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Calendário de auditorias 5S: como montar e 13 exemplos preenchidos

A auditoria que segura o 5S depois do projeto: ritmo, quem audita, dono e reação, lidos em 13 áreas que já tinham batido a meta.

Thiago Coutinho
Publicado em 14 de set de 2026  ·  Atualizado em 14 de set de 2026  ·  22 min de leitura
Thiago Coutinho falando ao microfone de mão em um palco de evento, de blazer escuro sobre camiseta preta e crachá em cordão azul no peito, olhando para a plateia diante de um fundo de palco iluminado em roxo e rosa, com o texto Calendário de auditorias 5S: como montar e 13 exemplos preenchidos sobre fundo escuro à esquerda

Sou auditor líder ISO 9000 pela IRCA, e aprendi cedo uma regra que vale em qualquer auditoria de sistema de gestão: ninguém audita o próprio trabalho. Levada para o 5S, essa régua me faz olhar primeiro para quem assina cada linha de um calendário de auditorias. O calendário de auditorias é a folha que diz em que dia a área vai ser conferida, por quem, e o que acontece se a nota cair. No fim de um projeto ele parece papelada. Na prática, é o documento que decide se o 5S continua de pé no sexto mês.

O Plano Mestre do Kit 5S fecha com uma dica que eu assino embaixo: o 5S não fracassa no descarte nem na faxina. Fracassa quando ninguém volta para auditar. Se o bloco de consolidação ficar em branco, a área volta ao que era em 90 dias. Todo o esforço do programa 5S fica apoiado no calendário de auditorias, a última folha do plano.

Neste guia você vai ver o que entra no calendário de auditorias do 5S e o que 13 calendários preenchidos a partir dos casos do Kit 5S mostram, inclusive onde eles se afastam da regra de independência. Depois vêm os 5 passos para montar o seu e o modelo em branco para baixar.

O que é o calendário de auditorias do 5S

O calendário de auditorias do 5S é o plano anual que fixa, mês a mês, a data de cada auditoria da área, a dupla de auditores, a nota obtida e a reação quando ela fica abaixo do limiar. Ele transforma o quinto senso, a disciplina, em compromisso com dia marcado e dono conhecido.

No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o capítulo 5, “5S: a base da qualidade”, trata na página 37 a manutenção das melhorias como “Etapa crítica do processo, que demanda atenção e regras de monitoramento e controle”. Na mesma página, o capítulo põe auditores na sustentação: “Equipes de auditores podem auxiliar nesse processo, fiscalizando se os novos padrões estão sendo mantidos”. O calendário de auditorias é a forma concreta dessas regras: sem data, a fiscalização vira intenção.

Ciclo mensal do calendário de auditorias 5S em seis etapas: data fixa, dupla de fora da área, nota do checklist, nota no quadro em até 24 horas, comparação com o limiar e mutirão com prazo quando a nota fica abaixo
O ciclo que se repete doze vezes por ano. A pergunta do losango é a única decisão do mês; o resto já está escrito antes da auditoria.

Vale separar o calendário de auditorias das peças vizinhas do kit, porque cada uma responde uma pergunta. O checklist de auditoria (R11) diz o que se confere. O gráfico radar (R12) compara o antes com o depois, senso a senso. O calendário diz quando, com quem e o que fazer com o resultado. A conferência diária de poucos itens tem nome próprio, o kamishibai, e o plano de reação (C15) cuida do que acontece depois que a nota cai, na mesma lógica do OCAP.

Uma distinção que evita confusão: o calendário de auditorias não mede o projeto. O projeto já terminou quando ele começa a rodar. Ele mede a sustentação, que é a parte do 5S que o cronograma de implantação deixa como última linha e quase ninguém detalha.

O que 13 calendários de auditorias preenchidos mostram

A gente montou um calendário de auditorias para cada um dos 13 casos do Kit 5S, a partir do bloco 8 do Plano Mestre, que é a etapa de consolidação. São exemplos preenchidos (ilustrativos), sempre em áreas que já tinham batido a meta do projeto. Cinco coisas aparecem quando eles ficam lado a lado.

