TPM na embalagem: case Master Black Belt de produtividade em linhas de frascos
Um projeto da formação Master Black Belt em duas linhas de embalagem: o indicador que substituiu a aderência, a matriz que separou ação rápida de análise, o lote mínimo de 20.000 unidades e a queda de volume que apareceu meses depois.
Uma fábrica de alimentos tinha duas linhas de embalagem que rodavam, em média, a 66,6 frascos por minuto. O indicador oficial dizia que a área cumpria 92,7% do programado. Os dois números conviviam sem que ninguém soubesse dizer se a linha era rápida ou lenta.
Este case conta como um projeto de TPM na embalagem, conduzido na formação Master Black Belt, levou a velocidade a 93,6 frascos por minuto. O caminho passou por um indicador novo, mais de cem causas candidatas, Paretos estratificados, regressão de tamanho de lote e três FMEA.
O projeto não comprou máquina. O escopo proibia ativos novos, e todo o ganho veio de manutenção autônoma, manutenção planejada, padronização e planejamento de lote. O ganho líquido registrado no fechamento foi de R$ 841.864,12.
O relato segue o DMAIC e explica, a cada fase, por que a ferramenta foi escolhida, como ler o resultado e que decisão ele produziu. Termina com o que aconteceu meses depois, quando o volume de uma das linhas caiu quase pela metade.
Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente, com empresa, pessoas e equipamentos renomeados. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como contexto do processo e exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.
Frasco, rótulo, lacre, bula e cartucho: o que acontece nas linhas A e D
Na Voitto Alimentos, a embalagem é a última etapa antes da expedição. O frasco já envasado entra num alimentador, passa pela colocadora de tampas e de lacres, recebe rótulo, código impresso e folheto de instruções, que a fábrica chama de bula, e termina dentro de um cartucho.
São várias máquinas ligadas por esteiras, estrelas de transporte e roscas sem fim. Quando uma delas para, a linha inteira para. Por isso a produtividade da embalagem depende menos da velocidade nominal de cada equipamento e mais do tempo que a linha passa rodando sem interrupção.
O projeto foi conduzido pelo líder de embalagem durante a formação Master Black Belt, com patrocínio da gerência de manufatura. O tema era TPM na embalagem: implantar os princípios básicos de três pilares do TPM: melhoria orientada, manutenção autônoma e manutenção planejada.
| Campo | Conteúdo registrado |
|---|---|
| Problema | Linhas de embalagem com performance abaixo do esperado, quebras frequentes e programação descolada do realizado |
| Indicador principal | Média diária de frascos embalados por minuto nas linhas A e D |
| Linha de base | 66,6 frascos por minuto |
| Meta | 91 frascos por minuto em cada linha |
| Escopo | Linhas A e D, manutenção corretiva e preventiva, setup, treinamento e rotina de controle |
| Resultado registrado | 93,6 frascos por minuto, ganho de 27 frascos por minuto |
| Ganho líquido no fechamento | R$ 841.864,12 |
Uma aderência de 92,7% que não dizia se a linha era rápida ou lenta
O indicador que a gerência acompanhava era a aderência: produção realizada dividida pela programada. Qualquer valor diferente de 100% era tratado como defeito, porque mostrava distância entre o que o planejamento pediu e o que a linha entregou.
Em 768 registros, a aderência teve média de 0,927, mediana de 0,965 e desvio padrão de 0,180. O mínimo foi 0,281 e o máximo 1,412. Passar de 100% também é desvio, porque indica que a programação subestimou a linha.
A equipe percebeu o limite desse número. A aderência diz quanto do programado foi feito, mas não diz se o programa estava certo nem se o volume produzido era bom. Uma linha lenta com programa conservador aparece com aderência alta.
Havia ainda um problema de confiança. Os apontamentos de parada eram incompletos, o OEE não era confiável e a supervisão decidia, nas palavras do charter, com visão míope do processo. O primeiro produto do projeto foi um indicador novo.
