Modelo de plano de auditoria em Excel
O programa anual que define a cobertura do ciclo e o plano individual que organiza o dia: matriz por requisito, frequência por risco, agenda por horário e amostra definida antes da visita.
O plano de auditoria é a peça que quase todo sistema de gestão tem pela metade. Existe um calendário com datas, às vezes existe uma checklist, e entre as duas coisas falta o documento que diz o que aquela auditoria vai olhar, contra qual critério e em que horário. O resultado é auditoria que acontece e não cobre o ciclo.
Duas coisas diferentes precisam existir. O programa anual, que é o conjunto de auditorias do período e responde pela cobertura de todos os processos e requisitos. E o plano individual, que é o documento de uma auditoria só, com escopo, critério, agenda por horário e amostra prevista.
Este artigo trata do que vem antes da visita. A matriz que cruza processo, requisito e período. O critério de frequência por risco. A designação de auditor, o calendário publicado em janeiro, a preparação pelos achados anteriores e a amostra definida antes de entrar na área.
A condução dentro da sala é outro assunto, tratado no artigo irmão sobre auditoria interna da qualidade. Aqui o foco é a planilha: as abas, as colunas, as fórmulas de acompanhamento e o que fazer quando a aderência cai.
O programa anual de 22 auditorias, o plano de compras com agenda das 08:30 às 16:30 e os percentuais de aderência foram montados para este artigo, no formato dos kits de metodologia da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica e a ordem de grandeza, não uma empresa real. As contagens de auditorias por mês, as durações das janelas e os percentuais foram conferidos em Python.
Programa de auditoria e plano de auditoria não são a mesma coisa
Duas palavras parecidas nomeiam documentos diferentes, e confundi-las é a origem da maior parte dos programas que não fecham o ano. O programa é o conjunto de auditorias previstas para um período, normalmente doze meses. O plano de auditoria é o documento de uma auditoria só: aquela, naquele processo, naquele dia.
O programa responde uma pergunta de cobertura: tudo o que precisa ser auditado foi auditado dentro do ciclo? O plano responde uma pergunta de execução: esta auditoria vai olhar o quê, contra qual critério, com quem e em que horário?
| Aspecto | Programa anual | Plano de auditoria |
|---|---|---|
| Horizonte | 12 meses | Um dia, ou parte dele |
| Unidade | Uma linha por auditoria prevista | Uma linha por janela de horário |
| Quando nasce | Antes do início do ciclo | De 10 a 15 dias antes da visita |
| O que prova | Cobertura e frequência adequadas | Escopo, critério e agenda combinados |
| Quando muda | Por achado relevante ou risco novo | Por indisponibilidade de pessoa |
O que o programa anual precisa conter
Um programa que sustenta auditoria de certificação não precisa ser bonito, precisa ser completo. Seis colunas resolvem quase tudo, e cada uma existe porque a ausência dela gera pergunta em auditoria externa.
- Processo ou área. A unidade auditável, escrita como aparece no mapa de processos. Nome improvisado quebra o cruzamento com a matriz de cobertura.
- Requisitos aplicáveis. As cláusulas da norma e os documentos internos que servirão de critério naquele processo.
- Frequência e justificativa. Não basta escrever semestral: precisa estar registrado por que aquele processo é semestral e o vizinho é anual.
- Período previsto. O mês, não a data exata. Data exata no programa anual envelhece na segunda semana.
- Auditor designado. Nome ou função, com a checagem de independência feita.
- Status e data real. As colunas que transformam o programa em instrumento de acompanhamento em vez de intenção arquivada.
Se o sistema ainda está sendo estruturado, alinhe o programa com o desenho feito em como montar um sistema de gestão da qualidade: auditar processo que não foi definido gera achado sobre o mapa, não sobre a operação.
