Metodologias & Qualidade

Exemplo de plano de ação 5W2H preenchido: 3 modelos completos

Três planos de ação completos, linha a linha, e o que separa um plano que anda de um que morre na gaveta: o porquê, o dono nomeado e a coluna de custo.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  17 min de leitura

Modelo de 5W2H em branco é fácil de achar. O que trava a maioria das equipes não é a planilha vazia, é a hora de escrever a primeira linha. Um exemplo de 5W2H preenchido resolve isso porque mostra o nível de detalhe que cada coluna precisa ter para a ação sair do papel, e o nível abaixo do qual ela não sai.

A diferença entre um plano que anda e um que morre não está na ferramenta. Está em três colunas que quase sempre chegam fracas: o porquê, o dono e o quanto custa. Plano com essas três bem escritas sobrevive à troca de prioridade e à mudança de gestor. Plano sem elas vira uma ata que ninguém consegue cobrar seis meses depois.

Aqui estão três planos completos, de contextos diferentes: uma linha de produção, um processo administrativo de contas a pagar e uma não conformidade de qualidade. Os três preenchem as mesmas sete colunas com lógicas distintas, e ver um ao lado do outro deixa claro o que é padrão da ferramenta e o que muda com o terreno.

Depois dos exemplos, o artigo trata do que costuma faltar. Como escrever o o quê sem já embutir a solução, como separar prazo realista de prazo desejado e o que fazer com ação atrasada. E também como conduzir a reunião de status e quando o 5W2H deixa de bastar e o caso vira projeto.

Os três planos e os valores deles foram montados para este artigo, no formato dos kits de metodologia da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica de preenchimento e a ordem de grandeza dos custos, não descrevem uma empresa real. As somas de custo foram conferidas.

O que é um exemplo de 5W2H preenchido e o que ele prova

Um exemplo de 5W2H preenchido não é o modelo com sete colunas vazias. É a linha pronta: a ação escrita com verbo e objeto, a causa que ela ataca, o lugar exato, as duas datas, o nome de uma pessoa, o método e o valor. O modelo em branco qualquer um baixa em trinta segundos. O que trava a equipe é o nível de detalhe que cada coluna precisa ter, e isso só fica visível quando o plano está preenchido.

O teste do plano preenchido é simples. Entregue uma linha para alguém que não estava na reunião e pergunte o que essa pessoa faria amanhã de manhã. Se ela hesitar, falta conteúdo em alguma coluna. Quase sempre falta no “o quê”, que veio genérico, ou no “como”, que não diz a restrição que existe no terreno.

A teoria da ferramenta, a origem do nome e o lugar dela dentro de um ciclo de melhoria estão em o que é 5W2H. Aqui o foco é outro: o preenchimento. O que separa um plano de ação que anda de um que morre na gaveta está quase sempre em três colunas mal escritas, e nenhuma delas é a mais difícil de preencher.

As sete perguntas do 5W2H e o que cada uma responde

Lidas em sequência, as sete perguntas parecem óbvias. É justamente por isso que elas falham: o óbvio que não foi escrito não acontece. Cada coluna resolve um tipo específico de ambiguidade, e vale saber qual.

  • What, o que será feito. A mudança concreta no processo, com verbo e objeto. Não é o objetivo e não é o resultado esperado. É o que alguém vai executar.
  • Why, por que será feito. A causa que a ação ataca. É a única coluna que permite julgar se a ação ainda faz sentido quando o contexto muda.
  • Where, onde será feito. Máquina, setor, sistema, contrato, andar. Ação sem lugar vira ação de todo mundo, ou seja, de ninguém.
  • When, quando será feito. Data de início e data de conclusão. Só a data final esconde a ação que nunca começou.
  • Who, por quem será feito. Uma pessoa com nome. Área não executa, pessoa executa. Área na coluna do dono é atraso programado.
  • How, como será feito. O método e, principalmente, a restrição: janela de parada, norma aplicável, cláusula de contrato, turno que não pode parar.
  • How much, quanto vai custar. O valor estimado, mesmo quando for zero. Zero declarado é informação; célula vazia é dúvida.

