Metodologias & Qualidade

Fluxograma: o que é, símbolos, como fazer e 12 exemplos preenchidos

O desenho que mostra por onde o processo desvia quando algo dá errado. Aqui estão os símbolos, o passo a passo para montar o seu e 12 exemplos preenchidos, com PDF para baixar.

Thiago Coutinho
Publicado em 2 de dez de 2020  ·  Atualizado em 8 de set de 2026  ·  17 min de leitura
Mão apoiada sobre uma pilha de exemplares do Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, com uma pessoa desfocada ao fundo, a tarja Metodologias e Qualidade e o texto Fluxograma: o que é, símbolos, como fazer e 12 exemplos preenchidos

Toda vez que eu peço para uma equipe desenhar o fluxograma do próprio processo no quadro, sai a mesma figura: uma fila de retângulos ligados por setas, da esquerda para a direita, sem nenhum tropeço no meio. O processo da parede é sempre impecável.

Aí vem uma pergunta só: e quando dá errado, o trabalho vai para onde? A sala trava. Alguém lembra que a conferência às vezes reprova. Outra pessoa lembra que, quando falta peça, a ordem fica parada esperando. Em cinco minutos aparecem três setas voltando para trás que ninguém tinha desenhado, e a fila de retângulos vira outra coisa.

Eu já entreguei um mapa desses quando era coordenador de operações em Conselheiro Lafaiete: 14 retângulos, nenhum losango, tudo alinhado da esquerda para a direita. Ele durou quatro dias. Na reunião de acompanhamento um dos inspetores abriu a folha e disse que faltava metade do serviço. O que a equipe fazia quando a inspeção reprovava não estava em lugar nenhum do meu desenho. Eu tinha desenhado o caminho feliz e chamado aquilo de processo. O que faltava era o losango.

O Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Editora Atlas) trata da ferramenta no capítulo 29, sobre eliminação de desperdícios. A página 403 resolve a questão em uma frase: “Algumas vantagens do fluxograma são: facilidade em seguir as tarefas propostas, sequência lógica de construção e facilidade para visualizar os pontos de decisão.” As duas primeiras qualquer lista de tarefas entrega. A terceira, não: ver onde o processo decide é o que faz o desenho valer o tempo que ele custa.

Aqui a gente vai ver o que é um fluxograma, o que cada símbolo quer dizer e como desenhar o seu em seis passos. No fim vêm 12 exemplos preenchidos, um por segmento, cada um com o PDF para abrir e baixar.

O que é um fluxograma de processo?

Fluxograma é a representação gráfica da sequência de etapas de um processo, com os pontos em que alguém decide alguma coisa e o caminho que o trabalho segue em cada resposta. Ele se lê da entrada para a saída, e usa uma forma diferente para cada tipo de acontecimento: início, tarefa, pergunta, fim.

A distância entre esse desenho e uma lista de tarefas está justamente na pergunta. A lista descreve o que fazer quando tudo corre bem. O losango obriga o desenho a assumir que nem sempre corre, e a dizer para onde o trabalho vai quando a resposta é não. O mesmo guia registra o limite dos dois lados. O checklist não lida bem com os pontos de decisão. O fluxograma, que os mostra, cobra mais tempo e habilidade para ser feito, e também não comporta a descrição de muitos detalhes.

Por isso o fluxograma costuma ser um dos primeiros entregáveis de um projeto de melhoria contínua. Antes de medir qualquer coisa, a equipe precisa combinar por onde o trabalho passa de verdade. Num projeto de DMAIC ele nasce na fase de definição e volta na análise, quando a pergunta é onde o tempo se perde.

Os tipos de fluxograma mais usados mudam o arranjo do desenho, não a gramática dele. O de blocos empilha as etapas numa coluna e serve para instrução de trabalho. O horizontal, que é o formato desta página, corre da esquerda para a direita e é o de projeto de melhoria. O funcional, também chamado de raias, divide o mesmo fluxo em faixas por área. Ele mostra em que fronteira o trabalho troca de dono, que é onde ele costuma parar. Quando o mapa precisa carregar tempo de ciclo e estoque de cada etapa, o caso já não é fluxograma e sim mapa do fluxo de valor.