A matriz de cobertura: processo, requisito e período
A matriz de cobertura impede o buraco silencioso. Ela cruza os requisitos da norma com os processos onde cada um será verificado e indica em qual período. Sem ela, é comum descobrir em outubro que a cláusula de competência nunca entrou em nenhum escopo.
| Cláusula | Onde é auditada | Períodos |
|---|---|---|
| 4 e 5 Contexto e liderança | Análise crítica e melhoria | 4º tri |
| 6 Riscos e objetivos | Análise crítica e cada processo operacional | 2º e 4º tri |
| 7.1.3 e 7.1.5 Infraestrutura e medição | Manutenção, calibração | 2º e 4º tri |
| 7.2 Competência | Competência e treinamento | 2º tri |
| 7.5 Informação documentada | Aba própria e todos os processos | 3º tri |
| 8.2 Requisitos de produtos | Comercial | 1º e 3º tri |
| 8.3 Projeto e desenvolvimento | Projeto | 2º e 4º tri |
| 8.4 Provedores externos | Compras | 1º e 3º tri |
| 8.5 Produção e prestação | Produção, expedição | 1º, 2º e 4º tri |
| 8.7 Saídas não conformes | Controle de saídas não conformes | 1º, 2º e 4º tri |
| 9.1 Monitoramento e satisfação | Satisfação do cliente | 2º e 4º tri |
| 9.2 Auditoria interna | O próprio programa, por terceiro ou par | 3º tri |
| 9.3 e 10 Análise crítica e melhoria | Direção, saídas não conformes | 4º tri |
Repare na linha 9.2. O programa também é auditado, e quem o escreveu não pode verificá-lo. Em empresa pequena resolve-se com auditor de outra unidade, consultor externo ou auditoria cruzada entre duas pessoas que auditam o trabalho uma da outra.
Como definir a frequência por risco e por histórico
Auditar tudo com a mesma frequência gasta hora de auditor em processo estável e deixa processo crítico com uma visita por ano. A frequência precisa sair de um critério escrito, simples o bastante para ser refeito no ano seguinte sem discussão.
Três fatores bastam. Impacto no cliente ou no produto, de 0 a 3. Achados no ciclo anterior, de 0 a 2. Mudança relevante no período, de 0 a 2. A soma define a faixa: de 6 a 7 pontos, quadrimestral; de 3 a 5, semestral; de 0 a 2, anual.
| Processo | Impacto | Achados | Mudança | Total | Frequência |
|---|---|---|---|---|---|
| Produção | 3 | 2 | 1 | 6 | Quadrimestral |
| Controle de saídas não conformes | 3 | 2 | 1 | 6 | Quadrimestral |
| Compras e provedores externos | 3 | 1 | 1 | 5 | Semestral |
| Projeto e desenvolvimento | 3 | 1 | 1 | 5 | Semestral |
| Comercial | 2 | 1 | 1 | 4 | Semestral |
| Calibração | 2 | 1 | 0 | 3 | Semestral |
| Manutenção e infraestrutura | 2 | 1 | 0 | 3 | Semestral |
| Satisfação do cliente | 2 | 1 | 0 | 3 | Semestral |
| Expedição e preservação | 1 | 0 | 1 | 2 | Anual |
| Competência e treinamento | 1 | 1 | 0 | 2 | Anual |
| Informação documentada | 1 | 0 | 0 | 1 | Anual |
| Análise crítica e melhoria | 2 | 0 | 0 | 2 | Anual |
Com esses doze processos o ciclo fecha em 22 auditorias: dois quadrimestrais rendem 6, seis semestrais rendem 12 e quatro anuais rendem 4. O número importa porque vira hora de auditor, o recurso quase sempre subestimado.
Exemplo de programa anual de auditoria preenchido
Abaixo, o programa que sai da pontuação anterior. Uma linha por processo, com os meses previstos e o total no ano. As 22 auditorias distribuídas nos meses batem com a soma da penúltima coluna, conferida em Python.
| Processo | Requisito | Frequência | Meses previstos | No ano | Auditor |
|---|---|---|---|---|---|
| Produção | 8.5 | Quadrimestral | Fev, Jun, Out | 3 | Auditor A |
| Controle de saídas não conformes | 8.7, 10.2 | Quadrimestral | Fev, Jun, Out | 3 | Auditor D |
| Comercial | 8.2 | Semestral | Mar, Set | 2 | Auditor B |
| Compras e provedores externos | 8.4 | Semestral | Mar, Set | 2 | Auditor C |
| Projeto e desenvolvimento | 8.3 | Semestral | Abr, Out | 2 | Auditor A |
| Manutenção e infraestrutura | 7.1.3 | Semestral | Abr, Out | 2 | Auditor B |
| Calibração | 7.1.5 | Semestral | Mai, Nov | 2 | Auditor C |
| Satisfação do cliente | 9.1.2 | Semestral | Mai, Nov | 2 | Auditor D |
| Competência e treinamento | 7.2 | Anual | Mai | 1 | Auditor E |
| Expedição e preservação | 8.5.4 | Anual | Jul | 1 | Auditor A |
| Informação documentada | 7.5 | Anual | Ago | 1 | Auditor E |
| Análise crítica e melhoria | 9.3, 10 | Anual | Nov | 1 | Auditor C |
A carga por mês é o segundo teste. Fevereiro tem 2, março 2, abril 2, maio 3, junho 2, julho 1, agosto 1, setembro 2, outubro 4 e novembro 3. Janeiro e dezembro ficam vazios de propósito: auditoria que escorrega para a última semana do ano não é realizada, é registrada como realizada.