Três dessas colunas produzem trabalho visível: o quê, quem e quando. Elas são preenchidas com cuidado porque alguém vai cobrar. As outras quatro não geram cobrança imediata, e é nelas que o plano apodrece devagar.

Por que o “por quê” é a coluna do 5W2H que mais se perde

O “por quê” é preenchido por último e com pressa. Recebe frases como “melhorar o processo”, “atender à auditoria” ou, pior, uma repetição da própria ação em outras palavras. Ninguém reclama na hora, porque a coluna não bloqueia a execução. O preço aparece depois.

  • Quando a prioridade aperta e alguém precisa decidir o que cortar, não há critério. Sem a causa escrita, todas as ações parecem igualmente defensáveis.
  • Ação órfã entra no plano e ninguém percebe. É a ação que alguém trouxe da reunião anterior, que não ataca nenhuma causa provada, e que consome o mesmo orçamento das outras.
  • Na verificação de eficácia não dá para responder à pergunta central: a causa foi eliminada ou só o sintoma parou de aparecer naquele mês?

O preenchimento correto dessa coluna depende de a causa já ter sido provada antes. Quando o plano nasce direto do “vamos fazer alguma coisa”, o “por quê” vira redação. Se as causas ainda não foram testadas, o passo anterior são os 5 porquês sobre a causa mais provável, não o plano.

Exemplo preenchido 1: produção, refugo por rebarba na injetora

Contexto do primeiro exemplo de 5W2H preenchido: uma injetora de plástico com 6,2% de refugo por rebarba, contra uma meta de 2%. A análise apontou duas causas com evidência: oscilação de temperatura na zona 3 e ausência de faixa única de pressão na ficha do molde. As cinco linhas abaixo saem dessas duas causas.

O quêPor quêOndeQuandoQuemComoQuanto custa
Substituir as resistências da zona 3Oscilação de 14 °C na zona 3 gera rebarbaInjetora IJ-04, setor de injeção02/03 a 06/03Marcos Vidal, manutençãoParada programada de sábado, com peça já em estoqueR$ 2.400
Reescrever a ficha de parâmetros do molde 118O setup atual aceita três faixas de pressão diferentesSala de processos09/03 a 20/03Renata Alves, engenharia de processoFixar faixa única e travar o ajuste no controladorR$ 0 (18 h internas)
Treinar os 6 operadores no parâmetro travadoSem treino o ajuste antigo volta em duas semanasSala de treinamento da fábrica23/03 a 27/03Renata Alves, engenharia de processoDuas turmas de 2 h, com prática na máquinaR$ 1.150
Instalar gabarito de conferência de rebarba no postoHoje o refugo só aparece na inspeção finalPosto de saída da IJ-0430/03 a 10/04Marcos Vidal, manutençãoGabarito passa/não passa, uma peça a cada vinteR$ 3.800
Auditar 20 peças por turno durante 4 semanasConfirmar se o refugo cai de 6,2% para 2%Posto de saída da IJ-0413/04 a 08/05Caio Pires, qualidadeFolha de verificação por turno, lida na reunião semanalR$ 0 (4 h por semana)

Repare no que as colunas fazem juntas. As duas primeiras linhas atacam causa; a terceira sustenta o padrão; a quarta antecipa a detecção; a quinta verifica. Nenhuma delas diz “melhorar o processo de injeção”, e é por isso que o plano é cobrável. Repare também que duas linhas custam zero em desembolso e mesmo assim declaram o esforço em horas.

Exemplo preenchido 2: administrativo, fechamento de contas a pagar

Segundo contexto: o fechamento de contas a pagar estoura o dia 5 em quase todo mês, e a área acumula multa por pagamento em atraso. Aqui não há máquina, não há turno e não há parada programada. O que existe é fila, aprovação e sistema, e o 5W2H preenche igual.

