Metodologias & Qualidade

Matriz de Causa e Efeito: o que é, como fazer e 12 exemplos por segmento

A matriz de causa e efeito é o filtro entre um Ishikawa com 40 causas e um projeto com foco: como pontuar sem achismo e 12 matrizes reais, com PDF para baixar.

Thiago Coutinho
Publicado em 7 de jun de 2022  ·  Atualizado em 2 de set de 2026  ·  18 min de leitura
Colaboradora da Voitto apontando para exemplares do livro Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, de Thiago Coutinho

Numa das primeiras bancas de certificação que eu avaliei, um grupo apresentou um Ishikawa com 43 causas na parede. Nenhuma matriz de causa e efeito para escolher entre elas. Perguntei: "e qual dessas 43 vocês vão atacar primeiro?". A resposta foi a que o gerente da área tinha apontado na reunião de abertura. Não era má-fé: era o único critério que eles tinham.

E eu não tinha o direito de estranhar tanto, porque fiz igual no meu primeiro projeto. Escolhi a causa que me parecia óbvia, gastei seis semanas nela e o indicador não se mexeu. A matriz de causa e efeito existe exatamente para tirar essa decisão do achismo e do organograma. Neste guia você vai ver o que ela é e como pontuar sem inventar número. E 12 matrizes reais preenchidas, de centro de distribuição a canteiro de obra, cada uma com o PDF para baixar.

O que é a matriz causa e efeito?

A matriz de causa e efeito é uma tabela que cruza as causas potenciais de um problema com os requisitos do cliente. Cada cruzamento recebe uma nota de correlação, cada requisito tem um peso, e a soma dos produtos dá a pontuação de cada causa. O resultado é uma lista ordenada por impacto.

No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt (Editora Atlas), ela está no capítulo 26, "Ferramentas de Medição". O que eu escrevo na página 303 é direto. "A Matriz Causa e Efeito é utilizada para priorizar as entradas do processo (causas/X's) de acordo com o impacto que provoca em cada uma das saídas (Y's) ou requerimentos do cliente". A palavra que carrega a frase é requerimentos: quem decide o peso é o cliente.

Num projeto Lean Seis Sigma a matriz de causa e efeito vive na fronteira entre Medir e Analisar do DMAIC. Chega depois que o Ishikawa, também chamado de diagrama de causa e efeito, abriu as hipóteses e antes que os 5 Porquês desçam em uma delas. É a peneira do meio.

Como se lê uma matriz de causa e efeito: causas nas linhas, requisitos do cliente nas colunas com seus pesos, notas de correlação 0, 1, 3 e 9, e a pontuação total que ordena as causas
Como se lê uma matriz de causa e efeito: causas nas linhas, requisitos do cliente nas colunas. Cada nota é multiplicada pelo peso da coluna, e a soma ordena a lista.

Por que a escala é 0, 1, 3 e 9

A escala não é linear de propósito. Se fosse de 1 a 5, a diferença entre uma correlação moderada e uma forte seria de um ponto, e tudo terminaria empatado no meio da tabela. Com 0, 1, 3 e 9, uma correlação forte vale três vezes uma moderada e nove vezes uma fraca. A escala vem da casa da qualidade do QFD. A American Society for Quality descreve o método como uma forma de análise de causa e efeito, nascida no Japão nos anos 1960.

Isso é feito para separar. Uma matriz causa e efeito serve para criar distância entre o que importa e o resto. Numa lista de 40 causas com notas de 1 a 5, os totais ficam todos entre 60 e 90 e você continua sem decisão.

Equipe da Voitto reunida em sala, comemorando de mãos levantadasTem uma coisa que eu repito toda vez que aplico uma matriz de causa e efeito: a matriz é julgamento estruturado, não dado. As notas saem do consenso da equipe num workshop, e isso é uma força enquanto você lembrar que é. Os 12 exemplos abaixo trazem a data do workshop no cabeçalho, e é ela que separa o que foi decidido do que foi verificado.