Anatomia de um fluxograma: oval de início, retângulos de etapa, losango de decisão com as saídas sim e não, e a seta de retorno
As formas básicas e, no centro, o que separa esse desenho de uma lista: o losango com duas saídas escritas e a seta que devolve o trabalho para trás.

Os símbolos do fluxograma, um por um

  • Terminal (oval). Marca o começo e o fim. Parece detalhe, e é o símbolo que mais evita briga: enquanto ninguém escreve o que entra no primeiro oval, cada pessoa está desenhando um processo diferente.
  • Etapa (retângulo). Uma ação executada por alguém, com verbo no começo. Se descrever a etapa exige três linhas, provavelmente ali existem duas etapas.
  • Decisão (losango). Uma pergunta fechada, com duas saídas rotuladas. É o único símbolo que ramifica o caminho, e é o que dá utilidade ao desenho inteiro.
  • Documento. O papel ou registro que a etapa produz: nota fiscal, ordem de serviço, laudo, checklist assinado. Útil quando o projeto depende de rastreabilidade.
  • Conector (círculo pequeno). Costura trechos que não cabem na mesma página, ou o retorno de um laço longo, sem cruzar setas por cima do resto.
  • Seta. O sentido do trabalho. Seta que aponta para trás não é erro de desenho: é retrabalho, e vale escrever ao lado dela o que causou o retorno.

Existem notações bem mais completas, com dezenas de formas, e mais adiante a gente vê quando elas compensam. Para conduzir um projeto de melhoria, essas seis resolvem. A régua é simples: se a equipe precisa de legenda para ler o próprio mapa, o desenho já perdeu o propósito. O que vale mesmo é fechar essas seis formas como padrão da casa, sem trocar de vocabulário a cada área. Mapa que muda de símbolo entre um setor e outro vira dois documentos que ninguém compara.

Como fazer um fluxograma em 6 passos

Passo 1: combine a fronteira antes do primeiro traço. Onde o processo começa e onde ele termina, com quem executa na sala. É o mesmo acordo que o SIPOC produz em uma página, e pular esse combinado é a causa mais comum de mapa que ninguém usa depois.

Passo 2: liste as etapas na ordem em que acontecem. Verbo no início, uma ação por retângulo, sem entrar ainda em exceção. O que for instrução de execução detalhada mora fora do desenho, no procedimento operacional padrão da etapa.

Equipe reunida em volta de um notebook numa mesa de escritório, discutindo o próximo passoPasso 3: pergunte o que acontece quando dá errado. Este é o passo em que os losangos aparecem, e também aquele em que a equipe descobre que discorda. Cada pergunta precisa das duas saídas escritas: o que segue no sim e o que segue no não. Enquanto a segunda saída não estiver no papel, o que existe ali ainda é uma lista de tarefas em pé.

Passo 4: desenhe o caminho de volta. Reprovou na conferência, o trabalho vai para onde? Faltou peça, a ordem espera em qual etapa? Essas setas de retorno são o retrabalho da operação, e custam dinheiro mesmo quando ninguém as anota. Assim que o laço aparece no quadro, a conversa muda de tom, e a pergunta seguinte quase sempre é a dos cinco porquês.

Passo 5: marque onde o trabalho espera. Fila entre duas etapas não tem símbolo próprio na notação, e é exatamente ali que mora a maior parte do lead time. Escreva o tempo de cada trecho ao lado da seta e o gargalo costuma se denunciar sozinho, sem precisar de software nenhum.

Passo 6: valide caminhando o processo. Leve o rascunho impresso e acompanhe um caso do começo ao fim, no lugar onde ele acontece. O que não bater, corrija ali mesmo, à caneta. Só depois passe a limpo, seja numa ferramenta de diagramação ou no próprio Word, que dá conta da maior parte dos casos.