O quêPor quêOndeQuandoQuemComoQuanto custa
Fixar o corte de recebimento de notas no dia 2532% das notas chegam depois do fechamentoContas a pagar, matriz01/04 a 05/04Paula Reis, coordenadora financeiraComunicado aos fornecedores e regra no portalR$ 0
Criar caixa única de entrada de nota fiscalAs notas chegam hoje em quatro e-mails pessoaisFinanceiro e compras06/04 a 30/04Diego Santos, TIFila única com protocolo e prazo de resposta de um diaR$ 1.440 (3 meses de licença)
Treinar os 11 solicitantes de compra no fluxo novoPedido sem centro de custo volta e atrasa o cicloSala de reunião do terceiro andar05/05 a 09/05Paula Reis, coordenadora financeiraUma turma de 90 min, com roteiro impressoR$ 600
Parametrizar a aprovação por alçada no ERPA aprovação manual consome dois dias por cicloMódulo financeiro do ERP12/05 a 13/06Diego Santos, TI40 h de consultoria do fornecedor e homologação internaR$ 6.000
Publicar painel diário de notas pendentesNinguém enxerga o tamanho da fila antes do dia 30Intranet do financeiro16/06 a 27/06Paula Reis, coordenadora financeiraTrês números por dia: recebidas, aprovadas, vencendoR$ 0

A diferença de terreno aparece na coluna “onde”: em vez de posto e máquina, o lugar é módulo de sistema, portal e sala. A coluna “como” carrega a regra, não o procedimento físico. E o dono continua sendo pessoa, nunca “o financeiro”, porque departamento não responde em reunião de status.

Exemplo preenchido 3: qualidade, não conformidade de rotulagem

Terceiro contexto: um cliente recebeu um lote com data de validade errada no rótulo, abriu reclamação e a auditoria interna registrou não conformidade. Plano de qualidade tem uma exigência a mais: a ação de contenção e a verificação de eficácia precisam estar no mesmo plano, com evidência anexável.

O quêPor quêOndeQuandoQuemComoQuanto custa
Revisar a instrução de troca de bobina de rótuloA instrução não exige conferência da data impressaRotuladora R-2, envase10/03 a 14/03Bruna Mendes, garantia da qualidadeIncluir passo de conferência com registro assinadoR$ 0
Instalar leitor de código na saída da rotuladoraO erro de rótulo só foi detectado pelo clienteSaída da rotuladora R-217/03 a 25/04Alex Faria, automaçãoLeitor compara o código lido com a ordem de produçãoR$ 12.500
Incluir conferência de rótulo na folha do turnoNão há registro de verificação entre dois setupsEnvase, três turnos28/04 a 02/05Bruna Mendes, garantia da qualidadeUma conferência por setup, com foto do rótulo aprovadoR$ 0
Requalificar 9 operadores e 3 líderes de turnoA auditoria apontou treinamento vencido desde 2023Sala de treinamento do envase05/05 a 16/05Bruna Mendes, garantia da qualidadeProva prática de troca de bobina, com registroR$ 1.980
Auditar 3 lotes por semana durante 8 semanasProvar eficácia antes de fechar a não conformidadeEnvase e expedição19/05 a 11/07Caio Pires, qualidadeAmostragem por lote, evidência anexada ao registroR$ 0 (6 h por semana)

Como escrever o “o quê” sem embutir a solução errada

O erro mais caro de preenchimento acontece na primeira coluna, e é discreto. A equipe escreve a solução que alguém já tinha na cabeça, em vez da mudança que o processo precisa. A partir daí o plano inteiro defende uma escolha que nunca foi comparada com outra.

