Metodologias & Qualidade

Modelo de OEE em Excel, com o cálculo decomposto

A planilha por dentro: as quatro abas, o apontamento de parada por motivo, as fórmulas de disponibilidade, desempenho e qualidade em sintaxe do Excel, e um turno de envase calculado até 70,8% e decomposto em minutos de perda.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  16 min de leitura

Quase toda fábrica que decide medir OEE começa por uma planilha, e quase toda planilha morre no terceiro mês. Não morre por falta de fórmula: morre porque produz um número que ninguém consegue refazer, discordar ou transformar em ação.

Um modelo de OEE em Excel que sobrevive tem uma característica que os modelos baixados prontos raramente têm: ele mostra a conta inteira aberta, do apontamento de parada por motivo até o percentual final, e permite reconstruir cada linha a partir do dado bruto.

Este artigo monta esse modelo por dentro. Primeiro a definição de tempo planejado, e por que ela torna o OEE incomparável entre empresas. Depois as abas e colunas da planilha, as fórmulas dos três fatores em sintaxe do Excel, e a conferência por duas vias que impede número errado de sair da sala.

No meio, um turno completo de linha de envase, com cinco paradas apontadas por motivo, produção e refugo, calculado até 70,8% e decomposto em minutos de perda. É dessa decomposição, e não do número final, que sai o plano de ação.

Os números deste artigo foram montados para ele, no formato do Kit TPM da Voitto. São ilustrativos e internamente consistentes: a aritmética de cada linha fecha e pode ser conferida, mas não descrevem um equipamento real.

O que o OEE mede, e o que ele não mede

O OEE responde a uma pergunta só: do tempo que a fábrica decidiu produzir naquele equipamento, quanto saiu como peça boa na cadência nominal. Tudo que não vira peça boa nessa cadência é perda, não importa o nome que se dê a ela.

Isso define o que fica de fora. O OEE não mede custo, não mede margem, não mede se o que foi produzido tinha comprador. Uma máquina rodando a 95% para encher armazém é desperdício eficiente, e o indicador vai aplaudir.

Quem confunde OEE com produtividade da fábrica superestima o ganho de subir o número no equipamento errado e subestima a perda quando o indicador está alto e o cliente está esperando. O cálculo do OEE é um indicador de equipamento, e só ganha sentido de fábrica quando está no recurso que limita a saída.

Um modelo de OEE em Excel existe porque esse número precisa ser reconstruível. Um OEE que ninguém consegue refazer a partir do apontamento bruto é opinião com casa decimal.

Os três fatores e por que o produto cai rápido

O OEE é o produto de disponibilidade, desempenho e qualidade. Multiplicação, não média. É essa escolha que faz três números que parecem aceitáveis virarem um número ruim.

DisponibilidadeDesempenhoQualidadeOEE
90%90%90%72,9%
95%95%95%85,7%
85%80%99%67,3%
70%95%99%65,8%

A primeira linha é o caso clássico: nenhum fator chama atenção isolado e o resultado é 72,9%. A terceira e a quarta terminam quase no mesmo lugar, 67,3% contra 65,8%, com problemas opostos: numa a máquina roda devagar, na outra passa 30% do tempo parada.

Por isso o número final é o que menos importa na planilha. O que a planilha precisa entregar são os três fatores separados, com o insumo de cada um visível na mesma linha.

O tempo planejado é uma escolha, não um dado

Todo o cálculo pende de uma definição: o que entra no tempo planejado de produção. Esse é o denominador da disponibilidade e, na via curta, o denominador do OEE inteiro. Mudar a definição muda o resultado sem que nada tenha mudado no chão de fábrica.

A regra é fácil de enunciar e difícil de aplicar: entra no tempo planejado todo tempo em que a empresa decidiu que aquele equipamento deveria estar produzindo, e sai o tempo em que a decisão foi não produzir.

