Regras do programa 5S: a folha P03 preenchida em 13 exemplos
A P03 do Kit preenchida com os planos-mestres de 13 áreas piloto, e o que ela mostra sobre o que o time combina antes de arrumar.
Meu primeiro dinheiro foram R$ 20 tomando conta de prova de cursinho. Fiscal de prova não inventa regra no meio da sala. Ele aplica o que foi combinado antes de a prova começar, e é por isso que ninguém discute com ele. As regras do programa 5S fazem esse papel na área piloto: fecham o combinado antes de alguém tocar num item.
A folha P03 do Kit de Ferramentas 5S organiza o combinado em cinco seções: critérios de descarte, padrão de identificação, papéis, rituais e acordos do time. No alto, ela pede a área piloto, o líder e a data de aprovação.
Neste artigo preencho a P03 com os planos-mestres de 13 áreas piloto do programa 5S, um caso ilustrativo por setor. Procurei cada linha da folha no bloco do plano onde as regras deveriam estar e testei a dica impressa no rodapé. O que achei muda a ordem em que eu preencheria a folha.
O que são as regras do programa 5S
As regras do programa 5S são o combinado que o time fecha antes de começar o Seiri. Elas dizem o que sai da área e quem decide, como tudo será identificado, quem faz o quê, quais rituais têm hora marcada e quais acordos o time assume com as próprias palavras.
Na folha em branco, o combinado do programa 5S cabe numa página. A seção 1 é a régua do Seiri: tempo sem uso, quem decide o destino, área de quarentena e destinos possíveis. A seção 2 fecha um padrão só de etiqueta, endereço e cores. A 3 distribui patrocinador, líder, time e auditor. A 4 lista os rituais com frequência, duração e participantes, e a 5 guarda os acordos.
Os papéis não são invenção do kit. No Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o Seiso aparece assim no capítulo 5, intitulado “5S: a base da qualidade”: “Normalmente são formadas pequenas equipes de limpeza, nas quais é definido um responsável pela higienização de cada ambiente” (p. 39). A seção de papéis do programa 5S leva essa lógica aos cinco sensos, com um responsável ao lado de cada parte.
A diferença para o Plano Mestre 5S está no momento. O plano-mestre registra o projeto inteiro, do diagnóstico à sustentação. As regras são a parte dele que precisa estar pronta antes do primeiro cartão vermelho.
O que os 13 planos-mestres mostram na folha preenchida
Preenchi as 13 folhas do programa 5S linha a linha, e cada linha leva o número do bloco em que foi achada. O bloco 3 do plano-mestre é o das regras. O 6 é a execução e o 8, a sustentação. O que só aparece nesses dois foi decidido depois, com a arrumação já andando.
- Das 143 células das seções 1 a 3, 98 estão no bloco 3. Outras 24 só aparecem nos blocos 6 ou 8, e 21 ficaram sem registro.
- Tempo sem uso, quem decide o destino, líder do programa 5S e equipe da área fecham no bloco 3 dos 13 planos. São as linhas que todo time lembra de escrever.
- O auditor não está no bloco 3 de nenhum. Nos 13 casos, ele só aparece na sustentação.
- Quarentena e cores são as linhas mais vazias. A quarentena falta em 9 planos, e as cores, em 7.
- Rituais e acordos não têm seção no plano-mestre. As seções 4 e 5 da folha foram montadas com o que os blocos 6 e 8 citam.
- Nenhum dos 13 registra a data de aprovação das regras. Três publicaram o procedimento com data, e esse é o mais perto que chegam.
A grade se lê de um jeito simples. O plano escreve bem o que é decisão de uma pessoa, como o prazo sem uso ou quem conduz. Escreve mal o que depende de espaço físico ou de gente de fora da área, como a quarentena e o auditor.
Critérios de descarte: a régua do Seiri
A regra de tempo sem uso do programa 5S varia com o que a área guarda. Vai de 30 dias na doca de expedição a mais de 2 anos nas caixas do financeiro. No meio ficam 60 dias no posto de enfermagem e no escritório e 90 dias na ferramentaria e no almoxarifado farmacêutico. Depois vêm 3 meses na sala de pesagem, 6 meses na oficina, na rouparia e na pré-montagem de portas, e 12 meses no marketing e na base de elevadores.
