Metodologias & Qualidade

Case Black Belt: redução de reclamações de clientes por ondulação em chapas de aço

Um projeto DMAIC numa usina de chapas de aço: a contenção que derrubou as reclamações e expôs os desvios internos, o Y redefinido no meio do caminho e a cadeia do óleo ao cilindro que patina.

Thiago Coutinho
Publicado em 1 de out de 2026  ·  Atualizado em 1 de out de 2026  ·  16 min de leitura
Integrante da equipe Voitto no escritório da empresa, com o texto Case Black Belt: redução de reclamações de clientes por ondulação em chapas de aço sobre fundo escuro à esquerda

A VoittoAço produz chapas de aço em bobinas e recebia reclamações de clientes por ondulação de borda. A meta era clara: no máximo 3 reclamações por mês e menos de 14,6 t de produto ondulado reclamado. O histórico mostrava média de 3,85 reclamações e 22,4 t por mês.

O projeto de redução de reclamações de clientes seguiu o DMAIC e teve uma virada no meio. A contenção nas linhas de acabamento derrubou o peso reclamado de 41,9 t para 5,1 t por mês. Ao mesmo tempo, os desvios internos por ondulação subiram de patamar.

A equipe redefiniu o Y do projeto e foi atrás da causa. O Ishikawa por etapa, a matriz de esforço e impacto com 25 causas e a análise da rota chegaram a um encadeamento: óleo em excesso numa etapa fazia o cilindro patinar na seguinte.

O resultado medido foi a queda do percentual fora da especificação de 81,71% para 71,23%, com nível sigma de 0,60 para 0,94. O texto mostra como ler cada análise e o que ela decidiu, inclusive o fato de a meta final ainda não ter sido atingida.

Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto do processo e os exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.

A VoittoAço, a bobina de aço laminado e a ondulação de borda que chegava ao cliente

A VoittoAço produz chapas de aço em bobinas. O material passa por laminação a frio, recozimento, esmerilhamento em parte das rotas, laminação de encruamento e, por fim, pelas linhas de acabamento, onde é cortado e embalado.

Ondulação de borda é um defeito de planicidade. A chapa sai com as bordas onduladas, como a beira de uma folha de papel molhada. Para quem estampa ou corta a chapa, isso significa peça fora de forma, máquina parada e material devolvido.

Planicidade é medida apoiando a chapa sobre uma mesa e medindo a altura da onda em relação ao plano. Quanto mais fina a chapa, mais fácil ela ondula, porque qualquer diferença de alongamento ao longo da largura vira onda.

Cada reclamação custa o frete de retorno, a análise técnica, o material sucateado ou rebaixado e o desgaste com um cliente que compra todo mês. Por isso a redução de reclamações de clientes virou projeto da formação Black Belt, conduzido pelo método DMAIC.

ItemConteúdo
ProblemaReclamações de clientes por ondulação nas chapas de aço
MetaNo máximo 3 reclamações por mês e menos de 14,6 t de produto ondulado
EscopoRota de produção da bobina, da laminação a frio ao acabamento
Desvio no meio do projetoContenção interna reduziu reclamações e elevou os desvios de qualidade
Novo YÍndice de ocorrência de ondulação no acabamento
ResultadoFora da especificação de 81,71% para 71,23%; nível sigma de 0,60 para 0,94
Ganho financeiroNão informado na apresentação

Duas metas no charter: três reclamações por mês e 14,6 toneladas de material ondulado

O problema foi escrito sem citar causa: a empresa recebe reclamações por ondulação e precisa reduzi-las sem perder qualidade do produto. A segunda parte da frase vai pesar mais adiante.

A expressão sem perder a qualidade do produto funciona como restrição. Ela proíbe soluções que reduzam reclamação à custa do material, como afrouxar critério de aceite. Num projeto de redução de reclamações de clientes, essa restrição separa melhoria de maquiagem.

O charter trouxe duas métricas. A primeira conta eventos: no máximo 3 reclamações por mês. A segunda pesa o problema: menos de 14,6 t de produto ondulado reclamado no mês.

A dupla métrica tem razão de ser. Uma única bobina grande reclamada pode valer mais que cinco bobinas pequenas. Contar só reclamações esconderia o peso; medir só toneladas esconderia o número de clientes afetados.

