Metodologias & Qualidade

As fases de um projeto, da abertura ao encerramento

Iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle e encerramento: o que entra e o que sai de cada fase, quem decide a virada, o erro típico, os portões entre elas e a conta de quanto custa mudar o escopo em cada momento do projeto.

Thiago Coutinho
Publicado em 26 de set de 2026  ·  Atualizado em 26 de set de 2026  ·  16 min de leitura

As fases de um projeto costumam ser desenhadas como cinco caixas ligadas por setas, da esquerda para a direita. O diagrama é honesto no começo e mentiroso no fim. A última caixa, encerramento, quase nunca é executada de verdade.

Essa é a tese deste texto. A fase mais pulada é a última, e ela é justamente a que determina se o próximo projeto vai melhor. A visão geral da disciplina está em o que é gerenciamento de projetos, e aqui o recorte é o que acontece dentro de cada fase, em ordem.

Encerrar não é entregar e ir embora. É aceitar formalmente, liberar recurso, fechar contrato, registrar o que se aprendeu e arquivar de um jeito que alguém consiga achar depois. Quando essa fase some, a organização perde a única oportunidade estruturada de virar experiência em capacidade.

O efeito é visível. Empresas com vinte anos de projetos nas costas continuam errando estimativa como se fosse a primeira vez, porque cada projeto começa do zero de memória. As dez áreas que atravessam essas fases estão em áreas do gerenciamento de projetos, e não serão repetidas aqui.

As três tabelas e o exemplo numérico foram montados para este artigo, no formato do Kit de Gestão de Projetos da Voitto. Os valores são ilustrativos, foram conferidos em planilha e são internamente consistentes, e não descrevem um cliente específico.

A fase que todo mundo pula

Um projeto tem cinco fases: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. As quatro primeiras e a última seguem uma ordem no tempo. Monitoramento e controle é a exceção, porque roda em paralelo. Cada fase tem entrada, saída, alguém que decide a virada e um erro típico.

Pergunte a qualquer equipe quantas fases um projeto tem e a resposta sai rápida. Pergunte qual foi o último projeto formalmente encerrado, com aceite assinado e lições registradas, e a sala fica quieta.

O padrão se repete. A entrega acontece, a equipe é puxada para o projeto seguinte e o encerramento vira um e-mail de agradecimento. Ninguém percebe perda imediata, e por isso o hábito se mantém.

A perda aparece um projeto depois. A estimativa nova sai no chute porque a real anterior nunca foi fechada. O fornecedor problemático é contratado de novo porque a avaliação dele não existe. O mesmo risco derruba o cronograma pela terceira vez.

Vale fixar a fronteira antes de seguir. Fase é um trecho do projeto com começo, fim e uma decisão no meio do caminho. Rotina não tem fases porque não termina, e a distinção completa está em diferença entre projeto e processo.

As cinco fases de um projeto em uma tabela

Esta é a tabela para abrir no início e reabrir em cada virada de fase. A coluna mais útil não é a da saída: é a de quem decide. Fase sem dono de decisão não fecha, ela apenas vaza para a seguinte.

FaseO que entraO que saiQuem decideErro típico
IniciaçãoProblema, oportunidade ou exigênciaTermo de abertura autorizadoPatrocinadorComeçar sem autoridade definida
PlanejamentoTermo de abertura e restriçõesPlano com escopo, prazo, custo e riscoPatrocinador e gerente do projetoPlanejar só o cronograma
ExecuçãoPlano aprovado e equipe alocadaEntregas prontas e verificadasGerente do projetoExecutar sem critério de aceite
Monitoramento e controleDados reais de prazo, custo e escopoAções corretivas e mudanças aprovadasComitê de mudançasMedir sem agir sobre o desvio
EncerramentoEntregas aceitas e contratos abertosAceite, lições e acervo arquivadoPatrocinador e clienteEncerrar por abandono

A linha de monitoramento é diferente das outras quatro. Ela está na tabela porque tem entrada, saída e dono próprios, não porque ocupa um trecho do calendário.

Iniciação: do problema à autorização formal

A iniciação responde uma pergunta só: este projeto deve existir? Tudo que a fase produz serve para tornar essa resposta defensável, e para registrar quem a deu.

A entrada quase nunca é um projeto. É um incômodo. O estoque parado, a reclamação que repete, a norma que entra em vigor em oito meses. O primeiro trabalho é transformar incômodo em problema declarado.

