Case Master Black Belt em lingotamento contínuo: OEE de três máquinas pelo DMAIC
Um projeto Master Black Belt numa aciaria, fase a fase: a decomposição do OEE, o Cpk de 0,02 na produção, a carta I-MR que manteve o mês ruim na amostra, a Weibull com Monte Carlo e os termopares do molde.
O lingotamento contínuo é a etapa da aciaria em que o aço líquido vira placa sólida. Quando a máquina para, a usina inteira sente: a panela espera, o refino atrasa e a laminação fica sem material.
Na Voitto Steel, três máquinas de lingotamento contínuo tinham OEE de 33,24%, 39,36% e 54,95% em 2011. A faixa considerada aceitável pela própria usina começava em 60%. O controle de nível de aço no molde oscilava e as falhas de manutenção interrompiam séries.
O projeto seguiu as cinco fases do DMAIC entre setembro de 2011 e dezembro de 2012. Decompôs o OEE, priorizou mais de 60 causas, testou normalidade, mediu capabilidade, usou carta I-MR e simulação de Monte Carlo, e terminou com 17 ações e um plano de manutenção dos termopares do molde.
Na MLC 1, o OEE subiu de 33,24% para 37,61%, acima da meta de 36,56%. A recusa por forma, aspecto e ultrassom caiu para 0,84%, contra meta de 2,12%. A tarefa de injetar silicone nos conectores dos termopares passou de 4 horas para 15 minutos.
Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto do processo e os exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.
O molde de cobre, o nível de aço e o que se perde quando a pele rompe
A aciaria transforma gusa líquido em aço e entrega placas para a laminação. O lingotamento contínuo é a etapa em que o aço líquido vira sólido. A panela despeja o aço num distribuidor, e dali ele desce para um molde de cobre resfriado a água.
No molde se forma a pele, uma casca fina de aço sólido que ainda guarda o miolo líquido. A placa sai por baixo puxada por rolos extratores, recebe jatos de água no resfriamento secundário e é cortada no comprimento pedido. Cada máquina pode ter mais de um veio, ou seja, mais de uma linha de placa saindo ao mesmo tempo.
O nível de aço dentro do molde precisa ficar quase parado. Quem regula é um tampão que abre e fecha a passagem do distribuidor. Se o nível oscila, a escória e o pó fluxante entram na pele, e a placa sai com defeito superficial ou interno.
O pior desfecho é o rompimento de pele: a casca cede, o aço vaza abaixo do molde e a série é interrompida. Para prever esse evento, o molde tem termopares embutidos nas placas de cobre que alimentam um sistema de detecção, chamado na usina de MSD.
Na Voitto Steel, três máquinas de lingotamento contínuo, MLC 1, MLC 2 e MLC 4, conviviam com instabilidade no controle de nível, falhas de manutenção e recusa de placas. O projeto descrito aqui atacou as três ao mesmo tempo.
Três máquinas e um charter medido em OEE
O indicador escolhido para resumir o problema foi o OEE, a eficiência global do equipamento. Ele multiplica três fatores: tempo operacional, desempenho e qualidade do produto aprovado. Uma máquina que para muito, anda devagar ou gera placa recusada perde OEE pelos três lados.
O ponto de partida era 2011. A MLC 1 fechou o ano com OEE de 33,24%, a MLC 2 com 39,36% e a MLC 4 com 54,95%. A faixa considerada aceitável pela própria usina era OEE acima de 60%.
| Campo | Conteúdo |
|---|---|
| Empresa | Voitto Steel, aciaria |
| Problema | OEE de 33,24%, 39,36% e 54,95% nas MLC 1, 2 e 4 em 2011 |
| Causas suspeitas | Variabilidade no controle de nível do molde e falhas de manutenção e operação |
| Meta | Mais 10% de OEE nas MLC 1 e 2 e mais 30% na MLC 4 |
| Escopo | MLC 1, 2 e 4, sistemas de medição e controle, planos de manutenção e procedimentos |
| Prazo | Setembro de 2011 a dezembro de 2012 |
| Ganho mensurável | OEE da MLC 1 de 33,24% para 37,61% no primeiro semestre de 2012 |
| Ganho intangível | Melhor qualidade superficial e interna da placa |
O caso foi conduzido como projeto da formação Master Black Belt.
