Metodologias & Qualidade

Padrão visual da área: o Seiketsu do 5S com 13 exemplos e modelo para imprimir

O quarto senso lido em 13 áreas: onde a foto do padrão foi parar, o que virou documento e o que ficou sem registro.

Thiago Coutinho
Publicado em 14 de set de 2026  ·  Atualizado em 14 de set de 2026  ·  22 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta, sorrindo enquanto entrega um exemplar do livro a um homem de cabelos grisalhos e camisa clara, diante de estantes de livros, com o texto Padrão visual da área: o Seiketsu do 5S com 13 exemplos e modelo para imprimir sobre fundo escuro à esquerda

Na MRS, os programas de melhoria contínua incluíam o 5S. Durante dois anos respondi pela operação de Lafaiete, e entre a minha mesa e quem conduzia o trem havia dois degraus de chefia. Ali eu vi quanto um combinado perde quando depende de alguém para repeti-lo. O padrão visual existe para encurtar esse caminho.

O quarto senso do 5S lida com esse mesmo problema. Depois de separar, ordenar e limpar, a área chega a um estado bom, e o time costuma chegar ali com pouco gás. O Seiketsu pergunta se esse estado aguenta a troca de turno, as férias do líder e a chegada de gente nova. A foto do padrão é a resposta que dispensa intermediário: a própria área mostra como deve estar.

Neste artigo eu leio o modelo de Padrão Visual da Área (S09) do Kit de Ferramentas 5S contra o Seiketsu de 13 planos de 5S ilustrativos, um por setor. Mostro o que cada parte do modelo pede, o que os planos registram dela e onde o registro fica em branco.

O que é padrão visual no Seiketsu

Padrão visual é o que mostra o estado certo de uma área sem que alguém precise explicar: a foto da prateleira arrumada, a faixa no piso, o contorno da ferramenta, a cor da etiqueta. No 5S ele nasce no Seiketsu, o quarto senso, e serve de gabarito para comparar a área com o combinado.

Na seção 5.8 do meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (página 39), o Seiketsu aparece com o nome de senso de saúde, e a orientação de aplicação começa assim: “O controle visual é o mais indicado nessa fase”. O parágrafo seguinte abre com a outra metade: “É nessa fase que é feito um plano de manutenção para os três primeiros sensos”. O kit chama a mesma etapa de padronização, e o cronograma de implantação do 5S explica de onde vem a diferença de nome.

Quem chega compara a área com a foto e sabe, sozinho, o que está fora do lugar. Nesse ponto o padrão é comunicação visual aplicada ao estado da área. Por isso a foto precisa estar onde a comparação acontece, e precisa dizer de quando é.

A folha S09 tem duas páginas. Na primeira ficam os padrões visuais criados, com o lugar onde cada um foi publicado e o que ele define. Também fica ali o registro de cada foto-padrão com número e data. Na segunda ficam as regras de saúde e segurança da área, o plano de comunicação e treinamento. Por fim, um quadro com uma pergunta só: quem mais usa a área e ainda não foi treinado? O modelo resume a intenção numa linha, “padrão não comunicado não existe”.

O que 13 planos preenchidos mostram sobre o padrão visual

Separei o bloco do Seiketsu em cada plano e li as treze versões em sequência. Sete coisas se repetem.

