Radar 5S: o antes e depois do programa em 13 exemplos e modelo para imprimir
Treze folhas de antes e depois lidas pela forma do polígono, pelo método de cada ganho e pelas fotos que ninguém numerou.
Na MRS, participei do desdobramento de metas do presidente ao coordenador. Coordenei as operações de Lafaiete por 2 anos, com os inspetores respondendo a mim. O exercício desce números pela hierarquia, nível a nível. A parte difícil é a volta. Cada nível precisa mostrar o que alcançou com o número e com o jeito de medir. Sem isso, a meta lá de cima vira opinião. No 5S, essa volta tem nome: radar 5S.
A folha R12 do Kit de Ferramentas 5S põe a nota de entrada e a de saída no mesmo gráfico. Ela pede cada ganho com o método de medição e fotos tiradas do mesmo ângulo. Numa página só, a área piloto presta contas do programa.
Neste artigo leio 13 exemplos ilustrativos de radar 5S, um por setor, montados com os números dos casos do Kit. Testei a dica do especialista contra eles. Contei quantos ganhos trazem método e quantas fotos têm número de registro. O resultado nem sempre confirma o que a folha promete.
O que é o radar 5S
O radar 5S é a folha que compara a área piloto antes e depois do programa. A nota de cada senso entra duas vezes, a da auditoria de entrada e a da auditoria de saída. As duas vão para um gráfico de radar, com um eixo por senso.
As notas vêm da auditoria 5S, a folha R11 do mesmo Kit. O radar 5S não cria régua própria. Ele só funciona se entrada e saída forem medidas com o mesmo checklist de 25 itens, de preferência pelo mesmo auditor.
A R12 tem um cabeçalho com área piloto, período e responsável. Abaixo dele vêm seis seções: o comparativo senso a senso, o radar com eixo de 20% a 100%, os ganhos concretos, a comparação com a meta, o registro de fotos e as lacunas com plano de ação.
Os cinco eixos são Seiri (utilização), Seiton (organização), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke. A R12 traduz o quinto senso como autodisciplina, e o Plano Mestre 5S escreve disciplina. Neste texto uso disciplina.
No meu livro, o Guia Prático Lean Seis Sigma Black Belt, a seção 5.4 trata das vantagens da implementação. Na página 37 está escrito: “A implementação do Programa 5S pode apresentar diversos benefícios, como redução de custos, diminuição de desperdícios, aumento da qualidade e produtividade, melhoria da satisfação geral dos colaboradores e segurança do ambiente de trabalho.”
A seção de ganhos do radar 5S pede quase a mesma lista: tempo, espaço, segurança, qualidade e dinheiro. Uma diferença separa as duas. O livro fala do que o 5S pode trazer. A folha cobra o que ele trouxe, com o valor e o método de cada ganho. É essa segunda exigência que os 13 exemplos cumprem só em parte.
O que os 13 radares 5S mostram
Montei um radar 5S para cada um dos 13 casos, com as notas por senso. Depois comparei cada ganho com a meta escrita no planejamento da área. Oito achados saíram dessa comparação.
- O polígono sai mais equilibrado em 12 de 13. A diferença entre o maior e o menor senso cai ou se mantém. A exceção é a produção de elevadores, que sai mais torta do que entrou.
- O Seiton é o senso que mais cresce. Ele tem a maior variação em 11 dos 13 casos, contando empates. O Seiri lidera em 5.
- O Shitsuke troca de lugar. Na entrada, ele é o senso mais alto ou empata com o mais alto em 10 casos. Na saída, está no fundo ou empatado no fundo em 8.
- O fundo da saída é sempre Seiso ou Shitsuke. O Seiso fica sozinho em último em 5 casos, o Shitsuke em 4, e os dois empatam em outros 4.
- A previsão da dica não aparece nos meses seguintes. Nenhuma das quatro áreas com o Shitsuke sozinho no fundo caiu abaixo da própria meta depois do projeto.
- Nove dos 13 dizem algo sobre como mediram. Só cinco deles descrevem o procedimento de medição. Nos quatro que ficam fora dos nove, cada ganho vem apenas com o antes e o depois.
- Nenhuma foto tem número de registro. O radar 5S pede numeração para a foto de antes e para a de depois. Os casos têm fotos, datas e contagens, mas nenhum número.
- Lacuna escrita em 7 de 13. Três dos seis que deixam o campo vazio têm um senso marcado como quase.
