Diagrama de Ishikawa: o que é, como fazer e 12 exemplos por segmento
A ferramenta que organiza as causas de um problema antes de alguém escolher um culpado: como montar a sua espinha de peixe e 12 exemplos preenchidos, com PDF para baixar.
Toda reunião de problema tem um momento perigoso. Alguém diz "eu sei o que é" e a sala inteira começa a montar plano de ação em cima de um palpite. Quando o palpite tem nome de pessoa, então, a conversa acabou antes de começar.
Eu morei dois anos em Conselheiro Lafaiete e virei coordenador dos inspetores da ferrovia, que são os chefes dos maquinistas. Time técnico, experiente, orgulhoso do que faz. Ali eu aprendi na marra uma coisa que levo até hoje: quando o indicador piora, a primeira explicação que aparece na mesa quase sempre aponta para quem opera. E quase sempre está errada. A ferramenta que existe para atravessar esse momento sem ofender ninguém e sem se enganar é o diagrama de Ishikawa.
Neste guia eu vou te mostrar o que é o diagrama de Ishikawa, quando ele ajuda de verdade e como montar o seu passo a passo. E na parte que eu mais gosto: 12 diagramas reais preenchidos, de hospital a canteiro de obras, cada um com o PDF para baixar.
O que é o diagrama de Ishikawa (espinha de peixe)?
O diagrama de Ishikawa é a ferramenta da qualidade que organiza, num desenho só, as causas possíveis de um problema. O efeito vai na cabeça do peixe, com número; as causas potenciais vão nas espinhas, agrupadas por categoria. Ele não prova causa: garante que nenhuma frente foi esquecida.
Também é chamado de espinha de peixe, pelo formato, e de diagrama de causa e efeito, pelo que faz. O nome vem de Kaoru Ishikawa, o engenheiro japonês que consolidou a ferramenta no controle de qualidade dentro da JUSE, a união japonesa de cientistas e engenheiros. Em um projeto Lean Seis Sigma, ele abre a fase Analisar do DMAIC, depois de o problema já estar medido.
No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Editora Atlas), ele está no capítulo 26, "Ferramentas de Medição". A ordem que eu escrevo lá, na página 294, é a que mais gente pula: "A ferramenta pode ser aplicada a partir do desenho da Espinha de Peixe, com posterior definição clara do efeito (problema) e das categorias que se enquadram nesse problema. Logo após, deve ser feito um brainstorming para levantar as diversas causas". Primeiro o desenho e o efeito; depois as causas. Quem inverte transforma o diagrama de Ishikawa numa lista de reclamações.
Quando o Ishikawa ajuda (e quando ele vira lista de desculpas)
A ferramenta ajuda quando o problema já tem número e ainda não tem explicação. Se você sabe que a linha refuga 8,4% e não sabe por quê, é hora de um diagrama de Ishikawa. Se você ainda não mediu, volte um passo e comece pelo SIPOC e pela medição do processo: diagrama sobre achismo produz causa de achismo.
E ele vira lista de desculpas em três situações que eu vejo direto. A primeira é o diagrama de Ishikawa feito pelo líder sozinho, no computador, sem quem opera. A segunda é a reunião que aceita causa vaga como "falta de treinamento", que não dá para testar nem corrigir. A terceira é o diagrama que termina bonito e ninguém prioriza: 40 causas na parede e nenhuma decisão.
Tem um teste rápido para saber se o diagrama de Ishikawa ficou bom: leia cada causa e pergunte "como eu confirmo isso com dado?". Se a resposta não existir para metade das causas, o grupo escreveu opinião, não hipótese.
- Faça com quem faz. Operador, técnico, analista, camareira. Quem executa enxerga causa que o gestor não vê.
- Escreva causa testável. "Etiqueta bipada só na conferência final, e não na separação" é testável. "Falta de atenção" não é.
- Termine priorizando. O diagrama abre o leque; o passo seguinte é fechar. Sem isso, ele é só um desenho na parede.
Uma coisa que aprendi numa imersão em San Diego, estudando cultura lean com japoneses e visitando a fábrica da Toyota: causa se confirma no chão, não na sala de reunião. O diagrama de Ishikawa é onde as hipóteses moram. A validação acontece no genba, com dado. É a mesma lógica da melhoria contínua: ver com os próprios olhos antes de decidir.