As duas metas traduzem a voz do cliente em limites mensuráveis. O modelo de documento está em project charter.

Trinta e quatro meses de reclamações em dois relatórios resumo

A fase Medir começou pelo histórico mensal. Foram 34 meses, cada um com o peso reclamado e a quantidade de reclamações. A equipe rodou um relatório resumo para cada variável antes de qualquer cálculo de capabilidade.

EstatísticaPeso reclamado (t/mês)Reclamações por mês
Média22,4283,853
Desvio padrão22,4772,664
Mediana14,8693
1º quartil8,8862
3º quartil30,5935
Máximo111,50412
Normalidade (Anderson-Darling)p < 0,005p = 0,005

A leitura começa pela distância entre média e mediana. No peso, a média de 22,4 t fica bem acima da mediana de 14,9 t. Isso indica poucos meses muito pesados puxando a média para cima.

Exemplo ilustrativo: se 30 meses tivessem 10 t reclamadas e 4 meses tivessem 100 t, a média seria 20,6 t e a mediana, 10 t. A média sugeriria problema permanente, quando a dor real estaria concentrada em quatro meses.

O teste de normalidade rejeitou a distribuição normal nas duas variáveis. O detalhe importa porque o cálculo de capabilidade feito em seguida assume normalidade. Os índices servem como ordem de grandeza, não como número exato.

Nível sigma 1,15 e 1,18: capabilidade aplicada a um processo de reclamação

Capabilidade costuma ser associada a dimensão de peça. Aqui ela foi aplicada à própria reclamação, com limite superior igual à meta. Para o peso, o limite foi 14,6 t; para a quantidade, 3 reclamações.

IndicadorPeso reclamadoQuantidade de reclamações
Limite superior (LSE)14,6 t3
Ppk-0,12-0,11
Cpk-0,16-0,12
Z.bench global-0,35-0,32
Meses acima do limite (observado)50,0%47,1%
Nível sigma (Z + 1,5)1,151,18

Ppk negativo significa que a média está do lado errado do limite. O Ppk de -0,12 vem de (14,6 - 22,43) dividido por três vezes 22,48. O processo, em média, já viola a meta.

O PPM observado no peso foi 500.000, porque 17 dos 34 meses passaram do limite. O modelo normal estimou 636.173. A diferença vem da assimetria: os dados não são normais e o modelo erra a cauda.

O nível sigma soma 1,5 ao Z.bench, convenção explicada em nível sigma. Metade dos meses passou de 14,6 t, 17 em 34. Os cálculos seguem o roteiro de capabilidade do processo.

Sessenta e cinco bobinas reclamadas abertas por cliente e por tipo de aço

O passo seguinte foi a estratificação. As reclamações foram quebradas por cliente, tipo de aço, espessura e largura. A unidade de contagem passou a ser a bobina reclamada: 65 no período analisado.

EstratoPrimeiro itemTrês primeiros somados
Cliente23 bobinas (35,4%)67,7%
Tipo de aço15 bobinas (23,1%)60,0%

Três clientes concentraram 44 das 65 bobinas. Cinco tipos de aço somaram 83,1%. Nenhum dos dois cortes, porém, apontou uma causa. Cliente que compra muito tende a reclamar muito, e tipo de aço mais vendido aparece mais.

Os nomes de clientes e os códigos de aço ficam fora deste relato. O que interessa é o raciocínio: estratificação por quem reclama localiza o efeito, mas raramente localiza a origem.

Espessura e largura entraram no mesmo levantamento. A apresentação registra o corte, mas não traz os gráficos dessas duas variáveis, então o relato não especula sobre eles.

A rota da bobina reclamada: recozimento, laminação a frio, esmerilhadeira e encruamento

A equipe então mudou o corte. Em vez de olhar quem recebeu a bobina, olhou por onde ela passou. Cada etapa da rota ganhou seu diagrama de Pareto.

Etapa da rotaEquipamento mais frequenteBobinasParticipação
Tipo de acabamentoAcabamento A3452,3%
Recozimento finalLinha de recozimento 14061,5%
Laminação a frioLaminador 34264,6%
Laminação de encruamentoPassou pelo encruamento4772,3%
EsmerilhamentoPassou por uma das duas esmerilhadeiras3655,4%

Na esmerilhadeira, 29 bobinas não passaram pela etapa e 36 passaram, 21 numa máquina e 15 na outra. A conclusão da análise inicial foi que o fluxo de material esmerilhado, chamado de lixado na fábrica, era o mais crítico.

