Metodologias & Qualidade

Modelo de folha de verificação em Excel: como montar e usar

Os quatro tipos de folha, a regra dos segundos no preenchimento, o layout em três abas do Excel, duas folhas preenchidas com as somas conferidas e o teste piloto que decide se a coleta sobrevive à segunda semana.

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  17 min de leitura

Um modelo de folha de verificação é a coisa mais simples do kit da qualidade e a que sustenta todo o resto. Pareto, histograma e carta de controle consomem dado. A folha é a única das sete ferramentas que produz dado, e por isso é o único ponto onde ele pode nascer torto sem que ninguém perceba depois.

O que decide se o modelo funciona não é o desenho da tabela. É o tempo que o registro leva. Se anotar uma ocorrência não couber na folga do ciclo, o preenchimento migra para o fim do turno, vira reconstrução de memória, e o gráfico da reunião passa a representar o que a pessoa lembrava às cinco da tarde.

Este artigo trata do modelo em si. Os quatro tipos de folha e a pergunta que cada um responde. Como definir as categorias e os quatro erros que as inutilizam. O limite da categoria Outros. A folha de localização com o desenho da peça. E o layout em três abas do Excel, com o que ajuda e o que quebra o arquivo.

Também percorre o que acontece depois de imprimir: quem preenche e em que momento, o teste piloto de dois dias, a consolidação que vira Pareto, os sinais de que a folha não está sendo preenchida de verdade e o momento de aposentar a coleta.

As duas folhas preenchidas, os defeitos e as contagens foram montados para este artigo, no formato dos kits de metodologia da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica e a ordem de grandeza, não uma empresa real. As somas por linha e por coluna e os percentuais foram conferidos em Python.

A ferramenta mais subestimada do kit da qualidade

Numa lista das sete ferramentas da qualidade, a folha de verificação é a que ninguém escolhe para apresentar. Pareto tem gráfico, Ishikawa tem desenho, carta de controle tem estatística. A folha é uma tabela com riscos de lápis. E é ela que decide se as outras seis vão trabalhar com dado ou com impressão.

O motivo é simples: todas as outras consomem dado, nenhuma produz. Um Pareto sobre uma contagem feita de memória no fim do turno é um gráfico bonito de um número inventado. A folha é o único ponto da cadeia onde o dado nasce, e o único onde ele pode nascer torto.

Este artigo trata do modelo em si. Não da teoria da ferramenta, e sim de como o arquivo fica: as colunas, o cabeçalho, a folha em papel no posto, a aba do Excel que consolida e o teste que diz se o preenchimento vai sobreviver à segunda semana.

O que é um modelo de folha de verificação

Um modelo de folha de verificação é um formulário com as categorias já impressas, no qual o registro de uma ocorrência é feito por marca de contagem e não por escrita. Quem preenche risca. Quem consolida soma. Entre o evento e o número não existe interpretação nem memória.

A definição vale para papel e para Excel, e a diferença entre os dois é menor do que parece. O que define a folha de verificação não é o suporte, é a estrutura: categorias fechadas nas linhas, estratificação nas colunas, cabeçalho curto e um espaço de registro que não exige frase.

Ela também não se confunde com o plano que a antecede. A planilha de coleta de dados e o plano de coleta definem o que será medido, por quem e por quanto tempo. A folha é o artefato que vai para o posto e recebe a marca. Uma sai da reunião, a outra sai da impressora.

Três coisas precisam estar resolvidas antes de o modelo existir: o que conta como ocorrência, a lista de categorias e os fatores de estratificação.

Os quatro tipos de folha e para que serve cada um

Existem quatro formatos em uso corrente. Cada um responde a uma pergunta diferente, e escolher o errado é a forma mais comum de coletar duas semanas de dado inútil.

TipoPergunta que respondeFormato do registroSaída natural
Distribuição de frequênciaQual defeito acontece mais?Linha por categoria, marca de contagemPareto
Localização de defeitoOnde na peça o defeito aparece?Marca sobre o desenho da peçaMapa de concentração
CausaEm que condição o problema aparece?Cruzamento de fator por fatorEstratificação e Ishikawa
Confirmação de tarefaA etapa foi executada?Caixa marcada por itemIndicador de conformidade

A folha de distribuição é a mais usada e a mais simples: conta quantas vezes cada categoria ocorreu. Quando a variável é contínua e as classes são faixas de medida, a mesma folha vira a base de um histograma, porque a contagem por faixa já é a distribuição.

