Case Master Black Belt: redução de custos na aciaria com a medição de temperatura do aço
Um projeto Master Black Belt sobre sensores, cabos e lanças de medição de temperatura do aço líquido, contado pelas cinco fases do DMAIC: a conta de R$ 13,1 milhões, o Pareto quase plano, o Ppk negativo e as ocorrências que caíram 79,7% em quatro meses.
{'tipo': 'p', 'html': 'Toda corrida de aço passa por medições de temperatura antes de seguir para o lingotamento. Cada medição consome um sensor descartável e desgasta uma lança, um cabo e um plugue. Na Voitto Steel, essa rotina somava R$ 13,1 milhões por ano em materiais.'}
{'tipo': 'p', 'html': 'O número não aparecia em nenhum relatório como problema. Estava diluído em requisições de almoxarifado, notas de manutenção e reparos feitos na oficina de instrumentação. Ninguém era dono da conta inteira. A redução de custos na aciaria, quando aparecia na pauta, mirava energia e refratário, não a medição.'}
{'tipo': 'p', 'html': 'Um aluno da formação Master Black Belt da Voitto pegou essa conta e a transformou em projeto. A meta era cortar R$ 100 mil por mês. A tendência medida no fechamento apontou R$ 1.977.638 por ano.'}
{'tipo': 'p', 'html': 'Este artigo percorre o projeto fase a fase do DMAIC. Explica o processo para quem nunca entrou numa aciaria, mostra cada ferramenta usada e como ler o resultado de cada uma. Também aponta onde a análise ficou frágil e o que isso ensina.'}
{'tipo': 'p', 'html': 'Procedência: trata-se de projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como contexto do processo e exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo no texto.'}
Por que uma aciaria mede a temperatura do aço tantas vezes por corrida
A aciaria é a etapa que transforma ferro-gusa líquido em aço. No convertedor, oxigênio soprado queima o excesso de carbono. Depois, o aço segue em panelas para ajustes de composição e, por fim, para o lingotamento.
A temperatura decide quase tudo nesse caminho. Aço frio demais solidifica na panela ou no distribuidor e trava o lingotamento. Aço quente demais gasta energia, ataca o refratário e prejudica a qualidade interna da placa.
Por isso a medição é feita várias vezes por corrida. Uma lança com um sensor descartável na ponta mergulha no banho por alguns segundos. O sensor queima, transmite o sinal pelo cabo e é descartado.
Exemplo ilustrativo, sem número do projeto: se uma medição falha, a operação mede de novo. São mais um sensor, mais tempo de corrida e, às vezes, uma parada. Cada falha cobra duas vezes: no material e no ritmo da produção.
Há ainda o ambiente. Respingo de escória, umidade e calor radiante castigam lanças, cabos e conectores o tempo todo. Um componente danificado que volta para a área sem teste vira a próxima falha. É um custo que se alimenta sozinho quando ninguém fecha o ciclo de recuperação.
R$ 13,1 milhões por ano em sensores, cabos e lanças
O ponto de partida foi um levantamento dos custos de 2010 tirado do sistema de gestão da usina e dos controles internos da instrumentação. O gráfico do problema prático separava três famílias de material.
| Família de material | Custo bruto anual (R$) | Custo circulável (R$) |
|---|---|---|
| Sensores descartáveis | 9.923.873,86 | 6.294.429,89 |
| Instrumentação, materiais novos | 1.569.855,55 | 998.428,13 |
| Instrumentação, materiais recuperados | 1.639.477,19 | 1.042.707,49 |
| Total | 13.133.206,60 | 8.335.565,51 |
| Economia projetada | 1.915.870,20 | 1.200.000,00 |
As três linhas somam exatamente o total nas duas bases. Os descartáveis representam 75,6% do custo bruto. É o maior bolo, mas também o mais difícil de mexer, porque cada medição precisa de um sensor novo.
Para a redução de custos na aciaria, a pergunta útil não era quanto custa um sensor. Era quantos sensores e componentes são gastos sem gerar uma medição válida. Esse é o pedaço que o projeto podia reduzir sem mexer no volume de aço.