A designação do auditor e a regra de independência
A regra é curta: ninguém audita o próprio trabalho. A aplicação confunde, porque em empresa de 40 pessoas o auditor da qualidade participa de metade dos processos de alguma forma.
O teste prático são três perguntas. O auditor responde pelo resultado do processo? Aprovou algum documento que servirá de critério? Reporta a quem responde pelo processo? Um sim em qualquer delas exige troca.
| Processo auditado | Auditor | Área de origem | Situação |
|---|---|---|---|
| Produção | Auditor A | Qualidade | Independente |
| Controle de saídas não conformes | Auditor D | Produção | Independente, cruzado com Qualidade |
| Compras | Auditor C | Engenharia | Independente |
| Informação documentada | Auditor E | Comercial | Independente do dono do sistema |
| Qualidade e o próprio programa | Auditor externo ou par de outra unidade | Externa | Obrigatoriamente de fora |
Repare no cruzamento entre produção e saídas não conformes: a pessoa da produção audita o tratamento de não conformidade, e a da qualidade audita a produção. É a solução comum em empresa pequena e funciona, desde que as duas auditorias não caiam na mesma semana, para não virar troca de favores.
O calendário publicado no início do ano
Programa aprovado em janeiro que fica no computador do responsável pelo sistema é rascunho. Precisa virar calendário visível, com mês e responsável, disponível para quem será auditado.
A razão é operacional. Gestor que descobre a auditoria com três dias de antecedência resolve o conflito de agenda do jeito mais fácil, adiando. Calendário publicado em janeiro transfere esse conflito para janeiro, quando ainda dá para remanejar.
- Mês, não dia. A data exata sai no plano individual, de 10 a 15 dias antes.
- Nome do auditor. Aparece desde o início, porque a checagem de independência precisa ser contestável.
- Duração prevista. Meio período ou período inteiro, para o gestor reservar a pessoa certa.
- Onde fica. Mural da qualidade, intranet ou a mesma parede da gestão à vista onde já estão os indicadores da área.
Quem roda um programa 5S conhece a mecânica: o ritmo de auditoria de 5S cai no primeiro trimestre em que o calendário deixa de ser publicado. Com auditoria da qualidade é igual, só que o efeito aparece mais tarde, quando a certificadora pergunta pela cobertura do ciclo.
O plano individual: escopo, critério e o resto da página
O plano individual cabe em uma página. Existe para que auditor e auditado cheguem no dia com o mesmo entendimento, e para que ninguém descubra às 10 da manhã que a pessoa responsável por aquele registro está em viagem.
- Identificação. Número da auditoria no programa, processo, data e turno.
- Objetivo e escopo. O que se pretende verificar e as fronteiras: atividades, locais, período de registros.
- Critério. Contra o que a conformidade será julgada, com a revisão de cada documento.
- Equipe auditora. Auditor líder, auditores e eventual especialista técnico.
- Agenda por horário. Janelas com início e fim, local e quem precisa estar presente.
- Amostra prevista. Quantos itens de cada tipo e por qual critério de escolha.
- Apoio. Checklist do processo, relatório anterior e achados em aberto.
Escopo é fronteira, critério é régua, e a troca entre os dois contamina o relatório inteiro, porque achado sem critério claro vira opinião.
| Campo | Escrito errado | Escrito de forma utilizável |
|---|---|---|
| Escopo | Processo de compras | Compras de matéria-prima e de usinagem, pedidos de 01/03 a 31/08, unidade Contagem |
| Critério | ISO 9001 | ISO 9001 cláusula 8.4, POP-CMP-02 rev. 4, critério de homologação IT-CMP-07 |
| Exclusões | - | Material de escritório e contratação de pessoal, auditados em outro escopo |
A linha de exclusões parece burocracia e economiza uma hora de discussão no dia. E o critério precisa apontar a revisão: auditar contra a revisão 3 de um procedimento operacional padrão que já está na 4 produz achado derrubado em trinta segundos.
