Metodologias & Qualidade

Regras do programa 5S: a folha P03 preenchida em 13 exemplos

A P03 do Kit preenchida com os planos-mestres de 13 áreas piloto, e o que ela mostra sobre o que o time combina antes de arrumar.

Thiago Coutinho
Publicado em 14 de set de 2026  ·  Atualizado em 14 de set de 2026  ·  21 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta, sorrindo para a câmera enquanto mostra o livro Lean Seis Sigma aberto voltado para a frente, diante de uma parede escura com o logo da Voitto ao fundo, com o texto Regras do programa 5S: a folha P03 preenchida em 13 exemplos sobre fundo escuro à esquerda

Meu primeiro dinheiro foram R$ 20 tomando conta de prova de cursinho. Fiscal de prova não inventa regra no meio da sala. Ele aplica o que foi combinado antes de a prova começar, e é por isso que ninguém discute com ele. As regras do programa 5S fazem esse papel na área piloto: fecham o combinado antes de alguém tocar num item.

A folha P03 do Kit de Ferramentas 5S organiza o combinado em cinco seções: critérios de descarte, padrão de identificação, papéis, rituais e acordos do time. No alto, ela pede a área piloto, o líder e a data de aprovação.

Neste artigo preencho a P03 com os planos-mestres de 13 áreas piloto do programa 5S, um caso ilustrativo por setor. Procurei cada linha da folha no bloco do plano onde as regras deveriam estar e testei a dica impressa no rodapé. O que achei muda a ordem em que eu preencheria a folha.

O que são as regras do programa 5S

As regras do programa 5S são o combinado que o time fecha antes de começar o Seiri. Elas dizem o que sai da área e quem decide, como tudo será identificado, quem faz o quê, quais rituais têm hora marcada e quais acordos o time assume com as próprias palavras.

Na folha em branco, o combinado do programa 5S cabe numa página. A seção 1 é a régua do Seiri: tempo sem uso, quem decide o destino, área de quarentena e destinos possíveis. A seção 2 fecha um padrão só de etiqueta, endereço e cores. A 3 distribui patrocinador, líder, time e auditor. A 4 lista os rituais com frequência, duração e participantes, e a 5 guarda os acordos.

Os papéis não são invenção do kit. No Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, o Seiso aparece assim no capítulo 5, intitulado “5S: a base da qualidade”: “Normalmente são formadas pequenas equipes de limpeza, nas quais é definido um responsável pela higienização de cada ambiente” (p. 39). A seção de papéis do programa 5S leva essa lógica aos cinco sensos, com um responsável ao lado de cada parte.

A diferença para o Plano Mestre 5S está no momento. O plano-mestre registra o projeto inteiro, do diagnóstico à sustentação. As regras são a parte dele que precisa estar pronta antes do primeiro cartão vermelho.

O que os 13 planos-mestres mostram na folha preenchida

Preenchi as 13 folhas do programa 5S linha a linha, e cada linha leva o número do bloco em que foi achada. O bloco 3 do plano-mestre é o das regras. O 6 é a execução e o 8, a sustentação. O que só aparece nesses dois foi decidido depois, com a arrumação já andando.

  1. Das 143 células das seções 1 a 3, 98 estão no bloco 3. Outras 24 só aparecem nos blocos 6 ou 8, e 21 ficaram sem registro.
  2. Tempo sem uso, quem decide o destino, líder do programa 5S e equipe da área fecham no bloco 3 dos 13 planos. São as linhas que todo time lembra de escrever.
  3. O auditor não está no bloco 3 de nenhum. Nos 13 casos, ele só aparece na sustentação.
  4. Quarentena e cores são as linhas mais vazias. A quarentena falta em 9 planos, e as cores, em 7.
  5. Rituais e acordos não têm seção no plano-mestre. As seções 4 e 5 da folha foram montadas com o que os blocos 6 e 8 citam.
  6. Nenhum dos 13 registra a data de aprovação das regras. Três publicaram o procedimento com data, e esse é o mais perto que chegam.
Matriz com as 11 linhas das seções 1 a 3 da P03 nos 13 planos-mestres, marcando o bloco em que cada linha foi achada
Onde cada linha das regras do programa 5S aparece nos 13 planos-mestres (casos ilustrativos). Fonte: blocos 3, 6 e 8 de cada caso do Kit de Ferramentas 5S.