  • O que entra: o problema ou a oportunidade, as restrições conhecidas de prazo e verba, e o interesse de alguém com poder de bancar.
  • O que sai: o termo de abertura autorizado, o objetivo em uma frase, o critério de sucesso e a lista inicial de partes interessadas.
  • Quem decide: o patrocinador. Não o gerente do projeto, que nessa altura pode nem ter sido nomeado.
  • Erro típico: pular direto para a solução. O projeto nasce chamado de "implantar o sistema X" e ninguém mais discute se X resolve o problema.

O corpo de conhecimento mais usado no Brasil organiza a iniciação em dois processos, e o detalhamento está em gerenciamento de projetos pelo PMI.

Iniciação: patrocinador, partes interessadas e termo de abertura

O termo de abertura é o documento mais barato e mais ignorado do projeto. Cabe em duas páginas e resolve três brigas: quem manda, o que conta como sucesso e quanto se pode gastar sem voltar a pedir.

  • Objetivo: uma frase com verbo, número e prazo. Reduzir o tempo de faturamento de nove para quatro dias até março.
  • Justificativa: o que acontece se o projeto não for feito. Se a resposta for "nada", a iniciação já deu seu veredicto.
  • Patrocinador: nome de pessoa, não de área. Área não assina, não desempata e não libera orçamento.
  • Autoridade do gerente: até quanto ele decide sozinho, e a partir de onde precisa do patrocinador.

O rascunho desse documento é um bom lugar para usar apoio de IA, desde que a revisão campo a campo seja humana. Há um roteiro em IA no project charter, com o que aceitar e o que recusar da primeira versão gerada.

As partes interessadas iniciais entram aqui, em lista curta. O objetivo não é mapear todo mundo, é identificar quem pode vetar. Quem tem poder de parar o projeto precisa estar na sala antes da autorização, e o método de classificação está em mapa de stakeholders.

Planejamento: escopo e EAP, a base de tudo

O planejamento é a maior fase, e escopo é a primeira coisa dentro dela porque todo o resto deriva daí. Cronograma, orçamento, equipe e risco são funções do escopo. Se a base muda, os quatro mudam juntos.

Escopo bem escrito tem duas listas: a do que está incluído e a do que está explicitamente fora. A segunda evita a conversa mais cara do projeto, aquela que começa com "eu achei que isso estava incluído".

Descrever escopo por objetivo não funciona. "Melhorar o atendimento" não é verificável. "Novo fluxo implantado em três filiais, com script único e painel de espera" é. A diferença entre as duas formas está em escopo do projeto.

A estrutura analítica quebra esse escopo em pacotes de trabalho até o nível em que dá para estimar e atribuir. A regra prática é decompor até o pacote caber entre oito e oitenta horas. O método está em EAP, estrutura analítica do projeto.

Erro típico da fase: montar a EAP por departamento em vez de por entrega. O resultado é um organograma disfarçado, que não serve como base de estimativa nem de acompanhamento.

Planejamento: cronograma e caminho crítico

Com os pacotes definidos, o cronograma responde duas perguntas: em que ordem e quanto tempo. Nessa ordem. Data é consequência da sequência, não ponto de partida.

O erro mais comum é montar cronograma de trás para frente, a partir da data prometida, ajustando durações até caber. O resultado parece um plano e funciona como promessa. Quando a primeira atividade atrasa, não há folga para absorver nada.

Duração não é esforço. Um pacote de dezesseis horas pode levar três semanas se a pessoa responsável tem meio dia livre por semana. Cronograma que confunde os dois erra sempre para menos, e erra em silêncio.

Caminho crítico é a sequência de atividades sem folga: atrasar uma delas em um dia atrasa o projeto em um dia. Saber quais são muda a rotina de acompanhamento, porque nem todo atraso merece a mesma reação. A construção está em o que é cronograma.

Para porte pequeno e médio, planilha resolve. Um modelo com dependências e marcos está em modelo de cronograma em Excel, e evita comprar ferramenta antes de ter método.

Planejamento: orçamento e reserva

Orçamento de projeto não é o total que alguém autorizou. É a soma estimada dos pacotes de trabalho, mais as reservas, distribuída no tempo. Sem essa distribuição não existe controle, só um número no fim.

