Metodologias & Qualidade

Mapa do fluxo de valor: como desenhar, medir e usar o VSM

A ordem das etapas quase todo mundo sabe de cabeca. O que ninguem sabe e' quanto tempo o item passa parado entre elas, e e' exatamente isso que o desenho coloca na mesa.

Thiago Coutinho
Publicado em 20 de out de 2017  ·  Atualizado em 6 de out de 2026  ·  24 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta, sorrindo para a câmera e segurando o livro Lean Seis Sigma Black Belt com as duas mãos diante do peito, com o logo da Voitto iluminado na parede ao fundo, com o texto Mapa do fluxo de valor: como desenhar, medir e usar o VSM sobre fundo escuro à esquerda

Ja perdi a conta das reunioes de abertura em que a equipe desenhou o processo no quadro branco em quinze minutos. Todo mundo concordou com o desenho. As caixas estavam na ordem certa, as setas ligavam uma na outra e nao havia um unico relogio ali. Um mapa do fluxo de valor comeca exatamente onde esse quadro branco termina. O gatilho e o instante em que alguem pergunta quanto tempo a peca, o documento ou o paciente passa parado entre duas caixas.

A pergunta parece pequena e derruba o consenso da sala. Desenhar o fluxo no quadro branco leva minutos. Cronometra-lo de ponta a ponta leva dias. A ordem das etapas costuma estar certa. O tempo entre elas e que responde por quase todo o tempo total, e raramente alguem no time desconfia disso. Cada indicador da area media a produtividade de uma caixa isolada.

O nome em ingles e value stream map, e a sigla VSM circula nos dois idiomas. Se voce quer a definicao formal, a historia da ferramenta e as visoes que ela admite, va ao texto sobre o que e VSM. Ele cobre esse terreno com folga. Aqui o assunto e outro, bem mais chato e bem mais util. E o que fazer com uma folha em branco, um cronometro e um fluxo que ninguem mediu inteiro. A materia-prima do mapa do fluxo de valor e a cadeia de valor completa, do pedido do cliente a entrega.

Vale marcar a diferenca logo, porque ela decide se o trabalho rende. Um fluxograma responde onde o item passa. O mapa do fluxo de valor responde quanto tempo ele fica parado no caminho. Essa segunda resposta e a que costuma pagar o projeto. Em quase todo levantamento que acompanhei, a soma das esperas superou a soma das operacoes. A margem foi sempre maior do que alguem teria coragem de estimar antes de medir.

Este texto e um manual de execucao. Voce vai ver o que preparar antes de riscar a primeira caixa do fluxo de valor e como cronometrar as duas pontas. Depois, como separar o que agrega valor do que so consome tempo. E como escolher onde atacar e desenhar o estado futuro sem cair no otimismo. No meio do caminho tem cinco mapas preenchidos, um por segmento, em PDF, para imprimir e adaptar.

O que o mapa do fluxo de valor mostra que um fluxograma nao mostra

Um fluxograma responde a pergunta da sequencia. Ele diz o que acontece primeiro e o que acontece depois. E util e nao basta. O desenho do fluxo de valor responde outra coisa. Quanto tempo cada etapa consome, quanto tempo o item fica parado entre elas e qual parte disso o cliente pagaria de bom grado.

A diferenca aparece na primeira medicao. Um processo com sete etapas de dez minutos cada da setenta minutos de trabalho. Se o item leva onze dias para atravessar esse mesmo fluxo de valor, os setenta minutos nao explicam nada. O que explica sao as filas, os lotes, os aceites e as aprovacoes. Eles moram entre as caixas do fluxo de valor, e nenhum fluxograma os registra.

Por isso o mapeamento do fluxo de valor e ferramenta de medicao, e nao de documentacao. Ele existe para produzir dois numeros defensaveis. Um e o tempo total de travessia. O outro e a fracao dele que transforma o produto ou o servico. Com esses dois numeros na mao, a conversa sobre melhoria deixa de ser opiniao. Sem eles, qualquer proposta de mudanca vira aposta.

O que a operacao ja medeO que fica de foraO que o desenho devolve
Produtividade por etapaO intervalo em que o item existe e nao esta sendo trabalhadoO tempo de travessia inteiro, com espera e operacao separadas
Volume produzido no mesO tamanho do lote que obriga o item a esperar os irmaos ficarem prontosOnde o lote se forma e quanto tempo ele custa
Prazo prometido ao clienteOnde o prazo se gasta de fato ao longo do caminhoA parcela do prazo consumida por cada trecho
Mapa de percurso fisico, como o diagrama de espagueteO tempo que o material espera em cada ponto do arranjoA espera convertida em dias ou horas, ao lado da operacao

Vale dizer o que o mapa do fluxo de valor nao e. Ele nao substitui o mapa de processos. Esse desce ao detalhe das entradas e saidas de cada atividade, e serve para achar causa. O mapa do fluxo de valor fica um nivel acima, na travessia inteira, e responde onde o tempo mora. Os dois se usam juntos, em ordem. Primeiro a travessia, depois o detalhe do trecho que a travessia acusou.

O que o livro diz sobre o mapeamento do fluxo de valor, e por que ele fica no capitulo de medicao

O capitulo 26 do Guia Pratico Lean Seis Sigma se chama Ferramentas de Medicao. O mapeamento do fluxo de valor aparece ali, na secao 26.4, entre as paginas 301 e 303. A vizinha imediata e a Matriz Causa e Efeito. Esse endereco nao e detalhe editorial. Ele diz para que serve o mapa do fluxo de valor dentro de um projeto.