Nenhum desses achados diz que o programa falhou. As 13 áreas passaram da meta de nota. O que eles mostram é quanto da prestação de contas fica de fora de um radar 5S que parece completo.
Como ler a forma do radar 5S
A dica impressa no radar 5S resume a leitura: entrada pequena e torta, saída grande e equilibrada. São duas medidas. O tamanho é a nota geral. A forma é a distância entre o senso mais alto e o mais baixo, que chamo aqui de amplitude.
Nos 13 casos, a amplitude de entrada vai de 10 a 25 pontos. A de saída fica em 10 em onze deles. A hotelaria sai com 5, o polígono mais redondo da série. A produção de elevadores sai com 15, acima dos 10 da entrada.
A forma também gira. Antes do programa, o Shitsuke costuma ser o senso mais alto e o Seiton, o mais baixo. O projeto arruma primeiro o que se vê, e Seiri e Seiton sobem de 50 a 70 pontos. O Shitsuke, que depende de hábito, sobe de 35 a 50.
Os quatro primeiros sensos são a arrumação. O Shitsuke é a bateria que mantém a arrumação ligada quando a equipe do projeto volta à rotina. Um radar 5S com a bateria no fundo não está errado. Ele mostra onde a área vai gastar energia no mês seguinte.
Na saída, o fundo é sempre o Seiso ou o Shitsuke. Seiri, Seiton e Seiketsu não ficam em último em nenhum dos 13 radares 5S. Quem vai planejar a etapa seguinte já sabe por onde começar.
| Setor | Amplitude na entrada | Amplitude na saída | Senso mais baixo na saída | Nota de saída | Notas depois do projeto |
|---|---|---|---|---|---|
| Alimentício | 10 | 10 | Shitsuke (85%) | 91% | jun 90%, jul 92%, ago 90% |
| Farmacêutico | 15 | 10 | Shitsuke (85%) | 92% | jul 91%, ago 93% |
| Financeiro | 15 | 10 | Seiso (80%) | 87% | jul 85%, ago 88% |
| Hotelaria | 15 | 5 | Seiso e Shitsuke (85%) | 88% | jul 87%, ago 89% |
| Logística | 25 | 10 | Seiso (80%) | 85% | jul 85%, ago 84%, set 86% |
| Manutenção | 20 | 10 | Seiso e Shitsuke (80%) | 84% | jun 84%, jul 81%, ago 79%, set 86% |
| Manutenção de elevadores | 20 | 10 | Seiso e Shitsuke (80%) | 85% | ago 83% |
| Marketing | 15 | 10 | Seiso (80%) | 86% | ago 87% |
| Produção | 25 | 10 | Seiso e Shitsuke (85%) | 89% | jul 87%, ago 88% |
| Produção de elevadores | 10 | 15 | Shitsuke (80%) | 88% | jul 86%, ago 89% |
| Saúde | 10 | 10 | Seiso (85%) | 90% | jun 87%, jul 89% |
| Serviços | 15 | 10 | Seiso (80%) | 86% | jun 83%, jul 85%, ago 84% |
| Sustentabilidade | 15 | 10 | Shitsuke (75%) | 82% | ago 80% |
A dica do especialista testada nos 13 casos
A segunda frase da dica é uma previsão. Seiri e Seiton altos com Shitsuke baixo significam área arrumada que vai desarrumar. Em quatro casos, o radar 5S tem exatamente esse desenho, com o Shitsuke sozinho no fundo da saída. Os meses seguintes estão no plano de cada área.
O alimentício saiu com 91% e marcou 90%, 92% e 90% nos três meses seguintes. O farmacêutico foi de 92% para 91% e depois 93%. A produção de elevadores caiu para 86% em julho e subiu para 89% em agosto. A sustentabilidade perdeu 2 pontos, de 82% para 80%, e continuou acima da meta de 78%.
A única área que cruzou a própria linha foi a manutenção. Ela marcou 79% em agosto, contra uma meta de 80%, e voltou a 86% em setembro. No radar 5S de saída dela, Seiso e Shitsuke dividiam o último lugar. A causa anotada no plano é a parada geral.
Eu não chamaria isso de erro do kit. A dica fala de tendência, e três meses de série são pouco para ver um hábito se desfazer. Os casos permitem uma conclusão mais modesta: Shitsuke baixo na saída pede acompanhamento. Quem vai mostrar se a previsão se cumpre é o calendário de auditorias.
