Projeto Black Belt na siderurgia: o case da pré-laminação que custava R$ 221 por tonelada
Um projeto real da formação Black Belt da Voitto, contado pelas cinco fases do DMAIC: o mapa de fluxo de valor que expôs 6 dias de fila, a capabilidade com Weibull, o boxplot que revelou o risco de lasca e o resultado antes e depois.
Retirar uma etapa de um processo siderúrgico parece só uma decisão de custo. Na prática, quase toda etapa existe porque protege alguma coisa, e o trabalho do projeto é descobrir o quê antes de removê-la.
Este case acompanha um projeto Black Belt na siderurgia que pretendia eliminar a pré-laminação de um aço na rota da laminação de tiras a quente. A etapa custava R$ 221 por tonelada e o ganho anual declarado era de R$ 1,68 milhão.
No caminho, o mapa de fluxo de valor mostrou um lead time de 18,3 dias que poderia cair para 10,2. A capabilidade do prazo de entrega deu Ppk de -0,09. E um boxplot de sucata revelou que, sem a etapa, o defeito de lasca subia.
O relato segue as cinco fases do DMAIC. Em cada uma aparece o que a equipe fez, por que escolheu cada ferramenta e como ler o resultado. O desfecho mostra o percentual fora do limite caindo de 76,25% para 28,81%, com o que ainda ficou em aberto.
Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. A empresa aparece como Voitto Steel e o aço sem o código original. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto do processo, a leitura das causas e os exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.
Placa, forno e laminador: onde fica a pré-laminação no caminho da bobina quente
Para entender o projeto é preciso conhecer o caminho do aço. A aciaria produz o aço líquido, que é solidificado no lingotamento contínuo e cortado em placas. Uma placa é um bloco retangular de aço com algumas toneladas.
A placa segue para a laminação de tiras a quente, chamada na apresentação de LTQ. Ali ela é reaquecida num forno e passa por cadeiras de laminação que reduzem a espessura até virar uma tira enrolada. Esse produto é a bobina quente preta, ou BQ preta.
No aço estudado, a rota padrão tinha um passo a mais. A placa era enfornada, pré-laminada, resfriada, esmerilhada e só então enfornada de novo para a laminação final. A pré-laminação é, portanto, um segundo ciclo de forno e laminador para o mesmo material.
Esse passo extra ocupa forno, consome energia e alonga o tempo até a entrega. A Voitto Steel, nome usado para descaracterizar a empresa, atua no corte e laminação de aço. A equipe observou que a etapa agregava pouco ao processo de LTQ e derrubava a produtividade.
R$ 221 por tonelada: o custo de manter uma etapa que talvez não precise existir
A apresentação traz dois custos. Com pré-laminação, o aço custa R$ 11.114 por tonelada. Sem ela, custaria R$ 10.893 por tonelada. A diferença é de R$ 221 por tonelada, ou 1,99% do custo.
A meta declarada foi eliminar a etapa, com ganho de 1.680 MR$ por ano, ou seja, R$ 1,68 milhão. A fonte não informa o volume anual. Dividindo o ganho pela diferença unitária, o volume implícito é de cerca de 7.600 toneladas por ano, conta feita para este artigo.
O número é pequeno por tonelada e grande no ano, padrão típico da siderurgia. Por isso o critério de cálculo merece o mesmo cuidado de qualquer retorno financeiro de projeto Seis Sigma: custo evitado, volume real e o que fica fora da conta.
| Item | Valor | Origem |
|---|---|---|
| Custo com pré-laminação | R$ 11.114/t | Apresentação |
| Custo sem pré-laminação | R$ 10.893/t | Apresentação |
| Diferença por tonelada | R$ 221/t | Cálculo: 11.114 menos 10.893 |
| Ganho anual declarado | R$ 1,68 milhão | Apresentação |
| Volume implícito | Cerca de 7.600 t/ano | Ilustrativo: 1.680.000 dividido por 221 |
Um charter que pede para remover, e não para ajustar
A maioria dos projetos de Lean Seis Sigma tenta reduzir um defeito ou uma variação. Este pedia algo mais arriscado: tirar uma etapa inteira da rota de fabricação. Se a etapa existia, alguém a colocou ali por um motivo técnico.
