Metodologias & Qualidade

Modelo de carta de controle em Excel

Da estrutura de colunas ao gráfico formatado: as fórmulas, as constantes e um exemplo de 12 subgrupos com toda a aritmética aberta

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  17 min de leitura

Quem procura um modelo de carta de controle em Excel já tem os dados coletados e trava na mesma pergunta. Quais colunas a planilha precisa ter? De onde saem os números que viram as linhas vermelhas do gráfico? E o que fazer quando um ponto aparece acima delas?

O problema raramente é a fórmula. É a ordem. Calcular a carta da média antes da carta da amplitude, arredondar no lugar errado, usar a tolerância do desenho como limite ou recalcular os limites todo mês são erros que produzem um gráfico com aparência correta e leitura inválida.

Este artigo monta a planilha de ponta a ponta. Estrutura de colunas, fórmulas de média e amplitude, a tabela de constantes A2, D3 e D4 de n igual a 2 a 10 e o cálculo dos limites. Depois, o gráfico de linha e a formatação que destaca o ponto violado.

O caminho é feito sobre um exemplo de 12 subgrupos de quatro pinos usinados, com um ponto fora de controle, a investigação que achou a causa e o recálculo dos limites. Ao final entram a carta de individuais, as cartas de atributo e os limites do Excel.

Os dados do exemplo foram montados para este artigo, no formato dos kits da Voitto. São ilustrativos: servem para mostrar a mecânica de cálculo e a leitura da carta, e não descrevem uma empresa real. Todas as contas foram conferidas e fecham entre si.

Para que serve uma carta de controle e qual decisão ela sustenta

A carta de controle responde uma pergunta operacional: o que eu acabei de medir é variação normal do processo ou sinal de que alguma coisa mudou? Sem ela, quem olha um indicador reage a toda oscilação, ajusta máquina que estava certa e piora a dispersão.

A carta separa duas fontes de variação. A causa comum é a soma de pequenas influências que sempre estiveram ali: folga de fixação, variação de lote, diferença entre operadores treinados no mesmo padrão. A causa especial é uma influência nova e identificável, que não pertence ao processo estável.

Essa separação é o núcleo do controle estatístico de processo. Causa comum se trata mudando o processo, o que é projeto de melhoria. Causa especial se trata na hora, achando o que mudou. Confundir as duas gera os dois erros clássicos: ajustar o que não devia e ignorar o que devia ser investigado.

Um modelo de carta de controle em Excel entrega isso com três linhas sobre um gráfico de pontos: linha central, limite superior e limite inferior. Para a matemática por trás dos limites e a escolha do teste, o guia de controle estatístico no Excel cobre o cálculo em detalhe; aqui o foco é a planilha pronta.

O que precisa estar definido antes de abrir a planilha

Planilha bonita com dado ruim produz limite errado com aparência de rigor. Antes de digitar a primeira célula, quatro decisões precisam estar escritas.

  • Característica medida: uma só por carta, com unidade e resolução do instrumento declaradas.
  • Subgrupo racional: as peças de um mesmo subgrupo precisam ter sido produzidas em condição parecida, em sequência curta, na mesma máquina e no mesmo turno. O subgrupo captura a variação de curto prazo, e é ela que define a largura dos limites.
  • Tamanho do subgrupo (n) e frequência: n constante facilita tudo. Quatro ou cinco peças por hora é o padrão em usinagem; uma peça por batelada força a carta de individuais.
  • Fase de coleta inicial: de 20 a 25 subgrupos para fixar limites. Com 12 dá para começar, desde que fique registrado que os limites são provisórios.

O registro da coleta vem antes da planilha. Uma folha de verificação no posto, com hora, operador, máquina e medidas, é o que permite depois explicar um ponto fora. Carta alimentada de memória no fim do turno não sustenta investigação.

Escolher a carta certa começa pelo tipo de dado

A escolha decorre do tipo de dado e do tamanho do subgrupo. Errar aqui invalida os limites, por mais correta que seja a aritmética depois.