A grade se lê de um jeito simples. O plano escreve bem o que é decisão de uma pessoa, como o prazo sem uso ou quem conduz. Escreve mal o que depende de espaço físico ou de gente de fora da área, como a quarentena e o auditor.

Critérios de descarte: a régua do Seiri

A regra de tempo sem uso do programa 5S varia com o que a área guarda. Vai de 30 dias na doca de expedição a mais de 2 anos nas caixas do financeiro. No meio ficam 60 dias no posto de enfermagem e no escritório e 90 dias na ferramentaria e no almoxarifado farmacêutico. Depois vêm 3 meses na sala de pesagem, 6 meses na oficina, na rouparia e na pré-montagem de portas, e 12 meses no marketing e na base de elevadores.

Um caso foge do relógio. Na central de resíduos, o gatilho é lugar: resíduo fora de baia recebe cartão vermelho, sem prazo nenhum. A folha pede critério em números, e ali o critério é a baia, que também não deixa espaço para “acho que não serve”.

Quem decide o destino está no bloco 3 dos 13. Em seis casos, a decisão vem presa a um registro ou a uma segunda assinatura. É a dupla checagem no farmacêutico, a controladoria na rouparia, a testemunha da farmácia no posto de enfermagem, a tabela de temporalidade no financeiro, o registro da qualidade na sala de pesagem e o aval da engenharia na pré-montagem.

A área de quarentena é a linha mais pulada da seção. Só a ferramentaria e o escritório a têm no bloco 3: uma caixa para ferramenta danificada e uma pasta de expurgo digital que segura o arquivo por 60 dias. O almoxarifado farmacêutico e o financeiro criaram a sua na execução. Nos outros 9 planos, a linha ficou em branco.

A quarentena do farmacêutico, aliás, serve à qualidade: separa aprovado, quarentena e reprovado. Na P03, a linha pede o lugar onde o item espera a decisão de descarte. Quem copiar esse modelo precisa separar as duas funções.

Padrão de identificação: etiqueta, endereço e cores

Etiqueta e endereço são as linhas bem cuidadas da identificação do programa 5S. O endereço está no bloco 3 de 12 planos, e a etiqueta, de 10. O Seiton depois só aplica o que ficou decidido, como as posições D3-A1 a D3-C8 da doca ou o endereço rua-prateleira-posição do almoxarifado farmacêutico.

As cores ficam no extremo oposto. Só a doca e a central de resíduos decidem cor no bloco 3: a faixa vermelha do corredor de emergência e a baia por classe e cor. Outros quatro casos passam a usar cor na execução, e dois deles, o posto de enfermagem e o escritório, adotam código de cor sem dizer quais cores. Sete planos não falam de cor.

Cor decidida no meio da implantação corre o risco de nascer local, cada área com a sua. O padrão visual da área é onde isso vira regra da empresa, e a linha de cores da P03 é o primeiro rascunho dele dentro do programa 5S.

Papéis do programa 5S: quem patrocina, conduz, executa e audita

O líder do programa 5S e o time aparecem já no bloco 3 dos 13 casos, sempre por cargo: supervisora, farmacêutica, governanta, planejador, técnica de meio ambiente. É a seção em que o plano-mestre mais se parece com a folha.

O patrocinador do programa 5S aparece em 8 planos. Quando aparece, tem função concreta: destravar recurso e descarte de maior valor, a fragmentação certificada do financeiro, o sucateamento e os carrinhos de setup da pré-montagem. Nos 5 planos sem patrocinador, ninguém tem no papel a decisão que passa do limite do líder.

O auditor do programa 5S é a linha que nenhum bloco 3 preenche. Nos 13 casos, ele nasce na sustentação, junto com o calendário de auditorias: rodízio entre salas, docas ou turnos, auditor de outra ala ou de outro setor, qualidade a cada trimestre. Na P03, a linha fica na seção 3, antes da arrumação, porque quem vai auditar ganha em conhecer a área ainda desorganizada.

Em áreas com muitos papéis, uma matriz RACI ajuda a separar quem executa de quem aprova. Para a folha, basta o cargo e uma frase sobre o que ele faz.

