Metodologias & Qualidade

Plano de Controle: o que é, como fazer e 11 exemplos preenchidos

O documento que decide quem olha o indicador depois que o projeto acaba, e o que essa pessoa faz quando ele sai do padrão.

Thiago Coutinho
Publicado em 2 de set de 2026  ·  Atualizado em 2 de set de 2026  ·  24 min de leitura
Plano de controle preenchido sobre a mesa, com a coluna de reação em destaque

Na MRS Logística havia 5S e havia olimpíada de melhoria, e eu vivi os dois de dentro. Foram quatro anos ali. Programa de melhoria vive de repetição, e repetição precisa de alguém encarregado. Sem esse encarregado o programa vai perdendo carga até parar, e religar custa mais do que teria custado manter aceso. Quando o encarregado é o time do projeto, o programa dura o tempo do projeto. O que decide o destino de um ganho é quem ficou com a obrigação de olhar. O documento que registra essa obrigação é o plano de controle, a última ferramenta do DMAIC.

O plano de controle define o que continua sendo medido depois do encerramento, com que limite, em que frequência e por quem. E o que essa pessoa faz quando o número sai do padrão. Neste guia você vai ver o que é um plano de controle e por que a última coluna dele é a que importa. Depois, como montar o seu em cinco passos. E, na parte que eu mais gosto, 11 planos reais preenchidos, de centro de serviços a canteiro de obra, com o PDF de cada um.

O que é o plano de controle?

O plano de controle é o documento que mantém o ganho de um projeto depois que o projeto termina. Ele lista o que continua sendo monitorado, o limite de cada item, o método de medição, a frequência, o responsável, o registro e a reação em caso de desvio. Uma linha por item controlado.

E o indicador do projeto é só a primeira dessas linhas. Tem também duas coisas que a maior parte dos documentos do DMAIC não tem: um dono fora do time do projeto e uma data de transferência.

No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Editora Atlas), a etapa que ele fecha abre a Parte VIII, na página 447. O que eu escrevo ali define o escopo. "A etapa de Controle do método DMAIC tem como objetivo monitorar os resultados alcançados após a implementação das melhorias, garantindo a sustentabilidade dos mesmos". E, entre as tarefas da etapa: "Implemente um plano de monitoramento contínuo com métricas e indicadores de desempenho chave (KPIs) para acompanhar o processo".

A mesma página pede uma segunda coisa, e ela é o motivo de este artigo existir. "Desenvolva planos de contingência para lidar com eventuais regressões no desempenho do processo, garantindo uma resposta rápida e eficaz". Plano de contingência tem nome próprio no Lean Seis Sigma. É o OCAP, e em dez dos onze documentos deste artigo pelo menos uma linha tem a reação apontada para um OCAP com nome ou número.

Num projeto Lean Seis Sigma ele é o último documento a ser escrito e o primeiro a ser esquecido. Ele recebe o indicador e a meta do Project Charter, os limites do gráfico do plano de coleta de dados. E entrega a operação para quem vai conviver com ela.

As sete colunas de um plano de controle: item, limite, método de medição, frequência, responsável, registro e plano de reação
Sete colunas, e a sétima é a que faz as outras seis valerem.

A última coluna é a que faz o documento funcionar

A coluna de reação vem de longe: o Control Plan da indústria automotiva a tem como campo obrigatório. O que muda é o que vem escrito dentro dela. Nos onze documentos reais deste artigo a célula quase nunca para em "analisar". Na maior parte das linhas do plano de controle ela aponta para um documento com nome e número. OCAP-01 no farmacêutico e na manutenção industrial. Sinal A/B nos serviços. G1 a G4 na hotelaria. Gatilho 4 no financeiro.

A diferença é operacional. "Analisar a causa" é tarefa sem começo nem fim declarados. "OCAP-02" é um fluxograma de uma página com prazo por passo e nome em cada linha. Um plano de controle funciona por delegação. Ele distribui a reação, e a qualidade dele é a qualidade do que está do outro lado do ponteiro.

O documento de manutenção industrial escreve isso em cinco palavras, num bloco chamado princípios do controle: "sinal sem reação é enfeite". Eu não escreveria melhor.