No encruamento, 47 bobinas reclamadas tinham passado pela etapa e 18 não. É o laminador que ajuda a corrigir planicidade, e mesmo assim a maioria das bobinas reclamadas tinha passado por ele.

Há um cuidado de leitura. Pareto de bobinas reclamadas não tem denominador. Exemplo ilustrativo: se 70% da produção passasse pelo laminador 3, ter 64,6% das reclamações ali seria até abaixo do esperado.

A contenção nas linhas de acabamento e o 5W2H que a organizou

Com o fluxo crítico localizado, a equipe agiu rápido para proteger o cliente. Montou um plano 5W2H e criou uma contenção nas linhas de acabamento: bobina com ondulação passou a ficar retida dentro da usina.

O 5W2H é um formulário de sete perguntas. Ele força a ação a ter dono, prazo, local, método e custo, e evita a ordem verbal que ninguém lembra na semana seguinte.

Contenção é ação de proteção, não de solução. Ela compra tempo para a análise de causa e precisa de data para sair, senão vira inspeção permanente que ninguém questiona.

PerguntaConteúdo da contenção (ilustrativo)
O quêReter bobinas com ondulação de borda
Por quêImpedir que o defeito chegue ao cliente
OndeLinhas de acabamento
QuemInspeção de qualidade do acabamento
QuandoA partir da implantação, em toda bobina
ComoInspeção visual da borda antes do corte e da embalagem
QuantoCusto de inspeção e de retrabalho interno

A apresentação registra a ação, não o formulário preenchido. A tabela mostra o formato que um 5W2H de contenção assume, montado para explicar.

Reclamações despencaram, desvios internos dispararam

O efeito sobre o cliente apareceu nos meses seguintes. O gráfico de peso reclamado por mês mostra a linha da contenção entre outubro e novembro.

PeríodoMesesPeso reclamado (t)Média mensal (t)
Antes da contenção, janeiro a outubro10418,941,9
Transição, novembro e dezembro2140,170,1
Depois, janeiro a abril420,35,1

Dezembro ainda registrou 127,5 t. Reclamação chega com atraso em relação à expedição, então uma contenção não aparece no mês seguinte. De janeiro a abril, nenhum mês passou de 14,6 t; antes, oito de dez meses tinham passado.

Pela meta do charter, a redução de reclamações de clientes estava cumprida nesses quatro meses. A média de 5,1 t ficou abaixo de 14,6 t. Numa leitura apressada, o projeto poderia ser encerrado ali.

O outro gráfico contou a parte ruim. Os desvios de qualidade por ondulação de borda, que oscilavam entre 0,13% e 0,87% num ano e chegaram a 1,38% no seguinte, subiram para 2,54% no primeiro mês da contenção e encostaram em 4% depois.

Quando a contenção mostra o tamanho real do defeito: a redefinição do Y

A contenção não criou ondulação. Ela passou a encontrar dentro da usina o que antes saía para o cliente. O defeito mudou de lugar no balanço: saiu da reclamação externa e entrou no desvio interno.

Em termos de custo da má qualidade, a falha externa virou falha interna. É um avanço, porque falha interna custa menos, mas o problema físico continua igual.

Exemplo ilustrativo: uma bobina retida pode ser reprocessada, rebaixada para um uso menos exigente ou sucateada. Qualquer das três custa menos que a mesma bobina devolvida com frete, análise e crédito ao cliente, mas nenhuma é de graça.

A equipe leu o sinal e redefiniu o projeto. O novo foco passou a ser os desvios de qualidade no acabamento causados pela ondulação. O Y deixou de ser reclamação e passou a ser ocorrência do defeito.

A decisão é rara em projeto de aluno. Manter o Y original permitiria declarar a meta atingida, já que as reclamações caíram. Seria um projeto concluído com o processo do mesmo jeito.