Isso muda a lógica do DMAIC. Não basta provar que a etapa custa caro. É preciso descobrir o que ela protege e garantir que o processo continue protegido sem ela.
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Problema | Pré-laminação agrega pouco à LTQ e reduz a produtividade |
| Meta | Eliminar a pré-laminação no aço estudado |
| Indicador de custo | De R$ 11.114/t para R$ 10.893/t |
| Indicador de fluxo | Lead time da BQ preta, com limite de 15 dias |
| Escopo | Rota do aço estudado entre placa e laminação final |
| Ganho declarado | R$ 1,68 milhão por ano |
| Risco central | Aumento da sucata por defeito de lasca |
O risco central não aparece no slide de definição. Ele surge na medição, e é justamente por isso que esta fase pesou tanto no case.
16,6 dias de lead time contra um limite de 15: a linha de base da entrega
A primeira medição foi o tempo de entrega da BQ preta, em dias, com 120 observações. A média ficou em 16,606 dias e o desvio padrão em 4,235 dias. O mínimo foi 7,6 dias e o máximo, 31,8.
O intervalo de 95% de confiança para a média foi de 15,840 a 17,371 dias. A leitura é direta: mesmo no limite inferior do intervalo, a média verdadeira está acima dos 15 dias usados como limite.
O teste de normalidade de Anderson-Darling deu valor-p abaixo de 0,005. Os dados não seguem a distribuição normal. Essa informação decide qual modelo usar na capabilidade, como mostra a fase de medição.
| Estatística do lead time | Valor |
|---|---|
| Observações | 120 |
| Média | 16,606 dias |
| Desvio padrão | 4,235 dias |
| Primeiro quartil | 13,100 dias |
| Mediana | 16,900 dias |
| Terceiro quartil | 19,375 dias |
| IC 95% da média | 15,840 a 17,371 dias |
| Anderson-Darling | A² de 2,41, p abaixo de 0,005 |
21 períodos e mediana zero: quanto aço já saía sem pré-laminação
O segundo resumo estatístico mostra o percentual produzido sem pré-laminação, em 21 observações. A média foi 4,72%, mas a mediana foi zero e o primeiro quartil também. Em pelo menos metade dos períodos, nada saiu pela rota curta.
O máximo chegou a 29,41% e o terceiro quartil a 9,19%. A distribuição é muito assimétrica, com assimetria de 1,97. É o retrato de uma rota alternativa usada de forma esporádica, sem padrão.
Esse dado tem dois usos. Mostra o tamanho da mudança pedida, de menos de 5% para 100% sem a etapa. E mostra que existe histórico real da rota curta, o que permite comparar com e sem pré-laminação usando dados da própria usina.
Quando a média e a mediana se afastam tanto, reportar só a média engana. O boxplot desenhado abaixo do histograma deixa isso visível em segundos.
O mapa de 18,3 dias: onde a pré-laminação aparece no fluxo de valor
A fase de medição começou pelo mapa da cadeia de valor do estado atual. O VSM desenha o fluxo de material e de informação e separa tempo que transforma o produto de tempo de espera.
No estado atual, a rota tinha quatro processos: produzir placas, enfornar e pré-laminar, esmerilhar e enfornar e laminar final. Entre eles havia estoques intermediários, marcados com triângulos no mapa.
| Trecho do estado atual | Tempo | Classificação |
|---|---|---|
| Estoque após produzir placas | 4,0 dias | Não agrega valor |
| Enfornar e pré-laminar | 0,16 dia | Agrega valor |
| Estoque antes de esmerilhar | 6,0 dias | Não agrega valor |
| Esmerilhar | 3,0 dias | Agrega valor |
| Estoque antes da laminação final | 5,0 dias | Não agrega valor |
| Enfornar e laminar final | 0,17 dia | Agrega valor |
| Total | 18,3 dias | 3,3 dias agregam, 15 não agregam |
Só 18% do tempo agregava valor. A pré-laminação em si dura 0,16 dia, mas arrasta consigo um estoque de 6 dias antes do esmerilhamento. O custo da etapa não está na máquina, está na fila que ela cria.