TempoCostuma entrarCostuma sairOnde nasce a briga
Turno não escaladoNãoSimTurno vago é perda de utilização, não de OEE
Refeição e intervaloDependeDependeLinha que para para comer sai; linha com revezamento fica
Reunião de início de turnoNãoSimSe vira rotina longa, some da conta
Manutenção preventiva programadaDependeDependeA escolha mais decisiva da planilha
Setup e troca de formatoSimNãoTirar setup do denominador é maquiar
Falta de pedidoNãoSimPerda comercial, registrada à parte
Falta de materialSimNãoPerda de cadeia, mas rouba tempo produtivo

A linha da preventiva é a que mais muda resultado. Quem a tira do tempo planejado ganha alguns pontos de OEE por definição. Quem a deixa dentro assume que preventiva é perda e passa a perseguir a redução dela, que é o que o TPM pede.

A mesma máquina, três OEE diferentes

Vale demonstrar o efeito com números fixos, porque ele costuma ser subestimado. Considere um turno de 8 horas, 480 minutos de calendário, em que a linha entregou 18.278 peças boas e a cadência nominal é de 60 peças por minuto. Produzir essas peças boas no ritmo nominal consumiria 304,6 minutos.

Esse numerador não se move. Só muda o denominador, conforme a definição de tempo planejado que a planilha adotar:

Definição de tempo planejadoMinutosOEE
Calendário cheio, nada excluído48063,5%
Menos 40 min de refeição e 10 min de reunião43070,8%
Menos refeição, reunião e 28 min de setup40275,8%

São 12,3 pontos na mesma máquina, no mesmo turno, com a mesma produção. Quem compara o próprio OEE com o de outra empresa compara três coisas ao mesmo tempo: o processo, o apontamento e a definição do denominador.

Daí a única regra que torna o indicador útil. A definição é escrita antes, fica visível na própria planilha e não muda no meio do ano. Se mudar, a série anterior é recalculada ou marcada como quebrada. OEE comparável é OEE comparado consigo mesmo.

O apontamento de parada por motivo

Sem apontamento por motivo, o OEE é um número sem ação associada. Dizer que a disponibilidade foi de 82,8% não leva ninguém a lugar nenhum. Dizer que 28 dos 74 minutos parados foram troca de formato leva.

O apontamento que funciona tem quatro características, e todas custam disciplina:

  • registro no evento, não no fim do turno, porque memória de oito horas comprime parada curta e inventa causa;
  • motivo escolhido de uma lista fechada e curta, de 12 a 20 códigos, com um campo livre ao lado para o detalhe;
  • hora de início e hora de fim, não duração digitada, porque a duração digitada tende a arredondar para cinco e dez minutos;
  • um dono por código, que é quem recebe o Pareto no fim do mês.

A lista de motivos é o coração do sistema. Longa demais, o operador escolhe sempre o primeiro item; curta demais, tudo vai para "outros". Quando "outros" passa de 10% do tempo parado, a lista está errada e não o operador.

O instrumento de coleta é uma folha de verificação com os códigos impressos, em papel no posto ou em tela no terminal. O que não pode é o operador ter que lembrar o código de cabeça.

A estrutura da planilha: quatro abas e nada mais

Um modelo de OEE em Excel que dura é um modelo que separa cadastro, coleta e cálculo. Quando tudo mora na mesma aba, a primeira mudança de cadência corrompe o histórico.

  1. Cadastro: um equipamento por linha, com cadência nominal em peças por minuto ou tempo de ciclo ideal em segundos por peça, turnos válidos, tempo de calendário por turno e as exclusões fixas do tempo planejado. É aqui que a definição do denominador fica escrita.
  2. Motivos: código, descrição, classe (planejada ou não planejada), fator afetado (disponibilidade, desempenho ou qualidade) e dono. De 12 a 20 linhas.
  3. Apontamento: uma linha por evento de parada e uma linha por turno com a produção. É a única aba em que alguém digita.
  4. Cálculo: uma linha por turno, com os insumos puxados por fórmula e os três fatores calculados. Nenhum número digitado.