Frascos por minuto e a meta de 91 tirada do terceiro quartil
O indicador escolhido foi a quantidade média diária de frascos embalados por minuto. É uma medida de velocidade efetiva, que já embute paradas, setup e falta de material. Tem a vantagem de ser entendida igual pelo operador e pelo diretor.
A base histórica cobriu seis meses. A série diária de frascos por minuto teve 319 observações, média de 66,68, mediana de 68,31 e desvio padrão de 33,58. O primeiro quartil ficou em 39,36 e o terceiro em 90,78.
| Estatística da linha de base | Aderência | Frascos por minuto |
|---|---|---|
| Observações | 768 | 319 |
| Média | 0,927 | 66,68 |
| Desvio padrão | 0,180 | 33,58 |
| Mediana | 0,965 | 68,31 |
| Terceiro quartil | 1,004 | 90,78 |
| Anderson-Darling, p | menor que 0,005 | menor que 0,005 |
A meta de 91 frascos por minuto saiu do terceiro quartil arredondado. A lógica é simples: um quarto dos dias já rodava nesse ritmo. A meta pede que o desempenho dos bons dias vire rotina, e não que a linha faça algo que nunca fez.
Há um detalhe de leitura. O teste de Anderson-Darling deu p menor que 0,005 nas duas séries, o que rejeita a normalidade dos dados diários. A equipe apoiou a meta no Teorema do Limite Central, que vale para médias. O quartil, por ser posição, não depende dessa suposição.
Linhas A e D com p de 0,717: a prova de que uma meta servia para as duas
Antes de fixar uma meta única, era preciso saber se as linhas A e D se comportavam igual. Se uma fosse estruturalmente mais rápida, a mesma meta seria fácil para uma e impossível para a outra.
A comparação usou dois testes. O teste de hipótese t para duas amostras comparou as médias e deu p de 0,717. O teste de variâncias deu p de 0,649 pelo método de Bonett e de 0,838 pelo de Levene.
Como ler: a hipótese nula é que as linhas são iguais. Um p alto significa que a diferença observada é do tamanho que o acaso produziria. Com os três valores muito acima de 0,05, não havia evidência de diferença nem na média nem na dispersão.
A decisão foi tratar A e D como um só processo para efeito de meta. Isso simplificou o charter e permitiu juntar os dados das duas linhas nas análises seguintes, o que dobrou o tamanho das amostras.
R$ 6,8 milhões de potencial e o que ficou fora do projeto
O ganho estimado no charter partiu da diferença entre a meta e a velocidade média: 91 menos 66,6, ou 24,4 frascos por minuto. As suposições foram dois turnos somando 12 horas, 20 dias por mês e 12 meses por ano.
- 24,4 frascos por minuto vezes 60 dão 1.464 frascos por hora;
- vezes 12 horas dão 17.568 frascos por dia;
- vezes 240 dias dão 4.216.320 frascos por ano;
- vezes a taxa de absorção de R$ 1,62 dão R$ 6.830.438,40, os R$ 6,8 milhões do charter.
A taxa de absorção é o custo fixo da fábrica rateado por unidade. Cada frasco a mais no mesmo turno dilui esse custo. O ganho é potencial porque só vira caixa se houver demanda reprimida, e o charter registrou essa condição.
O escopo incluiu as linhas A e D, as corretivas emergenciais e programadas, as preventivas, o setup, o treinamento e um método de controle da rotina. Ficaram fora a compra de equipamento novo, outras áreas e a logística entre linhas. O projeto teria de render com os ativos existentes.
O SIPOC que pôs manutenção, produção e planejamento na mesma folha
A equipe era heterogênea: operadores, mecânicos, planejamento, qualidade e engenharia. Cada um enxergava a embalagem pelo seu pedaço. O SIPOC foi aplicado com todos presentes, depois de uma introdução teórica curta.
A ferramenta lista fornecedores, entradas, etapas, saídas e clientes do processo. Aqui, os fornecedores incluíam o envase, o almoxarifado de materiais e o almoxarifado técnico. As entradas eram frasco, tampa, lacre, rótulo, bula, cartucho, peças e programa de produção.