A primeira frase da dica se confirma melhor. O radar 5S da produção de elevadores é o caso que ela descreve, com a saída desequilibrada apontando o próximo ataque. O plano registra o Shitsuke em 80% no 3º turno como lacuna, com ação em julho. Em agosto, a área marcou 89%.
Ganho com número e método: a coluna mais fraca da folha
O quarto passo do radar 5S é o mais duro. Ele pede, para cada ganho, o valor e a forma de medir. A própria folha avisa que ganho sem método de medição não convence gestor nenhum. Concordo, e acrescento que também não convence a equipe seis meses depois.
Nos 13 casos, cinco descrevem como mediram algum ganho:
- a produção de elevadores tirou o setup da média de 12 trocas;
- o marketing cronometrou 3 eventos para chegar ao tempo do kit;
- a saúde mediu a busca em urgência numa simulação cronometrada;
- o farmacêutico conferiu o FEFO em 8 verificações semanais seguidas;
- o alimentício conta o zero vencido em toda verificação desde 20/mar.
Outros três ganhos mostram a base da conta. A logística multiplica os minutos ganhos por cerca de 18 veículos por dia. O alimentício soma o tempo sobre cerca de 40 lotes por semana, e a manutenção, sobre cerca de 10 atendimentos diários. O financeiro e a manutenção de elevadores dão só o período da medida.
Hotelaria, produção, serviços e sustentabilidade trazem apenas o antes e o depois. Em hotelaria e sustentabilidade, o método aparece na medida de entrada, com cronometragem e amostragem, e some na de saída.
A conta da logística é o melhor exemplo de método que se confere. O carregamento caiu de 42 para 31 minutos, 11 a menos. Vezes 18 veículos, dá 198 minutos, perto das 3h20 escritas na folha. Qualquer gestor refaz essa conta em meio minuto.
Doze das 13 áreas entregaram todos os ganhos que a meta prometeu. A exceção é o marketing, que pediu o kit de evento em cerca de 1 hora e registrou 1h10. Eu gosto mais desse caso do que dos doze que bateram tudo. A diferença só aparece porque o marketing escreveu como mediu. Sem os 3 eventos cronometrados, 1h10 e 1 hora virariam a mesma coisa num relato.
O caso de serviços mostra o risco oposto. A meta estimava R$ 12 mil por ano de retrabalho de busca, e a saída registra o mesmo valor como eliminado. Quando o ganho repete a estimativa sem diferença nenhuma, vale perguntar se alguém mediu de novo. O marketing previu R$ 9 mil e registrou R$ 9,1 mil.
Fotos do mesmo ângulo e com número de registro
A quinta seção do radar 5S pede local e ângulo de cada foto, com o número da foto de antes e o da foto de depois. A dica reforça o pedido. Fotografia vale mais que adjetivo, desde que seja do mesmo ângulo e tenha número para ser achada depois.
Nenhum dos 13 casos numera uma foto. Três contam as fotos da auditoria de entrada: 31 na produção, 28 na saúde e 26 em serviços. Três dão as datas das fotos do Seiri: 09 e 20/mar no farmacêutico, 02 e 13/mar na hotelaria, 02 e 20/mar na produção. Os demais falam em fotos datadas, fotos no mural ou foto-padrão.
Nos PDFs dos exemplos, a coluna do número leva a nota “sem número de registro”. Não inventei número para completar a folha. O conselho prático é numerar a foto na hora de tirar, com o endereço do local no nome do arquivo. E marcar no piso o ponto de onde ela foi tirada, para a foto de depois sair do mesmo lugar.
A mesma regra vale para projetos de melhoria fora do 5S. A verificação antes e depois de um projeto usa a foto pelo mesmo motivo, que é provar que a mudança aconteceu no lugar certo.
Como preencher o radar 5S passo a passo
O radar 5S cabe em uma página. Os passos abaixo seguem a ordem das seções da R12.
- Preencha o cabeçalho. Área piloto, período do programa e responsável. O período vai da auditoria de entrada até a de saída.
- Copie as notas das duas auditorias. Entrada e saída, senso a senso, e a nota geral, que é a média dos cinco. As duas vêm da mesma régua do R11.
- Calcule a variação. Saída menos entrada, em pontos percentuais. Um Seiton que vai de 20% para 85% tem variação de 65 p.p.