Numa relação de causa e efeito bem montada, o peso da coluna não vem da equipe. É o único número assim. Ele vem do charter e da voz do cliente, e é definido com o patrocinador do projeto. Se o peso for negociado na mesma mesa em que as notas são dadas, a matriz vira uma justificativa da conclusão que já estava pronta.

Como fazer uma matriz de causa e efeito em 5 passos

Passo 1: liste os requisitos de saída, não os seus objetivos. As colunas são aquilo que o cliente sente: tempo de entrega, produto conforme, custo. Nos 12 exemplos abaixo, os requisitos saíram da árvore CTQ do Project Charter e da voz do cliente. É o mesmo insumo que alimenta um bom indicador.

Passo 2: dê o peso de cada requisito com o patrocinador. De 1 a 10, e antes de olhar as causas. Um projeto de manutenção pesou o MTTR em 10 e o custo de corretiva em 6. Um de hotelaria pesou quarto liberado até as 15h em 10 e hora extra em 6. É essa escolha que define o que a matriz vai encontrar.

Passo 3: traga as causas do diagrama de causa e efeito, sem filtrar. O Ishikawa levanta, e a matriz filtra. Se você já chegar com cinco causas escolhidas, está pontuando a sua conclusão. Se a lista veio de um brainstorming, melhor ainda: quanto mais bruta, menos enviesada. Os exemplos abaixo entram com 8 a 12 causas cada, e o número da categoria 6M de cada uma vem junto.

Passo 4: pontue por consenso, uma coluna de cada vez. Coluna por coluna, e não linha por linha. Percorrer uma causa contra todos os requisitos de uma vez puxa o grupo para uma nota média. Percorrer um requisito contra todas as causas mantém o critério estável.

Passo 5: ache o corte natural, não o top 5. Ordene os totais e procure o degrau. Em quase todos os exemplos abaixo existe um salto claro: no caso do faturamento, cinco causas fecharam em 116 pontos ou mais e a sexta caiu para 88. É o degrau que define o corte, não um número redondo escolhido antes. Achado o degrau, o projeto ganha combustível: a equipe para de discutir lista e começa a investigar. A mesma leitura que se faz num Pareto, procurando onde a curva achata.

Sequência da fase Analisar: o Ishikawa abre 20 a 40 causas, a matriz causa e efeito ordena e entrega 4 a 5 priorizadas, e os 5 Porquês descem até a causa-raiz
O Ishikawa abre, a matriz ordena, e os 5 Porquês descem só no que sobrou.

12 exemplos de matriz de causa e efeito preenchidos, com PDF para baixar

As 12 matrizes de causa e efeito abaixo saíram dos projetos-modelo da Academia Lean Seis Sigma da Voitto. Abra a miniatura para ver a tabela inteira, com as notas de cada cruzamento, e baixe o PDF se quiser usar como referência. Repare na última coluna de cada matriz: em todas, o que passou do corte foi para comprovação, não direto para a solução.

SegmentoO que foi pontuadoCausa nº 1 e a pontuação
Serviços8 causas contra 3 requisitosparametrização de aditivos no ERP, 168
Saúde8 causas contra 4 CTQsausência de fast-track clínico, 249
Logísticacausas do Ishikawa contra 4 saídaspicking sem leitura de código de barras, 240
Manutençãocausas do Ishikawa do MTTRsobressalentes críticos sem estoque mínimo, 216
Alimentíciocausas contra 4 CTQs de envasedesgaste das vedações dos bicos 5 a 8, 243
Farmacêuticocausas contra 4 requisitos de liberaçãotempo em fila de análise no CQ, 244
Financeirocausas contra 3 requisitos de mediçãoconferência contra a memória de cálculo, 216
Marketingcausas contra requisitos de conversãoausência de SLA e plantão digital, 170
Hotelariacausas contra 3 CTQs do SIPOCenxoval em lote, sem kit por quarto, 168
Sustentabilidadecausas contra volume, custo e ESGpedido de argamassa por estimativa, 180
Produção de elevadorescausas contra retrabalho, kits e customovimentação em berço sem revestimento, 180
Manutenção de elevadorescausas contra rechamada, disponibilidade e retençãoajuste de porta sem procedimento, 180