Tipo de dadoSituaçãoCartaBase do limite
Contínuon de 2 a 9X barra e Ramplitude média
Contínuon de 10 ou maisX barra e Sdesvio padrão médio
Contínuon igual a 1individuais e MRamplitude móvel média
Peça defeituosaamostra variávelcarta pproporção média
Peça defeituosaamostra fixacarta npcontagem média
Defeitos na peçaunidade fixacarta ccontagem média
Defeitos na peçaunidade variávelcarta udefeitos por unidade

O corte em n igual a 10 tem razão prática: a amplitude usa só o maior e o menor valor e desperdiça informação quando o subgrupo cresce. Até nove peças a perda é irrelevante e a amplitude ganha por ser calculável de cabeça no chão de fábrica.

Este artigo constrói o modelo de carta de controle no par X barra e R, e depois mostra o que muda nas outras cartas.

A estrutura do modelo: as colunas da planilha

O modelo tem duas áreas separadas: a de dados, que cresce linha a linha, e a de parâmetros, com constantes e limites, que fica fixa e é referenciada com cifrão. Misturar as duas é a origem de metade dos erros de fórmula.

ColunaConteúdoOrigem
AData e hora da coletadigitado
BNúmero do subgruposequencial
C a FMedida 1 a medida 4digitado
GMédia do subgrupo (X barra)fórmula
HAmplitude do subgrupo (R)fórmula
I a KLinha central e limites da carta X barraparâmetro fixo
L a NLinha central e limites da carta Rparâmetro fixo
OSinalização de regra violadafórmula
PObservação de contextodigitado

As colunas I a N repetem o mesmo valor em todas as linhas. Parece desperdício, mas é o que faz o gráfico desenhar os limites como retas contínuas.

A coluna P é a mais esquecida e a mais útil: nela ficam troca de lote, troca de ferramenta e parada de máquina, o que transforma um ponto fora em diagnóstico.

As fórmulas do Excel para média e amplitude

Com as medidas nas colunas C a F e a primeira linha de dados na linha 2, as fórmulas por subgrupo são diretas.

  • Média do subgrupo, em G2: =MÉDIA(C2:F2)
  • Amplitude do subgrupo, em H2: =MÁXIMO(C2:F2)-MÍNIMO(C2:F2)
  • Grande média (X duas barras): =MÉDIA($G$2:$G$13)
  • Amplitude média (R barra): =MÉDIA($H$2:$H$13)

Duas cautelas. Formate para exibir três ou quatro casas, mas nunca use ARRED nas colunas G e H, porque o erro se acumula na grande média e desloca os limites. E o intervalo da grande média precisa cobrir exatamente os subgrupos da fase de fixação, não a planilha inteira, senão cada linha nova mexe nos limites.

Para o modelo crescer sem reescrita, converta a área de dados em tabela com Ctrl+T: as fórmulas se propagam sozinhas.

As constantes A2, D3 e D4 e a tabela de n igual a 2 a 10

Os limites de uma carta X barra e R não saem do desvio padrão dos dados. Saem da amplitude média multiplicada por constantes tabeladas, que dependem só do tamanho do subgrupo.

nA2D3D4d2
21,88003,2671,128
31,02302,5741,693
40,72902,2822,059
50,57702,1142,326
60,48302,0042,534
70,4190,0761,9242,704
80,3730,1361,8642,847
90,3370,1841,8162,970
100,3080,2231,7773,078

D3 vale zero até n igual a 6 porque o limite inferior calculado seria negativo, e amplitude negativa não existe. A constante d2 não entra no limite, mas transforma amplitude em desvio padrão quando chega a hora de calcular capabilidade.

No modelo, essas nove linhas ficam em uma aba de apoio, buscadas com =PROCV($B$2;Constantes!$A$2:$E$10;2;FALSO), trocando o índice de coluna. Constante digitada direto na fórmula quebra quando alguém muda o tamanho do subgrupo.

O exemplo: 12 subgrupos de quatro pinos usinados

Um torno CNC produz pinos de comprimento nominal 25,00 mm, com especificação de 24,80 a 25,20 mm. A cada hora o operador retira quatro pinos consecutivos e mede com micrômetro de resolução 0,01 mm. São 12 subgrupos, n igual a 4, um turno completo.

