Metodologias & Qualidade

Modelo de diagrama de Pareto em Excel

A planilha, as fórmulas e o gráfico de combinação passo a passo, com um caso de 1.250 devoluções aberto em duas camadas

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  17 min de leitura

Montar um diagrama de Pareto no Excel é meia hora de trabalho. Ler o resultado e sair dele com uma ação específica leva bem mais tempo, e é a parte que quase nenhum tutorial cobre. O gráfico fica pronto, a curva sobe bonito, e a equipe volta para a reunião seguinte com o mesmo gráfico e nenhuma mudança no indicador.

Este artigo entrega o modelo de diagrama de Pareto completo. Quais colunas a planilha precisa ter, as fórmulas de percentual e de percentual acumulado, a sequência de cliques do gráfico de combinação com eixo secundário e os ajustes de formatação que mudam o que o leitor entende.

Mas o núcleo está depois do gráfico: o corte de 80% que não é lei, o caso em que a distribuição é plana e o Pareto não decide nada, e a diferença de ordem entre o Pareto por frequência e o por custo. Fecha com o Pareto de segunda camada, onde a categoria vencedora deixa de ser rótulo e vira algo acionável.

O caso é um centro de distribuição com 1.250 devoluções em um trimestre, distribuídas em dez motivos, com custo unitário apurado por motivo. Os mesmos dados são usados nas três análises, o que deixa visível como a resposta muda conforme a pergunta.

Os números do exemplo foram montados para este artigo, no formato dos kits da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica de cálculo e a aritmética que precisa fechar, conferida linha a linha, não descrevem uma empresa real.

O que o diagrama de Pareto mostra e o que ele não mostra

O diagrama de Pareto é um gráfico de duas camadas sobre a mesma base: barras em ordem decrescente de frequência e uma linha de percentual acumulado que sobe da esquerda para a direita. A pergunta que ele responde é uma só: onde o problema se concentra?

Isso já muda a conversa de "temos devoluções demais" para "três motivos respondem por 71,7% das devoluções". Mas o limite precisa ficar claro: o diagrama de Pareto localiza, não explica. Ele não diz por que a barra maior é a maior nem escolhe o que fazer.

Quem confunde as duas coisas ataca o rótulo da barra em vez da causa. Depois do Pareto vem a investigação de causa, com diagrama de Ishikawa ou com os 5 porquês, e só então a ação.

Por que 80/20 é observação e não lei

A origem do número é conhecida: Vilfredo Pareto observou, no fim do século 19, que uma fração pequena dos proprietários detinha a maior parte das terras na Itália. Joseph Juran generalizou a ideia para qualidade nos anos 1940 e cunhou a expressão "poucos vitais, muitos triviais".

Nada nessa história produz uma lei. O 80/20 é um padrão empírico, comum em dados de defeito e de falha porque esses fenômenos têm causas muito desiguais. Na prática a proporção varia: 70/30, 90/10, 65/20. O caso deste artigo fecha em 81,4% com quatro categorias de dez, e isso é resultado dos dados, não premissa.

O erro que vem da crença na lei é forçar o corte: traçar a linha em 80% mesmo quando a curva não tem joelho ali, separando categorias empatadas. O corte sai da forma da curva.

Quando o Pareto não se aplica: a distribuição plana

Existe um caso em que o gráfico fica bonito e não serve para nada: quando as categorias têm frequências parecidas. A linha acumulada sobe quase em reta, sem joelho, e não há "poucos vitais" para separar. Compare os dois cenários abaixo, ambos com 1.250 ocorrências em dez categorias:

CenárioMaior categoriaTop 3Top 4Leitura
Concentrado (caso deste artigo)33,0%71,7%81,4%existe alvo claro
Plano (contraexemplo)12,2%35,3%46,2%não há alvo; Pareto não decide

No cenário plano, atacar a maior categoria elimina 12,2% do problema, e seriam necessárias oito das dez para chegar a 88%. O esforço de análise por unidade de resultado fica alto demais.

Distribuição plana indica uma de três coisas. O problema é sistêmico e atravessa todas as categorias. A estratificação escolhida é a errada: tente por turno, fornecedor, cliente ou equipamento. Ou as categorias estão em granularidade fina demais e fragmentaram o mesmo fenômeno.

Antes de descartar o Pareto, refaça o gráfico com outra variável. Muitas vezes o dado que fica plano por "tipo de defeito" fica concentrado por "linha de produção".

