Shitsuke: a rotina de disciplina do 5S em 13 exemplos preenchidos
A S10 do Kit preenchida com os planos-mestres de 13 áreas piloto, e o que falta nelas para a disciplina durar sem chefe olhando.
Não paro de estudar: todo ano me dou a meta de aprender algo novo. O gás do primeiro dia some cedo; até dezembro, quem carrega a meta é aquilo que consigo repetir numa semana comum. O shitsuke, quinto senso do 5S, trata do mesmo problema na área piloto. É o que faz o padrão continuar quando a arrumação acaba e ninguém mais está olhando.
A folha S10 do Kit de Ferramentas 5S, a Rotina de Disciplina, responde com quatro peças. São um checklist diário de 5 itens que cabe em 2 minutos e rituais com frequência, duração e dono. Depois vêm uma auditoria relâmpago feita por um par de outra área e um plano de engajamento que anota a resistência como dado.
Neste artigo preencho a S10 com os planos-mestres de 13 áreas piloto, um caso ilustrativo por setor. Depois procuro cada peça do shitsuke nos blocos 5 a 8 de cada plano. A adesão aparece nos 13. A resistência que ela teria vencido não aparece em nenhum, e isso muda o que eu escreveria primeiro na folha.
O que é shitsuke no 5S
Shitsuke é o senso de disciplina, o quinto do 5S. Ele transforma em hábito o que Seiri, Seiton, Seiso e Seiketsu deixaram pronto. São a área triada, cada item no endereço, a limpeza com dono e o padrão escrito. Sem ele, a área volta aos poucos ao que era antes.
O nome varia até dentro do mesmo livro. No Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o capítulo 5, “5S: a base da qualidade”, abre a seção 5.9 como senso de autodisciplina (p. 39). O Quadro 5.1 escreve só Disciplina (p. 40). Uso disciplina, como a folha S10 e os planos-mestres, sabendo que as duas palavras apontam para o mesmo senso.
A mesma página 40 diz para que o shitsuke serve. “Esse senso também visa garantir que cada colaborador assuma a responsabilidade pela qualidade, envolvendo-se com a Melhoria Contínua.” Na prática, responsabilidade quer dizer o time conferir sem esperar o chefe. É essa rotina que a S10 tenta desenhar.
A folha tem duas páginas. A primeira traz o cabeçalho, o checklist diário de segunda a sábado com a rubrica de quem verificou e a tabela de rituais. A segunda traz a auditoria relâmpago, o resultado com as pendências e o plano de engajamento. Este separa a resistência encontrada, o tratamento dado e a prova de adesão.
O artigo sobre o programa 5S percorre os cinco sensos. O que compara 5S e Lean mostra onde o programa se encaixa no sistema maior. O shitsuke é o que menos aparece numa foto de antes e depois. Ele mexe na rotina, no jeito como a gente usa a área numa terça qualquer.
O que os 13 planos-mestres preenchem da S10
Preenchi uma S10 para cada plano-mestre, só com o que os blocos 5, 6, 7 e 8 registram sobre o shitsuke. O bloco 5 dá a janela do senso no cronograma, e o 6 traz a linha de ações e evidências. O 7 dá a nota de auditoria, e o 8, a sustentação. O que nenhum bloco registra ficou escrito na folha como não registrado.
- O checklist assinado existe nos 13, mas nenhum plano lista os itens nem mede o tempo. Os 5 itens de cada folha foram montados com as ações de 3S e 4S do próprio caso.
- Dos 56 rituais somados, 10 têm duração. São todos treinos ou limpezas, espalhados por 7 planos. Nenhuma auditoria tem duração registrada.
- O dono do 5S está nos 13 planos, por cargo; o dono de cada ritual, em nenhum. O plano dá um responsável ao programa, e a S10 pede um por linha.
- Auditoria sem aviso: nenhuma. Três planos têm uma verificação por amostra ou em dupla que chega perto, e nenhuma delas é declarada surpresa.
- A adesão ao shitsuke está documentada nos 13, e a resistência em nenhum. É o achado que organiza o resto do artigo.
- Das três atitudes que o livro pede, treinamento aparece em 10 planos, criatividade em 1 e prêmios em nenhum.
