Metodologias & Qualidade

Case de Lean Seis Sigma na produção de elevadores: o atraso que não estava na fábrica

Um projeto DMAIC completo numa fábrica de elevadores: o lead time de 184 dias decomposto em seis etapas, o Pareto dos motivos de atraso, a hipótese que caiu no teste e os 36 dias que saíram de fora do chão de fábrica.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  17 min de leitura

A data estava escrita no contrato e o cliente tinha contratado a obra civil em cima dela. Dos 288 elevadores entregues em doze meses, 124 passaram dessa data. São 43,06% dos pedidos, com atraso médio de 26,5 dias nos que atrasaram. O número não vinha de reclamação. Vinha do próprio sistema de pedidos, cruzando data prometida com data de entrega técnica.

A reação da fábrica era sempre a mesma: falar de capacidade de montagem. A montagem, porém, respondia por 9 dos 124 atrasos. Elevador é produto configurado por projeto, e num produto assim o relógio começa muito antes do chão de fábrica. Ele começa no dia em que o pedido entra na fila da engenharia de aplicação.

Este case de Lean Seis Sigma na produção de elevadores percorre as cinco fases do método DMAIC sobre um problema só: o atraso na data prometida. Cada fase aparece com o número que a fechou. O projeto anterior na mesma fábrica tinha sido de 5S nas células de montagem, e o Lean Seis Sigma entrou onde aquele não chegava.

A parte mais útil do case é a que não confirmou nada. A fábrica inteira acreditava que pedido customizado atrasa mais. O teste deu valor-p de 0,48 e a hipótese caiu. O que explicava o atraso era outra variável, e ela não estava na fábrica.

Uma palavra sobre procedência antes dos números. Este case é um composto, construído para este artigo no formato dos kits da Voitto. A carteira de pedidos, os doze meses de histórico e o piloto foram montados como exemplo didático. Todos os valores foram conferidos e fecham entre si, incluindo os testes de hipótese e o ganho financeiro. Não é o relato de um cliente.

A data prometida que 124 pedidos furaram

O indicador escolhido foi a proporção de pedidos entregues depois da data prometida em contrato. Em doze meses fechados, 124 dos 288 pedidos furaram a data, ou 43,06%.

O atraso médio nos 124 foi de 26,5 dias, ou 3.286 dias-pedido no ano. Os 164 entregues no prazo chegaram, em média, 6,0 dias antes da data. Somando os dois grupos, o desvio médio da carteira foi de 7,99 dias além do prometido.

Essa última conta importa. A fábrica não errava por pouco em muitos pedidos: acertava com folga em pouco mais da metade e estourava feio na outra parte. Isso é variação, não capacidade insuficiente.

FasePergunta que a fase respondeuNúmero que fechou a fase
DefinirQuantos pedidos furam a data e quanto isso custa43,06% e R$ 12.550,00 por pedido atrasado
MedirOnde estão os 184 dias de ponta a ponta34 dias na engenharia, com desvio de 19
AnalisarO que separa o pedido que atrasa do que não atrasa58,08% contra 22,31%, valor-p de 1,4 por bilhão
MelhorarAs contramedidas movem a data de entrega43,06% para 15,85% no piloto, valor-p 0,0000068
ControlarQuem segura o ganho e com qual regraCarta de individuais com limite de ação em 25 dias

Por que atraso de entrega, e não refugo ou custo de montagem

Havia três candidatos: refugo de caldeiraria, horas de montagem por elevador e atraso de entrega. O terceiro venceu por quatro razões, escritas no charter.

  • É o que o cliente sente. Ninguém do outro lado conhece o refugo da fábrica, mas todo mundo conhece a data de que a obra dependia.
  • Atravessa três áreas que nunca se sentavam juntas: engenharia de aplicação, suprimentos e produção.
  • Tem dado histórico pronto: data prometida e data de entrega já ficavam registradas em cada pedido.
  • Tem variação de verdade. Um indicador que oscila entre 30% e 55% ao mês tem o que estudar.

Refugo e horas de montagem seguiram como indicadores de acompanhamento. O risco de mexer no prazo e piorar o custo era real, e a única defesa é medir o que se promete não piorar.