A economia de R$ 1.200.000,00 equivale a 14,4% da base circulável. Na base bruta, os R$ 1.915.870,20 equivalem a 14,6%. A apresentação cita ainda 14,7% no quadro de resultados, uma diferença de arredondamento entre as bases.
O charter: R$ 100 mil por mês sobre 41 pontos de medição
O contrato do projeto definiu o problema como custo excessivo, procedimento operacional inadequado e falhas de execução na fabricação e no teste das lanças. Três motivações sustentaram a escolha.
- uma consultoria técnica externa havia mostrado, em agosto de 2010, que outra siderúrgica operava com número muito baixo de falhas de medição;
- a temperatura é variável crítica para todo o processo da aciaria;
- a empresa precisava reduzir custo de produção naquele ciclo.
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Problema | Consumo elevado de materiais e falhas nos sistemas de medição de temperatura |
| Meta | Reduzir R$ 100.000,00 por mês, R$ 1.200.000,00 por ano |
| Escopo | Fabricação, teste, reposição e uso das lanças nas duas aciarias |
| Unidade de análise | 41 pontos de medição de temperatura e oxigênio |
| Base de dados | Notas e requisições de janeiro a novembro de 2010, com projeção de dezembro |
| Ganho registrado | Tendência de R$ 1.977.638,00 por ano |
A meta em reais por mês é uma boa escolha para projeto de custo. Ela é auditável pela controladoria e permite acompanhar o avanço mês a mês, sem esperar o fechamento do ano. O projeto Seis Sigma ganha uma régua que todos entendem.
O SIPOC da oficina de lanças: onde o custo nasce e onde ele é consumido
O mapa de processos veio em formato SIPOC. Ele serve para fixar fronteiras antes de procurar causas. Sem ele, a equipe discute problemas de compras, de operação e de manutenção ao mesmo tempo.
| Bloco | Conteúdo no projeto |
|---|---|
| Fornecedores | Gestão de mão de obra terceirizada, oficina de manutenção, suporte técnico, gestão de suprimentos |
| Insumos | Mão de obra, registros em papel e digitais, equipamentos de teste, aprovação de requisições, embalagens |
| Processo | Inspeção diária, reposição, confecção e manutenção, requisição, montagem, recolhimento e teste |
| Produto | Sistema de medição de temperatura e oxigênio funcionando com custo otimizado |
| Cliente | As aciarias da usina |
A leitura que importa está no meio. O processo não é só medir: é um ciclo de inspecionar, recolher, testar, recuperar ou descartar e repor. O custo nasce em cada volta desse ciclo, e não apenas no momento em que o sensor entra no aço.
Essa visão já sugeria onde procurar. Material que poderia ser recuperado e é descartado vira custo. Lança defeituosa que volta para a área vira nova falha.
Trinta e três causas no Ishikawa dos seis M
A fase Medir começou com ferramentas qualitativas. A equipe montou um diagrama de Ishikawa com o efeito escrito como reduzir falhas e custos na medição de temperatura do aço líquido. As causas foram distribuídas nos seis M.
| Categoria | Exemplos de X levantados |
|---|---|
| Medição | X1 histórico de falhas deficiente, X2 registro de falhas no sistema de gestão, X4 cabo queimado ou rompido, X5 oxidação no plugue |
| Material | X13 aquisição e controle de estoque, X14 controle de materiais na manutenção, X15 isolamento do cabo |
| Mão de obra | X7 uso indevido das lanças, X9 conhecimento operacional sobre custo, X11 quebra da caixa de passagem |
| Meio | X16 estufas dos sensores, X17 cascão nas bordas das panelas, X18 umidade no armazenamento |
| Máquina | X22 refrigeração da lança, X23 controle elétrico por PLC, X24 tempo excessivo de amostragem, X28 quebrador de escória |
| Método | X30 controle de peças reparadas, X31 lanças novas sem identificação, X33 lança de medição usada como amostrador |
O valor do Ishikawa aqui é a amplitude. Ele mostrou que o problema não era só de material comprado. Havia causa de operação, de armazenamento, de equipamento e de registro. Nenhuma área podia resolver sozinha.