A definicao do livro e curta e vale citar como esta. Na pagina 301 esta escrito: “O Mapeamento do Fluxo de Valor (VSM, do ingles Value Stream Map) e um metodo que descreve visualmente as principais etapas de um processo de execucao de produtos ou servicos. Assim, torna-se possivel identificar desperdicios no fluxo de valor e definir acoes de melhoria para construir um novo processo com produtividade, qualidade, rapidez e menor custo.”

O exemplo pratico da secao e uma fabrica de moveis que quer mapear a producao de mesas de madeira. O gerente lista o produto final, as etapas do processo produtivo, os tempos de processamento e de espera. Na mesma folha entram os gargalos, as areas de desperdicio e as oportunidades de melhoria. O par de numeros que o livro usa para ilustrar a terceira etapa e o coracao da ferramenta. O corte da madeira pode levar trinta minutos. Mas pode haver uma espera de quinze minutos para a madeira secar antes da etapa seguinte.

Repare no que esse par faz. Trinta minutos de corte e um dado de capacidade e cabe em qualquer relatorio de OEE. Quinze minutos de secagem nao cabe em nenhum. Nao e falha de equipamento nem parada nao programada. E tempo que existe, que o cliente paga e que so aparece quando alguem desenha a travessia inteira. Metade do valor da ferramenta esta em dar lugar formal a esse segundo numero.

O mapeamento do fluxo de valor reaparece em outros dois pontos do livro que ajudam a situar o uso. No capitulo de Lean Manufacturing, a pagina 63 traz o mapeamento do fluxo de valor como contramedida do desperdicio de processamento. A Figura 8.3 da pagina 64 mostra um mapa com o tempo de processamento somado em 585 segundos. A Parte V e dedicada a etapa de Medicao de um projeto Lean Seis Sigma. Ali, a pagina 213 recomenda documentar o fluxo de trabalho atual com mapeamento de processos, fluxogramas ou VSM.

Os tres fluxos que o desenho carrega ao mesmo tempo

Todo mapa desse tipo carrega tres desenhos sobrepostos na mesma folha. O livro nomeia os tres na pagina 303, quando diz que existem tres partes principais no VSM. O fluxo de materiais vai do recebimento dos fornecedores a entrega ao cliente. A transformacao e a conversao da materia-prima em produto acabado. O fluxo de informacao e o que suporta e orienta os dois primeiros.

Quem desenha so o primeiro produz meio mapa. O caso classico e o processo administrativo em que o material anda em minutos e a informacao anda em dias. A autorizacao depende de uma reuniao semanal. Se a folha nao tem a seta da informacao, o levantamento do fluxo de valor aponta para a etapa errada. E o time gasta dinheiro acelerando algo que nunca foi o problema.

Mapa de fluxo de valor esquematico visto de cima, dividido em tres faixas horizontais. Na faixa superior, as setas do fluxo de informacao ligam cliente, controle da producao e fornecedor, com uma seta marcada como programacao semanal. Na faixa do meio, cinco caixas de processo em sequencia, cada uma com a caixa de dados abaixo trazendo tempo de operacao e numero de operadores, e triangulos de estoque entre elas. Na faixa inferior, a linha do tempo em degraus: os degraus altos e claros representam a espera entre caixas e as barras escuras rasas no chao representam a operacao dentro de cada caixa. Tres chamadas numeradas indicam o fluxo de informacao, o fluxo de materiais e a linha do tempo. Rodape com o rotulo de esquema ilustrativo.
As tres faixas do mapa: informacao no alto, materiais no meio e a linha do tempo embaixo, onde a espera e a operacao aparecem separadas.

A folha tem um vocabulario proprio. O Quadro 26.1 do livro cataloga os icones. Vale conhecer os que aparecem em praticamente todo levantamento. Eles poupam legenda e evitam ambiguidade na hora de discutir o mapa do fluxo de valor com quem executa o processo.

  • Caixa de processo, com o nome da etapa em cima e a quantidade de recursos embaixo.
  • Caixa de dados, onde entram as metricas medidas naquela etapa.
  • Triangulo de estoque nao planejado, com a contagem de itens ou o tempo para processa-los.
  • Seta listrada para producao empurrada e seta vazada para producao puxada, com o icone circular de retirada quando o processo seguinte busca no estoque. Isso separa o que anda por programacao do que anda por solicitacao do cliente.
  • Faixa FIFO, para o que precisa sair na ordem em que entrou.
  • Seta fina para fluxo de informacao manual e seta em ziguezague para fluxo eletronico.
  • Icone de Kaizen, que marca no proprio mapa a melhoria necessaria naquele ponto.

O icone de producao puxada merece um comentario a parte. Ele e o que mais muda de significado entre o presente e o futuro. Num mapa de estado presente, ele apenas registra o que ja funciona por solicitacao. No estado futuro, ele vira decisao de projeto. Quase sempre esta apoiada num sistema kanban com quantidade definida e ponto de reposicao visivel.