As três abas de dados vão como Tabela do Excel, com nome. Tabela nomeada faz a fórmula crescer sozinha quando chega linha nova, e evita o erro clássico do intervalo fixo que para de somar no dia 400.

A aba de apontamento, coluna a coluna

É na aba de apontamento que um modelo de OEE em Excel ganha ou perde credibilidade. Ela tem dois blocos que convivem: os eventos de parada e o fechamento de produção do turno. Manter os dois na mesma estrutura de data e turno é o que permite cruzar por fórmula.

ColunaConteúdoOrigem
DataData do turnoDigitada
TurnoA, B ou CLista suspensa
EquipamentoCódigo do ativoLista do cadastro
Hora iníciohh:mmDigitada no evento
Hora fimhh:mmDigitada no evento
Duração (min)Minutos da paradaFórmula
Código do motivoCódigo de 3 dígitosLista da aba Motivos
ClassePlanejada ou não planejadaFórmula, do cadastro do motivo
DetalheTexto livreDigitado
Produzido (pç)Contagem total do turnoDigitada no fechamento
Refugo (pç)Peças não aprovadasDigitada no fechamento

A duração sai de =(E2-D2)*1440, com a célula formatada como número e não como hora. Parada que atravessa a meia-noite precisa de =SE(E2<D2;E2+1-D2;E2-D2)*1440.

A classe vem por procura no cadastro, nunca digitada: =PROCV(G2;Motivos;3;FALSO). Classe digitada faz a mesma parada aparecer planejada num dia e não planejada no outro.

A fórmula da disponibilidade

A disponibilidade é o tempo em que o equipamento esteve operando dividido pelo tempo planejado. Na planilha, o tempo operando não é digitado: ele é o tempo planejado menos a soma das paradas não planejadas apontadas.

O tempo planejado vem do cadastro, já com as exclusões fixas aplicadas, e as paradas vêm de uma soma condicional que filtra data, turno, equipamento e classe:

  • paradas do turno: =SOMASES(Apont[Duração];Apont[Data];$A2;Apont[Turno];$B2;Apont[Equip];$C2;Apont[Classe];"Não planejada");
  • tempo operando: =[@[Tempo planejado]]-[@[Paradas não planejadas]];
  • disponibilidade: =SEERRO([@[Tempo operando]]/[@[Tempo planejado]];"").

Duas travas valem o esforço. A primeira é a coluna de crítica que acende quando a soma das paradas supera o tempo planejado: =SE([@[Paradas não planejadas]]>[@[Tempo planejado]];"ERRO";""). Acontece toda semana em planilha nova, por parada em turno errado ou eventos sobrepostos.

A segunda é aceitar que, com o tempo operando derivado por subtração, todo minuto parado não apontado continua contando como tempo operando. Ele não some: reaparece disfarçado de perda de desempenho.

A fórmula do desempenho e a armadilha do ciclo ideal

O desempenho compara o que saiu com o que teria saído se o equipamento tivesse rodado na cadência nominal durante todo o tempo operando. Em fórmula: =SEERRO([@Produzido]/([@[Tempo operando]]*[@[Cadência nominal]]);""), ou, se o cadastro guarda tempo de ciclo em segundos por peça, =SEERRO([@Produzido]*[@[Ciclo ideal s]]/60/[@[Tempo operando]];"").

A armadilha está no cadastro, não na fórmula. Cadência nominal é a velocidade de placa, ou a máxima sustentada já demonstrada para aquele produto. Não é a média histórica nem a meta do mês.

Com a média histórica cadastrada, o desempenho fica preso perto de 100% e a segunda maior fonte de perda da fábrica desaparece do indicador. É o erro mais difícil de reverter, porque corrigir a cadência derruba o OEE publicado sem que nada tenha piorado.

Em linha com mix, a cadência é por produto, não por equipamento: uma coluna de produto no apontamento e um ÍNDICE com CORRESP resolvem. Sem isso, trocar o mix mexe no OEE sem explicação.