Duas entregas saíram dessa sessão. A primeira foi uma visão macro comum do processo, desenhada para este projeto. A segunda foi a primeira lista de variáveis de entrada, os X's, com destaque para os que estavam fora do processo produtivo, como material e programação.
O SIPOC é escolhido no início justamente por isso. Ele não analisa nada, mas impede que a equipe discuta causas antes de concordar sobre onde o processo começa e termina.
94% de corretivas: o caminho de uma quebra até a máquina voltar a rodar
Na fase Medir, a equipe mapeou o fluxo de atendimento a uma quebra, do momento em que o equipamento para até a liberação. Cada etapa recebeu tempo mínimo, tempo máximo e classificação entre atividade que agrega valor e atividade que não agrega.
O mapa revelou que 94% das atividades de manutenção na embalagem eram corretivas. A fábrica consertava o que quebrava e quase não prevenia. É o perfil típico de quem ainda não passou pelo primeiro degrau do TPM.
| Etapa do atendimento | Mínimo | Máximo | Agrega valor? |
|---|---|---|---|
| Ajuste feito pelo próprio operador | 5 min | 15 min | Não |
| Operador aciona a manutenção | 1 min | 10 min | Não |
| Equipamento aguarda o mecânico | 60 min | 120 min | Não |
| Localiza a peça no sistema | 2 min | 30 min | Não |
| Mecânico inicia o reparo | 1 min | 720 min | Sim |
| Mecânico realiza ajuste | 1 min | 600 min | Sim |
| Engenharia e qualidade aprovam a ordem | 10 min | 1.440 min | Não |
A leitura não está nas médias, que o mapa não traz, mas na amplitude. Etapas sem valor podiam custar horas: a máquina esperava até duas horas pelo mecânico, e a aprovação da ordem chegava a um dia inteiro. Isso apontou para padrões de almoxarifado e ferramentas, ações baratas que entrariam no plano antes de qualquer estatística.
Do quadro branco a mais de cem X's: a matriz de causa e efeito com filtro de dado
A equipe levantou as variáveis de entrada com o grupo todo e chegou a mais de cem X's, numerados de X1 a X107. A lista mistura temas: temperatura da sala de envase, erro no carimbo, lacre fora de posição, bula enroscada, cartucho com cola em excesso, troca de formato, tamanho do lote.
Cada X recebeu nota de correlação com três saídas: produtividade da embalagem, rotina de manutenção e setup. A escala ia de 0 a 10, agrupada em forte, média e baixa correlação.
A matriz ganhou três perguntas de viabilidade. Há dado histórico dessa variável? É possível coletar pelo menos 40 pontos em 10 dias? E, se não houver nem uma coisa nem outra, qual a severidade, quantas ocorrências houve em 12 meses e que controle existe?
Esse filtro é o que torna a matriz útil. Uma causa sem dado nem coleta possível não pode ser testada estatisticamente. Ela vai para outro tratamento, como o FMEA, em vez de ficar esperando uma análise que nunca acontecerá.
Quatro quadrantes de esforço e impacto e os prazos de 30 e 60 dias
Pontuados, os X's foram distribuídos numa matriz de esforço contra impacto. A regra de leitura define o destino de cada variável, e não apenas a ordem de ataque.
| Quadrante | Esforço | Impacto | X's alocados | Tratamento |
|---|---|---|---|---|
| Prioritário | Baixo | Alto | 35 | Resolver sem análise estatística, em até 30 dias |
| Ver e agir | Baixo | Baixo | 30 | Ação simples e permanente na rotina, em até 60 dias |
| Complexo | Alto | Alto | 36 | Análise estatística na fase Analisar |
| Descartar | Alto | Baixo | 5 | Sem ação no projeto |
A contagem soma 106 X's nos quadrantes. Entre os prioritários estão erro no carimbo, falta de roupa para entrar na produção, falta de ferramentas, bula enroscada e cartucho com cola errada. Entre os complexos estão máquina indisponível, troca de formato e tamanho do lote.
