Metodologias & Qualidade

Case Master Black Belt em lingotamento contínuo: OEE de três máquinas pelo DMAIC

Um projeto Master Black Belt numa aciaria, fase a fase: a decomposição do OEE, o Cpk de 0,02 na produção, a carta I-MR que manteve o mês ruim na amostra, a Weibull com Monte Carlo e os termopares do molde.

Thiago Coutinho
Publicado em 1 de out de 2026  ·  Atualizado em 1 de out de 2026  ·  17 min de leitura
Thiago Coutinho com o livro Guia Lean Seis Sigma diante do letreiro Voitto, com o texto Case Master Black Belt em lingotamento contínuo: OEE de três máquinas pelo DMAIC sobre fundo escuro à esquerda

O lingotamento contínuo é a etapa da aciaria em que o aço líquido vira placa sólida. Quando a máquina para, a usina inteira sente: a panela espera, o refino atrasa e a laminação fica sem material.

Na Voitto Steel, três máquinas de lingotamento contínuo tinham OEE de 33,24%, 39,36% e 54,95% em 2011. A faixa considerada aceitável pela própria usina começava em 60%. O controle de nível de aço no molde oscilava e as falhas de manutenção interrompiam séries.

O projeto seguiu as cinco fases do DMAIC entre setembro de 2011 e dezembro de 2012. Decompôs o OEE, priorizou mais de 60 causas, testou normalidade, mediu capabilidade, usou carta I-MR e simulação de Monte Carlo, e terminou com 17 ações e um plano de manutenção dos termopares do molde.

Na MLC 1, o OEE subiu de 33,24% para 37,61%, acima da meta de 36,56%. A recusa por forma, aspecto e ultrassom caiu para 0,84%, contra meta de 2,12%. A tarefa de injetar silicone nos conectores dos termopares passou de 4 horas para 15 minutos.

Sobre a procedência: este é um projeto real de aluno da formação Master Black Belt da Voitto, descaracterizado para proteger o cliente. Os números vêm da apresentação original. O que foi acrescentado para explicar, como o contexto do processo e os exemplos de cálculo, está identificado como ilustrativo.

O molde de cobre, o nível de aço e o que se perde quando a pele rompe

A aciaria transforma gusa líquido em aço e entrega placas para a laminação. O lingotamento contínuo é a etapa em que o aço líquido vira sólido. A panela despeja o aço num distribuidor, e dali ele desce para um molde de cobre resfriado a água.

No molde se forma a pele, uma casca fina de aço sólido que ainda guarda o miolo líquido. A placa sai por baixo puxada por rolos extratores, recebe jatos de água no resfriamento secundário e é cortada no comprimento pedido. Cada máquina pode ter mais de um veio, ou seja, mais de uma linha de placa saindo ao mesmo tempo.

O nível de aço dentro do molde precisa ficar quase parado. Quem regula é um tampão que abre e fecha a passagem do distribuidor. Se o nível oscila, a escória e o pó fluxante entram na pele, e a placa sai com defeito superficial ou interno.

O pior desfecho é o rompimento de pele: a casca cede, o aço vaza abaixo do molde e a série é interrompida. Para prever esse evento, o molde tem termopares embutidos nas placas de cobre que alimentam um sistema de detecção, chamado na usina de MSD.

Na Voitto Steel, três máquinas de lingotamento contínuo, MLC 1, MLC 2 e MLC 4, conviviam com instabilidade no controle de nível, falhas de manutenção e recusa de placas. O projeto descrito aqui atacou as três ao mesmo tempo.

Três máquinas e um charter medido em OEE

O indicador escolhido para resumir o problema foi o OEE, a eficiência global do equipamento. Ele multiplica três fatores: tempo operacional, desempenho e qualidade do produto aprovado. Uma máquina que para muito, anda devagar ou gera placa recusada perde OEE pelos três lados.

O ponto de partida era 2011. A MLC 1 fechou o ano com OEE de 33,24%, a MLC 2 com 39,36% e a MLC 4 com 54,95%. A faixa considerada aceitável pela própria usina era OEE acima de 60%.