A folha de confirmação é a única que não conta nada: ela registra execução. É o formato da auditoria de posto e do checklist de partida, próximo do que o programa 5S usa na rotina. Confirmar tarefa e contar ocorrência são coisas diferentes, e misturar as duas numa folha só estraga as duas.

A regra que decide tudo: o preenchimento cabe em segundos

Esta é a regra de projeto mais importante do modelo, e a mais ignorada. O registro de uma ocorrência precisa levar menos tempo do que a folga que a pessoa tem no ciclo. Num posto que produz uma peça a cada 40 segundos, isso significa cinco segundos, não trinta.

Quando o preenchimento não cabe, ele migra para o fim do turno. A pessoa lembra que foram umas seis rebarbas, arredonda para cinco ou para dez e entrega a folha completa. O formulário fica bonito e o dado morre.

  • Risco, não escrita. Uma marca de contagem leva um segundo. Escrever a palavra "rebarba" leva oito e ainda gera três grafias.
  • Nenhum campo calculado no ato. Percentual, acumulado e total são trabalho de consolidação, não de posto.
  • Cabeçalho preenchido uma vez. Data, turno, máquina e coletor no topo da folha, não a cada linha.
  • Caneta amarrada na prancheta. Parece detalhe operacional e é a causa isolada mais frequente de lacuna.

O teste é literal: cronometre. Peça para alguém do posto registrar dez ocorrências simuladas e meça. Acima de dez segundos por registro, o modelo precisa ser simplificado antes de ir para a linha.

As categorias: onde o modelo é ganho ou perdido

Categoria é a linha da folha. Definir bem significa que qualquer ocorrência cai em exatamente uma delas, sem que a pessoa precise pensar. Definir mal produz uma contagem que soma certo e não significa nada.

Os erros têm nomes reconhecíveis. Categoria que se sobrepõe a outra, e a mesma peça é contada em duas linhas dependendo de quem olha. Categoria ampla demais, do tipo "problema de acabamento", que engole metade das ocorrências e não aponta ação. Categoria que descreve causa em vez de sintoma, decidida na hora do registro por quem não tem como saber.

Categoria fracaPor que falhaVersão utilizável
Problema de acabamentoAmpla demais, agrupa causas diferentesRebarba na aba, mancha na superfície, marca de extrator
Erro do operadorÉ causa suposta, não sintoma observadoPeça montada fora de sequência
Defeito de materialExige diagnóstico no ato do registroPeça com bolha visível a 50 cm
Outros problemasVira depósito quando a lista está incompletaOutros, com descrição obrigatória de três palavras

A lista sai de uma hora de observação no posto, não de uma reunião em sala. A folha registra sintoma; a causa é discussão posterior, no diagrama de Ishikawa, com o dado da folha na mão.

A categoria Outros e o limite que ela não pode passar

Toda folha precisa de uma linha "Outros", porque nenhuma lista cobre tudo e ocorrência sem casa vira ocorrência não registrada. Mas Outros é um sensor, não um depósito: o tamanho dela mede a qualidade da lista de categorias.

O limite prático é 10% das ocorrências. Entre 10% e 20%, falta pelo menos uma categoria relevante. Acima de 20%, a contagem inteira precisa ser revista antes de virar gráfico.

  1. Exija descrição livre de pelo menos três palavras em todo registro marcado como Outros. Sem isso, o sensor não informa nada.
  2. Leia essas descrições no fim da primeira semana, não no fim da coleta.
  3. Promova a categoria própria para tudo que aparecer mais de cinco vezes, e reimprima a folha.
  4. Anote a data da troca no rodapé. A série antes e depois da mudança não é comparável linha a linha.

Outros com 30% e nenhuma descrição não tem conserto: um terço do dado é desconhecido. A única saída é refazer a lista e recoletar.

Folha de distribuição preenchida: uma semana de inspeção

Abaixo, uma folha de distribuição por defeito, cinco dias de inspeção final numa linha de injeção. As linhas são as categorias, as colunas são os dias, a marca de contagem virou número na transcrição.