Eu já fiz esse erro, e ele custou caro. Num projeto no começo da minha carreira, a gente montou um diagrama lindo, com 30 causas na parede, e saiu da sala satisfeito. Três semanas depois ninguém lembrava qual causa a gente ia testar primeiro, e o projeto travou. Diagrama sem priorização é energia gasta sem sair do lugar.
Os 6M: as categorias que organizam as causas
As categorias existem por um motivo prático: sem elas, o grupo despeja tudo o que vem à cabeça e esquece frentes inteiras. Os 6M clássicos da indústria são:
- Método. Como o trabalho é feito hoje: sequência, padrão, checklist, o que está escrito e o que virou hábito.
- Máquina. Equipamento, ferramenta e sistema. Inclui o ERP e o software que trava ou deixa passar.
- Mão de obra. Treino, rotatividade, turno, polivalência. Cuidado aqui: a categoria é sobre condição de trabalho, não sobre culpa.
- Material. Insumo, peça, embalagem e também informação de entrada, que é material em processo administrativo.
- Medição. Como se mede, com que frequência e quem enxerga o resultado. Muito problema crônico vive aqui.
- Meio ambiente. Layout, distância, temperatura, pico de demanda, condição do local.
Em serviço e administrativo, dois ajustes funcionam melhor que forçar a fábrica: trocar Máquina por Sistema e Material por Informação. Nos exemplos de faturamento e de medição de obra que estão mais abaixo, foi exatamente essa troca que fez as causas reais aparecerem.
Um erro comum é usar a categoria Mão de obra como depósito de culpa. Se a causa escrita for "operador desatento", pare e pergunte o que, na condição de trabalho, permite a desatenção virar defeito: falta de trava no sistema, ausência de conferência cega, treino que nunca aconteceu. A causa útil é a que a empresa consegue mudar.
Na Voitto, quando a gente ensina isso nas turmas, o exercício que mais destrava é reescrever a causa da categoria Mão de obra em forma de condição. "Operador desatento" vira "conferência feita de memória, sem leitura de código, no turno com maior rotatividade". A segunda versão dá para testar, medir e corrigir. A primeira só dá para discutir. É a diferença entre uma folha de verificação possível e uma reunião infinita.
Como montar a sua espinha de peixe em 6 passos
Passo 1: escreva o efeito com número. "Erro de separação de 2,8% no CD" em vez de "erros no picking". O efeito é o que a folha de verificação ou o indicador já mostrou.
Passo 2: escolha as categorias. 6M na operação, Método/Sistema/Informação/Pessoas em processo administrativo. Categoria demais dispersa; categoria de menos empilha tudo em Método.
Passo 3: faça o brainstorming com o time certo. Uma hora, quadro branco e a regra clássica de brainstorming: ninguém julga ideia durante o levantamento. Um bom workshop produz de 15 a 25 causas potenciais.
Passo 4: desdobre as causas grandes. Cada espinha aceita ramificação: causa primária, secundária, terciária. É aqui que "conferência falha" vira "conferência sem bipagem", que por sua vez vira "leitor de código fora do alcance no posto de separação".
Passo 5: priorize. Multivotação resolve rápido; quando o problema é caro, a matriz causa e efeito pondera cada causa contra o que o cliente valoriza. Saia da reunião com 4 a 6 causas, não com 20.
Passo 6: prove antes de agir. Cada causa priorizada vira hipótese: 5 Porquês para chegar à raiz, dado ou teste piloto para confirmar. Causa não provada não entra em plano de ação.
Um detalhe de execução que muda o resultado: escreva as causas na parede, com o time olhando, e não num arquivo depois da reunião. A memória do grupo corrige o que a memória de uma pessoa distorce.
12 exemplos de diagrama de Ishikawa preenchidos, com PDF para baixar
Os 12 diagramas de Ishikawa abaixo saíram dos projetos-modelo da Academia Lean Seis Sigma da Voitto, cada um com efeito, categorias, causas levantadas em workshop e as causas priorizadas pela equipe. Clique na miniatura para ver o diagrama de Ishikawa daquele segmento em tamanho grande (e baixar o PDF, se quiser). Repare no padrão: em quase todos, a causa que a operação apontava no começo não era a que sobreviveu ao dado.