Linha como costuma virO que está embutidoReescrita
Comprar o sistema de gestão de notasFecha a solução num fornecedor antes da comparaçãoReduzir de quatro para um os canais de entrada de nota fiscal
Contratar mais um inspetorAssume que falta gente, não que falta detecçãoDetectar rótulo errado antes da expedição do lote
Fazer treinamento de 5S na linhaTrata o treino como fim, e não como meioEliminar a busca de ferramenta durante o setup do molde 118
Melhorar o processo de comprasNão embute solução, mas também não embute nadaReduzir de seis para dois dias o prazo de aprovação do pedido

A regra prática: escreva o “o quê” como a mudança observável no processo e deixe o meio para a coluna “como”. Se a primeira coluna já nomeia fornecedor, produto ou sistema específico, ou você já decidiu com dados, e então isso pertence ao “como”, ou você está pulando a etapa de comparar alternativas.

Ação sem dono nomeado não acontece

Essa é a regra com menos exceções no preenchimento do 5W2H. Quando a coluna do dono traz uma área, um cargo genérico ou duas pessoas, a ação atrasa. Não por má vontade: por ausência de quem responde quando o prazo chega.

  • Área no lugar de pessoa. “Manutenção” não senta na reunião de status. Alguém de manutenção senta, e é o nome dessa pessoa que entra na coluna.
  • Dois donos. Responsabilidade dividida por dois é responsabilidade de nenhum. Se a ação exige duas áreas, ela provavelmente são duas linhas, cada uma com seu dono.
  • Dono que não tem autoridade sobre o recurso. Se o dono precisa pedir a parada a um terceiro que não está no plano, a negociação vira parte da ação e precisa estar escrita no “como”.
  • O dono é sempre o gestor. Plano em que o mesmo nome aparece em dez linhas não é plano, é lista de desejos do gestor.

Prazo realista contra prazo desejado

O prazo desejado é o que sai da reunião: “até o fim do mês”. O prazo realista é o que sobra depois de olhar a dependência que não depende de você. Quase todo atraso de plano 5W2H nasce dessa troca, e ela é fácil de flagrar no preenchimento.

AçãoPrazo desejado na reuniãoPrazo com a dependência à vistaO que decide a data
Substituir as resistências da zona 3Esta semana02/03 a 06/03Só existe janela de parada no sábado
Instalar o leitor na rotuladoraTrinta dias17/03 a 25/04Prazo de entrega do equipamento é de 25 dias
Parametrizar a alçada no ERPDuas semanas12/05 a 13/06Agenda do consultor e janela de homologação
Requalificar operadores e líderesAmanhã05/05 a 16/05Os três turnos não podem parar no mesmo dia

Duas datas por linha, e não uma. A data de início existe para que o atraso apareça na primeira semana, e não na véspera da entrega. Uma ação que deveria ter começado no dia 2 e não começou é um problema de dez minutos de conversa; a mesma ação descoberta no dia 20 já custou o prazo inteiro.

O “quanto custa” que quase ninguém preenche

Essa é a coluna que a maioria dos planos 5W2H deixa em branco, e a justificativa costuma ser a mesma: “essa ação não tem custo”. Quase nunca é verdade. O que existe é custo que não passa por nota fiscal, e por isso não aparece.

  • Hora interna é custo. Dezoito horas de engenharia de processo não geram desembolso, mas ocupam a pessoa que faria outra coisa. Declarar a hora é o que permite comparar duas ações.
  • Parada de produção é custo. Uma janela de sábado que existia para manutenção preventiva e foi usada pelo plano tem um preço, mesmo que ninguém pague por ele.
  • Licença mensal é custo recorrente. Escrever “R$ 480 por mês” e não o total do período esconde o compromisso que fica depois que o plano fecha.
  • Zero declarado é diferente de célula vazia. Zero diz que alguém olhou. Vazio diz que alguém pulou, e é a primeira coisa que a diretoria pergunta.

A conta dos três planos somada

Vale fechar a conta dos três exemplos, porque o 5W2H só se sustenta se os números fecharem. Os valores são ilustrativos, montados para este artigo, e as somas foram conferidas.