DefeitoSegTerQuaQuiSexTotal%
Rebarba na aba1291411105641,2%
Falha de preenchimento685763223,5%
Mancha na superfície435241813,2%
Peça deformada322431410,3%
Marca de extrator21322107,4%
Outros1211164,4%
Total do dia2825302726136100%

A conferência que o modelo precisa permitir é esta: a soma das linhas e a soma das colunas fecham no mesmo total, 136. Quando não fecham, houve erro de transcrição, e é melhor descobrir na terça do que no dia da apresentação.

Outros ficou em 4,4%, dentro do limite, então a lista de categorias se sustenta. Duas categorias respondem por 64,7% das ocorrências e três por 77,9%, o que já é a leitura de diagrama de Pareto sem precisar do gráfico. Os dias são estáveis entre 25 e 30, o que indica que nenhum dia isolado está puxando o total.

Folha de causa preenchida: turno contra tipo de ocorrência

O segundo formato cruza dois fatores. As linhas continuam sendo as categorias, mas as colunas passam a ser o fator de estratificação. Aqui, duas semanas de registro num posto de montagem, separado por turno.

OcorrênciaTurno ATurno BTurno CTotal
Ajuste após troca de ferramenta8111938
Falta de abastecimento no posto341219
Erro de montagem45918
Material fora do padrão56516
Outros1225
Total do turno21284796

As linhas somam 96 e os turnos somam 96. O turno C concentra 49,0% das ocorrências sozinho, com metade dos ajustes após troca de ferramenta e doze das dezenove faltas de abastecimento. Outros ficou em 5,2%.

O que a folha entrega não é a causa, é onde procurar. Material fora do padrão é o único item que se distribui de forma parecida entre os três turnos, o que aponta para fornecimento e não para execução. O resto é assimétrico e pede investigação no turno C. Essa distinção só existe porque a coluna de turno estava no formulário desde o primeiro dia, e não pode ser recuperada depois.

A folha de localização com o desenho da peça

O terceiro tipo troca a tabela por uma figura. Imprime-se o desenho da peça, do produto ou da planta, e quem inspeciona marca um ponto no lugar onde o defeito apareceu. Ao fim de duas semanas, a folha acumulada mostra a concentração antes de qualquer cálculo.

É o formato certo quando a pergunta é geográfica: risco em painel automotivo, vazamento em trocador de calor, avaria em embalagem. Saber que houve 56 riscos importa menos do que ver que 40 deles estão no mesmo quadrante.

  • Desenho grande e simples, ocupando pelo menos metade da folha, com contorno limpo e sem cotas.
  • Duas ou três vistas quando o defeito pode estar em faces diferentes, cada uma identificada.
  • Símbolo por tipo de defeito, no máximo quatro, com legenda no rodapé. Acima disso a leitura se perde.
  • Uma folha por dia ou por turno, nunca uma por peça, porque o valor está no acúmulo das marcas.

No Excel esse tipo é desconfortável, e insistir costuma custar mais do que resolve. O caminho prático é manter o desenho em papel no posto e digitalizar só a contagem por região, com a peça dividida em zonas nomeadas.

O layout no Excel: três abas e nada além disso

O modelo em Excel que funciona tem três abas. Mais do que isso e o arquivo vira projeto de alguém; menos e a consolidação volta a ser manual.

AbaConteúdoQuem mexe
RegistroUma linha por ocorrência, colunas de data, turno, posto, categoria e observaçãoQuem digita
ParâmetrosLista fechada de categorias, turnos, postos e coletoresQuem mantém o modelo
ConsolidadoTabela dinâmica por categoria e por fator, com totais e percentualNinguém, atualiza sozinho

A decisão de estrutura mais importante é esta: a aba de registro é uma lista, não uma matriz. Uma linha por ocorrência, sempre. A tentação de replicar no Excel o desenho da folha de papel, com categorias nas linhas e dias nas colunas, cria uma matriz que precisa ser reescrita a cada mês e que a tabela dinâmica não lê.

Na aba de registro, cada coluna de classificação usa validação de dados apontando para a aba de parâmetros. Isso elimina "rebarba", "Rebarba" e "rebarba na aba" como três categorias distintas, que é o erro que mais destrói consolidação em planilha compartilhada. A aba consolidado não recebe digitação: atualizar é um clique.

Fórmulas que ajudam e recursos que atrapalham

O Excel resolve bem três coisas na folha de verificação: contar, validar entrada e ordenar. Fora disso, cada recurso adicional aumenta a chance de alguém quebrar o arquivo.