  1. O limiar de reação é a própria meta. Nos 13 casos, a nota que dispara o mutirão é a mesma que o projeto precisava bater para ser encerrado: 80% em cinco áreas, 85% em quatro e 78%, 82%, 88% e 90% nas outras quatro. O modelo C14 pede, no calendário de auditorias, uma meta de sustentação própria; nenhum caso separou as duas.
  2. Só uma área cruzou a linha. A oficina de manutenção caiu a 79% em agosto, depois de uma parada geral. O mutirão saiu em 5 dias e setembro voltou a 86%. É o único teste do plano de reação em todo o conjunto.
  3. A independência do auditor varia muito. O C14 traz impressa a regra de que o auditor vem sempre de outras áreas, nunca da área auditada. Na rouparia do hotel e na central de resíduos da obra, a dona do 5S participa da auditoria da própria área, e só na rouparia alguém de fora, a qualidade corporativa, entra a cada trimestre. Em outras quatro áreas, o olhar de fora entra só a cada trimestre. No posto de três turnos, o rodízio do mês é interno; nas outras três, o bloco 8 não diz de onde vem o auditor do mês. Só a ala do hospital e o escritório de serviços escrevem que o auditor mensal vem de outra ala ou de outro setor.
  4. Nenhum caso publica as 12 datas nem as duplas. O Plano Mestre registra ritmo, dono e reação. A grade anual do calendário de auditorias, com data prevista, dupla e nota, é o que o C14 pede e o que cada área ainda precisa escrever. Os PDFs deste artigo servem de ponto de partida; a grade de doze meses fica para o modelo.
  5. Três áreas auditam em mais de um ritmo. O posto de enfermagem, o escritório de serviços e a ferramentaria somam conferências curtas e frequentes à auditoria mensal. As outras dez têm só a mensal; o índice semanal da central de resíduos fica no quadro e não é auditoria.

Nenhum dos cinco achados é defeito de caso. O terceiro é a tensão mais interessante do conjunto: olhar de fora custa tempo de gente de outra área, e cada caso pagou esse custo numa medida diferente. O que o calendário de auditorias precisa é deixar essa escolha escrita, para que ela seja revista quando a nota começar a escorregar.

Os 13 calendários lado a lado

A tabela põe lado a lado o calendário de auditorias de cada uma das treze áreas, com as quatro informações que o bloco 8 publica e a série de notas depois do projeto. A última coluna mostra as auditorias registradas, na ordem dos meses; a nota em negrito é a única abaixo do limiar.

Área (caso ilustrativo)RitmoQuem auditaLimiar de reaçãoNotas depois do projeto (%)
Alimentício: sala de pesagemMensal, 3ª semanaRodízio entre salas88%91, 90, 92, 90
Farmacêutico: almoxarifado de insumosMensal, 1ª semanaAuditora da qualidade em rodízio trimestral90%91, 93
Financeiro: sala e arquivoMensalRodízio; auditor de fora a cada trimestre82%85, 88
Hotelaria: rouparia centralMensal, 1ª semanaA dona do 5S; qualidade corporativa a cada trimestre85%87, 89
Logística: doca de expediçãoMensal, última sextaRodízio entre docas80%85, 84, 86, 87
Manutenção: oficinaMensalRodízio entre manutenção, almoxarifado e produção80%84, 81, 79, 86
Manutenção de elevadores: base e vansMensal, base e 3 vans sorteadasRodízio80%83
Marketing: estúdio e almoxarifadoMensalRodízio; outra área a cada trimestre80%87
Produção: ferramentariaMensal de 25 itens e autoauditoria semanalRodízio qualidade e produção85%87, 88
Produção de elevadores: pré-montagem de portasMensalRodízio entre os 3 turnos; qualidade a cada trimestre85%86, 89
Saúde: posto de enfermagemA cada plantão, quinzenal e mensal de 25 itensAuditor de outra ala85%88, 87, 89
Serviços: escritório da operaçãoA cada turno, semanal e mensal de 25 itensAuditor de outro setor80%83, 85, 84
Sustentabilidade: central de resíduosMensal e índice semanal no quadroA dona do 5S e encarregado em rodízio78%80
Gráfico de pontos com as notas das auditorias depois do projeto nas 13 áreas, cada uma contra o seu limiar de reação; só a oficina de manutenção tem um ponto abaixo, 79% contra 80%
Cada linha é uma área e cada ponto é uma auditoria mensal depois do projeto. O traço vermelho é o limiar, que em todos os casos coincide com a meta.