O novo Y medido: 219 observações e uma carta I-AM sem ponto fora no gráfico de valores

O índice de ocorrência de ondulação foi levantado em 219 observações. A apresentação não detalha a unidade de cada observação, então o índice é tratado aqui como foi apresentado, sem conversão.

Estatística do índice (antes)Valor
Observações219
Média0,13314
Desvio padrão0,08530
Mediana0,11681
Máximo0,31628
Normalidadep < 0,005

A carta de controle I-AM, de valores individuais e amplitude móvel, teve média 0,1331 e amplitude móvel média 0,0880. O limite superior saiu em 0,1331 + 2,66 × 0,0880 = 0,3673.

A carta I-AM foi a escolha porque cada observação é um valor único, sem subgrupo. O fator 2,66 converte a variação entre pontos vizinhos em três desvios padrão do processo.

Nenhum valor individual passou dos limites, e só um ponto passou na amplitude móvel. A leitura é de processo previsível num patamar ruim. Isso exclui caça a evento isolado e pede mudança no sistema.

Limite de 0,056 e 81,71% fora: nível sigma 0,60

A especificação do índice foi um limite superior de 0,056. Com média de 0,133, a maior parte das observações ficou acima. O relatório de capabilidade registrou 81,71% fora, 817.083 partes por milhão.

O Z.bench de -0,90 corresponde a esse percentual: na curva normal, 81,71% acima do limite equivale a um limite 0,90 desvio abaixo da média. Somando 1,5, o nível sigma do processo era 0,60.

O Ppk do índice era -0,30, o Z.bench dividido por três. O DPMO de 817.083 é o mesmo 81,71% escrito por milhão de oportunidades.

Para comparar, o nível sigma das reclamações era 1,15. O processo interno parecia pior que o externo porque media o defeito onde ele nasce, sem o filtro que a contenção passou a fazer.

O quadro das métricas Seis Sigma mostra que DPMO, Z e nível sigma são formas de dizer a mesma coisa. Aqui todas apontavam um processo muito longe da meta.

Um Ishikawa montado pelas etapas da usina, não pelos 6M

A ondulação de borda pode nascer em quase qualquer ponto da rota. Por isso o diagrama de Ishikawa não seguiu as espinhas clássicas de método, máquina e material.

  • laminadores a frio, onde a espessura e o perfil da chapa são definidos;
  • linha de recozimento 1, onde o aço é aquecido e resfriado sob tensão;
  • linha de encruamento, que dá o acabamento superficial e corrige planicidade;
  • esmerilhadeiras, que removem defeitos superficiais com abrasivo;
  • acabamento, onde a bobina é cortada, inspecionada e embalada.

Cada espinha virou uma etapa, e o brainstorming foi feito com as equipes técnicas de cada área. Quem opera o laminador conhece causas que o time de qualidade não vê.

As cinco espinhas cobrem a rota inteira da bobina. Isso combina com a natureza do defeito: planicidade é o resultado acumulado das tensões que a chapa recebe em cada passagem.

A escolha tem custo. Um Ishikawa por etapa perde as categorias transversais, como treinamento ou medição. Em troca, cada causa já nasce com endereço e dono.

Vinte e cinco X's na matriz de esforço e impacto

O brainstorming produziu 25 causas potenciais, numeradas de X1 a X25. Testar todas seria inviável. A equipe as organizou numa matriz de esforço e impacto, para decidir a ordem de ataque.

A matriz entrou antes de qualquer teste estatístico por uma razão prática. Com 25 causas e uma usina em operação, verificar cada X custaria semanas de coleta. A matriz concentra o esforço de dados onde o grupo julga mais provável e mais barato.

O eixo horizontal mede impacto estimado no defeito, de 90 à esquerda a 50 à direita. O eixo vertical mede esforço, de 0 a 10. As linhas pontilhadas dividem o gráfico em quatro quadrantes.

QuadranteLeituraExemplos no gráfico
Alto impacto, baixo esforçoAtacar primeiroX1, X4, X6, X10, X12
Alto impacto, alto esforçoPlanejar com recursoX3, X25
Baixo impacto, baixo esforçoFazer se sobrar fôlegoX19, X24
Baixo impacto, alto esforçoDescartar ou adiarX18, X20, X21

A matriz não prova causa. Ela ordena a investigação com base no julgamento técnico do grupo. A prova vem depois, quando a causa priorizada é verificada no processo.

