Case de evento Kaizen: uma semana para destravar a devolução de produtos
Uma semana concentrada de melhoria no processo de devolução e reposição de louças e metais, contada pelas fases do DMAIC: o Pareto que concentrou 71,8% das devoluções, a matriz que pontuou cada causa, a porta única de abertura e o painel que ficou depois.
Uma louça trincada que volta para a fábrica parece um problema de qualidade. Na prática, o que mais pesa é o caminho que ela percorre até o cliente receber o crédito: e-mails, notas fiscais, coleta, laudo e aprovação, passando por seis áreas.
Este case de evento Kaizen mostra como a Voitto Casa & Construção atacou o processo de devolução e reposição de produtos. O tempo médio de solução era de 38 dias, e o mapa do fluxo apontava que até 93% do tempo não agregava valor.
A equipe escolheu uma semana concentrada de melhoria em vez de um projeto longo, mas manteve as cinco fases do método DMAIC. O relato passa pela preparação, pela imersão, pelo ver-e-agir e pelo acompanhamento depois do evento.
No caminho aparecem o Pareto que concentrou 71,8% das devoluções em três motivos, a matriz que pontuou 64 causas, a meta de 27 dias tirada do primeiro quartil e a decisão de abrir toda ocorrência por uma porta única.
Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto do processo, o roteiro da semana e exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.
Da reclamação ao crédito: o que acontece quando uma louça volta para a fábrica
A Voitto Casa & Construção fabrica e distribui louças sanitárias, metais e acabamentos para casas e escritórios. Quando um revendedor ou consumidor final recebe uma bacia trincada ou uma torneira com defeito, abre uma ocorrência de devolução ou reposição.
Essa ocorrência atravessa seis áreas. O comercial recebe o e-mail, a qualidade analisa a procedência, o fiscal calcula o espelho da nota de devolução (NFD), o cliente emite a nota, a transportadora coleta e a fábrica emite laudo antes de liberar o crédito.
Cada dia parado custa duas vezes. O cliente espera o dinheiro ou a peça nova e passa a comprar menos, e a empresa carrega o valor do produto em trânsito, o frete de volta e horas de análise que não geram receita.
Um exemplo ilustrativo dá a escala. Se entrassem 300 ocorrências por mês, cerca de 10 por dia, e cada uma ficasse 38 dias aberta, haveria em média 380 processos em andamento ao mesmo tempo. Com 27 dias, seriam 270. Cada processo a menos é um cliente a menos cobrando a revenda.
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Processo | Devolução e reposição de produtos |
| Problema | Fluxo sem parâmetro, sem continuidade e sem dados de desempenho |
| Indicador principal | Tempo de solução do processo, em dias |
| Linha de base | 38 dias na média histórica, 32 dias na média atual |
| Meta | 27 dias e redução potencial de 93% do tempo que não agrega valor |
| Escopo | Da chegada da reclamação à disponibilização do crédito |
| Investimento | Baixo CAPEX, melhoria de fluxo e de padrão |
| Ganho esperado | Satisfação do cliente, menos prejuízo, SLA controlado |
Por que a equipe escolheu uma semana concentrada e não um DMAIC de seis meses
Um projeto DMAIC longo serve para problemas cuja causa ainda é desconhecida e exige dado, teste e experimento. Um Evento Kaizen serve quando o processo é visível, as causas aparecem rápido com o time certo na sala e a solução depende mais de decisão do que de estatística.