A meta multiplicada por 1,10 e 1,30 e a conferência que corrige uma linha
A meta foi escrita como aumento relativo, não absoluto. Para as MLC 1 e 2, o OEE de 2011 multiplicado por 1,10. Para a MLC 4, multiplicado por 1,30, porque era a máquina mais nova e com mais espaço de ganho em produtividade.
| Máquina | OEE 2011 | Fator | Meta calculada | Valor na apresentação |
|---|---|---|---|---|
| MLC 1 | 33,24% | 1,10 | 36,56% | 36,60% |
| MLC 2 | 39,36% | 1,10 | 43,30% | 43,30% |
| MLC 4 | 54,95% | 1,30 | 71,44% | 71,43% |
A conferência das contas vale a pena. Na apresentação, a linha da MLC 2 aparece como 36,36 vezes 1,10 igual a 43,30. O resultado 43,30 só fecha com 39,36, o valor real de 2011. O 36,36 é erro de digitação no slide, e a meta correta continua sendo 43,30%.
O escopo também foi recortado com cuidado. Ficaram de fora a MLC 3 e as falhas de convertedores, fornos panela, estações de refino secundário, desgaseificadores a vácuo e dessulfuração de gusa. Eles afetam as máquinas, mas têm donos próprios.
SIPOC de manutenção e o mapa das doze rotas até o molde
O SIPOC do projeto não descreveu a fabricação do aço. Descreveu o processo de manutenção que mantém as máquinas rodando, porque era ali que estavam as falhas de disponibilidade.
| Bloco | Conteúdo |
|---|---|
| Fornecedores | Gestão de mão de obra, oficina central e de área, suporte técnico, suprimentos |
| Insumos | Mão de obra, ferramentas de teste, requisições aprovadas, registros, área de sobressalentes |
| Processo | Inspeção, reposição, manutenção, avaliação de estoque, testes programados, avaliação de eficiência |
| Produto | Produção de placas com custo e processos otimizados |
| Cliente | A própria usina da Voitto Steel |
Já na fase Medir, a equipe desenhou o mapa do caminho que uma corrida percorre até a máquina. O pedido sai do planejamento, passa pelos convertedores AC 1 ou AC 2 e segue para refino em forno panela, desgaseificador ou estação de ajuste de composição.
O mapa marcou doze pontos numerados. Cada ponto é um lugar onde a corrida pode atrasar e deixar a máquina esperando panela. Por isso muitos X's falam de aguardar panela por falha em outro equipamento.
As curvas do supervisório: tampão abrindo sem parar para segurar o nível
Antes de qualquer estatística, a equipe mostrou as telas de tendência das máquinas. Cada tela traz o nível do molde, a posição do tampão, a oscilação do molde, a velocidade de lingotamento e o setpoint de nível.
Na MLC 1, o nível aparece estável em torno de 72 mm abaixo do topo, mas a posição do tampão serrilha o tempo todo. Nas MLC 2 e 4, as curvas mostram quedas bruscas de nível e de velocidade, típicas de interrupção ou de troca de modo de controle.
A leitura é direta. Quando o tampão precisa abrir e fechar sem descanso para segurar o nível, ou o fluxo está obstruído, ou a medição de nível mente, ou a malha de controle está mal ajustada. As três hipóteses viraram X's no Ishikawa.
52,87% vezes 67,39% vezes 92,17%: a decomposição do OEE da MLC 1
Um OEE baixo não diz o que atacar. A equipe abriu o indicador da MLC 1 mês a mês de 2011 nos três fatores, cada um com sua meta interna.
| Fator | Média 2011 | Meta interna | Distância |
|---|---|---|---|
| Tempo operacional (capacidade) | 52,87% | Acima de 90% | 37,13 pontos |
| Desempenho operacional (produtividade) | 67,39% | Acima de 95% | 27,61 pontos |
| Produtos aprovados (qualidade) | 92,17% | Acima de 99% | 6,83 pontos |
| OEE | 32,84% | - | - |
A tabela mostra onde está o dinheiro. A qualidade estava a menos de sete pontos da meta. O tempo operacional estava a mais de 37. A maior parte do OEE perdido era máquina parada, não placa recusada.
Há um detalhe de cálculo que confunde muita gente. O produto das três médias dá 32,84%. A média dos doze OEEs mensais dá 33,25%, perto dos 33,24% do charter. As duas contas são legítimas, mas não são iguais, e o projeto precisa declarar qual usa.