CampoConteúdo
EmpresaVoitto Steel, aciaria
ProblemaOEE de 33,24%, 39,36% e 54,95% nas MLC 1, 2 e 4 em 2011
Causas suspeitasVariabilidade no controle de nível do molde e falhas de manutenção e operação
MetaMais 10% de OEE nas MLC 1 e 2 e mais 30% na MLC 4
EscopoMLC 1, 2 e 4, sistemas de medição e controle, planos de manutenção e procedimentos
PrazoSetembro de 2011 a dezembro de 2012
Ganho mensurávelOEE da MLC 1 de 33,24% para 37,61% no primeiro semestre de 2012
Ganho intangívelMelhor qualidade superficial e interna da placa

O caso foi conduzido como projeto da formação Master Black Belt.

A meta multiplicada por 1,10 e 1,30 e a conferência que corrige uma linha

A meta foi escrita como aumento relativo, não absoluto. Para as MLC 1 e 2, o OEE de 2011 multiplicado por 1,10. Para a MLC 4, multiplicado por 1,30, porque era a máquina mais nova e com mais espaço de ganho em produtividade.

MáquinaOEE 2011FatorMeta calculadaValor na apresentação
MLC 133,24%1,1036,56%36,60%
MLC 239,36%1,1043,30%43,30%
MLC 454,95%1,3071,44%71,43%

A conferência das contas vale a pena. Na apresentação, a linha da MLC 2 aparece como 36,36 vezes 1,10 igual a 43,30. O resultado 43,30 só fecha com 39,36, o valor real de 2011. O 36,36 é erro de digitação no slide, e a meta correta continua sendo 43,30%.

O escopo também foi recortado com cuidado. Ficaram de fora a MLC 3 e as falhas de convertedores, fornos panela, estações de refino secundário, desgaseificadores a vácuo e dessulfuração de gusa. Eles afetam as máquinas, mas têm donos próprios.

SIPOC de manutenção e o mapa das doze rotas até o molde

O SIPOC do projeto não descreveu a fabricação do aço. Descreveu o processo de manutenção que mantém as máquinas rodando, porque era ali que estavam as falhas de disponibilidade.

BlocoConteúdo
FornecedoresGestão de mão de obra, oficina central e de área, suporte técnico, suprimentos
InsumosMão de obra, ferramentas de teste, requisições aprovadas, registros, área de sobressalentes
ProcessoInspeção, reposição, manutenção, avaliação de estoque, testes programados, avaliação de eficiência
ProdutoProdução de placas com custo e processos otimizados
ClienteA própria usina da Voitto Steel

Já na fase Medir, a equipe desenhou o mapa do caminho que uma corrida percorre até a máquina. O pedido sai do planejamento, passa pelos convertedores AC 1 ou AC 2 e segue para refino em forno panela, desgaseificador ou estação de ajuste de composição.

O mapa marcou doze pontos numerados. Cada ponto é um lugar onde a corrida pode atrasar e deixar a máquina esperando panela. Por isso muitos X's falam de aguardar panela por falha em outro equipamento.

As curvas do supervisório: tampão abrindo sem parar para segurar o nível

Antes de qualquer estatística, a equipe mostrou as telas de tendência das máquinas. Cada tela traz o nível do molde, a posição do tampão, a oscilação do molde, a velocidade de lingotamento e o setpoint de nível.

Na MLC 1, o nível aparece estável em torno de 72 mm abaixo do topo, mas a posição do tampão serrilha o tempo todo. Nas MLC 2 e 4, as curvas mostram quedas bruscas de nível e de velocidade, típicas de interrupção ou de troca de modo de controle.

A leitura é direta. Quando o tampão precisa abrir e fechar sem descanso para segurar o nível, ou o fluxo está obstruído, ou a medição de nível mente, ou a malha de controle está mal ajustada. As três hipóteses viraram X's no Ishikawa.

52,87% vezes 67,39% vezes 92,17%: a decomposição do OEE da MLC 1

Um OEE baixo não diz o que atacar. A equipe abriu o indicador da MLC 1 mês a mês de 2011 nos três fatores, cada um com sua meta interna.