1. Serviços: quando o corte aparece sozinho na tabela

Matriz causa e efeito do caso de faturamento: oito causas pontuadas contra três requisitos, com a parametrização de aditivos no ERP em primeiro com 168 pontosOito causas vindas do Ishikawa, três requisitos de saída: fatura correta com peso 10, emissão no prazo com 8, recebimento no prazo com 6. As notas saíram do consenso da equipe num workshop de 2 de outubro.

A parametrização de aditivos no ERP ficou em primeiro, com 168 pontos. O formulário padrão entre Comercial e CSC veio em segundo, com 132. O corte apareceu sozinho: cinco causas de 116 pontos para cima e a sexta despencando para 88.

Treinamento no fluxo de aditivos, que era a solução favorita antes da matriz, ficou em sétimo com 60 pontos. Não porque treinar seja inútil. A correlação dele com fatura correta é fraca perto de uma trava de sistema.

Vale calcular o que essa posição economizou. Um treinamento de fluxo de aditivos para as duas áreas custaria algumas semanas de agenda e não mexeria na causa que gera 168 pontos de correlação. A matriz não proibiu o treinamento; ela só o tirou da frente da fila.

O coordenador do CSC contestou o peso 6 do recebimento no prazo. Para ele, atraso de recebimento é o que o cliente mais reclama. A analista financeira mostrou que a reclamação vinha da fatura errada, que obriga a reemissão. O peso ficou, e a discussão melhorou a matriz.

2. Saúde: quatro CTQs e a causa que ninguém tinha priorizado

Matriz causa e efeito do pronto atendimento: oito causas contra quatro CTQs, com a ausência de fast-track clínico em primeiro com 249 pontos, 21% do totalO pronto atendimento estava com 4,9 horas de porta-alta e a meta era 2,5, com 6,2% de evasão e um ganho estimado de R$ 486 mil por ano. Oito causas do Ishikawa foram cruzadas contra quatro CTQs, com pesos de 10, 9, 8 e 6.

A ausência de fast-track clínico para o paciente verde e azul liderou com 249 pontos, 21% do total da matriz. Superlotação e plantão noturno subdimensionado ficaram em quarto e quinto. São as explicações que todo mundo dá primeiro num pronto atendimento, e foram para teste de hipótese antes de virar solução.

A coordenação médica queria peso 10 na segurança do paciente, o que é difícil de contestar em voz alta. A discussão só destravou quando o time separou requisito de premissa. Segurança entra como restrição que nenhuma solução pode violar, e restrição não se pondera. Com isso, o peso 8 fez sentido para todo mundo.

3. Logística: quatro saídas e uma causa que ganhou em todas

Matriz causa e efeito do centro de distribuição: causas do Ishikawa contra quatro saídas, com o picking sem leitura de código de barras em primeiro com 240 pontosO CD de São Paulo tinha meta de erro de picking em 1,0%, e as causas vinham de um brainstorming de Ishikawa feito em 18 de setembro. Quatro saídas entraram como coluna, com peso definido pelo Champion a partir do charter: erro de separação valendo 10, custo de reentrega 8, OTIF 7 e produtividade 5.

A decisão que saiu da tabela foi instalar leitura de código de barras no momento da coleta, e não na conferência final. O picking por descrição do item pontuou forte nas três primeiras colunas ao mesmo tempo, o que nenhuma outra causa fez. Fechou com 240 pontos.

Tem uma tensão nesse resultado que a matriz não esconde. Ler código de barras custa segundos por item, então a solução piora a produtividade, que é o requisito de peso 5. Ela melhora três requisitos de peso maior, e é isso que a pontuação diz.