O que precisa existir antes da planilha: a coleta

A planilha não cria dado. Um Pareto feito com números lembrados em reunião reproduz a memória de quem falou mais alto, com a autoridade visual de um gráfico. O insumo correto é a folha de verificação: registro estruturado, feito no momento do evento, por quem observa.

A folha define as categorias antes da contagem e obriga o registrador a encaixar cada evento em uma delas. É isso que garante que as barras sejam comparáveis entre si. Três exigências mínimas:

  • Período declarado e fechado. "Terceiro trimestre" serve; "nos últimos tempos" não. Sem período, a barra não tem denominador e o gráfico não pode ser comparado com o do próximo ciclo.
  • Categorias mutuamente exclusivas. Se um evento pode ser contado em duas linhas, a soma das barras supera o total real e o acumulado passa de 100%.
  • Regra de registro escrita. Quem classifica, em que momento, e o que fazer quando o evento não encaixa em nenhuma categoria existente.

Quando a coleta vem de sistema (ERP, chamados, ordens de serviço), o campo de motivo costuma ser texto livre ou lista longa herdada de outro processo. O agrupamento prévio é decisão analítica, não limpeza de dado.

A estrutura da planilha: quais colunas e em que ordem

O modelo de diagrama de Pareto no Excel precisa de quatro colunas e uma linha de total. Mais que isso vira poluição; menos quebra o gráfico.

ColunaConteúdoOrigem
ACategoriadigitada, vinda da folha de verificação
BFrequênciacontagem no período
C% do totalfórmula: B dividido pelo total
D% acumuladofórmula: soma corrente de C

A linha 1 leva os cabeçalhos e os dados começam na linha 2. Com dez categorias, a última linha de dado é a 11 e o total vai na 12. Fixar essa geometria no começo economiza retrabalho, porque as fórmulas de acumulado dependem de referências absolutas ao intervalo.

Uma quinta coluna opcional, com o custo unitário por ocorrência, permite gerar o segundo Pareto sem refazer nada. Ela fica à direita do acumulado, fora do intervalo do gráfico.

Não use células mescladas na área de dados, não deixe linha em branco no meio da lista e não formate a frequência como texto. Os três produzem o mesmo sintoma: o gráfico ignora categorias sem avisar.

O caso usado neste modelo

O exemplo é o setor de devoluções de um centro de distribuição de material elétrico. Toda devolução gera um registro com motivo, escolhido de uma lista fechada de dez opções pelo conferente da doca.

O período é um trimestre fechado, com 1.250 devoluções sobre 24.800 pedidos faturados, o que dá 5,04% de taxa de devolução. A meta interna é 2,5%.

Cada motivo tem custo médio por ocorrência apurado pela controladoria: frete de retorno, hora de conferência, reembalagem e perda quando o item não volta ao estoque vendável. O custo total do trimestre é de R$ 87.252,00.

Contagem e custo vão gerar dois Paretos diferentes na mesma planilha, e a diferença entre eles é um dos pontos centrais deste artigo.

A ordenação decrescente e o que ela esconde

Ordenar parece trivial e é onde mais planilha se corrompe. Selecione o intervalo inteiro, com todas as colunas preenchidas, e use Dados, Classificar, coluna de frequência, do maior para o menor. Nunca classifique uma coluna sozinha: o Excel oferece "continuar com a seleção atual", e aceitar isso desalinha categoria de frequência em silêncio.

Ordene antes de escrever as fórmulas de acumulado. O acumulado é uma soma corrente que depende da posição da linha; ordenar depois reordena resultados já calculados e produz uma curva que sobe e desce.

A categoria "Outros", quando existir, sai da ordenação e vai manualmente para a última posição, mesmo com frequência maior que a de alguma categoria nomeada. Ela é agregado, não item comparável.

Confira depois: a primeira frequência tem que ser a maior da lista e a última célula do acumulado tem que marcar 100,0%.

As fórmulas de percentual e de percentual acumulado

Com o total em B12, a coluna de percentual simples é direta. Em C2, digite a fórmula e arraste até C11:

  • Percentual simples: =B2/$B$12 , formatado como porcentagem com uma casa decimal.
  • Total de controle: =SOMA(B2:B11) na célula B12.

O cifrão antes de B e de 12 trava a referência do total. Sem ele, ao arrastar, o denominador desce junto com a linha e o resultado vira um número sem sentido que ainda parece plausível.