O escopo: 288 pedidos, uma planta, e o que ficou de fora

O recorte foi fechado em quatro filtros. Escopo largo é o jeito mais comum de matar um projeto de melhoria antes do quarto mês.

  • Uma planta, com 288 elevadores entregues em doze meses, média de 24 por mês.
  • Somente elevadores de passageiros de tração elétrica com casa de máquinas, que são 81% da produção da planta.
  • Somente pedidos de equipamento novo, com contrato de fornecimento e instalação.
  • Janela de doze meses fechados, medida pela data de entrega técnica ao cliente.

Ficaram fora os elevadores de carga, as plataformas de acessibilidade, as modernizações e os pedidos sem instalação. A modernização foi a exclusão mais discutida, por ter volume relevante. O argumento vencedor: ela depende do que se encontra no poço antigo, o que muda toda a estrutura de prazo.

A meta foi reduzir a taxa de 43,06% para no máximo 18,00% em doze meses, sem alongar o prazo prometido pelo comercial. Essa segunda cláusula foi exigência do próprio comercial e salvou o projeto de uma solução que não seria solução. O padrão veio de um exemplo de DMAIC adaptado a produto configurado por projeto.

Quanto custa um pedido entregue fora da data

O ganho só vale se alguém de fora da equipe assinar embaixo do critério. A controladoria entrou na fase Definir e pediu uma média por pedido atrasado, com incidência contada nos 124 casos, não uma estimativa de pior caso.

Componente do custo do atrasoIncidência nos 124Custo quando incideMédia por pedido atrasado
Multa contratual por dia ou semana de atraso62 (50,00%)R$ 8.360,00R$ 4.180,00
Remobilização da equipe de instalação93 (75,00%)R$ 7.200,00R$ 5.400,00
Armazenagem e frete extra do equipamento pronto124 (100,00%)R$ 1.120,00R$ 1.120,00
Coordenação de obra e reprogramação de cronograma124 (100,00%)R$ 1.850,00R$ 1.850,00
Custo médio validado por pedido atrasado--R$ 12.550,00

A remobilização é o item que ninguém enxergava. A equipe de instalação é agendada por obra: quando o equipamento não chega, ela desmobiliza, vai para outro canteiro e volta depois. Esse ir e voltar custou R$ 7.200,00 nos 93 pedidos em que houve.

Houve um quinto componente, o impacto comercial em renegociação, que incidiu em 31 dos 124 pedidos a R$ 9.600,00. Ele daria mais R$ 2.400,00 de média e levaria o unitário a R$ 14.950,00. A controladoria vetou a entrada dele no ganho validado: desconto em renegociação não é rastreável a um único pedido.

Da assinatura do contrato à entrega técnica: o fluxo inteiro em seis etapas

A primeira coisa em Medir foi desenhar o mapa do fluxo de valor de ponta a ponta, da assinatura do contrato à entrega técnica na obra. O desenho tinha seis etapas, três delas fora da fábrica.

  1. Venda e liberação comercial: da assinatura até o pedido entrar na fila técnica.
  2. Engenharia de aplicação: levantamento do poço, projeto e liberação da lista de materiais.
  3. Suprimentos de item longo: compra e recebimento da máquina de tração, do quadro de comando e dos cabos.
  4. Fabricação: caldeiraria da cabine, portas e montagem dos conjuntos.
  5. Expedição e transporte até o canteiro do cliente.
  6. Instalação em obra até a entrega técnica ao cliente.

O desenho já derrubou uma crença. A fábrica, que é onde todo mundo olhava, era a quarta etapa de seis e ocupava 26 dos 184 dias médios. O lead time total é o que o cliente compra, e ele é feito de etapas que a produção não controla.

Esse é o ponto que sustenta o case. Num produto configurado por projeto, o gargalo raramente está na fábrica. Ele está onde o projeto é liberado ou onde o item longo é comprado. Um projeto que olha só a montagem não acha a causa.