A agenda por horário e quem precisa estar em cada janela
A agenda é a parte do plano que mais devolve tempo. Transforma um dia de disponibilidade difusa em quatro janelas com a pessoa certa reservada, e libera o resto da equipe.
Três regras a fazem funcionar. Janelas de 60 a 90 minutos, porque abaixo disso não dá tempo de puxar registro e acima disso a atenção cai. Uma pessoa-chave por janela, nunca a área inteira. E uma janela fechada, sem auditado, para consolidar evidência antes do encerramento.
- Reserve o intervalo. Quinze minutos entre janelas, para a nota ser escrita enquanto a conversa está fresca.
- Marque o local. Sala, posto ou almoxarifado. Deslocamento não previsto come a janela seguinte.
- Nomeie o participante. Comprador sênior é melhor que equipe de compras, porque nome específico entra na agenda da pessoa.
A condução dentro de cada janela, a forma de perguntar e o registro do achado são outro assunto, tratado em como fazer uma auditoria interna da qualidade. Aqui interessa que a janela exista, tenha dono e caiba no relógio.
Exemplo de plano de auditoria individual preenchido
O plano abaixo é da auditoria 04 do programa: compras e provedores externos, primeira passagem do ano. As janelas somam 8 horas de agenda, das quais 4 horas e 45 minutos são de auditoria efetiva, conferidas no somatório dos intervalos.
| Horário | Atividade | Local | Participante |
|---|---|---|---|
| 08:30 a 09:00 | Reunião de abertura | Sala 2 | Gerente de suprimentos, comprador sênior, RD |
| 09:00 a 10:15 | Seleção e reavaliação de provedores, 8.4.1 | Suprimentos | Comprador sênior |
| 10:15 a 10:30 | Intervalo e organização de notas | - | - |
| 10:30 a 11:45 | Requisitos de compra e comunicação, 8.4.3 | Suprimentos | Analista de compras |
| 11:45 a 13:00 | Almoço | - | - |
| 13:00 a 14:15 | Verificação no recebimento, 8.4.2 | Recebimento | Inspetor de recebimento |
| 14:15 a 15:15 | Não conformidade de provedor, 8.7 | Recebimento e Qualidade | Analista da qualidade |
| 15:15 a 16:00 | Consolidação de evidências | Sala 2 | - |
| 16:00 a 16:30 | Reunião de encerramento | Sala 2 | Gerente de suprimentos, comprador sênior, RD |
Duas escolhas merecem atenção. A janela das 14:15 entra em processo de outra área, porque o tratamento da não conformidade de provedor atravessa compras e qualidade: sem isso o rastro morre na porta do recebimento. E a consolidação das 15:15 é mais longa que o costume porque auditoria de compras gera muita evidência documental.
A preparação do auditor: ler os achados anteriores antes de tudo
A preparação começa pelo relatório da auditoria anterior daquele processo, não pela norma. A norma o auditor já conhece. O que ele não sabe de cor é o que foi encontrado ali no ciclo passado e o que aconteceu depois.
A leitura monta a lista de verificações de continuidade. Cada achado anterior gera uma pergunta no plano atual, e ela não é se a ação foi concluída, é se ela funcionou.
| Achado do ciclo anterior | Ação registrada | O que verificar agora |
|---|---|---|
| Três pedidos a provedor não homologado | Bloqueio no ERP | Tentativa de emissão bloqueada e registro de exceções concedidas |
| Reavaliação anual não feita em 6 de 14 casos | Lembrete automático e responsável nomeado | Datas das 14 reavaliações e evidência de decisão em cada uma |
| Critério de homologação sem revisão há 4 anos | Revisão 4 publicada | Se as homologações posteriores usaram os critérios novos |
A terceira coluna é onde a auditoria deixa de ser repetição. Verificar se a ação foi implementada é conferência de tarefa. Verificar se o problema parou de acontecer exige a mesma disciplina de uma análise de causa raiz: se a causa não foi atacada, o achado reaparece com outra roupa.