| Segmento | Efeito analisado | O que as causas revelaram |
|---|---|---|
| Logística | 2,8% de erro de picking | 2 modos de falha = 73,1% dos erros |
| Manutenção | 6,8 h de MTTR | 2/3 do reparo era espera por peça |
| Saúde | 4,9 h de porta-alta no PA | 2 esperas = 68,5% do tempo |
| Serviços | 6,2% de faturas com erro | Processo e sistema, não pessoa |
| Alimentício | 3,4% de sobrepeso no envase | Válvula gasta + setup sem ajuste fino |
| Farmacêutico | 12,5 dias de liberação de lote | 68% do lead time era espera |
| Financeiro | 14,2% de medições glosadas | Quantitativo + documentação = 64% |
| Marketing | 8,4% de conversão em visita | Resposta em 30 min converte 19% |
| Hotelaria | 74 min para liberar o quarto | Enxoval em lote + sequência às cegas = 55% |
| Sustentabilidade | 0,182 m³ de resíduo por m² | 3 causas de projeto = 79% do volume |
| Produção de elevadores | 11,6% de retrabalho nas portas | Berço, gabarito e solda = 78% |
| Manutenção de elevadores | 8,9% de rechamada na preventiva | Método e logística = 78% |
1. Logística: erro de separação no centro de distribuição
Um CD com 48 mil pedidos por mês e 2,8% de erro de picking. O primeiro reflexo da operação era culpar o turno da noite, onde a rotatividade é maior.
O workshop colocou a rotatividade no seu lugar, dentro de Mão de obra, ao lado de outras quatro frentes: picking por descrição sem leitura de código, WMS sem trava de quantidade, embalagens fracionadas parecidas e SKUs similares em endereços vizinhos.
A equipe multivotou e ficou com cinco causas, e a de Mão de obra que passou não foi a rotatividade: foi a conferência feita de memória, sem verificação item a item. O teste depois confirmou o que o diagrama de Ishikawa sugeria: ativar o scan na rua 7 derrubou o erro de 4,1% para 1,2% na semana do piloto. Esse é o exemplo que eu uso para explicar por que o Ishikawa não é papelada. Ele mudou a conversa de "quem errou" para "o que o processo permite".
2. Manutenção industrial: tempo de reparo dos equipamentos críticos
MTTR de 6,8 horas nos equipamentos críticos, os 22 de classe A. No brainstorming de 18 de setembro, a equipe listou no diagrama de Ishikawa 18 causas potenciais nos 6M.
As quatro que passaram na priorização: itens críticos sem estoque mínimo, troubleshooting não padronizado, almoxarifado sem endereçamento e cadastro peça x equipamento falho. Nenhuma delas é "o técnico é lento".
A conclusão foi dura e útil: dois terços do tempo de reparo era espera, com a máquina parada aguardando peça e diagnóstico. Manutenção rápida começa no almoxarifado.
3. Saúde: tempo porta-alta no Pronto Atendimento
O efeito medido foi o tempo porta-alta: 4,9 horas para quem chega classificado como verde ou azul. A tentação, num PA superlotado, é responder "falta médico" e encerrar a conversa.
O diagrama de Ishikawa dos 6M abriu o leque. Método: sem fast-track, reavaliação não padronizada, coleta sem prioridade. Mão de obra: plantão noturno subdimensionado. Máquina: sistema lento e equipamento de imagem em manutenção. Material: falta de kits. Medição: nenhum painel de espera em tempo real. Meio ambiente: superlotação e picos noturnos.
O que o diagrama de Ishikawa entregou foi um mapa honesto. Duas esperas, laboratório e reavaliação médica, respondiam por 68,5% do problema, e nenhuma delas era "falta de médico".
Quando eu mostro esse caso em sala, é sempre o momento em que alguém da saúde respira aliviado: dá para melhorar sem contratar.
4. Serviços: erro de faturamento no CSC
Fatura B2B com erro de tarifa ou de cadastro: esse foi o recorte que o Pareto entregou e que entrou como efeito. O erro aparece em 6,2% das nove mil e quinhentas emissões mensais. O diagrama de Ishikawa foi construído em workshop com quem emite, quem confere e quem recebe a reclamação.
As causas apareceram em seis frentes, e a mais reveladora não foi a de gente. No sistema: campo de tarifa livre no ERP, sem trava e sem alerta quando o contrato muda. Na informação: aditivo que chega por e-mail, sem formulário padrão. Na mão de obra: conferência concentrada numa pessoa só.
Dois modos de falha somavam 71,5% dos erros. A frase que ficou no relatório do projeto, "a causa era processo, não pessoa", mudou o tom das reuniões seguintes.