  • CONT.SE e CONT.SES para as contagens por categoria e por cruzamento de fatores. Resolvem tudo o que a folha precisa somar.
  • Validação de dados por lista em toda coluna de classificação, com a origem apontando para o intervalo nomeado da aba de parâmetros.
  • Formatação condicional destacando a linha de Outros quando ela passa de 10% do total, que é o alarme funcionando sozinho.
  • Tabela dinâmica na aba consolidado, atualizada ao abrir o arquivo.

O que atrapalha é previsível: macro que só roda na máquina de quem escreveu, célula mesclada que impede ordenação, coluna de observação sem limite que vira campo de desabafo e proteção de planilha com senha que ninguém lembra. Um modelo que depende de uma pessoa específica para funcionar deixa de funcionar quando essa pessoa entra de férias.

Antes de distribuir, abra o arquivo no computador do posto, com a versão do Office que existe lá. O que quem digita errar sozinho é defeito do modelo, não dele.

Por que a folha de papel no posto costuma ganhar da digital

A versão em papel presa numa prancheta ao lado da máquina tem uma taxa de preenchimento maior do que a planilha compartilhada, e isso se repete com regularidade suficiente para virar recomendação.

As razões são físicas. O papel está a um braço de distância e não exige largar a peça, tirar a luva e acordar uma tela. E ele é visível: a folha em branco denuncia a lacuna antes que ela vire série de dias vazios.

O arranjo que funciona na maioria dos casos é híbrido. Papel no posto durante o turno, digitação uma vez por dia na aba de registro, sempre pela mesma pessoa, sempre no mesmo horário. A digitação de uma folha de turno leva menos de cinco minutos e custa muito menos do que a lacuna que a planilha direta produz.

A folha digital ganha quando o posto já tem terminal aberto e em uso, ou quando o volume é alto demais para transcrição diária. Fora disso, o papel é a escolha mais eficaz.

Quem preenche, quando e o que fazer com a lacuna

Folha sem dono nomeado por turno tem preenchimento decrescente. A primeira semana vai bem, a segunda perde dias isolados, a terceira tem metade em branco. Não é desleixo: é que a tarefa não é de ninguém em particular.

O dono é uma função e um nome, escrito no cabeçalho do modelo, um por turno. A responsabilidade dele não é preencher tudo: é garantir que a folha existe no posto no início do turno e sai preenchida no fim.

Momento do registroQuando usarRisco principal
No ato da ocorrênciaVolume baixo e ciclo com folgaRegistro perdido em pico de produção
Em janelas fixas na hora cheiaVolume alto e inspeção amostralAmostra sincronizada com o ciclo da máquina
No fim do turnoNunca, em folha de contagemDado reconstruído de memória

A lacuna precisa de regra escrita no rodapé. Turno sem produção recebe a marca "sem produção", não zero, porque zero é um valor e ausência não é. Folha não recolhida vira lacuna declarada no consolidado. Preencher buraco com estimativa é o único procedimento que transforma dado ruim em dado falso.

O teste piloto de dois dias

Nenhum modelo vai para a linha inteira sem dois dias em um posto. É a etapa que mais gente pula e a que mais barato sai, porque o custo de descobrir um problema de desenho no segundo dia é uma reimpressão.

O piloto não testa o processo, testa o formulário. A pergunta é se a folha é preenchível por quem vai preencher, na velocidade em que o trabalho acontece, sem alguém do projeto ao lado explicando.

  1. Entregue a folha sem treinamento longo, com no máximo dois minutos de explicação. O que precisar de mais que isso não vai escalar.
  2. Cronometre dez registros reais e confirme que cada um cabe na folga do ciclo.
  3. Conte quantas ocorrências foram para Outros e leia as descrições, uma a uma.
  4. Peça para duas pessoas classificarem as mesmas dez peças em separado, e compare. Mais de uma divergência significa categoria mal definida.
  5. Pergunte a quem preencheu o que incomodou. A resposta costuma ser uma coluna que não serve para nada.

A lista de ajustes é quase sempre a mesma: uma categoria para dividir, uma para sumir, uma coluna a menos no cabeçalho e a letra maior.

Da folha para o Pareto: a consolidação

A folha de distribuição já é a tabela de frequência do Pareto. A consolidação não é análise, é aritmética: somar por categoria, ordenar em ordem decrescente, calcular o percentual e o acumulado.