Definir a amostra antes da visita
Amostra escolhida no dia é amostra escolhida pelo auditado. Não por má fé, e sim porque quem traz a pasta traz a que está organizada. O plano precisa dizer quantos itens de cada tipo serão examinados e por qual critério.
O critério importa mais que o tamanho. Oito pedidos escolhidos como três de maior valor, dois de item crítico e três aleatórios valem mais que trinta pedidos consecutivos do mesmo mês.
| Item | População | Amostra | Critério de escolha |
|---|---|---|---|
| Provedores homologados | 14 | 4 | 2 críticos, 1 novo no período, 1 aleatório |
| Pedidos de compra emitidos | 612 | 8 | 3 de maior valor, 2 de item crítico, 3 aleatórios |
| Recebimentos com inspeção | 430 | 6 | 2 com divergência registrada, 4 aleatórios |
| Não conformidades de provedor | 9 | 9 | Todas, população pequena |
São 27 itens dentro das 4 horas e 45 minutos de auditoria efetiva, cerca de 10 minutos e meio por item. Esse cálculo impede o plano irreal: pedir 60 itens em um dia produz auditoria superficial em 60 registros, pior que auditoria séria em 27.
A checklist por processo é guia, não script
A checklist existe para garantir cobertura, não para conduzir a conversa. Auditor que a lê em voz alta, de cima para baixo, produz auditoria que confirma o procedimento e não descobre o que acontece.
A diferença está no conteúdo. Ela lista o que precisa ser evidenciado, não as perguntas a fazer. A pergunta nasce no momento, a partir do que foi respondido antes.
| Checklist como script | Checklist como guia de cobertura |
|---|---|
| O procedimento de homologação é seguido? | Evidenciar o critério aplicado nas 4 homologações da amostra |
| Existe registro de reavaliação? | Evidenciar data e decisão das reavaliações dos 14 provedores |
| Os requisitos são comunicados ao fornecedor? | Evidenciar como a especificação chega ao provedor em item crítico |
| As NCs são tratadas? | Evidenciar o prazo entre abertura e ação nas 9 NCs do semestre |
No formato, a checklist se aproxima de uma folha de verificação, com uma diferença: reserve um terço do espaço em branco, porque o achado relevante quase nunca está na linha escrita em casa.
A comunicação prévia: o que é enviado e quando
O plano é enviado de 10 a 15 dias antes ao gestor do processo, aos participantes nomeados na agenda e ao responsável pelo sistema. Prazo menor não dá tempo de remanejar pessoa; prazo maior faz o plano ser esquecido.
- O plano em anexo. Com escopo, critério, agenda e amostra prevista. Não mande só a data.
- O que precisa estar disponível. Quais registros, de qual período e em qual sistema, para evitar a meia hora de busca no meio da janela.
- Confirmação de agenda. Peça resposta nomeando quem estará em cada janela, porque silêncio não é confirmação.
- Reserva de sala. Feita pelo auditor, não pelo auditado, junto com o envio.
Um ponto gera atrito: comunicar o plano não é comunicar a amostra específica. Enviar a lista dos oito pedidos dá tempo de arrumar os oito. Envie o critério de escolha e a quantidade, e leve a lista fechada no dia.
Como registrar o programa e o plano no Excel
Cinco abas cobrem o ciclo inteiro. O erro comum é começar com uma aba só, misturando programa, planos e achados, o que impede qualquer cálculo de acompanhamento.
| Aba | Uma linha é | Colunas que não podem faltar |
|---|---|---|
| Programa | Uma auditoria prevista | Nº, processo, requisito, mês, auditor, status, data realizada |
| Cobertura | Uma cláusula da norma | Cláusula, processos onde é auditada, trimestres marcados |
| Planos | Uma janela de horário | Nº da auditoria, horário, atividade, local, participante |
| Amostras | Um tipo de item | Nº da auditoria, população, tamanho, critério, itens sorteados |
| Achados | Um achado | Nº da auditoria, processo, cláusula, classificação, status, prazo |
Três fórmulas sustentam o acompanhamento. CONT.SES sobre a aba Programa para contar realizadas e planejadas por trimestre. ÍNDICE com CORRESP para puxar os achados em aberto do processo na hora de montar o próximo plano. E CONT.SE na aba Cobertura para acusar cláusula sem nenhum período marcado, o furo que ninguém enxerga a olho nu.
- Status por lista suspensa. Planejada, reagendada, realizada, cancelada. Texto livre inutiliza toda contagem.