FatorMédia 2011Meta internaDistância
Tempo operacional (capacidade)52,87%Acima de 90%37,13 pontos
Desempenho operacional (produtividade)67,39%Acima de 95%27,61 pontos
Produtos aprovados (qualidade)92,17%Acima de 99%6,83 pontos
OEE32,84%--

A tabela mostra onde está o dinheiro. A qualidade estava a menos de sete pontos da meta. O tempo operacional estava a mais de 37. A maior parte do OEE perdido era máquina parada, não placa recusada.

Há um detalhe de cálculo que confunde muita gente. O produto das três médias dá 32,84%. A média dos doze OEEs mensais dá 33,25%, perto dos 33,24% do charter. As duas contas são legítimas, mas não são iguais, e o projeto precisa declarar qual usa.

Exemplo ilustrativo, para dar escala: uma máquina com 90% de tempo, 95% de desempenho e 99% de qualidade tem OEE de 84,6%. É por isso que a referência de classe mundial no gráfico do projeto é 85%.

Mais de 60 X's no Ishikawa e a matriz que decidiu por onde começar

O Ishikawa da MLC 1 teve como efeito a baixa eficiência da máquina. Nas seis espinhas entraram mais de 60 causas potenciais codificadas, de X2.0 a X12.0 e de X11.0 a X11.60.

Exemplos: pó fluxante de baixa qualidade, falha de projeto dos rolamentos dos rolos de extração, alarmes falsos dos termopares e séries pequenas.

Com tantas causas, alguém precisa ordenar. A matriz de causa e efeito pontuou cada X contra três saídas: tempo operacional, desempenho e produtos aprovados. A correlação forte valia 10, 9 ou 8; a média, 7, 6 ou 5; a fraca, 4, 3, 2 ou 1.

Depois veio a matriz de impacto e esforço, que cruza o efeito do X sobre o Y com o trabalho para atuar nele.

QuadranteX's classificadosDecisão
Alto impacto, baixo esforçoX11.2, X11.3, X11.4, X2.2, X3.0, X11.5, X5.0, X9.0, X8.1, X12.0 e outrosAtacar primeiro
Alto impacto, alto esforçoX11.0, X11.1, X2.0, X2.1, X5.1, X5.2, X8.0, X11.6, X11.7 e outrosPlanejar com prazo maior
Baixo impacto, alto esforçoX11.24Descartar por ora
Baixo impacto, baixo esforçoX11.13, X11.14, X11.21, X11.25 e outrosResolver na rotina

O Pareto das causas de medição e o desnivelamento da base do molde

Um recorte do Ishikawa ganhou tratamento próprio: as causas ligadas a medição. Num projeto que suspeita do controle de nível, saber se o instrumento mede certo vem antes de culpar o processo.

XDescriçãoPontos na matrizPercentualAcumulado
X11.39Desnivelamento da base do molde36025,4%25,4%
X11.15Alarmes falsos por cabos de extensão dos termopares no fim da vida útil28019,7%45,1%
X11.59Medição incorreta das placas no corte primário28019,7%64,8%
X11.17Redução de velocidade e baixa confiabilidade na medição e controle26018,3%83,1%
X11.16Deficiência no registro dos testes da remota do MSD24016,9%100,0%

A soma dos pontos é 1.420, e o primeiro X responde por 360 deles. O Pareto aqui é plano: nenhuma causa concentra a maioria. Três delas somam 64,8%.

Vale notar o que o projeto não fez: um estudo formal de MSA no medidor de nível. A priorização apontou problemas de medição, mas a apresentação não traz Gage R&R. Para quem replica o case, essa é uma lacuna a fechar.

Produção de placas de 2009 a 2011 não é normal, e 2011 isolado é

A equipe levantou a produção mensal realizada da MLC 1 de 2009 a 2011, 36 meses, com média de 86.331 e desvio padrão de 13.245. O teste de normalidade de Anderson-Darling deu AD de 1,213 e valor-p abaixo de 0,005.