O diagnóstico da devolução apontava para o segundo caso. O fluxo não era parametrizado, havia retrabalho evidente entre áreas e a melhoria cabia em baixo investimento. Ainda assim, a equipe manteve a sequência das cinco fases, como mostra a relação entre DMAIC e Kaizen.
| Critério | Evento Kaizen | Projeto DMAIC longo |
|---|---|---|
| Duração típica | Uma semana de imersão, com preparação e acompanhamento | Quatro a seis meses |
| Tipo de problema | Fluxo, desperdício, falta de padrão | Variação com causa desconhecida |
| Ferramentas centrais | Mapa, Ishikawa, matriz, ver-e-agir | MSA, testes, regressão, DOE |
| Decisão | Tomada na sala, com o dono do processo | Tomada depois da validação estatística |
| Investimento | Baixo | Variável |
Há ainda uma razão de gestão. Em devolução, nenhuma área sozinha é dona do prazo, e cada uma otimiza o próprio pedaço. Colocar todas na mesma sala por cinco dias é a forma mais rápida de criar um dono comum para o fluxo inteiro.
A regra prática que este case de evento Kaizen ilustra: quando a causa precisa ser provada, vale o projeto longo; quando precisa ser vista e decidida por várias áreas juntas, vale o evento.
A preparação: uma meta escrita em tempo mínimo de cada atividade
A preparação de um evento começa semanas antes da imersão. Define o processo, o patrocinador, o time e os dados que precisam estar prontos no primeiro dia.
A meta da Voitto Casa & Construção foi escrita de modo incomum. Em vez de pedir uma redução genérica de prazo, o time propôs trabalhar no tempo mínimo de cada atividade e estimou uma redução potencial de 93% no tempo que não agrega valor.
O ganho foi descrito em cinco frentes: satisfação do cliente, menos valor perdido, produtividade no fechamento das ocorrências, padronização interna como base para automação e controle de cada etapa por SLA. Não houve valor em reais na apresentação, e este artigo não estima um.
Quem conduz um evento assim precisa medir o prejuízo depois, pela lógica do custo da má qualidade: frete reverso, produto avariado, horas de análise e crédito retido.
O SIPOC da devolução: um e-mail como entrada e seis áreas como saída
O primeiro desenho foi o SIPOC, o mapa macro que lista fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes. Ele foi escolhido porque o problema atravessava áreas, e ninguém enxergava o fluxo inteiro.
| Elemento | O que o time registrou |
|---|---|
| Fornecedores | Consumidor final, revenda ou cliente, transportadora |
| Entradas | Reclamação, e-mail, emissão de pedido |
| Processo | Comunicação, abertura e análise, decisão de procedência, envio de produto ou crédito |
| Saídas | E-mail, e-mail de resposta |
| Clientes | Logística, comercial, vendas, transportadora, expedição, fiscal, qualidade, consumidor |
A leitura mais útil do quadro está na coluna de entradas. O processo começava por e-mail, vindo de várias origens. Quem abre a ocorrência e com que informação define tudo o que acontece depois. Essa pista voltaria na fase de Análise.
O passo a passo da ferramenta está em como fazer um SIPOC.
Pareto de junho: avaria, acordo comercial e defeito de fabricação somam 71,8%
Com o escopo desenhado, o time precisava decidir onde concentrar a semana. O diagrama de Pareto ordena as categorias da maior para a menor e mostra o percentual acumulado. A pergunta que ele responde é onde está a maior parte do volume.
| Motivo da devolução (junho) | % dos processos | % acumulado |
|---|---|---|
| Avaria | 45,9 | 45,9 |
| Acordo comercial | 14,1 | 60,0 |
| Defeito de fabricação | 11,8 | 71,8 |
| Erro de separação | 5,6 | 77,4 |
| Extravio ou falta de produtos | 4,3 | 81,6 |
| Divergência na entrada de pedidos | 4,1 | 85,7 |
| Pedido cancelado pelo cliente | 4,1 | 89,7 |
| Não cumprimento do agendamento | 3,0 | 92,7 |
| Sinistro | 2,6 | 95,3 |
| Outros | 4,7 | 100,0 |
O segundo Pareto separou por planta de origem. A planta de louças A respondia por 33,3% dos processos e a planta de metais por 28,8%, com 62,2% acumulados. As plantas de louças B, C e D vinham com 14,3%, 14,1% e 9,2%.