SubgrupoM1M2M3M4X barraR
125,0224,9825,0524,9725,0050,08
224,9625,0324,9925,0625,0100,10
325,0825,0124,9525,0025,0100,13
424,9924,9425,0225,0525,0000,11
525,0425,0724,9824,9925,0200,09
624,9725,0025,0324,9624,9900,07
725,0125,0624,9925,0225,0200,07
824,9524,9925,0425,0625,0100,11
925,1425,1925,1125,1625,1500,08
1025,0324,9725,0025,0825,0200,11
1124,9825,0225,0624,9425,0000,12
1225,0525,0024,9625,0325,0100,09
Soma----300,2451,16

A soma das 12 médias é 300,245 e a soma das amplitudes é 1,16. Conferir as duas somas evita descobrir erro de digitação depois do gráfico pronto. O subgrupo 9 já salta à vista, mas olho não decide: quem decide é o limite calculado.

A carta R primeiro: amplitude média e limites da dispersão

A ordem importa. Avalie a carta R antes da carta X barra, porque os limites da média são construídos em cima de R barra. Se a dispersão estiver fora de controle, R barra não representa nada.

  1. R barra igual a 1,16 dividido por 12, ou seja, 0,0967 mm.
  2. Limite superior da carta R: D4 vezes R barra, 2,282 vezes 0,0967, igual a 0,2206 mm.
  3. Limite inferior: D3 vezes R barra, 0 vezes 0,0967, igual a 0 mm, já que n igual a 4.
  4. Linha central da carta R: 0,0967 mm.

A maior amplitude observada é 0,13 mm, no subgrupo 3, bem abaixo de 0,2206. Nenhum ponto sai e não há corrida nem tendência: a dispersão está estável, o que autoriza usar R barra como base para os limites da média.

No modelo, com R barra em $J$5, D3 em $J$7 e D4 em $J$8, as fórmulas são =$J$5*$J$8 e =$J$5*$J$7.

Os limites da carta X barra e o que o primeiro ciclo mostrou

Com a dispersão estável, a grande média e os limites saem em três contas.

  1. Grande média: 300,245 dividido por 12, igual a 25,0204 mm.
  2. A2 vezes R barra: 0,729 vezes 0,0967, igual a 0,0705 mm.
  3. Limite superior: 25,0204 mais 0,0705, igual a 25,0909 mm. Limite inferior: 25,0204 menos 0,0705, igual a 24,9499 mm.

Onze pontos caem entre 24,990 e 25,020, folgadamente dentro. O subgrupo 9, com média 25,150, está acima de 25,0909. É um sinal, não uma conclusão: a carta diz onde olhar, não o que aconteceu.

A investigação encontrou o registro na coluna de observação: troca de inserto às 9h40, com zeramento do eixo pela referência antiga. Os quatro pinos saíram com offset errado. Essa é a anatomia de uma causa especial, e o caminho formal dela é um plano de reação escrito, acionado pelo sinal da carta.

Repare que as quatro medidas do subgrupo 9 estão dentro da especificação de 24,80 a 25,20. Nenhum pino seria reprovado. A carta detectou a mudança antes de virar refugo, e é para isso que ela serve.

Recalcular os limites depois de tratar a causa especial

Causa especial identificada e corrigida: o subgrupo 9 sai da base de cálculo, mas não sai do gráfico. Ele continua plotado, com a anotação do que aconteceu, porque apagar o histórico apaga o aprendizado.

Com 11 subgrupos, a soma das médias cai para 275,095 e a das amplitudes para 1,08.

ParâmetroCom 12 subgruposCom 11 subgrupos
Grande média25,020425,0086
R barra0,09670,0982
A2 vezes R barra0,07050,0716
Limite superior X barra25,090925,0802
Limite inferior X barra24,949924,9371
Limite superior R0,22060,2241
Limite inferior R00

A grande média desceu 0,0118 mm porque o subgrupo alto saiu. R barra subiu de 0,0967 para 0,0982, já que o subgrupo 9 tinha amplitude pequena. Contra os novos limites, os 11 subgrupos estão todos dentro e nenhuma amplitude passa de 0,13.