A leitura por colunas rende mais que a leitura por linhas. A saúde é a área com mais marcas, mas a diferença é pequena. O que falta, falta em quase todas. As colunas vazias do shitsuke dependem de alguém decidir algo fora do calendário. É preciso aparecer sem aviso, ouvir uma queixa, reconhecer um esforço. As colunas cheias cabem numa lista de presença.
Checklist diário do shitsuke: 5 itens em 2 minutos
A primeira instrução da folha trata de atrito. Pede no máximo 5 itens e 2 minutos no total, com uma marca por dia e a pendência levada ao quadro. Dois minutos para cinco itens dão 24 segundos por item, tempo de olhar e seguir. Um checklist de shitsuke que pede régua, contagem ou busca no sistema deixa de ser feito no dia em que a área está cheia.
Os 13 planos têm o checklist, e ele é assinado. Em 11, a assinatura vem por dia, por turno ou por plantão. O financeiro confere a porta uma vez por semana, e o marketing não diz a frequência. Quase sempre o registro do shitsuke está na linha do Seiso, junto com a limpeza. É terreno que o artigo sobre o padrão de limpeza do Seiso já cobriu.
O que nenhum plano registra é o conteúdo: não há lista de itens nem tempo de preenchimento em nenhum dos 13. Para as folhas de exemplo, montei os cinco itens com o que o próprio plano publicou no 3S e no 4S. Entram foto-padrão, sombra de ferramenta, etiqueta de endereço e coletor esvaziado. Cada folha avisa que os itens foram montados.
Um bom item de shitsuke tem resposta de sim ou não a um passo de distância. A bancada bate com a foto, o corredor está livre, a sombra vazia tem cartão. Item que pede opinião, como “área organizada”, vira assinatura automática. Onde o quadro de cartões do kamishibai já existe, o checklist pode morar nele. As pendências seguem para o painel de gestão à vista.
Rituais com dono: a coluna que os planos deixam vazia
A segunda parte da folha é uma tabela de rituais com cinco colunas: ritual, frequência, duração, participantes e dono. A frase impressa acima dela resume a lógica, porque ritual sem hora marcada não acontece. Somei os rituais da linha do shitsuke no bloco 6 e a auditoria mensal do bloco 8 de cada plano. Deu 56.
A frequência está em 51 deles, e os participantes, em 33. A duração aparece em só 10, todos treino ou limpeza. São 1h por turno no alimentício e na manutenção e 2h no farmacêutico. Há 40 min na logística e na produção e 30 min na saúde e nos serviços. Somam-se limpezas de 5 e 10 minutos. A auditoria mensal não tem duração em nenhum plano.
A coluna dono é a que mais pesa. Os 13 planos dão um dono ao 5S inteiro, por cargo. Entre eles estão a supervisora de produção da manhã, a farmacêutica responsável, o planejador de manutenção, a enfermeira coordenadora da ala. Nenhum dá um dono a cada ritual do shitsuke. A autoauditoria é semanal em sete planos e corre em rodízio na maioria. Rodízio diz quem executa, sem dizer quem responde quando ela não sai.
A S10 separa as duas coisas porque o dono do programa não segura cinco rituais ao mesmo tempo. Com um cargo em cada linha, a pergunta “por que a autoauditoria de quinta não saiu?” tem para quem ir. Frequência e duração dos rituais já foram tratadas nas regras do programa 5S. O treino de quem entra na rotina segue o roteiro do treinamento no posto. Aqui interessa a última coluna.
Auditoria relâmpago: 10 minutos, olho de fora e nenhum aviso
A página 2 abre com a peça mais incômoda da folha. É uma auditoria de 10 minutos, quinzenal, sem aviso prévio, feita por um par de outra área. São cinco perguntas, e a primeira dá o tom. Peça um item qualquer a quem estiver na área e veja se ele aparece em até 30 segundos. Quem audita numa quinzena é auditado na seguinte.
Nenhum dos 13 planos tem um ritual de shitsuke sem aviso. A auditoria mensal tem data certa em todos, às vezes escrita no próprio plano. É a terceira semana do mês no alimentício e a primeira no farmacêutico e na hotelaria, última sexta do mês na logística. Quem nunca arrumou a casa na véspera de uma visita? Área que sabe a data da auditoria faz igual. A nota passa a medir a véspera.