A divisão por categoria também prepara o próximo passo. Causas de máquina vão para a manutenção elétrica e mecânica. Causas de mão de obra vão para a operação e para o treinamento. Causas de material vão para suprimentos. Cada grupo recebe uma lista com dono.
O fluxo de 13 etapas da lança defeituosa e onde cada X se instala
Em vez de parar no Ishikawa, a equipe desenhou o fluxo do sistema de medição com 13 etapas e três decisões. A lança é inspecionada e recolhida. Depois é avaliada, desmontada, recuperada ou descartada, remontada, testada e reposta na área.
- inspecionar e identificar lanças defeituosas nas áreas;
- recolher lanças e componentes;
- avaliar se estão normais ou defeituosos;
- desmontar e separar peças recuperáveis;
- requisitar peças novas e montar lanças;
- testar a montagem e repor nas áreas;
- descartar o que não tem recuperação.
Cada X foi pendurado na etapa em que age. Os de medição, como X4, X5 e X20, ficam na inspeção. Os de operação, X7 a X10, ficam na troca da lança. Os de armazenamento, X16 a X21, ficam na disponibilidade nas áreas.
Esse cruzamento é uma forma de estratificação por etapa. Ele mostra quem é dono de cada causa e evita que a ação vá parar na área errada.
A matriz de causa e efeito revisada: de 2.130 para 2.110 pontos
Para priorizar as 33 causas, três avaliadores pontuaram cada X de 0 a 10 pela correlação com o efeito. A importância do efeito foi fixada em 10. A nota final é o produto, de 10 a 100.
A primeira matriz somou 2.130 pontos. Depois da discussão, a equipe publicou uma versão corrigida com 2.110 pontos. Doze notas mudaram, e as mudanças contam uma história.
| X | Causa | Matriz inicial | Matriz corrigida |
|---|---|---|---|
| X33 | Lança de medição usada como amostrador | 40 | 100 |
| X32 | Uso de lanças defeituosas pela operação | 50 | 80 |
| X13 | Aquisição e controle de estoque | 80 | 100 |
| X17 | Cascão nas bordas das panelas | 70 | 90 |
| X3 | Avaliação de falhas pela instrumentação | 80 | 40 |
| X30 | Controle de peças reparadas e descartadas | 80 | 50 |
| X7 | Uso indevido das lanças | 100 | 80 |
As causas de uso operacional subiram e as de avaliação interna da instrumentação caíram. A leitura é que a primeira rodada pesou o olhar de quem conserta. A segunda incorporou o olhar de quem usa a lança na corrida.
Um Pareto quase plano e o que fazer quando nenhuma causa domina
O diagrama de Pareto da matriz corrigida trouxe um resultado pouco comum. Nenhuma barra se destaca. As seis causas com nota 100 representam, cada uma, cerca de 5% do total, e juntas somam 28,4%.
As 15 causas com nota igual ou maior que 80 somam 1.360 pontos, 64,5% dos 2.110. Para chegar a 80% da curva acumulada, foi preciso incluir mais de 20 X. A regra de concentrar esforço em poucas causas não funcionou aqui.
Isso acontece com frequência em projetos de custo de material. O custo é a soma de muitas pequenas perdas, cada uma com dono diferente. Um Pareto plano é informação, não falha da ferramenta.
A decisão da equipe foi coerente com essa leitura. Em vez de cortar a lista pelo Pareto, ela cruzou os X com outro critério, o esforço de solução. Esse cruzamento separou o que dava para fazer já do que pedia investimento.
