Aumento de vendas com Seis Sigma: case Master Black Belt numa linha de anestésicos
Um projeto DMAIC numa linha de anestésicos hospitalares: o charter com duas metas, a capabilidade de um processo comercial, a matriz com 18 causas, o boxplot por região e o teste t que confirmou a alta de 40,3% na venda média.
Aumento de vendas com Seis Sigma costuma soar como contradição. A metodologia nasceu na manufatura, para reduzir defeitos, e vendas parece depender de relacionamento e preço. Este case mostra o contrário numa linha de anestésicos hospitalares.
A Voitto Farma via o número de clientes de anestésicos cair desde 2006. Em 2008, só 44% dos clientes ativos da sua Unidade Hospitalar compravam a linha, e a venda bruta recuava 19%. O projeto definiu duas metas: 90 clientes ativados e R$ 538.800 de venda média mensal.
O ponto de chegada foram 77 clientes ativados, participação de 54% na carteira e venda bruta média de R$ 612.738 por mês, 40,3% acima da linha de base. O teste t confirmou a mudança com valor-p de 0,001.
O relato segue as cinco fases do método DMAIC: o charter com dois KPIs, o nível sigma de 0,16 na linha de base, a matriz de causa e efeito com 18 causas, o boxplot por região, a árvore de falhas e o controle mensal. Cada ferramenta aparece com a decisão que produziu.
Sobre a procedência: trata-se de um projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto da venda hospitalar e o exemplo do cadastro duplicado, está identificado como ilustrativo.
Uma linha de anestésicos perdendo clientes dentro de uma carteira hospitalar ativa
A Voitto Farma vende medicamentos para hospitais por meio de uma unidade de negócio dedicada, a Unidade Hospitalar. Uma das linhas dessa unidade é a de anestésicos: produtos de uso em centro cirúrgico, comprados por hospitais, clínicas e distribuidores.
O problema apareceu na carteira. O número de clientes que compravam anestésicos vinha caindo desde 2006. Em 2008, só 44% dos clientes ativos da Unidade Hospitalar compravam algum item da linha.
A venda bruta acompanhou a queda, com recuo de 19% na comparação entre 2009 e 2008. O dado que chamou atenção foi a assimetria: os hospitais continuavam comprando outras linhas da empresa, mas não os anestésicos.
Esse detalhe definiu a natureza do projeto. Não se tratava de conquistar cliente novo no mercado, e sim de ativar a linha em clientes que já tinham cadastro, crédito e relacionamento com a força de vendas.
| Item | Conteúdo do projeto |
|---|---|
| Problema | Clientes da linha caindo desde 2006; 44% dos ativos da Unidade Hospitalar em 2008; venda bruta 19% menor |
| KPI 1 | Clientes ativados para anestésicos entre os ativos de 2008 da Unidade Hospitalar |
| Meta do KPI 1 | Mínimo de 90 clientes ativados no Brasil |
| KPI 2 | Venda bruta média mensal de anestésicos (R$) |
| Meta do KPI 2 | R$ 538.800 por mês, 25% acima da média de R$ 430.933 de jun/08 a mai/09 |
| Escopo | Todos os clientes da unidade, todos os produtos da linha, todos os setores de vendas |
| Resultado | 77 clientes ativados; média mensal de R$ 612.738; participação de 44% para 54% |
Como um anestésico chega ao centro cirúrgico e onde a venda se perde
Para quem não é do setor, vale entender o caminho. O hospital compra anestésico por licitação, cotação ou contrato com o fornecedor. A decisão envolve o farmacêutico, o comprador e o anestesista, cada um com um critério diferente.
O comprador olha preço e prazo. O farmacêutico olha padronização: se o produto não consta na lista de itens aprovados do hospital, ele simplesmente não pode ser pedido. O anestesista olha diluição, apresentação e hábito de uso.
Na Voitto Farma, quem conversa com esses três públicos é o propagandista, coordenado por um gerente distrital. Ele visita o cliente, apresenta o produto, negocia e tira o pedido, que passa pelo financeiro e segue para a expedição.
Errar nesse processo custa caro de um jeito pouco visível. Um hospital ativo que não compra a linha é receita que já tem canal aberto e não se realiza. Cada visita gasta em produtos de maior giro deixa os anestésicos sem defensor dentro do cliente.
O charter com duas metas: 90 clientes ativados e R$ 538.800 por mês
O project charter fixou dois indicadores, um de alcance e outro de receita. O primeiro conta quantos dos clientes ativos de 2008 que não compravam anestésicos passaram a comprar. A meta foi de no mínimo 90.