  • O ponto de partida se repete. Em 9 dos 13 planos, o achado de entrada descreve cada turno, equipe ou analista guardando do seu jeito. Nos outros quatro faltava um item específico: etiqueta de validade, demarcação entre aprovado e quarentena, lista do kit.
  • A foto do padrão está nos 13. Todos os planos publicaram foto. O que muda é o lugar: a parede da área, o móvel, a própria caixa ou um guia que anda com a equipe. A figura da seção sobre onde publicar mostra a distribuição.
  • A versão aparece, a data quase nunca. Nove planos registram a evidência como “padrão v1”. Só o financeiro publica o POP e a política de nomenclatura com versão e data, e essa data é do documento. Nenhum plano anota número e data de cada foto, que é justamente a tabela de registro da página 1.
  • O treino some no fechamento. Dez planos registram, na linha do quinto senso, um treino com lista de presença. Só quatro levam o treino ao bloco 8: farmacêutico, produção, saúde e serviços. Seis põem o padrão na integração de quem chega. A pergunta sobre quem mais circula pela área não tem resposta em nenhum dos 13.
  • As regras escritas são do programa. O bloco 3 dos 13 planos traz critério de descarte, identificação e papéis. A página 2 do S09 pede outra coisa. Ela quer regras de segurança e saúde do lugar. Quatro planos chegam perto. Na logística, é a faixa vermelha do corredor de emergência. Na sustentabilidade, os perigosos só ficam em abrigo coberto. Na manutenção, é o cartaz das 5 regras na entrada da oficina. Na saúde, é o “nada de caixa de papelão no posto”.
  • Três áreas somaram um quadro de gestão à vista. Produção, saúde e serviços publicaram um quadro de gestão à vista junto com as fotos. Na ala B da saúde, é nele que a evidência do padrão foi registrada.
  • A foto termina dentro de um documento. Os 13 planos publicam um POP ou procedimento no bloco 8. No alimentício, o padrão foi incorporado às boas práticas de fabricação. A produção de elevadores levou a folha de setup para a documentação da engenharia de processos.
Barras com quantos dos 13 planos ilustrativos registram cada parte do modelo S09, da foto publicada à lista de quem ainda falta treinar
O que os 13 planos registram de cada parte do S09. A primeira página sai quase cheia; a segunda, quase vazia.

O Seiketsu dos 13 casos lado a lado

Cada plano ilustrativo ocupa uma linha da tabela. As colunas trazem o problema de entrada, a entrega combinada, o lugar onde a evidência ficou e a nota do 4S no começo e no fim do senso.

SetorProblema na entradaEntrega combinadaOnde a evidência ficouNota do 4S
ProduçãoSem padrão visual; cada turno guarda do seu jeitoFoto-padrão publicada por bancadaPadrão v1 no quadro da área40% → 90%
AlimentícioRótulo manuscrito ilegível; sem etiqueta padronizada de abertura/validadeEtiqueta única de validade + padrão publicadoQuadro do padrão na sala45% → 95%
FarmacêuticoEtiqueta sem padrão; nenhuma demarcação entre aprovado, quarentena e reprovadoPadrão visual publicado e treinadoPOP revisado + padrão v1 no quadro da área45% → 95%
LogísticaSem padrão visual; cada turno posiciona a carga do seu jeitoPadrão visual publicadoPadrão v1 no quadro da doca35% → 85%
Manutenção industrialSem padrão visual; cada turno guarda do seu jeitoPadrão visual publicadoPadrão v1 no quadro da oficina35% → 85%
Produção de elevadoresSem padrão visual; cada turno arrumava o posto do seu jeito; sem folha de setupPadrão visual + folha de setupQuadro do posto com padrão v135% → 90%
Manutenção de elevadoresSem lista de kit embarcado; sem etiqueta nas posições; peça usada solta no baúLista única + etiquetas + padrão visualPadrão v1 no quadro da base35% → 85%
SaúdeSem padrão visual; cada equipe guarda do seu jeito; conferência de validade sem calendárioFoto-padrão + dupla checagem publicadasQuadro de gestão à vista da ala40% → 90%
ServiçosSem padrão de posto; cada atendente monta a posição do seu jeitoFoto-padrão do posto e do arquivo publicadaPadrão v1 publicado na operação45% → 90%
FinanceiroSem etiqueta padrão nem nomenclatura de arquivo; cada analista salva do seu jeitoEtiqueta única + política de nomenclaturaPadrão v1 na porta da sala + guia no mural50% → 90%
MarketingSem lista padrão de kit; cada evento montado de um jeito; sem regra visual para material obsoletoPadrão visual + lista única de kitQuadro com foto do padrão de cada estante45% → 85%
HotelariaSem padrão de dobra nem de prateleira; cada turno guardava do seu jeitoFoto do padrão em cada prateleira + guia no carroPadrão v1 no quadro + guia nos 7 carros40% → 90%
SustentabilidadeNenhum padrão visual de segregação; cada equipe descartava do seu jeitoPlacas com foto + cartilha de bolsoCartilha de bolso distribuída a todas as equipes30% → 85%