Como medir o lead time nas duas pontas do fluxo

Medir a travessia do fluxo de valor exige escolher duas pontas antes de qualquer cronometro. Sem esse acordo por escrito, cada pessoa da sala mede um pedaco diferente do fluxo de valor. E a soma nao fecha. A escolha tem uma regra simples. A ponta inicial e o evento que dispara o pedido. A ponta final e o momento em que o cliente daquele fluxo de valor recebe o resultado.

Repare que o cliente pode ser interno. Num faturamento, a ponta final e a fatura na mao do cliente pagante. Numa manutencao corretiva, e o equipamento liberado para operar. Numa emergencia hospitalar, e a alta do paciente. Definida a ponta, o lead time passa a ser uma subtracao de dois carimbos de tempo. Nao e uma estimativa de quem conhece o processo.

A fonte do carimbo importa mais do que a precisao do relogio. Sistema transacional, ordem de servico, prontuario e planilha de apontamento costumam guardar as duas pontas sem que ninguem tenha pedido. Quando existe registro, a medicao vira consulta e cobre centenas de casos. Quando nao existe, sobra cronometro. E o cronometro cobre poucos casos, o que obriga a discutir amostra.

  1. Escreva a ponta inicial e a ponta final em uma frase. Leia essa frase em voz alta para quem executa o processo.
  2. Procure o carimbo das duas pontas em sistema antes de comprar cronometro.
  3. Colete o suficiente para ter mediana e faixa, nao apenas media. Fluxo com fila tem cauda longa.
  4. Registre o periodo da coleta no proprio mapa, com data de inicio e de fim.
  5. Anote o que ficou fora do recorte, para o proximo leitor nao achar que aquilo foi esquecido.

Duas armadilhas derrubam essa medicao com frequencia. A primeira e medir so os casos que terminaram. Isso apaga justamente os itens travados e melhora o numero artificialmente. A segunda e usar media em fluxo com fila, porque a media esconde a cauda. Se voce vai comparar depois com o takt time para dimensionar o ritmo, prefira a mediana. E declare a faixa ao lado.

O que agrega valor e o que so consome tempo: a conta do %VA

Quanto do tempo que o seu cliente paga transforma alguma coisa de verdade? A conta do percentual de valor agregado e a mais simples e a mais discutida do metodo, e ela divide o tempo que transforma o item pelo tempo total de travessia do fluxo de valor. O resultado quase sempre choca a sala. E o choque e o ponto. E ele que autoriza mexer no arranjo em vez de pedir mais gente.

A regra de classificacao vem da voz do cliente. O livro diz isso na decima instrucao do estado presente. Agrega valor a atividade pela qual o cliente pagaria se soubesse que ela existe. E a atividade que muda a forma, a condicao ou a informacao do item. Conferir, transportar, esperar aprovacao e refazer nao entram nessa conta, mesmo quando sao indispensaveis hoje.

CategoriaComo reconhecerO que fazer no estado futuro
Agrega valorTransforma o item de um jeito que o cliente reconheceria na faturaProteger e estabilizar, porque cortar aqui piora o resultado
Nao agrega valor e e necessario hojeConferencia, registro legal, transporte entre prediosReduzir o esforco sem apagar a funcao, e questionar a causa da conferencia
Nao agrega valor e nao e necessarioEspera em fila, retrabalho, aprovacao redundante, estoque paradoEliminar, e este e o alvo natural do primeiro ciclo

A terceira linha da tabela e o territorio classico dos 8 desperdicios do Lean. A espera e o desperdicio que o mapa do fluxo de valor enxerga melhor do que qualquer outra ferramenta. Ela nao aparece em indicador de etapa. E aparece inteira na linha do tempo. Estoque e movimentacao vem logo atras, pelo mesmo motivo.

Os oito desperdícios do Lean em cartões numerados, cada um com sua característica principal
A espera é o sétimo dos oito cartões, e é ela que aparece inteira na linha do tempo do mapa, mesmo sem aparecer em nenhum indicador de etapa. Adaptado da formação Green Belt Lean Seis Sigma da Voitto.

Um cuidado de aritmetica evita vergonha na apresentacao. Se o mapa do fluxo de valor declara o percentual de valor agregado, o complemento se calcula a partir do declarado. Nunca de outra fonte. Somar um percentual copiado do relatorio com outro calculado sobre o tempo bruto costuma dar cento e alguma coisa por cento. E a plateia percebe. Depois da conta fechada, trabalho padronizado e o que impede o ganho de escorrer.

Linha do tempo em degraus, lida da esquerda para a direita, comparando o tempo que agrega valor e o tempo de espera ao longo de cinco etapas. Os degraus inferiores, curtos e escuros, representam a operacao de cada etapa. Os degraus superiores, largos e claros, representam a espera entre etapas, e cada um traz acima a sua duracao em minutos. As cinco etapas estao marcadas na base como E1 a E5. Abaixo dos degraus, duas pistas horizontais da largura da travessia inteira mostram a proporcao entre os dois totais, cada uma com o seu total em minutos e o seu percentual no rotulo, e a fatia que agrega valor ocupa uma parte visivelmente menor da pista. Rodape com o rotulo de esquema ilustrativo.
A escada de tempo separa operacao de espera. A fatia escura e o que o cliente pagaria; o resto e o que o desenho existe para expor.

Os dez passos do mapa do estado presente

Os dez passos abaixo saem da secao 26.4.1 do livro, e a sequencia importa. O texto avisa que e interessante seguir a ordem proposta. Ela auxilia a melhor forma de concepcao do mapa. Na pratica, quem inverte os passos cinco e sete costuma desenhar o fluxo de informacao que imagina. Nao o que existe.