As datas que ninguém tinha auditado

Antes de analisar 288 pedidos, a equipe auditou 60 contra documento físico. A pergunta era uma só: essas datas aguentam uma decisão? Em parte, não.

Achado da auditoria de 60 pedidosOcorrênciasProporção
Data prometida alterada no sistema sem registro de aditivo1423,3%
Data de liberação da engenharia lançada em lote, no fim do mês2236,7%
Data de entrega técnica igual à data da nota fiscal, não à do aceite1931,7%
Pedido com duas datas prometidas ativas em sistemas diferentes813,3%
Pedido sem nenhuma inconsistência de data2135,0%

A alteração silenciosa da data prometida era a mais grave. Quando o prazo derrapava, alguém empurrava a data no sistema e o pedido nascia pontual de novo. Não era fraude: era o jeito de tirar o pedido da lista vermelha da reunião de segunda.

Duas correções destravaram a medição. A data prometida passou a ser gravada uma vez e só mudar por aditivo assinado, com histórico visível. E a data de entrega passou a ser a do aceite, não a da nota. Os doze meses foram então reconstruídos a partir do log de alterações, pedido a pedido.

A linha de base: 184 dias reais contra 176 prometidos

Com as datas reconstruídas, o lead time médio de ponta a ponta ficou em 184 dias corridos, contra uma data prometida média equivalente a 176 dias. A diferença de 8 dias na média esconde o que a decomposição mostra.

Etapa do fluxoMédia antes (dias)ParticipaçãoDesvio-padrão antes
Venda e liberação comercial126,5%4
Engenharia de aplicação3418,5%19
Suprimentos de item longo5831,5%16
Fabricação2614,1%6
Expedição e transporte94,9%3
Instalação em obra4524,5%11
Total de ponta a ponta184100,0%31,6

Suprimentos era a maior fatia, com 58 dias, e meia sala propôs negociar prazo com fornecedor. A proposta foi adiada por causa da última coluna da tabela.

A etapa mais longa e a mais instável não eram a mesma. Suprimentos era longo e razoavelmente previsível. Engenharia era metade do tamanho e tinha desvio de 19 dias, o maior de todos. Prazo se perde na variação, não na média.

Onde mora a variação: o desvio de 19 dias da engenharia

Somando os quadrados dos desvios das seis etapas, chega-se a 799. A engenharia de aplicação responde sozinha por 361, ou 45,2% da variação total do fluxo. Suprimentos responde por 32,0%.

A raiz de 799 dá 28,3 dias, contra 31,6 observados no total. A diferença existe porque as etapas não são independentes: projeto liberado tarde empurra a compra, que empurra a fabricação. Registrar isso evita tratar a soma de variâncias como se fosse exata.

Com média de 184 dias e desvio de 31,6, contra limite superior de 176, o cálculo é 176 menos 184 dividido por três vezes 31,6, ou seja, 0,0844 negativo. Um índice de capabilidade negativo significa que a média já está do lado errado do limite.

O Pareto dos motivos: o que de fato segurou cada pedido

Cada um dos 124 pedidos atrasados recebeu um motivo principal por regra, não por opinião: o motivo é a etapa que consumiu o maior excedente sobre o próprio prazo padrão. O diagrama de Pareto ficou assim.

Motivo principal do atrasoPedidosParticipaçãoAcumulado
Projeto liberado pela engenharia de aplicação fora do prazo4435,48%35,48%
Item de fornecimento longo recebido após a data3125,00%60,48%
Alteração de projeto pedida depois da liberação1713,71%74,19%
Obra do cliente não liberada para instalação1310,48%84,68%
Capacidade de montagem e fabricação97,26%91,94%
Divergência de medida do poço vista na instalação64,84%96,77%
Transporte e liberação de acesso ao canteiro43,23%100,00%

Os dois primeiros motivos somam 75 pedidos, 60,48%. Juntando a alteração pós-liberação, que também nasce na engenharia, chega-se a 61 pedidos ligados à área, 49,19% do total. A fábrica, alvo de todas as reuniões, aparece em quinto com 7,26%.

