Metodologias & Qualidade

5W2H: o que é, como fazer um plano de ação e 12 exemplos por segmento

As sete perguntas que transformam uma boa decisão em ação com dono, prazo e custo: como montar o seu plano e 12 planos preenchidos, com PDF para baixar.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de mai de 2020  ·  Atualizado em 8 de set de 2026  ·  15 min de leitura
5W2H: o que é, como fazer um plano de ação e 12 exemplos por segmento

Plano de ação que morre na gaveta quase sempre morre do mesmo jeito: alguém escreveu "melhorar o processo" numa linha, sem dono e sem data. Seis meses depois ninguém sabe dizer se aquilo foi feito, e o problema continua lá. O 5W2H existe para impedir exatamente essa linha.

Na MRS Logística eu passei quatro anos e quatro promoções. O pedaço que mais me ensinou foi o desdobramento de metas: do presidente até o coordenador. Tinha farol de indicadores para acompanhar e prestação de contas toda semana. Eu vi de perto o que separa a meta que anda da meta que trava. Anda quando a ação tem nome, prazo e número. Trava quando a ação é um verbo solto numa ata, e eu já assinei ata assim, com dez ações que ninguém conseguiu cobrar depois. Neste guia você vai ver o que é a ferramenta, o que cada uma das sete perguntas responde e como montar o seu plano. E 12 planos de ação preenchidos, de hospital a canteiro de obras, com o PDF de cada um para baixar.

O que é a ferramenta 5W2H?

O 5W2H é uma ferramenta de plano de ação que descreve cada tarefa respondendo a sete perguntas: o que será feito, por quê, onde, quando, por quem, como e quanto custa. O nome vem das iniciais em inglês. O resultado é uma linha de plano que ninguém precisa interpretar.

No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Editora Atlas), ele está no capítulo 30, "Ferramentas de Melhoria". A frase que abre a seção, na página 436, resume o papel dele: "Após a priorização das ações de melhoria, é importante desdobrá-las em informações mais tangíveis". Essa ordem importa. O 5W2H não escolhe o que fazer; ele detalha o que já foi escolhido.

Em um projeto Lean Seis Sigma, o 5W2H fecha a fase Melhorar do DMAIC, depois que as causas foram provadas e as soluções priorizadas. Fora de projeto, funciona igual: em plano de obra, em rotina de departamento, em plano de 90 dias de uma área nova.

As 7 perguntas, uma por uma

Cada linha de um plano 5W2H responde às sete perguntas abaixo. Elas parecem óbvias lidas em sequência, e é justamente por isso que a maioria dos planos falha: o óbvio não escrito não acontece.

As sete perguntas do 5W2H: o que, por quê, onde, quando, quem, como e quanto custa, com exemplo preenchido em cada uma
As sete colunas do 5W2H com um exemplo preenchido em cada uma. Uma linha que responde às sete não precisa de interpretação.
  • What (o que será feito). A ação, com verbo e objeto específicos. "Substituir as vedações dos bicos 5 a 8" em vez de "melhorar o envase".
  • Why (por que será feito). A causa que a ação ataca. É a coluna que impede o plano de encher de ação órfã, aquela que ninguém sabe de onde veio.
  • Where (onde será feito). Linha, setor, contrato, rota, andar. Ação sem lugar vira ação de todo mundo, ou seja, de ninguém.
  • When (quando será feito). Data de início e de conclusão. Prazo "próximo mês" é o começo do atraso.
  • Who (por quem será feito). Uma pessoa, com nome. Área não executa; pessoa executa.
  • How (como será feito). O método, e principalmente o que não muda. É aqui que restrição de segurança, de norma e de contrato aparece.
  • How much (quanto vai custar). Valor estimado. Sem essa coluna, o plano não conversa com o orçamento aprovado no termo de abertura do projeto.