Profissional da Voitto de pé, passando um documento impresso para colegas sentadosO único que não nomeia o OCAP é o do pronto-atendimento, e ele escreve a reação clínica direto na linha: reforçar a triagem, reciclar o corpo clínico, analisar a causa da evasão do período. Reação que é uma reunião mensal também aparece, quase sempre numa linha de custo ou de indicador agregado, em que a decisão é de gestão e não pede resposta em 24 horas. Na logística e no pronto-atendimento não há nenhuma. E na logística as duas linhas que não apontam para um OCAP reagem com ação de processo: escalonar à supervisão e reverter mudança não aprovada. O que não existe em nenhum dos onze é célula de reação em branco.

Como fazer um plano de controle em 5 passos

Os onze planos de controle deste artigo seguem a mesma espinha. Escolher o que controlar, escrever o limite, definir dono e frequência, amarrar a reação e transferir. Vale descrever de uma vez, porque a partir dos exemplos o que muda de exemplo para exemplo é o recheio de cada passo, e a ordem se mantém.

1. Escolha os X que produzem o Y. O Y é o indicador do projeto e ele confirma o resultado. É o mesmo papel que a capabilidade do processo tem quando confirma que a especificação é atendida. Os X são as variáveis que produzem o Y, e são eles que avisam antes. O documento de serviços mede o Y por semana e dois dos três X por dia. E escreve a razão numa linha: são os X que dão o aviso. Se o seu plano tem uma linha só, e é o Y, você descobre o problema pelo resultado. E provavelmente por um Pareto feito depois do estrago.

2. Escreva o limite que dispara a reação. Meta é para onde o processo vai. Limite é quando alguém precisa agir. Os dois convivem, e o plano de hotelaria escreve os três: onde o processo está hoje, onde alguém precisa agir, e para onde ir. Sem limite não existe gatilho, e sem gatilho a reação depende de alguém achar que está ruim.

3. Um responsável por linha, com nome de papel. O nome do papel que olha aquele número, naquela frequência. Coluna preenchida com "a equipe", sem dizer qual, fica sem ninguém olhando. É a primeira coisa que a gente pergunta quando revisa um plano em sala: quem olha, e quando. Dez dos onze trazem coluna de responsável, e o farmacêutico é o que não traz. Em vários deles o dono do item não é o dono do processo, e às vezes é uma área e não uma pessoa: pelo custo responde a controladoria, pela conferência responde a equipe da qualidade.

4. Amarre a reação a um documento com nome e número. É o passo da seção anterior, e é o que separa plano de controle de painel. Uma palavra na célula descreve uma intenção; um documento descreve uma reação. Se ela apontar para um OCAP com gatilho e sequência, você tem um sistema.

5. Faça o handover com data, dono e cadência. O plano de controle precisa sair das mãos de quem fez o projeto. Dez dos onze trazem data de transferência e dono nomeado, e em sete deles há também um ritual de revisão escrito, apertado no início e mais espaçado depois. O farmacêutico é o que não tem handover: no lugar dele há um bloco de governança por controle de mudanças. E dois mantêm o Green Belt acompanhando por 90 dias, o que é diferente de continuar responsável. E a auditoria do ganho costuma ficar com a área financeira, quase sempre depois de seis meses de sustentação.

A sequência do plano de controle: escolher os X, escrever o limite, definir o dono, amarrar a reação e transferir para a operação
O passo 5 é o único que tira o documento das mãos de quem o escreveu. É a razão de o plano de controle existir, e é o que mais se esquece.

O que controlar, e a linha que quase ninguém escreve

Aqui está o segundo achado dos onze planos de controle. Em sete deles o que se controla inclui alguma coisa que não é o indicador do projeto nem uma variável do processo. É o ganho, medido direto.

SegmentoA linha que não é indicador de processoLimite escrito
Serviçoscusto de retrabalho e reemissõesaté R$ 30 mil por mês
Hotelariahora extra da equipe de governançaaté R$ 1,5 mil por mês, contra R$ 6,8 mil de baseline
Marketinginvestimento de mídia depois da captura do ganhoaté R$ 230 mil por mês, 22% abaixo
Financeirocusto de retrabalho com glosasaté R$ 6 mil por mês
Produção de elevadorescusto do retrabalho de portasaté R$ 18 mil por mês
Manutenção de elevadorescusto das rechamadasaté R$ 90 mil por mês
Sustentabilidadecusto de destinação de resíduoaté R$ 85 mil por trimestre

Por que isso importa. O indicador de processo pode ficar bom e o ganho não aparecer, porque alguém está pagando hora extra para segurar o número. A linha de custo é o que impede o projeto de comemorar uma melhoria que a operação sustenta com esforço. E é a linha que o financeiro vai auditar seis meses depois, então melhor que ela esteja no plano desde o primeiro dia.