Rituais do programa 5S: frequência, duração e participantes

Nenhum plano-mestre tem seção para os rituais do programa 5S. Montei a seção 4 da P03 com as citações da execução e da sustentação, e a coluna de duração é a que mais revela. Das atividades listadas nas 13 folhas, só treinamento e limpeza trazem duração.

  • Treinamento: 1h por turno na sala de pesagem e na oficina, 2h em 2 turmas no farmacêutico, 40 min na doca e na ferramentaria, 30 min no posto de enfermagem e no escritório.
  • Limpeza e rotina de fim de turno: 10 min no almoxarifado farmacêutico e na ferramentaria, 5 min no escritório.
  • Auditoria mensal: nenhuma duração registrada, nem nos casos que marcam o dia, como a 1ª semana do mês no farmacêutico e na rouparia, a 3ª semana na sala de pesagem e a última sexta na doca.

A frequência está lá, e a hora marcada que a folha pede, não. Três rituais escapam dessa falta porque se prendem a um evento da rotina: a verificação a cada passagem de turno na pré-montagem, a conferência a cada plantão no posto de enfermagem, a conferência de kit depois de cada evento no marketing. O evento faz as vezes de relógio.

O gerenciamento da rotina é o lugar natural para os horários do programa 5S. Para a autoauditoria semanal virar hábito, um kamishibai com cartões por rodada ajuda a lembrar o que conferir.

Acordos do time: a seção que o plano-mestre não tem

Os acordos do time são a única parte do programa 5S que a P03 pede escrita com as palavras de quem vive a área. Nenhum dos 13 planos-mestres tem um lugar para isso. O que pus nas folhas são frases que o próprio plano já escrevia em tom de combinado, com o bloco de origem ao lado.

Juntei 25 acordos nas 13 folhas, de 1 a 3 por área. Os melhores cabem numa linha e qualquer pessoa confere ao passar: “Nada de caixa de papelão no posto.”, “Consumo só na copa.”, “Saída pela frente, reposição por trás.”, “A central só recebe separado.”

A oficina de manutenção é o caso curioso. O plano cita um cartaz com 5 regras na entrada, mas o texto delas não está em lugar nenhum. A folha registra o cartaz e deixa claro que as frases não foram inventadas para preencher.

A linha de exemplo da P03 traz cinco combinados, entre eles “quem pega, devolve pro endereço” e “foto-padrão vale mais que opinião”. Nenhum dos 13 planos usa essas frases. Elas mostram o tom, e o time troca cada uma pela sua.

O rodapé da P03 posto à prova nas 13 áreas

O rodapé da P03 traz a dica: “Regra boa é a que o time consegue cumprir no pior dia, não no melhor.” Ela pede ainda duas coisas: começar com poucos combinados e mudar a regra em reunião, com data e assinatura.

As 13 áreas do programa 5S cumprem a parte dos poucos combinados. O pior dia aparece uma vez com registro. Na oficina de manutenção, a nota caiu a 79% depois da parada geral de ago/2026, abaixo do gatilho de 80%. Em 5 dias o mutirão estava feito, e a nota de setembro subiu para 86%. A regra de reação foi cumprida justo no mês difícil.

Seis planos vão além da nota e definem reação imediata para um evento. São eles o insumo vencido na sala de pesagem, o vencido em prateleira no farmacêutico, o corredor obstruído na doca, a van reprovada na base de elevadores, o item vencido no posto de enfermagem e a caçamba sem manifesto na central de resíduos. Nesses casos, a regra não espera a auditoria.

A terceira parte da dica não passa no teste. Nenhum dos 13 planos registra mudança de regra do programa 5S depois de aprovada, e nenhum registra a data de aprovação. Chegam perto só o POP revisado no 4S do farmacêutico e a lista do kit da base de elevadores, revista a cada trimestre.

Meu pai me deu tudo que eu precisava, nunca tudo que eu queria. Boas regras do programa 5S seguem essa conta: dão ao time o que ele precisa para decidir sem briga, e a energia que sobra vai para a arrumação.