Trecho de fluxograma com um losango de conferência e a seta de retorno que devolve o trabalho para a etapa anterior
O laço de retrabalho: a saída não da conferência volta para a etapa que produziu o erro. É a parte do processo que não aparece em nenhuma lista de tarefas.

12 exemplos de fluxograma preenchidos, com PDF para baixar

Os 12 desenhos abaixo foram construídos em cima do SIPOC preenchido de cada segmento. As macroetapas, a fronteira e o indicador vêm de lá. Os losangos, os laços de retrabalho e o ponto de detecção são o que o fluxograma acrescenta. São exemplos preenchidos, montados para ensino, com dados ilustrativos. Cada miniatura abre o desenho em tamanho grande sem sair da página, e o PDF em A4 fica a um clique dali, pronto para imprimir e rabiscar. Quem quiser ver um projeto inteiro, e não um desenho isolado, tem o case de Lean Seis Sigma na área da saúde. Ele mostra o que veio depois do mapa: a medição, a causa priorizada e o ganho que sobrou no fim.

SegmentoProcesso desenhadoA pergunta que muda o caminho
SaúdeDa porta à alta, 6 etapasclassificação de risco é verde ou azul?
LogísticaDa onda ao embarque, 6 etapasitem e quantidade conferem?
FarmacêuticoDa quarentena à liberação, 7 etapasdossiê está completo e conforme?
Manutenção industrialDa falha ao encerramento da OS, 7 etapaspeça disponível no almoxarifado?
ServiçosDa apuração ao aceite da fatura, 6 etapaspré-fatura confere com o contrato?
Indústria alimentíciaDo setup à paletização, 5 etapaspeso dentro da tolerância?
FinanceiroDo campo ao aceite da medição, 6 etapascontratante aceita a medição?
HotelariaDo check-out à liberação, 6 etapasquarto passa na inspeção?
MarketingDo formulário à visita, 6 etapaslead é novo e válido?
SustentabilidadeDo pedido à caçamba, 6 etapasresíduo está segregado por classe?
Manutenção de elevadoresDa rota à ordem fechada, 6 etapaso técnico consegue acesso?
Produção de elevadoresDo corte à expedição, 6 etapasfolga está na especificação?

1. Saúde: pronto atendimento, da porta à alta

Fluxograma preenchido do atendimento de pacientes verde e azul no pronto atendimento, da recepção à alta administrativaTrês losangos governam esse fluxograma. O primeiro é um filtro de escopo. Verde e azul seguem pelo caminho que o projeto mede, e vermelho, laranja e amarelo saem para o fluxo de emergência antes de entrar na conta. Os outros dois abrem atalho e saída. Quem não precisa de exame pula da consulta direto para a alta. Quem recebe conduta de internação deixa de ser porta-alta e vira outro processo. Sobra o miolo, e é nele que o relógio mora: exame e reavaliação concentram a espera que segura o indicador em 4,9 h, longe das 2,5 h prometidas.

O desenho também explica a evasão de 6,2%. Quem desiste, desiste esperando resultado, entre dois retângulos que no papel pareciam instantâneos. Ninguém cronometra essa espera, justamente porque ali não há tarefa acontecendo para ser cronometrada.

Na sala, a briga é sempre pelo primeiro losango. Metade do grupo quer as cinco classificações de risco dentro do mesmo mapa, para o mapa ficar completo. Vermelho, laranja e amarelo ficam de fora porque têm outro tempo, outra equipe e outra promessa, e misturar tudo dilui justamente a espera que segura o indicador.

2. Logística: separação e conferência de pedidos no centro de distribuição

Fluxograma preenchido da separação de pedidos no centro de distribuição, da liberação da onda até o embarque no veículoAqui existe um losango só, e ele carrega o processo inteiro nas costas. A conferência no checkout pergunta se item e quantidade batem com o pedido.

Quando a resposta é não, a seta não segue para a embalagem. Ela volta para a separação e registra a divergência no sistema.

Esse laço é a razão de o fluxograma existir neste caso, porque é ele que transforma um erro invisível em número. A reseparação acontece de qualquer jeito. O que muda com a seta desenhada é que alguém precisa contá-la.