Exemplo ilustrativo, para dar escala: uma máquina com 90% de tempo, 95% de desempenho e 99% de qualidade tem OEE de 84,6%. É por isso que a referência de classe mundial no gráfico do projeto é 85%.
Mais de 60 X's no Ishikawa e a matriz que decidiu por onde começar
O Ishikawa da MLC 1 teve como efeito a baixa eficiência da máquina. Nas seis espinhas entraram mais de 60 causas potenciais codificadas, de X2.0 a X12.0 e de X11.0 a X11.60.
Exemplos: pó fluxante de baixa qualidade, falha de projeto dos rolamentos dos rolos de extração, alarmes falsos dos termopares e séries pequenas.
Com tantas causas, alguém precisa ordenar. A matriz de causa e efeito pontuou cada X contra três saídas: tempo operacional, desempenho e produtos aprovados. A correlação forte valia 10, 9 ou 8; a média, 7, 6 ou 5; a fraca, 4, 3, 2 ou 1.
Depois veio a matriz de impacto e esforço, que cruza o efeito do X sobre o Y com o trabalho para atuar nele.
| Quadrante | X's classificados | Decisão |
|---|---|---|
| Alto impacto, baixo esforço | X11.2, X11.3, X11.4, X2.2, X3.0, X11.5, X5.0, X9.0, X8.1, X12.0 e outros | Atacar primeiro |
| Alto impacto, alto esforço | X11.0, X11.1, X2.0, X2.1, X5.1, X5.2, X8.0, X11.6, X11.7 e outros | Planejar com prazo maior |
| Baixo impacto, alto esforço | X11.24 | Descartar por ora |
| Baixo impacto, baixo esforço | X11.13, X11.14, X11.21, X11.25 e outros | Resolver na rotina |
O Pareto das causas de medição e o desnivelamento da base do molde
Um recorte do Ishikawa ganhou tratamento próprio: as causas ligadas a medição. Num projeto que suspeita do controle de nível, saber se o instrumento mede certo vem antes de culpar o processo.
| X | Descrição | Pontos na matriz | Percentual | Acumulado |
|---|---|---|---|---|
| X11.39 | Desnivelamento da base do molde | 360 | 25,4% | 25,4% |
| X11.15 | Alarmes falsos por cabos de extensão dos termopares no fim da vida útil | 280 | 19,7% | 45,1% |
| X11.59 | Medição incorreta das placas no corte primário | 280 | 19,7% | 64,8% |
| X11.17 | Redução de velocidade e baixa confiabilidade na medição e controle | 260 | 18,3% | 83,1% |
| X11.16 | Deficiência no registro dos testes da remota do MSD | 240 | 16,9% | 100,0% |
A soma dos pontos é 1.420, e o primeiro X responde por 360 deles. O Pareto aqui é plano: nenhuma causa concentra a maioria. Três delas somam 64,8%.
Vale notar o que o projeto não fez: um estudo formal de MSA no medidor de nível. A priorização apontou problemas de medição, mas a apresentação não traz Gage R&R. Para quem replica o case, essa é uma lacuna a fechar.
Produção de placas de 2009 a 2011 não é normal, e 2011 isolado é
A equipe levantou a produção mensal realizada da MLC 1 de 2009 a 2011, 36 meses, com média de 86.331 e desvio padrão de 13.245. O teste de normalidade de Anderson-Darling deu AD de 1,213 e valor-p abaixo de 0,005.
Valor-p abaixo de 0,05 rejeita a hipótese de normalidade. O histograma mostra o motivo: uma cauda esquerda longa, com mínimo de 51.269, puxada por meses de produção muito baixa. A série misturava três anos com contextos de operação diferentes.
Isolando 2011, com 12 meses, a média sobe para 90.773 e o desvio cai para 11.054. O AD vai a 0,199 e o valor-p a 0,849. Agora não há evidência contra a normalidade, e a análise de capabilidade pode usar o modelo normal.
Antes de escolher um teste de hipótese ou um modelo, é preciso saber se a amostra representa um único processo. Juntar períodos com regras diferentes produz uma distribuição que não existe em nenhum deles.