O olho de fora, por outro lado, existe nos 13. Há rodízio de auditores entre salas, entre docas e entre manutenção, almoxarifado e produção. Há auditor de outra ala na saúde e de outro setor nos serviços. E há quem venha de fora uma vez por trimestre, como no financeiro, na hotelaria e no marketing. Faltam a surpresa e a cadência curta.
Três planos chegam perto. A manutenção de elevadores confere 2 vans por semana por amostra, e na auditoria mensal sorteia 3 vans. É parente próximo da quinta pergunta da S10, a da estante sorteada. A saúde faz dupla checagem quinzenal, com duas assinaturas, e a sustentabilidade amostra caçambas toda semana. Nenhuma das três é declarada sem aviso.
Para montar as auditorias do ano, o calendário de auditorias organiza frequência e rodízio. A relâmpago entra por cima dele, sem data. Ela não substitui a auditoria 5S. A mensal mede a nota, e a relâmpago mede se o shitsuke está de pé num dia qualquer.
Plano de engajamento: 13 adesões e nenhuma resistência
O plano de engajamento fecha a folha com três colunas: resistência identificada, como foi tratada e evidência de adesão. A instrução pede que a resistência seja anotada como informação. Também manda atacar o atrito que ela revela e provar a adesão com evidência, e não com impressão.
A terceira coluna é a mais cheia da folha. A linha do shitsuke no bloco 6 traz uma evidência nos 13 planos. São listas de presença em 11 e folhas de autoauditoria com nota em 6. Há ainda taxa de adesão em 4. São 98% de preenchimento no alimentício e mais de 95% ao checklist na logística. A manutenção tem 96% dos turnos, e a saúde, dupla checagem em 100% desde março.
As duas primeiras colunas estão vazias nos 13. Nenhum plano registra alguém que achou o checklist longo, um turno que parou de assinar ou uma queixa sobre o auditor de fora. Pode ser que nada disso tenha acontecido. A falta de registro, porém, não prova a falta de resistência; prova só que ninguém a escreveu.
O problema prático é que adesão sem resistência ensina pouco. Os 98% de preenchimento do alimentício mostram que o checklist foi feito. Não mostram por que ele não chegou a 100%, nem o que precisou mudar para os outros assinarem. A informação sobre o atrito mora na coluna da resistência, e é o atrito que a S10 manda atacar.
A coluna se preenche com uma pergunta simples na reunião do time: o que está atrapalhando a rotina de shitsuke? A resposta vai para a folha como dado, com o que foi feito a respeito. É o jeito como se guardam lições aprendidas. O artigo sobre gestão de mudanças ajuda a tratar a reação à mudança. O de cultura organizacional explica por que o hábito do grupo pesa mais que a regra escrita.
As três atitudes do livro contadas nos 13 planos
No trecho sobre como aplicar o shitsuke, o livro lista três atitudes: “treinamento dos colaboradores; estimulação da criatividade dos funcionários e alocação de recursos para praticar as novas ideias; distribuição de prêmios pelo esforço conjunto” (p. 40). Procurei cada uma na linha do senso dos 13 planos.
| Atitude do livro | Planos com registro | Como aparece |
|---|---|---|
| Treinamento | 10 de 13 | Treino por turno ou por plantão, com lista de presença; duração registrada em 7 |
| Criatividade e recurso para ideias | 1 de 13 | Saúde: 9 melhorias propostas, 7 aplicadas |
| Prêmios pelo esforço conjunto | 0 de 13 | Nenhum registro; o mais perto é o placar entre turnos da logística |
O treinamento é a atitude que os planos sabem registrar. Ele deixa papel. Os três planos sem treino na linha do shitsuke são manutenção de elevadores, marketing e produção de elevadores. Os três puseram conferência no lugar: a ficha de sexta, a ficha pós-evento e a verificação do padrão na passagem de turno.
A criatividade só aparece na saúde, e com os dois lados que o livro pede, ideias propostas e recurso para aplicá-las. A ala B propôs 9 melhorias e aplicou 7. Nesse plano, e só nele, o time aparece fazendo algo além de cumprir e conferir. Um registro de kaizens daria a essas ideias um lugar fixo.
Prêmio não aparece em nenhum. O placar entre turnos da logística é uma competição. Competição pode virar reconhecimento, mas o plano não diz o que o turno vencedor ganha. A atitude que o livro deixa por último é justamente a que a dica da S10 pede para ser feita em público.