Com o laço desenhado, dá para amarrar o erro de separação ao teto de 1,0% que o projeto persegue. Amarra também ao OTIF de 96% e aos R$ 26 mil por mês de reentrega que ele quer devolver ao caixa. A discussão no quadro é sempre a mesma: se a divergência entra como etapa ou como observação de rodapé. O grupo bate o martelo na seta, porque rodapé ninguém soma no fim do mês.

3. Farmacêutico: liberação de lotes na garantia da qualidade

Fluxograma preenchido da liberação de lotes na garantia da qualidade, da quarentena ao status liberado no sistemaLiberar lote é um processo em que quase nada se move e tudo demora. Quando eu levo esse desenho para a sala, a primeira reação costuma ser a mesma: “aqui não tem gargalo, ninguém fica parado”. Não fica mesmo. O que fica parado é o lote, e ele não aparece na lista de tarefas de ninguém.

Os dois losangos são o esconderijo dessa fila. O primeiro pergunta se os resultados analíticos ficaram dentro da especificação: fora dela, abre desvio e investigação, e o lote nem chega à revisão documental. O segundo pergunta se o dossiê está completo e conforme. Pendência devolve o material à área responsável e traz o trabalho de volta à revisão, que é onde a espera se acumula sem que ninguém esteja parado.

Foi nesse ponto que a discussão mudou de assunto na última turma. Enquanto o retrabalho documental ficasse fora do papel, a conversa ia continuar sendo sobre a velocidade do laboratório. E o laboratório é justamente o trecho do fluxo que já anda dentro do prazo.

4. Manutenção industrial: atendimento de uma ordem corretiva

Fluxograma preenchido do atendimento de ordem de serviço corretiva, da detecção da falha ao encerramento da ordemQuem só lê a lista de tarefas de uma ordem corretiva enxerga técnico apertando parafuso. O fluxograma mostra outra coisa: a maior parte do relógio corre entre os retângulos, não dentro deles.

O losango do almoxarifado é o mais caro do fluxo. Se a peça não está lá, o trabalho fica em espera de compra. Essa espera entra inteira no indicador, porque o cronômetro não pergunta de quem é a culpa.

O segundo losango fecha o ciclo: se o equipamento não passa no teste com a produção, a seta volta ao diagnóstico.

Quem olha o MTTR de 6,8 h sem esses dois retornos na frente conclui que o problema é velocidade de mão de obra. Boa parte dele é fila e retrabalho no caminho até as 3,5 h prometidas. Foi o que a equipe enxergou no quadro quando parou de contar passos e passou a contar setas.

5. Serviços: faturamento B2B num centro de serviços compartilhados

Fluxograma preenchido do faturamento B2B de um centro de serviços compartilhados, da apuração ao registro no contas a receberNo faturamento existem dois pontos em que o trabalho pode voltar. Eles ficam em lados opostos da fatura: um antes de ela sair, outro depois de o cliente abrir o e-mail. Antes, a conferência pergunta se a pré-fatura confere com o contrato. Divergência devolve tudo para a validação de contrato, aditivo e tarifa no sistema, que é onde nascem os dois modos de falha atacados. Depois, a contestação do cliente empurra o caso para tratamento e reemissão, o retrabalho mais caro do fluxograma.

Colocar os dois laços no mesmo papel mostra por que o erro de 6,2% e o prazo médio de recebimento de 62 dias andam de mãos dadas. Cada volta pelo laço de fora empurra a data do dinheiro, e por isso 2,0% de erro e 52 dias de prazo estão no mesmo projeto.

Esse é o desenho que mais começa torto quando eu peço para a turma montar. A primeira versão traz só o retorno de dentro, porque a contestação chega por e-mail, e e-mail, na cabeça de todo mundo, não é etapa de processo. Basta alguém da cobrança dizer em voz alta que aquele e-mail decide o mês para o segundo losango entrar como decisão.