O gráfico mostra uma coisa que a tabela esconde: a folga é curta. Em onze das treze áreas, a pior nota depois do projeto ficou a três pontos do limiar ou menos, e uma delas passou para baixo dele. Quando o limiar é a própria meta, qualquer oscilação normal de um mês ruim aciona o mutirão. Por isso eu separaria as duas: a meta do projeto fica onde está, e a meta de sustentação do calendário de auditorias fica alguns pontos abaixo, com uma segunda regra para queda em dois meses.

No calendário de auditorias, a escada de dois degraus já existe em dois casos. Na ferramentaria, quem recebe o caso depois de 2 meses abaixo é a gerência industrial; no escritório de serviços, é a reunião de resultados. É a mesma ideia de um plano de controle: uma reação para o ponto fora e outra para a tendência.

Como montar o calendário de auditorias em 5 passos

A ordem dos cinco passos importa: a data vem antes da dupla, porque sem data fixa nenhuma dupla se organiza. Todos saem do modelo C14 e do que os treze casos fizeram bem.

Quatro camadas de frequência de auditoria 5S, do turno ao trimestre, com quem faz cada uma e o grau de independência do olhar, da própria equipe ao auditor de fora do rodízio
Quanto mais espaçada a conferência, mais de fora deve vir quem olha. Só a camada mensal é obrigatória; as outras três variam de área para área.
  1. Fixe as 12 datas pelo calendário da operação. Use uma regra que qualquer um lembra, como 1ª semana, 3ª semana ou última sexta, e fuja dos dias de fechamento, inventário e parada geral. Escreva as doze datas no calendário de auditorias no começo do ano, não mês a mês.
  2. Monte as duplas pela regra de independência. Quem audita não trabalha na área. Se o custo de trazer gente de outra área for alto, faça rodízio interno e coloque um auditor de fora pelo menos a cada trimestre, deixando escrito que essa é uma concessão.
  3. Defina o limiar e o prazo da reação. Nota abaixo do limiar aciona mutirão com prazo, de uma semana na maioria dos casos. Acrescente a regra de item crítico, que dispensa a média: vencido, item de segurança zerado, corredor obstruído.
  4. Nomeie o dono do 5S e o quadro. O dono recebe a nota e responde pela reação. O C14 pede que o resultado esteja no quadro em até 24 horas, no gráfico de evolução da gestão à vista.
  5. Decida as camadas de frequência. A mensal é obrigatória. Área que desarruma em horas ganha conferência por turno; área compartilhada ganha autoauditoria semanal feita pelo próprio time.

Ver o modelo em branco que esses cinco passos preenchem

Na grade anual do calendário de auditorias, cada linha é um mês. As colunas pedem pouco:

  • Data prevista, escrita no começo do ano;
  • Dupla de auditores, com o rodízio já distribuído;
  • Realizada?, que separa auditoria adiada de auditoria esquecida;
  • Pontuação, a nota do checklist de 25 itens ou do que a área adotar.

A coluna “realizada?” é a que mais ensina. Um calendário de auditorias com nota boa e três meses sem auditoria diz menos do que um com uma nota ruim e doze datas cumpridas. Se você quiser ver como o auditor chega na área, o gemba walk é o formato mais próximo.

13 calendários de auditorias do 5S preenchidos, com PDF para baixar

Cada exemplo abaixo tem o calendário de auditorias da área em PDF, com ritmo, quem audita, dono, reação combinada, o texto do bloco 8 transcrito e as barras das auditorias depois do projeto contra o limiar. Os casos são ilustrativos, tirados do Kit 5S, e a ordem começa pelo único que acionou o plano de reação. Um clique na miniatura abre o calendário em tamanho grande, e o PDF se baixa pelo botão dessa mesma janela.

1. Manutenção: a oficina que caiu a 79% e voltou

Calendário de auditorias 5S da oficina de manutenção (caso ilustrativo), com rodízio entre áreas, reação abaixo de 80% e as auditorias de junho a setembro, uma delas abaixo do limiarEm agosto de 2026, a oficina de manutenção caiu a 79% depois de uma parada geral, um ponto abaixo do limiar de 80%.

Cinco dias depois, dentro do prazo de 7, o mutirão estava feito, e a auditoria de setembro deu 86%. Nenhum outro exemplo deste artigo precisou disparar a reação escrita. Para mim, ele funcionou porque três coisas estavam escritas antes da queda: o limiar, o prazo e o dono.

O dono do 5S é o planejador de manutenção. A auditoria mensal roda entre manutenção, almoxarifado e produção, então quem confere a oficina pode vir de outra área. Entre os casos que fazem rodízio, é o arranjo que eu vejo mais perto do que o C14 pede.