Um caso foge do relógio. Na central de resíduos, o gatilho é lugar: resíduo fora de baia recebe cartão vermelho, sem prazo nenhum. A folha pede critério em números, e ali o critério é a baia, que também não deixa espaço para “acho que não serve”.
Quem decide o destino está no bloco 3 dos 13. Em seis casos, a decisão vem presa a um registro ou a uma segunda assinatura. É a dupla checagem no farmacêutico, a controladoria na rouparia, a testemunha da farmácia no posto de enfermagem, a tabela de temporalidade no financeiro, o registro da qualidade na sala de pesagem e o aval da engenharia na pré-montagem.
A área de quarentena é a linha mais pulada da seção. Só a ferramentaria e o escritório a têm no bloco 3: uma caixa para ferramenta danificada e uma pasta de expurgo digital que segura o arquivo por 60 dias. O almoxarifado farmacêutico e o financeiro criaram a sua na execução. Nos outros 9 planos, a linha ficou em branco.
A quarentena do farmacêutico, aliás, serve à qualidade: separa aprovado, quarentena e reprovado. Na P03, a linha pede o lugar onde o item espera a decisão de descarte. Quem copiar esse modelo precisa separar as duas funções.
Padrão de identificação: etiqueta, endereço e cores
Etiqueta e endereço são as linhas bem cuidadas da identificação do programa 5S. O endereço está no bloco 3 de 12 planos, e a etiqueta, de 10. O Seiton depois só aplica o que ficou decidido, como as posições D3-A1 a D3-C8 da doca ou o endereço rua-prateleira-posição do almoxarifado farmacêutico.
As cores ficam no extremo oposto. Só a doca e a central de resíduos decidem cor no bloco 3: a faixa vermelha do corredor de emergência e a baia por classe e cor. Outros quatro casos passam a usar cor na execução, e dois deles, o posto de enfermagem e o escritório, adotam código de cor sem dizer quais cores. Sete planos não falam de cor.
Cor decidida no meio da implantação corre o risco de nascer local, cada área com a sua. O padrão visual da área é onde isso vira regra da empresa, e a linha de cores da P03 é o primeiro rascunho dele dentro do programa 5S.
Papéis do programa 5S: quem patrocina, conduz, executa e audita
O líder do programa 5S e o time aparecem já no bloco 3 dos 13 casos, sempre por cargo: supervisora, farmacêutica, governanta, planejador, técnica de meio ambiente. É a seção em que o plano-mestre mais se parece com a folha.
O patrocinador do programa 5S aparece em 8 planos. Quando aparece, tem função concreta: destravar recurso e descarte de maior valor, a fragmentação certificada do financeiro, o sucateamento e os carrinhos de setup da pré-montagem. Nos 5 planos sem patrocinador, ninguém tem no papel a decisão que passa do limite do líder.
O auditor do programa 5S é a linha que nenhum bloco 3 preenche. Nos 13 casos, ele nasce na sustentação, junto com o calendário de auditorias: rodízio entre salas, docas ou turnos, auditor de outra ala ou de outro setor, qualidade a cada trimestre. Na P03, a linha fica na seção 3, antes da arrumação, porque quem vai auditar ganha em conhecer a área ainda desorganizada.
Em áreas com muitos papéis, uma matriz RACI ajuda a separar quem executa de quem aprova. Para a folha, basta o cargo e uma frase sobre o que ele faz.
Rituais do programa 5S: frequência, duração e participantes
Nenhum plano-mestre tem seção para os rituais do programa 5S. Montei a seção 4 da P03 com as citações da execução e da sustentação, e a coluna de duração é a que mais revela. Das atividades listadas nas 13 folhas, só treinamento e limpeza trazem duração.
- Treinamento: 1h por turno na sala de pesagem e na oficina, 2h em 2 turmas no farmacêutico, 40 min na doca e na ferramentaria, 30 min no posto de enfermagem e no escritório.
- Limpeza e rotina de fim de turno: 10 min no almoxarifado farmacêutico e na ferramentaria, 5 min no escritório.
- Auditoria mensal: nenhuma duração registrada, nem nos casos que marcam o dia, como a 1ª semana do mês no farmacêutico e na rouparia, a 3ª semana na sala de pesagem e a última sexta na doca.