A matriz separou dois tipos de trabalho. O que era óbvio e barato virou ação imediata, e já rendeu ganho antes do fim da análise. O que exigia prova ficou para a estatística. Sem essa separação, a equipe passaria meses analisando o que podia ser corrigido em uma semana.
Correlação de 0,966 entre Y1 e Y3 e o pouco que MTBF e MTTR explicavam
Na fase Analisar, a equipe primeiro olhou os indicadores no tempo. Todos se mostraram estáveis em base semanal, sem períodos anômalos. Depois cruzou os Y's do projeto numa matriz de correlação e dispersão.
| Par de indicadores | Correlação |
|---|---|
| Frascos por minuto e produção programada contra real | 0,966 |
| Frascos por minuto e OEE da linha A | 0,632 |
| Frascos por minuto e OEE da linha D | 0,500 |
| Frascos por minuto e aderência | 0,181 |
| Aderência e OEE da linha A | 0,049 |
Dois achados saíram daí. Frascos por minuto e produção programada contra real andam quase juntos, então o segundo foi retirado da análise por repetir o primeiro. E a aderência quase não se relaciona com velocidade, o que confirmou a suspeita da fase Definir.
Em seguida vieram os indicadores de manutenção. O MTBF e o MTTR e a disponibilidade de cada linha foram cruzados com a produtividade semanal. Os gráficos não mostraram correlação direta. A disponibilidade se relacionava com o MTTR, mas a velocidade não acompanhava nenhum dos três.
A equipe registrou a conclusão com cuidado. Equipamento confiável ajuda o volume do período, mas não garante produtividade. Faltava encontrar o que roubava velocidade com a máquina disponível.
Cartucho e bula, 88,1% do tempo parado, cada um dominante em uma linha
O Pareto de tempo parado por equipamento somou 11.742 minutos. A cartuchadeira respondeu por 5.708 minutos e a dobradora de bula por 4.641. Os dois juntos fizeram 88,1% do total.
| Equipamento | Tempo parado (min) | Percentual | Acumulado |
|---|---|---|---|
| Cartucho | 5.708 | 48,6% | 48,6% |
| Bula | 4.641 | 39,5% | 88,1% |
| Carimbador | 772 | 6,6% | 94,7% |
| Colagem | 621 | 5,3% | 100,0% |
O Pareto de segundo nível separou as linhas e mudou a leitura. Na linha A, a bula liderava, com perto de 2.900 minutos contra cerca de 2.000 do cartucho. Na linha D, o cartucho dominava, com perto de 3.700 minutos contra cerca de 1.700 da bula.
Esse é o valor da estratificação. O Pareto geral diria para atacar o cartucho nas duas linhas. Estratificado, mostrou que cada linha precisava de frente própria. Linhas estatisticamente iguais na velocidade média tinham gargalos diferentes.
Lotes pequenos: 56,9% dos lotes para 4,4% do volume
O tamanho do lote estava entre os X's complexos. O histórico de planejamento foi dividido em três grupos de tamanho, e a distribuição mostrou o desequilíbrio.
| Grupo de lote | Volume anual | Participação no volume | Lotes | Participação nos lotes |
|---|---|---|---|---|
| Até 10.000 unidades | 1.160.775 | 4,4% | 82 | 56,9% |
| De 10.000 a 39.000 | 10.197.428 | 38,3% | 37 | 25,7% |
| Acima de 39.000 | 15.264.758 | 57,3% | 25 | 17,4% |
Mais da metade dos lotes produzia menos de 5% do volume. Cada lote exige troca de formato, ajuste e partida, e esse tempo pesa muito mais num lote curto. Um exemplo ilustrativo, sem dado do projeto: a 100 frascos por minuto, um lote de 4.000 frascos com 30 minutos de setup sai a 57 frascos por minuto. Um de 40.000 sai a 93.
A equipe modelou frascos por minuto contra lote médio e produção planejada por dia, com regressão. Depois de retirar pontos atípicos, os resíduos ficaram próximos da normal e o R² melhorou. Os valores previstos acompanharam bem os reais na série temporal.