O gestor da área me disse depois que foi a primeira vez que a equipe discutiu erro de fatura sem ninguém ficar na defensiva.
5. Alimentício: sobrepeso no envase de biscoitos
Sobrepeso de envase é o nome técnico de dar biscoito de graça: 3,4% acima do peso declarado na Linha 02, o que dá 14,3 toneladas por mês saindo pelo portão. O levantamento de causas foi feito com os operadores dos três turnos, e isso importou.
Máquina trouxe desgaste de vedações e folga no atuador pneumático. Método trouxe setup sem ajuste fino e um alvo elevado "por segurança". Mão de obra trouxe o ponto mais delicado: cada turno ajustava por experiência própria, com critérios diferentes.
Duas causas explicavam 70,1% do sobrepeso, e as duas estavam nos bicos 5 a 8 depois da troca de produto. O ganho invisível desse workshop foi outro: os três turnos descobriram, ali, que ajustavam a máquina de três jeitos diferentes. Ninguém sabia disso antes de as causas irem para a parede.
6. Farmacêutico: liberação de lotes na Garantia da Qualidade
Doze dias e meio entre o fim da produção e a liberação do lote, num setor onde qualquer atalho no rigor analítico está fora de questão. O diagrama de Ishikawa precisava respeitar essa fronteira.
Por isso as hipóteses foram atrás de fila e de fluxo, não de rigor. Método: revisão documental sequencial e dupla checagem manual. Mão de obra: analistas insuficientes no pico. Máquina: fila no HPLC e capacidade do sistema. Medição: nenhum indicador de fila visível. Meio ambiente: layout distante entre produção e qualidade.
A restrição estava escrita antes do workshop começar: nada de mexer no escopo analítico. Isso limita o diagrama de Ishikawa, e limitar é bom. O resultado foi um número que virou o projeto do avesso: 68% do lead time era espera, não análise.
7. Financeiro: glosas nas medições de obra
Uma em cada sete medições faturadas voltava glosada pelo contratante. A leitura fácil seria "o fiscal do cliente é rígido demais".
O diagrama de Ishikawa mostrou outra coisa: medição montada em um único dia no fechamento, sem checklist nem dupla conferência; pacote documental diferente para cada contratante; aditivo executado antes de ser formalizado; boletim não vinculado à memória de cálculo.
Quantitativo e documentação somavam 64% das glosas. A boa notícia de causa de método é que ela cabe num plano de ação sem investimento. A má notícia é que ela obriga a área a admitir que o processo era frágil, e essa parte costuma demorar mais que a análise.
8. Marketing: conversão de leads em visitas agendadas
Sim, o diagrama de Ishikawa funciona em marketing. Três mil e duzentos leads por mês e só 8,4% agendando visita em até sete dias.
O workshop reuniu marketing, comercial e CRM. As causas apareceram em seis categorias: sem SLA de primeira resposta e roleta manual que só roda em dia útil (Método), corretor priorizando quem está no stand (Mão de obra), CRM sem alerta de lead novo (Máquina/Sistema). Do outro lado da espinha: formulário sem qualificação (Material/Informação), tempo de resposta não monitorado (Medição) e picos de lead no fim de semana (Meio ambiente).
O dado que fechou a análise foi um só: responder em 30 minutos convertia 19%; depois de quatro horas, 4%. O diagrama sozinho não prova nada, mas foi ele que colocou o tempo de resposta na mesa, num time que estava convencido de que o problema era a qualidade do lead.
9. Hotelaria: liberação de quartos no housekeeping
Setenta e quatro minutos entre o check-out e o quarto liberado no sistema, com fila no lobby às três da tarde.
O diagrama da equipe completa colocou lado a lado o que ninguém olhava junto. Enxoval entregue em lote consolidado por tipo de peça e inspeção 100% feita em lote pela governanta, de um lado. Sequência fixa por corredor, sem olhar as chegadas do dia, e status "limpo" marcado antes da inspeção, do outro.
A governanta foi quem apontou a causa que ninguém tinha visto, a do status marcado antes da inspeção. Duas causas somavam 55% dos atrasos, e nenhuma exigia contratar. Quando a pessoa que executa está na sala, o diagrama encurta pela metade.
10. Sustentabilidade: resíduo de obra no canteiro
Entulho, medido em volume: 0,182 m³ descartados por m² construído, 52% acima do que o setor trata como boa prática. O workshop foi feito com mestres e empreiteiros, e essa escolha mudou o resultado.