  • Reserva de contingência: para riscos identificados, com valor derivado do registro de riscos. Fica sob o gerente do projeto.
  • Reserva de gestão: para o que ninguém previu. Fica sob o patrocinador, e usá-la é uma decisão dele.
  • Curva de desembolso: quanto sai do caixa por mês, que é o que a área financeira precisa e quase nunca recebe.

A pergunta que revela orçamento mal feito é simples: em que mês o projeto consome mais caixa? Quem não sabe responder tem um total, não um orçamento. O detalhamento por linha está em orçamento do projeto.

Erro típico da fase: tratar reserva como gordura a ser cortada na primeira revisão de custo. A reserva cortada não some, ela reaparece como pedido de aditivo no meio da execução, quando a negociação é muito pior.

Planejamento: risco, comunicação e critério de aceitação

Três planos fecham a fase, e são os três que mais se deixa de fora quando o prazo aperta. Cada um evita um tipo específico de surpresa.

O plano de risco lista o que pode dar errado, avalia probabilidade e impacto e define uma resposta antes do evento. Risco sem resposta escrita é preocupação, não gestão. As estratégias de resposta estão em gestão de riscos.

O plano de comunicação define quem precisa saber o quê, com que frequência e por qual canal. Parece burocracia até o dia em que um diretor descobre por terceiros que o projeto atrasou. A partir daí vira prioridade, tarde demais.

O critério de aceitação é o mais esquecido dos três e o mais caro. Responde, por entrega, o que precisa ser verdade para o cliente dizer que está pronto. Escrito no planejamento, é um acordo. Escrito na entrega, é uma disputa.

Um teste fecha a seção: o critério é verificável por quem não participou da execução? Se depende de quem fez, ainda não é critério.

Execução: o trabalho, a equipe e a qualidade

Execução é a fase em que o plano encontra a realidade. Consome a maior parte do orçamento e do calendário, e produz o material que as outras fases apenas descrevem.

O trabalho aqui é de três tipos, e confundi-los faz o gerente virar gargalo. Tem o trabalho técnico, que é da equipe. Tem a remoção de obstáculo, que é do gerente. E tem a decisão que muda o plano, que é do patrocinador.

A alocação precisa ser nominal. Dizer que a frente de integração tem dois analistas não aloca ninguém: o analista continua dividido entre três projetos e o chamado urgente do dia. Papel por entrega, com nome, é o que a matriz de responsabilidade RACI resolve.

Garantia da qualidade acontece durante, não depois. Verificar entrega contra o critério de aceite no momento em que ela fica pronta custa horas. Verificar tudo junto no fim custa semanas, porque o retrabalho de um item derruba os que dependiam dele.

Erro típico da fase: tratar reunião de status como execução. Status é monitoramento, e ele consome a agenda que deveria produzir.

Monitoramento e controle: o que roda em paralelo

Monitoramento e controle é a comparação contínua entre o planejado e o que está acontecendo, somada à decisão do que fazer com a diferença. São duas coisas, e a segunda é a que costuma faltar.

Monitorar sem controlar produz relatório. A equipe mede desvio todo mês, apresenta o gráfico, todos concordam que está ruim e nada muda. Controle é a parte que altera alguma coisa: replaneja, realoca, renegocia escopo ou aciona a reserva.

  • Escopo: houve entrega feita que não estava na EAP? Alguém aprovou ou apenas aconteceu?
  • Prazo: o caminho crítico mudou desde a última medição?
  • Risco: algum risco do registro mudou de probabilidade? Apareceu risco novo?
  • Mudança: quantas solicitações estão abertas sem decisão há mais de duas semanas?

O que torna isso operável é um conjunto pequeno de indicadores medidos sempre do mesmo jeito. Três bem escolhidos valem mais que doze que ninguém atualiza, e a seleção por tipo de projeto está em indicadores de desempenho em projetos.

Mudança não é problema: mudança sem decisão registrada é. Sem isso o projeto passa a ser medido contra uma linha de base que já não existe.

Por que monitoramento não é uma fase cronológica

Essa é a confusão mais comum de quem estuda gestão de projetos por diagrama. As cinco caixas aparecem em fila, e a quarta sugere um período do calendário entre a execução e o encerramento. Não é isso.

Monitoramento e controle começa no primeiro dia da execução, roda junto com ela e só para quando o encerramento termina. Em muitos projetos começa antes, ainda no planejamento, porque o próprio planejamento tem prazo e consome horas que precisam ser acompanhadas.