A decisão foi focar o evento nos três primeiros motivos e nas duas primeiras plantas. Essa quebra por origem é uma aplicação direta de estratificação.
O mapa detalhado com tempo mínimo e máximo: 288 contra 3.744 horas
O mapa detalhado classificou cada atividade como VA, quando agrega valor ao cliente, NVA, quando não agrega mas hoje é necessária, ou NA, quando não agrega e pode sair. Ao lado de cada caixa ficou um par de tempos: o mínimo observado e o máximo.
| Atividade | Classificação | Mínimo (h) | Máximo (h) |
|---|---|---|---|
| Chegada do e-mail no comercial | - | 8 | 240 |
| Solicitar, receber e encaminhar espelho da NF | NA | 24 | 168 |
| Cliente emite a NFD | NVA | 8 | 56 |
| Encaminhar NFD ao comercial | NVA | 40 | 112 |
| Fiscal valida NFD | NVA | 8 | 56 |
| Acionar transportadora para coleta | NVA | 8 | 160 |
| Material retorna à fábrica | NVA | 56 | 1.440 |
| Recebimento físico | NVA | 8 | 16 |
| Emissão de laudo | NVA | 56 | 720 |
| Expedição cria remessa | NVA | 56 | 720 |
| Logística cria documento | NVA | 16 | 56 |
| Contabilidade disponibiliza crédito | VA | - | - |
Somando o caminho principal, a leitura feita para este artigo dá 288 horas no mínimo e 3.744 no máximo. Operar no mínimo cortaria 92,3% do tempo, perto dos 93% da meta. A diferença vem de etapas com tempo ilegível no mapa original.
A lógica é a mesma do mapeamento do fluxo de valor: o processo raramente é lento em todas as caixas, e sim na espera entre elas. Só o retorno do material podia chegar a 1.440 horas.
A semana de imersão: como o time multifuncional usou cada dia
A apresentação não detalha a agenda dia a dia. O roteiro abaixo é ilustrativo e mostra como um evento com essas entregas costuma ser organizado, encaixando nele os artefatos que o projeto produziu.
| Dia (ilustrativo) | Atividade | Artefato do case |
|---|---|---|
| 1 | Alinhamento, dados de partida e visita ao fluxo | SIPOC, Pareto, mapa detalhado |
| 2 | Levantamento de causas com todas as áreas | Ishikawa com 64 causas |
| 3 | Priorização por impacto e esforço | Matriz causa e efeito, matriz esforço x impacto |
| 4 | Ver-e-agir e desenho do novo fluxo | Centralização da abertura, novo formulário |
| 5 | Plano de ações e apresentação à liderança | 30 ações com dono e prazo |
O time precisa ter quem executa cada etapa: comercial, qualidade, fiscal, logística, expedição e atendimento. Sem o fiscal na sala, por exemplo, a causa do erro no espelho da NFD vira suposição.
O ver-e-agir merece explicação. São mudanças cujo efeito é óbvio, de custo quase nulo e sem risco, que o time implanta no próprio dia em que identifica. Trocar o endereço de e-mail pessoal por um grupo de e-mail é o exemplo típico deste processo.
Uma visão das ferramentas de Kaizen ajuda a escolher o que cabe em cada dia.
Sessenta e quatro causas na espinha de peixe da comunicação com o cliente
O efeito colocado na cabeça do diagrama de Ishikawa foi o erro de comunicação com o cliente. A escolha diz muito: o time entendeu que o atraso nascia mais de informação errada ou perdida do que de falha física.
Os ramos agruparam divergência do pedido entre fábrica e cliente, e-mail sem retorno, informação errada no site e divergências de cadastro. Entre as causas listadas estavam desatualização da tabela de preços, pedido emitido errado e falta de conhecimento de produtos.
Foram 64 causas levantadas e 46 priorizadas de imediato. O Ishikawa não prioriza nada sozinho, apenas garante que nenhuma área ficou de fora. A priorização veio na ferramenta seguinte.