  1. Defina o fluxo de valor e a familia de produtos que sera mapeada.
  2. Estabeleca uma equipe e inicie o desenho do mapa do estado atual.
  3. Mensure as principais metricas existentes nesse mapa.
  4. Identifique quem e o cliente e quais sao as suas necessidades.
  5. Mapeie o fluxo de materiais da direita para a esquerda, do fim para o inicio.
  6. Identifique os fornecedores e a forma de entrega de materias-primas.
  7. Faca o fluxo de informacoes na parte superior do mapa.
  8. Identifique o movimento do produto em transformacao e registre as metricas mensuradas.
  9. Desenhe a linha do tempo e registre o lead time.
  10. Identifique as oportunidades de melhoria com o icone do Kaizen. Defina os tempos de agregacao e de nao agregacao de valor segundo a voz do cliente.

O passo cinco e o mais contraintuitivo e o mais valioso. Mapear de tras para frente obriga a perguntar o que a etapa final precisa receber para funcionar. Nao o que a etapa inicial costuma entregar. Quem desenha na ordem natural tende a reproduzir o procedimento oficial. Quem desenha do fim para o inicio descobre as combinacoes informais que sustentam o prazo.

Nada disso se faz na sala de reuniao. A primeira versao do mapa do fluxo de valor nasce no local onde o trabalho acontece. E o gemba walk e o formato que funciona. Caminhe o fluxo de valor no sentido inverso, com a folha na mao, conversando com quem executa cada etapa. Duas horas de caminhada rendem mais que duas semanas de reuniao sobre o mesmo processo.

Um detalhe de conduta muda a qualidade do dado coletado. Quem responde a pergunta sobre o tempo de espera precisa entender que o numero nao vai virar cobranca individual. A pergunta certa e como o item chega e o que costuma faltar quando ele chega. Nao por que aquela pessoa demorou. Levantamento feito com medo devolve tempo de espera zero em toda etapa. E isso e sempre falso.

Como escolher onde atacar: a barra mais alta nem sempre e o gargalo

A barra mais alta do grafico atrai a decisao, e nem sempre merece. O criterio de escolha nao e o tamanho isolado do degrau. E o tamanho combinado com a chance real de mexer nele no horizonte do projeto. Degrau enorme e intocavel no trimestre vale menos que dois degraus medios e resolviveis.

O caso mais comum e o de um gargalo de producao. Na verdade ele e uma regra contratual ou uma janela de terceiro. O degrau existe, e gigante e nao se resolve com melhoria interna. Registrar isso no mapa do fluxo de valor e correto e honesto. Tratar como acao de melhoria e o comeco de um projeto que vai fechar sem resultado.

Ha tambem o degrau que some quando se olha de perto. Uma espera de tres dias que na verdade sao dois lotes de meio dia mais uma fila que so existe na segunda-feira nao e um problema. Sao tres. Ai vale desdobrar antes de agir. O diagrama de Pareto sobre as causas daquela espera especifica costuma resolver a duvida em uma tarde.

  • Some cada degrau em unidade unica, para nao comparar hora com dia.
  • Calcule a fracao de cada degrau sobre a travessia total do fluxo de valor. Percentual sustenta prioridade melhor que valor absoluto.
  • Marque ao lado de cada degrau quem tem autoridade para mexer nele.
  • Separe o que e regra externa do que e decisao interna, e pare de discutir o primeiro grupo.
  • Escolha um degrau interno grande e um pequeno para o primeiro ciclo. O pequeno entrega prova rapida.

Uma advertencia sobre expectativa de ganho. Reduzir o maior degrau nao reduz a travessia na mesma proporcao. O degrau seguinte assume o posto de restricao. E raro o fluxo de valor em que uma unica acao derruba o total em metade. Quando a conta do estado futuro promete isso, quase sempre alguem esqueceu de somar o que sobra depois da acao.

As sete diretrizes do estado futuro

Depois do estado presente vem a versao do mapa que expressa o fluxo de valor melhorado. O livro lista sete diretrizes para ela na secao 26.4.2. A Figura 26.14 mostra um exemplo desse desenho. O Lean Institute Brasil descreve o mesmo movimento no verbete de mapeamento do fluxo de valor. As sete valem como cardapio, e nao como obrigacao. Cada uma se aplica onde faz sentido no fluxo de valor que voce mediu.

  1. Desenvolver um fluxo continuo onde for possivel.
  2. Usar o sistema puxado baseado em supermercados nos trechos em que o fluxo continuo nao for possivel.
  3. Produzir de acordo com o takt time.
  4. Enviar a demanda do cliente para o processo que controla o ritmo da producao.
  5. Nivelar o mix de producao.
  6. Nivelar o volume de producao.
  7. Reduzir os tempos de setup.

A primeira diretriz e a que mais rende e a que mais assusta. Fluxo continuo significa reduzir o lote ao ponto em que o item nao espera os irmaos ficarem prontos. Isso se aproxima do just in time sem precisar do nome. Em processo administrativo, o equivalente e parar de acumular pedidos para processar em bloco no fim do dia.