A hipótese em que todo mundo acreditava: pedido customizado atrasa mais

A frase circulava há anos: pedido fora do catálogo atrasa. Era tão aceita que ninguém checou. A equipe cortou os 288 pedidos em dois grupos e rodou um teste de hipótese de duas proporções.

GrupoPedidosAtrasadosTaxa de atraso
Configuração especial, fora do catálogo984545,92%
Configuração de catálogo1907941,58%
Total28812443,06%

A diferença é de 4,34 pontos percentuais, na direção esperada. Só que a proporção combinada é 43,06%, o erro-padrão da diferença é 0,0616 e a estatística z fica em 0,705. O valor-p bilateral é 0,4810.

A conclusão correta é que não há evidência de diferença: nesse tamanho de amostra, 4,34 pontos aparecem por acaso quase uma vez a cada duas. A hipótese não foi provada falsa, apenas não se sustenta como explicação do atraso. E isso mudou o rumo, porque restringir catálogo nunca passaria pelo comercial.

O que o dado mostrou no lugar: os 20 dias da engenharia de aplicação

A variável seguinte foi o tempo do pedido na engenharia, cortado em 20 dias. O corte não veio depois de ver o resultado: era o prazo interno já escrito no procedimento da área, que ninguém media.

GrupoPedidosAtrasadosTaxa de atraso
Projeto liberado em até 20 dias1212722,31%
Projeto liberado em mais de 20 dias1679758,08%
Total28812443,06%

A diferença é de 35,77 pontos. Com a mesma proporção combinada de 43,06%, o erro-padrão fica em 0,0591 e a estatística z chega a 6,051. O valor-p é 0,0000000014.

Uma ressalva honesta: isso é associação, e parte dela é mecânica. Projeto liberado tarde empurra tudo para frente. Mas o efeito não é só aritmético. Quando o projeto sai atrasado, o pedido de compra do item longo sai junto, e aí se perdem semanas que a fábrica nunca recupera. Ainda assim, 27 pedidos liberados em até 20 dias atrasaram por obra não liberada, alteração posterior ou transporte.

Ishikawa e cinco porquês na fila de projetos

Com a etapa localizada, a análise de causa teve alvo estreito. O diagrama de Ishikawa saiu de uma reunião com quatro projetistas e o supervisor, sobre uma pergunta: por que um projeto fica mais de 20 dias na área?

  • Método: não havia regra de sequenciamento. A fila era atendida por pressão de vendedor, não por data de necessidade.
  • Medição: ninguém media dias na engenharia. O indicador da área era projetos liberados no mês, um número de volume.
  • Material: 39% dos pedidos entravam sem o levantamento de medidas do poço, que só chegava depois.
  • Mão de obra: dois dos sete projetistas acumulavam o atendimento a alterações de pedidos já liberados.

A cadeia dos cinco porquês sobre o primeiro item terminou em lugar desconfortável. O projeto atrasa porque fica na fila. Fica na fila porque a fila não tem ordem. Não tem ordem porque ninguém sabe qual pedido é urgente. Ninguém sabe porque a data prometida não chegava à engenharia. Não chegava porque o sistema de pedidos não passava esse campo adiante. A causa raiz era um campo que não trafegava entre dois sistemas, e custou oito dias de desenvolvimento.

Por que o pedido fácil era o que mais esperava

Cruzando as duas análises, apareceu o achado que explica a hipótese refutada. Entre os pedidos de configuração especial, o tempo médio na engenharia foi de 29 dias. Entre os de catálogo, 37 dias. O pedido simples esperava mais.

O mecanismo é banal quando se enxerga. Pedido especial tinha reunião de viabilidade, prazo combinado e projetista nomeado. Pedido de catálogo era considerado rápido e ia para o fim da fila, atrás do que parecia difícil. E lá no fim da fila passava semanas parado.

É por isso que a customização não explicava o atraso: a complexidade era compensada pela atenção que recebia. A variável que mandava era posição na fila. Achado assim só aparece quando uma hipótese cai e a equipe continua procurando.

As quatro contramedidas na liberação do projeto

As contramedidas atacaram a etapa que domina a variação, não a que consome mais dias. Foram quatro, e nenhuma envolveu contratar projetista.