A frequência está lá, e a hora marcada que a folha pede, não. Três rituais escapam dessa falta porque se prendem a um evento da rotina: a verificação a cada passagem de turno na pré-montagem, a conferência a cada plantão no posto de enfermagem, a conferência de kit depois de cada evento no marketing. O evento faz as vezes de relógio.
O gerenciamento da rotina é o lugar natural para os horários do programa 5S. Para a autoauditoria semanal virar hábito, um kamishibai com cartões por rodada ajuda a lembrar o que conferir.
Acordos do time: a seção que o plano-mestre não tem
Os acordos do time são a única parte do programa 5S que a P03 pede escrita com as palavras de quem vive a área. Nenhum dos 13 planos-mestres tem um lugar para isso. O que pus nas folhas são frases que o próprio plano já escrevia em tom de combinado, com o bloco de origem ao lado.
Juntei 25 acordos nas 13 folhas, de 1 a 3 por área. Os melhores cabem numa linha e qualquer pessoa confere ao passar: “Nada de caixa de papelão no posto.”, “Consumo só na copa.”, “Saída pela frente, reposição por trás.”, “A central só recebe separado.”
A oficina de manutenção é o caso curioso. O plano cita um cartaz com 5 regras na entrada, mas o texto delas não está em lugar nenhum. A folha registra o cartaz e deixa claro que as frases não foram inventadas para preencher.
A linha de exemplo da P03 traz cinco combinados, entre eles “quem pega, devolve pro endereço” e “foto-padrão vale mais que opinião”. Nenhum dos 13 planos usa essas frases. Elas mostram o tom, e o time troca cada uma pela sua.
O rodapé da P03 posto à prova nas 13 áreas
O rodapé da P03 traz a dica: “Regra boa é a que o time consegue cumprir no pior dia, não no melhor.” Ela pede ainda duas coisas: começar com poucos combinados e mudar a regra em reunião, com data e assinatura.
As 13 áreas do programa 5S cumprem a parte dos poucos combinados. O pior dia aparece uma vez com registro. Na oficina de manutenção, a nota caiu a 79% depois da parada geral de ago/2026, abaixo do gatilho de 80%. Em 5 dias o mutirão estava feito, e a nota de setembro subiu para 86%. A regra de reação foi cumprida justo no mês difícil.
Seis planos vão além da nota e definem reação imediata para um evento. São eles o insumo vencido na sala de pesagem, o vencido em prateleira no farmacêutico, o corredor obstruído na doca, a van reprovada na base de elevadores, o item vencido no posto de enfermagem e a caçamba sem manifesto na central de resíduos. Nesses casos, a regra não espera a auditoria.
A terceira parte da dica não passa no teste. Nenhum dos 13 planos registra mudança de regra do programa 5S depois de aprovada, e nenhum registra a data de aprovação. Chegam perto só o POP revisado no 4S do farmacêutico e a lista do kit da base de elevadores, revista a cada trimestre.
Meu pai me deu tudo que eu precisava, nunca tudo que eu queria. Boas regras do programa 5S seguem essa conta: dão ao time o que ele precisa para decidir sem briga, e a energia que sobra vai para a arrumação.
Como preencher as regras do programa 5S em 7 passos
- Reúna o time do programa 5S antes de tocar na área. Regra combinada no meio da arrumação vira discussão. O primeiro encontro serve para preencher a folha, e só isso.
- Escreva o cabeçalho inteiro. Área piloto, líder e data de aprovação. A data é a linha que os 13 planos esquecem.
- Feche a régua do Seiri em números. Tempo sem uso, quem decide, onde fica a quarentena e para onde cada item pode ir.
- Escolha um padrão só de identificação. Decida as cores agora, junto com etiqueta e endereço.
- Dê um cargo a cada papel do programa 5S, auditor incluído. Patrocinador, líder, time e quem vai auditar.
- Marque os rituais com duração. Frequência sozinha não põe o ritual na agenda. Prenda cada um a um evento da rotina ou a um horário.
- Escreva poucos acordos, com as palavras do time. Diga também o que acontece quando a regra é quebrada e deixe a folha visível na área.
Baixe a P03 em branco e preencha com o time durante a leitura dos passos.
Os passos 2, 5 e 6 corrigem as três falhas que a grade mostrou: data de aprovação, auditor e duração dos rituais. Para saber se a área tem gente e tempo para cumprir o combinado, olhe o diagnóstico inicial da área antes do passo 3.