Valor-p abaixo de 0,05 rejeita a hipótese de normalidade. O histograma mostra o motivo: uma cauda esquerda longa, com mínimo de 51.269, puxada por meses de produção muito baixa. A série misturava três anos com contextos de operação diferentes.

Isolando 2011, com 12 meses, a média sobe para 90.773 e o desvio cai para 11.054. O AD vai a 0,199 e o valor-p a 0,849. Agora não há evidência contra a normalidade, e a análise de capabilidade pode usar o modelo normal.

Antes de escolher um teste de hipótese ou um modelo, é preciso saber se a amostra representa um único processo. Juntar períodos com regras diferentes produz uma distribuição que não existe em nenhum deles.

Cpk de 0,02: a produção mensal da MLC 1 encostada no limite inferior

Com 2011 aceito como normal, a equipe rodou a capabilidade da produção realizada. O limite inferior foi 90.000 por mês e o superior 125.000. A média ficou em 90.772,6, apenas 772,6 acima do limite inferior.

IndicadorValorLeitura
Desvio dentro dos subgrupos12.113,3Variação de curto prazo
Desvio global11.054,3Variação do ano
Z até o limite inferior0,06772,6 dividido por 12.113,3
Cpk0,02772,6 dividido por 3 vezes 12.113,3
Ppk0,02772,6 dividido por 3 vezes 11.054,3
PPM observado abaixo do limite416.666,675 dos 12 meses
PPM esperado global473.120,54Pelo modelo normal

Cpk perto de zero significa que a média está praticamente em cima do limite. Metade da distribuição cai do lado errado. O dado observado confirma: 5 dos 12 meses de 2011 ficaram abaixo de 90.000, o que dá 416.667 partes por milhão.

Esse resultado muda a natureza do problema. Não se trata de reduzir a variação em torno de um alvo bom, mas de deslocar a média para cima. E a média só sobe com mais horas de máquina rodando, o que leva de volta ao tempo operacional de 52,87%.

Ultrassom e TE: a estratificação por veio que concentrou a recusa

Para a qualidade, a equipe comparou primeiro as três máquinas. O box plot da recusa por forma, aspecto e ultrassom de 2009 a 2011 mostra a MLC 1 com a maior média, perto de 3%, a MLC 2 no meio e a MLC 4 com a menor, perto de 1,3%. São leituras aproximadas do gráfico.

Depois, a estratificação separou os defeitos da MLC 1 por veio, com dados de 2009. Veio é cada linha de placa da máquina, e dois veios da mesma máquina podem se comportar de forma diferente.

DefeitoVeio 1 (%)Participação veio 1Veio 2 (%)Participação veio 2
UST, recusa por ultrassom11,0045,9%16,2051,7%
TE4,0116,7%6,9422,1%
OU4,4018,4%3,1710,1%
CE2,199,1%1,665,3%
TQ, TC e outros2,379,9%3,3710,7%
Total23,97100%31,34100%

O ultrassom detecta defeito interno, como inclusão ou trinca no miolo da placa. Ele lidera nos dois veios, e o veio 2 tem recusa total maior. No veio 2, UST e TE somam 73,8% dos defeitos. Por isso a conclusão da fase foi que os defeitos relevantes são UST e TE.

Outubro de 2010 na carta I-MR: o ponto que parecia outlier e não era

Na fase Analisar, o Y foi desdobrado em três por máquina: programado contra realizado em tempo, qualidade em toneladas e eficiência em percentual. Para a MLC 1, a análise começou pelo tempo operacional, de 2010 a novembro de 2011.

O gráfico de produção mostrou uma queda forte em outubro de 2010. A investigação achou 168 horas de máquina parada naquele mês, somando espera de panela, falhas, queda de energia, rompimento de pele, falta de programação e parada programada. A apresentação registra isso como 21% do tempo calendário.

Conferindo: outubro tem 31 dias, ou 744 horas, e 168 horas são 22,6% disso. A diferença indica que a base usada no slide foi outra. O número das horas é o que importa para a análise.

A pergunta era se outubro devia sair da amostra. A equipe usou a carta de controle I-MR como critério. A média do tempo operacional ficou em 53,07%, com limites de 33,37% e 72,78%. A amplitude móvel média foi 7,41%, com limite superior de 24,21%.