Eu já vi esse mesmo conflito travar projeto por semanas. A saída aqui foi o Champion ter definido os pesos antes, com o charter na mão. Quando o supervisor de produtividade contestou, a conversa passou a girar em torno de um peso que ele mesmo tinha ajudado a acordar.

4. Manutenção industrial: cinco causas que foram para validação

Matriz causa e efeito do MTTR: causas do Ishikawa contra MTTR, disponibilidade de equipamentos críticos e custo de corretiva, com corte de 120 pontos acordado antes da pontuaçãoAs saídas eram MTTR pesando 10, disponibilidade dos equipamentos críticos pesando 8 e custo de manutenção corretiva pesando 6, definidas a partir da árvore CTQ da fase Definir. O baseline era 6,8 horas e a meta, 3,5.

O corte de 120 pontos foi acordado antes de qualquer nota ser dada. É proposital: assim ninguém escolhe a linha depois de ver o resultado. Cinco causas passaram. Entre elas: estoque mínimo de sobressalentes, padrão de troubleshooting, endereçamento do almoxarifado e cadastro de peças.

Nenhuma das cinco causas foi para solução direto: todas saíram marcadas como VALIDAR, e seguiram para estratificação, 5 Porquês e comparação de grupos. A matriz priorizou, e priorizar está longe de provar.

O que esse caso economizou não aparece em lugar nenhum do relatório. A compra do sistema de gestão de sobressalentes ficou suspensa até a comprovação. A validação confirmou quatro das cinco causas. A quinta, aptidão ao diagnóstico, voltou parcial e foi tratada junto com a padronização. Comprar sistema com base numa matriz de julgamento teria sido caro, e o argumento para segurar foi a própria coluna DECISÃO da tabela.

5. Alimentício: quando a máquina ganha do método

Matriz causa e efeito do envase: causas contra quatro CTQs, com o desgaste das vedações dos bicos 5 a 8 em primeiro com 243 pontos, 22% do totalQuatro CTQs com peso: sobrepeso médio de envase valendo 10, conformidade metrológica no subpeso 9, desvio-padrão do peso do pacote 8 e rejeitos do checkweigher 6. Do outro lado da conta, R$ 117 mil por mês: é o que custam as 14,3 toneladas de sobrepeso que a linha entrega sem cobrar.

O plano de manutenção foi revisto na semana seguinte. As vedações dos bicos 5 a 8 entraram como item de troca preventiva, depois de fecharem com 243 pontos, 22% do total. O setup sem ajuste fino de peso por bico ficou logo atrás.

Esse caso é atípico na série e por isso vale a pena. Na maioria das matrizes a vencedora é de método; aqui, é de máquina. O desempate veio da coluna de rejeitos do checkweigher. As duas primeiras causas têm nota idêntica nas outras três. Só a vedação pontua forte nessa. Vedação gasta produz variação para os dois lados, e quem paga a conta é a balança de linha, rejeitando pacote.

O que ficou de fora também conta. A variação de densidade do biscoito entre lotes fez 147 pontos e não virou solução. Foi para teste de hipótese, porque a operadora da linha tinha observado que o problema piora nos lotes de verão. Registrar a observação como hipótese custou nada, e mudar a nota na hora teria custado a credibilidade da tabela.

6. Farmacêutico: a matriz que confirmou o Pareto

Matriz causa e efeito da liberação de lotes: causas contra quatro requisitos com pesos 10, 9, 10 e 7, com fila de análise e revisão documental no topoEste exemplo tem uma particularidade que muda a leitura: dois dos quatro requisitos empataram no peso 10. Quando isso acontece, uma causa forte só em lead time pode empatar com outra forte só em conformidade. Foi o que aconteceu no meio da tabela. Revisão documental sequencial e retrabalho por desvios fecharam os dois em 168 pontos, por caminhos opostos.