Cpk de 0,02: a produção mensal da MLC 1 encostada no limite inferior
Com 2011 aceito como normal, a equipe rodou a capabilidade da produção realizada. O limite inferior foi 90.000 por mês e o superior 125.000. A média ficou em 90.772,6, apenas 772,6 acima do limite inferior.
| Indicador | Valor | Leitura |
|---|---|---|
| Desvio dentro dos subgrupos | 12.113,3 | Variação de curto prazo |
| Desvio global | 11.054,3 | Variação do ano |
| Z até o limite inferior | 0,06 | 772,6 dividido por 12.113,3 |
| Cpk | 0,02 | 772,6 dividido por 3 vezes 12.113,3 |
| Ppk | 0,02 | 772,6 dividido por 3 vezes 11.054,3 |
| PPM observado abaixo do limite | 416.666,67 | 5 dos 12 meses |
| PPM esperado global | 473.120,54 | Pelo modelo normal |
Cpk perto de zero significa que a média está praticamente em cima do limite. Metade da distribuição cai do lado errado. O dado observado confirma: 5 dos 12 meses de 2011 ficaram abaixo de 90.000, o que dá 416.667 partes por milhão.
Esse resultado muda a natureza do problema. Não se trata de reduzir a variação em torno de um alvo bom, mas de deslocar a média para cima. E a média só sobe com mais horas de máquina rodando, o que leva de volta ao tempo operacional de 52,87%.
Ultrassom e TE: a estratificação por veio que concentrou a recusa
Para a qualidade, a equipe comparou primeiro as três máquinas. O box plot da recusa por forma, aspecto e ultrassom de 2009 a 2011 mostra a MLC 1 com a maior média, perto de 3%, a MLC 2 no meio e a MLC 4 com a menor, perto de 1,3%. São leituras aproximadas do gráfico.
Depois, a estratificação separou os defeitos da MLC 1 por veio, com dados de 2009. Veio é cada linha de placa da máquina, e dois veios da mesma máquina podem se comportar de forma diferente.
| Defeito | Veio 1 (%) | Participação veio 1 | Veio 2 (%) | Participação veio 2 |
|---|---|---|---|---|
| UST, recusa por ultrassom | 11,00 | 45,9% | 16,20 | 51,7% |
| TE | 4,01 | 16,7% | 6,94 | 22,1% |
| OU | 4,40 | 18,4% | 3,17 | 10,1% |
| CE | 2,19 | 9,1% | 1,66 | 5,3% |
| TQ, TC e outros | 2,37 | 9,9% | 3,37 | 10,7% |
| Total | 23,97 | 100% | 31,34 | 100% |
O ultrassom detecta defeito interno, como inclusão ou trinca no miolo da placa. Ele lidera nos dois veios, e o veio 2 tem recusa total maior. No veio 2, UST e TE somam 73,8% dos defeitos. Por isso a conclusão da fase foi que os defeitos relevantes são UST e TE.
Outubro de 2010 na carta I-MR: o ponto que parecia outlier e não era
Na fase Analisar, o Y foi desdobrado em três por máquina: programado contra realizado em tempo, qualidade em toneladas e eficiência em percentual. Para a MLC 1, a análise começou pelo tempo operacional, de 2010 a novembro de 2011.
O gráfico de produção mostrou uma queda forte em outubro de 2010. A investigação achou 168 horas de máquina parada naquele mês, somando espera de panela, falhas, queda de energia, rompimento de pele, falta de programação e parada programada. A apresentação registra isso como 21% do tempo calendário.
Conferindo: outubro tem 31 dias, ou 744 horas, e 168 horas são 22,6% disso. A diferença indica que a base usada no slide foi outra. O número das horas é o que importa para a análise.
A pergunta era se outubro devia sair da amostra. A equipe usou a carta de controle I-MR como critério. A média do tempo operacional ficou em 53,07%, com limites de 33,37% e 72,78%. A amplitude móvel média foi 7,41%, com limite superior de 24,21%.
Nenhum ponto saiu dos limites. O mês ruim estava dentro da variação que o próprio processo produz, e por isso não foi descartado.
Weibull de três parâmetros e Monte Carlo com 23 meses de dado
Com 23 observações de tempo operacional, a amostra era curta para estimar a cauda da distribuição. A média era 0,5307, o desvio 0,0645 e o teste de Anderson-Darling deu valor-p abaixo de 0,005, ou seja, dado não normal.