- Desenhe o radar 5S. Entrada em linha tracejada e saída em linha cheia, as duas no eixo de 20% a 100%. Não mude a escala para a entrada caber melhor.
- Registre os ganhos. Cada linha com o ganho, o jeito como foi medido e o valor. Vale tempo, espaço, segurança, qualidade e dinheiro.
- Compare com a meta. A nota e cada ganho-alvo do planejamento, com o atingido ao lado e uma conclusão curta.
- Numere as fotos. Local, ângulo, número da foto de antes e número da de depois.
- Escreva as lacunas. O senso com nota mais baixa, o que falta e a ação, com responsável e prazo.
Baixe a R12 em branco e preencha junto com a leitura dos passos.
O passo que mais fica pela metade é o dos ganhos. Nos 13 exemplos, a coluna do método leva o texto da fonte ou a nota “não registrado no plano-mestre”. Nenhum método foi inventado para fechar a folha.
13 exemplos de radar 5S, com PDF para baixar
Cada caso abaixo lê um radar 5S por um ângulo: a forma do polígono, o método dos ganhos, as fotos ou a lacuna. A miniatura amplia a folha sem sair do artigo. Para guardar o PDF, use o botão vermelho; para fechar, a tecla Esc. Os casos são ilustrativos: a gente montou cada um com os números dos 13 casos do Kit.
1. Alimentício: o Shitsuke no fundo e a série que não caiu
Por lidar com alimento, a área pôs a meta acima do padrão da empresa, em 88%. O radar 5S de saída chegou a 91% em 18/mai. O polígono cresceu sem mudar de forma, com 10 pontos de amplitude na entrada e 10 na saída.
O fundo da saída é o Shitsuke, com 85%, marcado como quase. É o desenho que a dica do especialista trata como alerta. Os meses seguintes não confirmaram o alerta: 90% em junho, 92% em julho e 90% em agosto.
Na seção de ganhos, dois trazem o método. O zero insumo vencido vale para toda verificação desde 20/mar. As mais de 3h por semana foram contadas sobre cerca de 40 lotes semanais. As não conformidades, de 9 para 1 por mês, e a pesagem, de 12 para 7 min por lote, vêm sem método.
O mapa de endereços do Seiton vem com fotos datadas, nenhuma numerada. O campo de lacunas fica vazio no plano. No PDF, ele traz o Shitsuke como senso mais baixo e a nota “nenhuma registrada”.
2. Farmacêutico: a meta que já nasceu com método
O armazém farmacêutico é o caso em que a meta já trazia o jeito de medir. O planejamento pedia FEFO 100% conforme na amostragem semanal. A saída responde no mesmo formato, com 100% em 8 verificações semanais seguidas.
O polígono de entrada tinha Seiri e Seiton em 30%. Os dois foram a 95%, os maiores saltos do caso. A nota geral passou de 37% para 92% em 26/jun, acima da meta de 90%.
O Shitsuke ficou sozinho no fundo, com 85%, e o plano o marca como quase. Depois do projeto, o armazém registrou 91% em julho e 93% em agosto. Nele, como nos outros três casos com esse desenho, a previsão da dica não se cumpriu.
Os desvios de rastreabilidade, 6 por trimestre, foram zerados, e o inventário caiu de 6h para 2h30. Os registros do Seiri têm data, 09 e 20/mar, mas não número. E o plano não aponta lacuna nenhuma.
3. Financeiro: a lacuna que mora na rede
No arquivo financeiro, o senso mais baixo da saída é o Seiso, com 80%, contra a meta de 82%. É a lacuna que o plano registra: o Seiso digital, com ação em julho. A limpeza aqui inclui a rede, e não só as estantes.
A nota geral foi de 42% para 87% em 26/jun, 4 dias antes do prazo. Antes da saída, o próprio time fez duas autoauditorias, com 78% em maio e 87% em junho. A nota oficial coincide com a última delas.
O documento passou a ser achado em 1,5 min, contra 9 antes. O fechamento de junho encurtou 1 dia útil, e 40% da sala de arquivo foi liberada. O retrabalho de contrato zerou no trimestre, o único ganho do caso com período declarado. Os cerca de R$ 14 mil por ano em horas recuperadas não dizem como foram calculados.
Numa área de papel e rede, a foto muda de natureza. O plano guarda o padrão visual de cada estante, fotografado, e um print da árvore de pastas. Nenhum dos dois tem número de registro.