Fluxos comparados: empurrada vai da previsão ao estoque e ao cliente; puxada parte da demanda do cliente, pedido, produção JIT e entrega
Onde o fluxo contínuo não cabe, a segunda diretriz troca a produção disparada pela previsão pela produção disparada pelo consumo.

As duas diretrizes de nivelamento andam juntas e sao as menos aplicadas. Nivelar mix e volume, o que o heijunka organiza, retira do fluxo a variacao que a propria empresa cria. Vale medir isso antes de culpar a demanda do cliente. Um pico de segunda-feira, por exemplo, pode ser decisao interna de fechamento, e nao comportamento de mercado.

Dois mapas de fluxo de valor lado a lado, para comparacao. No painel da esquerda, marcado como estado presente, cinco caixas de processo separadas por quatro triangulos de estoque, com a linha do tempo em degraus altos e o total de travessia destacado a direita. No painel da direita, marcado como estado futuro, tres caixas agrupadas em uma celula de fluxo continuo, um icone de supermercado na entrada no lugar dos quatro triangulos, uma seta de retirada na saida e a linha do tempo com degraus visivelmente mais baixos e total menor. Uma legenda numerada de tres linhas nomeia a celula, o supermercado e a retirada. Entre os dois paineis, tres icones de Kaizen numerados indicam quais mudancas produziram a diferenca. Rodape com o rotulo de esquema ilustrativo.
Estado presente e estado futuro no mesmo par de olhos. Os icones numerados no meio ligam cada reducao de degrau a mudanca que a produziu.

O estado futuro so vale se vier com data e dono. Um desenho sem plano de acao e uma aspiracao pendurada na parede. O time aprende rapido a ignorar a parede. O formato que funciona liga cada icone de Kaizen do mapa do fluxo de valor a uma acao com responsavel, prazo e o degrau que ela promete reduzir. A capacidade produtiva esperada no fim do ciclo se calcula a partir desse plano. Nao do desejo.

Cinco mapas preenchidos, segmento a segmento

Os cinco mapas abaixo cobrem farmaceutico, manutencao, hotelaria, saude e financeiro. Cada mapa do fluxo de valor traz a cadeia de etapas do segmento, a escada de tempo com espera e operacao separadas. Depois vem a fracao que agrega valor e o degrau escolhido para o primeiro ciclo. Fecha com a projecao de estado futuro. Todos estao em PDF de uma pagina, prontos para imprimir e adaptar.

Antes de baixar, leia esta linha, porque ela vale para os cinco. Nenhum desses mapas e levantamento de empresa. A cadeia de etapas e o tempo medido saem de projetos que se declaram ilustrativos. E toda aritmetica da ficha, incluindo cada percentual e o residuo da escada, e calculada pelo gerador da peca. Nada ali e digitado. A gente prefere entregar assim, com a regua a mostra, a entregar numero de empresa que ninguem pode conferir.

1. Farmaceutico: do fim da producao a liberacao do lote

Ficha A4 em pe do mapa de fluxo de valor da liberacao de lote farmaceutico, em cinco blocos. No alto, a cadeia de cinco etapas: fim da producao, amostragem, analises, dossie e liberacao. No segundo bloco, a escada de tempo com o lead time de 12,5 dias e tres barras horizontais abaixo da linha, a maior delas com 5,1 dias na fila de analise no controle de qualidade; a faixa acima da linha esta vazia e traz o aviso de que o tempo que agrega valor nao foi cronometrado no A3. No terceiro bloco, os totais do mapa: 12,5 dias de lead time, o tempo que agrega valor como nao cronometrado, o %VA declarado como nao fechado e 8,5 dias declarados como espera, seguidos de uma nota de borda vermelha explicando por que o %VA nao fecha. No quarto bloco, a tabela etapa por etapa com o tempo, o percentual e a origem de cada numero. No quinto, o bloco do gargalo aponta a fila de analise, com 5,1 dias, e a projecao de estado futuro em 6,0 dias. Rodape com o rotulo ilustrativo e a origem da aritmetica.Comecei por este porque o documento de origem ja fala em VSM do estado atual. O recorte vai do fim da producao a liberacao do lote, sobre 512 lotes. O lead time medido e de 12,5 dias, com 58% de cumprimento de prazo. A cadeia tem cinco etapas, e o trabalho dentro delas nao foi cronometrado.

O degrau que domina a travessia e a fila de analise no controle de qualidade, com 5,1 dias, ou 41,0% do total. Somada a revisao documental, que responde por 27,0%, a espera pura chega a 8,5 dias. Sao 68% do tempo em que o lote existe e nao esta sendo analisado nem liberado.

Este e o mapa em que a conta do valor agregado nao fecha, e a ficha diz isso com essas palavras. O documento de origem declara a fracao de espera, nao a de operacao. Inventar a diferenca seria trocar medicao por estimativa. Sem o tempo de bancada por analise, o percentual de valor agregado fica em aberto. E a escada continua valendo.

A projecao de estado futuro leva a travessia a 6,0 dias, uma reducao de 52,0%, e ela vem da fila do controle de qualidade, nao da bancada. O que a ficha desenha e um projeto ilustrativo, com a aritmetica refeita pelo gerador a cada montagem, e nao um resultado obtido em planta.