6. Indústria alimentícia: envase de biscoitos na linha 02

Fluxograma preenchido do envase de biscoitos numa linha de produção, do setup à paletização, com a decisão de peso na balança de verificaçãoFoi o fluxograma que mais rendeu discussão na sala, e não pelo tamanho: ele cabe em cinco caixas. O losango fica na balança de verificação, que pesa 100% dos pacotes e pergunta se o peso está dentro da tolerância. O pacote fora da faixa é rejeitado, mas o desenho faz mais do que isso. A seta de retorno não aponta para a selagem, aponta para a dosagem, porque é nos bicos que o ajuste resolve. Esse detalhe decide quem é chamado quando o alarme toca.

Levei um tempo para entender por que essa seta incomoda tanto quem opera: ela transforma o rejeito, que parece perda de pacote, em ajuste de máquina. O sobrepeso é energia que a linha gasta e não entrega a ninguém. São 3,4% que viram 14,3 toneladas saindo de graça pelo portão todo mês. No dinheiro, são R$ 117 mil que caem para menos da metade se o excesso chegar a 1,4%.

7. Financeiro: medição de obra, do campo ao aceite do contratante

Fluxograma preenchido do processo de medição de obra, da apuração em campo ao aceite do contratante e emissão da faturaMedição de obra atravessa duas empresas, e o mapa mostra a fronteira exata em que o processo sai de casa. Foi essa linha que dividiu a sala em dois. Metade da turma queria desenhar só até a entrega do boletim, porque dali para a frente “não é com a gente”.

O problema é que o indicador não para na fronteira. Dentro, a conferência contra a memória de cálculo devolve o boletim para ser refeito quando item, quantidade ou preço unitário não batem.

Fora, o fiscal do contratante pode glosar, e aí a seta volta para o pacote documental, com ART, diário de obra e relatório fotográfico. Nos 34 contratos acompanhados, é esse segundo laço que decide quando o dinheiro entra.

Eu já cortei um fluxograma nessa altura e me arrependi. Sem o laço de fora no papel, a glosa vira surpresa mensal em vez de causa. E a contagem do prazo, que só começa depois do aceite, continua sendo tratada como assunto do financeiro. Os 52 dias perseguidos dependem dele.

8. Hotelaria: liberação de quartos depois do check-out

Fluxograma preenchido da liberação de quartos pela governança, do registro do check-out à inspeção final no sistemaA camareira leva cerca de 28 minutos para limpar um quarto, e a governança promete liberar em até 45. A diferença entre os dois números não está dentro da limpeza. Ela está nos dois losangos. O primeiro pergunta se o carrinho tem enxoval e amenities: falta de item vira espera pela rouparia no meio do serviço. O segundo pergunta se o quarto passa na inspeção da supervisão. Reprovado, a seta volta para a limpeza, e o cronômetro do hóspede seguinte continua correndo.

Com até 95 saídas por dia, cada passagem pelo segundo laço empurra a fila inteira do andar. É assim que a promessa de 95% dos quartos prontos até as 15h se perde sem que ninguém tenha trabalhado devagar. O relógio da governança mede o quarto, não a camareira. O fluxograma é onde essa diferença para de ser discussão e vira desenho.

Na turma, quem vem da governança resiste a esse segundo losango, e o argumento é justo: virar decisão no desenho parece transformar a equipe em suspeita. O que muda a conversa é contar quantas vezes o quarto volta por causa de um item de enxoval que nunca esteve no carrinho. A reprovação deixa de ser sobre quem limpa e passa a ser sobre o que chega no andar.

9. Marketing: leads de lançamento, do formulário à visita agendada

Fluxograma preenchido da gestão de leads de lançamento imobiliário, da captação na mídia paga ao agendamento da visitaEsse funil era desenhado como uma escada descendo. Virou outra figura, com uma porta de saída logo no começo e um laço preso no fim.

A porta é a deduplicação: lead repetido ou inválido sai do funil ali, antes de consumir corretor. O laço é a cadência de follow-up, que devolve o contato para a própria etapa até esgotar as tentativas. Entre uma coisa e outra corre o relógio dos 15 minutos da primeira resposta, que só existe porque o registro marca a hora de entrada.