4. Hotelaria: o polígono mais redondo da série
Os cinco sensos da rouparia do hotel terminaram entre 85% e 90%, uma amplitude de 5 pontos. Nenhum outro dos 13 polígonos fecha tão redondo. Na entrada, iam de 25% a 40%.
A medida de entrada teve método: cronometragem de 1 semana, com 25 min por carro de andar. A de saída diz só o resultado, 11 min, e o ganho de cerca de 1h38 por dia. A conta fecha com os 7 carros, porque 14 minutos a menos em cada um dão 1h38. Eu perguntaria à rouparia se a segunda medida repetiu a semana de cronômetro.
O extravio mensal foi a 17 peças, contra 45, uma queda de 62%, e 2 armários foram liberados para amenities. A nota geral foi de 35% para 88% em 12/jun, 3 dias antes do prazo. Depois, marcou 87% em julho e 89% em agosto.
O mural guarda as imagens do Seiri, datadas de 02 e 13/mar, sem número. Seiso e Shitsuke empatam no fundo, com 85%, e nenhum dos dois ficou abaixo da meta. Para esse empate no fundo, a folha não registra lacuna.
5. Logística: o ganho que vem com a conta
Na doca de expedição, o Seiton começou em 20% e o Shitsuke em 45%, o mais alto. A amplitude de 25 pontos empata com a da produção como a maior da série. Na saída, caiu para 10.
Aqui o método vem como conta. O carregamento foi de 42 para 31 min por veículo. A folha multiplica os 11 minutos por cerca de 18 veículos e chega a quase 3h20 de doca por dia.
A avaria passou de 2,8% para 1,1% dos volumes, abaixo do alvo de 1,5%. Desde 15/jun, nada obstrui o corredor de emergência. Os ressarcimentos evitados, cerca de R$ 7 mil por mês, chegam só como total, sem a conta que os minutos tiveram.
O Seiso saiu no limite, com 80%, e o plano não escreve lacuna. Depois do projeto, a doca marcou 85% em julho, 84% em agosto e 86% em setembro.
As fotos datadas ficam no mural, sem número de registro. Deste radar 5S, eu recomendo copiar a conta dos minutos, feita à vista de quem lê.
6. Manutenção: a única queda abaixo da meta
Pior nota da empresa na entrada, com 30%, a oficina de manutenção saiu com 84% em 22/jun. Num mês depois do projeto, ficou abaixo da própria meta, o que nenhuma outra área fez.
A série registra 84% em junho, 81% em julho e 79% em agosto, contra a meta de 80%. Em setembro, voltou a 86%. O plano anota a parada geral como causa da queda.
No radar de saída, Seiso e Shitsuke estavam empatados no fundo, os dois em 80% e no limite. Não é o desenho da dica, que fala do Shitsuke sozinho. A queda veio de um evento da fábrica, que a folha de saída não tinha como prever.
A busca de ferramenta caiu de 18 para 4 min, sem dizer como foi medida. As mais de 2h por dia devolvidas à equipe têm base declarada, os cerca de 10 atendimentos diários. As compras duplicadas estão zeradas desde maio, cerca de R$ 21 mil por ano.
Dois sensos saíram no limite, e a folha deixou os dois fora das lacunas. As fotos têm data, mas nenhum número.
7. Manutenção de elevadores: duas lacunas na linha da meta
A base de manutenção de elevadores tem o maior salto de um senso na série. O Seiton foi de 20% para 90%, 70 pontos, com o mesmo kit padrão nas 12 vans.
Os chamados com retorno por falta de peça eram 14% e ficaram em 5%. A folha diz o período da medida, o bimestre de junho e julho, mas não quantos chamados entraram na conta. O atendimento médio foi de 96 para 74 min, 22 a menos, acima dos 15 que a meta pedia.
É o caso que escreve duas lacunas: Seiso e Shitsuke, ambos em 80%, com plano em agosto. Os dois estão exatamente na meta e mesmo assim entraram na folha. Três áreas com senso abaixo da meta deixaram esse campo vazio.
A autoauditoria de julho deu 85%, a mesma nota da auditoria de 28/jul, e agosto veio com 83%. Os módulos das vans aparecem fotografados como evidência, mas nenhuma imagem é numerada.
8. Marketing: o ganho que ficou curto e o método que mostrou
O almoxarifado de marketing é o único dos 13 que não entregou um ganho prometido. O kit de evento devia sair em cerca de 1 h. A saída registrou 1h10, depois das 3 h do começo.