Nenhum ponto saiu dos limites. O mês ruim estava dentro da variação que o próprio processo produz, e por isso não foi descartado.

Weibull de três parâmetros e Monte Carlo com 23 meses de dado

Com 23 observações de tempo operacional, a amostra era curta para estimar a cauda da distribuição. A média era 0,5307, o desvio 0,0645 e o teste de Anderson-Darling deu valor-p abaixo de 0,005, ou seja, dado não normal.

A equipe comparou distribuições pelo coeficiente de correlação do gráfico de probabilidade. Quanto mais perto de 1, melhor o ajuste.

DistribuiçãoCoeficiente de correlação
Menor valor extremo0,971
Weibull0,954
Logística0,931
Normal0,925
Log-logística0,901
Lognormal0,893

A escolha final foi a Weibull de três parâmetros, com forma 3,906, escala 0,251 e limiar 0,305. Ela acomoda a assimetria à esquerda e tem um piso, o que faz sentido para tempo operacional.

Com esse modelo, a simulação de Monte Carlo gerou 1.000 valores. A média simulada foi 0,5324 contra 0,5307 real, 0,3% de diferença. O desvio simulado foi 0,0633 contra 0,0645, menos 1,8%. O modelo reproduziu bem o dado e se manteve estável ao longo da série.

Usando 0,5771 como limite inferior, valor que o time associou ao terceiro quartil, 74,74% dos valores simulados ficaram abaixo. O Z do desempenho global foi menos 0,67. Somando o deslocamento convencional de 1,5, o nível sigma ficou em 0,83.

Dezessete ações em seis meses, do rolamento do rolo extrator ao pedido pequeno

O plano de ação teve 17 linhas, cada uma amarrada a um X, um fator do OEE, um responsável e uma área. Quase todas miravam produtividade, porque era ali que a decomposição tinha mostrado a maior perda.

XProblemaAçãoStatus
X11.0Falha de projeto dos rolamentos dos rolos de extraçãoRolamento novo, teste e troca por segmentoEm andamento
X11.1Falha no dispositivo da válvula gavetaTroca por cilindro fixo na torre giratóriaConcluída
X11.2Falha nos encoders dos rolosPlano periódico de troca dos encodersConcluída
X11.3Lentidão na extração da placaNova curva de extraçãoConcluída
X11.4Estouro de topoNovo procedimento operacionalConcluída
X2.0, X2.1, X2.2Séries pequenas e pedidos de baixo volumeReunião semanal entre aciaria, PCP e vendasConcluída
X11.5Padrões operacionais desatualizadosTreinamento e revisão dos padrõesConcluída
X5.0, X9.0, X8.1, X12.0Espera de panela por falha de instrumentaçãoPlanos de inspeção atualizados e análise de falhasConcluída
X5.1, X5.2, X8.0Espera de panela por falha elétrica, mecânica ou de transporteAnálise das falhas e soluções nos equipamentosConcluída

Três ações atacaram o planejamento, não a máquina. Séries pequenas obrigam a máquina a parar e reiniciar com mais frequência. A resposta foi juntar aciaria, planejamento e vendas para formar séries maiores.

As linhas de espera por panela mostram por que o mapa de processo foi útil. A falha estava no forno panela ou no desgaseificador, mas o tempo perdido aparecia no OEE da máquina de lingotamento. As ações seguiram a lógica da manutenção produtiva total, com inspeção, plano e análise de falha.

Mola, silicone e um injetor que levou a tarefa de 4 horas para 15 minutos

O sistema de detecção de rompimento depende dos termopares no cobre do molde. Se o cabo quebra ou o conector oxida, o sistema dá alarme falso ou deixa de ver o evento real. Os dois erros custam caro: um para a máquina sem motivo, o outro deixa a pele romper.

A primeira melhoria tratou a quebra dos cabos na saída da placa de cobre. Não havia proteção nesse ponto. A equipe instalou uma mola de amortecimento, o que reduziu rompimentos, emendas e custo de manutenção do molde.