13 exemplos de regras do programa 5S, com PDF para baixar
Cada caso abaixo lê uma P03 preenchida com o plano-mestre de uma área piloto do programa 5S. A miniatura abre a folha inteira sem sair do artigo; o botão vermelho baixa o PDF, e a tecla Esc fecha a janela. Os casos são ilustrativos: a gente preencheu cada folha só com o que os blocos 3, 6 e 8 do plano registram, e o que falta ficou escrito como falta.
1. Alimentício: a sala de pesagem que escreve o descarte em dobro
Duas regras de tempo dividem a mesma linha na sala de pesagem e preparação. Utensílio parado há 3 meses recebe cartão vermelho, e insumo vencido é segregado na hora, sem esperar prazo. A analista da qualidade valida cada etapa.
Os destinos seguem a mesma lógica. No Seiri saíram 31 utensílios e 18 insumos vencidos, estes com registro formal. Outros 16 voltaram ao almoxarifado e 12 foram realocados. Um acordo amarra tudo: insumo vencido nunca vai para o lixo comum.
A identificação fecha bem: etiqueta de abertura e validade em todo insumo aberto, endereço em toda prateleira e prateleiras na ordem da receita. A cor entrou só na execução, verde para validade no prazo e laranja para uso prioritário.
Patrocinador ficou sem registro, e o padrão foi incorporado ao procedimento de boas práticas sem data. Não dá para saber desde quando a regra do vencido vale. A reação a ele, porém, é das mais claras: desvio crítico, investigado na hora.
2. Farmacêutico: a quarentena que separa aprovado de reprovado
Todas as linhas das seções 1 a 3 têm registro no almoxarifado de insumos, com 90 m² e 480 posições. Duas delas, porém, só apareceram na execução: a área de quarentena e as cores.
A quarentena daqui serve à qualidade. O 2S demarcou áreas de aprovado, quarentena e reprovado, e ali o insumo espera a liberação. Para o descarte, a régua é outra: vencido ou sem giro há 90 dias recebe cartão vermelho.
O destino é decidido pela farmacêutica com a garantia da qualidade, em dupla checagem. Com essa dupla, o Seiri mandou 29 vencidos ao descarte controlado e 21 embalagens obsoletas à reciclagem. Outros 12 itens trocaram de posição, e 6 retornaram ao fornecedor.
Etiqueta com código, lote e validade, endereço rua-prateleira-posição e faixas de piso verde, amarela e vermelha formam o padrão. A etiqueta laranja marca validade até 60 dias. A limpeza de 10 min por turno e o treino de 2h em 2 turmas trazem duração.
“Saída pela frente, reposição por trás.” resume a rotação do estoque numa frase que qualquer auxiliar repete. Se a regra falha, vencido em prateleira interrompe a rua na hora. Nenhuma das outras 12 áreas pôs o gatilho do mutirão tão alto quanto os 90% desta área.
3. Financeiro: quando a régua do descarte é uma tabela jurídica
Na sala do financeiro, o prazo passa de 2 anos: caixa sem consulta por mais tempo que isso recebe cartão vermelho. Mesmo assim, o expurgo só acontece pela tabela de temporalidade validada pelo jurídico, com registro assinado pela coordenadora.
O Seiri tirou 61 caixas para expurgo, mandou 24 ao arquivo central e manteve 19. A quarentena veio só na execução e é digital: duplicatas da rede são eliminadas depois de um backup de 30 dias.
A etiqueta de caixa leva conteúdo, período e data do expurgo futuro. Na rede, a árvore única segue a nomenclatura AAAA-MM_tipo_fornecedor, que virou acordo do time. De 11 linhas, a de cores é a única em branco.
O POP e a política de nomenclatura saíram “com versão e data”, e a data não chegou ao plano. A autoauditoria com a régua de 25 itens tem registro em mai e jun, com 82% como piso antes do mutirão.
4. Hotelaria: a rouparia que mede a regra em peças
Seis meses fora de giro bastam para uma peça da rouparia central da governança ganhar o cartão vermelho. Peça abaixo do padrão de qualidade também o ganha, qualquer que seja o giro.
A baixa só vale com registro assinado pela governanta e conferido pela controladoria. Com essa trava, o Seiri baixou 34 lotes, que somavam 240 peças, devolveu 22 a outros setores, realocou 19 e descartou 14.