Como preencher as regras do programa 5S em 7 passos

  1. Reúna o time do programa 5S antes de tocar na área. Regra combinada no meio da arrumação vira discussão. O primeiro encontro serve para preencher a folha, e só isso.
  2. Escreva o cabeçalho inteiro. Área piloto, líder e data de aprovação. A data é a linha que os 13 planos esquecem.
  3. Feche a régua do Seiri em números. Tempo sem uso, quem decide, onde fica a quarentena e para onde cada item pode ir.
  4. Escolha um padrão só de identificação. Decida as cores agora, junto com etiqueta e endereço.
  5. Dê um cargo a cada papel do programa 5S, auditor incluído. Patrocinador, líder, time e quem vai auditar.
  6. Marque os rituais com duração. Frequência sozinha não põe o ritual na agenda. Prenda cada um a um evento da rotina ou a um horário.
  7. Escreva poucos acordos, com as palavras do time. Diga também o que acontece quando a regra é quebrada e deixe a folha visível na área.

Baixe a P03 em branco e preencha com o time durante a leitura dos passos.

Os passos 2, 5 e 6 corrigem as três falhas que a grade mostrou: data de aprovação, auditor e duração dos rituais. Para saber se a área tem gente e tempo para cumprir o combinado, olhe o diagnóstico inicial da área antes do passo 3.

13 exemplos de regras do programa 5S, com PDF para baixar

Cada caso abaixo lê uma P03 preenchida com o plano-mestre de uma área piloto do programa 5S. A miniatura abre a folha inteira sem sair do artigo; o botão vermelho baixa o PDF, e a tecla Esc fecha a janela. Os casos são ilustrativos: a gente preencheu cada folha só com o que os blocos 3, 6 e 8 do plano registram, e o que falta ficou escrito como falta.

1. Alimentício: a sala de pesagem que escreve o descarte em dobro

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a sala de pesagem e preparação (caso ilustrativo)Duas regras de tempo dividem a mesma linha na sala de pesagem e preparação. Utensílio parado há 3 meses recebe cartão vermelho, e insumo vencido é segregado na hora, sem esperar prazo. A analista da qualidade valida cada etapa.

Os destinos seguem a mesma lógica. No Seiri saíram 31 utensílios e 18 insumos vencidos, estes com registro formal. Outros 16 voltaram ao almoxarifado e 12 foram realocados. Um acordo amarra tudo: insumo vencido nunca vai para o lixo comum.

A identificação fecha bem: etiqueta de abertura e validade em todo insumo aberto, endereço em toda prateleira e prateleiras na ordem da receita. A cor entrou só na execução, verde para validade no prazo e laranja para uso prioritário.

Patrocinador ficou sem registro, e o padrão foi incorporado ao procedimento de boas práticas sem data. Não dá para saber desde quando a regra do vencido vale. A reação a ele, porém, é das mais claras: desvio crítico, investigado na hora.

2. Farmacêutico: a quarentena que separa aprovado de reprovado

Folha P03 do Kit 5S preenchida para o almoxarifado de insumos farmacêuticos (caso ilustrativo)Todas as linhas das seções 1 a 3 têm registro no almoxarifado de insumos, com 90 m² e 480 posições. Duas delas, porém, só apareceram na execução: a área de quarentena e as cores.

A quarentena daqui serve à qualidade. O 2S demarcou áreas de aprovado, quarentena e reprovado, e ali o insumo espera a liberação. Para o descarte, a régua é outra: vencido ou sem giro há 90 dias recebe cartão vermelho.

O destino é decidido pela farmacêutica com a garantia da qualidade, em dupla checagem. Com essa dupla, o Seiri mandou 29 vencidos ao descarte controlado e 21 embalagens obsoletas à reciclagem. Outros 12 itens trocaram de posição, e 6 retornaram ao fornecedor.

Etiqueta com código, lote e validade, endereço rua-prateleira-posição e faixas de piso verde, amarela e vermelha formam o padrão. A etiqueta laranja marca validade até 60 dias. A limpeza de 10 min por turno e o treino de 2h em 2 turmas trazem duração.

“Saída pela frente, reposição por trás.” resume a rotação do estoque numa frase que qualquer auxiliar repete. Se a regra falha, vencido em prateleira interrompe a rua na hora. Nenhuma das outras 12 áreas pôs o gatilho do mutirão tão alto quanto os 90% desta área.