Desempenho acima de 100% não é orgulho: é cadastro errado, contagem errada ou tempo operando subestimado. Vale formatação condicional para acender a célula.

A fórmula da qualidade e o que conta como refugo

A qualidade é a fração das peças produzidas que foi aprovada de primeira: =SEERRO(([@Produzido]-[@Refugo])/[@Produzido];""). A expressão "de primeira" carrega a regra inteira.

Peça retrabalhada e depois aprovada conta como refugo, porque consumiu tempo de máquina duas vezes. Se o retrabalho é relevante, vira coluna própria, somada ao refugo no cálculo e separada no Pareto.

A perda de arranque também é refugo: as peças descartadas até o processo estabilizar depois de um setup. Costumam ir para a caçamba sem registro, e é comum pesarem mais que o refugo de regime.

  • refugo de processo: peça fora de especificação durante a produção estável;
  • refugo de arranque: peça descartada entre a partida e a estabilização;
  • retrabalho: peça recuperada com consumo adicional de tempo;
  • peça de ajuste e amostra destrutiva: entram, porque saíram de material e tempo.

O que decide cada caso é o critério de aprovação, e ele precisa estar escrito em algum lugar fora da planilha. O lugar natural é o plano de controle do produto, que já define característica, especificação e método de medição.

O cálculo do OEE e as duas vias de conferência

Com os três fatores em colunas, o OEE é o produto: =[@Disponibilidade]*[@Desempenho]*[@Qualidade]. A parte que quase nenhuma planilha traz, e que deveria ser obrigatória, é a segunda via.

A via curta calcula o mesmo número por outro caminho: o tempo que as peças boas teriam consumido na cadência nominal, dividido pelo tempo planejado. Em fórmula: =([@Produzido]-[@Refugo])/[@[Cadência nominal]]/[@[Tempo planejado]].

As duas vias têm que dar o mesmo resultado. Uma coluna com =ARRED([@OEE]-[@[OEE via curta]];6) deve devolver zero em toda linha. Quando não devolve, há denominador trocado, tempo operando digitado em vez de derivado, ou refugo contado fora do produzido.

Essa coluna é o que separa um modelo de OEE em Excel confiável de um bonito. Enquanto a diferença não for zero, o número não sai da sala.

E vale fixar a exibição em uma casa decimal: duas casas sugerem uma precisão que o apontamento manual não tem.

Um turno completo, apontado e calculado

O turno abaixo é de uma linha de envase, cadência nominal de 60 peças por minuto, turno de 8 horas. O tempo de calendário é de 480 minutos, com 40 minutos de refeição e 10 minutos de reunião de início de turno excluídos por definição de cadastro. O tempo planejado é de 430 minutos.

CódigoMotivoClasseInícioFimDuração (min)
201Setup e troca de formatoNão planejada06:1206:4028
104Falha mecânica na esteira de saídaNão planejada08:0508:2419
302Falta de material (pré-forma)Não planejada10:3110:4312
205Ajuste de processo (peso de envase)Não planejada11:5011:599
401Pequenas paradas registradasNão planejada--6
Total----74

O fechamento do turno registrou 18.690 peças produzidas e 412 peças de refugo, das quais 260 vieram do arranque após o setup. Com esses números, a planilha calcula:

Linha do cálculoContaResultado
Tempo planejado480 menos 40 menos 10430 min
Paradas não planejadas28 + 19 + 12 + 9 + 674 min
Tempo operando430 menos 74356 min
Disponibilidade356 / 43082,8%
Produção possível no tempo operando356 × 6021.360 pç
Desempenho18.690 / 21.36087,5%
Peças boas18.690 menos 41218.278 pç
Qualidade18.278 / 18.69097,8%
OEE0,8279 × 0,8750 × 0,978070,8%
OEE pela via curta18.278 / 60 / 43070,8%

As duas vias fecham em 70,8%, e é essa checagem que autoriza publicar a linha.

A decomposição que transforma o número em plano

Oitenta e dois vírgula oito por cento de disponibilidade e 70,8% de OEE não dizem por onde começar. A conversão que resolve isso é colocar as três perdas na mesma unidade, minutos de tempo planejado, e ordenar.