O processo pode ser declarado estável, com limites provisórios. Ao completar o segundo turno, os limites são recalculados com a base cheia. Esse ciclo é a fase de controle de qualquer projeto conduzido em DMAIC.

Montar o gráfico de linha com os limites no Excel

O gráfico da carta X barra é de linhas com marcadores, com quatro séries: as médias, a linha central e os dois limites. Nada de dispersão, nada de eixo secundário.

  1. Selecione as colunas G a K, com cabeçalho, das 12 linhas de dados.
  2. Inserir, Gráficos de Linhas, opção Linhas com Marcadores.
  3. Defina o eixo horizontal como a coluna B, o número do subgrupo. Data e hora espremem o gráfico.
  4. Formate a série de médias com marcador circular cheio e linha fina, e as três séries de limites sem marcador.
  5. Deixe os dois limites em tracejado vermelho e a linha central em contínuo cinza.
  6. Ajuste o eixo vertical manualmente, com folga de cerca de 20% além dos limites. Escala automática reencaixa o gráfico a cada ponto novo e destrói a comparação entre turnos.
  7. Repita para a carta R, com as colunas H e L a N, e empilhe os dois gráficos alinhados pelo mesmo eixo horizontal.

Alinhar as cartas verticalmente não é estética. Um ponto fora na carta R logo abaixo de um ponto suspeito na X barra conta outra história, e a leitura só é imediata com os subgrupos na mesma coluna visual.

A formatação que destaca o ponto fora de controle

Ponto fora precisa saltar sem ninguém comparar número com número. Duas técnicas, que funcionam melhor juntas.

A primeira é formatação condicional na tabela. Selecione a coluna G, vá em Formatação Condicional, Nova Regra, Usar uma fórmula, e escreva =OU($G2>$J$2;$G2<$K$2), com preenchimento vermelho claro. O cifrão antes do G trava a coluna e libera a linha.

A segunda é uma série de alerta no gráfico. Crie uma coluna auxiliar com =SE(OU(G2>$J$2;G2<$K$2);G2;NÃODISP()) e adicione como quinta série, sem linha, com marcador circular grande em vermelho. A função NÃODISP impede a plotagem nas linhas normais, e o marcador aparece só sobre o ponto violado.

Quem pendura a carta no posto ganha com uma faixa cinza entre os limites, feita com série de área ao fundo. O operador lê posição, não número, que é o princípio de qualquer painel de gestão à vista.

As regras de detecção de causa especial e como programá-las

Ponto fora é apenas a primeira regra. Um processo pode ter todos os pontos dentro e ainda assim estar mudando. As regras de padrão dividem a faixa entre a linha central e cada limite em três zonas de um desvio padrão: C junto da linha central, B no meio, A colada no limite.

RegraPadrãoInterpretação usual
11 ponto fora dos limitesmudança abrupta
29 pontos seguidos do mesmo lado da linha centraldeslocamento da média
36 pontos seguidos subindo ou descendodesgaste de ferramenta, deriva térmica
414 pontos alternando para cima e para baixoduas fontes misturadas, superajuste
52 de 3 pontos na zona A do mesmo ladodeslocamento em curso
64 de 5 pontos na zona B ou além, mesmo ladodeslocamento pequeno e persistente
715 pontos seguidos na zona C, dos dois ladoslimites largos demais, estratificação
88 pontos seguidos fora da zona C, dos dois ladosmistura de dois processos

No exemplo recalculado, o desvio padrão da média vale 0,0716 dividido por 3, igual a 0,0239 mm. A zona C vai de 24,9848 a 25,0325 e a zona B até 25,0563 e 24,9609. Nenhuma das oito regras dispara nos 11 subgrupos.

Para programar, crie uma coluna por regra. A regra 2 sai com =SE(CONT.SE(G2:G10;">"&$I$2)=9;"R2";""), e as regras de zona pedem colunas auxiliares com a distância do ponto à linha central em desvios padrão. Implementar as oito é trabalhoso e é onde o CEP em planilha começa a custar mais do que rende.