Óleo em excesso numa etapa, cilindro patinando na seguinte

A investigação das causas priorizadas trouxe o achado central. O excesso de óleo gerado numa etapa do processo chegava a uma etapa posterior e fazia o cilindro patinar sobre a chapa.

Num laminador, a chapa é puxada pelo atrito com os cilindros. Se há óleo demais, o cilindro escorrega. A tração fica desigual entre o centro e as bordas, e a borda alonga mais que o meio. Borda mais comprida que o centro não cabe plana: ela ondula.

O achado explica por que estratificar por etapa isolada não bastava. A causa estava numa etapa e o efeito aparecia em outra. Um Pareto por máquina apontaria o lugar onde o defeito surge, não onde ele começa.

A apresentação não mostra o teste que confirmou a cadeia. Num projeto parecido, a confirmação viria de dados pareados: óleo residual na saída da etapa anterior cruzado com a ondulação da mesma bobina na etapa seguinte.

Esse encadeamento é o tipo de pergunta que os 5 porquês ajudam a fazer: por que ondulou, por que patinou, por que havia óleo, por que o óleo não foi retirado.

Seis ações do plano e a causa que cada uma ataca

A fase Melhorar usou outro 5W2H, agora para a causa e não para a contenção. A apresentação lista seis ações implantadas.

A tomografia do rolo aplicador é uma ação de diagnóstico. Antes de trocar peça por tentativa, a equipe quis conhecer a condição interna do rolo que distribui o óleo.

AçãoO que ataca
Tomografia do rolo aplicadorDesgaste interno que distribui óleo de forma irregular
Correção do posicionamento dos rolosPressão desigual entre centro e borda
Procedimento de auditoria nos cilindrosDesvio de condição que só aparece na ondulação
Plano de lubrificação do rolo enxugadorRolo que deveria retirar o excesso de óleo
Revisão de normas técnicasParâmetros desatualizados de operação
Anormalidade no sistema da usina para troca de prensaTroca feita sem registro nem gatilho

A coluna da direita é a leitura técnica de cada ação, com base no mecanismo do óleo e do cilindro. A apresentação não traz o efeito individual de cada uma.

Quatro das seis ações tratam de equipamento e duas tratam de padrão. Ação de equipamento sem padrão escrito se perde na troca de turno.

De 81,71% para 71,23%: o que os testes de antes e depois dizem

A comparação usou 219 observações antes e 80 depois. Dois testes de hipótese responderam se a média e a variação tinham mudado.

IndicadorAntesDepoisMudança
Observações21980-
Média do índice0,133140,10640-20,1%
Desvio padrão global0,0853020,071765-15,9%
Desvio padrão dentro0,0780380,061126-21,7%
Fora da especificação81,71%71,23%-10,48 pontos
PPM817.083712.274-104.809
Z.bench-0,90-0,56+0,34
Nível sigma0,600,94+0,34

A média caiu com valor-p de 0,008 e o desvio padrão caiu com valor-p de 0,019. As duas mudanças são estatisticamente reais. A queda relativa no percentual fora foi de 12,8%, que o relatório arredonda para 13%.

Os intervalos de 90% do desvio padrão foram de 0,0807 a 0,0909 antes e de 0,0616 a 0,0854 depois. Eles se sobrepõem pouco, e o teste formal de duas variâncias confirma a diferença.

O resultado também mostra que a meta de 0,056 não foi alcançada. Com média de 0,106, o processo segue acima do limite. O case relata uma melhoria real, não a solução completa.

Cartas I-AM com limites recalculados para sustentar o ganho

A fase Controlar adotou cartas de controle para acompanhar o processo melhorado. A carta de antes e depois mostra os limites recalculados no segundo estágio.

EstágioLinha centralLSC dos valoresAM médiaLSC da AM
Antes0,13310,36730,08800,2876
Depois0,10640,28980,06900,2253

Limites recalculados são a régua nova. Um ponto acima de 0,2898 no estágio novo é sinal, mesmo que antes estivesse dentro. No estágio depois, a carta já marcou um valor individual e três amplitudes móveis acima do limite.

Esses pontos pedem investigação, não recálculo. Um plano de controle completo diria quem reage, em quanto tempo e com qual ação. A apresentação registra as cartas; o plano escrito não aparece nela.