PerdaContaMinutos% do tempo planejado
DisponibilidadeParadas apontadas74,017,2%
Desempenho2.670 pç não produzidas / 6044,510,3%
Qualidade412 pç de refugo / 606,91,6%
Tempo efetivo18.278 pç boas / 60304,670,8%
Total-430,0100,0%

As parcelas somam 99,9% por arredondamento de exibição. E agora existe um plano. A maior perda é disponibilidade, e dentro dela o setup responde por 28 dos 74 minutos, 37,8% do tempo parado. A segunda é desempenho, com 44,5 minutos que nenhum código explica. A qualidade, com 6,9 minutos, não é prioridade nesta linha.

Essa tabela é o que torna a planilha útil na reunião. Ela se transforma em diagrama de Pareto sem nenhum cálculo adicional, e o primeiro bloco de barras já indica o problema que merece um projeto de melhoria estruturado.

Repare que a leitura em minutos muda a ordem da leitura em peças: 412 peças de refugo impressionam mais que 19 minutos de falha mecânica, mas custam menos da metade.

As seis grandes perdas ligadas a cada fator

O TPM organiza as perdas de equipamento em seis categorias, e cada uma cai em um dos três fatores. Amarrar o código de motivo da planilha a essa classificação é o que permite ler o apontamento sem interpretação.

FatorPerdaO que éComo aparece na planilha
DisponibilidadeQuebra e falhaParada por falha do equipamentoCódigo de parada não planejada
DisponibilidadeSetup e ajusteTroca de formato, produto ou ferramentaCódigo de parada, do início ao fim do primeiro bom
DesempenhoPequena parada e ociosidadeInterrupção curta sem intervenção de manutençãoQuase nunca aparece; some no desempenho
DesempenhoRedução de velocidadeEquipamento rodando abaixo da nominalDiferença entre produzido e possível
QualidadeRefugo e retrabalhoPeça fora de especificação em regimeColuna de refugo do fechamento
QualidadePerda de arranquePeça descartada até estabilizarRefugo, de preferência em coluna própria

A coluna da direita mostra o desequilíbrio que define o indicador: quatro perdas têm registro próprio e duas, as de desempenho, saem por diferença e não têm dono natural.

Essa classificação vem do repertório dos pilares do TPM e reaparece em versões ampliadas nas ferramentas do WCM, que desdobram as mesmas categorias em perdas de mão de obra e de material. Para uma planilha de OEE, as seis bastam.

Pequenas paradas: por que elas somem do apontamento

A perda de desempenho de 44,5 minutos do turno do exemplo não tem código de parada associado. Ela é resíduo: o que sobrou depois de tirar as paradas apontadas e o refugo. E quase sempre é feita de pequenas paradas.

Pequena parada é a interrupção de 10 segundos a 3 minutos que o operador resolve no posto: sensor sujo, embalagem desalinhada, peça travada na calha. Ela não entra no apontamento por três motivos somados.

  • é mais rápido resolver do que registrar, e registrar exige parar de resolver;
  • o operador não a considera parada, porque a linha "não parou de verdade";
  • muitos sistemas de apontamento só abrem evento acima de um limiar, tipicamente 5 ou 10 minutos, e tudo abaixo disso é invisível por construção.

O jeito de medir é observar, não apontar. No turno do exemplo, uma observação direta de 30 minutos no posto de saída contou 8 interrupções, com duração média de 26 segundos. Projetado para os 356 minutos de tempo operando, isso dá 2.468 segundos, ou 41,1 minutos, cerca de 92% da perda de desempenho calculada.

Achado o mecanismo, a ação não é apontar melhor: é eliminar a fonte. Limpeza, inspeção e padrão de posto, que é o território do 5S e da manutenção autônoma, atacam a pequena parada melhor do que qualquer campo novo na planilha.