  1. Passar a data prometida do sistema de pedidos para a fila técnica e ordenar a fila por data de necessidade, ou seja, a data prometida menos o prazo das etapas seguintes.
  2. Criar uma biblioteca de projetos padrão por família de poço, com nove famílias que cobrem 204 dos 288 pedidos, ou 70,83%.
  3. Exigir o levantamento de medidas do poço como entrada obrigatória do pedido, feito pelo comercial antes da liberação técnica.
  4. Separar o atendimento a alterações num posto dedicado, com dois projetistas em rodízio semanal, para não interromper a fila principal.

A segunda contramedida foi a que mais mudou o número. Pedido que cai numa família da biblioteca deixa de ser projetado do zero e passa a ser verificado e ajustado. O tempo desses caiu de 37 para 11 dias médios. Os 84 fora das famílias seguiram em cerca de 28 dias.

Antes de implantar, a equipe rodou um FMEA sobre o processo novo. O modo de falha com maior prioridade de risco foi liberar projeto a partir de uma família errada, gerando retrabalho na obra. A ação foi dupla conferência da medida crítica antes da liberação, por outro projetista.

Liberação em dois estágios: o item longo sai antes do projeto completo

A contramedida mais rentável estava na fronteira entre engenharia e suprimentos. A compra da máquina de tração, do quadro de comando e dos cabos só era disparada quando o projeto inteiro saía liberado. Só que esses três itens dependem de poucos parâmetros: carga, velocidade, número de paradas e tipo de porta, todos conhecidos na entrada do pedido. Cabine, acabamento e detalhamento não mudam nada na especificação deles.

A liberação passou a ter dois estágios. O pacote de item longo sai em até 8 dias da entrada do pedido, com conferência dos quatro parâmetros, e o projeto completo segue seu curso. Suprimentos deixou de esperar a engenharia inteira e começou quase junto. O efeito foi de 14 dias, sem negociar uma cláusula com fornecedor: o prazo dele não mudou, mudou o dia em que o pedido de compra chegou.

O piloto de onze meses e os 36 dias, etapa por etapa

Aqui apareceu a dificuldade real de melhorar produto configurado por projeto. O ciclo é de quase cinco meses: um pedido que entra hoje só vira dado de entrega no ano que vem. Esperar o resultado do piloto levaria onze meses, e levou.

A saída foi usar indicador de processo enquanto o de resultado não chegava. Dias na engenharia se mede na semana seguinte à liberação. Em três semanas de operação nova, a média caiu de 34 para 21 dias. Em quatro meses, estabilizou em 16.

O piloto mediu os 82 pedidos que entraram na engenharia nos quatro primeiros meses e saíram até o mês 11. Desses, 13 atrasaram, ou 15,85%. O atraso médio nos 13 caiu para 11,8 dias, contra 26,5 na linha de base.

O teste de duas proporções entre linha de base e piloto dá proporção combinada de 37,03%, erro-padrão de 0,0604 e estatística z de 4,501. O valor-p é 0,0000068. O tamanho mínimo por grupo, calculado antes do piloto para detectar uma queda de 43% para 20% com poder de 80%, era de 63 pedidos. O piloto teve 82.

Etapa do fluxoAntes (dias)Depois (dias)ReduçãoDesvio antesDesvio depois
Venda e liberação comercial1211144
Engenharia de aplicação341618197
Suprimentos de item longo5844141611
Fabricação2625166
Expedição e transporte98133
Instalação em obra454411110
Total de ponta a ponta1841483631,620,4

Trinta e dois dos 36 dias saíram de duas etapas, e nenhuma delas é a fábrica. Fabricação entregou 1 dia, instalação entregou 1 dia. Não é demérito de ninguém: é a resposta à pergunta que abriu o projeto.

O prazo prometido continuou em 176 dias médios, como exigia o charter. Com lead time médio de 148, a folga passou a ser de 28 dias, contra um estouro de 8 antes.

Plano de controle, carta de individuais e o OCAP da fila técnica

O plano de controle tem cinco linhas, cada uma com dono por cargo e não por pessoa. A distinção parece burocracia até a primeira licença médica.