- Data planejada e data realizada separadas. Sobrescrever a primeira apaga o histórico de atraso, que é o dado útil.
- Número da auditoria como chave. É ele que liga programa, plano, amostra e achado.
O acompanhamento do programa: realizadas sobre planejadas
O indicador do programa é aderência: auditorias realizadas sobre planejadas no período. É chato e é o único que denuncia o programa morrendo antes de a certificadora chegar.
Acompanhado só no fim do ano, não serve, porque em dezembro não dá para recuperar. Medido por trimestre, avisa com meses de antecedência.
| Período | Planejadas | Realizadas | Aderência |
|---|---|---|---|
| 1º trimestre | 4 | 4 | 100% |
| 2º trimestre | 7 | 5 | 71% |
| 3º trimestre | 4 | 3 | 75% |
| Acumulado até setembro | 15 | 12 | 80% |
| 4º trimestre previsto | 7 | - | - |
| Para fechar o ano em 100% | 22 | 10 no 4º trimestre | - |
A última linha faz a conversa acontecer. Faltam 10 auditorias em um trimestre que tinha 7 planejadas, 43% de carga extra em outubro e novembro, com dezembro fora. Alguém precisa decidir entre apoio externo, remanejamento de auditor ou reconhecer que o ciclo fechará incompleto, com justificativa registrada.
Dois números completam a leitura: o prazo médio entre a auditoria e o relatório e o percentual de achados com ação concluída no prazo. Se os achados se concentram em poucos processos, um diagrama de Pareto por processo mostra onde o sistema cede, e isso realimenta a pontuação de frequência do ciclo seguinte.
Quando ajustar o programa no meio do ano
Programa anual não é contrato. A norma pede que ele considere mudanças e resultados de auditorias anteriores, o que é uma instrução para alterá-lo quando a realidade muda. O que não pode é alterar sem registro.
- Não conformidade maior. Antecipe a auditoria daquele processo e amplie o escopo para os vizinhos que compartilham a causa.
- Reclamação relevante de cliente. Auditoria extra no processo envolvido, com escopo estreito.
- Mudança de processo, sistema ou planta. Novo ERP, layout novo ou provedor crítico trocado pedem auditoria em até 90 dias.
- Troca de responsável. Gestor novo, critério novo. Antecipe para o trimestre seguinte.
- Preparação para certificação. O ciclo precisa fechar antes da auditoria externa, o que costuma exigir comprimir o calendário.
O ajuste entra como revisão do programa, com data, motivo e aprovação. Programa na revisão 3 em outubro, com os três motivos escritos, é sinal de sistema vivo. Programa na revisão 1 com 40% de aderência é sinal do contrário.
O mecanismo é o do ciclo PDCA aplicado ao próprio programa: planeja, executa, verifica aderência e qualidade dos achados, ajusta frequência e cobertura no ciclo seguinte. Quando um achado se repete no mesmo processo em dois ciclos, os 5 porquês aplicados ao achado recorrente costumam revelar que a causa nunca foi tocada.
Por onde começar se o programa ainda não existe
Empresa que nunca teve programa formal não precisa começar pela matriz completa. Precisa de uma lista de processos e de uma decisão de frequência que caiba na equipe disponível.
- Liste os processos. Use o mapa existente. Se não existe, liste as áreas e refine depois.
- Pontue impacto, achados e mudanças. Meia hora com o responsável pelo sistema e um gestor resolve os doze primeiros.
- Feche a frequência e conte as auditorias. Passando de duas por mês, reduza a frequência dos processos de menor pontuação.
- Monte a matriz de cobertura. Cada cláusula aplicável precisa de ao menos um período marcado.
- Designe auditores. Uma linha por auditoria, com a área de origem do auditor ao lado.
- Publique o calendário e escreva o primeiro plano. Os seguintes saem por cópia.
O primeiro ciclo não terá aderência de 100%, e isso é esperado. O que precisa existir no fim do ano é o registro do que foi planejado, do que foi realizado e do motivo de cada diferença. Esse registro é a base da conversa de frequência do ciclo seguinte.
Se o objetivo é certificação, o ciclo completo precisa fechar antes da auditoria externa, com todos os processos e cláusulas cobertos ao menos uma vez. O roteiro de preparação está em como conseguir a ISO 9001, e a condução de cada auditoria, em como fazer uma auditoria interna da qualidade.