O caso do marketing é o mais interessante dos sete, e o mais fácil de esquecer. O projeto reduziu o investimento de mídia em 22%, e o plano coloca um teto nesse investimento, não um piso. Sem essa linha, o jeito mais simples de manter a conversão em 14% seria comprar mais tráfego, e o ganho evaporaria com o indicador intacto.

11 exemplos de plano de controle preenchidos, com PDF para baixar

Os 11 planos de controle abaixo são projetos-modelo da nossa Academia Lean Seis Sigma, usados em sala. Clicando na miniatura você vê a página toda, e o PDF sai do mesmo lugar. A matriz de controle aparece nos onze. Os POPs aparecem agrupados num bloco em oito, e em seis desses o bloco leva o nome padronização. A auditoria do ganho está em oito. Bloco com o nome governança, em sete, e nos quatro restantes a mesma informação está espalhada por outros blocos. A diferença entre eles está no que cada um escolheu controlar.

SegmentoY controladoAchado do documento
Serviçostaxa de faturas com erroa regra de quando recalcular os limites do gráfico
Saúdetempo de permanência no pronto-atendimentoo gatilho da reação escrito na própria linha
Farmacêuticolead time de liberação de lotesete métodos de controle diferentes em sete linhas
Manutenção industrialMTTR dos equipamentos críticosos princípios do controle, escritos como regra
Logísticaerro de separação de pedidostrês dos quatro X são travas de sistema
Hotelariatempo de liberação de quartoseis das oito linhas amarradas a um gatilho nomeado do OCAP
Financeirotaxa de medições glosadaso gráfico mostra a queda acontecendo
Marketingconversão de leads em visitaso teto de investimento protege o ganho
Produção de elevadoresretrabalho de portascontrola o rack de transporte do que o processo produz
Manutenção de elevadorestaxa de rechamadalimite de tempo invertido: piso de duração
Sustentabilidaderesíduo por metro quadradouma trava de sistema e uma norma externa

1. Faturamento em centro de serviços compartilhados

Plano de controle preenchido para taxa de faturas com erro, com a regra de recálculo de limitesNo pé da página deste plano há um bloco chamado "Como o especialista usa o Plano de Controle", e ele vale mais que muita seção. Só se recalcula depois de haver evidência de patamar novo e estável. Nunca no meio da transição. O gráfico p entrou no plano com linha central de 2,6%, contra a meta de 2,0%, e nenhum outro dos onze escreve quando mexer nessa linha.

A frequência é a outra coisa a copiar. O Y é semanal, no fechamento. Dois dos três X são diários: aditivos parametrizados em D mais 2 e bloqueios do poka-yoke de cadastro tratados em 24 horas. A adesão ao checklist digital é semanal. Medir a causa mais vezes que o efeito parece inversão e é o contrário: o efeito só confirma.

O handover tem data, dono e degradê de cadência. A gestão passa do Green Belt para a gerência do centro de serviços em dezembro, com revisão mensal nos três primeiros meses e trimestral depois. A vigência do documento é de 12 meses. E o ganho projetado de R$ 696 mil por ano será auditado pelo financeiro após seis meses de sustentação. E o documento diz, com todas as letras, por que os X vêm antes. Ele manda monitorar os X "com frequência maior que o Y", e a razão é que "são eles que avisam antes". A frase seguinte é a que eu repito em sala: "projeto sem dono volta ao baseline em poucos meses".

2. Tempo de permanência num pronto-atendimento

Plano de controle preenchido para pronto-atendimento, com o gatilho da reação em cada linhaSeis linhas, e em duas delas a coluna de reação traz o gatilho junto do destino. Numa linha, aciona o OCAP se a média do turno passar de 3,0 horas. Noutra, se o prazo do laboratório estourar por dois dias seguidos. O plano de controle diz quando. O OCAP diz o quê. É a divisão de trabalho mais limpa que eu vi entre os dois documentos.