O gráfico de efeitos principais deu a regra prática. A produtividade cresce com o lote e com a produção diária, e as médias passam a meta de 91 com lotes acima de 20.000 unidades e produção planejada acima de 50.000 por dia. Essa regra foi levada ao planejamento.
Três FMEA para o que não tinha dado: o alimentador de frascos com RPN 810
Algumas falhas não tinham histórico nem coleta viável. Para elas, a equipe fez três FMEA: frascos rasgados, sistema de visão da rotuladeira da linha A e acondicionamento de bula, cartucho e rótulo.
O RPN é o produto de severidade, ocorrência e detecção, cada uma de 1 a 10. Quanto maior, mais urgente. Ele não mede risco absoluto, só ordena os modos de falha dentro do mesmo estudo.
| Equipamento | Modo de falha | S | O | D | RPN |
|---|---|---|---|---|---|
| Alimentador de frascos | Deformação no frasco | 9 | 9 | 10 | 810 |
| Rotuladeira | Falta de redundância dos sensores | 10 | 6 | 9 | 540 |
| Estrela de transporte | Rótulo mal posicionado | 10 | 6 | 6 | 360 |
| Estrela de rotulagem | Rolete travado | 10 | 3 | 9 | 270 |
| Berço do frasco | Lacre mal posicionado | 8 | 3 | 9 | 216 |
| Estrela de transporte | Rótulo amassado | 10 | 3 | 6 | 180 |
O topo da lista tinha detecção 9 ou 10, ou seja, quase nenhum controle. No alimentador, a ação foi inserir na preventiva a inspeção de rebarba e desgaste das peças de formato. Para frascos rasgados, a recomendação foi estudar a compra de uma balança de checagem em linha.
Calendário unificado, etiquetas de anomalia e OPLs: os pilares em prática
O plano de ação reuniu as ações de ver e agir, com responsável, recurso, prazo e status. Entre elas: revisar o código de falhas da manutenção, criar pauta fixa para a reunião semanal de planejamento e revisar o plano de lubrificação.
- Manutenção planejada: um calendário unificado por equipamento, com atividades por tempo, mensais e trimestrais, e corretivas programadas sob condição.
- Manutenção autônoma: lubrificação e inspeção feitas pelo operador, com calendário próprio e checklist de preventiva.
- Etiquetas de anomalia de 100 por 150 mm, vermelha quando o reparo cabe à manutenção e azul quando cabe ao operador.
- Quadros de ferramentas nas linhas A e D, para tirar da rotina a busca por chave e torquímetro.
As OPLs, lições de um ponto, completaram o pacote. Cada uma é uma folha com fotografia e passo a passo de uma tarefa: limpeza de guias de transporte, regulagem do magazine de cartucho, ajuste da dobradora de bula. Elas atacam a variação entre turnos.
A lógica do TPM aparece aqui. As etiquetas devolvem ao operador a responsabilidade de enxergar a anomalia antes da quebra. O calendário troca a corretiva emergencial por intervenção programada. A redução de setup, que apareceu nos lotes, conversa com a troca rápida de ferramentas.
De 69,5 para 96,9 frascos por minuto, em duas ondas
O controle comparou três períodos da série diária geral. A linha de base foi de janeiro a agosto. A onda de ver e agir correu de 27 de agosto a 13 de outubro. As melhorias da fase Implementar foram medidas de 14 de outubro a 7 de novembro.
| Período | Média | Mediana | Desvio padrão |
|---|---|---|---|
| Linha de base | 69,47 | 70,13 | 18,62 |
| Ações de ver e agir | 82,19 | 76,54 | 23,07 |
| Melhorias implementadas | 96,91 | 99,85 | 26,20 |
| Meta | 91 | - | - |
A média subiu 12,71 frascos por minuto só com as ações rápidas, e 27,44 ao final, alta de 39,5% sobre a linha de base. A mediana de 99,85 mostra que mais da metade dos dias já superava a meta.
O desvio padrão também subiu, de 18,62 para 26,20. A série ficou mais rápida, mas não mais previsível. Num gráfico de controle isso aparece como faixa mais larga, e é o ponto a vigiar na fase seguinte.