O segundo mede a venda bruta média mensal da linha. A referência foram os doze meses de junho de 2008 a maio de 2009, com média de R$ 430.933. A meta de R$ 538.800 corresponde a 25% de crescimento sobre essa base.
A conta confere: R$ 430.933 multiplicado por 1,25 dá R$ 538.666, e a equipe arredondou para R$ 538.800. É uma diferença de R$ 134 que não muda nenhuma conclusão, mas mostra o hábito de registrar de onde vem cada número.
Os dois KPIs se completam. Um projeto que só medisse receita poderia bater a meta vendendo mais para os mesmos clientes. Ao exigir clientes novos dentro da carteira, o charter obrigou o projeto a atacar a cobertura, que era o problema declarado.
A linha inteira dentro do escopo e todas as outras linhas fora
O escopo foi amplo de propósito. Entraram todos os clientes da Unidade Hospitalar, todos os produtos da linha de anestésicos e todos os setores da força de vendas. Ficaram de fora as demais linhas de produto da unidade.
A decisão tem lógica. Recortar por região ou por produto antes de medir seria escolher a causa antes da análise. Como o problema era de cobertura nacional, o escopo nacional deixou que a estratificação mostrasse onde estava a perda.
O cuidado foi não abrir para as outras linhas. Elas competem pela mesma visita do propagandista, e incluí-las transformaria o projeto numa revisão da estratégia comercial inteira, sem prazo nem dono definidos.
Um SIPOC de cinco processos com um único cliente interno, a força de vendas
Em projeto comercial, o SIPOC ajuda a enxergar que a venda depende de áreas que não vendem. A equipe mapeou cinco processos de apoio, e todos tinham o mesmo cliente: a força de vendas.
| Processo | Fornecedores | Saída | Classificação |
|---|---|---|---|
| Disponibilizar medicamentos no estoque | Fornecedores, RH, planejamento da produção | Estoque disponível informado à força de vendas | NC |
| Reduzir custos | Suprimentos, produção | Custo do produto vendido otimizado | NC |
| Gerar estratégias comerciais do mix | Inteligência de mercado, marketing | Estratégias comerciais disponíveis | C |
| Gerar materiais promocionais | Marketing, agências, área médica | Materiais promocionais disponíveis | C |
| Vender os produtos | Produção, financeiro | Produtos oferecidos aos clientes | C |
A coluna de classificação separa o que o projeto controla (C) do que não controla (NC). Estoque e custo de produção foram marcados como não controláveis. Essa marcação antecipou uma decisão que só se formalizou mais adiante: atuar primeiro onde a equipe comercial tinha mão.
MSA sem instrumento: a definição operacional de cliente ativado
A análise do sistema de medição num processo comercial não envolve paquímetro nem repetibilidade de operador. Envolve saber se todos contam a mesma coisa da mesma forma.
A equipe escreveu a definição operacional de cada KPI. Cliente ativado é um cliente ativo da Unidade Hospitalar que não comprou anestésicos em 2008 e passou a comprar. A base de partida tinha 609 clientes nessa condição.
A venda bruta é o faturamento mensal da linha em reais, incluindo todos os clientes da unidade no Brasil. As duas variáveis saíram do ERP e do data warehouse de estatística de vendas, sem planilha intermediária.
A conclusão foi que não havia limitação relevante, por serem dados básicos de faturamento, e o plano de ações do MSA ficou vazio. É uma conclusão aceitável, desde que a definição esteja escrita.
Um exemplo ilustrativo mostra por quê. Um hospital com dois cadastros, um para a matriz e outro para a filial, pode ser contado como dois clientes ativados. Sem a regra escrita, o KPI 1 cresce sem nenhuma venda nova.
Onze meses de linha de base e um teste de normalidade antes da capabilidade
A linha de base usou onze meses de venda bruta, de junho de 2008 a abril de 2009. A média foi de R$ 436.726, com desvio padrão de R$ 76.418. O menor mês ficou em R$ 291.943 e o maior em R$ 570.636.
Repare que essa média difere da base do charter, de R$ 430.933, porque os períodos não são os mesmos. A equipe usou a média de doze meses para fixar a meta e a série de onze meses para as análises estatísticas.
Antes de calcular capabilidade, a equipe rodou o teste de Anderson-Darling. O resultado foi A² de 0,30 e valor-p de 0,519. Como o valor-p ficou bem acima de 0,05, não há evidência para rejeitar a normalidade.
A apresentação original cita o limite de 0,005, provavelmente um erro de digitação para 0,05. Com p de 0,519, a conclusão não muda em nenhum dos dois critérios. O teste importa porque a capabilidade calculada pela distribuição normal só vale se a série for aproximadamente normal.