Três blocos de rodapé com nome próprio. O contrato de sustentação: cada Y e cada X crítico tem meta, forma de medir e responsável. A ligação com o OCAP: recorrência reabre a análise de causa. E a gestão à vista: o painel por turno dispara alerta de espera acima de duas horas.

A matriz combina extração de sistema com auditoria de amostra, escolhendo pelo tipo de item. O tempo porta-alta sai do painel do sistema hospitalar, em censo por turno. O uso do checklist de alta sai de auditoria de prontuário, 20 casos por semana. Item que o sistema não registra vira amostra declarada, com tamanho escrito.

3. Liberação de lote farmacêutico, com sete métodos de controle

Matriz de controle farmacêutica com sete métodos de controle diferentes em sete linhasO cabeçalho deste plano se declara documento vivo, revisão 01, e a governança explica o que isso obriga: toda alteração de processo passa pelo controle de mudanças do sistema da qualidade e atualiza esta tabela. Num setor regulado isso é procedimento; fora dele, é a única coisa que impede o plano de descrever um processo que já não existe.

A matriz separa método de controle de método de medição, como a de logística, e usa isso ao máximo: as sete linhas usam sete métodos diferentes. Carta de controle I-MR para o lead time. Gráfico de tendência para o percentual no prazo. Painel de fila com SLA para o tempo em fila. SLA por exceção para a revisão documental. Kanban para o backlog. Pareto mensal para o retrabalho. Checklist de auditoria para a aderência ao procedimento.

Aqui fica visível que medir e controlar são duas decisões. O tempo em fila é medido por carimbo de sistema e controlado por painel com SLA, e a maioria dos planos que passam pela minha mão só toma a primeira das duas.

4. MTTR de equipamentos críticos na manutenção industrial

Plano de controle de MTTR com os princípios do controle escritos como regraEste documento fecha com três regras num bloco titulado princípios do controle: controle o X para proteger o Y; todo item tem plano de reação; indicadores extraídos do sistema, sem planilhas paralelas. É o único bloco do lote que se chama princípios. Os outros escrevem doutrina como instrução de uso, "Como o especialista usa o Plano de Controle" nos serviços, ou como regra única, a "regra de ouro" do financeiro.

A terceira é a que mais economiza discussão, apesar da cara burocrática. Planilha paralela é como dois números do mesmo indicador nascem, e quando eles divergem a reunião gasta o tempo dela decidindo qual vale. Cinco dos seis registros da matriz saem de sistema ou de formulário controlado: painel do sistema de manutenção, relatório mensal de manutenção, formulário de auditoria. O sexto é a planilha do 5S, e o documento não abre exceção para ela: a regra está escrita sem ressalva.

Os POPs têm código, repositório e status. Dois novos, um revisado, publicados no repositório de documentos e vinculados às ordens de serviço. Amarrar o procedimento à ordem de serviço é o detalhe que faz o padrão chegar em quem executa, em vez de ficar num diretório.

E os princípios fazem trabalho. A segunda regra deste bloco é a frase que eu citei na seção 2 deste guia, e ela saiu daqui: escrita por quem preencheu o formulário, não por mim.

5. Erro de separação de pedidos num centro de distribuição

Plano de controle de centro de distribuição em que os X são travas de sistemaNa maioria dos planos os X são medições. Aqui três dos quatro X são travas: scan de código obrigatório na coleta, com trava sistêmica; confirmação de quantidade no coletor, com dupla confirmação acima de dez unidades; e conferência cega por scan nas estações equipadas. O quarto é o endereçamento sem adjacência de similares, com regra no cadastro de novos itens.

A diferença entre medir e travar é quem carrega o esforço. Item medido depende de alguém olhar o relatório. Item travado não deixa a operação seguir errado. A regra escrita no pé do documento é essa. Controle os X com travas à prova de erro, e deixe o gráfico do Y confirmar que o sistema funciona. É poka-yoke aplicado ao plano de controle.

Duas coisas a mais deste documento. A conferência cega é auditada com teste de erro plantado mensal, ou seja, o controle também é controlado.