3. Financeiro: quando a régua do descarte é uma tabela jurídica

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a sala do financeiro e o arquivo (caso ilustrativo)Na sala do financeiro, o prazo passa de 2 anos: caixa sem consulta por mais tempo que isso recebe cartão vermelho. Mesmo assim, o expurgo só acontece pela tabela de temporalidade validada pelo jurídico, com registro assinado pela coordenadora.

O Seiri tirou 61 caixas para expurgo, mandou 24 ao arquivo central e manteve 19. A quarentena veio só na execução e é digital: duplicatas da rede são eliminadas depois de um backup de 30 dias.

A etiqueta de caixa leva conteúdo, período e data do expurgo futuro. Na rede, a árvore única segue a nomenclatura AAAA-MM_tipo_fornecedor, que virou acordo do time. De 11 linhas, a de cores é a única em branco.

O POP e a política de nomenclatura saíram “com versão e data”, e a data não chegou ao plano. A autoauditoria com a régua de 25 itens tem registro em mai e jun, com 82% como piso antes do mutirão.

4. Hotelaria: a rouparia que mede a regra em peças

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a rouparia central da governança (caso ilustrativo)Seis meses fora de giro bastam para uma peça da rouparia central da governança ganhar o cartão vermelho. Peça abaixo do padrão de qualidade também o ganha, qualquer que seja o giro.

A baixa só vale com registro assinado pela governanta e conferido pela controladoria. Com essa trava, o Seiri baixou 34 lotes, que somavam 240 peças, devolveu 22 a outros setores, realocou 19 e descartou 14.

Etiqueta e endereço trazem o estoque mínimo visível em toda prateleira. As peças ficam em kits na ordem de montagem do carro, e a reposição da lavanderia só entra conferida e no endereço, o único acordo desta folha.

Na rouparia, três linhas não entraram no plano: quarentena, cores e patrocinador. Os rituais têm frequência e nenhum tem duração, nem a limpeza do filtro da secadora a cada turno.

A nota tem piso de 85%, mas uma medida própria pesa mais. Se somem mais de 25 peças num mês, a contagem por kit volta a ser diária, qualquer que seja a nota.

5. Logística: a faixa vermelha que ninguém discute

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a doca de expedição 3 (caso ilustrativo)A regra mais firme da doca de expedição 3 não fala de descarte. A faixa vermelha do corredor de emergência é intocável, e isso está no bloco 3 como regra e na folha como acordo.

O descarte usa 30 dias sem uso, e cinta vencida é segregada na hora. Quem decide é a líder com o dono do item. Os números do Seiri só aparecem na execução: 52 descartados em 2 caçambas, 34 cintas e catracas vencidas, 29 devoluções e 23 realocações.

Posições D3-A1 a D3-C8 dão ao endereço uma precisão rara, e todo volume só entra na doca com endereço. Os 14 operadores fizeram treino de 40 min por turno, e o placar entre turnos entra na autoauditoria semanal.

Auditores em rodízio entre as docas fazem a mensal na última sexta do mês. Corredor obstruído não espera essa data e vira tratativa imediata. O mutirão de 7 dias entra com nota menor que 80% ou com item de segurança zerado.

6. Manutenção industrial: a regra testada no pior mês

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a oficina de manutenção (caso ilustrativo)Na oficina de manutenção, quem conduz o programa é o planejador, e o destino de cada item ele combina com o dono. A régua é de 6 meses sem uso. Sucatear equipamento exige baixa formal no ativo, e 3 dos 61 sucateados passaram por ela.

Além deles, 38 itens voltaram ao almoxarifado central, 33 foram realocados e 24 ganharam endereço novo. O endereço cobre toda prateleira, de OF-A1 a OF-E6 por família de peça, e o quadro de sombras guarda a ferramenta de uso comum.

Quarentena e cores ficaram vazias. O auditor, como em todas as folhas, só aparece na sustentação, num rodízio entre manutenção, almoxarifado e produção.

Sombra vazia leva cartão de empréstimo, e esse é o acordo mais prático. O outro é um cartaz com 5 regras na entrada, cujo texto não está no plano, e a folha registra o cartaz sem completar as frases.