O estado futuro de 10,2 dias e os 8,1 dias que a etapa carregava
O estado futuro remove o processo de enfornar e pré-laminar. A placa vai direto para o esmerilhamento e daí para a laminação final. Restam dois estoques, de 3 e 4 dias.
| Indicador do VSM | Estado atual | Estado futuro | Diferença |
|---|---|---|---|
| Lead time total | 18,3 dias | 10,2 dias | -8,1 dias |
| Tempo que agrega valor | 3,3 dias | 3,17 dias | -0,13 dia |
| Tempo que não agrega valor | 15 dias | 7 dias | -8 dias |
| Participação do valor agregado | 18% | 31% | +13 pontos |
| Processos na rota | 4 | 3 | -1 |
A redução de 8,1 dias corresponde a 44% do lead time. Quase toda ela vem de espera, não de processamento. O tempo que agrega valor praticamente não muda.
O mapa futuro também explica por que o lead time medido, de 16,6 dias em média, não alcançava o limite de 15. Com um estoque inteiro a mais na rota, a meta de entrega era inalcançável sem mexer na estrutura do fluxo.
Ppk de -0,09 com modelo de Weibull: a capabilidade de um prazo de entrega
Com o lead time em mãos, a equipe calculou a capabilidade do processo contra o limite superior de 15 dias. Como os dados não eram normais, o cálculo usou a distribuição de Weibull, que se ajusta melhor a tempos assimétricos.
O resultado foi Ppk de -0,09. Um Ppk negativo significa que a média do processo já está do lado errado do limite. Não é processo apertado, é processo fora.
| Indicador de capabilidade | Valor |
|---|---|
| Limite superior | 15 dias |
| Média da amostra | 16,6058 dias |
| Tamanho da amostra | 120 |
| Ppk | -0,09 |
| Z.Bench | -0,30 |
| PPM acima do limite, observado | 625.000 |
| PPM acima do limite, esperado | 618.577 |
As 625.000 partes por milhão observadas equivalem a 62,5% das entregas acima de 15 dias, ou 75 de 120. O valor esperado pelo modelo, 618.577, ficou próximo. Isso indica que o Weibull descreveu bem os dados.
Para comparação, um cálculo pela normal daria Ppk de cerca de -0,13. A escolha do modelo muda o número, mas não a conclusão.
A sucata por lasca e o motivo de a pré-laminação ter sido criada
Lasca é um defeito superficial da bobina. Aparece como uma escama ou uma tira fina de metal que se destaca da superfície. Costuma nascer de inclusões, trincas ou heterogeneidades da placa que a laminação abre em vez de fechar.
A pré-laminação seguida de esmerilhamento funciona como uma limpeza. O primeiro passe expõe defeitos da placa e o esmeril remove a camada afetada antes da laminação final. Tirar a etapa ameaça exatamente essa proteção.
A apresentação traz uma carta de sequência do sucateamento por lasca de junho de 2017 a outubro de 2018, na rota padrão sem pré-laminação. A linha de referência está em 10%. Pela leitura do gráfico, os pontos oscilam entre cerca de 6% e 16,5%.
Até o início de 2018, quase todos os pontos ficam acima de 10%. Entre maio e setembro de 2018 a sucata cai para perto de 6% a 8%, e volta a cerca de 11% em outubro. É uma série instável, que pede carta de controle e investigação de causa especial antes de qualquer conclusão.