A dica da S10 posta à prova: três ciclos e festa em público
No rodapé, a folha traz a dica do especialista: “Disciplina não se cobra no grito, se constrói no rito: reduza o atrito (checklist de 2 minutos, não de 20) e dê dono a cada ritual. Quando a auditoria relâmpago fechar três ciclos seguidos sem pendência, comemore em público: reconhecimento é o combustível do quinto senso.”
O teste direto não dá para fazer, porque nenhum plano tem auditoria relâmpago nem conta pendências. Os planos medem nota. Li então o ciclo como a auditoria mensal depois da saída. O “sem pendência” virou nota acima da meta da própria área. É uma régua mais frouxa que a da dica.
Mesmo com essa régua, 4 áreas já teriam motivo para comemorar o shitsuke. O alimentício e a logística somam quatro meses seguidos acima da meta, e a saúde e os serviços, três. A manutenção interrompeu a série em agosto, com 79% para uma meta de 80%. Comemoração registrada, em qualquer dos 13: nenhuma.
O contraste está no bloco 8. Os 13 planos escrevem o que fazer quando a nota cai. Quase sempre é um mutirão em até uma semana. A manutenção chegou a usar a regra: caiu a 79%, fez o mutirão em 5 dias e voltou a 86% em setembro. Nenhum plano escreve o que fazer quando a nota se mantém. A reação ao erro está pronta. A reação ao acerto ficou por escrever.
Reconhecer em público também espalha o que funcionou, que é a ideia do yokoten. Sobre a nota do shitsuke na auditoria de saída, fica só um resumo. O radar 5S já mostrou que é o senso que menos sobe entre a entrada e a saída. Quatro áreas chegaram perto da meta sem alcançá-la.
Como montar a rotina de shitsuke em 7 passos
- Escreva os cinco itens do checklist a partir do padrão que já existe. Foto-padrão, sombra, etiqueta e demarcação viram perguntas de sim ou não.
- Cronometre o checklist antes de aprovar. Se passar de 2 minutos, corte item até caber.
- Liste os rituais do shitsuke e dê um dono a cada um. Um cargo por linha, de preferência diferente do dono do programa.
- Ponha duração em todo ritual, auditoria incluída. Ritual sem duração não entra na agenda de ninguém.
- Combine a auditoria relâmpago com a área vizinha. Quinzenal, sem aviso, com as cinco perguntas e a troca de papéis na quinzena seguinte.
- Abra a coluna da resistência na primeira reunião. Anote o que atrapalha a rotina e o que foi feito, ao lado da evidência de adesão.
- Decida antes como a área será reconhecida. Três ciclos sem pendência pedem um gesto público já combinado, sem improviso.
Baixe a S10 em branco e preencha com o time enquanto lê os passos.
Os passos 3, 6 e 7 cobrem as três colunas que os 13 planos deixaram vazias: dono por ritual, resistência e reconhecimento. Os outros quatro ajustam o que já existe. Para hábitos que precisam durar além do projeto, o artigo sobre como criar hábitos mostra por que gatilho e recompensa pesam tanto quanto a regra.
13 exemplos de shitsuke com a S10 preenchida, em PDF
Cada setor abaixo tem sua própria S10 de shitsuke, preenchida só com o que o plano-mestre daquela área registra. Clique na imagem para ler as duas páginas aqui mesmo. O botão do rodapé guarda o arquivo. Todos são casos ilustrativos. Os itens do checklist vêm do 3S e do 4S de cada plano, e o que falta no plano está na folha como não registrado.
1. Alimentício: o checklist que entrou no registro de boas práticas
Na sala de pesagem e preparação, o shitsuke não ganhou folha própria. O checklist 5S foi costurado ao registro diário de boas práticas, que o time já preenchia. A evidência de adesão está entre as mais fortes, com presença arquivada e 98% de preenchimento.
Os cinco itens montados para a folha vêm do 3S e do 4S do plano. O primeiro é a etiqueta de validade verde ou laranja em insumo aberto. Seguem a vedação do dosador de farinha, a bandeja das essências, a sala igual à foto-padrão e o fluxo de pessoas dentro da demarcação.
Na tabela de rituais, o treinamento é o único com duração, 1h por turno para 8 operadores. A autoauditoria semanal roda em rodízio. A auditoria mensal cai na terceira semana do mês, com auditores trocando de sala. O dono do 5S é a supervisora de produção da manhã; dono por ritual, nenhum.