2. Manutencao: uma ordem corretiva da abertura ao teste

Ficha A4 em pe do mapa de fluxo de valor de uma ordem de servico corretiva, em cinco blocos. No alto, a cadeia de seis etapas: abertura, deslocamento, diagnostico, pecas, execucao e teste. No segundo bloco, a escada de tempo com o lead time de 6,8 horas e quatro barras horizontais: a de 1,6 hora de execucao acima da linha e, abaixo dela, o aguardo de pecas com 2,3 horas, o diagnostico com 1,1 hora e o residuo de 1,8 hora. No terceiro bloco, os totais do mapa: 6,8 horas de lead time, 1,6 hora que agrega valor, 23,5% de valor agregado derivado e 5,2 horas que nao agregam. No quarto bloco, a tabela etapa por etapa com o tempo, o percentual e a origem de cada numero. No quinto, o bloco do gargalo aponta o aguardo de pecas, com 2,3 horas, e a projecao de estado futuro em 3,5 horas. Rodape com o rotulo ilustrativo e a origem da aritmetica.Este mapa e o mais didatico dos cinco, porque tem as duas contas fechadas. O recorte e uma ordem corretiva, da abertura ao teste final. Sao cerca de 90 ordens coletadas entre agosto e setembro de 2026. O lead time medio e de 6,8 horas por ordem.

A escada tem quatro degraus visiveis. Aguardo de pecas com 2,3 horas, execucao com 1,6 hora, diagnostico com 1,1 hora e o residuo de 1,8 hora. Os tres primeiros somam 73,5% do tempo de reparo. E o maior deles nao e trabalho, e espera de material.

A fracao que agrega valor e 23,5%, porque so a execucao muda a condicao do equipamento. Os outros 76,5%, ou 5,2 horas, sao abertura, deslocamento, diagnostico, espera de pecas e teste. Um numero desses muda a conversa na reuniao. A fila de reparo nao se resolve contratando mais tecnico.

O degrau escolhido para o primeiro ciclo e o aguardo de pecas, e a razao e a autoridade. Ele e interno, depende de politica de estoque de itens de giro e nao exige negociacao com terceiro. Mexer no deslocamento, que soma menos, dependeria de mudar a malha de atendimento.

No estado futuro a ordem cai para 3,5 horas, o que o documento de origem arredonda como 49% de corte. A peca e um exercicio ilustrativo montado para o artigo, e cada percentual dela e calculado sobre o tempo medido, jamais transcrito a mao.

3. Hotelaria: do check-out ao quarto liberado para venda

Ficha A4 em pe do mapa de fluxo de valor da liberacao de quarto em hotelaria, em cinco blocos. No alto, a cadeia de quatro etapas: check-out no sistema, limpeza, inspecao e quarto liberado. No segundo bloco, a escada de tempo com o lead time de 74 minutos e tres barras horizontais: a de 28 minutos de limpeza acima da linha e, abaixo dela, os 24 minutos de quarto limpo parado esperando enxoval e o residuo de 22 minutos. No terceiro bloco, os totais do mapa: 74 minutos de lead time, 28 minutos que agregam valor, 38% de valor agregado declarado no A3 e 46 minutos que nao agregam. No quarto bloco, a tabela etapa por etapa com o tempo, o percentual e a origem de cada numero. No quinto, o bloco do gargalo aponta o quarto limpo parado por enxoval, com 24 minutos, e a projecao de estado futuro em 45 minutos. Rodape com o rotulo ilustrativo e a origem da aritmetica.Trago este mapa do fluxo de valor como contraponto de escala. Aqui a travessia se mede em minutos. O recorte vai do check-out registrado no sistema ao quarto liberado para venda, sobre oito semanas de operacao. O lead time medio e de 74 minutos, com pico de 88 minutos no fim de semana.

O degrau escolhido nao e a limpeza. Sao os 24 minutos, ou 32,4% da travessia, em que o quarto ja esta limpo e parado esperando enxoval. Esse degrau tem uma propriedade rara. Ele nao exige nenhuma mudanca no trabalho de quem limpa, so na reposicao do material que chega antes.

A limpeza responde por 28 minutos, que o documento de origem declara como 38% do lead time. Os 62% restantes, 46 minutos, nao agregam valor. Vale notar o efeito no estado futuro. Cortando espera e mantendo a limpeza, a fracao de valor agregado sobe para 62,2% sem ninguem limpar mais rapido.

O estado futuro projeta 45 minutos, uma reducao de 39,2%, e o indicador de venda que interessa e a fracao de quartos prontos antes das 15 horas. Esta ficha e uma reconstrucao ilustrativa feita para o texto, com toda a aritmetica derivada dos tempos declarados na origem.

4. Saude: o paciente de baixa gravidade da porta a alta

Ficha A4 em pe do mapa de fluxo de valor do atendimento de baixa gravidade, em cinco blocos. No alto, a cadeia de seis etapas: porta, triagem, consulta, exames, reavaliacao e alta. No segundo bloco, a escada de tempo com o lead time de 4,9 horas e duas barras horizontais abaixo da linha: a de 1,6 hora de espera por resultado de laboratorio e, maior que ela, o residuo de 3,3 horas nao classificado no A3; a faixa acima da linha esta vazia e traz o aviso de que o tempo que agrega valor nao foi cronometrado no A3. No terceiro bloco, os totais do mapa, com o tempo que agrega valor como nao cronometrado e o %VA declarado como nao fechado, e uma nota de borda vermelha explicando que o A3 ordenou as 540 ocorrencias de espera por frequencia, com laboratorio em 39,6% e reavaliacao em 28,9%, e nao por tempo. No quarto bloco, a tabela etapa por etapa com o tempo, o percentual e a origem de cada numero. No quinto, o bloco do gargalo aponta a espera por resultado de laboratorio, com 1,6 hora, e a projecao de estado futuro em 2,5 horas. Rodape com o rotulo ilustrativo e a origem da aritmetica.Escolhi este caso porque ele mostra o que acontece quando o fluxo de informacao e o gargalo. O recorte vai da porta a alta do paciente classificado como de baixa gravidade. O volume e de 9.800 atendimentos por mes. O lead time medido e de 4,9 horas, com 38% dos casos acima de 6 horas.

