a cada trimestre.
Pela regra de independência, o arranjo cede num ponto: em dois de cada três meses, a dona confere o próprio trabalho. O C14 pede auditor de outra área justamente para evitar isso. O bloco 8 não diz por que a dona audita a própria área. Minha hipótese é que o caso trocou independência por custo menor, com o rodízio trimestral como contrapeso.
A reação olha a nota e olha o enxoval. Com nota abaixo de 85%, o mutirão tem prazo de 1 semana; extravio acima de 25 peças por mês reativa a contagem diária por kit.
O carro de andar passou de 25 para 11 min, perto de 1h38 por dia, e o extravio baixou de 45 para 17 peças por mês, 62% a menos. A rouparia começou em 35% e chegou a 88% em 12/jun, 3 dias antes do prazo de 85%; as duas auditorias seguintes deram 87% e 89%.
Toda camareira nova monta um carro completo no padrão na integração, o que tira da auditoria uma parte do trabalho de ensinar.
13. Sustentabilidade: central de resíduos do canteiro
Uma técnica de meio ambiente é, ao mesmo tempo, dona do 5S e auditora da central de resíduos do canteiro. Na auditoria mensal, ela divide a tarefa com um encarregado em rodízio.
É o segundo caso do artigo em que a dona audita a própria área. Em obra, trazer auditor de fora tende a custar caro, porque ele viria de outro canteiro. Imagino que o encarregado em rodízio seja a forma que o caso achou de pôr na auditoria alguém que não responde pela central, embora o plano não diga de qual frente da obra ele vem.
A reação é a mais rápida entre as que têm prazo. Nota abaixo de 78% ou segregação abaixo de 85% aciona mutirão na mesma semana, e caçamba sem manifesto não sai do canteiro, com ou sem auditoria.
A segregação passou de 54% para 93%, a destinação ficou R$ 3,2 mil por mês mais barata e 14 caçambas foram regularizadas. Na nota geral, a central foi de 28% na entrada a 82% em 28/jul. O índice semanal continua no quadro entre uma auditoria e outra.
Por enquanto só existe a nota de agosto: 80%, dois pontos acima do limiar.
Com que frequência auditar o 5S
A auditoria mensal aparece nos treze casos, e o exemplo impresso no C14 é justamente esse: mensal, 30 minutos, meta de pelo menos 80%. O livro não fecha uma frequência única. Na página 40 do mesmo capítulo, o livro recomenda criar rotinas de limpeza “com periodicidades semanais, quinzenais ou mensais, dependendo da demanda”, com checklists e “padronização do acompanhamento do processo para detecção e eliminação de não conformidades”.
Minha regra prática para o calendário de auditorias sai dessa frase: a frequência acompanha a velocidade com que a área se desarruma. Posto de enfermagem desarruma em horas, por isso tem conferência de plantão. Ferramentaria compartilhada desarruma em dias, e ganha autoauditoria semanal. Um estúdio com eventos espaçados se mantém bem com a mensal.
Gosto de pensar no projeto 5S como a carga de uma bateria. O projeto enche, o dia a dia descarrega devagar e a auditoria é a leitura do nível. Se ninguém lê, a bateria só avisa quando acaba, e aí o que se tem é outro projeto, não uma correção.
Na MRS, o 5S chegou para mim junto com programas de melhoria contínua, olimpíadas de melhoria e desdobramento de metas. Mais tarde, por dois anos, coordenei as operações em Lafaiete: eu chefiava os inspetores, e eles chefiavam os maquinistas. Com dois níveis entre quem coordena e a ponta, eu acredito que o padrão só chega inteiro onde alguém confere com data marcada. Por isso eu trato o calendário de auditorias como uma linha da agenda da liderança, com a mesma cobrança de uma reunião de resultados.
Em auditoria de sistema de gestão, o equivalente ao calendário de auditorias tem nome: programa de auditoria. A ISO 19011 põe a independência entre os princípios da auditoria, e o raciocínio vale para o 5S sem adaptação. Se você quiser o caminho completo, comece pelo que são auditorias, veja como aplicar uma auditoria interna e como se preparar para uma auditoria. O que eu aprendi como auditor ISO está num texto à parte.
Ferramentas que entram antes, junto e depois do calendário
Antes do calendário de auditorias vem o padrão, porque ninguém audita o que não foi escrito. O POP da área e as fotos-padrão são a régua; sem eles, cada dupla audita pelo próprio gosto. A padronização e o trabalho padronizado fazem esse papel fora do 5S.
Junto do calendário de auditorias entram o checklist de 25 itens, o quadro de gestão à vista e o gráfico de evolução. É a lógica do SDCA: padrão, execução, checagem e ação para manter, girando todo mês. Se o seu 5S faz parte de um programa maior, vale ler 5S e Lean e kaizen e Lean.
Depois do calendário de auditorias vêm o plano de reação e o registro do que se aprendeu. Toda vez que o mutirão sai, a causa da queda merece virar lição aprendida, como a parada geral da oficina. Para quem está no começo, a metodologia 5S e a implantação do programa 5S explicam o caminho até a consolidação.
Baixe o modelo em branco e monte o calendário de auditorias da sua área
O modelo C14 do Kit 5S é o calendário de auditorias em branco. Vale preencher ainda durante o projeto, antes da auditoria de saída, para que o primeiro mês depois do encerramento já tenha data e dupla.
No topo ficam a área auditada, a frequência com a duração e o checklist com a meta de sustentação. O miolo é a grade de janeiro a dezembro, com data prevista, dupla de auditores, realizada e pontuação. Embaixo vêm o rodízio de auditores, com a regra de que o auditor vem de outra área, os campos de gestão à vista e, no rodapé, o campo do dono do 5S na área.
Ver e baixar o modelo em branco
Ao preencher o calendário de auditorias, comece pelas doze datas e pelas duplas. O limiar e o prazo da reação vêm depois, e a meta de sustentação merece alguns pontos de folga em relação à meta do projeto.
Se o seu 5S está terminando agora, faça isso nesta semana: marque a primeira auditoria, escolha a dupla de fora da área e combine com o dono o que acontece se a nota cair. O capítulo de 5S do meu livro chama essa fase de etapa crítica, e eu resumo o motivo assim: quem marca a data sustenta, e quem deixa para depois costuma recomeçar do zero. Quem vai coordenar o 5S de várias áreas, e não só manter a sua, encontra formação com avaliação e acompanhamento nas academias de certificação.