É esse fluxograma que separa dois problemas tratados como um. Converter 14% dos leads em visita e pagar até R$ 80 por lead são coisas diferentes, e cada uma mora num trecho distinto do fluxo. Enquanto os dois viviam na mesma caixa, todo plano de ação atacava os dois ao mesmo tempo e não movia nenhum. Separá-los custa uma discussão longa com quem vende, que enxerga a deduplicação como perda de lead em vez de porta de saída.

10. Sustentabilidade: resíduo de obra, do pedido de material à caçamba

Fluxograma preenchido do suprimento e da destinação de material numa frente de obra, do levantamento à emissão do controle de transporte de resíduosO resíduo aparece no fim da obra, mas nasce no começo do fluxograma.

O primeiro losango pergunta se o material recebido bate com o levantamento da frente de serviço. Sobra manda reprogramar o pedido, e o que não volta para o estoque vira entulho algumas semanas depois.

O segundo pergunta se a baia está segregada nas classes da CONAMA 307: baia misturada volta para a retriagem e derruba o índice.

Ver os dois no mesmo papel muda a conversa. O limite de 0,13 m³ por metro quadrado e os 85 mil reais que a caçamba consome por trimestre não se resolvem na baia. Eles se resolvem no pedido de compra, três retângulos antes. Essa é a frase que costuma calar a sala. A caçamba é a única parte do problema que dá para ver da rua, e por isso é a única que costuma receber plano de ação.

11. Manutenção de elevadores: a preventiva na rota da filial

Fluxograma preenchido da manutenção preventiva de elevadores, da geração da rota mensal ao fechamento da ordem de serviçoO ponto que trava esse fluxo não está dentro da empresa. O técnico chega, sobe, e aí precisa que alguém do prédio abra a casa de máquinas. Perguntei numa turma quem já tinha perdido uma manhã esperando o zelador aparecer, e subiu mão na fileira da frente inteira.

Sem acesso, a visita é remarcada e volta para a rota do mês seguinte, consumindo deslocamento sem gerar preventiva. O segundo losango é o que define o indicador do projeto. Se o elevador não passa no teste ao fim da visita, o trabalho retorna ao ajuste antes de a ordem ser fechada.

Um losango é da manutenção, o outro é do prédio, e o desenho é o que cobra cada um pelo que lhe cabe. Fechar com pendência é o que reaparece como chamado nos 30 dias seguintes e conta na rechamada que o projeto quer manter abaixo de 4,5%.

12. Produção de elevadores: portas de pavimento nas três linhas

Fluxograma preenchido da fabricação e montagem de portas de pavimento, do corte da chapa à embalagem do kit por obraDois losangos, dois retrabalhos, e eles custam coisas bem diferentes.

O primeiro fica na entrada da montagem: dano de pintura devolve a peça para a repintura, perto de onde o problema aconteceu. O segundo fica na inspeção final, antes da expedição, e manda a porta de volta para a montagem quando a folga contra o batente sai de ±1,5 mm.

A inspeção final pega 61% dos retrabalhos, e o desenho mostra por que isso é má notícia. Quanto mais tarde o defeito aparece, mais etapas ele desmancha. O kit por obra corre o risco de embarcar incompleto contra os 98% sem pendência que a fábrica promete.

Eu já vi essa conta ser feita ao contrário, com a inspeção final tratada como heroína do processo por pegar tanta coisa. O fluxograma inverte a leitura: quanto mais ela pega, mais cara a peça já ficou até chegar lá.

Fluxograma, SIPOC e BPMN: qual usar em cada momento

As três ferramentas desenham processo, e escolher a errada custa semanas. O SIPOC cabe em uma página e responde quem entrega o quê para quem, em cinco a sete passos macro. Ele serve para combinar a fronteira, não para discutir o miolo, e é de propósito que ele não tem decisão nenhuma.

O fluxograma vive um nível abaixo. Ele detalha o caminho interno, com as decisões e as exceções que o mapa de fronteira esconde. Na prática a ordem é essa: primeiro se combina onde começa e termina, depois se desenha o que acontece no meio. Já o BPMN é notação formal, com dezenas de elementos, feita para automação e para gestão por processos em escala. Ele cobra o aprendizado da notação antes de entregar valor.