Fila de análise no controle de qualidade abriu a tabela com 244 pontos, seguida da priorização das amostras e da revisão documental. As três convergiram com o que o Pareto já tinha apontado e com o que os 5 Porquês foram investigar depois. Convergir é diferente de repetir. O Pareto diz onde o tempo é gasto. A matriz diz qual causa tem mais correlação com os requisitos, e os 5 Porquês dizem por que aquilo acontece.

A Garantia da Qualidade pediu para incluir uma linha que não estava no Ishikawa original, sobre a qualidade do carimbo de tempo nos registros. O time incluiu e pontuou, e ela fechou em último, com 29 pontos. Incluir custou dez minutos. E evitou a sensação, comum em auditoria, de que a lista tinha sido montada para dar no resultado esperado.

7. Financeiro: três requisitos e um empate no corte

Matriz causa e efeito das glosas: causas contra medição aprovada de primeira, recebimento no prazo e retrabalho, com a conferência contra a memória de cálculo em primeiro com 216 pontosCinco causas passaram do corte de 108 pontos, e duas delas empataram na última posição. Os pesos vieram dos CTQs: medição aprovada de primeira valendo 10, recebimento no prazo contratual 8 e baixo retrabalho das equipes 6.

A ausência de conferência padronizada contra a memória de cálculo ficou em primeiro com 216, e a falta de checklist documental por contratante em segundo com 180. A terceira, sobre aditivos, fez 132.

O que esse exemplo ensina é sobre empate. Duas causas fizeram 108 pontos exatos, e empate no corte não se resolve escolhendo uma; as duas entram. Cortar num número redondo teria deixado de fora a concentração do fechamento nos últimos três dias úteis. É um problema de calendário.

A estratificação seguinte é que deu a pista fina, e ela não estava na matriz: órgão público glosa por documentação, privado glosa por quantitativo. A matriz ordenou as causas; a leitura por tipo de contratante veio depois, e mudou o desenho da contramedida.

8. Marketing: a escala que separou cinco causas de uma

Matriz de priorização das causas de perda de leads: ausência de SLA e plantão digital em primeiro com 170 pontos, corte natural em 88A equipe de marketing tinha uma explicação pronta para a perda de leads, e a matriz colocou ela em último lugar. A escala usada aqui foi de 0 a 10 em vez de 0, 1, 3 e 9. O efeito aparece na tabela: os totais ficam mais próximos entre si. Ainda assim o corte natural apareceu, em 88 pontos.

A ausência de SLA e de plantão digital ficou em primeiro com 170 pontos. A falta de cadência padrão de follow-up veio em segundo com 137, e a segmentação ampla das campanhas em terceiro com 107.

A linha de 44 pontos é a mais instrutiva, e é exatamente metade do corte: book do empreendimento desatualizado e criativos genéricos. Era a explicação preferida da equipe para a perda de leads. A matriz mostrou que o problema estava no processo de resposta.

O teste que a analista de CRM propôs, com leads antigos recontatados, confirmou depois que o gargalo era o atendimento e não a peça. Esse número não está nesta matriz: ele aparece na investigação dos 5 Porquês que veio em seguida. É o encaixe que eu procuro quando avalio um projeto, e é o que separa uma priorização defensável de uma reunião bem conduzida.

9. Hotelaria: pesos que vieram do SIPOC

Matriz causa e efeito da liberação de quartos: cinco causas priorizadas contra quarto liberado até as 15h, nota OTA e custo de hora extra, com corte em 104 pontosAqui os pesos não foram inventados na reunião: saíram dos CTQs já mapeados no SIPOC do processo. Quarto liberado até as 15h valendo 10, qualidade da limpeza e nota nas OTAs 8, custo de hora extra 6. Quando o requisito já está mapeado, ninguém precisa inventar coluna na hora do workshop.

Montaram kit de enxoval por quarto na lavanderia, com entregas às 10h e às 13h. A causa que sustentou essa decisão fechou com 168 pontos, e cinco passaram do corte de 104.