A espera por resultado de laboratorio responde por 1,6 hora, ou 32,0% da travessia. O Pareto de 540 ocorrencias confirma o posto. Laboratorio aparece com 39,6% e reavaliacao medica com 28,9%. Esses 94 minutos sao o tempo que o resultado leva para sair, porque a amostra do pronto-atendimento entra na mesma fila das demais.

O maior degrau deste mapa nao e o laboratorio. Sao as 3,3 horas que sobram depois da espera medida, e o levantamento nao as desdobrou em triagem, consulta e reavaliacao. Por isso a ficha deixa a faixa de valor agregado vazia e nao declara o percentual. Nao se ataca o que ninguem cronometrou, e escolher o laboratorio e escolher a maior espera que tem numero proprio.

Com prazo de 45 minutos pactuado com o laboratorio, fluxo rapido para o paciente verde e azul e checklist de reavaliacao, a travessia desenhada cai para 2,5 horas, 49% abaixo do medido hoje, e a evasao esperada recua de 6,2% para 2,5%. Este mapa foi remontado para o artigo a partir de um projeto que se apresenta como ilustrativo, e a escada de tempo dele nasce de calculo, nunca de digitacao.

5. Financeiro: do apontamento em campo ao dinheiro em caixa

Ficha A4 em pe do mapa de fluxo de valor do ciclo de recebimento em contratos B2B, em cinco blocos. No alto, a cadeia de quatro etapas: apontamento em campo, medicao, aceite e recebimento. No segundo bloco, a escada de tempo com o lead time de 61,0 dias e tres barras horizontais: a de 1,0 dia de montagem da medicao acima da linha e, abaixo dela, o laco de reapresentacao de glosa com 3,3 dias e o residuo de 56,7 dias do aceite do cliente somado ao prazo de pagamento, nao desdobrados. No terceiro bloco, os totais do mapa: 61,0 dias de lead time, 1,0 dia de trabalho medido, o %VA declarado como nao fechado e pelo menos 60,0 dias que nao agregam, seguidos de uma nota de borda vermelha explicando por que a conta nao fecha. No quarto bloco, a tabela etapa por etapa com o tempo, o percentual e a origem de cada numero. No quinto, o bloco do gargalo aponta o aceite do cliente somado ao prazo de pagamento, com 56,7 dias, e a projecao de estado futuro em 52,0 dias. Rodape com o rotulo ilustrativo e a origem da aritmetica.Deixei este por ultimo porque ele e o exemplo do degrau que nao se ataca. O recorte vai do apontamento em campo ao dinheiro em caixa. Sao 34 contratos e cerca de 130 medicoes por mes. O prazo medio de recebimento e de 61,0 dias.

A escada tem tres barras e uma delas engole a folha. Sao 56,7 dias, ou 93,0% da travessia, no aceite do cliente somado ao prazo contratual de pagamento. As duas outras sao internas e pequenas. Ficam em 1,0 dia de medicao e 3,3 dias de retrabalho por glosa.

Esse formato ensina mais do que um fluxo de valor equilibrado. O maior degrau esta fora da autoridade do time. A ficha o deixa como nao classificado e nao desdobrado, em vez de fingir plano de acao. O que sobra para atacar sao os 3,3 dias de glosa. Eles vem de 14,2% de medicoes glosadas vezes 23 dias de reapresentacao.

A projecao de estado futuro fica em 52,0 dias, uma reducao de 14,8%, modesta de proposito. Sem desdobrar o aceite em etapas com dono, nenhuma acao interna alcanca os 56,7 dias. Prometer mais que isso seria vender o que a aritmetica nao entrega.

Cabe o registro de sempre, na forma que vale para esta folha: trata-se de material ilustrativo construido para o texto, cujos numeros derivam do tempo declarado na origem e sao recalculados a cada geracao do PDF.

Os erros que fazem o mapa nao valer nada, e o que fazer na semana seguinte

Vi bons mapas morrerem por tres motivos, e nenhum deles tem a ver com tecnica de desenho. O primeiro e o recorte que muda no meio da coleta. O segundo e a folha bonita que nunca virou plano de acao. O terceiro e a segunda medicao que ninguem fez. Isso transforma o resultado numa promessa sem prova.

  • Recorte movel. Se as pontas mudam depois do inicio da coleta, o antes e o depois deixam de ser comparaveis. E o ganho fica indefensavel.
  • Tempo estimado no lugar de tempo medido. Um numero lembrado por quem conhece o processo tende a subestimar a espera, sempre na mesma direcao.
  • Mapa sem o fluxo de informacao. Metade do problema fica invisivel, principalmente em processo administrativo.
  • Media em fluxo com fila. A cauda desaparece e o degrau critico parece menor do que e.
  • Estado futuro sem dono e sem data. Vira quadro decorativo, e o time passa a tratar a ferramenta como teatro.
  • Ausencia de segunda medicao. Sem ela nao existe resultado comprovado, existe intencao registrada.