PlanoDesembolsoLinhas sem desembolsoEsforço interno declarado
Produção, refugo por rebarbaR$ 7.3502 de 518 h de engenharia e 4 h por semana de qualidade
Administrativo, contas a pagarR$ 8.0402 de 540 h de consultoria contratada e homologação interna
Qualidade, rotulagemR$ 14.4803 de 56 h por semana de auditoria durante 8 semanas
TotalR$ 29.8707 de 15-

A leitura interessante não é o total. É que sete das quinze linhas custam zero em desembolso e nenhuma delas é dispensável: são padrão, registro, treino e verificação. Plano que só contém as linhas caras entrega a mudança e perde o padrão que a sustenta.

Onde o 5W2H preenchido fica visível depois de aprovado

Plano de ação guardado em pasta compartilhada é plano morto. Ele precisa estar onde a equipe passa, num formato que se lê de pé, com o estado de cada linha atualizado por quem executa e não por quem cobra.

O suporte mais simples que funciona é um quadro de gestão à vista com três colunas de estado: no prazo, em risco e atrasada. Cada linha do 5W2H vira um cartão com o que, quem e a data final. Ferramenta digital resolve igual, desde que o estado seja atualizado antes da reunião, e não durante.

A reunião de status: pauta curta, cobrança específica

A reunião de acompanhamento não existe para discutir o problema de novo. Ela existe para verificar o estado das linhas e destravar o que travou. Meia hora por semana resolve um 5W2H de quinze ações, se a pauta for fixa.

  1. Ações que venceram desde a última reunião: concluída, com evidência, ou atrasada, com motivo.
  2. Ações que começam nesta semana: o dono confirma que tem o recurso, ou avisa agora que não tem.
  3. Ações em risco: o dono levanta a mão antes do vencimento, e isso deve ser tratado como bom desempenho, não como falha.
  4. Bloqueios que dependem de alguém fora da sala: sai da reunião com nome e data, nunca com “vou ver isso”.
  5. Novas ações, se houver: entram preenchidas nas sete colunas, ou não entram.

Em áreas que já têm ritual de gerenciamento da rotina, o plano entra como pauta da reunião que já existe, e não como reunião nova. Reunião criada só para acompanhar plano costuma durar seis semanas.

O que fazer com ação atrasada

A pior resposta ao atraso é a mais comum: alguém empurra a data e ninguém registra nada. Depois de duas rodadas disso, o 5W2H perde a função, porque toda data passa a ser negociável e nenhuma serve de referência.

  • Renegociar com motivo escrito. A data nova entra ao lado da original, com uma linha dizendo o que mudou. O histórico é o que permite descobrir, no terceiro plano, que a estimativa da área sempre erra pelo mesmo fator.
  • Cancelar com registro. Ação que perdeu sentido deve sair do plano, e não ficar arrastando. Cancelamento exige uma frase: a causa que ela atacava foi resolvida de outro jeito, ou deixou de ser prioridade.
  • Escalar. Quando o bloqueio está fora do alcance do dono, o escalonamento é parte do processo, não sinal de fraqueza. Escalar sem data de retorno é o mesmo que não escalar.
  • Nunca mover a data em silêncio. Uma linha que muda de prazo três vezes sem registro é, na prática, uma ação cancelada que ninguém teve coragem de cancelar.

Quando o 5W2H não basta e o caso vira projeto

O 5W2H descreve ações independentes. Ele não modela dependência, não distribui recurso ao longo do tempo e não tem caminho crítico. Enquanto as ações puderem andar em paralelo e cada uma couber em poucas semanas, ele é suficiente e é o formato mais barato de operar.