A equipe comparou distribuições pelo coeficiente de correlação do gráfico de probabilidade. Quanto mais perto de 1, melhor o ajuste.
| Distribuição | Coeficiente de correlação |
|---|---|
| Menor valor extremo | 0,971 |
| Weibull | 0,954 |
| Logística | 0,931 |
| Normal | 0,925 |
| Log-logística | 0,901 |
| Lognormal | 0,893 |
A escolha final foi a Weibull de três parâmetros, com forma 3,906, escala 0,251 e limiar 0,305. Ela acomoda a assimetria à esquerda e tem um piso, o que faz sentido para tempo operacional.
Com esse modelo, a simulação de Monte Carlo gerou 1.000 valores. A média simulada foi 0,5324 contra 0,5307 real, 0,3% de diferença. O desvio simulado foi 0,0633 contra 0,0645, menos 1,8%. O modelo reproduziu bem o dado e se manteve estável ao longo da série.
Usando 0,5771 como limite inferior, valor que o time associou ao terceiro quartil, 74,74% dos valores simulados ficaram abaixo. O Z do desempenho global foi menos 0,67. Somando o deslocamento convencional de 1,5, o nível sigma ficou em 0,83.
Dezessete ações em seis meses, do rolamento do rolo extrator ao pedido pequeno
O plano de ação teve 17 linhas, cada uma amarrada a um X, um fator do OEE, um responsável e uma área. Quase todas miravam produtividade, porque era ali que a decomposição tinha mostrado a maior perda.
| X | Problema | Ação | Status |
|---|---|---|---|
| X11.0 | Falha de projeto dos rolamentos dos rolos de extração | Rolamento novo, teste e troca por segmento | Em andamento |
| X11.1 | Falha no dispositivo da válvula gaveta | Troca por cilindro fixo na torre giratória | Concluída |
| X11.2 | Falha nos encoders dos rolos | Plano periódico de troca dos encoders | Concluída |
| X11.3 | Lentidão na extração da placa | Nova curva de extração | Concluída |
| X11.4 | Estouro de topo | Novo procedimento operacional | Concluída |
| X2.0, X2.1, X2.2 | Séries pequenas e pedidos de baixo volume | Reunião semanal entre aciaria, PCP e vendas | Concluída |
| X11.5 | Padrões operacionais desatualizados | Treinamento e revisão dos padrões | Concluída |
| X5.0, X9.0, X8.1, X12.0 | Espera de panela por falha de instrumentação | Planos de inspeção atualizados e análise de falhas | Concluída |
| X5.1, X5.2, X8.0 | Espera de panela por falha elétrica, mecânica ou de transporte | Análise das falhas e soluções nos equipamentos | Concluída |
Três ações atacaram o planejamento, não a máquina. Séries pequenas obrigam a máquina a parar e reiniciar com mais frequência. A resposta foi juntar aciaria, planejamento e vendas para formar séries maiores.
As linhas de espera por panela mostram por que o mapa de processo foi útil. A falha estava no forno panela ou no desgaseificador, mas o tempo perdido aparecia no OEE da máquina de lingotamento. As ações seguiram a lógica da manutenção produtiva total, com inspeção, plano e análise de falha.
Mola, silicone e um injetor que levou a tarefa de 4 horas para 15 minutos
O sistema de detecção de rompimento depende dos termopares no cobre do molde. Se o cabo quebra ou o conector oxida, o sistema dá alarme falso ou deixa de ver o evento real. Os dois erros custam caro: um para a máquina sem motivo, o outro deixa a pele romper.
A primeira melhoria tratou a quebra dos cabos na saída da placa de cobre. Não havia proteção nesse ponto. A equipe instalou uma mola de amortecimento, o que reduziu rompimentos, emendas e custo de manutenção do molde.
A segunda tratou a umidade. O plugue dos termopares era montado sem proteção, e a umidade oxidava os pinos e causava mau contato. A solução foi injetar silicone entre os cabos e a parte traseira do plugue, o que eliminou a oxidação interna e as medições falsas.
A terceira melhorou a própria injeção do silicone. O trabalho era manual, com material improvisado, risco ergonômico e preenchimento ruim dos canais. Um injetor pneumático passou a fazer o serviço.
- tempo da tarefa de 4 horas para 15 minutos, 16 vezes mais rápido;
- redução de 93,75% no tempo de execução;
- fim do desperdício de silicone e do risco ergonômico;
- preenchimento uniforme dos canais da placa.