O que torna esse número útil é o método ao lado dele, a média de 3 eventos cronometrados. Sem ele, a diferença de 10 minutos sumiria num relato de sucesso. Com ele, a próxima medida já tem com o que se comparar.
A reimpressão por material perdido está zerada desde maio. A meta estimava R$ 9 mil por ano, e a saída registra R$ 9,1 mil. O valor mudou entre a estimativa e o registro, sinal de que alguém refez a conta. O estúdio voltou a operar sem aluguel externo.
A nota geral foi de 39% para 86% em 10/jul, com autoauditorias de 79% em junho e 86% em julho. Em agosto, a área marcou 87%.
O Seiso ficou sozinho no fundo, com 80%, e virou a lacuna do plano: a arrumação depois das gravações.
9. Produção: a disciplina que já entrou alta
Entre as 13 entradas, a maior nota de disciplina é a da preparação de ferramentas: o Shitsuke começou em 50%. Subiu só 35 pontos, até 85%. Os outros quatro sensos do caso subiram mais.
Das três áreas que contam fotos na entrada, esta tem mais: 31, todas datadas. As do Seiri têm data, 02 e 20/mar. Nenhuma tem número, e o plano não diz de que ponto foram tiradas.
A busca por operador caiu para 5 min diários, contra 22 antes, e o plano converte isso em cerca de R$ 26 mil anuais. Foram liberados 9 m², acima dos 8 da meta, e não há ferramenta danificada em uso desde 15/mai. Nenhum desses ganhos traz o método de medição.
Antes da saída, quatro autoauditorias de junho variaram de 71% a 83%. A oficial, em 26/jun, deu 89%. Seis pontos separam a melhor autoauditoria dessa nota: as duas usaram a mesma régua? Como lacuna, o plano aponta o Seiso da afiadora, onde o cavaco fino pede uma vedação extra até 15/jul.
10. Produção de elevadores: o radar que saiu mais torto
A montagem de elevadores é a exceção da forma. Entrou com amplitude de 10 pontos e saiu com 15, com Seiri em 95% e Shitsuke em 80%. É o único radar 5S da série que termina mais torto do que começou.
A folha fez o que a dica pede. O Shitsuke de 80%, quase na meta de 85%, virou lacuna com endereço, o 3º turno, tratado em julho. Em julho a área marcou 86%, e em agosto, 89%.
O setup caiu de 34 para 19 min, com método declarado, a média de 12 trocas. Eu considero este o ganho mais bem medido dos 13. A peça errada na montagem foi de 14 para 4 por mês, 71% a menos, acima dos dois terços prometidos.
O plano lista fotos datadas e imagens dos carrinhos de setup, nenhuma numerada. Nas autoauditorias dos turnos, maio deu 76% e junho, 88%, número idêntico ao da saída de 25/jun.
11. Saúde: a disciplina fora do fundo
No posto de enfermagem, o Shitsuke saiu com 90%, empatado com o Seiton e o Seiketsu. É um dos cinco radares em que a disciplina fica fora do fundo, e o único em que ela chega a 90%.
O fundo é o Seiso, com 85%, no limite. A lacuna é específica: a limpeza das gavetas de baixo durante a noite, tratada com a redistribuição do rodízio até 15/mai.
A busca de material em urgência foi medida numa simulação cronometrada, de 4,5 para 1 min. A dupla checagem de validade está em 100% desde março. Os itens vencidos no posto, 32 na entrada, chegaram a zero.
A entrada tem 28 fotos datadas, e o Seiso guarda fotos gaveta a gaveta. Nenhuma tem número, embora a foto-padrão na face interna de cada gaveta seja um bom começo de registro fixo.
A ala sustentou o nível depois da auditoria de saída: junho fechou em 87% e julho, em 89%.
12. Serviços: o valor que repete a estimativa
Na central de atendimento, o ganho em dinheiro repete a estimativa. A meta falava em fim do retrabalho de busca, R$ 12 mil por ano. A saída registra exatamente R$ 12 mil por ano eliminados.
Um valor igual nas duas pontas pode estar certo. Mas a folha não diz se alguém mediu de novo, e é isso que o radar 5S pede na coluna do método. No PDF, essa linha leva a nota “não registrado no plano-mestre”. Se esta folha subisse na volta das metas da MRS, eu começaria a conversa por essa linha.