A diferença prática é grande. Se fosse fase sequencial, faria sentido reservar duas semanas de calendário para ela. Como não é, o que se reserva é ritmo: uma reunião semanal de quinze minutos e um relatório quinzenal, todo o projeto.

Uma forma melhor de desenhar o ciclo é como quatro caixas em fila, iniciação, planejamento, execução e encerramento, com uma faixa horizontal atravessando todas. A faixa é monitoramento e controle. O desenho fica menos simétrico e muito mais fiel.

Os portões entre as fases e o que se aprova em cada um

Entre uma fase e a seguinte existe um portão: um momento em que alguém decide se o projeto continua, continua com ajuste, ou para. Sem portão, as fases se misturam e ninguém sabe dizer se o planejamento acabou.

PortãoPergunta que ele fazCompromisso assumidoSe reprovar
Fim da iniciaçãoEste projeto deve existir?Verba de planejamento liberadaO problema volta para análise
Fim do planejamentoO plano é executável com o que temos?Linha de base de escopo, prazo e custoReplanejar ou reduzir escopo
Marco de execuçãoO entregue atende ao critério?Aceite parcial da entregaRetrabalho antes de seguir
Pedido de mudançaVale mudar a linha de base?Nova linha de base publicadaFica no registro, não no plano
Fim da execuçãoTudo que foi contratado foi entregue?Aceite final do clienteLista de pendências com prazo

O portão do fim do planejamento é o mais valioso e o mais atropelado. Nele se aceita a linha de base contra a qual todo desvio será medido. Projeto que entra em execução sem essa linha assinada não tem como estar atrasado: não tem prazo acordado.

Quem participa importa tanto quanto o que se aprova. As partes com poder de veto precisam estar representadas em cada portão, e o critério de quem entra nessa lista está em gestão de stakeholders.

A curva de custo de mudança, com números

O argumento a favor de planejar não é organizacional, é aritmético: mudar o escopo custa pouco no começo e muito no fim, e a diferença é de ordem de grandeza.

O exemplo usa um projeto de implantação de sistema, orçamento de R$ 480.000 e hora de equipe a R$ 150. A mudança é a mesma em todos os cenários: incluir uma integração com o ERP fora do escopo original.

O trabalho novo é constante. São 120 horas de desenvolvimento, ou R$ 18.000, independentemente de quando o pedido chega. O que varia é o desperdício em volta: horas de replanejamento e horas de retrabalho sobre o que já estava pronto.

Mudança pedida na faseReplanejamento (h)Retrabalho (h)Custo extraMultiplicador
Iniciação40R$ 6001x
Planejamento240R$ 3.6006x
Execução3296R$ 19.20032x
Encerramento40280R$ 48.00080x

Somando o trabalho novo, a mesma integração sai por R$ 18.600 na iniciação e R$ 66.000 se o pedido chega depois do aceite. Em proporção do orçamento, o desperdício puro vai de 0,125% a 10%.

O retrabalho explica a curva. Na iniciação não existe nada feito para refazer. No encerramento, a integração obriga a mexer em módulos já testados, homologados e documentados, e cada um desses passos volta para a fila.

Encerramento: aceite, liberação e contratos

O encerramento tem cinco atividades, e nenhuma é opcional em projeto de qualquer porte. As três primeiras são administrativas. As duas últimas geram valor para o projeto seguinte.

  1. Aceite formal: o cliente ou patrocinador declara por escrito que as entregas atendem aos critérios acordados. Sem isso, o projeto nunca termina, ele apenas para de receber atenção.
  2. Liberação de recursos: as pessoas voltam para a operação ou entram no próximo projeto, com data. Equipe não liberada continua sendo cobrada pelos dois lados.
  3. Encerramento de contratos: cada fornecedor recebe o aceite final, a última medição é paga e a avaliação de desempenho dele é registrada.
  4. Lições aprendidas: o que funcionou, o que não funcionou e o que faríamos diferente, registrado para ser consultado depois.
  5. Arquivamento: plano, linha de base, mudanças aprovadas, atas e números reais guardados em local com endereço estável.

O aceite formal parece redundante. O cliente já está usando a entrega, então por que assinar? Porque uso não é aceite. Três meses depois, quando aparecer um defeito, a ausência do documento transforma manutenção em escopo não entregue.

Erro típico da fase: encerrar por abandono. O projeto não é declarado terminado, ele simplesmente deixa de ter reunião. Fica em aberto no sistema, consumindo centro de custo e aparecendo em relatório por mais um ano.