Como preencher o modelo de padrão visual da área

A ordem de preenchimento acompanha a ordem em que o padrão visual nasce:

  1. Liste cada padrão que o senso criou. O cabeçalho identifica a área piloto, quem lidera o programa e quando a folha foi preenchida. No inventário, uma linha por padrão: a faixa, o contorno, a etiqueta, a foto. Para cada um, anote onde ele está publicado e o que ele define.
  2. Fotografe o estado certo e numere a foto. A tabela de registro pede local ou estante, número da foto e data. O modelo avisa que a foto se refaz quando o padrão evolui. A data é o que diz qual foto vale. Foi o campo que os 13 planos deixaram vazio.
  3. Escreva as regras que valem ali. A página 2 tem seis linhas para segurança e saúde. A orientação do modelo é curta: regra com exceção não é regra. Se a área tem um corredor que não pode ser ocupado, ele entra aqui.
  4. Monte o plano de comunicação e treinamento. Quem treinar, quando, com que conteúdo e qual evidência. O modelo defende que 40 minutos no local valem mais que 4 horas em sala. Eu concordo, porque o padrão visual se ensina apontando para ele, no próprio gemba.
  5. Responda quem mais usa a área. O exemplo impresso no modelo são os terceiros da manutenção que retiram peça no fim de semana. Para esse grupo, o modelo prevê um treino de 15 minutos combinado com o supervisor deles. Limpeza terceirizada, turno da noite e fornecedor que descarrega na doca costumam estar nessa lista.

A dica do modelo propõe um teste que eu uso para saber se o quarto senso fechou: tire o líder da área por uma semana. O que degradar primeiro mostra onde falta padrão. O mesmo quadro traz um critério que dispensa o teste: se alguém precisa ficar do lado para outro entender, o padrão ainda não é visual.

Onde publicar a foto do padrão para ela ser usada

O COMO USAR do S09 manda publicar o padrão onde ele é usado, não numa pasta no servidor. Os 13 planos obedecem, e mesmo assim a foto foi parar em quatro lugares diferentes.

Quatro degraus de onde os 13 planos ilustrativos publicaram a foto do padrão: na área, no móvel ou posto, no próprio objeto e com quem trabalha
Onde a foto do padrão ficou em cada plano. Nove escolheram o móvel ou o posto de trabalho.
  • Na área. A foto na parede mostra o conjunto. Serve para quem chega e para quem audita. Mas fica longe da mão de quem guarda.
  • No móvel ou no posto. A foto fica onde o trabalho acontece: na estante, na bancada, na gaveta. É o degrau mais comum nos 13, porque a comparação é feita ali.
  • No próprio objeto. A caixa ou o equipamento carrega o próprio gabarito. Ninguém precisa abrir para saber o que vai dentro.
  • Com quem trabalha. Quando a área se desloca, como o baú de uma van ou o carro de uma camareira, o padrão precisa ir junto. Um guia de bolso faz o mesmo papel para equipes espalhadas por um canteiro.

Para escolher o degrau, eu começo pela pessoa. Onde ela está na hora de comparar a área com a foto? Diante da estante, a foto vai na estante. No corredor do hotel, vai no carro. A resposta costuma aparecer em minutos.

Depois do lugar, vem a data. Quando o padrão visual muda, a foto nova precisa substituir a antiga no mesmo ponto. O registro de número e data da primeira página é o que permite a qualquer um conferir se a imagem pendurada ainda é a atual.