A série depois da saída fica toda acima da meta de 88%: 91%, 90%, 92% e 90%, de maio a agosto. Abaixo de 88%, o plano manda mutirão em até 7 dias, e insumo vencido vira desvio crítico, tratado na hora.
Quatro meses seguidos já pediriam a festa da dica. Nenhuma está anotada. Para a coluna de resistência, os turnos que ficaram fora dos 98% são o ponto de partida. Ali mora o atrito que o registro de boas práticas ainda esconde.
2. Farmacêutico: o vencido que interrompe a rua na hora
Com 480 posições em 90 m², o almoxarifado de insumos tem o checklist diário do shitsuke assinado na porta. Os itens montados começam pelas faixas de piso verde, amarela e vermelha, livres. Seguem a etiqueta única em toda posição e a etiqueta laranja para validade até 60 dias. Fecham a rua igual à foto e só palete plástico.
Dois rituais têm duração: a limpeza de 10 min por turno e o treinamento de 2h, em duas turmas. A autoauditoria semanal usa 10 itens e roda em rodízio. A mensal completa acontece na primeira semana do mês, com a auditora da qualidade em rodízio trimestral.
Listas de presença e resultados no quadro provam a adesão. As duas auditorias depois da saída, 91% em julho e 93% em agosto, passam a meta de 90%. Ainda não somam três. Nota abaixo dela aciona mutirão numa semana.
Um gatilho dispensa a nota. Insumo vencido na prateleira interrompe a rua na hora. Essa parada imediata é o que a relâmpago tentaria provocar, só que disparada pelo item, e não pela visita.
3. Financeiro: um checklist semanal num setor de papel e rede
O financeiro é o caso em que o checklist do shitsuke não é diário. A conferência assinada na porta é semanal, e a folha registra isso como está. Os itens misturam o físico e o digital. Há estante igual à foto e caixa sem mofo e com etiqueta. Há também arquivo novo seguindo a nomenclatura da rede, janela sem infiltração e guia de 1 página no mural.
Os rituais somam quatro linhas sem nenhuma duração. São o checklist da porta, a higiene digital mensal, a autoauditoria pela régua de 25 itens e o treinamento nessa mesma régua. A autoauditoria é mensal, feita pela equipe em rodízio. Um auditor de fora entra a cada trimestre. A adesão aparece nas próprias notas do time, 78% em maio e 87% em junho, junto das listas de presença.
Depois da saída, julho deu 85% e agosto 88%, sobre uma meta de 82%. Uma relâmpago cabe bem aqui. A pergunta da estante vira uma pasta da rede sorteada na hora, sem ninguém saber qual.
4. Hotelaria: a rouparia que limpa o filtro da secadora a cada turno
Limpar o filtro da secadora a cada turno é o ritual mais frequente da rouparia central. O plano o registra no 3S. Na folha do shitsuke, esse item veio em primeiro. Depois vêm prateleira igual à foto, estoque acima da faixa mínima da etiqueta, guia de montagem em cada carro e dreno do ar-condicionado sem mofo.
São cinco rituais, nenhum com duração. A autoauditoria semanal tem 10 itens e rodízio; a mensal cai na primeira semana do mês com a governanta executiva. A qualidade corporativa vem a cada trimestre. A governanta também é dona do 5S inteiro, o que junta dois papéis num cargo só.
Um gatilho independe da nota. Se o extravio passar de 25 peças num mês, a rouparia volta a contar cada kit todo dia. Com nota menor que 85%, vem mutirão. Julho fechou em 87% e agosto em 89%, com os resultados no mural da governança.
O outro lado segue em branco. Nada diz o que a equipe achou da contagem por kit ou do filtro por turno, dois rituais que tomam tempo do plantão.
5. Logística: o placar entre turnos que ninguém transformou em prêmio
Corredor de emergência livre, da faixa vermelha, é o primeiro item de shitsuke da doca de expedição 3. Seguem a faixa amarela sem palete, o filme stretch no coletor, a empilhadeira sem vazamento e com etiquetas legíveis e a doca igual à foto. O checklist é de fim de turno, assinado, com adesão acima de 95%.
O treinamento durou 40 min por turno e alcançou 14 operadores. A autoauditoria semanal tem 10 itens, e a auditoria mensal cai na última sexta do mês, com auditores trocando de doca. O rodízio entre docas traz o olho de fora, com dia marcado.