Nível sigma de 0,16: o que um Z negativo diz sobre uma meta comercial
A análise de capabilidade tratou a meta de R$ 538.800 como limite inferior de especificação. Não existe limite superior, porque vender mais nunca é defeito. Um mês abaixo da meta é um mês defeituoso.
O Z do limite inferior é a distância entre a média e a meta, em desvios padrão. Com média de R$ 436.726, a conta é (436.726 menos 538.800) dividido por 76.418, o que dá menos 1,34. A média estava 1,34 desvio abaixo da meta.
| Indicador da linha de base | Valor | Como ler |
|---|---|---|
| Z do limite inferior | -1,34 | Média abaixo da meta |
| Ppk | -0,45 | Z dividido por 3; negativo indica média fora da especificação |
| Meses abaixo da meta | 10 de 11 | 909.091 partes por milhão observadas |
| Fração esperada abaixo da meta | 90,9% | 909.182 partes por milhão pelo modelo normal |
| Nível sigma | 0,16 | -1,34 mais o deslocamento de 1,5 |
O nível sigma de 0,16 soma o deslocamento convencional de 1,5 ao Z de longo prazo. Em linguagem direta: mantido o processo como estava, nove em cada dez meses ficariam abaixo da meta.
Para um processo comercial, esse retrato diz algo importante. A meta não era inalcançável, porque um mês já tinha passado dela. O problema estava na média, e não na dispersão: o processo precisava subir de patamar.
Do estoque à entrega: o fluxograma que expôs as dependências da venda
O fluxograma da fase Medir descreveu o processo de venda em sequência. Primeiro, precisam existir produto no estoque, estratégia definida e material promocional pronto. Depois, essas informações chegam à força de vendas.
Só então o propagandista visita o cliente e negocia. O pedido é tirado, passa pelo financeiro, segue para a expedição e o produto é entregue. São três condições prévias e cinco etapas de execução.
O valor do desenho foi mostrar que a visita é o único ponto de contato com o cliente. Se uma das condições prévias falha, a visita acontece sem produto, sem argumento ou sem material, e o resultado aparece como venda perdida.
Preço, produto, estoque, cliente, promoção e propagandista no Ishikawa
O diagrama de Ishikawa organizou as causas possíveis em seis espinhas adaptadas ao contexto comercial, no lugar das tradicionais máquina, método e material.
- Preço: custo do produto vendido alto, preços agressivos da concorrência, necessidade de garantir margem líquida;
- Produto: qualidade, mercado do produto, item não padronizado no cliente;
- Estoque: disponibilidade para venda, planejamento da produção, acurácia da previsão de vendas;
- Cliente: fidelização, concorrência com atuação comercial agressiva, regras internas para receber fornecedores, nova resolução sanitária;
- Promoção: disponibilidade de materiais promocionais, identificação dos clientes-alvo;
- Propagandista: conhecimento dos produtos, disponibilidade dos profissionais-alvo, habilidade em negociação.
O resultado foram 18 causas potenciais, numeradas de X1 a X18. O Ishikawa não prioriza nada. Ele garante que nenhuma hipótese razoável fique de fora antes da etapa de priorização.
Dezoito X numa matriz de causa e efeito com pesos 9 e 10
A matriz de causa e efeito cruzou cada X com os dois KPIs. O número de clientes ativados recebeu peso 9 e a venda bruta recebeu peso 10. Cada cruzamento ganhou uma nota de 0 a 10, onde 8 a 10 indica correlação forte.
O total de cada X é a soma das notas multiplicadas pelos pesos. Para habilidade em negociação, a conta é 10 vezes 9 mais 10 vezes 10, que dá 190, o maior total da matriz.
| X | Causa | Nota KPI 1 | Nota KPI 2 | Total |
|---|---|---|---|---|
| X18 | Habilidade em negociação | 10 | 10 | 190 |
| X2 | Preços da concorrência | 9 | 10 | 181 |
| X3 | Garantir margem líquida | 9 | 10 | 181 |
| X9 | Fidelização de clientes | 9 | 10 | 181 |
| X1 | Custo do produto vendido alto | 8 | 10 | 172 |
| X11 | Identificação dos clientes | 10 | 8 | 170 |
| X13 | Disponibilidade de materiais promocionais | 9 | 7 | 151 |
| X14 | Conhecimento dos produtos | 9 | 7 | 151 |
| X12 | Regras internas dos clientes | 7 | 8 | 143 |
| X17 | Produto não padronizado no cliente | 7 | 6 | 123 |
A leitura exige cuidado. Oito X ficaram com exatamente 170 pontos, e a diferença entre 170 e 181 depende de uma nota subjetiva. A matriz separou bem os extremos, mas não decidiu o meio da lista. Por isso a equipe precisou de um segundo filtro.