Quando recalcular os limites e quando deixar como está

A regra é simples de enunciar e difícil de obedecer: limite se recalcula quando o processo muda por decisão, não quando o resultado desagrada.

SituaçãoRecalcular?Motivo
Causa especial identificada e removida na fase inicialSim, excluindo o subgrupoo subgrupo não representa o processo estável
Melhoria implantada que reduziu a dispersãoSim, com nova coletao processo passou a ser outro
Troca homologada de máquina, molde ou matéria-primaSim, com nova coletamudança planejada de condição
Ponto fora sem causa encontradaNãoexcluir sem explicação mascara o problema
Pontos concentrados perto do limiteNãoé sinal a investigar, não limite a alargar
Início de novo mês ou novo turnoNãoo calendário não muda o processo
Cliente reclamou do indicadorNãolimite não é meta negociada

O abuso mais comum é alargar limites até que tudo fique dentro. A carta passa a aprovar qualquer coisa. Se a maioria dos pontos está fora, o processo não está sob controle estatístico, e o trabalho é estabilizar, não redesenhar a régua.

Fixados os limites, eles entram no plano de controle com frequência de amostragem, instrumento, responsável e ação de reação. Sem isso, o limite vira folclore na planilha.

Limite de controle não é limite de especificação

Este é o erro que mais aparece em planilha montada sem apoio: usar 24,80 e 25,20, os valores de projeto, como limites da carta.

AspectoLimite de controleLimite de especificação
Origemcalculado dos dados do processodefinido por projeto ou cliente
O que descreveo que o processo fazo que o produto precisa atender
Aplica-se amédia ou amplitude do subgrupoa peça individual
Muda quandoo processo mudao requisito muda
No exemplo24,9371 a 25,080224,80 a 25,20

A comparação direta é inválida. Os limites da carta X barra se referem à média de quatro peças, que varia menos que a peça isolada. Desenhar a especificação sobre a carta produz uma faixa que nunca é violada e passa falsa impressão de folga.

A pergunta sobre atender especificação é de capabilidade do processo, e só faz sentido depois que a carta mostrou estabilidade. O desvio padrão sai de R barra dividido por d2: 0,0982 dividido por 2,059, igual a 0,0477 mm. A dispersão de seis sigma vale 0,2861 mm contra tolerância de 0,40 mm, o que dá Cp igual a 1,40. O Cpk, que incorpora o deslocamento da média de 25,0086 em relação ao centro 25,00, sai em 1,34.

Para comparar peça e especificação, use o histograma das medidas individuais com as linhas de tolerância, ao lado da carta.

A carta de individuais quando o subgrupo é 1

Em processo de batelada, ensaio destrutivo e indicador diário não existe subgrupo. Há uma leitura por vez, e agrupar dias diferentes violaria a exigência de condição homogênea. A saída é a carta de individuais com amplitude móvel, ou I-MR.

A amplitude móvel é a diferença absoluta entre leituras consecutivas e faz o papel da variação de curto prazo. Com 12 leituras existem 11 amplitudes. O exemplo é a viscosidade de 12 bateladas de adesivo, em centipoise.

BateladaViscosidadeAmplitude móvel
1412-
239814
342123
440516
541712
639522
740813
843022
940228
1041513
1139916
1241011
Soma4.912190

A média das leituras é 4.912 dividido por 12, igual a 409,33 cP. A amplitude móvel média é 190 dividido por 11, igual a 17,27 cP. Os limites usam E2 igual a 2,660 e D4 igual a 3,267, válidos para amplitude móvel de duas observações.

  • E2 vezes MR barra: 2,660 vezes 17,27, igual a 45,95 cP.
  • Limites da carta de individuais: 409,33 mais 45,95, igual a 455,28 cP, e 409,33 menos 45,95, igual a 363,39 cP.
  • Limite superior da carta MR: 3,267 vezes 17,27, igual a 56,43 cP, com inferior zero.
  • Desvio padrão estimado: 17,27 dividido por 1,128, igual a 15,31 cP.