E há uma linha sobre a parametrização do próprio sistema, com revisão trimestral registrada em ata e reação "reverter mudança não aprovada".

Sem essa última linha, a melhoria some por um caminho que ninguém audita. Alguém desativa a trava para resolver um problema pontual, e ela nunca volta. O plano fecha essa porta com auditoria em duas camadas, líder de turno por semana e gerência por mês, verificando os quatro X no gemba.

6. Tempo de liberação de quarto em hotelaria

Plano de controle de hotelaria com seis das oito linhas amarradas a um gatilho nomeado do OCAPMatriz e plano de reação parecem ter sido escritos como par, com a amarração feita item por item em vez de documento por documento. Seis das oito linhas apontam para um gatilho nomeado do OCAP: G1, G2, G3 ou G4. Quem lê a matriz sabe exatamente qual página abrir.

O Y traz linha central de 43 minutos, limite superior de 52, limite inferior de 34 e meta de 45. Os quatro números fazem trabalho diferente, e aqui os quatro estão escritos. A meta diz para onde ir. Os limites dizem quando reagir. E a linha central diz o que o processo faz hoje.

Três X são de sequenciamento. Kits de enxoval entregues completos nas duas janelas e previsão de chegadas enviada nos três horários, os dois por turno. E carrinho de amenities completo nos doze andares, conferido no início do turno. Nenhum deles é sobre limpar mais rápido, e todos são sobre não esperar.

E há a linha de hora extra da governança, com teto de R$ 1,5 mil por mês, num hotel que gastava R$ 6,8 mil. É o plano dizendo que o tempo de liberação não pode voltar a ser comprado com escala. E a matriz ainda traz a nota de limpeza nas plataformas de reserva, que é um indicador que a operação não controla direto. É por isso que ele está lá.

7. Medições glosadas em contratos de obra

Plano de controle financeiro com o gráfico p mostrando a queda de 6,8% para 4,8%Aqui o gráfico mostra a melhoria acontecendo. São doze pontos sob o padrão novo, saindo de 6,8% e chegando a 4,8%, nenhum fora dos limites, e as quatro últimas semanas em 5,6% ou menos. O processo vinha de 14,2%.

A governança está numa tabela de seis linhas nomeadas, e vale copiar a estrutura. Dona do processo com data de handover, corresponsável de campo e rotina de revisão. Documentação publicada, auditoria do ganho e plano de reação. Seis perguntas que todo encerramento devia responder por escrito.

Quatro dos seis X são de rito humano. Adesão ao checklist digital em 100% das medições. Dupla conferência em todos os contratos-âncora e em 30% dos demais. Zero itens sem aditivo formalizado no boletim. Medições enviadas até o dia 25 em pelo menos 80% dos casos. E o pé do documento traz a regra que eu levaria para qualquer plano de qualquer setor: ele não mede pessoas, mede o processo. A frase existe porque todo plano de controle pode virar instrumento de cobrança individual. E no dia em que virar, os registros começam a ficar bonitos.

8. Conversão de leads em visitas no mercado imobiliário

Plano de controle de marketing com teto de investimento de mídia para proteger o ganhoO Y deste plano é do tipo quanto maior melhor, e isso muda qual limite é o acionável. O gráfico traz limite inferior de 12,1% e superior de 16,9%, com linha central em 14,5%. Aqui o alarme que importa é o de baixo, e quem copia a régua de um processo do tipo quanto menor melhor acaba vigiando o lado errado.

A linha que eu não esperava encontrar é a de investimento de mídia. Teto de R$ 230 mil por mês, 22% abaixo do que era antes. Ela protege o ganho contra o atalho óbvio, que é comprar mais tráfego para manter a conversão.

Os quatro X são de rotina comercial, e três dos limites são de execução. Primeira resposta em até 15 minutos para 95% dos leads. Cadência de cinco toques em sete dias, executada em 100% dos leads elegíveis. Percentual de leads dentro do perfil acima de 70%. Custo por lead até R$ 80.

Três POPs e um playbook sustentam a rotina desses X. E o ritual é um único encontro semanal de 15 minutos entre marketing e comercial, com o gráfico na mesa. Quinze minutos por semana é o custo real de sustentar um projeto, e é menos do que a maioria das reuniões que não sustentam nada.