Vale ler a série inteira: 84% em junho, 81% em julho, 79% em agosto, 86% em setembro. Julho já mostrava a folga encurtando antes da parada.

A busca de ferramenta tinha caído de 18 para 4 min, e as compras duplicadas, zeradas desde maio, somavam cerca de R$ 21 mil por ano. O projeto tinha levado a área de 30% para 84% em 22/jun.

Minha leitura do caso: parada geral costuma entrar no plano anual com meses de antecedência, e a auditoria seguinte merece uma data própria logo depois dela.

2. Alimentício: sala de pesagem, auditoria na 3ª semana

Calendário de auditorias 5S da sala de pesagem e preparação (caso ilustrativo), com rodízio entre salas, reação abaixo de 88% e quatro auditorias depois do projetoNa sala de pesagem e preparação de uma fábrica de alimentos, a auditoria mensal cai sempre na 3ª semana. Quem audita vem de outra sala, num rodízio entre as salas, e a dona do 5S é a supervisora da manhã.

O limiar de 88% é alto, e o motivo, a meu ver, é o produto. Pesagem errada vira não conformidade de boas práticas, e o projeto tinha derrubado as não conformidades internas de 9 para 1 por mês. A pesagem baixou de 12 para 7 min por lote.

Só uma das regras de reação depende da nota. Abaixo de 88%, mutirão em até 7 dias. Insumo vencido é desvio crítico, com segregação e investigação imediatas, sem esperar a data da auditoria.

Depois de uma entrada de 40% e da meta superada em 18/mai, as quatro auditorias oscilaram entre 90% e 92%: 91, 90, 92 e 90, de maio em diante. A sala de embalagem está em diagnóstico desde jun/2026, apadrinhada pelos pesadores da sala piloto.

3. Farmacêutico: almoxarifado de insumos com limiar de 90%

Calendário de auditorias 5S do almoxarifado de insumos (caso ilustrativo), com auditoria na 1ª semana, qualidade no rodízio a cada trimestre e reação abaixo de 90%90% é o limiar mais alto do conjunto. O bloco 8 deixa o motivo em branco, e eu aposto no rigor de farmácia. O almoxarifado de insumos tem 90 m² e 480 posições, e saiu de 37% para 92% em 26/jun.

A auditoria mensal acontece na 1ª semana do mês. A cada trimestre, uma auditora da qualidade entra no rodízio, e a dona do 5S é a farmacêutica responsável. Se o auditor dos outros meses for gente da própria área, o que o bloco 8 não informa, o desenho junta quem conhece cada posição com um olhar de fora a cada três meses.

Abaixo de 90%, mutirão em até 1 semana. A segunda regra é mais dura e não espera nota: vencido em prateleira interrompe a rua na hora.

Os ganhos têm peso regulatório. Os desvios de rastreabilidade caíram de 6 por trimestre para zero, o FEFO ficou em 100% em 8 verificações semanais seguidas e o inventário encolheu de 6h para 2h30.

Foram 91% na auditoria de julho e 93% na de agosto. Com um ponto de folga em julho, a área esteve perto de acionar o próprio mutirão, e é aqui que uma meta de sustentação um pouco abaixo da meta do projeto faria diferença.

4. Logística: doca de expedição, última sexta do mês

Calendário de auditorias 5S da doca de expedição 3 (caso ilustrativo), com rodízio entre docas, reação abaixo de 80% ou item de segurança zerado e quatro auditorias depois do projetoToda última sexta do mês, alguém das outras docas audita a doca de expedição 3. Basta trocar de doca para auditar, e a nota vai para a dona do 5S, a supervisora da expedição.

A reação tem uma regra que eu recomendo copiar: item de segurança zerado aciona o mutirão mesmo que a nota geral passe de 80%. Um checklist pode fechar com nota alta e um item grave falhando, e a regra impede que a média esconda esse item.

Corredor obstruído nem espera a auditoria, é tratativa imediata. Mutirão por nota ou por segurança tem prazo de 7 dias.

O projeto levou a doca de 33% para 85% em 27/jul. A avaria caiu de 2,8% para 1,1% e o carregamento, de 42 para 31 min por veículo.

Só a oficina e a sala de pesagem acumulam tantas auditorias registradas quanto a doca, quatro: 85% em julho, 84% em agosto, 86% em setembro e 87% em outubro.