Depois da saída, a doca passou quatro meses acima da meta de 80%: 85%, 84%, 86% e 87%, de julho a outubro. A regra de reação está pronta. Nota abaixo de 80% ou item de segurança zerado aciona mutirão em até 7 dias.
O placar entre turnos é o que mais se parece com prêmio entre os casos do artigo. Há competição e há resultado visível. Minha primeira pergunta ao dono do 5S seria o que o turno vencedor leva e quando isso aparece para o resto da operação.
6. Manutenção industrial: o plano que testou a própria regra de reação
Agosto de 2026 separa a oficina de manutenção dos outros casos. A auditoria deu 79% para uma meta de 80%. O mutirão aconteceu em 5 dias e setembro voltou a 86%. A regra de reação do shitsuke foi escrita e usada, o que nenhum outro plano mostra.
Os itens da folha saem da bancada e das ferramentas. Há bancada igual à foto e sombra vazia com cartão de empréstimo. Entram ainda a bandeja coletora da desmontagem, coifa de limalha da usinagem leve e rede de ar comprimido sem vazamento. O checklist é de fim de turno, e a adesão chegou a 96% dos turnos.
O treinamento teve 1h por turno para 12 técnicos, com lista de presença. A autoauditoria semanal passa de mão em mão, e a mensal troca auditores entre manutenção, almoxarifado e produção. O planejador de manutenção é dono do 5S. Ninguém é dono da autoauditoria de cada semana.
A série inteira conta a história: 84% em junho, 81% em julho, 79% em agosto e 86% em setembro. A queda foi vista e tratada rápido.
Eu começaria esta folha pela lição do tropeço. O que os técnicos disseram durante os 5 dias de mutirão, e o que precisou mudar na oficina, não ficou em lugar nenhum. A S10 tem uma coluna pronta para isso.
7. Manutenção de elevadores: 3 vans sorteadas e a relâmpago mais próxima
Um kit embarcado em 12 vans não cabe numa conferência diária. A base achou um jeito de verificar sem ver todas. São 2 vans por semana, por amostra, e 3 vans sorteadas na auditoria mensal. Entre as rotinas de shitsuke dos planos, é a que mais lembra o sorteio da S10.
O checklist diário é do almoxarife. Os itens da folha seguem o baú. Ele confere com a lista plastificada da porta, e a peça usada vai no saco de retorno. Estopa e graxa ficam no armário fechado, a posição de maior giro tem etiqueta com código e foto, e o mezanino não mostra infiltração.
Não há treino na linha do senso. No lugar dele, a conferência de kit toda sexta, com ficha assinada pelos técnicos em rodízio. A regra de reação usa a própria van: reprovada, ela não sai na segunda. A adesão está nas fichas de sexta e na autoauditoria de julho, com 85%. Depois da saída, agosto fechou em 83%.
Uma lacuna pequena fica à vista. O auditor mensal roda em rodízio, sem que o plano diga entre quem, e a folha deixa essa linha como o plano deixou.
8. Marketing: o kit de evento que volta conferido na ficha
Estúdio e almoxarifado de brindes dividem o mesmo checklist de shitsuke, assinado nas portas e sem frequência declarada. Os itens da folha começam pela caixa de brinde com etiqueta e foto e pelo equipamento do estúdio dentro do contorno. Depois vêm caixa aberta só na bancada da entrada, estante igual à foto e kit de evento conferido na ficha pós-evento.
O ritual que dá ritmo à área segue a agenda de eventos, e não o calendário. A conferência de kit acontece depois de cada evento. A autoauditoria é mensal, feita pelo time em rodízio, com uma visita trimestral de alguém de outra área.
Como as duas áreas de elevadores, o marketing não tem treino na linha do senso. A adesão vem das fichas assinadas e das autoauditorias de junho, com 79%, e de julho, com 86%. Agosto, a única auditoria depois da saída, deu 87% contra uma meta de 80%.
Fica em aberto quem responde pela conferência pós-evento. O plano diz que ela existe e não diz de quem é. Um ciclo só também não fecha a conta da dica.
9. Produção: 17 assinaturas e uma escada que sobe à gerência
A ferramentaria da linha de montagem, com 52 m², registra cinco rituais de shitsuke. O primeiro é a limpeza de 10 min ao fechar o turno. Seguem o checklist diário, o treino de 40 min por turno, a autoauditoria semanal de 10 itens e a auditoria mensal de 25 itens.