Impacto contra esforço: 16 ganhos rápidos e 8 frentes de investimento
Cada X recebeu duas notas qualitativas, alto ou baixo impacto sobre o Y e alto ou baixo esforço para atuar. A tabela de classificação final ficou assim.
| Quadrante | Quantidade | X do quadrante |
|---|---|---|
| Alto impacto, baixo esforço | 16 | X4, X13, X20, X24, X5, X11, X28, X7, X23, X25, X32, X8, X26, X10, X30, X3 |
| Alto impacto, alto esforço | 8 | X9, X33, X17, X18, X19, X16, X21, X22 |
| Baixo impacto, baixo esforço | 9 | X12, X14, X31, X6, X1, X2, X27, X15, X29 |
| Baixo impacto, alto esforço | 0 | - |
O primeiro quadrante virou a lista de ações imediatas: reparos, inspeções, registro de falhas e correções de equipamento. O segundo concentrou treinamento, armazenamento e estufas, que exigem orçamento e prazo.
Um cuidado: o desenho gráfico da matriz na apresentação posiciona alguns X de forma diferente da tabela. X33, por exemplo, aparece como baixo esforço no gráfico e como alto esforço na tabela. Em projeto real, essa divergência precisa ser resolvida antes do plano de ação.
DPMO de 17.918 e de 7.445: a capabilidade discreta da linha de base
Como os dados eram contagens, a capabilidade foi calculada em dados discretos. A unidade foi o material requisitado, 5.042 no período. As oportunidades foram os 41 pontos de medição, o que dá 206.722 oportunidades.
| Indicador | Materiais | Falhas nas medições |
|---|---|---|
| Defeitos | 3.704 | 1.539 |
| Unidades | 5.042 | 5.042 |
| Oportunidades totais | 206.722 | 206.722 |
| DPU | 0,7346 | 0,3052 |
| DPMO | 17.918 | 7.445 |
| Z de longo prazo | 2,10 | 2,44 |
| Z de curto prazo, com deslocamento de 1,5 | 3,60 | 3,94 |
A conta é direta. 3.704 dividido por 206.722 dá 0,017918, ou 17.918 por milhão. O Z de longo prazo vem da normal padrão: o valor que deixa 1,79% na cauda é 2,10. Somando 1,5, chega-se ao nível sigma de 3,60.
Vale uma ressalva didática. Multiplicar unidades por 41 pontos supõe que cada material tem 41 chances de falhar, o que infla o denominador. O número serve como linha de base interna, mas compará-lo com outra empresa exige a mesma convenção.
O indicador IU-RCL5 e a meta fixada no terceiro quartil
O problema estatístico foi descrito por um indicador percentual chamado IU-RCL5, com 388 observações. A apresentação não detalha a fórmula. O resumo estatístico permite, porém, ler bem a distribuição.
| Estatística | Valor |
|---|---|
| N | 388 |
| Média | 45,48 |
| Desvio padrão | 19,24 |
| Primeiro quartil | 31,33 |
| Mediana | 47,91 |
| Terceiro quartil | 59,95 |
| Mínimo e máximo | 0 e 100 |
| Anderson-Darling | A² de 1,59, valor-p abaixo de 0,005 |
O valor-p abaixo de 0,005 rejeita a normalidade. A assimetria de -0,19 e a curtose de -0,51 indicam distribuição achatada e um pouco puxada para a esquerda. Isso pesa na escolha do cálculo de capabilidade.
A equipe usou o terceiro quartil, cerca de 60%, como meta. O valor coincidia com o limite de especificação pedido pelo patrocinador. A lógica é razoável: levar todo o processo ao patamar que hoje só os 25% melhores atingem.
Ppk de -2,51: a capabilidade de um custo que nunca ficou abaixo do limite
Na fase Analisar, a equipe calculou a capabilidade do custo mensal da medição em 2010. Foram 12 meses, com média de R$ 1.090.540 e desvio padrão de R$ 144.774. Doze vezes a média dá R$ 13.086.480, coerente com o total anual.
O limite superior lançado no software foi 78. Como todos os meses ficaram muito acima disso, o resultado foi 100% fora: Z do limite superior de -7,53 e Ppk de -2,51. A conta confere: 78 menos 1.090.540, dividido por 144.774, dá -7,53.
A equipe registrou Z bench igual a zero e somou 1,5, chegando a Z de curto prazo de 1,50. A mensagem gerencial é clara: o custo inteiro estava fora do alvo. Para um projeto de redução de custos na aciaria, esse é o retrato de partida.