Sinais de que o padrão visual está escorregando

A área raramente volta ao estado antigo de uma vez. Ela escorrega aos poucos, e a gente, que passa por ali todo dia, se acostuma com cada pequena diferença. Estes são os sinais que eu procuro numa caminhada pelo gemba, antes de qualquer auditoria:

  • A foto não bate com a área, e ninguém estranha. O padrão visual mudou por um bom motivo, mas a imagem antiga continua pendurada. A partir daí, quem compara a área com a foto aprende a ignorar a diferença.
  • As perguntas voltam para o líder. Se alguém precisa perguntar onde vai uma peça que a foto deveria mostrar, a foto falhou. Ou está no lugar errado, ou está ilegível, ou não cobre aquele item.
  • A regra ganha um “só hoje”. O corredor que não podia ser ocupado recebe um palete por uma tarde. Na semana seguinte, recebe outro. É o que a frase do modelo sobre regra com exceção tenta evitar.
  • A bagunça tem hora marcada. A área amanhece fora do padrão sempre depois do mesmo turno, do mesmo fornecedor ou da mesma equipe terceirizada. Quase sempre é alguém que ninguém incluiu no treino.

A auditoria 5S mede o desvio de fora e com nota, na data que o calendário de auditorias marca. Os sinais acima aparecem antes dela, para quem trabalha na área. Cada um aponta para uma parte do S09: registro de foto, publicação, regras e a lista de quem mais usa a área.

Dos quatro, o primeiro é o mais barato de prevenir. A dica do S09 fecha com uma frase que eu gostaria de ver impressa ao lado de toda foto-padrão: foto sem data vira decoração em três meses. A data diz a quem está diante da estante se aquela imagem ainda é o combinado. Ao líder, diz quando foi a última vez que alguém olhou para ela com atenção.

Nos 13 planos, essa é a lacuna que se repete em todos. As fotos existem, estão no lugar certo e, em nove casos, a evidência ficou registrada como padrão v1. Nenhum plano registra a data de cada foto. Enquanto o padrão não muda, a falta passa despercebida. Na primeira revisão do layout, ela aparece. Ninguém sabe dizer qual das fotos da parede é a atual, e a comparação que o Seiketsu construiu volta a depender de perguntar para alguém.

13 exemplos de padrão visual da área, com PDF para baixar

Os 13 exemplos abaixo reúnem o Seiketsu de cada área no formato do S09: problema de entrada, padrões criados, lugar da evidência, documento e treino. Onde o plano do caso deixa um campo sem registro, a folha em PDF mostra a lacuna em itálico, em vez de preencher com suposição. A miniatura amplia a folha na própria página. O botão vermelho baixa o arquivo, e Esc fecha a ampliação. Todos os casos são ilustrativos, criados para ensinar o preenchimento.

1. Produção: ferramentaria da linha de montagem

Padrão visual da ferramentaria da linha de montagem na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Quando o Seiketsu começou, a ferramentaria da linha de montagem estava em 40% no 4S. Não havia padrão visual, e a arrumação mudava com o turno.

Entre 11 e 29/mai, o líder e a qualidade publicaram uma foto-padrão por bancada. Vieram junto a etiqueta única com nome, endereço e frequência, a demarcação de piso e um quadro de gestão à vista. A evidência ficou como padrão v1 no quadro da área. A nota subiu para 90%.

O bloco 8 registra os três passos que fazem o padrão visual durar: POP e fotos publicados em 30/jun, 17 pessoas treinadas com registro e o treino incluído na ficha de integração.

Para a folha ficar completa, faltaria o número e a data de cada foto. Na próxima revisão do padrão, é isso que diria qual imagem trocar.

Se eu fosse montar a lista de quem ainda falta treinar, começaria por este plano. No bloco 8, é o único que conta o treino por pessoa; os demais falam em time, equipe ou turno.