  • A conclusão de uma ação é pré-requisito de três outras, e o atraso de uma trava o plano inteiro.
  • O prazo total passa de três ou quatro meses e envolve mais de uma área com agenda própria.
  • A causa ainda não está provada e o plano está sendo usado para investigar, e não para corrigir.
  • O investimento exige aprovação formal, com análise de retorno e acompanhamento de desembolso.

Nesses casos o plano continua existindo, mas passa a ser um artefato dentro de um método maior. Em melhoria estruturada, ele é o fechamento da fase de melhoria do DMAIC, depois que as causas foram provadas e as soluções priorizadas. O erro é o inverso: usar o 5W2H como substituto da análise, e descobrir três meses depois que as ações atacavam o sintoma.

Plano de ação 5W2H e cronograma não são a mesma coisa

A confusão entre os dois formatos produz dois artefatos ruins: um plano que tenta virar cronograma e fica ilegível, e um cronograma que não diz por que nada daquilo está sendo feito. Eles respondem perguntas diferentes e convivem bem.

AspectoPlano de ação 5W2HCronograma
Pergunta centralO que fazer e por quêQuando e em que ordem
Unidade básicaAção com dono e causaTarefa com duração e dependência
Dependência entre itensNão representaÉ o eixo principal
CustoColuna obrigatóriaRaramente aparece
Uso típicoRotina, ação corretiva, melhoriaObra, implantação, projeto com marcos

Na prática: se a pergunta é quem responde e por quê, o plano resolve. Se a pergunta é o que atrasa o quê, é cronograma.

Erros de preenchimento do 5W2H mais comuns

Esses são os defeitos que aparecem em quase todo plano que chega para revisão. A maioria é corrigível em quinze minutos, desde que alguém leia o plano com a intenção de encontrá-los.

  • Verbo vago no “o quê”. “Melhorar”, “otimizar”, “acompanhar” e “verificar” sozinhos não descrevem trabalho. Precisam de objeto e de um número.
  • “Por quê” que repete a ação. Se o porquê da ação “treinar operadores” é “porque os operadores precisam de treino”, a coluna está vazia.
  • Prazo no fim do trimestre para tudo. Todas as datas iguais significam que ninguém estimou nada.
  • Plano com trinta linhas. Acima de vinte ações a reunião de status deixa de caber e o acompanhamento morre por volume.
  • Verificação de eficácia ausente. Sem a última linha, ninguém sabe se o problema foi resolvido ou se apenas as ações foram executadas.
  • Coluna “como” em branco. É onde mora a restrição, e restrição não escrita é a causa número um de retrabalho.

Checklist antes de dar o plano por pronto

Antes de aprovar, passe o plano por estas perguntas. Elas levam poucos minutos e evitam a revisão dolorosa que acontece na terceira semana de execução.

  1. Cada linha tem as sete colunas preenchidas, sem célula em branco? Valor zero se escreve, não se omite.
  2. Alguém que não estava na reunião conseguiria executar a linha amanhã de manhã?
  3. Cada “por quê” aponta uma causa provada, e não uma intenção genérica?
  4. A coluna do dono tem nomes de pessoas, e quantos nomes distintos existem no plano?
  5. Toda linha tem data de início além da data de conclusão?
  6. As datas passaram pelo teste da dependência externa: entrega, janela de parada, agenda de terceiro?
  7. Existe pelo menos uma linha de verificação de eficácia, com o número que será medido?
  8. A soma dos custos fecha e está dentro do que foi aprovado?
  9. O plano tem menos de vinte linhas e cabe em uma reunião de trinta minutos?
  10. Ficou definido onde o plano fica visível e quem atualiza o estado de cada linha?

Um 5W2H que passa por essas dez perguntas não garante resultado, porque a ação ainda pode estar errada. Mas ele garante que a execução será visível, e plano visível é plano que alguém consegue corrigir a tempo.