COM e SEM no boxplot: o teste de hipótese que mudou a pergunta do projeto
O passo seguinte foi comparar a sucata por lasca entre o material com e sem pré-laminação. A apresentação mostra o resultado como dois boxplots lado a lado, rotulados COM e SEM, sob o título de teste de hipótese.
Pela leitura do gráfico, o grupo COM tem média perto de 13% e caixa estreita. O grupo SEM tem média perto de 19,5%, mediana perto de 18% e um ponto atípico acima de 40%. Sem a etapa, a sucata sobe e fica mais dispersa.
O slide não traz o valor-p. Como os dados de sucata costumam ser assimétricos, um teste não paramétrico, como Mann-Whitney, seria a escolha natural para comparar medianas. Essa observação é do artigo, não da fonte.
Ler um boxplot é simples. A caixa contém a metade central dos dados, a linha dentro dela é a mediana e as hastes mostram o alcance dos valores típicos. Pontos isolados além das hastes são atípicos e merecem investigação própria.
A decisão que o boxplot produziu foi a mais importante do case. A pergunta deixou de ser se a pré-laminação podia sair. Passou a ser o que precisava mudar a montante para que a lasca não subisse quando ela saísse.
A equipe também usou uma matriz de causa e efeito na medição, para ligar as variáveis de entrada à sucata. A apresentação não mostra os pesos dessa matriz.
Um Ishikawa espalhado por vários setores e a matriz de esforço e impacto que cortou o escopo
Lasca tem muitas causas possíveis, e elas estão em áreas diferentes: aciaria, lingotamento, fornos e laminação. O diagrama de Ishikawa da equipe refletiu isso, com causas potenciais em diversos setores da empresa.
Um Ishikawa grande é bom para não esquecer hipóteses, mas ruim para decidir. A equipe reduziu o escopo com uma matriz de esforço e impacto. Cada causa recebe uma nota de impacto sobre o problema e outra de esforço para atuar.
O quadrante que interessa é o de alto impacto e esforço viável. Causas de alto esforço e baixo impacto saem da lista, mesmo quando são as favoritas de alguém.
| Causa priorizada | Área de origem | Por que afeta a lasca |
|---|---|---|
| Teor de manganês, cromo, níquel e titânio | Aciaria | A química define inclusões e a resposta do aço ao calor |
| Velocidade de lingotamento | Lingotamento contínuo | Influencia a solidificação e a qualidade da superfície da placa |
| Diferença de temperatura máxima por etapa | Fornos e laminação | Gradientes térmicos favorecem trincas e oxidação |
| Corrente do edger | Laminação | Indica o esforço no laminador vertical que conforma as bordas |
A coluna sobre o efeito na lasca foi acrescentada para explicar cada causa ao leitor. A apresentação lista as quatro causas, mas não detalha o mecanismo.
Química da liga, velocidade de lingotamento, temperatura e edger: lendo as quatro causas
A primeira causa é química. Elementos como titânio formam compostos que prendem nitrogênio e carbono e refinam a estrutura do aço. Teores fora da faixa ideal deixam a placa mais sensível a defeitos de superfície.
A segunda é a velocidade de lingotamento. Lingotar rápido aumenta a produção, mas pode deixar a casca da placa fina demais na saída do molde. Uma casca irregular gera trincas que, laminadas, viram lasca.
A terceira é a diferença máxima de temperatura em cada etapa. Variações grandes de temperatura entre núcleo e superfície, ou entre um processo e outro, geram tensões no material.
A quarta é a corrente do edger, o laminador vertical que trabalha as bordas da placa. A corrente funciona como medida indireta da força aplicada. Picos podem indicar placas com borda problemática ou ajuste inadequado.
Para confirmar cada causa, o caminho natural é a estratificação da sucata por faixa de química, de velocidade e de temperatura. Se a lasca se concentra numa faixa, a causa ganha evidência. Se se espalha por igual, perde força. A apresentação não mostra essas estratificações.