A coluna de qualidade é o que salvou uma das cinco. Ordem de manutenção aberta só na inspeção final pontua moderado no requisito principal, mas forte em qualidade, e entrou com 120 pontos por causa disso. Com uma coluna só, ela teria ficado de fora.

A governanta chegou ao workshop convencida de que o problema era a lavanderia. Saiu com duas das cinco causas apontando para a própria rotina de governança, e foi ela mesma quem sugeriu incluir a inspeção em lote na lista. Matriz que só confirma o que o dono do processo já achava costuma ter sido pontuada com ele conduzindo.

10. Sustentabilidade: quando medir é pré-requisito de agir

Matriz causa e efeito do resíduo de obra: quatro causas priorizadas contra volume, custo orçado e indicador ESG, com pedido de argamassa por estimativa em primeiro com 180 pontos"Isso é perda normal de obra." Foi assim que o encarregado da frente defendeu as masseiras de argamassa endurecida. É a frase que eu mais ouço quando uma priorização começa a incomodar alguém. A matriz tinha três requisitos: volume de resíduo com peso 10, custo orçado e indicador ESG.

Quatro causas passaram do corte natural, em 116 pontos. No topo, o pedido de argamassa e concreto por estimativa, com 180. Logo abaixo vêm o corte de cerâmica sem paginação e o gesso acima da espessura de projeto.

A quarta causa é de outro tipo, e é a mais interessante da tabela. Ausência de apontamento de resíduo por pavimento, 116 pontos, categoria Medição. Ela impede saber onde o resíduo nasce. Virou pré-requisito das outras três.

O encarregado queria a causa 1 fora da lista, e a tabela não aceita esse tipo de veto. Quem tira uma linha precisa baixar a nota dela em algum requisito, na frente de todo mundo, e dizer por quê. Ninguém baixou. Somadas, as três primeiras linhas respondem por 79% do volume medido no trimestre, 980 dos 1.240 m³, e nenhuma delas nasce da mão do pedreiro: todas são decisão de planejamento, tomada antes de a obra começar.

11. Produção de elevadores: a causa que estava no transporte

Matriz causa e efeito do retrabalho de portas: quatro causas priorizadas, com a movimentação em berço metálico sem revestimento em primeiro com 180 pontosUma causa de material ficou em monitoramento, abaixo do degrau que a tabela abriu em 116: a oleosidade e a oxidação variando entre lotes de chapa. A correlação dela com retrabalho de porta era fraca perto das quatro que entraram. As colunas já vinham com meta declarada. Retrabalho igual ou abaixo de 5%, kits sem pendência de qualidade acima de 98%, e o custo da não qualidade.

No topo da tabela, a movimentação pós-pintura em berços metálicos sem revestimento, com 180 pontos. O gabarito de solda com folga acumulada aparece logo depois. Os parâmetros de solda variando por turno vêm em terceiro, com 132. As três se confirmaram nos 5 Porquês feitos no gemba entre 18 e 20 de maio.

A causa que liderou é de um tipo que raramente aparece no Ishikawa: quem gera o defeito é o transporte entre operações, não a operação. Ela só entrou na lista porque alguém perguntou o que acontece com a porta depois de pintada. A resposta foi que ela é empilhada.

A engenharia de produto resistiu à quarta causa, sobre apontamento de defeito agregado. Para eles, era problema do sistema e não do processo. Entrou mesmo assim, com 116 pontos, e virou o pré-requisito das outras: sem estratificar o defeito por linha, não dá para medir se a contramedida funcionou.

12. Manutenção de elevadores: quatro causas, um corte e uma surpresa

Matriz causa e efeito das rechamadas: quatro causas priorizadas contra rechamada, disponibilidade e retenção de contrato, com o ajuste do operador de porta em primeiro com 180 pontosPeso 10 na rechamada, 8 na disponibilidade contratada. E um terceiro requisito que quase ninguém coloca numa matriz de manutenção: satisfação do síndico e retenção de contrato, com peso 6. Parece coluna decorativa, e não é: sem ela as duas primeiras causas empatam em 162 pontos.