As causas que saíram foram de projeto e de pedido, não de execução. Método: argamassa pedida por estimativa do mestre, corte de cerâmica começando pelo canto sem plano de paginação, gesso sem controle de espessura. Material: cerâmica sem modulação com o projeto. Mão de obra: empreiteiro pago por produção, sem meta de resíduo.
Teve discussão nessa sala. Os mestres queriam registrar "material de má qualidade" como causa principal, e o dado de compra não sustentava. Ficou registrada como hipótese secundária, testada e descartada depois.
Três causas explicavam 79% do volume descartado, todas nascidas antes de a obra começar.
11. Produção de elevadores: retrabalho na montagem de portas
Onze vírgula seis por cento das portas de pavimento voltavam para retrabalho antes da expedição. O workshop de 5 de maio juntou soldadores, montadores, movimentadores e inspetores dos três turnos.
Dezessete hipóteses nos 6M. As que sobreviveram ao teste: movimentação pós-pintura em berços metálicos sem revestimento, gabarito de solda com folga acumulada por desgaste e ausência de tabela de parâmetros de solda por espessura, com cada turno ajustando de cabeça.
Três causas explicavam 78% do retrabalho, e as três eram invisíveis para quem olhava só o número final da inspeção. É por isso que eu insisto em fazer o diagrama de Ishikawa com os três turnos juntos: a causa do turno da noite não aparece na reunião da manhã.
Vale reparar em como as três causas se conectam: berço sem revestimento marca a porta depois da pintura, gabarito gasto tira o esquadro e solda sem tabela de parâmetros varia por turno. Nenhuma aparece no relatório de inspeção, que só registra o defeito final.
12. Manutenção de elevadores: rechamadas na preventiva
Quase 9% das preventivas geravam chamado corretivo no mesmo elevador em até 30 dias. O time de campo tinha uma explicação pronta: técnico novo.
Montado com técnicos de rota, Central e engenharia, o diagrama de Ishikawa derrubou a explicação pronta. Método trouxe quatro causas: ajuste do operador de porta feito no olho, sem folgas e torques por família; checklist único e genérico; rota dimensionada só por número de elevadores; nenhuma regra para escalonar equipamento repetitivo. E Medição trouxe a mais incômoda: produtividade medida por visitas por dia, o que empurra o técnico a correr.
O que sobrou depois do diagrama foi desconfortável para a liderança: a produtividade medida em visitas por dia empurrava o técnico a correr, e correr gerava rechamada. O indicador fazia parte da causa.
Ferramentas que trabalham junto com o Ishikawa
A espinha de peixe abre o leque de hipóteses, e por isso ele quase nunca trabalha sozinho. O diagrama de Pareto mostra quais modos de falha concentram o problema e evita que a equipe persiga a causa do item raro. A matriz causa e efeito pondera as causas contra o que o cliente valoriza. Os 5 Porquês descem da causa aparente até a raiz, e o 5W2H transforma a causa provada em ação com dono e prazo.
Quando o problema exige priorizar entre vários incômodos antes mesmo do diagrama, a matriz GUT resolve rápido, e o relatório A3 é onde tudo isso costuma ser consolidado numa folha. E quando a causa envolve variação ao longo do tempo, o passo seguinte costuma ser o controle estatístico de processo, para separar o que é rotina do que é evento especial. Se o problema for de variação entre lotes ou turnos, vale olhar também a capabilidade do processo antes de fechar a análise. Todas essas ferramentas estão, com modelo preenchível, no mesmo kit do Ishikawa.
Baixe o modelo em branco e aplique no seu problema
O modelo de Ishikawa da Voitto é um PDF preenchível com a espinha pronta, as seis categorias e o campo do efeito: abra, escreva e salve, sem precisar de software de desenho. Ele é a ferramenta A09 do Kit de Ferramentas Lean Seis Sigma, que reúne as 20 ferramentas do DMAIC na ordem de uso.
Ver o modelo em tamanho grande
E se você quer aplicar isso num projeto de verdade, na Academia Lean Seis Sigma você conduz um projeto completo como esses 12 aí de cima, com roteiro passo a passo e avaliação de especialista no final. O primeiro diagrama de Ishikawa que eu montei foi num projeto White Belt de fábrica, com o diagrama na parede e o time em volta. É assim que a ferramenta gruda: aplicando em problema que dói de verdade.