As quatro causas têm algo em comum: atuam antes da laminação final. Esse é o argumento técnico do projeto. Se a placa chegar limpa, o passo de limpeza deixa de ser necessário.
Quatro causas, quatro planos de ação em 5W2H
Para cada causa a equipe montou um plano de ação pelo método 5W2H: o quê, por quê, onde, quando, quem, como e quanto custa. É uma ferramenta simples, escolhida porque as ações cruzavam várias áreas e precisavam de dono e prazo claros.
| Causa | Ação registrada na apresentação |
|---|---|
| Química da liga | Elevar a adição de titânio nas ligas |
| Química da liga | Alterar o percentual de outros metais na composição |
| Rota de produção | Aumentar o volume produzido sem pré-laminação |
| Qualidade da placa | Avaliar o efeito da pré-laminação na macroestrutura da placa |
A apresentação não mostra o plano completo. A tabela abaixo é um exemplo ilustrativo de como uma dessas linhas fica no formato 5W2H, com campos genéricos.
| Campo do 5W2H | Exemplo ilustrativo |
|---|---|
| O quê | Elevar a adição de titânio no aço estudado |
| Por quê | Reduzir a sensibilidade da placa à lasca |
| Onde | Aciaria, etapa de ajuste de composição |
| Quando | Nas próximas corridas do aço estudado |
| Quem | Engenharia de processo da aciaria |
| Como | Nova faixa de especificação química com acompanhamento por corrida |
| Quanto | Custo adicional de liga por tonelada |
Escalar a rota curta sem perder o controle da lasca
Duas ações merecem atenção. Aumentar o volume sem pré-laminação não é uma correção, é um experimento em escala crescente. Cada lote produzido pela rota curta vira dado novo para comparar a sucata com a rota antiga.
Avaliar a macroestrutura da placa é a ação de verificação. A macrografia expõe segregação, porosidade e trincas internas. Comparar placas com e sem pré-laminação mostra se a etapa realmente corrige algo ou se só esconde defeitos de origem.
A ordem faz sentido. Primeiro se ajusta a química, que ataca a causa. Depois se aumenta o volume na rota curta, medindo a lasca. A macroestrutura funciona como prova física de que a placa não piorou.
Num projeto com mais dados, essa etapa poderia usar uma FMEA para listar os modos de falha da rota sem pré-laminação. A apresentação não menciona FMEA, então esse ponto fica como sugestão do artigo.
De 76,25% para 28,81% fora do limite: como ler o relatório antes e depois
O resultado foi apresentado num relatório de capabilidade antes e depois, com limite superior de especificação 15. O slide não nomeia a variável. O texto da apresentação a chama de percentual de erros na fabricação.
O percentual esperado fora do limite caiu de 76,25% para 28,81%. É a redução de 62% citada no slide: a diferença é de 47,4 pontos, que divididos por 76,25 resultam em 62,2%.
| Indicador | Antes | Depois | Modificação |
|---|---|---|---|
| Observações | 28 | 8 | - |
| Média | 17,934 | 3,875 | -14,059 |
| Desvio padrão global | 11,107 | 10,960 | -0,147 |
| Desvio padrão dentro | 10,372 | 7,852 | -2,519 |
| Ppk | -0,24 | 0,19 | +0,42 |
| Cpk potencial | -0,25 | 0,26 | +0,51 |
| % fora observado | 85,71% | 12,50% | -73,21 pontos |
| % fora esperado | 76,25% | 28,81% | -47,43 pontos |
| PPM esperado | 762.477 | 288.135 | -474.343 |
Os percentuais observados batem com as contagens. Antes, 24 de 28 pontos estavam fora, 85,71%. Depois, 1 de 8, 12,50%.
O Ppk passou de negativo para 0,19. Melhorou muito, mas ainda está longe de 1,33. O processo entrou no limite em média, não com folga.