A segunda tratou a umidade. O plugue dos termopares era montado sem proteção, e a umidade oxidava os pinos e causava mau contato. A solução foi injetar silicone entre os cabos e a parte traseira do plugue, o que eliminou a oxidação interna e as medições falsas.

A terceira melhorou a própria injeção do silicone. O trabalho era manual, com material improvisado, risco ergonômico e preenchimento ruim dos canais. Um injetor pneumático passou a fazer o serviço.

  • tempo da tarefa de 4 horas para 15 minutos, 16 vezes mais rápido;
  • redução de 93,75% no tempo de execução;
  • fim do desperdício de silicone e do risco ergonômico;
  • preenchimento uniforme dos canais da placa.

Plano de manutenção dos termopares e o histórico de corridas por série

No Controle, as melhorias viraram rotina registrada. A troca dos cabos de compensação do detector de rompimento entrou no sistema de gestão de manutenção, com etapas de análise de risco, liberação, troca, simulação de sinal e encerramento.

O procedimento de acompanhamento da vida útil dos termopares ganhou sete itens.

ItemAtividadePeriodicidade
1Teste de impedância entre terminais positivo, negativo e comumSemestral
2Inspeção visual dos plugues para umidade e oxidaçãoSemestral
3Limpa contato nos pinos do plugueSemestral
4Secagem com ar seco após a limpezaSemestral
5Verificação dos termopares com maleta de testeSemestral
6Aplicação de sinal nas entradas analógicas da remotaSemestral
7Pressurização das caixas dos plugues na área do moldeContínua

O plano de controle também acompanhou o número de corridas por série, ou seja, quantas panelas a máquina lingota sem parar. Série longa significa menos partidas e menos perda de tempo.

A média anual era 37 em 2007, 33 em 2008, 18 em 2009 e 30 em 2010 e 2011. Em 2012 subiu para 57, com meses chegando a 87, 123 e 149. A meta de longo prazo era 200, o que mostra que o trabalho continuava.

2011 contra 2012 na MLC 1: OEE, recusa e o tamanho da série

O resultado foi medido no primeiro semestre de 2012 contra 2011.

IndicadorAntesDepoisMeta
OEE da MLC 133,24% em 201137,61% em 201236,56%
Recusa por forma, aspecto e ultrassomMédia 20110,84% até junho2,12%
Recusa por UST, 1FC, 1FX e 1FWMédia 20110,43%0,54%
Corridas por série, média anual30 em 201157 em 2012200
Injeção de silicone no MSD4 horas15 minutos-

O OEE da MLC 1 subiu 4,37 pontos, um ganho relativo de 13,1%. A meta de mais 10% foi superada. A recusa por forma, aspecto e ultrassom ficou 60,4% abaixo da meta, e a recusa por UST e defeitos associados, 20,4% abaixo.

Nos gráficos de 2012, as MLC 2 e 4 também aparecem acima das curvas de 2011 na maior parte do semestre. A MLC 4 chega perto de 89% em junho, pela leitura aproximada do gráfico. A apresentação não traz o fechamento numérico dessas duas máquinas.

A própria equipe registrou duas ressalvas. Parte do ganho de produção veio do aumento de vendas e da decisão de priorizar a MLC 1 sobre a MLC 3. E o OEE de 37,61% ainda está longe da faixa aceitável de 60%.

O que este case ensina a quem vai conduzir um projeto Master Black Belt parecido

O primeiro aprendizado é escolher um Y que se decompõe. O OEE mostrou, logo na Medição, que a perda era tempo de máquina, não qualidade. Sem essa abertura, o time poderia ter gasto meses em defeito de placa.

O segundo é recortar a amostra antes de testar. A produção de 2009 a 2011 era não normal e a de 2011 era normal. A escolha do período mudou o modelo, a capabilidade e as conclusões.

O terceiro é usar critério escrito para descartar dado. A carta I-MR manteve outubro de 2010 na amostra. O mês feio fazia parte do processo, e tirá-lo teria escondido o problema.

O quarto é aceitar que amostra pequena pede modelo. Com 23 meses, a equipe ajustou uma Weibull, validou a simulação e só então calculou o nível sigma. O caminho está documentado e pode ser auditado.