Perguntas frequentes

O que é um exemplo de 5W2H preenchido?
É um plano de ação com as sete colunas escritas de forma concreta: a ação com verbo e objeto, a causa que ela ataca, o local exato, as datas de início e conclusão, o nome de uma pessoa, o método com as restrições e o custo estimado. O plano preenchido serve de referência de nível de detalhe, que é justamente o que o modelo em branco não mostra.
Quantas ações um plano 5W2H deve ter?
Entre cinco e vinte linhas funciona bem. Abaixo de cinco, normalmente o problema foi tratado só de forma superficial. Acima de vinte, a reunião de acompanhamento deixa de caber em trinta minutos e o plano passa a ser atualizado por amostragem, o que equivale a não acompanhar. Se o escopo exige mais do que isso, quebre em planos por frente ou trate como projeto.
Posso colocar uma área no lugar do nome da pessoa na coluna Quem?
Não deveria. Área não senta na reunião de status nem responde pelo prazo. Se a ação depende de duas áreas, o caminho é quebrar em duas linhas, cada uma com um dono nomeado. A exceção aparente é quando o dono é o gestor da área, e aí vale conferir se o mesmo nome não está em metade das linhas, o que costuma indicar distribuição que nunca foi discutida.
O que escrever no Quanto custa quando a ação não tem desembolso?
Escreva zero e declare o esforço interno, no formato R$ 0 mais as horas envolvidas. Célula vazia é lida como coluna esquecida e é a primeira coisa questionada na aprovação. Hora de engenharia, janela de parada e licença recorrente são custos reais, mesmo sem nota fiscal, e é o que permite comparar duas ações no momento do corte.
Por que o plano precisa de data de início e não só de prazo final?
Porque a data de início é o que faz o atraso aparecer cedo. Uma ação que deveria começar no dia 2 e não começou é uma conversa de dez minutos na primeira semana. A mesma ação descoberta na véspera do prazo final já perdeu o período inteiro, e a única saída disponível passa a ser empurrar a data.
O que fazer quando uma ação atrasa?
Há três saídas legítimas: renegociar a data com o motivo registrado ao lado da data original, cancelar a ação com uma frase explicando por que ela perdeu sentido, ou escalar o bloqueio com nome e data de retorno. A quarta opção, mover a data em silêncio, é a que destrói o plano, porque depois de duas rodadas nenhuma data serve mais de referência.
Qual a diferença entre plano de ação e cronograma?
O plano responde o que fazer e por quê, com dono e custo, e trata as ações como itens independentes. O cronograma responde quando e em que ordem, e existe para representar dependência e caminho crítico. Um plano de cinco a vinte ações raramente precisa de cronograma; acima disso, a dependência entre tarefas passa a pesar mais do que a causa.
Quando o 5W2H deixa de ser suficiente?
Quando a conclusão de uma ação é pré-requisito de várias outras, quando o prazo total passa de três ou quatro meses com várias áreas envolvidas, quando a causa ainda não foi provada, ou quando o investimento exige aprovação formal com análise de retorno. Nesses casos o plano continua existindo, mas dentro de um método maior de condução do projeto.
Como evitar que o o quê já embuta a solução?
Escreva a primeira coluna como a mudança observável no processo e deixe o meio para a coluna como. Trocar comprar o sistema X por reduzir de quatro para um os canais de entrada de nota fiscal mantém a alternativa aberta. Se a primeira coluna nomeia fornecedor ou produto, ou a decisão já foi tomada com dados e pertence ao como, ou a comparação de alternativas foi pulada.
Com que frequência acompanhar o plano de ação?
Uma reunião semanal de trinta minutos dá conta de um plano de até vinte linhas, com pauta fixa: o que venceu, o que começa, o que está em risco e o que está bloqueado. O horário precisa ser fixo e o estado das linhas atualizado pelos donos antes da reunião. Acompanhamento mensal só funciona em planos de prazo longo e poucas linhas.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

Conteúdos de Metodologias & Qualidade

Materiais, resumos e podcasts para você se aprofundar no tema.

Ver todos os conteúdos de Metodologias & Qualidade