Exemplo ilustrativo de plano de controle para este caso: índice de ondulação na carta I-AM, auditoria dos cilindros com frequência definida, lubrificação do rolo enxugador no plano de manutenção e troca de prensa como gatilho de verificação.

O que o case de ondulação ensina a quem conduz um projeto Black Belt

O primeiro ensinamento é sobre a escolha do Y. Uma contenção bem feita pode cumprir a meta de reclamação sem mudar o processo. A equipe percebeu isso e trocou o Y, o que tornou o projeto mais difícil e mais honesto.

O segundo é sobre estratificação. Cortar por cliente e por tipo de aço localizou o efeito. Cortar pela rota de fabricação aproximou a origem. E a causa final atravessava duas etapas.

O terceiro é sobre leitura de resultado. Valor-p abaixo de 0,05 prova mudança, não suficiência. O índice caiu 20,1% e continua acima da especificação, e um novo ciclo de projeto Seis Sigma teria ponto de partida claro.

O quarto é sobre causa que atravessa etapas. Em processo contínuo, o defeito aparece num ponto e nasce em outro. O Ishikawa pela rota e o brainstorming com cada área técnica permitiram ligar o óleo de uma etapa ao cilindro da seguinte.

Para quem conduz um projeto de redução de reclamações de clientes, a pergunta de controle é simples: se a contenção sair amanhã, o cliente volta a reclamar? Se a resposta for sim, a causa ainda não foi tratada.

Quem se prepara para o papel encontra o escopo da função em o que é um Black Belt e o método inteiro em Lean Seis Sigma.

Perguntas frequentes

Como um projeto Seis Sigma chega à redução de reclamações de clientes?
Tratando a reclamação como sintoma e indo atrás do defeito que a gera. Neste case, a contenção interna reduziu o peso reclamado, mas a redução sustentável exigiu achar a causa da ondulação na rota de fabricação.
Por que o projeto mudou de Y no meio do caminho?
Porque a contenção nas linhas de acabamento passou a reter na usina o que antes ia para o cliente. As reclamações caíram, mas os desvios internos por ondulação subiram. Manter o Y original mostraria meta atingida com o processo igual.
Faz sentido calcular capabilidade para número de reclamações?
Faz, desde que se leia como ordem de grandeza. O limite superior vira a própria meta, 3 reclamações ou 14,6 t por mês. Aqui o Ppk ficou negativo nos dois casos, o que diz que a média já estava acima da meta.
O que significa Ppk negativo?
Significa que a média do processo está fora do limite de especificação. No peso reclamado, a média de 22,43 t ficou acima do limite de 14,6 t, e o Ppk saiu em -0,12.
Como o nível sigma foi calculado no case?
Somando 1,5 ao Z.bench do relatório de capabilidade. Para o índice de ondulação, o Z.bench de -0,90 virou nível sigma 0,60 antes, e o de -0,56 virou 0,94 depois.
Por que estratificar por cliente não bastou?
Porque cliente que compra muito tende a reclamar muito. O corte por cliente mostrou onde o defeito aparecia. O corte pela rota de fabricação, etapa por etapa, aproximou a equipe da origem.
Como ler uma matriz de esforço e impacto?
Cada causa potencial vira um ponto. O quadrante de alto impacto e baixo esforço é atacado primeiro. A matriz ordena a investigação pelo julgamento técnico do grupo, mas não prova causa.
Por que óleo em excesso causa ondulação na chapa?
Porque o cilindro do laminador puxa a chapa por atrito. Com óleo demais, ele patina e a tração fica desigual entre centro e bordas. A borda alonga mais que o centro e, sem espaço para ficar plana, ondula.
O projeto atingiu a meta?
Não por completo. O percentual fora da especificação caiu de 81,71% para 71,23%, com média e variação reduzidas de forma significativa. Mas a média de 0,106 continua acima do limite de 0,056.
Para que servem os limites recalculados da carta de controle?
Para julgar o processo novo pela régua nova. Depois das melhorias, a linha central caiu para 0,1064 e o limite superior para 0,2898. Um ponto acima dele pede investigação, mesmo que estivesse dentro dos limites antigos.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…