Quatro causas passaram. O ajuste do operador de porta sem procedimento por família lidera, com 180 pontos. Rota por contagem sem tempo mínimo vem com 168, e peça de desgaste sem troca proativa, com 132.

O que surpreende na tabela é o equipamento repetitivo sem escalonamento para a engenharia, com 116 pontos. Pontua forte em rechamada e fraco em disponibilidade. É essa combinação que retrata o problema. Um prédio sozinho não derruba o SLA da carteira, mas é ele que cancela contrato, pela sensação de que ninguém resolve.

Esse caso é sobre o charter, no fundo. A discussão sobre manter ou não a coluna de retenção terminou quando alguém puxou o documento: ela estava lá, como requisito acordado com o cliente, desde a fase Definir. Briga de peso se resolve no acordo que foi assinado antes, e não na reunião.

Cinco erros que fazem a matriz mentir

1. Definir o peso depois de ver as causas. É o erro que mais estraga matriz de causa e efeito. É a forma mais elegante de justificar a conclusão que você já tinha. O peso é acordado com o patrocinador antes, e não muda durante a pontuação.

2. Usar objetivo interno como coluna. "Reduzir custo" é meta da empresa, e meta de empresa não entra como coluna. A lógica de causa e efeito aqui é simples. O requisito é o que o cliente percebe, e é isso que dá à matriz o poder de contrariar a opinião do time.

3. Pontuar linha por linha. Quem lê a linha inteira de uma vez acaba dando à causa uma nota de impressão geral, em vez de olhar requisito a requisito. Coluna por coluna mantém o mesmo critério para todas as causas, do mesmo jeito que uma folha de verificação mantém o critério de quem anota.

4. Tratar o resultado como prova. Matriz causa e efeito é julgamento estruturado, e julgamento erra. Nas 12 matrizes acima, sem exceção, as causas priorizadas foram para comprovação: estratificação, teste de hipótese ou 5 Porquês no gemba. É o que separa a ferramenta de um palpite bem formatado.

5. Cortar num número redondo. "As cinco primeiras" é arbitrário. Procure o degrau na coluna do total. Se a diferença entre a quarta e a quinta causa for de dois pontos, elas estão empatadas e as duas entram.

Ferramentas que trabalham junto com a matriz

A matriz causa e efeito responde a uma pergunta só: qual atacar primeiro. Nos projetos que a gente acompanha na Voitto, ela entra depois do Ishikawa, que levanta as causas, e do Pareto, que já apontou onde o problema se concentra. A saída dela alimenta os 5 Porquês e, depois, o plano no 5W2H. É a espinha de qualquer projeto de melhoria contínua.

Duas confusões aparecem sempre em sala, e nenhuma delas é com o diagrama de causa e efeito, que é outra coisa. A primeira é com a matriz GUT, que prioriza problemas diferentes entre si por gravidade, urgência e tendência. A matriz de causa e efeito prioriza causas de um mesmo problema, contra requisitos com peso. A segunda é com a matriz esforço x impacto, que vem bem depois, para escolher entre soluções e não entre causas. A American Society for Quality lembra que a análise de causa-raiz sozinha não produz resultado: ela precisa estar dentro de um esforço maior de solução de problema.

Vale ter as três lado a lado, porque escolher a errada custa semanas. A matriz de causa e efeito é a única das três que pontua contra requisito com peso.