5. Produção: ferramentaria com autoauditoria semanal

Calendário de auditorias 5S da ferramentaria de 52 m² (caso ilustrativo), com auditoria mensal de 25 itens, autoauditoria semanal e reação abaixo de 85%Duas camadas sustentam os 52 m² da ferramentaria que atende a linha de montagem. A auditoria mensal de 25 itens roda entre qualidade e produção, e o próprio time faz uma autoauditoria semanal.

O time confere a si mesmo toda semana e corrige cedo; nos meses em que a vez é da qualidade, a mensal ganha um olhar com mais distância. O dono do 5S é o líder da ferramentaria.

Aqui a reação sobe de nível com o tempo. Quando a nota fica abaixo de 85%, o mutirão tem até 1 semana para sair; 2 meses abaixo levam o assunto à gerência industrial.

Em 26/jun, a ferramentaria fechou o projeto com 89%, contra 38% na entrada. A busca por ferramenta caiu de 22 para 5 min por dia por operador, cerca de R$ 26 mil por ano, e 9 m² foram liberados. POP e fotos-padrão saíram em 30/jun, com 17 pessoas treinadas.

Nas duas auditorias mensais que vieram depois, a nota ficou em 87% e 88%. Desde 15/mai não há ferramenta danificada em uso, um indicador que qualquer auditor confere em segundos.

6. Produção de elevadores: três turnos no mesmo posto

Calendário de auditorias 5S do posto de pré-montagem de portas de pavimento (caso ilustrativo), com rodízio entre os 3 turnos, qualidade a cada trimestre e reação abaixo de 85%Os três turnos se auditam em rodízio no posto de pré-montagem de portas de pavimento. Um turno confere o posto que outro turno usa, e a cada trimestre a qualidade entra no rodízio.

Para posto compartilhado, acho o arranjo esperto. Quem audita conhece o padrão porque trabalha nele e, ao mesmo tempo, não foi quem deixou o posto daquele jeito. O dono do 5S é o líder do 1º turno, e abaixo de 85% há mutirão em 1 semana.

O calendário de auditorias protege o setup, que caiu de 34 para 19 min na média de 12 trocas, cerca de 1,5 h por dia de posto devolvida à produção. A folha de setup por modelo entrou na documentação da engenharia de processos, e a nota foi de 32% para 88% em 25/jun.

A primeira auditoria mensal, em julho, deu 86%, um ponto acima do limiar; a segunda subiu para 89%. O próximo posto é a pré-montagem de cabinas, que abre o diagnóstico a partir de setembro, com 2 montadores do posto de portas como padrinhos.

7. Manutenção de elevadores: base e vans sorteadas

Calendário de auditorias 5S da base de manutenção e do kit embarcado das vans (caso ilustrativo), com a base e 3 vans sorteadas por mês e reação abaixo de 80%Três vans sorteadas por mês entram na auditoria junto com a base de manutenção. A área cobre a base e o kit embarcado das 12 vans. Eu entendo o sorteio como o jeito de manter a auditoria curta sem deixar nenhuma van fora do alcance.

Na reação, cada van responde sozinha: a reprovada não sai segunda. Abaixo de 80% na nota, mutirão em 1 semana. O dono do 5S é o supervisor da base, e a auditoria roda em rodízio.

O kit embarcado tem uma lista única, revisada por trimestre com o planejamento de peças pelo consumo dos chamados. O retorno por falta de peça caiu de 14% para 5% dos chamados no bimestre jun-jul. Em 28/jul, com 3 dias de sobra no prazo, a área marcava 85%, contra 31% no começo do projeto.

Agosto trouxe a única nota registrada até aqui, 83%, três pontos de folga. O supervisor da base piloto vai apadrinhar duas outras bases, cujo diagnóstico começa em set/2026.

Até aqui foram sete áreas de fábrica, armazém e manutenção, e o calendário de auditorias de todas tem algum rodízio de auditores. As seis seguintes ficam fora da fábrica: duas trazem auditor de outro setor em toda auditoria mensal, e duas põem a dona do 5S como auditora.

8. Saúde: posto de enfermagem conferido a cada plantão

Calendário de auditorias 5S do posto de enfermagem da ala B (caso ilustrativo), com conferência a cada plantão, dupla checagem quinzenal, auditoria mensal com auditor de outra ala e reação abaixo de 85%Plantão a plantão, a equipe confere o posto que atende os 22 leitos da ala B. A cada quinze dias há dupla checagem, e uma vez por mês um auditor de outra ala aplica os 25 itens.