Com os dados da folha da semana, a ordenação por total já sai pronta: 56, 32, 18, 14, 10 e 6. O acumulado das duas primeiras categorias é 64,7% e o das três primeiras é 77,9%. Esse é o ponto de corte que separa o que entra no projeto do que fica registrado para depois.

  • Some por categoria, não por dia. O total do dia serve para conferência, o total da categoria é o que vira barra.
  • Confira a soma nos dois sentidos antes de gerar o gráfico. Linha e coluna precisam fechar no mesmo número.
  • Mantenha Outros sempre na última barra, fora da ordenação, mesmo quando o total dela for alto.
  • Declare o período e o tamanho da base na legenda. Pareto sem denominador não permite comparação depois.

Quando a folha cruza dois fatores, faça as duas leituras: o Pareto por categoria e o Pareto por estrato. A categoria maior no total pode estar distribuída de forma uniforme, enquanto uma menor se concentra num turno só, e é essa que tem causa localizável.

Como verificar que a folha está sendo preenchida

Modelo distribuído não é modelo em uso. A verificação precisa acontecer durante a janela de coleta, não no fim, porque no fim não há o que recuperar.

A checagem é de dois minutos e cabe na caminhada de rotina do supervisor: se a folha do turno anterior está preenchida, se o cabeçalho tem os quatro campos e se as marcas estão distribuídas ao longo do turno.

Sinal na folhaO que costuma indicarAção imediata
Marcas todas com a mesma caligrafia e espaçamentoPreenchimento reconstruído no fim do turnoConversar com o turno e refazer o piloto
Um turno com volume muito abaixo dos outrosFolha não preenchida, não processo melhorVerificar presença da folha no posto
Outros acima de 20% na primeira semanaLista de categorias incompletaLer as descrições e criar categoria
Dias inteiros em branco sem marcaçãoFolha sem dono no turnoNomear responsável no cabeçalho

O consolidado atualizado e impresso no quadro do setor resolve boa parte disso sozinho, porque transforma a coleta em informação visível para quem coletou. É o mesmo princípio da gestão à vista aplicado ao dado bruto. Quem preenche e nunca vê o resultado para de preencher, e a rotina de conferência da auditoria 5S é um lugar natural para encaixar essa verificação.

Onde a folha entra no roteiro de melhoria

A folha aparece duas vezes no ciclo de melhoria, e as duas aparições têm objetivos opostos. A primeira mede o problema, a segunda confirma que a solução se manteve.

No método DMAIC ela é o instrumento da fase Medir e produz o baseline. Se o baseline vier de folha mal preenchida, toda a comparação do fim do projeto fica contestável, e o ganho vira discussão em vez de número. No MASP, ocupa a mesma posição na observação, antes da análise de causa.

Depois da ação, a folha volta em formato de confirmação de tarefa, verificando se o novo padrão está sendo executado. É aqui que ela encontra o 5W2H: cada ação do plano tem responsável e prazo, e a folha registra se a etapa aconteceu. Uma conta ocorrência, a outra conta execução.

Entre as duas, a folha de causa serve de ponte. Ela estratifica o problema medido e entrega à análise de causa um recorte, não um total. A diferença prática é grande: discutir "rebarba" rende teoria, discutir "rebarba concentrada no turno C depois da troca de ferramenta" rende hipótese testável.

Quando aposentar a folha

Folha de verificação é instrumento temporário. Ela existe para responder a uma pergunta, e a pergunta tem data de validade. Coleta que continua por inércia consome tempo de posto e gera planilha que ninguém abre, o que é pior do que não coletar, porque cria a impressão de que existe controle.

Os sinais são reconhecíveis. As últimas quatro semanas contam a mesma história. A ação corretiva já foi implantada e confirmada. Ou o dado passou a ser gerado pelo equipamento, com a mesma definição operacional.

SituaçãoDestino da folha
Pergunta respondida e ação implantadaEncerrar a coleta e arquivar a série
Variável passou a ser monitorada continuamenteMigrar para carta de controle
Padrão novo precisa ser sustentadoConverter em folha de confirmação de tarefa
Coleta ativa há meses sem ninguém olharEncerrar, e registrar por que existia

O destino mais comum de uma folha bem-sucedida é virar acompanhamento contínuo. A contagem por período que a folha produzia passa para uma carta de controle de atributos, que mostra se a variação é normal ou se algo mudou. É a transição do diagnóstico para o controle estatístico de processo, e ela só é possível porque a definição operacional já estava escrita e testada.