O teste veio em ago/2026. Depois da parada geral, a nota caiu a 79%, abaixo do gatilho de 80%. O time fez o mutirão em 5 dias, e a auditoria de setembro marcou 86%. Foi a única vez, nos 13 planos, que a regra de reação saiu do papel com data.

7. Manutenção de elevadores: a regra que viaja nas 12 vans

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a base de manutenção e o kit das vans (caso ilustrativo)Parte da área anda na rua. O kit embarcado das 12 vans segue uma lista única, feita com o consumo de 12 meses por família, e nada entra na van fora da lista sem registro.

A régua tem uma exceção escrita: o cartão vermelho vale para peça parada por mais de 12 meses, menos o item crítico de contrato. O planejamento de peças valida a volta ao CD. No Seiri, 58 peças voltaram, 26 viraram sucata com registro, 31 foram realocadas na base e 12 ficaram após revisão.

Etiqueta com código e foto e a lista plastificada na porta de cada baú surgiram só na execução. Os rituais seguem a frota: ficha assinada toda sexta, 2 vans por semana na verificação amostral e a base com 3 vans sorteadas na auditoria mensal.

A cada trimestre, o planejamento de peças revisa a lista do kit, a revisão de lista que o rodapé da folha cita. E van reprovada não sai na segunda.

8. Marketing: a marca antiga que sai sem exceção

Folha P03 do Kit 5S preenchida para o estúdio e o almoxarifado promocional (caso ilustrativo)Marca antiga sai sem exceção do estúdio e do almoxarifado de materiais promocionais. Ao lado dela, a folha registra o cartão vermelho para item sem uso previsto em 12 meses.

Doar brinde bom depende do gerente. No Seiri, 38 lotes de brindes foram doados, 27 lonas e banners foram descartados com foto, 17 itens foram para o estúdio e 11 ficaram.

A identificação mistura três formatos: etiqueta de conteúdo e saldo nas caixas, lista na tampa dos kits e etiqueta com foto nas caixas de brinde. No estúdio, cada item de gravação tem lugar marcado, e só ele permanece ali.

O plano-mestre não registra quarentena, cores nem patrocinador. O ritual mais bem amarrado é a conferência de kit com ficha depois de cada evento, presa ao calendário da própria área.

A autoauditoria tem 2 registros, em jun e jul, e um auditor de outra área chega a cada trimestre. Só a nota dispara reação, e o piso dela é 80%.

9. Produção: a ferramentaria que proibiu comprar

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a ferramentaria da linha de montagem (caso ilustrativo)A ferramentaria da linha de montagem, com 52 m², fechou um acordo que contraria o instinto de quem arruma: nenhuma compra nova antes do fim do Seiri. O time precisa ver o que já tem antes de pedir mais.

Na ferramentaria, 90 dias parado bastam para o cartão vermelho, e o líder decide com o supervisor de produção. Ferramenta danificada vai para uma caixa de quarentena e não volta à bancada. A sucata só sai com romaneio, e o do Seiri somou 640 kg em 48 itens.

Os outros destinos foram 31 devoluções ao almoxarifado, 27 realocações e 15 itens mantidos. A etiqueta única traz nome, endereço e frequência, e há quadro de sombras em cada bancada. A cor é a única linha vazia.

POP e fotos-padrão foram publicados em 30/jun, a data mais próxima de uma aprovação nesta folha. As 17 pessoas do treino assinaram presença. Se a nota passa 2 meses abaixo de 85%, o assunto sobe à gerência industrial.

10. Produção de elevadores: a engenharia como dona do descarte

Folha P03 do Kit 5S preenchida para o posto de pré-montagem de portas (caso ilustrativo)Quem decide o destino no posto de pré-montagem de portas de pavimento não é o líder. A engenharia de processos valida cada destino, e sucateamento só acontece com o aval dela.

A regra de tempo conta ordem de produção: o cartão vermelho vai para o dispositivo que passou 6 meses sem OP. No Seiri, 48 dispositivos foram sucateados com aval, 31 voltaram ao ferramental central, 37 foram realocados e 27 ficaram com endereço.