FerramentaPriorizaCritérioMomento no DMAIC
Matriz de causa e efeitocausas de um problemacorrelação com requisitos ponderadosfim do Medir, início do Analisar
Matriz GUTproblemas diferentesgravidade, urgência e tendênciaantes do projeto existir
Matriz esforço x impactosoluçõesesforço de implantar × ganho esperadono Melhorar
Paretocategorias de um problema medidofrequência ou impacto acumuladono Medir, com dado

Quando o problema é de variação e não de causa isolada, o caminho passa pela capabilidade do processo. E a matriz inteira cabe numa página de relatório A3, junto com o Ishikawa que a alimentou. Para risco de falha ainda não ocorrida, o caminho é o FMEA, que pontua de outro jeito.

Baixe o modelo em branco e priorize as suas causas

Miniatura do modelo de matriz causa e efeito preenchível da VoittoO modelo de matriz de causa e efeito da Voitto é um PDF preenchível. Traz as linhas de causa com a categoria 6M, as colunas de requisito com o campo de peso, a escala de correlação e a coluna de total já calculada. Ele é a ferramenta A11 do Kit de Ferramentas Lean Seis Sigma, que reúne as 20 ferramentas do DMAIC na ordem de uso.

Ver o modelo em tamanho grande

Preencher a tabela da matriz de causa e efeito é a parte mecânica. O que decide o projeto é outra coisa. É sustentar um peso baixo num requisito que o chefe da área considera prioritário, com o cliente do lado certo do argumento. É esse tipo de conversa que a Academia Lean Seis Sigma treina, com banca no fim. Voltando ao grupo das 43 causas: eles refizeram a priorização com peso do cliente, e a causa que o gerente tinha apontado terminou em sétimo lugar.

Perguntas frequentes

O que é a matriz de causa e efeito?
A matriz de causa e efeito é uma tabela que cruza as causas potenciais de um problema com os requisitos de saída do cliente. Cada cruzamento recebe uma nota de correlação, cada requisito tem um peso, e a soma dos produtos ordena as causas por impacto. Serve para escolher onde investigar primeiro, com critério, em vez de por convicção.
Por que a escala é 0, 1, 3 e 9?
Porque ela é propositalmente não linear. Uma correlação forte vale três vezes uma moderada e nove vezes uma fraca, e isso cria distância entre as causas. Numa escala de 1 a 5, os totais ficam próximos demais e a matriz não decide nada, que é justamente o problema que ela deveria resolver.
Qual a diferença entre matriz causa e efeito e matriz GUT?
A matriz GUT prioriza problemas diferentes entre si, por gravidade, urgência e tendência, e costuma ser usada antes de o projeto existir. A matriz causa e efeito prioriza causas de um mesmo problema, contra requisitos do cliente com peso definido. Uma escolhe o que atacar, e a outra escolhe por onde começar dentro do que já foi escolhido. Nenhuma das duas se confunde com o diagrama de causa e efeito, que levanta hipóteses sem pontuar.
Quem define o peso de cada requisito?
O patrocinador do projeto, a partir do charter e da voz do cliente, e antes de a equipe olhar as causas. Se o peso for definido depois, a matriz vira justificativa da conclusão que já estava pronta. As notas de correlação, essas sim, saem do consenso da equipe no workshop.
Como saber onde cortar a lista?
Procure o degrau na coluna do total, não um número redondo. Nos exemplos deste artigo o corte aparece sozinho: num deles cinco causas fecharam em 116 pontos ou mais e a sexta caiu para 88. Se duas causas empatarem na linha do corte, as duas entram. O degrau é da relação de causa e efeito, e não do seu gosto por listas redondas.
Onde encontro exemplos de matriz causa e efeito preenchidos?
Neste artigo há 12 matrizes completas em PDF, uma por segmento (serviços, saúde, logística, manutenção, alimentício, farmacêutico, financeiro, marketing, hotelaria, sustentabilidade e dois do setor de elevadores), todas gratuitas. São os projetos-modelo da Academia Lean Seis Sigma da Voitto.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

Veja também

Conteúdos de Metodologias & Qualidade

Materiais, resumos e podcasts para você se aprofundar no tema.

Ver todos os conteúdos de Metodologias & Qualidade