Cada ritmo tem uma função. A conferência de plantão pega o que some no dia; a dupla checagem olha o que vence; a auditoria mensal, feita por gente de fora, dá a nota que vai para o quadro.

Não existe prazo de mutirão neste caso. Nota abaixo de 85% ou item vencido encontrado aciona correção imediata com a farmácia, porque num posto de enfermagem uma semana de espera é tempo demais.

Os itens vencidos no posto caíram de 32 para zero, e a busca em urgência foi de 4,5 para 1 min na simulação cronometrada. A dupla checagem quinzenal está em 100% desde março.

Em 28/abr o posto bateu 90%, vindo de 36%, e o procedimento saiu em 30/abr, com 4 equipes treinadas com registro. De maio a julho, as três auditorias mensais deram 88%, 87% e 89%.

9. Serviços: escritório da operação com auditor de outro setor

Calendário de auditorias 5S do escritório da operação com 48 posições (caso ilustrativo), com checklist por turno, autoauditoria semanal, auditoria mensal de 25 itens e reação abaixo de 80%Checklist por turno, autoauditoria semanal e auditoria mensal de 25 itens cobrem o escritório da operação, com 48 posições e arquivo. Na mensal, o auditor vem de outro setor.

O posto passou a ficar pronto em 4 min, contra 15 antes, e um documento aparece em menos de 1 min; o retrabalho de busca eliminado vale R$ 12 mil por ano.

Depois dos 86% de 12/mai, que fecharam o projeto partindo de 41%, junho, julho e agosto marcaram 83%, 85% e 84%.

Quem responde pelo 5S é o supervisor da operação. Abaixo de 80%, mutirão em até 1 semana; se a nota ficar 2 meses abaixo, o assunto sobe à reunião de resultados. A escada lembra a da ferramentaria, com outra instância no topo. O projeto inteiro desse escritório, folha por folha, está no case de 5S em serviços.

10. Financeiro: sala, arquivo físico e pastas de rede

Calendário de auditorias 5S da sala do financeiro com arquivo físico e pastas de rede (caso ilustrativo), com rodízio, auditor de fora a cada trimestre e reação abaixo de 82%Pastas de rede também são auditadas. A sala do financeiro soma arquivo físico e pastas digitais, e entrou no projeto com 42% e fechou com 87% em 26/jun, 4 dias antes do prazo da meta de 82%.

A auditoria mensal é em rodízio, e a cada trimestre vem um auditor de fora; pelo que eu leio, o rodízio do mês é interno. A dona do 5S é a coordenadora do financeiro, que será a madrinha de RH e compras quando o diagnóstico deles começar, em set/2026. Para quem audita pasta de rede, o padrão escrito pesa mais: o POP da sala saiu junto com uma política de nomenclatura publicada com versão e data.

Nota abaixo de 82% aciona mutirão em até 1 semana. O documento que levava 9 min para ser achado passou a levar 1,5 min, e o fechamento de junho ficou 1 dia útil mais curto.

A nota de julho foi 85%, e a seguinte, 88%. O guia de 1 página entregue a cada novato também serve ao auditor de fora como régua de comparação.

11. Marketing: estúdio e almoxarifado de materiais

Calendário de auditorias 5S do estúdio e do almoxarifado de materiais promocionais (caso ilustrativo), com rodízio, auditor de outra área a cada trimestre e reação abaixo de 80%Estúdio e almoxarifado de materiais promocionais formam a área auditada. É o caso mais longe do chão de fábrica e o que tem a maior folga depois do projeto: agosto fechou em 87%, bem acima do limiar de 80%.

O bloco 8 diz só que a auditoria mensal é em rodízio e que um auditor de outra área entra a cada trimestre; daí eu deduzo que, nos outros meses, o rodízio fica dentro da área. A dona do 5S é a analista de marketing sênior. Abaixo de 80%, mutirão em 1 semana.

O detalhe que faz o calendário de auditorias funcionar fica fora da auditoria. A lista única do kit de evento entrou no checklist oficial de eventos, e cada evento que sai confere o padrão sem precisar de data marcada.

Montar o kit de evento levava 3 h e passou para 1h10, na média de 3 eventos cronometrados. A nota subiu de 39% para 86% em 10/jul, 5 dias antes do prazo.