As leituras ficam entre 395 e 430, e a maior amplitude móvel, 28, está bem abaixo de 56,43. No Excel, a fórmula em C3 é =ABS(B3-B2), arrastada para baixo. A carta de individuais é mais lenta para detectar deslocamento pequeno: é o preço de não ter subgrupo.

As cartas de atributo: p, np, c e u

Quando o dado é contagem, a amplitude perde sentido e os limites vêm da distribuição: binomial para peça aprovada ou reprovada, Poisson para defeitos em uma unidade.

CartaO que plotaLinha centralLimites
pproporção de defeituososp barrap barra mais ou menos 3 vezes a raiz de p barra vezes (1 menos p barra) dividido por n
npnúmero de defeituososn vezes p barran p barra mais ou menos 3 vezes a raiz de n p barra vezes (1 menos p barra)
cdefeitos por unidadec barrac barra mais ou menos 3 vezes a raiz de c barra
udefeitos por unidade de inspeçãou barrau barra mais ou menos 3 vezes a raiz de u barra dividido por n

Um exemplo de carta p fecha o raciocínio. Dez amostras de 200 peças, com 9, 6, 8, 5, 11, 7, 4, 10, 6 e 8 reprovadas, somam 74 defeituosas em 2.000 inspecionadas. A proporção média é 74 dividido por 2.000, igual a 0,0370, ou 3,70%.

O termo da raiz vale 0,0370 vezes 0,9630 dividido por 200, igual a 0,00017816, cuja raiz é 0,013347. Três vezes esse valor dá 0,040042. O limite superior é 0,0770, ou 7,70%. O inferior seria menos 0,0030 e, como proporção negativa não existe, é truncado em zero. A maior proporção observada, 5,50%, está dentro.

Na carta p com amostra variável, o limite muda a cada amostra e o gráfico ganha degraus, o que exige uma coluna de limite por linha. E a carta p diz quanto, não por quê: a estratificação por tipo de defeito em um diagrama de Pareto aponta onde atacar.

As limitações do Excel e quando sair dele

O Excel monta uma carta correta e é a escolha certa para começar: está instalado e a planilha explicita cada conta. As limitações aparecem com escala e uso prolongado.

  • Não há teste de normalidade nem verificação de autocorrelação nativos, e a carta de individuais é sensível a dado não normal.
  • As oito regras de padrão exigem programação manual. Na prática, quase toda planilha implementa só a regra do ponto fora.
  • Limite variável em carta p e u obriga a recalcular linha a linha, e o gráfico em degrau é trabalhoso.
  • Arquivo compartilhado em rede degrada rápido: fórmula sobrescrita, intervalo quebrado ao inserir linha, cópias divergentes.
  • Não há trilha de auditoria de quem mudou um limite e quando, o que é problema em ambiente regulado.
  • Cartas multivariadas, EWMA e CUSUM ficam fora de alcance sem programação.

O critério de troca é volume e criticidade. Uma ou duas características em um posto vivem bem em planilha por anos. Dezenas delas, com vários turnos e exigência de rastreabilidade, pedem software dedicado ou coleta integrada ao chão de fábrica, ligada ao indicador de eficiência do equipamento.

O que sustenta a carta é o método: subgrupo racional, limite calculado do processo, regra de reação escrita e disciplina de recalcular só quando o processo muda. Essa base estrutura a etapa de controle em Lean Seis Sigma e faz o modelo de carta de controle valer mais que o gráfico.