O treino juntou 17 assinaturas na lista de presença. A adesão também aparece nas quatro autoauditorias de junho, que foram de 71% a 83%. Aparece ainda nas fotos do mural que acompanham o checklist.
Os itens montados partem da bancada igual à foto-padrão e da etiqueta única com nome, endereço e frequência. Incluem ainda o coletor de cavaco, a bandeja da afiadora e a demarcação de piso.
A regra de reação tem dois degraus. Abaixo de 85%, mutirão em até 1 semana; com dois meses abaixo, o assunto sobe à gerência industrial. Depois da saída, julho deu 87% e agosto 88%.
É uma escada inteira montada para o erro. Um degrau para o acerto, como levar a área à mesma gerência quando ela se mantém, caberia no mesmo parágrafo do bloco 8.
10. Produção de elevadores: a verificação que acontece na troca de turno
Três turnos passam pelo posto de pré-montagem de portas de pavimento. O plano usou isso a favor do shitsuke: a verificação do padrão acontece na passagem de turno, quando quem sai entrega e quem entra confere. O checklist de fim de turno é assinado.
Os itens da folha seguem a estação. Ela fica igual à foto do padrão, com a ferramenta dentro do contorno. O carrinho confere com a folha de setup do modelo, o coletor de cavaco da furadeira fica esvaziado e o ponto de ar comprimido, no lugar.
Não há treino registrado na linha do senso, e nenhum ritual tem duração. A autoauditoria é mensal, feita pelos 3 turnos em rodízio. A qualidade entra a cada trimestre. As notas do time subiram de 76% em maio para 88% em junho. Julho e agosto fecharam em 86% e 89%. No bloco 7, o senso saiu em 80%, perto da meta de 85%.
Se um par de outra área aparecer na passagem de turno sem avisar, o posto ganha a relâmpago sem criar ritual novo.
11. Saúde: 9 melhorias propostas e o único registro de criatividade
Das 9 melhorias propostas pela equipe do posto de enfermagem da ala B, 7 foram aplicadas. É o único caso em que o plano registra, na linha do shitsuke, a atitude do livro de estimular ideias e dar recurso para praticá-las.
O posto tem 22 leitos e quatro equipes. O treino foi feito nas passagens de plantão, 30 min por vez. A conferência do posto e do carro acontece a cada plantão.
Os itens da folha partem das gavetas. Elas ficam iguais à foto-padrão, com item na classe de cor da etiqueta e material em caixa plástica lavável. Fecham a fita no suporte sem resíduo e o calendário da dupla checagem com as 2 assinaturas.
A dupla checagem quinzenal é a única verificação com a cadência da relâmpago. Está em 100% desde março. Ela não é auditoria de par de outra área, porque são dois colegas do próprio posto. O olho de fora vem na mensal, com o auditor de outra ala e 25 itens. Depois da saída, maio, junho e julho deram 88%, 87% e 89%, com meta de 85%.
Gostei de ver 7 melhorias saírem do papel, mas o plano não conta se alguém as celebrou diante da ala. Seria a porta mais barata para estrear o reconhecimento que a S10 pede.
12. Serviços: 72 atendentes e um checklist de fechamento
No escritório da operação, cada turno termina com uma limpeza de 5 min e um checklist de shitsuke assinado. Os itens montados vêm do painel. Pedem posto igual à foto-padrão, nada de comida fora da copa e papel na bandeja da ilha. Pedem também arquivo salvo pelo mapa de pastas e gaveta e armário identificados.
O treino de 30 min por turno alcançou 72 atendentes. A autoauditoria semanal é feita por uma dupla em rodízio. Quatro delas ficaram acima de 78%. A mensal, com 25 itens, traz um auditor de outro setor.
O bloco 8 dá à operação uma escada parecida com a da produção. Ficar sob 80% leva a mutirão, e dois meses abaixo levam o tema à reunião de resultados. Junho, julho e agosto ficaram em 83%, 85% e 84%.
Levar o placar positivo à mesma reunião de resultados custaria uma linha no plano, e os três meses já dariam assunto.