O erro de perseguir OEE fora do gargalo

Subir o OEE de um equipamento que não limita a saída da fábrica não aumenta produção: aumenta estoque em processo ou ociosidade, e consome o recurso de melhoria que faltaria no gargalo.

O caso típico é a fábrica que cobra meta de OEE de todo equipamento. Em poucos meses cada área tem seu plano, todas as curvas sobem, e a saída mensal não muda.

A regra prática tem três passos. Identificar o recurso que limita a saída, medir OEE nele com apontamento detalhado, e medir os demais só com um indicador grosso de disponibilidade, sem exigir meta. Essa é a lógica de fluxo do lean manufacturing: o ganho do sistema é o ganho da restrição.

Há três exceções legítimas: equipamento com alto custo de parada e efeito em cadeia, equipamento que alimenta o gargalo e o deixa faminto quando falha, e equipamento em estudo de investimento, quando o OEE decide entre comprar máquina nova e recuperar a existente.

Quando o gargalo muda de lugar conforme o mix, muda onde o apontamento detalhado acontece, não a planilha.

Metas realistas por tipo de operação

O 85% que circula como padrão mundial vem de uma combinação específica: 90% de disponibilidade, 95% de desempenho e 99,9% de qualidade, em equipamento discreto dedicado. Aplicado a uma célula de usinagem com seis setups por turno, ele é um número que só produz desânimo.

Tipo de operaçãoFaixa de partidaO que limita
Linha contínua dedicada, produto único80 a 90%Preventiva e ritmo
Envase e embalagem com troca de formato65 a 80%Setup e pequenas paradas
Usinagem em lote, mix alto50 a 70%Setup e ajuste de primeira peça
Montagem manual em célula60 a 75%Balanceamento e ritmo humano
Processo em batelada (forno, reator)55 a 75%Ciclo fixo e carga parcial
Equipamento gargalo com turno cheio70 a 85%Depende do plano de ataque

Essas faixas calibram expectativa no primeiro mês, não viram meta contratual. A meta que funciona é construída de dentro: mede-se três meses, decompõe-se a perda dominante e define-se um alvo para o fator que a contém.

No turno do exemplo, a meta honesta não é "chegar a 85%". É "reduzir o setup de 28 para 15 minutos em quatro meses", o que sozinho leva a disponibilidade de 82,8% para 85,8% e o OEE para 73,4%. Meta em fator é auditável. Meta em OEE cheio é torcida.

O gráfico de acompanhamento e a rotina que o sustenta

O gráfico certo é uma série temporal por turno ou por dia, na ordem em que os dados aconteceram, com quatro linhas juntas: OEE e os três fatores. Sem os fatores no mesmo gráfico, o movimento do OEE fica sem explicação.

Uma barra empilhada de perdas em minutos, ao lado, fecha a leitura: a mesma decomposição, semana a semana. Ali se procura mudança de composição, não de altura.

  • média móvel de 4 semanas na mesma área de plotagem, para separar tendência de variação normal;
  • marcação vertical nas datas de intervenção, para dar a cada degrau uma causa nomeada;
  • número de turnos apontados no período, porque cobertura de apontamento caindo puxa o OEE para cima artificialmente;
  • percentual do tempo parado que caiu em "outros", como termômetro da qualidade da coleta.

Quem quiser separar sinal de ruído com rigor usa uma carta de controle de individuais sobre a série de OEE por turno, que é a aplicação direta do controle estatístico de processo a um indicador. Reagir a cada oscilação dentro dos limites gera ação sem causa e desgasta a rotina.