Valor-p de 0,008 na média e de 0,485 no desvio: o que ainda faltava resolver
O relatório traz dois testes. O primeiro pergunta se a média mudou e dá valor-p de 0,008. A resposta é sim. A média caiu de 17,934 para 3,875.
O segundo pergunta se o desvio padrão caiu e dá valor-p de 0,485. A resposta é não. O desvio global ficou praticamente igual, de 11,107 para 10,960.
A leitura combinada é clara. O projeto deslocou o processo para o lado bom do limite, mas não o tornou mais previsível. Um ponto do depois ainda caiu perto de 30, longe da maioria.
Há também a questão da amostra. Oito observações no depois sustentam a conclusão sobre a média, mas são poucas para estimar capabilidade com segurança. O próprio relatório mostra o PPM esperado em 288.135, bem acima do observado.
Por isso o controle precisa continuar coletando. Um plano de controle para esse caso acompanharia as quatro causas priorizadas, com limites e reação definidos. A apresentação não mostra o plano, então a tabela abaixo é ilustrativa.
| Variável controlada | Como medir | Frequência | Reação se sair da faixa |
|---|---|---|---|
| Teor de titânio e demais elementos | Análise química da corrida | Toda corrida | Segregar placas e avaliar desvio para a rota longa |
| Velocidade de lingotamento | Registro da máquina | Contínua | Ajustar velocidade e marcar as placas do período |
| Diferença de temperatura por etapa | Pirômetros nos fornos e laminador | Toda placa | Revisar curva de aquecimento |
| Corrente do edger | Registro do acionamento | Toda placa | Inspecionar bordas da bobina |
| Sucata por lasca | Inspeção de superfície | Mensal, em carta | Reabrir a análise se passar de 10% |
O gatilho de 10% para a sucata repete a linha de referência usada na carta da apresentação. Os demais limites dependem das faixas técnicas da usina.
O placar do projeto em uma tabela
A tabela reúne os resultados que a apresentação mostra, separados do que é cálculo deste artigo.
| Dimensão | Antes | Depois ou alvo | Fonte do número |
|---|---|---|---|
| Custo por tonelada | R$ 11.114 | R$ 10.893 | Apresentação |
| Ganho anual | - | R$ 1,68 milhão | Apresentação |
| Lead time no VSM | 18,3 dias | 10,2 dias | Apresentação |
| Tempo que agrega valor | 18% | 31% | Apresentação |
| % fora do limite, esperado | 76,25% | 28,81% | Apresentação |
| Redução de erros na fabricação | - | 62% | Apresentação |
| Ppk do indicador final | -0,24 | 0,19 | Apresentação |
| Redução do lead time | - | 44% | Cálculo do artigo |
O lead time de 10,2 dias é o estado futuro desenhado no VSM. A apresentação não traz uma nova medição do lead time real depois da mudança, que seria a confirmação natural do ganho de fluxo.
O que o case do aço sem pré-laminação ensina a quem vai conduzir um projeto Black Belt
Este é um típico projeto Seis Sigma de alto valor e alto risco, e o caminho que a equipe seguiu traz quatro lições práticas.
- antes de remover uma etapa, descubra o que ela protege; aqui era a lasca, e o boxplot COM e SEM revelou isso;
- use o VSM para mostrar onde está o custo; a etapa durava 0,16 dia, mas carregava 6 dias de fila;
- escolha o modelo estatístico pelos dados; lead time não normal pediu Weibull na capabilidade;
- separe média de variação no resultado; o processo melhorou de posição, mas a dispersão não caiu.
Há também o que faltou medir. A amostra do depois é pequena, o lead time real não foi remedido e o valor-p da comparação de sucata não aparece. Um Black Belt experiente cobraria esses três pontos antes de encerrar.
Quem quiser ver outro projeto contado fase a fase pode comparar com este exemplo de DMAIC. O padrão se repete: o ganho depende menos da ferramenta escolhida e mais da pergunta certa em cada fase.