Lições aprendidas: por que elas não funcionam

Quase toda empresa tem um processo de lições aprendidas. Quase nenhuma tem lições sendo usadas. A distância entre as duas coisas tem três causas, e todas são de desenho, não de disciplina.

  • São registradas no fim: a reunião acontece meses depois dos eventos, e o que se lembra é o final. O problema de dimensionamento do segundo mês já foi esquecido.
  • São escritas por quem está exausto: a equipe sai de uma entrega apertada e é convidada a refletir. O resultado é genérico por cansaço, não por má vontade.
  • Ficam em documento que ninguém abre: um arquivo por projeto, em pasta por ano, sem busca. No projeto seguinte, ninguém sabe que existe e ninguém procura.

A correção da primeira causa é registrar durante. Cada virada de fase e cada mudança relevante geram uma entrada de duas linhas, feita enquanto o fato está fresco. No fim, a reunião consolida em vez de tentar lembrar.

A correção da terceira é mudar a unidade de armazenamento. Em vez de um documento por projeto, uma base por tema: estimativa, fornecedor, integração, homologação. Quem vai estimar consulta o tema, não o histórico de outro projeto.

A correção mais forte é transformar lição em ação. Lição sem responsável e prazo continua sendo opinião registrada, e o formato que fecha esse ciclo está em plano de ação.

O checklist de encerramento

Este é o checklist para rodar na semana da última entrega, não um mês depois. Leva entre duas e quatro horas em projeto de porte médio, e é a diferença entre terminar e desaparecer.

  1. Todas as entregas da EAP foram verificadas contra o critério de aceite, item por item.
  2. As pendências remanescentes estão em lista, com responsável e prazo, e o cliente conhece a lista.
  3. O aceite formal está assinado, com data e nome de quem assinou.
  4. Os contratos de fornecedor estão encerrados, com última medição paga e avaliação registrada.
  5. As pessoas foram liberadas com data comunicada ao gestor de origem.
  6. Os números reais de prazo e custo foram fechados e comparados com a linha de base aprovada.
  7. As lições foram consolidadas por tema, e as que exigem ação viraram item com dono.
  8. Licenças, acessos e ambientes temporários criados para o projeto foram encerrados.
  9. O acervo está arquivado em local com endereço estável e permissão de leitura para quem vier depois.
  10. O projeto foi fechado nos sistemas administrativos, encerrando o centro de custo.

O item seis é o mais valioso a longo prazo e o mais pulado. Comparar estimado com realizado, por pacote, é o único jeito de descobrir que a equipe subestima integração em 40% de forma sistemática.

O que muda num projeto ágil

Em abordagem ágil as fases não desaparecem. Mudam de tamanho e de frequência. O erro é ler ágil como ausência de planejamento, quando o que acontece é planejamento em porções menores e mais vezes.

  • Iniciação: continua existindo, e continua precisando de patrocinador e objetivo. Muda o formato, que costuma ser mais curto.
  • Planejamento: deixa de ser bloco único no começo e passa a acontecer por iteração, com um plano de produto mais leve no início.
  • Execução e monitoramento: ficam colados no mesmo ritmo. A revisão ao fim de cada iteração é monitoramento com nome diferente.
  • Encerramento: é o que menos muda, e continua sendo o mais pulado.

A confusão comum é achar que retrospectiva resolve lições aprendidas. Ela cobre a iteração, com quem estava nela. Não cobre estimativa global, desempenho de fornecedor nem arquivamento.

A escolha entre as duas abordagens depende de quanto o escopo é conhecido no início. Requisito estável favorece plano detalhado antecipado, e requisito instável favorece iteração. A comparação está em gestão ágil e gestão tradicional.

Projeto pequeno e os sinais de que uma fase foi pulada

Em projeto de três semanas e duas pessoas, as fases de um projeto colapsam. Não somem. O termo de abertura vira um e-mail de três parágrafos, o plano vira uma planilha de dez linhas e o encerramento vira uma reunião de trinta minutos.

O teste de proporção ajuda: o esforço de gestão deve ficar entre 5% e 10% do esforço total. Em projeto de 200 horas, isso dá de 10 a 20 horas de gestão distribuídas por todas as fases. Mais que isso é burocracia, menos é sorte.