A rotina fecha o ciclo. O gráfico impresso na gestão à vista da linha, atualizado toda manhã, com quinze minutos de reunião em pé: o OEE de ontem, o maior motivo de parada e a ação em curso. Um modelo de OEE em Excel sem essa reunião vira arquivo, e arquivo não move indicador.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula do OEE em Excel?
O OEE é o produto dos três fatores: <code>=Disponibilidade*Desempenho*Qualidade</code>. Cada fator tem a sua: disponibilidade é <code>=(Tempo planejado-Paradas não planejadas)/Tempo planejado</code>, desempenho é <code>=Produzido/(Tempo operando*Cadência nominal)</code> e qualidade é <code>=(Produzido-Refugo)/Produzido</code>. Vale conferir pela via curta, <code>=(Produzido-Refugo)/Cadência nominal/Tempo planejado</code>, que tem que dar exatamente o mesmo resultado.
O que entra no tempo planejado de produção?
Todo tempo em que a empresa decidiu que o equipamento deveria estar produzindo. Turno não escalado e falta de pedido ficam de fora; setup e falta de material ficam dentro. Refeição e manutenção preventiva dependem de política escrita, e é essa escolha que mais move o resultado: no exemplo do artigo, o mesmo turno dá 63,5%, 70,8% ou 75,8% conforme o denominador adotado.
Por que meu OEE não pode ser comparado com o de outra empresa?
Porque três coisas mudam ao mesmo tempo: o processo, a qualidade do apontamento e a definição de tempo planejado. Uma empresa que exclui preventiva e setup do denominador publica um número vários pontos acima de outra que os mantém, com o mesmo desempenho real. OEE é um indicador de série própria: compare com você mesmo, na mesma definição, ao longo do tempo.
Como apontar as paradas na planilha?
Uma linha por evento, com data, turno, equipamento, hora de início, hora de fim e código de motivo escolhido de uma lista fechada de 12 a 20 códigos. A duração sai por fórmula, <code>=(Fim-Início)*1440</code>, e nunca é digitada. Se "outros" passa de 10% do tempo parado, o problema está na lista de motivos e não em quem aponta.
Qual cadência devo cadastrar para calcular o desempenho?
A velocidade de placa do equipamento, ou a máxima sustentada já demonstrada para aquele produto. Não é a média histórica nem a meta do mês. Cadastrar a média histórica prende o desempenho perto de 100% e apaga do indicador a segunda maior fonte de perda da fábrica, que são as pequenas paradas e a redução de velocidade.
Peça retrabalhada conta como refugo no OEE?
Conta. O critério é aprovado de primeira: se a peça exigiu tempo adicional para ser recuperada, ela consumiu capacidade e entra no fator qualidade. O mesmo vale para a perda de arranque, as peças descartadas até o processo estabilizar depois de um setup, que costumam ser as mais esquecidas do registro e nem sempre são as menores.
Por que as pequenas paradas não aparecem no meu apontamento?
Porque resolver é mais rápido que registrar, porque o operador não as considera parada e porque muitos sistemas só abrem evento acima de 5 ou 10 minutos. Elas não somem do OEE: reaparecem como perda de desempenho, já que o tempo operando é derivado por subtração. A forma de medir é observação direta no posto, projetada para o tempo operando do turno.
Devo medir OEE em todos os equipamentos da fábrica?
Não. Apontamento detalhado e meta só no recurso que limita a saída, mais os equipamentos de alto custo de parada e os que alimentam diretamente o gargalo. Nos demais, um indicador grosso de disponibilidade basta. Subir OEE fora do gargalo gera estoque em processo e consome a mesma verba de melhoria que faria falta onde ela produz resultado.
Qual é uma meta de OEE realista?
Depende do tipo de operação: 80 a 90% em linha contínua dedicada, 65 a 80% em envase com troca de formato, 50 a 70% em usinagem com mix alto. O 85% de padrão mundial vale para equipamento discreto dedicado e não para célula com seis setups por turno. A meta útil é definida sobre o fator dominante, com prazo e responsável, e não sobre o OEE cheio.
Qual gráfico usar para acompanhar o OEE?
Série temporal por turno ou por dia com quatro linhas juntas, o OEE e os três fatores, mais uma barra empilhada das perdas em minutos ao lado. Marque as datas de intervenção no eixo e mostre a cobertura de apontamento do período, porque cobertura caindo eleva o OEE artificialmente. Para separar sinal de ruído, uma carta de controle de individuais sobre a série resolve.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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