9. Retrabalho de portas na produção de elevadores

Plano de controle de produção de elevadores que controla o estado dos racks de transporteHá um X neste plano que não é do processo, e foi o que me fez parar: o estado dos berços e racks, inspecionado a cada quinze dias, com o critério "sem ponto metálico exposto". Os outros três são o que se espera: gabaritos de solda verificados com calibre, parâmetros de solda auditados por turno, movimentação em rack dedicado com checklist.

O que ele controla é o meio de transporte do que o processo produz. E a lógica é boa: se o rack arranha a porta, o retrabalho aparece no indicador e a causa não está em nenhuma etapa produtiva. Controlar o continente junto do conteúdo. É o tipo de linha que só entra num plano depois de alguém ter perdido tempo procurando no lugar errado.

Outro detalhe da padronização: o ferramental de produção entrou no plano de calibração. Gabarito é instrumento, e instrumento sem calibração vira fonte de variação em vez de controle dela. Quatro POPs foram criados ou revisados em duas semanas e meia, incluindo apontamento de defeito por linha, turno e tipo, com quadro hora a hora.

O pé do documento traz doze semanas de evidência: 4,2% a 5,5%, consolidadas em 4,8%, quando o ponto de partida era 11,6%. O que essa linha prova não é que o processo melhorou. É que ele continuou melhor sem o projeto por perto.

10. Taxa de rechamada na manutenção de elevadores

Plano de controle de manutenção de elevadores com tempo mínimo de preventiva como limitePreventiva rápida é preventiva incompleta, e eu leio o X2 deste plano como resposta a isso. É um piso: tempo mínimo de preventiva, pelo menos 45 minutos nas famílias críticas e 35 nas demais, medido por check-in e check-out do aplicativo, por rota.

A inversão tem explicação operacional. Preventiva incompleta volta como rechamada em 30 dias, que é exatamente o Y do projeto.

Colocar piso num indicador de tempo é admitir que a pressa é a causa, e admitir isso num documento oficial é decisão de gestão.

O checklist digital tem bloqueio de conclusão no aplicativo, e o de papel foi aposentado com data: 10 de julho de 2026. Aposentar o documento antigo com data é o que evita a convivência dos dois, que é como o padrão novo morre por concorrência.

O X4 controla o escalonamento, e com ele o plano passa a vigiar se a reação aconteceu: equipamento com dois chamados em 60 dias sem plano de engenharia aberto em sete dias já é o desvio, e a linha exige 100% dos alertas tratados.

11. Resíduo por metro quadrado num canteiro de obra

Plano de controle de canteiro de obra com trava no pedido de material e norma CONAMANeste plano o controle começa antes de o resíduo existir. A trava está no pedido de material, como as de logística: ele tem que estar vinculado a quantitativo de paginação, e pedido por estimativa está bloqueado no fluxo de suprimentos. E o X4 usa uma norma externa como critério, a classificação de resíduos da resolução CONAMA 307.

Usar norma externa resolve um problema que eu vejo em plano de obra com frequência. A classificação de resíduo é discutível, e discussão de classificação vira número que ninguém confia. Com a resolução na coluna de critério, a conferência das baias vira checagem.

Os outros dois X são de execução medida em campo. Sobra de argamassa por pavimento, apontada diariamente pela frente de serviço. E a espessura média do gesso, aferida em 60 pontos amostrais, contra os 5 milímetros que o projeto pede. O custo de destinação é medido por mês, mas o teto é trimestral: R$ 85 mil. O ciclo da obra é mais longo que o ciclo contábil, e o limite acompanha a obra.

O consolidado das doze semanas seguintes ficou em 0,125 metro cúbico por metro quadrado, contra 0,182 no começo, e as doze ficaram entre 0,121 e 0,133, dentro dos limites de controle do gráfico. É a série inteira num patamar em que ninguém precisa se esforçar para explicar o número.

Cinco erros que fazem o ganho voltar ao baseline

1. Encerrar o projeto sem handover com data. Enquanto o plano de controle é do Green Belt, ele funciona. No dia em que o Green Belt vai para o projeto seguinte, ninguém herdou nada. Dez dos onze documentos têm data de transferência e dono nomeado, e dois mantêm acompanhamento assistido por 90 dias.