Thiago Coutinho assinando um documento sobre a mesaUma pergunta que eu faço quando reviso plano de ação dos alunos. Se essa linha fosse lida por alguém que não estava na reunião, essa pessoa saberia o que fazer amanhã de manhã? Se a resposta for não, falta detalhe no o quê ou no como.

Vale dizer que essa lógica não é exclusiva da melhoria contínua. A normalização técnica e os sistemas de gestão da qualidade pedem a mesma coisa quando exigem registro de ação corretiva: o que foi feito, por quem, quando e com qual evidência. Muda o vocabulário, não a estrutura.

Como montar um plano de ação 5W2H em 5 passos

Passo 1: chegue com as causas provadas. O 5W2H é o passo depois da análise. Se você ainda não sabe qual causa gera o problema, volte para o diagrama de Ishikawa e para os 5 Porquês. Se nem o problema estiver claro, o Pareto costuma ser o primeiro passo.

Passo 2: gere soluções e priorize. Um bom brainstorming gera mais soluções do que você vai executar e passe todas pela matriz esforço x impacto. Nos 12 exemplos abaixo, o padrão é sempre o mesmo: 8 soluções avaliadas, 4 a 6 escolhidas.

Passo 3: escreva uma linha por ação, respondendo às 7 perguntas. No 5W2H, resista a agrupar. Duas ações numa linha só significam dois donos, e dois donos numa linha significam nenhum.

Passo 4: negocie prazo e dedicação com quem vai executar. Prazo definido sem o dono na sala é prazo que já nasce vencido. Essa conversa custa 20 minutos e evita um mês de atraso. Em projeto de melhoria contínua, é ela que separa o plano assinado do plano cumprido.

Passo 5: defina o critério de sucesso e o piloto. Antes de rodar o plano 5W2H, escreva o que precisa acontecer para a ação ser considerada boa. Depois acompanhe num indicador, com data de revisão marcada. Se o indicador for de processo contínuo, a carta de controle mostra quando a melhoria se sustentou.

Matriz esforço por impacto com os quadrantes ganhos rápidos, grandes projetos, baixa prioridade e desgaste
A matriz esforço x impacto do nosso material oficial. É ela que decide quais soluções entram no 5W2H: ganho rápido primeiro, desgaste fora.

Um cuidado que vale para qualquer plano 5W2H: revise a coluna quando uma semana depois de publicar. Prazo que já nasceu impossível aparece nessa primeira revisão, e ajustar cedo custa uma conversa. Ajustar tarde custa a credibilidade do plano inteiro.

Um erro que a gente vê muito nas turmas: o plano nasce com 15 ações porque ninguém quis dizer não na reunião. Ele não é executado, e o time conclui que "5W2H não funciona aqui". Funcionou; o que não funcionou foi a priorização que veio antes dele.

12 exemplos preenchidos de plano de ação 5W2H, com PDF para baixar

Os 12 planos de ação 5W2H abaixo são os projetos-modelo que a gente usa na Academia Lean Seis Sigma da Voitto, cada um com as ações priorizadas, responsáveis, prazos e custo. Clique na miniatura para ver o plano daquele segmento em tamanho grande (e baixar o PDF, se quiser). Compare os custos com o tamanho dos problemas: quase todos resolvem centenas de milhares de reais com dezenas de milhares.

SegmentoAções no planoInvestimentoResultado no piloto
Saúde8 ações (5 imediatas)R$ 16 mil4,9 h → 2,7 h
Logística7 ações (5 quick wins)R$ 27,4 mil2,8% → 1,3%
Serviços6 açõesR$ 14,5 mil6,2% → 3,5%
Alimentício7 açõesR$ 15,1 mil3,4% → 1,6%
Farmacêutico6 açõescusto quase zeroatacou a fila, não a análise
Manutenção5 açõesdentro do tetoMTTR 7,4 h → 3,6 h
Financeiro6 ações (4 imediatas)R$ 12,4 mil14,2% → 6,8%
Marketing6 ações (4 imediatas)sem verba extra de mídia8,4% → 13,6%
Hotelaria6 ações (4 imediatas)dentro do teto74 min → 46 min
Sustentabilidade6 açõesR$ 38 mil0,182 → 0,128 m³/m²
Produção de elevadores6 açõesR$ 54,4 mil11,6% → 5,4%
Manutenção de elevadores6 açõesR$ 58,3 mil8,9% → 4,7%