O que é controladoComoFrequênciaDonoReação
Dias na engenharia de aplicação por pedidoCarta de individuais e amplitude móvelA cada liberaçãoSupervisor de engenharia de aplicaçãoOCAP da fila técnica
Liberação do pacote de item longo em até 8 diasRelatório de exceção do sistemaDiáriaAnalista de planejamentoEscala para o supervisor no mesmo dia
Levantamento de poço na entrada do pedidoBloqueio no cadastro do pedidoA cada pedidoCoordenador comercialPedido não entra na fila sem o levantamento
Alterações de projeto após a liberaçãoContagem mensal e análise de impacto de prazoMensalSupervisor de engenharia de aplicaçãoAceite formal do cliente sobre a nova data
Taxa de pedidos entregues fora da dataProporção mensal sobre entregas do mêsMensalGerente industrialRevisão do projeto se ficar acima de 20% por dois meses

A carta de controle escolhida foi a de valores individuais, porque o dado nasce um por pedido e não em subgrupos. Com média de 16,0 dias e amplitude móvel média de 7,90, o sigma estimado é 7,00. O limite superior fica em 37,0 dias e o inferior dá negativo, sem aplicação.

Um limite de 37 dias é largo demais para proteger uma promessa de 176. Por isso o OCAP tem limite de ação em 25 dias, que é de especificação e não de controle. Confundir os dois é erro comum, e a equipe deixou isso escrito na folha.

Os gatilhos são três e disparam sem reunião: um pedido acima de 25 dias, sete pontos seguidos acima da linha central de 16, ou qualquer ponto acima de 37. Em qualquer deles, o supervisor abre a análise em dois dias úteis.

O ganho validado e o que o índice de capabilidade ainda diz que falta

A projeção aplicou a taxa do piloto aos 288 pedidos anuais: 46 atrasados por ano, contra os 124 da linha de base.

Linha do resultado financeiroValorMemória de cálculo
Pedidos entregues por ano288Linha de base de doze meses
Pedidos atrasados por ano, antes12443,06% de 288
Pedidos atrasados por ano, projetado4615,85% de 288, arredondado
Pedidos atrasados evitados por ano78124 menos 46
Custo médio validado por pedido atrasadoR$ 12.550,00Critério fechado com a controladoria
Ganho anual validadoR$ 978.900,0078 vezes R$ 12.550,00
Investimento total do projetoR$ 268.000,00Integração de sistemas, biblioteca, FMEA e treinamento
Ganho líquido no primeiro anoR$ 710.900,00R$ 978.900,00 menos R$ 268.000,00
Retorno do investimento3,3 mesesR$ 268.000,00 sobre R$ 81.575,00 por mês

Ficaram fora da conta o impacto comercial de R$ 2.400,00 por pedido, o capital parado em produto acabado e o efeito dos 36 dias na negociação de novos contratos. São ganhos reais, reportados sem valor monetário. Inflar o número validado é a forma mais rápida de perder a assinatura da controladoria no projeto seguinte.

O fechamento honesto está na capabilidade. Com média de 148 dias, desvio de 20,4 e limite superior de 176, o cálculo dá 0,4575. Saiu de negativo, mas está longe de 1,33. Na engenharia é pior: média de 16 contra limite de 20, com desvio de 7, dá 0,1905.

Ou seja, o processo melhorou muito e continua não sendo capaz. O próximo ciclo já tem alvo: baixar o desvio da engenharia de 7 para 4 dias e atacar os 84 pedidos fora das nove famílias. Este case de Lean Seis Sigma na produção de elevadores é um composto didático, com todos os números conferidos e coerentes entre si.