Na próxima etapa o papel se inverte: a equipe vira madrinha do almoxarifado da área comercial, cujo diagnóstico de entrada está marcado para setembro.

12. Hotelaria: rouparia auditada pela própria dona

Calendário de auditorias 5S da rouparia central da governança (caso ilustrativo), com a governanta executiva como auditora, qualidade corporativa a cada trimestre e reação abaixo de 85%Quem audita a rouparia central da governança, na 1ª semana de cada mês, é a governanta executiva, que também é a dona do 5S da área. A qualidade corporativa entra no rodízio a cada trimestre.

Pela regra de independência, o arranjo cede num ponto: em dois de cada três meses, a dona confere o próprio trabalho. O C14 pede auditor de outra área justamente para evitar isso. O bloco 8 não diz por que a dona audita a própria área. Minha hipótese é que o caso trocou independência por custo menor, com o rodízio trimestral como contrapeso.

A reação olha a nota e olha o enxoval. Com nota abaixo de 85%, o mutirão tem prazo de 1 semana; extravio acima de 25 peças por mês reativa a contagem diária por kit.

O carro de andar passou de 25 para 11 min, perto de 1h38 por dia, e o extravio baixou de 45 para 17 peças por mês, 62% a menos. A rouparia começou em 35% e chegou a 88% em 12/jun, 3 dias antes do prazo de 85%; as duas auditorias seguintes deram 87% e 89%.

Toda camareira nova monta um carro completo no padrão na integração, o que tira da auditoria uma parte do trabalho de ensinar.

13. Sustentabilidade: central de resíduos do canteiro

Calendário de auditorias 5S da central de resíduos do canteiro (caso ilustrativo), com a técnica de meio ambiente e um encarregado em rodízio, índice semanal no quadro e reação abaixo de 78%Uma técnica de meio ambiente é, ao mesmo tempo, dona do 5S e auditora da central de resíduos do canteiro. Na auditoria mensal, ela divide a tarefa com um encarregado em rodízio.

É o segundo caso do artigo em que a dona audita a própria área. Em obra, trazer auditor de fora tende a custar caro, porque ele viria de outro canteiro. Imagino que o encarregado em rodízio seja a forma que o caso achou de pôr na auditoria alguém que não responde pela central, embora o plano não diga de qual frente da obra ele vem.

A reação é a mais rápida entre as que têm prazo. Nota abaixo de 78% ou segregação abaixo de 85% aciona mutirão na mesma semana, e caçamba sem manifesto não sai do canteiro, com ou sem auditoria.

A segregação passou de 54% para 93%, a destinação ficou R$ 3,2 mil por mês mais barata e 14 caçambas foram regularizadas. Na nota geral, a central foi de 28% na entrada a 82% em 28/jul. O índice semanal continua no quadro entre uma auditoria e outra.

Por enquanto só existe a nota de agosto: 80%, dois pontos acima do limiar.

Com que frequência auditar o 5S

A auditoria mensal aparece nos treze casos, e o exemplo impresso no C14 é justamente esse: mensal, 30 minutos, meta de pelo menos 80%. O livro não fecha uma frequência única. Na página 40 do mesmo capítulo, o livro recomenda criar rotinas de limpeza “com periodicidades semanais, quinzenais ou mensais, dependendo da demanda”, com checklists e “padronização do acompanhamento do processo para detecção e eliminação de não conformidades”.

Minha regra prática para o calendário de auditorias sai dessa frase: a frequência acompanha a velocidade com que a área se desarruma. Posto de enfermagem desarruma em horas, por isso tem conferência de plantão. Ferramentaria compartilhada desarruma em dias, e ganha autoauditoria semanal. Um estúdio com eventos espaçados se mantém bem com a mensal.

Gosto de pensar no projeto 5S como a carga de uma bateria. O projeto enche, o dia a dia descarrega devagar e a auditoria é a leitura do nível. Se ninguém lê, a bateria só avisa quando acaba, e aí o que se tem é outro projeto, não uma correção.

Na MRS, o 5S chegou para mim junto com programas de melhoria contínua, olimpíadas de melhoria e desdobramento de metas. Mais tarde, por dois anos, coordenei as operações em Lafaiete: eu chefiava os inspetores, e eles chefiavam os maquinistas. Com dois níveis entre quem coordena e a ponta, eu acredito que o padrão só chega inteiro onde alguém confere com data marcada. Por isso eu trato o calendário de auditorias como uma linha da agenda da liderança, com a mesma cobrança de uma reunião de resultados.