2. Alimentício: sala de pesagem e preparação

Padrão visual da sala de pesagem e preparação na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Rótulo manuscrito que ninguém conseguia ler, e nenhuma etiqueta padronizada de abertura e validade: foi assim que a sala de pesagem e preparação chegou ao quarto senso, com 45%.

De 16/mar a 03/abr, a qualidade e a supervisora criaram a etiqueta única de validade, verde no prazo e laranja para uso prioritário. A foto-padrão de cada área foi para a parede. O fluxo de pessoas ganhou demarcação. A sala saiu com 95%, empatada com o farmacêutico na nota mais alta do Seiketsu. O padrão foi incorporado ao procedimento de boas práticas de fabricação.

O ponto sensível da sala era o insumo vencido. A regra do programa manda separá-lo na hora e só descartá-lo com registro da qualidade. A etiqueta laranja chega antes disso e puxa o insumo para uso prioritário. No fechamento geral, a sala tinha 1 desvio interno de boas práticas por mês, contra 9 antes, e pesar um lote tomava 7 min, onde antes tomava 12.

A evidência aqui é o quadro do padrão na sala, sem a marca de versão que nove planos usam. O que eu levo deste plano é a etiqueta de validade: a cor se lê da porta da sala, antes de alguém chegar perto do rótulo.

3. Farmacêutico: almoxarifado de insumos

Padrão visual do almoxarifado de insumos na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Etiquetas sem padrão e nenhuma marca no piso entre aprovado, quarentena e reprovado: assim o almoxarifado de insumos entrou no 4S, com 45%.

A farmacêutica e a qualidade conduziram o senso de 27/abr a 15/mai. Faixas de piso verde, amarela e vermelha passaram a dizer o status de cada posição. A etiqueta de posição ficou única, e cada rua ganhou a foto do padrão. Insumo com validade de até 60 dias recebe etiqueta laranja.

A entrega combinada tinha duas metades, publicar e treinar. O bloco 8 confirma as duas: POP revisado e 100% do time treinado com registro. O senso chegou a 95%.

O descarte tinha trava dupla. Insumo vencido, ou sem giro por 90 dias, leva cartão vermelho, mas só deixa a rua depois que a farmacêutica e a garantia da qualidade conferem juntas e registram a saída. Foram 68 cartões, todos com destino registrado. Os desvios de rastreabilidade, que eram 6 por trimestre, zeraram, e o inventário caiu de 6h para 2h30.

Eu mostraria este piso a quem acha que toda regra precisa estar escrita. Pela cor, até quem nunca entrou no almoxarifado entende de onde não pode tirar insumo.

4. Logística: doca de expedição 3

Padrão visual da doca de expedição 3 na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Na doca de expedição 3, a carga ia para onde o turno achava melhor, e o 4S marcava 35%.

Líder e equipe trabalharam de 25/mai a 12/jun. Faixas amarelas marcaram a circulação e a vermelha, o corredor de emergência. Cada área ganhou sua foto afixada, e as etiquetas da empilhadeira ficaram legíveis.

A faixa vermelha é o mais perto que este plano chega de uma regra de saúde e segurança. No bloco 3 ela aparece como intocável, dentro das regras do programa. No S09 ela ganharia uma linha na página 2, como regra da doca.

Com o padrão v1 no quadro da doca, a nota foi a 85%. O POP e o padrão fotografado foram publicados.

O treino tem registro: 40 min por turno para os 14 operadores, com lista de presença. Falta a lista de quem só passa pela doca, que costuma começar pelos motoristas de transportadora.

5. Manutenção industrial: oficina de manutenção

Padrão visual da oficina de manutenção na estrutura do S09 (caso ilustrativo)O planejador conduziu o Seiketsu da oficina de manutenção de 20/abr a 08/mai. O ponto de partida era 35%, numa oficina sem padrão visual, onde cada turno arrumava de um modo.