Etiqueta e endereço trazem o estoque mínimo visível em toda prateleira. As peças ficam em kits na ordem de montagem do carro, e a reposição da lavanderia só entra conferida e no endereço, o único acordo desta folha.
Na rouparia, três linhas não entraram no plano: quarentena, cores e patrocinador. Os rituais têm frequência e nenhum tem duração, nem a limpeza do filtro da secadora a cada turno.
A nota tem piso de 85%, mas uma medida própria pesa mais. Se somem mais de 25 peças num mês, a contagem por kit volta a ser diária, qualquer que seja a nota.
5. Logística: a faixa vermelha que ninguém discute
A regra mais firme da doca de expedição 3 não fala de descarte. A faixa vermelha do corredor de emergência é intocável, e isso está no bloco 3 como regra e na folha como acordo.
O descarte usa 30 dias sem uso, e cinta vencida é segregada na hora. Quem decide é a líder com o dono do item. Os números do Seiri só aparecem na execução: 52 descartados em 2 caçambas, 34 cintas e catracas vencidas, 29 devoluções e 23 realocações.
Posições D3-A1 a D3-C8 dão ao endereço uma precisão rara, e todo volume só entra na doca com endereço. Os 14 operadores fizeram treino de 40 min por turno, e o placar entre turnos entra na autoauditoria semanal.
Auditores em rodízio entre as docas fazem a mensal na última sexta do mês. Corredor obstruído não espera essa data e vira tratativa imediata. O mutirão de 7 dias entra com nota menor que 80% ou com item de segurança zerado.
6. Manutenção industrial: a regra testada no pior mês
Na oficina de manutenção, quem conduz o programa é o planejador, e o destino de cada item ele combina com o dono. A régua é de 6 meses sem uso. Sucatear equipamento exige baixa formal no ativo, e 3 dos 61 sucateados passaram por ela.
Além deles, 38 itens voltaram ao almoxarifado central, 33 foram realocados e 24 ganharam endereço novo. O endereço cobre toda prateleira, de OF-A1 a OF-E6 por família de peça, e o quadro de sombras guarda a ferramenta de uso comum.
Quarentena e cores ficaram vazias. O auditor, como em todas as folhas, só aparece na sustentação, num rodízio entre manutenção, almoxarifado e produção.
Sombra vazia leva cartão de empréstimo, e esse é o acordo mais prático. O outro é um cartaz com 5 regras na entrada, cujo texto não está no plano, e a folha registra o cartaz sem completar as frases.
O teste veio em ago/2026. Depois da parada geral, a nota caiu a 79%, abaixo do gatilho de 80%. O time fez o mutirão em 5 dias, e a auditoria de setembro marcou 86%. Foi a única vez, nos 13 planos, que a regra de reação saiu do papel com data.
7. Manutenção de elevadores: a regra que viaja nas 12 vans
Parte da área anda na rua. O kit embarcado das 12 vans segue uma lista única, feita com o consumo de 12 meses por família, e nada entra na van fora da lista sem registro.
A régua tem uma exceção escrita: o cartão vermelho vale para peça parada por mais de 12 meses, menos o item crítico de contrato. O planejamento de peças valida a volta ao CD. No Seiri, 58 peças voltaram, 26 viraram sucata com registro, 31 foram realocadas na base e 12 ficaram após revisão.
Etiqueta com código e foto e a lista plastificada na porta de cada baú surgiram só na execução. Os rituais seguem a frota: ficha assinada toda sexta, 2 vans por semana na verificação amostral e a base com 3 vans sorteadas na auditoria mensal.
A cada trimestre, o planejamento de peças revisa a lista do kit, a revisão de lista que o rodapé da folha cita. E van reprovada não sai na segunda.
8. Marketing: a marca antiga que sai sem exceção
Marca antiga sai sem exceção do estúdio e do almoxarifado de materiais promocionais. Ao lado dela, a folha registra o cartão vermelho para item sem uso previsto em 12 meses.
Doar brinde bom depende do gerente. No Seiri, 38 lotes de brindes foram doados, 27 lonas e banners foram descartados com foto, 17 itens foram para o estúdio e 11 ficaram.