Perguntas frequentes

O que é um modelo de carta de controle?
É uma planilha pronta com a estrutura de colunas, as fórmulas de média e amplitude, a tabela de constantes A2, D3 e D4, o cálculo dos limites e o gráfico já formatado com linha central e limites. Quem usa só digita as medidas coletadas e lê o resultado, sem remontar a aritmética a cada turno. O modelo separa a área de dados, que cresce, da área de parâmetros, que fica fixa e é referenciada com cifrão.
Qual carta de controle usar para cada tipo de dado?
Dado contínuo com subgrupo de 2 a 9 peças pede X barra e R. Com 10 ou mais, X barra e S. Com uma leitura por vez, a carta de individuais com amplitude móvel. Para contagem de peças defeituosas, carta p quando a amostra varia de tamanho e np quando é fixa. Para contagem de defeitos dentro da peça, carta c com unidade de inspeção fixa e carta u quando ela varia.
Como calcular os limites de controle no Excel?
Para X barra e R: calcule a média de cada subgrupo com MÉDIA, a amplitude com MÁXIMO menos MÍNIMO, depois a grande média e a amplitude média (R barra). O limite superior da média é a grande média mais A2 vezes R barra, e o inferior é a grande média menos A2 vezes R barra. Na carta R, o limite superior é D4 vezes R barra e o inferior é D3 vezes R barra. A2, D3 e D4 vêm de tabela pelo tamanho do subgrupo.
Quanto valem as constantes A2, D3 e D4?
Para n igual a 2: A2 1,880, D3 0 e D4 3,267. Para n igual a 3: 1,023, 0 e 2,574. Para n igual a 4: 0,729, 0 e 2,282. Para n igual a 5: 0,577, 0 e 2,114. Para n igual a 6: 0,483, 0 e 2,004. Para n igual a 7: 0,419, 0,076 e 1,924. Para n igual a 8: 0,373, 0,136 e 1,864. Para n igual a 9: 0,337, 0,184 e 1,816. Para n igual a 10: 0,308, 0,223 e 1,777.
Por que D3 é zero em subgrupos pequenos?
Porque o limite inferior calculado para a amplitude ficaria negativo com subgrupo de até seis peças, e amplitude negativa não existe. A tabela trunca o valor em zero, e a carta R passa a ter só limite superior. A partir de n igual a 7, D3 assume valor positivo e a carta ganha limite inferior, que sinaliza dispersão pequena demais, quase sempre erro de medição ou de amostragem.
Devo calcular a carta R antes da carta X barra?
Sim, sempre. Os limites da carta X barra são construídos a partir de R barra, a amplitude média. Se a dispersão dentro dos subgrupos estiver fora de controle, R barra não representa a variação de curto prazo do processo e os limites da média nascem errados. Só depois de confirmar que todos os pontos da carta R estão dentro do limite é que faz sentido calcular os limites da média.
Quando recalcular os limites de controle?
Quando uma causa especial foi identificada, explicada e removida na fase inicial, excluindo aquele subgrupo do cálculo; quando uma melhoria mudou o processo; ou quando houve troca homologada de máquina, molde ou matéria-prima, sempre com nova coleta de 20 a 25 subgrupos. Não se recalcula porque o mês virou, porque um ponto ficou fora sem causa encontrada ou porque o resultado desagradou.
Posso usar o limite de especificação na carta de controle?
Não. O limite de controle é calculado dos dados do processo e descreve o que ele faz; o limite de especificação vem do projeto ou do cliente e descreve o que a peça precisa atender. Além disso, o limite de controle da carta X barra se aplica à média do subgrupo, que varia menos que a peça isolada. Comparar os dois na mesma escala sugere folga que não existe. Especificação se compara em histograma e em índice de capabilidade.
Como destacar automaticamente o ponto fora de controle no Excel?
Use formatação condicional na coluna das médias com a fórmula =OU($G2>$J$2;$G2<$K$2) e preenchimento vermelho, travando só a coluna com cifrão. No gráfico, crie uma coluna auxiliar com =SE(OU(G2>$J$2;G2<$K$2);G2;NÃODISP()) e adicione como série extra, sem linha e com marcador vermelho grande. A função NÃODISP impede a plotagem nas linhas normais, e o marcador aparece só sobre o ponto violado.
Quando o Excel deixa de ser suficiente para CEP?
Quando o número de características monitoradas cresce, quando há coleta por vários turnos em arquivo compartilhado ou quando existe requisito de rastreabilidade. O Excel não traz teste de normalidade, exige programação manual das oito regras de padrão, complica o limite variável das cartas p e u e não tem trilha de auditoria de quem mudou o quê. Uma ou duas características com um responsável, porém, vivem bem em planilha por anos.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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