Como a matriz de causa e efeito chegou ao impacto 180
A matriz de causa e efeito cruza cada causa com os indicadores que importam. Aqui foram dois: Y1, produtividade, com peso 10, e Y2, falta de padrão, com peso 8. Cada causa recebeu uma nota de relação com cada Y.
O impacto é a soma ponderada. Para X8, demora para analisar, a nota foi 10 em produtividade e 10 em falta de padrão: 10 vezes 10 mais 8 vezes 10 dá 180, o maior da matriz. Para X1, reanálises improdutivas, 10 vezes 9 mais 8 vezes 3 dá 114.
Todas as 27 linhas pontuadas da matriz foram conferidas com essa regra e fecham. A causa X14, tempo de análise, ficou com impacto zero porque não recebeu nota, provavelmente por duplicar X8.
A escolha dos pesos também é decisão do time. Produtividade recebeu 10 porque era o motivo do evento; falta de padrão recebeu 8 porque é o que faz o ganho voltar atrás depois que o time se dispersa.
Ler a matriz exige lembrar que a nota é opinião estruturada do time. Ela organiza o consenso, não prova causa. Num evento curto, isso basta para decidir onde agir primeiro.
Esforço contra impacto: quais causas viraram ação na própria semana
A segunda dimensão foi o esforço, em escala 1, 3 ou 9. Cruzar impacto alto com esforço baixo separa o que se resolve na semana do que precisa de projeto.
| Causa | Esforço | Impacto | Destino |
|---|---|---|---|
| X11 E-mail direcionado a pessoas, não a grupos | 1 | 170 | Ação imediata |
| X2 Análises erradas | 1 | 138 | Ação imediata |
| X13 Caixa de e-mail cheia | 1 | 124 | Ação imediata |
| X18 Demora na solicitação do cálculo da NFD | 1 | 124 | Ação imediata |
| X7 Conteúdo inconsistente, sem foto | 3 | 162 | Ação de curto prazo |
| X16 Má qualidade da foto | 3 | 162 | Ação de curto prazo |
| X9 Falha nas informações dos critérios | 3 | 160 | Ação de curto prazo |
| X5 Não receber notificação no CTE | 3 | 152 | Ação de curto prazo |
| X8 Demora para analisar | 9 | 180 | Plano com prazo |
| X6 Extravio, e-mail não tratado | 9 | 172 | Plano com prazo |
| X26 NFD vencida e carga não coletada | 9 | 136 | Plano com prazo |
A leitura em quadrantes mostra algo comum em devolução: as causas de esforço 1 eram quase todas de comunicação. E-mail para pessoa e não para grupo some quando a pessoa sai de férias. Corrigir isso custa uma tarde.
Trinta e oito dias de média histórica e uma meta tirada do primeiro quartil
O indicador do projeto foi o tempo de solução do processo. A média histórica era de 38 dias, a média atual de 32 e a meta ficou em 27 dias.
A meta não saiu de um desejo. O relatório estatístico usou nove meses de dados, com média equivalente a 38,4 dias e desvio de 11,0 dias. O primeiro quartil, 27,0 dias, virou a meta. Em um quarto dos meses, o processo já tinha entregado esse prazo.
- O teste de normalidade de Anderson-Darling deu p de 0,556, sem evidência contra a normal.
- O intervalo de 95% da média foi de 30,0 a 46,9 dias, largo por causa das nove observações.
- Sair de 38 para 27 dias é cortar 28,9% do prazo; sair de 32 para 27 é cortar 15,6%.
Um cuidado de leitura: no relatório original os valores aparecem numa escala em que 0,027 corresponde a 27 dias. Quem reproduz a análise precisa conferir a unidade antes de comparar com o prazo combinado com o cliente.
Usar o quartil como meta tem uma vantagem prática. A equipe não discute se o número é possível, porque ele já aconteceu. O que falta é tornar o bom mês a regra.