2. Controlar só o Y. Um plano de controle de uma linha avisa quando o problema já aconteceu. Na maioria dos onze planos os X são mais numerosos que os Y. No de logística são quatro X para um Y, e três deles em censo diário contra o Y semanal. Controlar a saída é receber a notícia pelo cliente.

3. Recalcular os limites do gráfico na hora errada. O plano de serviços escreve a regra: recalcular só depois de evidência de novo patamar estável, nunca no meio da transição. Limite recalculado cedo esconde a melhoria dentro da faixa e o gráfico deixa de acusar recaída. O e-Handbook do NIST/SEMATECH tem uma seção chamada "When do we recalculate control limits?", e a regra dela é: só mude os limites se houver uma razão válida e convincente. Entre os exemplos que ela dá, uma mudança relevante de processo, ou pelo menos 30 pontos novos sem mudança conhecida. Quem cuida da régua estatística é o controle estatístico de processo.

4. Deixar a reação em branco, ou escrita como verbo. Eu já escrevi "verificar" nessa coluna. Volto ao assunto porque é o erro mais comum de todos. "Verificar" não é reação. "Acionar o OCAP-02" é, e é a mesma lógica de um 5W2H, que não aceita ação sem dono e prazo. Se você não tem um OCAP escrito, o plano de controle vira uma lista de coisas para olhar.

5. Não controlar o dinheiro. Sete dos onze planos de controle têm uma linha de custo. Ela existe porque indicador bom com custo alto não é ganho: é subsídio. Quem não escreve essa linha descobre o custo na auditoria do ganho, seis meses depois, quando já não há projeto para consertar nada.

Ferramentas que trabalham junto

Um plano de controle é ponto de chegada, então quase tudo que ele usa vem de antes. O indicador e a meta vêm do Project Charter. A definição operacional e os limites saem do plano de coleta de dados. A prova de que a medição concorda consigo mesma vem do MSA. O gráfico que ele acompanha é a carta de controle, e o registro de campo é a folha de verificação.

Do lado da execução, o padrão que sustenta cada item é o POP, e em nove deles ele aparece nomeado; em oito com código ou data de publicação. A padronização é o que transforma melhoria em rotina, e o Lean Enterprise Institute define trabalho padronizado de um jeito que serve aqui: é a base a partir da qual a melhoria seguinte é medida. Quando o desvio se repete, o caminho é voltar para Ishikawa, 5 Porquês e matriz de causa e efeito. E quem escolhe o que atacar primeiro é a matriz esforço x impacto.

FerramentaO que fazRelação com o plano de controle
Plano de coleta de dadosdefine o que medir, com que fórmula e amostraentrega os limites e o método de medição de cada linha
Carta de controlesepara variação comum de causa especialé o gráfico que o plano de controle acompanha e de onde sai o gatilho
OCAPescreve a sequência de reação a um sinalé o destino da última coluna em dez dos onze
POPescreve o jeito certo de fazer o trabalhoé o padrão que cada item controlado protege
Gestão à vistapõe o indicador onde a equipe trabalhatorna o controle visível sem depender de relatório

Dois dos onze documentos usam o termo gestão à vista dentro do plano, e outros três publicam o gráfico num quadro de linha, de obra ou de filial sem dar nome à prática. O ciclo inteiro cabe numa página de relatório A3, e é assim que ele costuma chegar à reunião de melhoria contínua. E o encerramento formal, com lições aprendidas e auditoria do ganho, é o que a auditoria interna vai procurar seis meses depois. Nessa altura ninguém do projeto está mais por perto.

Baixe o modelo em branco e monte o seu

Modelo em branco de plano de controle, com matriz de itens, coluna de reação e handoverO modelo de plano de controle da Voitto é um PDF preenchível. Traz a matriz com uma linha por item controlado, e as colunas de limite, método, frequência, responsável e registro. Traz também a coluna de reação, os campos de dono do processo e data do handover no cabeçalho, e um bloco de rotina de auditoria de aderência. Ele é a ferramenta 17 do Kit de Ferramentas Lean Seis Sigma.