1. Saúde: 5W2H para o tempo porta-alta no Pronto Atendimento

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de saúdeUm pronto atendimento com 9.800 atendimentos por mês, paciente de baixa complexidade esperando 4,9 horas da entrada à alta e R$ 96 mil mensais entre receita perdida por evasão e hora extra. Teto de R$ 25 mil e uma restrição que não se negocia.

Cinco ações imediatas e três com piloto controlado, dentro de R$ 16 mil. Num hospital, o plano de ação carrega a restrição no próprio corpo: nenhum protocolo assistencial pode ser flexibilizado.

As duas primeiras linhas atacam a espera laboratorial: etiqueta STAT para os exames do fast-track e SLA de 45 minutos pactuado com o laboratório. O quem aqui não é um nome interno solto, é um acordo com outra área, com prazo escrito.

O fast-track clínico foi o que gerou mais discussão, porque parecia "furar fila". Só passou quando a equipe mostrou que o paciente verde/azul não disputa recurso com a emergência. No teste de duas semanas, o tempo caiu de 4,9 para 2,7 horas.

2. Logística: 5W2H para o erro de separação no centro de distribuição

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de logísticaUm centro de distribuição expedindo 48 mil pedidos por mês com 2,8% de erro de separação: 1.340 pedidos errados, R$ 74 mil mensais em reentregas e devoluções e um OTIF de 91% pressionando contrato. Orçamento de R$ 30 mil.

Cinco ganhos rápidos e dois projetos estratégicos, somando R$ 27,4 mil. O plano nasceu de causas já provadas em teste, não de opinião de reunião.

O detalhe que salva esse plano é o quanto combinado com um critério de parada. O teste rodou nas ruas 5 a 9, com sucesso definido em erro semanal de até 1,0% por quatro semanas seguidas. E com um limite: queda de produtividade de no máximo 3%.

Na terceira semana o erro já tinha caído de 4,1% para 1,3%, com produtividade em menos 1,8%. Foram os dois números juntos que autorizaram a expansão, e é isso que separa piloto de aposta.

3. Serviços: erro de faturamento no CSC

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de serviçosNove mil e quinhentas faturas por mês, 6,2% com erro, R$ 88 mil mensais de retrabalho e concessões. O orçamento aprovado era de R$ 18 mil, sem espaço para sistema novo.

Seis soluções priorizadas e R$ 14,5 mil gastos. O plano diz explicitamente qual ação ataca qual causa. Para a primeira: formulário digital de aditivos com gatilho no ERP e prazo de dois dias. Para a segunda: poka-yoke de validação de dados e dono único do cadastro.

Duas ações ficaram como "planejar" por dependerem de TI, e uma foi descartada. Anotar a descartada com o motivo parece burocracia, mas foi o que impediu a ideia de voltar como novidade no trimestre seguinte.

O ciclo de fechamento seguinte já saiu com 3,5% de erro, o critério de sucesso combinado.

4. Alimentício: sobrepeso no envase de biscoitos

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de alimentícioA linha entregava 3,4% de peso a mais do que o declarado: 14,3 toneladas de biscoito doadas por mês, R$ 1,4 milhão por ano. O teto do plano era R$ 25 mil.

Sete ações por R$ 15,1 mil. Essa desproporção entre custo da solução e tamanho da perda é comum quando a causa foi bem investigada, e é o argumento que faz o Sponsor assinar rápido.