13. Sustentabilidade: a caçamba sem manifesto que não sai do canteiro
Seis rituais sustentam o shitsuke da central de resíduos do canteiro. Há varrição e checklist no fim do turno pelos serventes e segregação no diálogo diário de segurança por 3 semanas. Há ainda amostragem semanal de caçambas, índice no quadro toda sexta, auditoria mensal e treinamento prático dos encarregados.
O checklist diário, assinado pelos serventes, virou na folha cinco itens de obra. Canaleta desobstruída e caçamba coberta com lona abrem a lista. Seguem baia só com o que a placa com foto permite, anteparo da betoneira no lugar e faixas de piso livres.
A amostragem semanal de caçambas é uma das verificações por amostra que chegam perto da relâmpago. Na auditoria mensal, a técnica de meio ambiente divide o trabalho com um encarregado em rodízio. A reação não espera. Abaixo de 78% na nota ou de 85% na segregação, mutirão na mesma semana.
Uma regra vale sem nota nenhuma: caçamba sem manifesto não sai do canteiro. Agosto, a única auditoria depois da saída, fechou em 80%, e no bloco 7 o senso foi de 35% para 75%.
O índice já vai ao quadro toda sexta. Antes da próxima sexta, eu combinaria com os serventes o que acontece quando ele sobe.
Erros comuns na rotina de disciplina do 5S
- Checklist longo demais. Com 15 itens, ele vira a tarefa mais chata do turno e passa a ser assinado sem olhar.
- Item que pede opinião. “Área limpa” e “tudo em ordem” não têm resposta de sim ou não. Troque por algo que se confere com os olhos.
- Dono do programa como dono de tudo. Nos 13 planos, um cargo responde pelo 5S inteiro. A S10 pede um dono por ritual.
- Auditoria com data avisada como única verificação. A área se prepara para o dia marcado. A relâmpago existe para medir o dia comum.
- Registrar só a adesão. Lista de presença prova que o time esteve lá. A coluna da resistência é a que diz o que precisa mudar no shitsuke.
- Reagir só à queda. Mutirão quando a nota cai e silêncio quando ela se mantém ensinam ao time que só o erro é visto.
- Tratar o shitsuke como fase do cronograma. O cronograma de implantação dá uma janela ao senso, mas a disciplina é o que continua depois que a janela fecha.
Ferramentas ligadas ao shitsuke
Última folha de senso do Kit de Ferramentas 5S, a S10 depende das anteriores. Sem a padronização do quarto senso, o checklist de shitsuke não tem o que conferir. O Plano Mestre 5S dá a janela e o dono de cada senso. O gemba walk leva o líder até a área para ver a rotina acontecendo.
O Lean Enterprise Institute conta que a Toyota costuma falar em quatro S, e não cinco. O shitsuke sai da lista porque fica redundante num sistema de auditorias diárias, semanais e mensais do trabalho padronizado. É uma definição do senso pelo avesso: a disciplina como rotina de conferência que funciona sem precisar de nome.
Fora do 5S, a mesma disciplina sustenta a melhoria contínua: o SDCA mantém o padrão enquanto o PDCA o melhora. Quem está começando pode ler o guia de implantação do programa 5S antes de chegar à S10.
Modelo da rotina de disciplina em branco para imprimir
Pronta para a sua área, aqui está a folha sem preenchimento. Ela fecha a etapa de implementação do Kit de Ferramentas 5S, depois das folhas dos quatro primeiros sensos.
Na primeira página vêm o como usar em quatro passos e o cabeçalho com área piloto, líder do 5S e semana. Depois, o checklist de seis dias com rubrica e a tabela de rituais com dono. Na segunda, a auditoria relâmpago com cinco perguntas, o quadro de resultado e pendências, o plano de engajamento e a dica do especialista no rodapé.
Abrir e baixar a S10 em branco
Sugiro imprimir a primeira página toda semana e deixar na área, perto do quadro. O checklist é marcado ali, dia a dia. A segunda página vai com o par de outra área na quinzena da auditoria e volta preenchida para a pasta do programa.
Entrei na MRS como trainee e fui promovido em 4 meses. Boa parte do que aprendi ali veio de programas de melhoria contínua, o 5S entre eles. Havia também as olimpíadas de melhoria, a versão da ferrovia para o prêmio pelo esforço conjunto que o livro deixa por último. Se o seu desafio é fazer o 5S durar em várias áreas, conheça as trilhas com certificado da Academia de Certificação da Voitto.