Para o acumulado existem duas escritas. A encadeada: D2 recebe =C2 e D3 recebe =D2+C3, arrastado até D11. Funciona, mas quebra se alguém excluir uma linha do meio.

A segunda é a do modelo, porque é a mesma fórmula em todas as células e resiste a inserção e exclusão de linha. Em D2, digite e arraste até D11:

  • Acumulado robusto: =SOMA($B$2:B2)/SOMA($B$2:$B$11)

O truque está no intervalo misto $B$2:B2. O início fica travado na primeira linha de dado e o fim é relativo, então ao arrastar para D3 o intervalo vira $B$2:B3. É uma soma corrente que se estende sozinha. Se preferir, nomeie B12 como TOTAL e escreva =SOMA($B$2:B2)/TOTAL.

A tabela completa do exemplo, com a aritmética conferida

Abaixo, as dez categorias já ordenadas, com frequência, percentual simples e acumulado. A aritmética foi conferida linha a linha.

Motivo da devoluçãoFrequência% do total% acumulado
Produto avariado no transporte41233,0%33,0%
Item trocado na separação29623,7%56,6%
Quantidade divergente18815,0%71,7%
Atraso na entrega com recusa no ato1219,7%81,4%
Produto com validade curta786,2%87,6%
Endereço de entrega incorreto544,3%91,9%
Embalagem violada393,1%95,0%
Nota fiscal divergente272,2%97,2%
Cor ou modelo diferente do pedido181,4%98,6%
Outros171,4%100,0%
Total1.250100,0%-

A última coluna é a que importa. Quatro motivos de dez concentram 81,4% das devoluções. O quinto acrescenta 6,2% e o sexto, 4,3%: a curva já está deitada. Entre a quarta e a quinta barra há um degrau de 3,4 pontos percentuais (9,7% contra 6,2%), e é ali que a inclinação muda.

Esse degrau, e não o número 80, é o critério de corte. Se ele estivesse entre a segunda e a terceira barra, o grupo vital teria duas categorias e 56,6%, e estaria certo do mesmo jeito.

Montar o gráfico de combinação, passo a passo

O Excel monta o Pareto como gráfico de combinação: barras para a frequência e linha para o acumulado, com a linha em um segundo eixo. A sequência abaixo vale das versões 2016 em diante, no Windows e no Mac.

  1. Selecione A1:B11 (categoria e frequência). Segure Ctrl e selecione também D1:D11 (percentual acumulado). No Mac, use Command no lugar de Ctrl. A coluna C fica de fora do gráfico.
  2. Vá em Inserir, grupo Gráficos, e abra Gráficos Recomendados. Na aba Todos os Gráficos, escolha Combinação, a última opção da lista lateral.
  3. No painel de séries, defina a série Frequência como Colunas Agrupadas, sem marcar eixo secundário.
  4. Defina a série % acumulado como Linhas com Marcadores e marque a caixa Eixo Secundário, na mesma linha da série.
  5. Confirme. O gráfico aparece com as barras à esquerda e a linha subindo à direita.
  6. Clique no eixo secundário, abra Formatar Eixo e fixe Mínimo em 0 e Máximo em 1 (se o eixo estiver em fração) ou em 100 (se estiver em número). Deixar automático faz o topo do eixo variar a cada atualização de dado.
  7. Clique em uma barra, abra Formatar Série de Dados e reduza a Largura do Espaçamento para algo entre 15% e 30%. Barras encostadas são a convenção do Pareto e diferenciam o gráfico de um gráfico de colunas comum.
  8. Adicione rótulos de dados nas barras (frequência absoluta) e na linha (percentual). Sem rótulo, o leitor tem que estimar valor pela altura, e a estimativa em eixo duplo erra muito.

Existe um atalho no Excel 2016 ou superior: Inserir, Gráficos Estatísticos, Pareto. Ele ordena e calcula o acumulado sozinho a partir de duas colunas. É rápido, mas prende: não troca a base de frequência para custo, não controla onde entra a categoria Outros e dificulta a linha de referência. Para modelo reusável, monte à mão.

O eixo secundário e os ajustes que mudam a leitura

O eixo secundário é o que mais gera versão errada, porque dois eixos independentes permitem combinações visualmente enganosas.