Toda prateleira recebeu etiqueta padrão. A entrada ganhou o cartaz das 5 regras, e cada bancada, a foto do padrão afixada. A oficina saiu com 85%. O POP da oficina foi publicado com o padrão fotografado.

Quais são as 5 regras do cartaz, o registro não conta. Se forem de segurança, cabem na segunda folha do modelo. Se forem do programa, essa folha continua por fazer. O treino de 1h por turno tem lista de presença dos 12 técnicos, e a integração de quem chega não aparece.

6. Produção de elevadores: pré-montagem de portas

Padrão visual do posto de pré-montagem de portas na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Sem folha de setup e com o posto arrumado de um modo por turno, a pré-montagem de portas estava em 35%.

Entre 11 e 29/mai, o líder e um técnico fotografaram o padrão de cada estação, fizeram contorno e etiqueta nas ferramentas e criaram uma folha de setup por família de modelo.

Na engenharia de processos, a folha de setup entrou na documentação ao lado do POP do posto. O quarto senso fechou em 90%.

Como vários turnos passam pelo mesmo posto, a pergunta sobre quem mais usa a área teria resposta rápida, mas ela ficou em branco.

7. Manutenção de elevadores: base de manutenção e kit das 12 vans

Padrão visual da base de manutenção e do kit das vans de elevadores na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Kit embarcado sem lista, posições sem etiqueta e peça usada solta no baú. Esse era o quadro da base de manutenção, com 35% no 4S.

O supervisor conduziu o senso de 15/jun a 03/jul. Na porta de cada baú foi uma lista única plastificada, com a foto da posição de cada item. As posições de maior giro receberam etiqueta com código e foto.

O descarte tinha uma exceção que a lista precisa respeitar. Peça parada por mais de 12 meses leva cartão vermelho e volta ao CD com aval do planejamento de peças, mas o item crítico de contrato fica fora dessa regra. Nos chamados de junho e julho, a parcela que exigiu retorno por peça em falta desceu de 14% para 5%.

A área de trabalho deste caso é a van, e o padrão viajou com ela: é o único plano em que a foto só aparece no degrau de quem trabalha. A evidência registrada é o padrão v1 no quadro da base, e a nota terminou em 85%. O POP da base saiu junto com a lista única do kit, e o treino não aparece no plano.

8. Saúde: posto de enfermagem da ala B

Padrão visual do posto de enfermagem da ala B na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Cada equipe do posto de enfermagem da ala B tinha a própria arrumação, e a validade era conferida sem calendário. O 4S estava em 40%.

De 09 a 27/mar, a coordenadora e a farmácia puseram foto-padrão em gavetas e armários, etiquetas por classe com código de cor e um calendário da dupla checagem quinzenal com espaço para 2 assinaturas.

O procedimento do posto saiu em 30/abr, com as fotos, a regra do kit de urgência e a dupla checagem. Quatro equipes passaram por treino com registro, e a integração de novos profissionais ganhou o tema.

A evidência ficou no quadro de gestão à vista da ala, e a nota chegou a 90%.

Das regras do programa, uma já tem cara de regra de segurança do posto: nada de caixa de papelão.

9. Serviços: escritório da operação

Padrão visual do escritório da operação na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Os atendentes do escritório da operação montavam cada um a sua posição, sem padrão de posto, e o 4S marcava 45%.

De 06 a 24/abr, o supervisor e a qualidade fixaram em cada painel a foto-padrão do posto e, ao lado dos monitores, o mapa da árvore de pastas. Gavetas e armários foram identificados. Um quadro de gestão à vista entrou na operação.

Com o mapa das pastas, o padrão visual alcança também o arquivo de rede. A nota final foi 90%. A trajetória completa do 5S nesta operação está no case de 5S em serviços.

O procedimento do posto padrão e do arquivo foi publicado em 15/mai. Os 3 turnos foram treinados com registro, e o tema faz parte da integração de novos atendentes.