A semana seguinte ao levantamento decide o destino do trabalho. O que funciona e curto. Transforme cada icone de Kaizen em uma linha de plano com dono e prazo. Escolha o degrau do primeiro ciclo PDCA. Depois marque a data da remedicao com o mesmo recorte. Publique a folha onde quem executa o processo passa todo dia. Nada disso pede software.

A remedicao merece uma regra explicita. Ela usa o mesmo recorte, a mesma fonte de carimbo e o mesmo periodo de coleta do levantamento original. Trocar qualquer um dos tres produz um numero mais bonito e sem valor. Essa disciplina e a diferenca entre melhoria continua e ciclo de entusiasmo. E custa uma planilha e um lembrete no calendario.

Por fim, o mapa do fluxo de valor nao substitui a rotina de gestao. Ele aponta onde o tempo mora e sugere onde mexer. Manter o ganho depende de indicadores de desempenho que acompanhem a travessia. Nao apenas a produtividade de cada etapa. Se o painel da area continuar medindo so as caixas, o fluxo volta ao estado presente em poucos meses, e o desenho na parede envelhece sozinho. Marque a remedicao no calendario no mesmo dia em que o mapa sobe na parede, porque e ela que mantem o projeto em movimento. Se voce for desenhar o seu, te convido a comecar pela ponta final e caminhar de tras para frente. Se voce quer o modelo em branco para imprimir e desenhar o seu, o Kit de Ferramentas Lean Manufacturing traz as folhas de estado atual e de estado futuro. E se a meta e conduzir o projeto inteiro com metodo, e isso que a gente treina nas academias de certificacao da Voitto.

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Perguntas frequentes

Como fazer um mapa do fluxo de valor passo a passo?
Defina o fluxo e a familia de produtos, monte a equipe e comece o desenho do estado atual. Meca as metricas existentes, identifique o cliente e as necessidades dele. Mapeie o fluxo de materiais do fim para o inicio. Depois inclua fornecedores, desenhe o fluxo de informacao na parte de cima, registre as metricas de cada etapa. Trace a linha do tempo com o lead time e marque as oportunidades com o icone de Kaizen. Sao os dez passos da secao 26.4.1 do Guia Pratico Lean Seis Sigma, e a ordem faz diferenca.
Qual a diferenca entre VSM e fluxograma?
O fluxograma responde a sequencia. Diz por onde o item passa e onde a decisao bifurca o caminho. O desenho de fluxo responde o tempo. Quanto cada etapa consome, quanto o item fica parado entre elas e que parte disso o cliente pagaria. Um processo pode ter setenta minutos de operacao e onze dias de travessia. O fluxograma mostra as etapas dos setenta minutos; o mapa mostra onde os onze dias se gastam.
Como se calcula o percentual de valor agregado?
Divida o tempo que transforma o item pelo tempo total de travessia e multiplique por cem. A classificacao vem da voz do cliente. Agrega valor a atividade que muda a forma, a condicao ou a informacao do item e pela qual o cliente pagaria. Conferencia, transporte, espera e retrabalho ficam fora, mesmo quando indispensaveis hoje. Se o levantamento declara um dos dois percentuais, calcule o outro a partir do declarado. Assim as duas parcelas somam cem.
Quais sao as tres partes de um VSM?
Fluxo de materiais, do recebimento dos fornecedores a entrega ao cliente. Transformacao, que e a conversao da materia-prima em produto acabado. E fluxo de informacao, que suporta e orienta os dois primeiros. Quem desenha apenas o fluxo de materiais produz meio mapa. Em processo administrativo esse meio mapa costuma apontar para a etapa errada. Ali a informacao anda mais devagar que o documento.
Quais sao as diretrizes do mapa do estado futuro?
Sao sete, na secao 26.4.2 do livro: desenvolver fluxo continuo onde for possivel, usar sistema puxado com supermercados onde o continuo nao couber. Depois, produzir conforme o takt time e enviar a demanda do cliente ao processo que controla o ritmo. Por fim, nivelar o mix, nivelar o volume e reduzir os tempos de setup. Elas funcionam como cardapio aplicado ao fluxo que voce mediu, e nao como lista obrigatoria.
Da para usar a ferramenta em servicos e em processo administrativo?
Da, e costuma render mais que na fabrica, porque nesses ambientes quase ninguem mediu a travessia. Muda o objeto que atravessa o fluxo. Em vez de peca, o item e um pedido, uma fatura, um prontuario ou uma ordem de servico. As esperas trocam de nome e continuam sendo esperas. Fila de aprovacao, lote de fechamento, janela de reuniao semanal. A linha do tempo se desenha igual.
Quanto tempo leva para fazer o levantamento?
O desenho do estado atual cabe em poucos dias quando os carimbos de tempo ja existem em sistema. A medicao vira consulta. Sem registro, o prazo passa a depender da amostra que voce precisa cronometrar. E fluxo com fila exige casos suficientes para ter mediana e faixa. O que costuma demorar nao e desenhar, e fechar o acordo sobre as duas pontas do recorte.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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