O plano combina ação de máquina com ação de método: substituir as vedações dos bicos 5 a 8 e revisar o padrão de setup com ajuste fino por bico. Uma sozinha não resolveria, porque a válvula gasta e o ajuste "por experiência" se reforçavam.

No teste, o sobrepeso caiu de 3,4% para 1,6%, praticamente a meta, ainda antes do rollout.

5. Farmacêutico: liberação de lotes na Garantia da Qualidade

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de farmacêuticoOitenta e cinco lotes por mês esperando 12,5 dias para serem liberados, com R$ 8,2 milhões parados em quarentena e R$ 82 mil mensais de custo de carregamento. E uma restrição inegociável: nada de mexer no escopo analítico.

Seis ações com responsável e prazo, quase todas de custo próximo de zero. Quando 68% do lead time é espera, o plano não precisa de investimento: precisa de regra.

A matriz de priorização e a matriz GUT convergiram no mesmo topo: painel de fila com SLA no sistema e regra de priorização por prazo e risco. A terceira ação, revisão documental por exceção, foi a que exigiu mais conversa com a qualidade, porque mexe em como se confere dossiê num setor auditado.

Em setor regulado, o como de cada linha precisa dizer o que NÃO muda. Aqui, o escopo analítico farmacopeico e os requisitos de boas práticas ficaram intocados, escritos no próprio plano.

6. Manutenção industrial: tempo de reparo dos equipamentos críticos

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de manutenção industrialVinte e dois equipamentos classe A com MTTR de 6,8 horas, disponibilidade em 91,2% contra meta de 95%, R$ 88 mil por mês de perda de produção e 280 horas mensais de corretiva emergencial.

Das 12 ideias geradas, 8 foram para a matriz e 5 viraram linha de plano. Descartar 4 ideias antes de escrever o plano é o que mantém a execução possível.

As ações amarram uma a uma nas causas provadas. Kits de peças críticas e política de estoque mínimo e máximo eliminam a falta de peça. Guias de troubleshooting e treinamento resolvem a ausência de padrão de diagnóstico. E o técnico de referência por turno reduz o deslocamento no primeiro atendimento.

O estoque mínimo foi o que travou a aprovação por duas semanas: imobiliza capital, e o financeiro queria número. O time levou o custo da hora parada e a conta fechou na hora. No teste das linhas 2 e 5, o MTTR caiu de 7,4 para 3,6 horas em quatro semanas.

7. Financeiro: glosas nas medições de obra

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de financeiroCento e trinta medições por mês, tíquete médio de R$ 210 mil, 14,2% voltando glosadas e 23 dias a mais para receber. O plano tinha R$ 15 mil e não podia tocar em contrato vigente.

Oito soluções avaliadas, quatro no "fazer já", R$ 12,4 mil de custo. São elas: checklist digital de medição por contratante, dupla conferência amostral, calendário de formalização de aditivos com trava no boletim e janela de fechamento antecipada.

A janela antecipada foi a ação que gerou resistência real, porque obriga a obra a fechar quantitativo antes do fim do mês. Passou quando o financeiro mostrou o custo dos 23 dias de atraso no recebimento.

A glosa caiu para 6,8% no primeiro ciclo com o plano rodando.

8. Marketing: conversão de leads em visitas agendadas

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de marketingTrês mil e duzentos leads por mês a R$ 74 cada, R$ 236,8 mil mensais só em geração de demanda, e apenas 8,4% agendando visita em até sete dias. Sem verba extra e sem contratar corretor.

Oito soluções na matriz, quatro no "fazer já". Em marketing, o risco do plano de ação é virar lista de desejos de campanha; aqui ele ficou preso ao que o dado mostrou.

SLA de 15 minutos com plantão digital das 8h às 22h. Cadência padrão de cinco toques em sete dias no CRM. Alerta com primeiro toque automático por WhatsApp e roleta automática de distribuição. Quatro ações, todas sobre tempo de resposta, que é onde estava a perda.