Depois do desenho vem a medição, e cada ferramenta pega um pedaço. O fluxograma diz onde coletar. A folha de verificação coleta. O diagrama de Pareto separa o que pesa do que só incomoda, e o diagrama de Ishikawa entra quando a pergunta vira por quê. É essa sequência encadeada que sustenta um projeto Lean Seis Sigma inteiro. Para comparar convenções de símbolo em inglês, a ASQ mantém uma página aberta sobre flowchart.

Baixe o modelo em branco e desenhe o seu processo

Miniatura do modelo de fluxograma de processo da VoittoO modelo é um PDF em branco, no formato A4. Traz a legenda dos símbolos, o cabeçalho de identificação do processo e da equipe, e a área quadriculada para desenhar à mão antes de passar a limpo. Ele é a ferramenta M04 do Kit de Ferramentas Lean Seis Sigma, que reúne as 20 ferramentas do DMAIC na ordem de uso.

Ver o modelo em tamanho grande

Desenhar o fluxo é o começo barato. Levar o processo até uma mudança que fica de pé exige método, e é isso que a Academia Lean Seis Sigma treina: você conduz um projeto do começo ao fim, com avaliação de especialista. E se o passo seguinte for tirar etapa da mão das pessoas e colocar em sistema, o caminho passa por automatização de processos, depois que o desenho estiver estável, nunca antes.

Perguntas frequentes

O que é um fluxograma?
É a representação gráfica das etapas de um processo, na ordem em que acontecem, com os pontos de decisão que mudam o caminho do trabalho. Cada símbolo carrega um sentido: oval para começo e fim, retângulo para etapa, losango para pergunta e seta para o sentido do fluxo. O que distingue esse desenho de uma lista de tarefas é justamente o losango, que obriga o mapa a mostrar o que acontece quando algo dá errado.
Quais são os símbolos de um fluxograma?
Para um projeto de melhoria, seis símbolos bastam: terminal (oval), etapa (retângulo), decisão (losango), documento, conector e seta. Notações formais como o BPMN trazem dezenas de elementos, úteis quando o mapa vai virar sistema. A régua prática é a legenda: se a equipe precisa consultar uma para ler o próprio desenho, sobrou notação e faltou clareza.
Quais são os tipos de fluxograma?
Na prática de melhoria, três tipos de fluxograma resolvem quase tudo. O de blocos, em coluna, é o da instrução de trabalho. O horizontal, lido da esquerda para a direita, é o do projeto, porque cabe decisão e cabe retorno. O funcional, desenhado em raias por área, é o que expõe a passagem de bastão entre setores. Notações formais como o BPMN entram depois, quando o desenho vai virar sistema.
Qual a diferença entre fluxograma e SIPOC?
Os dois mapeiam o mesmo processo em profundidades diferentes. O SIPOC responde quem entrega o quê para quem, em poucos passos macro, e serve para fechar o acordo sobre onde o escopo começa e termina. O fluxograma desce um nível e mostra o miolo: as perguntas, os desvios e as voltas para trás. Um projeto costuma usar os dois em sequência, e nunca um no lugar do outro.
Como fazer um fluxograma passo a passo?
Combine a fronteira, liste as etapas com verbo no início, pergunte o que acontece quando dá errado. Depois desenhe as setas de retorno, marque onde o trabalho espera e valide caminhando o processo com um caso na mão. Passar a limpo é o último passo, e não o primeiro: rascunho à caneta continua sendo a forma mais rápida de descobrir que a equipe discorda.
Onde encontro exemplos de fluxograma preenchidos?
Neste guia estão 12 deles, um por segmento, de pronto atendimento a canteiro de obra. Cada miniatura abre o desenho em tamanho grande e tem o PDF de uma página para baixar. São exemplos preenchidos, montados para ensino, com dados ilustrativos, e servem para você comparar com o seu processo antes de desenhar o próprio.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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