Plano de manutenção dos termopares e o histórico de corridas por série
No Controle, as melhorias viraram rotina registrada. A troca dos cabos de compensação do detector de rompimento entrou no sistema de gestão de manutenção, com etapas de análise de risco, liberação, troca, simulação de sinal e encerramento.
O procedimento de acompanhamento da vida útil dos termopares ganhou sete itens.
| Item | Atividade | Periodicidade |
|---|---|---|
| 1 | Teste de impedância entre terminais positivo, negativo e comum | Semestral |
| 2 | Inspeção visual dos plugues para umidade e oxidação | Semestral |
| 3 | Limpa contato nos pinos do plugue | Semestral |
| 4 | Secagem com ar seco após a limpeza | Semestral |
| 5 | Verificação dos termopares com maleta de teste | Semestral |
| 6 | Aplicação de sinal nas entradas analógicas da remota | Semestral |
| 7 | Pressurização das caixas dos plugues na área do molde | Contínua |
O plano de controle também acompanhou o número de corridas por série, ou seja, quantas panelas a máquina lingota sem parar. Série longa significa menos partidas e menos perda de tempo.
A média anual era 37 em 2007, 33 em 2008, 18 em 2009 e 30 em 2010 e 2011. Em 2012 subiu para 57, com meses chegando a 87, 123 e 149. A meta de longo prazo era 200, o que mostra que o trabalho continuava.
2011 contra 2012 na MLC 1: OEE, recusa e o tamanho da série
O resultado foi medido no primeiro semestre de 2012 contra 2011.
| Indicador | Antes | Depois | Meta |
|---|---|---|---|
| OEE da MLC 1 | 33,24% em 2011 | 37,61% em 2012 | 36,56% |
| Recusa por forma, aspecto e ultrassom | Média 2011 | 0,84% até junho | 2,12% |
| Recusa por UST, 1FC, 1FX e 1FW | Média 2011 | 0,43% | 0,54% |
| Corridas por série, média anual | 30 em 2011 | 57 em 2012 | 200 |
| Injeção de silicone no MSD | 4 horas | 15 minutos | - |
O OEE da MLC 1 subiu 4,37 pontos, um ganho relativo de 13,1%. A meta de mais 10% foi superada. A recusa por forma, aspecto e ultrassom ficou 60,4% abaixo da meta, e a recusa por UST e defeitos associados, 20,4% abaixo.
Nos gráficos de 2012, as MLC 2 e 4 também aparecem acima das curvas de 2011 na maior parte do semestre. A MLC 4 chega perto de 89% em junho, pela leitura aproximada do gráfico. A apresentação não traz o fechamento numérico dessas duas máquinas.
A própria equipe registrou duas ressalvas. Parte do ganho de produção veio do aumento de vendas e da decisão de priorizar a MLC 1 sobre a MLC 3. E o OEE de 37,61% ainda está longe da faixa aceitável de 60%.
O que este case ensina a quem vai conduzir um projeto Master Black Belt parecido
O primeiro aprendizado é escolher um Y que se decompõe. O OEE mostrou, logo na Medição, que a perda era tempo de máquina, não qualidade. Sem essa abertura, o time poderia ter gasto meses em defeito de placa.
O segundo é recortar a amostra antes de testar. A produção de 2009 a 2011 era não normal e a de 2011 era normal. A escolha do período mudou o modelo, a capabilidade e as conclusões.
O terceiro é usar critério escrito para descartar dado. A carta I-MR manteve outubro de 2010 na amostra. O mês feio fazia parte do processo, e tirá-lo teria escondido o problema.
O quarto é aceitar que amostra pequena pede modelo. Com 23 meses, a equipe ajustou uma Weibull, validou a simulação e só então calculou o nível sigma. O caminho está documentado e pode ser auditado.
O quinto é olhar para fora da máquina. Metade das ações tratou planejamento, espera de panela e tamanho de série. O DMAIC ajuda a ver que o gargalo do OEE nem sempre está no equipamento medido.
O sexto são as lacunas. O projeto não fez MSA formal do medidor de nível, não separou o efeito da demanda e não fechou os números das MLC 2 e 4. Quem replicar o case em Lean Seis Sigma deve fechar essas três frentes antes de declarar o ganho.