Esforço contra impacto: três X prioritários e três para ver e agir
A matriz esforço contra impacto posicionou cada X em quatro quadrantes. O critério de impacto foi o efeito sobre os KPIs; o de esforço, o custo e a autonomia para agir.
| Quadrante | X | Tratamento |
|---|---|---|
| Prioritários: alto impacto, baixo esforço | X9, X11, X18 | Atacar no plano de ação |
| Ver e agir: baixo impacto, baixo esforço | X13, X14, X17 | Ação direta no 5W2H |
| Complexos: alto impacto, alto esforço | X1 a X8, X10, X15, X16 | Tratar com áreas parceiras |
| Descartar: baixo impacto, alto esforço | X12 | Fora do plano |
O resultado conversa com o SIPOC. Preço, custo, estoque e planejamento da produção caíram em complexos, porque dependem de áreas que a força de vendas não comanda.
Fidelização, identificação dos clientes e negociação ficaram como prioritários porque estavam nas mãos do próprio time comercial. Não eram as causas mais baratas de citar, eram as mais baratas de mudar.
Boxplot por região: onde a linha vendia menos
A fase Analisar começou pela estratificação da venda bruta por região de vendas. O boxplot mostra, para cada região, a mediana, a faixa onde ficam metade dos meses e os pontos fora do padrão.
Três regiões tinham as menores vendas brutas da linha: 9200, 9300 e 9400, todas com medianas entre R$ 40 mil e R$ 46 mil por mês. As regiões 8300 e 9100 tinham medianas acima de R$ 100 mil.
O segundo boxplot, de unidades vendidas, repetiu o padrão. As mesmas três regiões tinham os menores volumes, o que descarta a hipótese de preço baixo derrubando a receita. Nessas regiões se vendia pouco em quantidade, e não barato.
A decisão foi direta: as regiões 9200, 9300 e 9400 entraram no plano de ação com foco específico. Sem a estratificação, o esforço comercial seria distribuído por igual e diluído onde já funcionava.
Nove gerentes distritais e um preço médio que ia de R$ 24,83 a R$ 38,11
A equipe cruzou venda bruta, unidades e preço médio por gerente distrital, de janeiro a julho de 2009. Foram R$ 3.879.642,27 e 125.123 unidades no período.
| Distrito | Venda bruta (R$) | Participação | Unidades | Preço médio (R$) |
|---|---|---|---|---|
| A | 722.444,05 | 18,6% | 21.959 | 32,90 |
| B | 566.689,58 | 14,6% | 22.826 | 24,83 |
| C | 495.226,36 | 12,8% | 18.231 | 27,16 |
| D | 426.885,15 | 11,0% | 13.055 | 32,70 |
| E | 389.711,86 | 10,0% | 11.728 | 33,23 |
| F | 355.837,59 | 9,2% | 10.844 | 32,81 |
| G | 283.768,41 | 7,3% | 7.821 | 36,28 |
O distrito B era o primeiro em unidades e tinha o menor preço, R$ 24,83. O distrito G cobrava R$ 36,28, 46% a mais, e tinha a menor venda da tabela. Preço e volume andavam em sentidos opostos, o que levou à campanha de preço da fase Melhorar.
Dois distritos ficaram fora da tabela. Neles, venda dividida por unidades dá R$ 40,91 e R$ 29,16, mas a apresentação informa R$ 38,11 e R$ 31,30. Os números só fecham com as vendas trocadas entre as duas linhas. A lição é recalcular antes de concluir.
A árvore de falhas com três caminhos para o cliente que não compra
A árvore de falhas partiu de uma pergunta: por que há clientes ativos que não compram anestésicos? Cada ramo desce de uma causa primária até uma causa raiz, perguntando o porquê a cada nível.
| Causa primária | Causa intermediária | Causa raiz |
|---|---|---|
| Preço alto | Custo do produto vendido alto | Custo de matéria-prima e de produção |
| Problemas de estoque | Compra de matéria-prima ou testes de qualidade | Entrega de matéria-prima e demora nos testes |
| Menor foco promocional | Falta de direcionamento em clientes-alvo | Linha trabalhada com menos intensidade que os produtos curva A |
O terceiro ramo é o mais revelador. Os produtos curva A, os de maior faturamento da unidade, ocupavam a visita. Os anestésicos, de menor peso individual, recebiam a sobra do tempo do propagandista, sem lista de alvos.