Três equipes de atendimento com 69%, 49% e 39% de produtividade
A segunda medição foi a produtividade das equipes de atendimento entre janeiro de 2016 e junho de 2017. A equipe 1 teve média de 69%, a equipe 2 de 49% e a equipe 3 de 39%.
As três linhas sobem e descem quase juntas, o que indica um fator comum, como volume de ocorrências no mês. A distância entre elas, porém, é estável: cerca de 30 pontos entre a primeira e a terceira.
Um exemplo ilustrativo mostra o peso dessa distância. Se cada equipe tivesse 160 horas úteis no mês, a equipe 1 dedicaria cerca de 110 horas a tarefa produtiva e a equipe 3 cerca de 62. São quase 48 horas por mês de diferença com a mesma folha de pagamento.
A decisão foi redimensionar a equipe de atendimento. Uma diferença persistente entre equipes que fazem a mesma tarefa aponta para método, carga ou distribuição, não para esforço individual. É uma das causas que o evento entregou para gestão de rotina.
A decisão central da análise: abrir toda ocorrência por uma única porta
O cruzamento do SIPOC, do mapa e da matriz levou a uma conclusão. A ocorrência podia ser aberta pela logística, pelo próprio cliente ou pela equipe de vendas, cada um com um formato e uma qualidade de informação.
A mudança foi centralizar a abertura na área comercial, como suporte à equipe de vendas. O ganho foi descrito em três camadas: entrada única do processo, qualidade de informação e foco no relacionamento com o cliente.
Na prática, uma porta única elimina o e-mail perdido, o pedido sem foto e a análise refeita. Explica por que tantas causas da matriz, como X6, X7, X11 e X16, apontavam para a entrada. Atacar a origem resolve várias linhas de uma vez.
Essa escolha também respeita a voz do cliente, o VOC: quem devolve uma peça quer um contato só, não quatro.
Onze problemas resolvidos durante a semana e logo depois dela
A fase de Melhoria listou onze problemas tratados. Alguns foram resolvidos no ver-e-agir, ainda na semana. Outros saíram como entrega nas semanas seguintes.
- Demora na aplicação do crédito do cliente.
- Devolução por divergência de preço.
- Falta de conhecimento de produto, com visibilidade do mix.
- Devoluções por divergência na entrada de pedidos.
- Falta de gestão do mix.
- Lead time da abertura do processo até a entrada na fábrica.
- Tratativa dos SLA de cada etapa dentro da fábrica.
- Informações incorretas das NFD enviadas pelo cliente ao fiscal.
- Formulário de abertura de ocorrência redesenhado.
- Padrão de qualidade das fotos de defeito de fabricação.
- Erro de impressão de etiqueta, com código de barras ilegível.
O novo formulário e o padrão de foto atacam diretamente X7 e X16, ambas com impacto 162. A página de produto com o mix visível ataca a divergência de pedido, que aparecia no Pareto com 4,1%.
Trinta ações, catorze concluídas: o placar do evento
O plano de ações somou 30 itens: 24 prioritários, 2 de ver-e-agir e 4 que exigiam análise adicional. No fechamento, 14 estavam concluídos e 16 seguiam como entregas futuras, ou 46,7% de conclusão.
Esse número merece leitura honesta. Um evento de uma semana raramente fecha tudo, e a parte que fica para depois é a que mais se perde. Cada item pendente precisa de dono, prazo e data de verificação.
O acompanhamento depois da semana costuma seguir uma cadência fixa. Como roteiro ilustrativo, uma reunião curta semanal no primeiro mês revisa as ações abertas, e revisões aos 30, 60 e 90 dias conferem se o indicador se moveu e se o padrão novo está sendo seguido.
As ações de análise foram reservadas para causas de esforço 9, como a demora na coleta e a NFD vencida. Esse é o ponto em que o evento entrega trabalho para projetos Kaizen ou para um projeto DMAIC.