A linha de base desta tabela, 69,47, difere da usada no charter, 66,6, porque o recorte de dias é outro. A conta financeira usou 66,6, o número aprovado no início.
R$ 1,2 milhão recuperado, R$ 354 mil gastos e o ganho líquido de R$ 841 mil
O cálculo de ganho seguiu a mesma régua do charter, o que dá credibilidade ao número. A velocidade passou de 66,6 para 93,6 frascos por minuto, ganho de 27. Em 12 horas, são 1.620 frascos por hora e 19.440 por dia.
| Item | Valor |
|---|---|
| Frascos a mais nos 38 dias com meta atingida | 738.720 |
| Ganho recuperado a R$ 1,62 por frasco | R$ 1.196.726,40 |
| Consultoria externa | R$ 91.000,00 |
| Compras de fornecedores | R$ 24.517,00 |
| Custo da equipe da área | R$ 239.345,28 |
| Total de gastos | R$ 354.862,28 |
| Ganho líquido no fechamento | R$ 841.864,12 |
Para o ano fiscal, a projeção foi de 4.665.600 frascos, ou 19.440 por dia em 240 dias. A R$ 1,62, dá R$ 7.558.272. Com a taxa de absorção revista para R$ 1,73, o recuperado passa a R$ 1.277.985,60 e o projetado a R$ 8.071.488.
O método para separar ganho recuperado de ganho projetado está em como calcular o retorno financeiro de um projeto Seis Sigma. O recuperado é o que a controladoria já pode reconhecer. O projetado depende de o resultado se manter.
O painel mensal, a cascata de tempo e o mês em que o volume caiu
O plano de controle trouxe um OEE reformulado e um painel gerencial mensal por linha. O painel mostra OEE, frascos por minuto, as cinco maiores causas de parada e o desempenho da manutenção. Manutenção, setup e falta de insumos lideravam as paradas.
Meses depois, em julho de 2016, a cascata de tempo da linha A decompôs as horas do mês. Das 100% de horas de calendário, sobraram 49% de tempo produtivo total, já com 8 pontos de um terceiro turno. Depois de setup e paradas programadas, restaram 18% disponíveis e 9% de produção efetiva.
| Linha A | Junho | Julho |
|---|---|---|
| Tempo de produção total | 47% | 49% |
| Tempo produtivo disponível | 30% | 18% |
| Tempo ineficiente | 9% | 9% |
| Tempo de produção | 21% | 9% |
| Horas extras | 2% | 4% |
| Volume (unidades) | 2.033.062 | 1.106.285 |
O quadro comparativo mostra o risco. Na linha A, o volume caiu 45,6% de um mês para o outro, com mais horas extras. Na linha D, caiu 12,9%. A ineficiência não subiu, então a perda veio de tempo disponível, ou seja, de programação e paradas planejadas.
A matriz de tecnologia contra controle resumiu a trajetória. O processo saiu da pior região e se aproximou da fronteira, mas ainda longe da classe mundial que o TPM completo busca. O nome do projeto, primeira geração, admite isso.
O que o case ensina a quem vai conduzir TPM na embalagem pelo DMAIC
A primeira lição é medir a coisa certa antes de melhorá-la. O projeto só andou quando trocou a aderência por frascos por minuto. Indicador que mistura qualidade do plano com desempenho da linha não aponta causa nenhuma.
A segunda é separar ação rápida de análise. As ações de ver e agir renderam 12,71 dos 27,44 frascos por minuto, 46% do ganho, antes que a melhoria da fase Implementar entrasse. Um Master Black Belt que segura tudo para depois da análise perde a confiança da área.
A terceira é estratificar sempre. O Pareto geral e o segundo nível davam recomendações diferentes. E o FMEA cobriu o que a estatística não alcançava, porque nem toda causa tem dado.
A quarta é que controle não termina no projeto. A série de 2016 mostrou volume caindo com tempo disponível menor. O TPM de primeira geração estabiliza a máquina. Proteger o ganho exige que planejamento, lote e manutenção continuem amarrados no mesmo painel, mês após mês, dentro do DMAIC.