Parafusaria nunca em caixa comum, e nenhum item entra no posto sem endereço definido antes. São os dois acordos da folha, e o primeiro vem com padrão próprio: embalagem identificada por código do modelo.

O patrocinador tem papel concreto, destravar o sucateamento e os carrinhos de setup. Já a quarentena e as cores não aparecem em bloco nenhum.

A cada passagem de turno, a verificação do padrão envolve os três turnos. A autoauditoria tem registro em mai e jun, e a linha do mutirão fica em 85%.

11. Saúde: o posto que só descarta com testemunha

Folha P03 do Kit 5S preenchida para o posto de enfermagem da ala B (caso ilustrativo)Vencido não sai do posto de enfermagem da ala B sem registro e testemunha da farmácia. O Seiri cumpriu essa trava em 32 vencidos descartados.

Com 22 leitos, o posto usa 60 dias sem uso ou vencimento como gatilho do cartão vermelho. Além do descarte, 28 itens voltaram à farmácia com formulário próprio e 24 mudaram de lugar.

Cada item tem quantidade máxima definida com a farmácia e lugar fixo, com gavetas por classe e o kit de urgência selado em local único. As etiquetas por classe usam código de cor, mas as cores não estão no plano.

O treino de 30 min nas passagens de plantão chegou às 4 equipes, e a dupla checagem quinzenal de validade pede 2 assinaturas. Publicado o procedimento em 30/abr, item vencido encontrado passa a acionar correção imediata com a farmácia.

12. Serviços: a pasta de expurgo como quarentena digital

Folha P03 do Kit 5S preenchida para o escritório da operação e o arquivo (caso ilustrativo)Arquivo apagado no escritório da operação vai para uma pasta de expurgo e cumpre 60 dias antes da exclusão. No Seiri, passaram por ela 3,1 mil arquivos, uma quarentena que não ocupa espaço físico.

Para itens, a régua também é de 60 dias, e documento só sai pela tabela de temporalidade. O supervisor e o analista administrativo decidem juntos, e equipamento parado retorna à TI registrado.

Os destinos somaram 38 descartes, 27 devoluções à TI ou ao almoxarifado, 22 realocações e 9 doações. O kit padrão das 48 posições e a etiqueta de cor do arquivo só apareceram na execução, sem dizer quais cores.

O fim de turno pede 5 min de rotina, menos que qualquer outro ritual com duração nas folhas. O treino de 30 min passou pelos 72 atendentes, e a autoauditoria é feita por dupla.

“Consumo só na copa.” é o único acordo, tirado do bloco 6. Dois meses seguidos sob 80% levam o caso à reunião de resultados. O procedimento saiu em 15/mai.

13. Sustentabilidade: a régua que troca o relógio pela baia

Folha P03 do Kit 5S preenchida para a central de resíduos do canteiro (caso ilustrativo)Resíduo fora de baia recebe cartão vermelho na central de resíduos do canteiro, e esse é o único gatilho. Nenhuma outra folha troca o relógio pelo lugar. A técnica de meio ambiente escolhe o destino junto com o mestre.

Os destinos pedem documento, e nenhuma caçamba sai sem manifesto de transporte. A contagem do Seiri vem por destino, sem unidade: entulho retriado (48), madeira reaproveitada ou doada (27), recicláveis vendidos à cooperativa (22) e perigosos para destinação licenciada (15).

Cada baia tem classe, cor e placa com foto dos resíduos aceitos e dos recusados, e o fluxo corre no sentido do portão. Os três acordos repetem a mesma ideia, e o último manda carga misturada voltar para separar.

Por 3 semanas, a segregação entrou no diálogo diário de segurança, e o índice vai ao quadro toda sexta. Abaixo de 78%, ou com segregação abaixo de 85%, o mutirão acontece na mesma semana.