Encerrar bem também é trabalho. Arquive a série completa, o modelo usado e a definição de cada categoria no mesmo lugar. Quando o problema voltar, a pergunta será se ele voltou no mesmo nível, e só há resposta se o número antigo estiver guardado com o critério que o gerou.

Perguntas frequentes

O que é um modelo de folha de verificação?
É um formulário com as categorias de ocorrência já impressas, no qual o registro é feito por marca de contagem em vez de escrita. Quem está no posto risca, quem consolida soma. A estrutura padrão tem cabeçalho curto com data, turno, posto e coletor, categorias fechadas nas linhas e fatores de estratificação nas colunas. Vale tanto em papel quanto em Excel.
Como montar uma folha de verificação no Excel?
Com três abas. A aba Registro recebe uma linha por ocorrência, com colunas de data, turno, posto, categoria e observação. A aba Parâmetros guarda as listas fechadas que alimentam a validação de dados. A aba Consolidado tem a tabela dinâmica com totais, percentual e ordenação decrescente. A regra estrutural é que a aba de registro seja uma lista, nunca uma matriz de categorias por dias.
Quais são os quatro tipos de folha de verificação?
Distribuição de frequência, que conta quantas vezes cada categoria ocorre e alimenta o Pareto. Localização de defeito, que marca o ponto sobre o desenho da peça e revela concentração geográfica. Causa, que cruza a ocorrência com um fator como turno, máquina ou lote. Confirmação de tarefa, que registra se uma etapa foi executada em vez de contar ocorrências.
Qual a diferença entre folha de verificação e checklist?
A folha de verificação conta ocorrências e produz uma distribuição: quantas rebarbas, em que turno, em que dia. O checklist confirma execução e produz conformidade: a etapa foi feita ou não. A folha de confirmação de tarefa é o ponto em que os dois formatos se encontram, mas misturar contagem e confirmação em um único formulário costuma estragar as duas leituras.
Quanto tempo o preenchimento pode levar?
Precisa caber na folga do ciclo de trabalho, o que na prática significa menos de dez segundos por registro em posto de produção. Acima disso, o preenchimento migra para o fim do turno e passa a ser feito de memória. O teste é cronometrar dez registros reais durante o piloto: se não couber, simplifique o formulário antes de distribuir.
Qual o limite aceitável para a categoria Outros?
Dez por cento das ocorrências. Entre 10% e 20%, falta pelo menos uma categoria relevante na lista. Acima de 20%, a lista foi montada sem consultar quem opera e a contagem precisa ser revista antes de virar gráfico. Exija descrição livre de três palavras em todo registro marcado como Outros e promova a categoria própria para o que aparecer mais de cinco vezes.
Folha em papel ou planilha digital no posto?
Papel no posto costuma ter taxa de preenchimento maior, porque está a um braço de distância, não exige largar a peça nem acordar uma tela, e fica visível para todo mundo. O arranjo híbrido resolve: papel durante o turno e digitação uma vez por dia na aba de registro, sempre pela mesma pessoa. A versão digital direta só compensa quando já existe terminal aberto e em uso no posto.
Como transformar a folha de verificação em gráfico de Pareto?
A folha de distribuição já é a tabela de frequência. Some por categoria, ordene em ordem decrescente, calcule o percentual sobre o total e o acumulado. Na folha de exemplo deste artigo, os totais 56, 32, 18, 14, 10 e 6 somam 136, e as duas primeiras categorias acumulam 64,7%. Mantenha Outros sempre na última barra, fora da ordenação.
Como saber se a folha está mesmo sendo preenchida?
Verifique durante a coleta, não no fim. Quatro sinais denunciam problema: marcas com caligrafia e espaçamento idênticos, que indicam preenchimento reconstruído no fim do turno; um turno com volume muito abaixo dos outros; Outros acima de 20% na primeira semana; e dias inteiros em branco. Publicar o consolidado no quadro do setor reduz a lacuna porque devolve o resultado a quem coletou.
Quando parar de usar a folha de verificação?
Quando a pergunta que motivou a coleta já tiver resposta e a ação estiver implantada e confirmada, quando as últimas quatro semanas contarem a mesma história, ou quando o dado passar a ser gerado pelo equipamento com a mesma definição operacional. Se a variável vai continuar sendo monitorada, o destino natural é uma carta de controle de atributos. Arquive a série, o modelo e a definição de cada categoria.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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