  • Iniciação pulada: duas pessoas do time descrevem o objetivo de formas incompatíveis, e ninguém sabe quem desempata.
  • Planejamento pulado: a pergunta "o que acontece se isso atrasar?" não tem resposta, porque não há dependências mapeadas.
  • Execução sem controle: o status é sempre "está indo bem" até virar "não vai dar", sem estágio intermediário.
  • Monitoramento pulado: o primeiro número de progresso aparece quando alguém de fora pede.
  • Encerramento pulado: ninguém sabe dizer se o projeto do ano passado terminou ou apenas parou.

Qualquer um desses sinais aponta para fase incompleta, e o custo dela aparece no projeto seguinte. A visão integrada está em gerenciamento de projetos.

Perguntas frequentes

Quais são as fases de um projeto?
São cinco: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. As quatro primeiras e a última seguem uma ordem cronológica. Monitoramento e controle é a exceção: acontece em paralelo, do primeiro dia de execução até o fim do encerramento. Cada fase tem uma entrada, uma saída, alguém que decide se ela terminou e um erro típico associado.
Qual é a fase mais importante de um projeto?
O planejamento é a maior e a que mais reduz custo futuro, porque mudar escopo ali custa uma fração do que custa depois. Mas a mais negligenciada é o encerramento, e ela é a que determina se o próximo projeto vai melhor. Sem aceite formal, lições registradas e números reais fechados, a organização repete o mesmo erro no projeto seguinte.
Por que monitoramento e controle não é uma fase sequencial?
Porque não ocupa um trecho do calendário entre a execução e o encerramento. Ele começa junto com a execução, roda em paralelo a ela e só termina quando o encerramento acaba. Tratar monitoramento como etapa faz a equipe medir o projeto pela primeira vez quando ele já está atrasado, ou seja, quando corrigir custa caro.
O que precisa sair da fase de iniciação?
O termo de abertura autorizado, com o objetivo em uma frase contendo verbo, número e prazo, a justificativa, o nome do patrocinador, o limite de autoridade do gerente, as premissas e as restrições. Também sai uma lista inicial de partes interessadas, com foco em quem tem poder de vetar o projeto mais adiante.
O que é um portão de fase e o que se aprova nele?
É o momento formal de decidir se o projeto passa para a fase seguinte. Tem três saídas: aprovar, aprovar com condição, ou reprovar. No fim da iniciação aprova-se a verba de planejamento. No fim do planejamento aprova-se a linha de base de escopo, prazo e custo. No fim da execução aprova-se o aceite final do cliente.
Quanto custa mudar o escopo em cada fase do projeto?
No exemplo do artigo, a mesma mudança custa R$ 600 de desperdício na iniciação, R$ 3.600 no planejamento, R$ 19.200 na execução e R$ 48.000 depois do aceite. O trabalho novo é constante, 120 horas. O que cresce é o replanejamento e, principalmente, o retrabalho sobre o que já estava pronto, testado e documentado.
Por que lições aprendidas não funcionam na maioria das empresas?
Por três motivos de desenho. São registradas no fim, quando ninguém lembra do que aconteceu no segundo mês. São escritas por uma equipe exausta logo após uma entrega apertada. E ficam em documento por projeto, sem busca, que ninguém abre depois. A correção é registrar durante, organizar por tema e transformar cada lição em ação com dono e prazo.
As fases existem em projeto pequeno?
Existem, mas colapsam em formato. O termo de abertura vira um e-mail, o plano vira uma planilha curta e o encerramento vira uma reunião de trinta minutos. O que nunca colapsa a zero é a decisão: alguém autoriza, alguém aceita e alguém registra o aprendizado. A referência prática é manter o esforço de gestão entre 5% e 10% do esforço total.
O que muda nas fases em um projeto ágil?
O planejamento deixa de ser um bloco único no início e passa a acontecer por iteração. Execução e monitoramento ficam colados no mesmo ritmo, e a revisão de fim de iteração cumpre o papel de monitoramento. Iniciação e encerramento mudam pouco. Retrospectiva não substitui encerramento, porque não cobre estimativa global, desempenho de fornecedor nem arquivamento.
Como saber se uma fase do projeto foi pulada?
Pelos sintomas. Iniciação pulada aparece quando duas pessoas descrevem o objetivo de formas incompatíveis. Planejamento pulado aparece quando ninguém responde o que acontece se uma tarefa atrasar. Monitoramento pulado aparece quando o primeiro número de progresso só surge porque alguém de fora pediu. Encerramento pulado aparece quando ninguém sabe se o projeto anterior terminou ou apenas parou.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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