A lição técnica também é clara. O limite de 78 parece estar em outra unidade, talvez milhares de reais por medição. Antes de rodar capabilidade, a especificação precisa estar na mesma unidade dos dados. Caso contrário, o índice só confirma o óbvio.
Três gráficos de dispersão com dados de 2010
Para entender o que move o custo, a equipe montou três gráficos de correlação e dispersão com os 12 meses de 2010. Cada um testava uma hipótese diferente.
| Par de variáveis | Leitura da equipe | Decisão |
|---|---|---|
| Produção de aço contra custo da medição | Correlação positiva | Parte do custo acompanha o volume e não é desperdício |
| Custo de instrumentação contra quantidade de material | Correlação positiva e forte | O custo de instrumentação é governado pela quantidade consumida |
| Custo de instrumentação contra custo de descartáveis | Correlação positiva fraca | As duas famílias têm causas próprias |
No primeiro gráfico, a produção mensal varia de cerca de 258 mil a 375 mil, e o custo de cerca de R$ 820 mil a R$ 1,33 milhão. Há meses com produção parecida e custo muito diferente. É nessa dispersão em torno da reta que mora o desperdício.
Leitura ilustrativa: se o custo dependesse só do volume, os pontos ficariam colados à reta. A distância vertical entre meses de produção semelhante é o que o projeto pode atacar sem reduzir produção.
FMEA: o quebrador de escória no topo com RPN 360
A FMEA foi aplicada aos X vitais nas duas aciarias. Cada modo de falha recebeu notas de severidade, ocorrência e detecção. O RPN é o produto das três.
| X | Modo de falha | S | O | D | RPN |
|---|---|---|---|---|---|
| X28 | Falha no quebrador de escória | 5 | 8 | 9 | 360 |
| X4 | Cabo queimado ou rompido | 5 | 8 | 8 | 320 |
| X5 | Oxidação na conexão entre sensor e plugue | 5 | 8 | 8 | 320 |
| X24 | Tempo excessivo de amostragem e medição | 5 | 7 | 9 | 315 |
| X3 | Avaliação de falhas pela instrumentação | 3 | 5 | 5 | 75 |
A severidade é a mesma nos quatro primeiros. O que os separa é a detecção, de 8 ou 9. Isso significa que o controle atual, inspeção visual, quase não pega a falha antes que ela aconteça.
A lição é que, aqui, a alavanca está na detecção. As ações recomendadas foram planos de inspeção e manutenção eletromecânica atualizados e testes diários. Elas atacam justamente a nota que mais pesa.
O 5W2H com 21 X vitais e as primeiras ações na sub-lança
A fase Melhorar organizou um plano 5W2H para 21 X vitais, começando por X4, X5, X24, X28 e X23. Parte das ações foi implantada antes mesmo de o plano fechar.
- corrigido o entupimento do orifício de refrigeração do cabo de compensação e do suporte da sub-lança da aciaria 2;
- corrigido um vazamento de água sobre a caixa dos sensores da sub-lança do convertedor 1;
- todas as ocorrências de medição passaram a ser registradas no sistema de gestão;
- criado formulário para a operação registrar cada falha e seu motivo;
- implantado acompanhamento semanal da recuperação de plugues, cabos e suportes;
- implantada a reutilização dos materiais de instrumentação;
- escrito procedimento de montagem e teste para componentes novos e reaproveitados;
- levantada a necessidade de estufas nas áreas e pedido orçamento de fornecimento.
O vazamento sobre a caixa dos sensores conecta direto com X18, umidade no armazenamento. Sensor úmido falha na medição. Uma correção simples de equipamento elimina uma fonte de descarte.
O registro obrigatório das falhas responde a X1 e X2. Sem histórico confiável, não há como calcular MTBF de lanças nem saber quais componentes vale recuperar.