A identificação mistura três formatos: etiqueta de conteúdo e saldo nas caixas, lista na tampa dos kits e etiqueta com foto nas caixas de brinde. No estúdio, cada item de gravação tem lugar marcado, e só ele permanece ali.
O plano-mestre não registra quarentena, cores nem patrocinador. O ritual mais bem amarrado é a conferência de kit com ficha depois de cada evento, presa ao calendário da própria área.
A autoauditoria tem 2 registros, em jun e jul, e um auditor de outra área chega a cada trimestre. Só a nota dispara reação, e o piso dela é 80%.
9. Produção: a ferramentaria que proibiu comprar
A ferramentaria da linha de montagem, com 52 m², fechou um acordo que contraria o instinto de quem arruma: nenhuma compra nova antes do fim do Seiri. O time precisa ver o que já tem antes de pedir mais.
Na ferramentaria, 90 dias parado bastam para o cartão vermelho, e o líder decide com o supervisor de produção. Ferramenta danificada vai para uma caixa de quarentena e não volta à bancada. A sucata só sai com romaneio, e o do Seiri somou 640 kg em 48 itens.
Os outros destinos foram 31 devoluções ao almoxarifado, 27 realocações e 15 itens mantidos. A etiqueta única traz nome, endereço e frequência, e há quadro de sombras em cada bancada. A cor é a única linha vazia.
POP e fotos-padrão foram publicados em 30/jun, a data mais próxima de uma aprovação nesta folha. As 17 pessoas do treino assinaram presença. Se a nota passa 2 meses abaixo de 85%, o assunto sobe à gerência industrial.
10. Produção de elevadores: a engenharia como dona do descarte
Quem decide o destino no posto de pré-montagem de portas de pavimento não é o líder. A engenharia de processos valida cada destino, e sucateamento só acontece com o aval dela.
A regra de tempo conta ordem de produção: o cartão vermelho vai para o dispositivo que passou 6 meses sem OP. No Seiri, 48 dispositivos foram sucateados com aval, 31 voltaram ao ferramental central, 37 foram realocados e 27 ficaram com endereço.
Parafusaria nunca em caixa comum, e nenhum item entra no posto sem endereço definido antes. São os dois acordos da folha, e o primeiro vem com padrão próprio: embalagem identificada por código do modelo.
O patrocinador tem papel concreto, destravar o sucateamento e os carrinhos de setup. Já a quarentena e as cores não aparecem em bloco nenhum.
A cada passagem de turno, a verificação do padrão envolve os três turnos. A autoauditoria tem registro em mai e jun, e a linha do mutirão fica em 85%.
11. Saúde: o posto que só descarta com testemunha
Vencido não sai do posto de enfermagem da ala B sem registro e testemunha da farmácia. O Seiri cumpriu essa trava em 32 vencidos descartados.
Com 22 leitos, o posto usa 60 dias sem uso ou vencimento como gatilho do cartão vermelho. Além do descarte, 28 itens voltaram à farmácia com formulário próprio e 24 mudaram de lugar.
Cada item tem quantidade máxima definida com a farmácia e lugar fixo, com gavetas por classe e o kit de urgência selado em local único. As etiquetas por classe usam código de cor, mas as cores não estão no plano.
O treino de 30 min nas passagens de plantão chegou às 4 equipes, e a dupla checagem quinzenal de validade pede 2 assinaturas. Publicado o procedimento em 30/abr, item vencido encontrado passa a acionar correção imediata com a farmácia.
12. Serviços: a pasta de expurgo como quarentena digital
Arquivo apagado no escritório da operação vai para uma pasta de expurgo e cumpre 60 dias antes da exclusão. No Seiri, passaram por ela 3,1 mil arquivos, uma quarentena que não ocupa espaço físico.
Para itens, a régua também é de 60 dias, e documento só sai pela tabela de temporalidade. O supervisor e o analista administrativo decidem juntos, e equipamento parado retorna à TI registrado.
Os destinos somaram 38 descartes, 27 devoluções à TI ou ao almoxarifado, 22 realocações e 9 doações. O kit padrão das 48 posições e a etiqueta de cor do arquivo só apareceram na execução, sem dizer quais cores.
O fim de turno pede 5 min de rotina, menos que qualquer outro ritual com duração nas folhas. O treino de 30 min passou pelos 72 atendentes, e a autoauditoria é feita por dupla.