10. Financeiro: sala, arquivo físico e pastas de rede

Padrão visual da sala, do arquivo físico e das pastas de rede na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Nomenclatura de arquivo não existia no financeiro, nem etiqueta padrão. Cada analista salvava como preferia.

Mesmo assim, os 50% de entrada eram a nota mais alta entre os planos. A coordenadora conduziu o senso de 27/abr a 15/mai. O padrão de cada estante foi fotografado e afixado, e um guia de 1 página passou a explicar a política de nomenclatura. A evidência ficou como padrão v1 na porta da sala, com o guia no mural. Na saída, a sala marcou 90%.

É o único plano que publica o padrão com versão e data: o POP da sala e a política de nomenclatura. A data vale para o documento, e o plano não registra número nem data das fotos das estantes.

O guia vai para todo novato. Numa sala que vive de papel e de pasta de rede, o primeiro dia é quando o hábito de nomear arquivo ainda não se formou.

Eu leio a política de nomenclatura como o padrão visual de quem não vê a pasta: o nome do arquivo diz onde ele mora, como a etiqueta faz na estante.

11. Marketing: estúdio e almoxarifado promocional

Padrão visual do estúdio e do almoxarifado promocional na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Kit de evento sem lista padrão, montagem que mudava a cada evento e nenhuma regra visual para material obsoleto: o estúdio e o almoxarifado promocional partiram de 45%.

De 01 a 19/jun, a analista sênior identificou as caixas de brinde com etiqueta e foto. Também marcou com contorno os equipamentos do estúdio e pendurou um guia de 1 página nos murais. A nota foi a 85%.

No descarte, a marca antiga saiu sem exceção, e só o brinde bom virou doação, aprovada pela gerente. Item que ninguém previa usar nos 12 meses seguintes ganhou cartão vermelho. Cada kit passou a levar a lista de conteúdo na tampa. Nos 3 eventos cronometrados, montar um kit levou 1h10 em média, contra 3 h antes.

Aqui o padrão mora no objeto: a caixa mostra o que tem dentro antes de ser aberta, e só este plano ocupa esse degrau. A evidência é um quadro com a foto de cada estante, sem marca de versão. No bloco 8, o POP dos dois ambientes saiu publicado, e a lista do kit entrou no checklist oficial de eventos. O plano não registra treino. Das quatro partes da folha, só a primeira está registrada com clareza.

12. Hotelaria: rouparia central da governança

Padrão visual da rouparia central da governança na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Nem a dobra nem a prateleira tinham padrão na rouparia central, e cada turno guardava à sua maneira: 40% no 4S.

Entre 20/abr e 08/mai, a governanta executiva afixou a foto do padrão em cada prateleira, pôs faixa de estoque mínimo nas etiquetas. Em cada carro, pendurou um guia plastificado de montagem. A evidência é o padrão v1 no quadro e o guia nos 7 carros.

O procedimento da rouparia foi publicado com o padrão visual. A integração de camareiras inclui montar um carro completo no padrão. É treino feito no local, com as mãos, do jeito que o S09 recomenda.

A rouparia fechou o senso em 90%. Ela ocupa dois degraus da figura: a foto fica na prateleira e o guia sai para os andares.

13. Sustentabilidade: central de resíduos do canteiro

Padrão visual da central de resíduos do canteiro na estrutura do S09 (caso ilustrativo)Nenhum padrão visual de segregação existia na central de resíduos do canteiro, e cada equipe descartava do seu jeito.

Era a nota de entrada mais baixa entre os planos: 30%. A técnica de meio ambiente conduziu o senso de 25/mai a 12/jun. Cada baia ganhou placa com foto do que pode e do que não pode, e o piso ganhou faixas. Um quadro passou a mostrar o mapa, o índice semanal e a nota da auditoria.

A cartilha de bolso foi distribuída a todas as equipes, e a integração de novo contratado inclui uma passagem pela central.

Num canteiro, quem descarta está espalhado pela obra. Por isso a placa na baia e a cartilha no bolso fazem trabalhos diferentes.