O plantão até as 22h foi o ponto de atrito: mexe em rotina de corretor, que é remunerado por venda e não por atendimento noturno. Passou porque o time levou o dado da conversão por faixa de horário para a mesa. A conversão saltou de 8,4% para 13,6% no teste.

9. Hotelaria: liberação de quartos no housekeeping

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de hotelariaCento e oitenta quartos, até 95 check-outs no pico do fim de semana e 74 minutos entre a saída do hóspede e o quarto liberado. Sem contratar ninguém e sem baixar o padrão de limpeza.

Oito soluções avaliadas, quatro imediatas: kits de enxoval por quarto, sequenciamento pela previsão de chegada, inspeção por amostragem e carrinho de amenities por andar.

A inspeção por amostragem foi a mais difícil de aprovar. Ela troca uma regra antiga, a inspeção 100% feita pela governanta, por uma regra de risco. Isso exigiu escrever no plano qual é o critério de amostra e o que dispara a volta ao 100%.

Em três andares de teste, o tempo caiu para 46 minutos em duas semanas.

10. Sustentabilidade: resíduo de obra no canteiro

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de sustentabilidadeUma obra gerando 0,182 m³ de resíduo por m² construído, 52% acima da boa prática do setor, com R$ 96 por m³ pagos em caçamba, transporte e destinação. O plano precisava caber em R$ 45 mil e não podia atrasar o cronograma de 20 meses.

Quatro ações imediatas e duas planejadas, R$ 38 mil no total. O plano ataca o resíduo antes de ele existir. Argamassa estabilizada dosada em central, em vez de preparada no pavimento. Paginação de alvenaria e cerâmica com pedido por quantitativo. Kits por pavimento e caçamba dedicada com apontamento.

A discussão dura foi a da argamassa estabilizada, que custa mais por metro cúbico. O engenheiro da obra bateu o pé contra até o time colocar na conta o que se perdia com sobra endurecida. Com o desperdício no cálculo, ela virou a ação mais barata da lista.

Em três pavimentos de teste, a geração caiu para 0,128 m³ por m², abaixo da meta.

11. Produção de elevadores: retrabalho na montagem de portas

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de produção de elevadoresTrês mil portas de pavimento por mês, 11,6% voltando para retrabalho antes da expedição a R$ 118 por porta, e 6,2% dos kits saindo com pendência, o que gera multa contratual na obra do cliente.

Quatro ações no "fazer já" e duas planejadas, com R$ 54,4 mil investidos. É o plano mais caro dos 12, e ainda assim paga em pouco mais de um mês.

Berços revestidos e racks dedicados resolvem o dano na movimentação. Calibre passa-não-passa com verificação semanal cuida do gabarito gasto. E a tabela padrão de parâmetros de solda, com treinamento dos três turnos, encerra a solda ajustada de cabeça.

A tabela de parâmetros foi a ação que mais ensinou. Ela não compra nada: transforma o conhecimento tácito de cada turno em padrão escrito, e por isso enfrentou a resistência clássica de quem faz "do jeito que sempre funcionou". No teste da linha 2, o retrabalho caiu para 5,4%.

12. Manutenção de elevadores: rechamadas na preventiva

Miniatura do plano de ação 5W2H preenchido do exemplo de manutenção de elevadoresNove mil e oitocentos elevadores em carteira, 74 técnicos de rota e 8,9% das preventivas gerando corretiva no mesmo equipamento em até 30 dias: 872 rechamadas por mês a R$ 210 cada, perto de R$ 2,2 milhões por ano.

Quatro ações imediatas e R$ 58,3 mil no piloto de duas rotas. Checklist digital por família, com itens obrigatórios e tempo mínimo. Procedimento de ajuste do operador de porta. Kit de peças de desgaste embarcado no veículo. E escalonamento de equipamento repetitivo para a engenharia.