Em auditoria de sistema de gestão, o equivalente ao calendário de auditorias tem nome: programa de auditoria. A ISO 19011 põe a independência entre os princípios da auditoria, e o raciocínio vale para o 5S sem adaptação. Se você quiser o caminho completo, comece pelo que são auditorias, veja como aplicar uma auditoria interna e como se preparar para uma auditoria. O que eu aprendi como auditor ISO está num texto à parte.

Ferramentas que entram antes, junto e depois do calendário

Antes do calendário de auditorias vem o padrão, porque ninguém audita o que não foi escrito. O POP da área e as fotos-padrão são a régua; sem eles, cada dupla audita pelo próprio gosto. A padronização e o trabalho padronizado fazem esse papel fora do 5S.

Junto do calendário de auditorias entram o checklist de 25 itens, o quadro de gestão à vista e o gráfico de evolução. É a lógica do SDCA: padrão, execução, checagem e ação para manter, girando todo mês. Se o seu 5S faz parte de um programa maior, vale ler 5S e Lean e kaizen e Lean.

Depois do calendário de auditorias vêm o plano de reação e o registro do que se aprendeu. Toda vez que o mutirão sai, a causa da queda merece virar lição aprendida, como a parada geral da oficina. Para quem está no começo, a metodologia 5S e a implantação do programa 5S explicam o caminho até a consolidação.

Baixe o modelo em branco e monte o calendário de auditorias da sua área

O modelo C14 do Kit 5S é o calendário de auditorias em branco. Vale preencher ainda durante o projeto, antes da auditoria de saída, para que o primeiro mês depois do encerramento já tenha data e dupla.

Modelo em branco de calendário de auditorias 5S, com a grade de janeiro a dezembro, rodízio de auditores e campos de gestão à vistaNo topo ficam a área auditada, a frequência com a duração e o checklist com a meta de sustentação. O miolo é a grade de janeiro a dezembro, com data prevista, dupla de auditores, realizada e pontuação. Embaixo vêm o rodízio de auditores, com a regra de que o auditor vem de outra área, os campos de gestão à vista e, no rodapé, o campo do dono do 5S na área.

Ver e baixar o modelo em branco

Ao preencher o calendário de auditorias, comece pelas doze datas e pelas duplas. O limiar e o prazo da reação vêm depois, e a meta de sustentação merece alguns pontos de folga em relação à meta do projeto.

Se o seu 5S está terminando agora, faça isso nesta semana: marque a primeira auditoria, escolha a dupla de fora da área e combine com o dono o que acontece se a nota cair. O capítulo de 5S do meu livro chama essa fase de etapa crítica, e eu resumo o motivo assim: quem marca a data sustenta, e quem deixa para depois costuma recomeçar do zero. Quem vai coordenar o 5S de várias áreas, e não só manter a sua, encontra formação com avaliação e acompanhamento nas academias de certificação.

Perguntas frequentes

O que é um calendário de auditorias 5S?
É o plano anual que fixa a data de cada auditoria 5S da área, a dupla de auditores, a nota obtida e a reação quando ela fica abaixo do limiar. Ele sustenta o senso de disciplina depois que o projeto termina.
Com que frequência fazer auditoria de 5S?
A auditoria mensal é o piso do calendário de auditorias: os 13 exemplos deste artigo usam esse ritmo, e o exemplo impresso no modelo C14 é de 30 minutos por mês. Áreas que se desarrumam rápido somam conferências por turno ou semanais feitas pela própria equipe.
Quem deve auditar o 5S?
Alguém que não trabalha na área auditada, em rodízio. Quando isso custa caro, o mínimo é rodízio interno com um auditor de fora a cada trimestre, deixando a concessão escrita no calendário de auditorias.
O que fazer quando a nota da auditoria 5S fica abaixo da meta?
Acionar o plano de reação combinado: mutirão com prazo, em geral de uma semana, e dono definido. Itens críticos, como vencido ou corredor obstruído, pedem ação imediata sem esperar a nota.
Qual a diferença entre calendário e checklist de auditoria 5S?
O checklist diz o que se confere na área. O calendário de auditorias diz quando a auditoria acontece, quem audita e o que fazer com o resultado.
Quanto tempo leva uma auditoria 5S?
O exemplo impresso no modelo C14 é de 30 minutos por mês para a auditoria mensal da área. Conferências por turno são bem mais curtas e cobrem poucos itens.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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