Erros comuns ao montar as regras do programa 5S

  • Deixar o auditor para depois. Nos 13 planos, ele só aparece na sustentação. Quem audita precisa conhecer a régua desde o começo, porque a auditoria 5S vai cobrar essas regras.
  • Esquecer a quarentena. Se o item em dúvida não tem para onde ir, a triagem vira discussão na frente da prateleira.
  • Decidir cor no meio da implantação. Cor que nasce no 4S chega tarde para o Seiton e pode variar de uma área para outra.
  • Registrar ritual só com a frequência. Semanal não diz dia, hora nem duração. A gestão à vista ajuda a deixar o próximo ritual exposto no quadro.
  • Escrever acordo em linguagem de procedimento. O acordo é do time. Frase longa, com verbo no infinitivo, pertence ao POP.
  • Mudar a regra no grito. Toda mudança no programa 5S pede reunião, data e assinatura. A gestão de mudanças dá o roteiro para registrar o que mudou e por quê.
  • Aprovar sem data. Nenhum dos 13 planos registra quando as regras foram aprovadas. Sem essa data, a auditoria não sabe qual versão cobrar.

Ferramentas ligadas às regras do programa 5S

Na etapa de planejamento do programa 5S, as regras ficam entre o termo de abertura e o cronograma de implantação. O cartão vermelho aplica a régua da seção 1, e o padrão de limpeza do Seiso detalha a limpeza que entra na seção 4.

Depois do Seiri, a padronização transforma o combinado em documento, e o gemba walk confere no chão se a regra está sendo cumprida. Para quem chega agora, o artigo sobre o programa 5S apresenta os sensos um a um, e o de implantação do programa 5S percorre as etapas na ordem.

O Lean Enterprise Institute define o 5S, em seu glossário, como o conjunto de práticas que prepara o local de trabalho para o controle visual. As regras são a primeira versão escrita desse controle. Se o 5S faz parte de um esforço de melhoria contínua, cada revisão de regra pode seguir o SDCA, o ciclo que mantém o padrão.

Modelo das regras do programa 5S em branco para imprimir

A P03 vazia vem abaixo, a mesma folha dos 13 exemplos. No Kit de Ferramentas 5S, ela faz parte da etapa de planejamento do programa 5S.

Folha P03 em branco das regras do programa 5S, com descarte, identificação, papéis, rituais e acordos, do Kit de Ferramentas 5SNo topo, o como usar em cinco itens. Logo abaixo, área piloto, líder do programa e data de aprovação. Depois vêm as cinco seções: critérios de descarte, padrão de identificação, papéis e responsabilidades, rituais com frequência, duração e participantes, e o quadro dos combinados do time. No rodapé, a dica do especialista.

Abrir e baixar a P03 em branco

A gente sugere imprimir a folha em A3 para a reunião, porque todo mundo escreve ao mesmo tempo, e guardar uma cópia assinada na pasta do programa 5S. A cópia da área vai para o quadro, com a data de aprovação visível.

Na MRS, o 5S corria ao lado das olimpíadas de melhoria e do desdobramento de metas, e passei 2 anos em Lafaiete na coordenação de operações. Se você vai conduzir o 5S em várias áreas, te convido a conhecer as trilhas com certificado da Academia de Certificação da Voitto.

Perguntas frequentes

O que entra nas regras do programa 5S?
Descarte, identificação, papéis, rituais e acordos do time. A folha P03 do Kit reúne os cinco blocos numa página, com área piloto, líder e data de aprovação no cabeçalho.
Quando as regras do programa 5S devem ser definidas?
Antes do Seiri, com o time reunido e antes de alguém tocar na área. Pela própria folha, regra combinada no meio da arrumação vira discussão, e não padrão.
Quem aprova as regras do programa 5S?
O líder conduz e o time participa da redação. O patrocinador entra quando a regra envolve recurso ou descarte de maior valor. A aprovação precisa de data e assinatura, a linha que nenhum dos 13 planos analisados registrou.
Qual regra de tempo sem uso usar no 5S?
Depende do que a área guarda. Nos 13 casos, o prazo foi de 30 dias numa doca de expedição a mais de 2 anos em caixas de arquivo. O importante é ser um número, com as exceções escritas, como item crítico de contrato.
Quantos acordos do time colocar na folha?
Poucos, que o time consiga cumprir no pior dia. Os 13 casos têm de 1 a 3 acordos cada, em frases curtas como “Consumo só na copa.”
Como mudar uma regra do programa 5S depois de aprovada?
Em reunião, com data e assinatura, como pede a dica da P03. Registre a versão nova na pasta do programa e avise o auditor, que passa a cobrar a regra atualizada.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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