Baixar o modelo de plano de controle em PDF

Preencher a matriz do plano de controle leva uma tarde. O que faz o plano de controle sobreviver é a conversa do passo 5. Combinar com a pessoa que vai herdar o documento o que ela olha e com que frequência. E o que ela faz quando o número sai da faixa. É essa conversa que a gente treina na Academia Lean Seis Sigma, com banca no fim. Voltando à MRS: a pergunta que sobrou de lá é a que este documento responde. Quem fica com a agenda de olhar depois que o projeto sai.

Perguntas frequentes

O que é um plano de controle?
O plano de controle é o documento da fase Controlar do DMAIC que mantém o ganho de um projeto depois que o projeto termina. Ele lista o que continua sendo monitorado e o limite de cada item. Lista também o método de medição, a frequência, o responsável e a reação em caso de desvio, com uma linha por item. E tem duas coisas que a maior parte dos documentos do DMAIC não tem: um dono fora do time do projeto e uma data de transferência.
Como fazer um plano de controle?
Em cinco passos. Escolha os X que produzem o resultado. Escreva o limite de cada item, que é o número onde alguém age. Defina um responsável único por linha. Amarre a reação a um documento com nome e número. E faça o handover com data, dono e cadência de revisão. Nos 11 exemplos deste artigo os quatro primeiros passos aparecem preenchidos em nove, e o quinto, completo com data, dono e cadência, em sete. As duas exceções aos quatro primeiros passos são de documentos diferentes: o farmacêutico não tem coluna de responsável, e o do pronto-atendimento aciona o OCAP sem nome nem número.
Qual a diferença entre plano de controle e OCAP?
O plano de controle diz o que monitorar, com que limite e quem olha. O OCAP diz o que fazer quando o limite é rompido, com sequência de ações, prazo por passo e responsável. O plano de controle é a lista do que vigiar. O OCAP é o procedimento de reação. Na prática o plano de controle aponta para o OCAP na coluna de reação. Em dez dos 11 documentos deste artigo esse ponteiro tem nome ou número em alguma linha.
Quais colunas o documento precisa ter?
No plano de controle entra uma linha para o Y do projeto e uma para cada X crítico. Em cada uma: limite, método de medição, frequência, responsável, registro e reação. Mais o bloco de padronização, com os POPs publicados, e o bloco de handover, com dono, data e cadência. Em 7 dos 11 planos deste artigo entra também uma linha de custo. Ela garante que o indicador bom não esteja sendo sustentado com hora extra ou mais investimento.
Quem fica responsável depois que o projeto termina?
O dono do processo assume o plano de controle, e a transferência tem data. Em dez dos 11 documentos deste artigo o handover está escrito, com nome do papel que assume e data. Em sete deles há também um ritual de revisão com cadência escrita. Dois mantêm o Green Belt acompanhando por 90 dias, o que é diferente de continuar responsável. A auditoria do ganho costuma ficar com a área financeira, quase sempre depois de seis meses de sustentação.
Onde encontro exemplos de plano de controle preenchidos?
Neste artigo há 11 planos completos em PDF, um por segmento. São serviços, saúde, farmacêutico, manutenção industrial, logística e hotelaria. E financeiro, marketing, sustentabilidade e os dois do setor de elevadores. Todos gratuitos, com a matriz de controle preenchida. Oito agrupam os POPs num bloco e dez trazem handover escrito. Todos vêm dos projetos-modelo que a Academia Lean Seis Sigma da Voitto usa em sala.
Qual a diferença entre o documento do DMAIC e o Control Plan da IATF 16949?
A estrutura é parecida e o escopo separa os dois. O Control Plan automotivo é exigido pela IATF 16949 e cobre a peça ou a família de peças em todas as etapas do processo, com conteúdo mínimo prescrito pela norma. As três fases, protótipo, pré-lançamento e produção, estão no anexo normativo, com a ressalva de que a norma diz "conforme apropriado" e a de protótipo só é exigida se o cliente pedir. O plano de controle do DMAIC tem escopo mais estreito: fecha um projeto de melhoria, cobrindo o Y e os X críticos que o produzem. E traz o que a norma automotiva não exige, um handover datado e nominal para o dono do processo. O formulário da AIAG tem "Core Team" e uma linha de aprovação da planta com data, mas isso aprova o documento e não transfere a obrigação de olhar.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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