Perguntas frequentes

Os números deste case de Lean Seis Sigma na produção de elevadores são de uma empresa real?
Não. É um composto construído para este artigo, no formato dos kits da Voitto. Os 288 pedidos, os doze meses de histórico e o piloto de onze meses foram montados como exemplo didático. Todos os valores foram conferidos e fecham entre si, incluindo os dois testes de hipótese, a decomposição do lead time e o ganho financeiro. Não é o relato de um cliente.
Por que o gargalo de um elevador não está na fábrica?
Porque elevador é produto configurado por projeto. O relógio começa na assinatura do contrato e passa por engenharia de aplicação, suprimentos de item longo, fabricação, expedição e instalação. No case, a fabricação ocupava 26 dos 184 dias e respondia por 9 dos 124 atrasos. Quem dominava a variação era a engenharia de aplicação, com desvio de 19 dias.
Como se escolhe entre atraso de entrega, refugo e horas de montagem como problema do projeto?
Pelo que o cliente sente, pelo que atravessa áreas, pelo que tem dado histórico pronto e pelo que tem variação a estudar. O atraso na data prometida atendeu aos quatro critérios. Refugo e horas de montagem continuaram medidos como indicadores de acompanhamento, para garantir que o prazo não melhorasse às custas do custo.
Por que a hipótese de que pedido customizado atrasa mais foi rejeitada?
Porque o teste de duas proporções não sustentou a diferença. Configurações especiais deram 45,92% de atraso em 98 pedidos, e as de catálogo deram 41,58% em 190. A proporção combinada é 43,06%, a estatística z ficou em 0,705 e o valor-p bilateral em 0,4810. Uma diferença de 4,34 pontos aparece por acaso quase uma vez a cada duas nesse tamanho de amostra.
Se não era a customização, o que explicava o atraso?
O tempo do pedido na engenharia de aplicação. Pedidos liberados em até 20 dias atrasaram em 22,31% dos casos, contra 58,08% dos liberados acima de 20 dias. A diferença de 35,77 pontos tem estatística z de 6,051 e valor-p de 0,0000000014. Curiosamente, o pedido de catálogo levava 37 dias na engenharia e o especial levava 29, porque o especial recebia atenção e o simples ia para o fim da fila.
Como o projeto reduziu 14 dias em suprimentos sem negociar com fornecedor?
Com liberação em dois estágios. A máquina de tração, o quadro de comando e os cabos dependem só de carga, velocidade, número de paradas e tipo de porta, todos conhecidos na entrada do pedido. Esse pacote passou a ser liberado em até 8 dias, sem esperar o projeto completo. O prazo do fornecedor não mudou, mudou o dia em que o pedido de compra chegou até ele.
Como rodar um piloto quando o ciclo do produto é de quase cinco meses?
Medindo o indicador de processo enquanto o de resultado não chega. No case, dias na engenharia de aplicação é medido na semana seguinte à liberação e já tinha caído de 34 para 21 em três semanas. O indicador de resultado, a taxa de atraso, só ficou pronto no mês 11, com os 82 pedidos que entraram nos quatro primeiros meses e foram entregues até lá.
Como foi calculado o custo de R$ 12.550,00 por pedido atrasado?
Como média ponderada pela incidência nos 124 casos reais. Multa contratual incidiu em 62 pedidos a R$ 8.360,00, o que dá R$ 4.180,00 de média. Remobilização da equipe de instalação incidiu em 93 a R$ 7.200,00, dando R$ 5.400,00. Armazenagem e frete extra somaram R$ 1.120,00 e coordenação de obra R$ 1.850,00, ambos em todos os pedidos. O impacto comercial ficou fora por veto da controladoria.
Por que a carta de controle tem limite superior de 37 dias se o OCAP dispara em 25?
Porque são coisas diferentes. O limite de 37 é de controle: sai do próprio processo, com média de 16 e sigma estimado de 7,00 a partir da amplitude móvel média de 7,90. O limite de 25 é de ação, derivado da promessa de 176 dias ao cliente. Um processo pode estar sob controle estatístico e ainda assim entregar fora da especificação.
O projeto encerrou com o processo capaz?
Não, e isso foi escrito no encerramento. Com média de 148 dias, desvio de 20,4 e limite superior de 176, o índice de capabilidade dá 0,4575, contra o 1,33 usado como referência. Antes era negativo, 0,0844 abaixo de zero. Na engenharia o índice é 0,1905. O próximo ciclo tem alvo definido: reduzir o desvio da engenharia de 7 para 4 dias.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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