Os dois primeiros ramos confirmam o que a matriz de esforço já sugeria. Custo e estoque são causas reais, mas exigem produção e suprimentos. O terceiro ramo é o que a equipe podia atacar no prazo do projeto.
Doze ações no 5W2H e a lista de 609 clientes foco
O plano de ação foi registrado em 5W2H, com doze linhas: o que, quem, quando, onde, por que, como e quanto. As ações se agruparam em três frentes, cada uma ligada a uma causa raiz.
- Foco promocional: lista dos 609 clientes ativos sem compra de anestésicos, com destaque para os que tinham comprado em 2007, enviada aos gerentes em 15/09/09, com relatório e e-mail padrão de acompanhamento;
- Desenvolvimento da equipe: treinamento de negociação com foco analítico para 72 pessoas, com empresa externa, mais treinamento técnico dos anestésicos e manual técnico;
- Competitividade: revisão de portfólio com exclusão de um produto, avaliação semanal da composição de custos e estudos de custo de três itens.
A grade promocional de 2009 distribuiu materiais em quatro ciclos bimestrais, do ciclo 3 ao ciclo 6, incluindo guias de diluição, folhetos e portfólio. Uma campanha de vendas com redução de preços começou em maio de 2009.
Também entraram o foco nos distritos 9200, 9300 e 9400 e o plano comercial de 2010, com melhores previsões para a produção. O concurso de vendas previsto para outubro a dezembro de 2009 ficou em espera por falta de estoque.
No Controle, 77 clientes, R$ 612.738 por mês e um teste t com p de 0,001
A primeira ativação apareceu em agosto de 2009, com 6 clientes. O acumulado chegou a 30 em outubro, fim da fase de melhoria, e a 77 em maio de 2010. Isso equivale a 85,6% da meta de 90 e a 12,6% dos 609 clientes-alvo.
A participação dos clientes ativos da linha sobre os ativos da unidade passou de 44% para 54%. A venda bruta média dos sete meses de controle, de novembro de 2009 a maio de 2010, foi de R$ 612.738.
| Indicador | Antes | Depois | Variação |
|---|---|---|---|
| Clientes ativados entre os 609 | 0 | 77 | Meta de 90 |
| Participação na carteira ativa | 44% | 54% | 10 pontos |
| Venda bruta média mensal (R$) | 436.726 | 612.738 | 40,3% |
| Desvio padrão mensal (R$) | 76.418 | 117.586 | - |
| Z do limite inferior | -1,34 | 0,63 | - |
| Nível sigma | 0,16 | 2,13 | - |
| Meses abaixo da meta | 10 de 11 | 2 de 7 | - |
O teste de hipótese começou pela comparação de variâncias. O teste F deu p de 0,219 e o de Levene, p de 0,270. As variâncias foram tratadas como iguais, o que autorizou o teste t com desvio combinado de R$ 93.994.
O teste t unilateral deu T de menos 3,87 com 16 graus de liberdade e p de 0,001. A leitura correta é esta: se nada tivesse mudado, uma diferença de R$ 176.012 apareceria por acaso em menos de 0,1% das amostras.
A apresentação traz duas versões da capabilidade final: uma com sete meses, nível sigma 2,13, e outra com doze, 2,5. A de sete meses é a consistente com o teste t. Também houve falta de quatro produtos por cerca de dez dias em quatro meses e um item descontinuado.
O que o case ensina a quem vai conduzir um projeto Master Black Belt comercial
O sistema de controle combinou um fluxo mensal com a carta de controle dos KPIs. Mede-se o indicador; se ficar dentro da meta, analisa-se a pior regional; se não, a equipe reúne e reabre a árvore de falhas.
Esse fluxo funciona como um plano de controle simplificado para processo comercial. O que faltou registrar foram os donos nominais e a frequência de revisão de cada regional, itens que um plano completo exigiria.
Para quem vai liderar um projeto parecido na formação Master Black Belt, ficam cinco lições.
- Defina dois KPIs que se protejam: um de alcance e outro de receita, para que um não seja batido às custas do outro;
- Use o SIPOC para separar o que o time controla, e aceite que preço e estoque podem ficar fora do plano;
- Desconfie de empates na matriz de causa e efeito e use esforço contra impacto como segundo filtro;
- Recalcule as tabelas de origem antes de tirar conclusão, como mostraram os preços médios trocados;
- Registre os eventos externos, como rupturas de estoque, ao lado da série, para não atribuí-los ao processo.
O case mostra que o DMAIC funciona fora da fábrica. Um processo comercial também tem média, dispersão, limite de especificação e causa raiz, e o Lean Seis Sigma oferece as ferramentas para tratá-lo como tal.