O painel do atendimento: indicador por operador e cumprimento de meta
O plano de controle ganhou a forma de um painel de gestão do atendimento ao consumidor. Ele mostra, por operador, a participação nas ligações atendidas, nas reclamações tratadas e nos envios para a pesquisa de satisfação.
| Indicador do painel | Cumprimento da meta |
|---|---|
| Ligações atendidas | 0,78 |
| Reclamações atendidas | 0,78 |
| Transferência para pesquisa | 0,30 |
| Pesquisa de satisfação | 0,63 |
| Pontualidade nos horários | 0,37 |
| Feedback de ligações | 0,00 |
O painel é útil porque expõe onde a rotina falha. Os dois primeiros indicadores estavam perto da meta, mas feedback de ligações estava zerado e transferência para pesquisa em 0,30. Um indicador zerado, em geral, indica rotina não implantada e não mau desempenho.
A regra que acompanha um painel desses é a reação. Para cada indicador abaixo da meta por dois meses, o responsável apresenta causa e ação na reunião de rotina. Sem essa regra, o painel vira só uma tela bonita.
Os nomes de operadores do painel original foram retirados deste artigo.
Reclamações resolvidas em até 20 dias: a série que fechou o case
O relatório mensal do atendimento acompanhou o percentual de reclamações resolvidas em até 20 dias, com meta de 90,6%. Em junho, a meta do mês foi atingida, mas o acumulado do ano ainda estava 0,5 ponto abaixo.
| Indicador | Partida | Fechamento | Meta |
|---|---|---|---|
| Tempo médio de solução | 38 dias (histórica) | 32 dias (média atual) | 27 dias |
| Reclamações resolvidas em até 20 dias | 80,2% (1º mês da série) | 91,0% (junho) | 90,6% |
| Ações do plano | 30 planejadas | 14 concluídas | 16 futuras |
| Problemas tratados | - | 11 resolvidos | - |
| Produtividade equipe 1 x equipe 3 | 69% x 39% | - | Redimensionar |
O 0,5 ponto abaixo no acumulado tem leitura simples. Com meta de 90,6%, o ano rodava perto de 90,1%, porque vários meses do ano ficaram abaixo da meta, alguns perto de 89%. Recuperar o ano exige ficar acima da meta por vários meses seguidos.
A série tem 16 meses e subiu de 80,2% para 91,0%, ganho de 10,8 pontos. Ela não separa o antes e o depois do evento, então não se pode creditar todo o avanço à semana. O que se pode dizer é que o indicador passou a ser medido contra meta todo mês.
O que este case ensina para quem vai conduzir um Kaizen de devolução
O fechamento apontou os próximos passos: detalhar a separação de louças, melhorar a impressão do código de barras, trocar a reembalagem que não protegia o produto e corrigir a classificação na expedição.
Este case de evento Kaizen também deixa um limite claro. Uma semana encurta o caminho da devolução, mas não reduz a quantidade de peças que chegam avariadas. Isso exige entender a causa na embalagem e no transporte, com dado e teste.
A recomendação mais importante foi mudar de alvo. O evento tratou o tempo do processo; o passo seguinte é reduzir o volume de devoluções. A proposta foi formar Green Belts e conduzir um projeto de estabilização, com meta de cortar o volume em 50% em cinco meses.
- Comece pelo Pareto: 45,9% de avaria diz onde o próximo projeto deve nascer.
- Meça mínimo e máximo de cada etapa; a meta sai do mínimo que já aconteceu.
- Deixe a matriz decidir o ver-e-agir, e o esforço 9 virar projeto com dono.
- Ataque a entrada do processo antes das etapas internas.
- Feche o evento com painel e meta mensal, ou o ganho se dissolve.
Conduzir eventos assim e escolher quando cabe um projeto longo é parte da formação Master Black Belt dentro do Lean Seis Sigma.