Perigosos só em abrigo coberto com contenção: essa regra do programa merece uma linha entre as regras de segurança da central, que terminou o Seiketsu em 85%.

Ferramentas que andam com o padrão visual

Seiketsu só se sustenta sobre os três sensos anteriores. O programa 5S e a metodologia 5S explicam a sequência. O senso anterior, o Seiso e o cronograma de limpeza, entrega a área limpa que a foto vai registrar. Na lista de termos do Lean Enterprise Institute, o Seiketsu é a limpeza que resulta de repetir os três primeiros S com regularidade. Em inglês ele costuma virar standardize, padronizar. A implantação do programa 5S situa o Seiketsu no calendário do projeto.

Quando a foto vira documento, o caminho passa pelo POP e pela padronização de processos. O ciclo que mantém esse padrão vivo é o SDCA, comparado ao PDCA em PDCA e SDCA. Na linha de produção, ele se desdobra em trabalho padronizado.

Para o treino da página 2, a lição ponto a ponto cabe numa folha ao lado da foto. O treinamento no posto é o formato que o modelo recomenda. Um checklist curto ajuda a conferir se a área continua igual à imagem.

A leitura de entrada da área fica com o diagnóstico inicial da área. Para quem trabalha num projeto Lean mais amplo, o texto sobre 5S e Lean mostra onde os sensos se encaixam.

Modelo S09 em branco para imprimir

A folha em branco do Kit de Ferramentas 5S tem as mesmas duas páginas que os exemplos usam.

Folha em branco do S09, padrão visual da área, do Kit de Ferramentas 5SÁrea piloto, líder e data no topo. Página 1: inventário dos padrões visuais e registro das fotos, com número e data de cada uma. Página 2: até seis regras de segurança e saúde, o plano de treinamento e a lista de quem usa a área sem ter sido treinado.

Ver e baixar o modelo em branco

A primeira página pode ficar com o líder do programa, junto das fotos originais. A segunda funciona melhor impressa na própria área, onde quem chega lê as regras antes de mexer em qualquer coisa.

Se o seu quarto senso começa agora, te convido a escolher uma estante e fazer a foto dela esta semana, com número e data escritos no verso. Se você vai conduzir o Seiketsu em várias áreas e quer se preparar para liderar o programa com método, a Academia de Certificação da Voitto reúne as trilhas de formação com certificação ao final.

Perguntas frequentes

O que é padrão visual no 5S?
É o conjunto de sinais que mostram o estado certo da área sem que alguém precise explicar: foto da estante arrumada, faixa no piso, contorno da ferramenta, cor da etiqueta. Ele nasce no quarto senso, o Seiketsu, e serve de gabarito para comparar a área com o combinado.
O que é Seiketsu?
É o quarto senso do 5S. Ele mantém o que os três primeiros construíram, e o controle visual é a forma mais indicada de fazer isso. No meu livro ele aparece como senso de saúde. O Kit de Ferramentas 5S o chama de padronização.
Como fazer o padrão visual de uma área?
Liste os padrões criados, fotografe o estado certo e registre número e data de cada foto. Depois escreva as regras de segurança do local e planeje o treino de quem trabalha nela e de quem só passa por ela. O modelo S09 organiza essas etapas em duas páginas.
Onde colocar a foto-padrão?
Onde a pessoa está quando compara a área com a foto. Nos 13 casos, nove puseram a foto no móvel ou no posto de trabalho. Quando a área se desloca, como uma van, o padrão vai junto.
Qual a diferença entre padrão visual e POP?
O padrão visual mostra o estado certo no lugar de uso. O POP descreve o procedimento por escrito. Nos 13 casos o plano publicou um POP ou procedimento junto com a foto, e os dois se completam.
Quando refazer a foto do padrão?
Sempre que o padrão mudar. A foto nova substitui a antiga no mesmo ponto, e o número e a data de cada foto dizem qual é a versão que vale.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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