O quinto é olhar para fora da máquina. Metade das ações tratou planejamento, espera de panela e tamanho de série. O DMAIC ajuda a ver que o gargalo do OEE nem sempre está no equipamento medido.

O sexto são as lacunas. O projeto não fez MSA formal do medidor de nível, não separou o efeito da demanda e não fechou os números das MLC 2 e 4. Quem replicar o case em Lean Seis Sigma deve fechar essas três frentes antes de declarar o ganho.

Perguntas frequentes

O que é lingotamento contínuo?
É o processo em que o aço líquido sai da panela, passa por um distribuidor e entra num molde de cobre resfriado a água. Ali forma uma casca sólida, a pele, e sai por baixo como placa contínua, puxada por rolos e resfriada por jatos de água até ser cortada. Substitui o antigo lingotamento em lingoteiras individuais.
Por que o nível de aço no molde é tão importante?
Porque a oscilação do nível arrasta escória e pó fluxante para dentro da pele em formação. O resultado é defeito superficial ou interno na placa. Em casos piores, a pele fina rompe abaixo do molde e o aço vaza, o que interrompe a série e para a máquina.
Como o OEE foi usado neste projeto?
Como Y principal e como ferramenta de diagnóstico. O OEE da MLC 1 em 2011 foi aberto em tempo operacional de 52,87%, desempenho de 67,39% e qualidade de 92,17%. A comparação com as metas internas mostrou que a maior perda estava no tempo de máquina parada, e isso orientou as ações.
Por que o produto das médias do OEE deu 32,84% e o charter fala em 33,24%?
Porque são contas diferentes. Multiplicar as médias anuais dos três fatores dá 32,84%. Calcular o OEE de cada mês e tirar a média dá cerca de 33,25%, próximo do valor do charter. O projeto precisa declarar qual cálculo usa e manter o mesmo na comparação de antes e depois.
O que significa Cpk de 0,02 na produção mensal?
Significa que a média de 90.772,6 estava praticamente em cima do limite inferior de 90.000. A distância de 772,6 dividida por três desvios de 12.113,3 dá 0,02. Na prática, 5 dos 12 meses de 2011 ficaram abaixo do limite, e o desafio era subir a média, não só reduzir variação.
Por que a equipe não excluiu outubro de 2010 como outlier?
Porque a carta I-MR não acusou ponto fora. Os limites do tempo operacional foram 33,37% e 72,78%, e todos os meses ficaram dentro. Outubro teve 168 horas de parada, mas essa variação fazia parte do processo. Excluir o mês teria escondido justamente o problema que o projeto queria resolver.
Por que usar simulação de Monte Carlo?
Porque havia só 23 meses de dado de tempo operacional, e eles não eram normais. A equipe ajustou uma Weibull de três parâmetros e gerou 1.000 valores simulados. A média simulada ficou 0,3% acima da real e o desvio 1,8% abaixo, o que validou o modelo para estimar a fração abaixo do limite.
Como se chegou ao nível sigma de 0,83?
Com o limite inferior de 0,5771, 74,74% dos valores simulados ficaram abaixo dele. Isso corresponde a um Z de menos 0,67 no desempenho de longo prazo. Somando o deslocamento convencional de 1,5, o nível sigma de curto prazo fica em 0,83.
O que são os termopares do molde e por que deram tanto trabalho?
São sensores de temperatura embutidos nas placas de cobre. Eles alimentam o sistema que prevê o rompimento da pele. Cabos quebrados e conectores oxidados geravam alarmes falsos e medições erradas. A equipe instalou molas de proteção, injetou silicone nos plugues e criou um plano semestral de testes.
O projeto atingiu a meta?
Na MLC 1, sim. O OEE foi de 33,24% para 37,61%, acima da meta de 36,56%, e a recusa por forma, aspecto e ultrassom ficou em 0,84% contra meta de 2,12%. A própria equipe ressalvou que parte do ganho veio do aumento de vendas e que 37,61% ainda está abaixo dos 60% aceitáveis.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…