“Consumo só na copa.” é o único acordo, tirado do bloco 6. Dois meses seguidos sob 80% levam o caso à reunião de resultados. O procedimento saiu em 15/mai.
13. Sustentabilidade: a régua que troca o relógio pela baia
Resíduo fora de baia recebe cartão vermelho na central de resíduos do canteiro, e esse é o único gatilho. Nenhuma outra folha troca o relógio pelo lugar. A técnica de meio ambiente escolhe o destino junto com o mestre.
Os destinos pedem documento, e nenhuma caçamba sai sem manifesto de transporte. A contagem do Seiri vem por destino, sem unidade: entulho retriado (48), madeira reaproveitada ou doada (27), recicláveis vendidos à cooperativa (22) e perigosos para destinação licenciada (15).
Cada baia tem classe, cor e placa com foto dos resíduos aceitos e dos recusados, e o fluxo corre no sentido do portão. Os três acordos repetem a mesma ideia, e o último manda carga misturada voltar para separar.
Por 3 semanas, a segregação entrou no diálogo diário de segurança, e o índice vai ao quadro toda sexta. Abaixo de 78%, ou com segregação abaixo de 85%, o mutirão acontece na mesma semana.
Erros comuns ao montar as regras do programa 5S
- Deixar o auditor para depois. Nos 13 planos, ele só aparece na sustentação. Quem audita precisa conhecer a régua desde o começo, porque a auditoria 5S vai cobrar essas regras.
- Esquecer a quarentena. Se o item em dúvida não tem para onde ir, a triagem vira discussão na frente da prateleira.
- Decidir cor no meio da implantação. Cor que nasce no 4S chega tarde para o Seiton e pode variar de uma área para outra.
- Registrar ritual só com a frequência. Semanal não diz dia, hora nem duração. A gestão à vista ajuda a deixar o próximo ritual exposto no quadro.
- Escrever acordo em linguagem de procedimento. O acordo é do time. Frase longa, com verbo no infinitivo, pertence ao POP.
- Mudar a regra no grito. Toda mudança no programa 5S pede reunião, data e assinatura. A gestão de mudanças dá o roteiro para registrar o que mudou e por quê.
- Aprovar sem data. Nenhum dos 13 planos registra quando as regras foram aprovadas. Sem essa data, a auditoria não sabe qual versão cobrar.
Ferramentas ligadas às regras do programa 5S
Na etapa de planejamento do programa 5S, as regras ficam entre o termo de abertura e o cronograma de implantação. O cartão vermelho aplica a régua da seção 1, e o padrão de limpeza do Seiso detalha a limpeza que entra na seção 4.
Depois do Seiri, a padronização transforma o combinado em documento, e o gemba walk confere no chão se a regra está sendo cumprida. Para quem chega agora, o artigo sobre o programa 5S apresenta os sensos um a um, e o de implantação do programa 5S percorre as etapas na ordem.
O Lean Enterprise Institute define o 5S, em seu glossário, como o conjunto de práticas que prepara o local de trabalho para o controle visual. As regras são a primeira versão escrita desse controle. Se o 5S faz parte de um esforço de melhoria contínua, cada revisão de regra pode seguir o SDCA, o ciclo que mantém o padrão.
Modelo das regras do programa 5S em branco para imprimir
A P03 vazia vem abaixo, a mesma folha dos 13 exemplos. No Kit de Ferramentas 5S, ela faz parte da etapa de planejamento do programa 5S.
No topo, o como usar em cinco itens. Logo abaixo, área piloto, líder do programa e data de aprovação. Depois vêm as cinco seções: critérios de descarte, padrão de identificação, papéis e responsabilidades, rituais com frequência, duração e participantes, e o quadro dos combinados do time. No rodapé, a dica do especialista.
Abrir e baixar a P03 em branco
A gente sugere imprimir a folha em A3 para a reunião, porque todo mundo escreve ao mesmo tempo, e guardar uma cópia assinada na pasta do programa 5S. A cópia da área vai para o quadro, com a data de aprovação visível.
Na MRS, o 5S corria ao lado das olimpíadas de melhoria e do desdobramento de metas, e passei 2 anos em Lafaiete na coordenação de operações. Se você vai conduzir o 5S em várias áreas, te convido a conhecer as trilhas com certificado da Academia de Certificação da Voitto.