Os outros ganhos são tempos. O posto fica pronto em 4 min, contra 15, e o documento é achado em menos de 1 min, contra 12. Foram 2 armários liberados e 3,1 mil arquivos digitais com destino registrado.
São 26 fotos datadas na entrada. Depois do projeto, a operação marcou 83% em junho, 85% em julho e 84% em agosto.
Com o Seiso em 80%, no limite, a lacuna ficou nas ilhas longe da copa, que ganham lixeiras extras até 29/mai.
13. Sustentabilidade: a saída mais baixa e a meta mais baixa
Com 82%, a central de resíduos tem a nota de saída mais baixa da série, e também a menor meta, 78%. O Shitsuke terminou em 75%, o senso mais baixo de todas as 13 saídas.
A central completa os quatro casos em que o Shitsuke termina sozinho no último lugar. Em agosto, a nota ficou em 80%, 2 pontos abaixo da saída e ainda acima da meta.
A segregação correta foi de 54% para 93%. A entrada e a meta dizem como medir, por amostragem semanal. A saída não repete o método, embora o índice continue no quadro toda sexta.
A destinação ficou R$ 3,2 mil mais barata por mês, acima dos R$ 2,5 mil da meta, e as 14 caçambas sem manifesto foram regularizadas. Mapa das baias e fotos datadas seguem sem número. O Shitsuke saiu marcado como quase, e mesmo assim a folha não traz lacuna.
Erros comuns ao preencher o radar 5S
- Trocar a régua entre entrada e saída. Se a saída usa um checklist mais curto, a variação mede a troca de régua, e não o programa.
- Ajustar a escala do gráfico. Um eixo que começa em 30% faz qualquer entrada parecer pior. O radar 5S fixa o eixo de 20% a 100% por isso.
- Registrar ganho sem método. Um tempo que caiu é um número. A média de 12 trocas cronometradas, anotada numa folha de verificação, é o que torna esse número confiável.
- Repetir a estimativa como resultado. Se o valor da saída é igual ao do planejamento, confira se alguém mediu de novo.
- Fotografar de outro ângulo. Antes e depois tirados de pontos diferentes não provam nada. Marque no piso o lugar da câmera.
- Deixar a lacuna vazia. Três dos 13 casos têm senso marcado como quase e não escrevem lacuna. O campo existe exatamente para isso, como registro de lições aprendidas da área.
- Tratar a saída como fim. A nota de saída retrata um dia. As auditorias dos meses seguintes mostram se ela se sustenta. Um kamishibai na área mantém essa checagem curta e frequente.
Ferramentas que andam com o radar 5S
O radar 5S fecha a etapa de análise. Antes dele vêm o diagnóstico inicial da área, que dá a nota de entrada, e o cartão vermelho, que registra a triagem do Seiri. O Plano Mestre 5S guarda a meta e os ganhos-alvo que o radar compara.
Depois dele vem a gestão à vista, onde o radar 5S de saída costuma ficar exposto na área. O programa 5S explica os cinco sensos, e a implantação do programa 5S mostra a sequência inteira. Para quem vai ao gemba conferir a área, o radar serve de roteiro: comece pelo senso mais baixo.
No glossário do Lean Enterprise Institute, o 5S aparece ligado ao controle visual. O radar 5S é o controle visual do próprio programa. A diferença entre 5S e Lean ajuda a ver onde ele se encaixa. Se o 5S faz parte de um esforço maior de melhoria contínua, a lacuna da saída vira o primeiro item do ciclo seguinte do PDCA.
Modelo de radar 5S em branco para imprimir
Abaixo está a R12 vazia, a mesma folha do radar 5S que aparece nos 13 exemplos. No Kit de Ferramentas 5S, ela vem logo depois da auditoria.
No alto, área piloto, período e responsável. Logo abaixo, o comparativo dos cinco sensos com a variação e o radar de 20% a 100%. Na sequência, os ganhos com método, a meta ao lado do atingido, as fotos de antes e depois e as lacunas com ação. No rodapé ficam os quatro passos de preenchimento e a dica impressa.
Abrir e baixar o radar 5S em branco
A gente sugere imprimir duas cópias, uma para a pasta do programa e outra para o quadro da área. Na do quadro, deixe as lacunas escritas a lápis, porque elas mudam a cada auditoria.
Se o 5S vai passar por várias áreas, quem conduz pode se formar numa das trilhas com certificado da Academia de Certificação da Voitto.