Estufas e treinamento: as duas frentes de alto esforço com cronograma próprio
Os X de alto esforço ganharam cronogramas separados, datados de 31 de maio de 2011. São eles que tornam o ganho permanente.
| Frente | Etapas e peso | Período |
|---|---|---|
| Treinamento de instrumentação e operação | Apostila 30%, participantes 10%, datas 10%, aulas 40%, registro no sistema 10% | Abril a julho de 2011 |
| Estufas para sensores descartáveis | Cotação 5%, planejamento 10%, orçamento 15%, projeto 15%, requisição 5%, fornecedor 5%, montagem 25%, partida 15%, encerramento 5% | Maio de 2011 a dezembro de 2012 |
O treinamento ataca X9, deficiência no conhecimento sobre custo e operação, e X33, a lança de medição usada para amostragem. São hábitos, e hábito só muda com explicação do porquê e acompanhamento.
As estufas atacam X16 e X19. O sensor descartável absorve umidade, e sensor úmido dá leitura falsa ou falha. Guardar o sensor aquecido é um poka-yoke de ambiente: remove a condição em vez de depender de atenção.
Ocorrências de 2011 e custo de instrumentação: os números do Controlar
O plano de controle passou a acompanhar as ocorrências de medição por tipo, mês a mês. Os quatro primeiros meses de 2011 mostram a tendência.
| Tipo de ocorrência | Jan | Fev | Mar | Abr | Total |
|---|---|---|---|---|---|
| Reparo em lanças | 132 | 56 | 48 | 19 | 255 |
| Fornecimento de suporte | 43 | 21 | 18 | 6 | 88 |
| Reparo em cabo | 38 | 18 | 12 | 8 | 76 |
| Substituição de cabo | 8 | 9 | 6 | 4 | 27 |
| Demais tipos | 16 | 6 | 18 | 11 | 51 |
| Total | 237 | 110 | 102 | 48 | 497 |
As ocorrências caíram de 237 em janeiro para 48 em abril, queda de 79,7%. A média do quadrimestre foi 124,3 por mês. Os reparos em lança, maior linha, caíram de 132 para 19.
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Meta anual de redução | R$ 1.200.000,00 | Tendência de R$ 1.977.638,00 |
| Ocorrências de medição por mês | 237 em janeiro de 2011 | 48 em abril de 2011 |
| Materiais novos de instrumentação por mês, leitura aproximada do gráfico | Cerca de R$ 170 mil em janeiro | Cerca de R$ 115 mil em novembro |
| Falhas nas medições | DPMO de 7.445 em 2010 | - |
A tendência supera a meta em 64,8%. Em base bruta, os R$ 1.977.638,00 representam 15,1% dos R$ 13,1 milhões gastos em 2010. A apresentação não traz o DPMO depois das ações, por isso a última linha fica sem valor. Para fechar o ciclo com rigor, o recálculo da capabilidade seria o passo seguinte.
O que este case ensina a quem vai conduzir um projeto Master Black Belt de custo
O primeiro ensinamento é tornar visível uma conta dispersa. Ninguém via R$ 13,1 milhões porque o valor estava espalhado em requisições. Juntar a conta já foi metade do custo da má qualidade exposto.
- revise a matriz de causa e efeito com quem opera, não só com quem conserta;
- trate um Pareto plano como diagnóstico e use um segundo critério de corte;
- confira a unidade da especificação antes de rodar capabilidade;
- defina a convenção de oportunidades do DPMO e mantenha a mesma no antes e no depois;
- separe ações rápidas de frentes com orçamento e dê a estas um cronograma próprio;
- recalcule a capabilidade no Controlar, para que o ganho em reais tenha prova estatística.
O papel do Master Black Belt aparece nessas escolhas. Ele não aplica todas as ferramentas do Lean Seis Sigma. Escolhe a que responde à pergunta da fase e sabe quando um resultado estranho é informação.
Para traduzir a tendência em ganho validado, vale seguir o roteiro de cálculo do retorno financeiro de um projeto Seis Sigma, com critério acordado com a controladoria desde o início.
Este case mostra que a redução de custos na aciaria não depende só de grandes investimentos. Boa parte do ganho veio de registrar falhas, recuperar componentes e corrigir pequenos defeitos de equipamento que ninguém priorizava.