O "tempo mínimo" dentro do checklist é a linha mais corajosa do plano, porque contraria o indicador antigo de visitas por dia. A liderança de campo resistiu, e com razão: mudar a regra sem mudar a meta significaria punir o técnico duas vezes.

Mudar o plano de ação sem mexer no indicador que empurrava o comportamento errado seria só pintar a parede. A meta foi ajustada junto, e a rechamada caiu para 4,7% nas duas rotas do teste.

Ferramentas que trabalham junto com o 5W2H

O 5W2H é o elo entre a análise e a execução, então ele tem vizinhos dos dois lados. Antes dele vêm o Ishikawa e o Pareto, que dizem onde está o problema, e a matriz esforço x impacto, que escolhe as soluções. Depois dele vêm o POP, que transforma a ação que deu certo em padrão, e o OCAP, que define o que fazer quando o indicador voltar a sair da linha. Para acompanhar o resultado ao longo do tempo, a carta de controle fecha o ciclo.

Vale um alerta sobre o uso mais comum da ferramenta fora de projeto: muita gente usa o 5W2H como lista de tarefas do mês. Funciona, mas perde a melhor parte. A coluna por quê só faz sentido quando existe uma causa provada do outro lado, e é ela que separa plano de ação de lista de afazeres. Se você está montando metas de área, comece pelas metas SMART e desça para o 5W2H depois.

Baixe o modelo em branco e monte o seu plano

Miniatura do modelo de plano de ação 5W2H preenchível da VoittoO modelo 5W2H da Voitto é um PDF preenchível, com as sete colunas prontas. Abra, escreva e salve, sem precisar de planilha. Ele é a ferramenta I15 do Kit de Ferramentas Lean Seis Sigma, que reúne as 20 ferramentas do DMAIC na ordem de uso.

Ver o modelo em tamanho grande

Quer aplicar num projeto de verdade, com alguém olhando o que você escreveu? É isso que a Academia Lean Seis Sigma faz: você conduz um projeto completo como esses 12, e o plano de ação que você montar é avaliado por um especialista, do charter ao encerramento. Foi acompanhando farol de meta com líderes na ferrovia que eu entendi o valor de uma linha bem escrita. Custa cinco minutos a mais e economiza um trimestre.

Perguntas frequentes

O que é 5W2H?
O 5W2H é uma ferramenta de plano de ação. Ela detalha cada tarefa respondendo a sete perguntas: what (o que), why (por quê), where (onde), when (quando), who (quem), how (como) e how much (quanto custa). O nome vem das iniciais em inglês. O resultado é um plano em que cada linha tem dono, prazo, local e custo.
Qual a diferença entre 5W2H e 5W1H?
O 5W1H tem seis perguntas e não inclui o how much, ou seja, o custo. A versão com dois H acrescenta essa sétima pergunta. Isso é essencial em projeto com orçamento aprovado: sem a coluna de custo, o plano não conversa com o teto definido no termo de abertura.
O 5W2H serve só para projetos de melhoria?
Não. Ele nasceu na qualidade e é padrão na fase Melhorar do DMAIC. Mas funciona em qualquer plano que precise sair do papel: plano de obra, plano de 90 dias de uma área, plano de implantação de sistema. Em projeto, a diferença é que a coluna por quê aponta para uma causa provada.
Quantas ações deve ter um plano de ação?
Não existe número fixo. Os 12 planos deste artigo ficaram entre 5 e 8 ações, escolhidas de um conjunto maior. Plano com 20 linhas costuma ser sinal de que faltou priorizar. Plano com 2 costuma ser sinal de que faltou detalhar.
Onde encontro exemplos preenchidos?
Neste artigo há 12 exemplos completos em PDF, um por segmento (saúde, logística, serviços, financeiro, marketing, manutenção, alimentício, farmacêutico, sustentabilidade, hotelaria e dois do setor de elevadores), todos gratuitos. São os projetos-modelo da Academia Lean Seis Sigma da Voitto.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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