AjustePadrão do ExcelO que usarPor quê
Máximo do eixo secundárioautomático100% fixoeixo variável muda a inclinação da curva entre atualizações
Mínimo do eixo secundárioautomáticozeromínimo cortado exagera a subida da curva
Máximo do eixo primárioautomáticofixo, revisado por ciclomantém as barras comparáveis entre períodos
Largura do espaçamento150%15% a 30%barras coladas são a convenção da ferramenta
Grade horizontalligadadesligada ou muito claraa grade compete com a linha acumulada
Início da linha acumuladano centro da 1ª barramanter no centroalinhar a linha ao canto exige série auxiliar e confunde

A linha de referência em 80% é opcional. Para criá-la, adicione uma coluna auxiliar com 80% repetido em todas as linhas, inclua como terceira série do tipo linha, jogue no eixo secundário, tire os marcadores e deixe tracejada. Cuidado para ela não virar o critério de corte no lugar do degrau da curva.

A categoria "Outros" e o risco de virar depósito

Quase todo Pareto real tem categoria de resíduo. Ela é legítima: agrupa eventos raros demais para linha própria e mantém a soma em 100%. O problema é quando cresce. A regra prática é um teto de 5%. No exemplo, "Outros" tem 17 eventos, 1,4%. Se estivesse em 12%, seria a terceira maior barra e o Pareto estaria escondendo o que deveria mostrar.

Quando o resíduo estoura o teto, há três caminhos:

  1. Abrir o que está dentro dela e verificar se algum motivo recorrente foi jogado ali por falta de opção na lista. Nesse caso, crie a categoria e recontagem.
  2. Verificar se a lista de categorias está desatualizada em relação ao processo. Processos mudam e a folha de verificação não acompanha.
  3. Aceitar o resíduo alto e registrar isso como achado, se o processo realmente gera cauda longa. Aí o Pareto por frequência perde força e o Pareto por custo costuma ser mais informativo.

O que não pode acontecer é "Outros" virar destino do que o conferente não quer classificar. Isso é defeito de coleta, não de planilha, e se resolve no posto de registro.

Pareto por frequência contra Pareto por custo

O Pareto por frequência responde "o que mais acontece". O por custo responde "o que mais dói". São perguntas diferentes e dão respostas diferentes, porque nem todo evento custa o mesmo.

A validade curta aparece em 78 devoluções, quinto lugar por frequência. Mas cada ocorrência custa R$ 210,00, quase o triplo da média, porque o item costuma ser descartado. Refazendo o Pareto sobre o valor:

MotivoFreq.Custo unit.Custo total% do custo% acum.
Produto avariado no transporte412R$ 84,00R$ 34.608,0039,7%39,7%
Produto com validade curta78R$ 210,00R$ 16.380,0018,8%58,4%
Item trocado na separação296R$ 46,00R$ 13.616,0015,6%74,0%
Atraso na entrega com recusa121R$ 62,00R$ 7.502,008,6%82,6%
Quantidade divergente188R$ 38,00R$ 7.144,008,2%90,8%
Endereço de entrega incorreto54R$ 55,00R$ 2.970,003,4%94,2%
Embalagem violada39R$ 71,00R$ 2.769,003,2%97,4%
Outros17R$ 50,00R$ 850,001,0%98,4%
Cor ou modelo diferente do pedido18R$ 44,00R$ 792,000,9%99,3%
Nota fiscal divergente27R$ 23,00R$ 621,000,7%100,0%
Total1.250-R$ 87.252,00100,0%-

A ordem muda em três posições. Validade curta salta do quinto para o segundo lugar. Quantidade divergente cai do terceiro para o quinto. Nota fiscal divergente, que tinha 27 eventos, passa a ser o último item da lista por custo, com R$ 621,00 no trimestre inteiro.

Para montar o segundo Pareto na mesma planilha, crie um bloco à direita com as mesmas categorias, uma coluna de custo unitário, uma de custo total (frequência vezes custo unitário) e repita as fórmulas sobre ela. Ordene esse bloco pelo custo total. Dois gráficos, uma planilha.

Qual usar? Se a decisão é sobre dinheiro, o de custo. Se é sobre carga de trabalho, o de frequência. Quando os dois apontam para a mesma categoria no topo, como aqui, a prioridade fica sem discussão.

O Pareto de segunda camada, o passo que a maioria pula

Aqui está a diferença entre o Pareto que vira slide e o que vira ação. A primeira camada entrega uma vencedora: "produto avariado no transporte", 412 eventos, 33,0% das devoluções e 39,7% do custo. Ainda é grande demais para virar contramedida.

"Avariado no transporte" não é acionável: não existe uma ação chamada "resolver avaria". Existe ação sobre empilhamento, sobre amarração de carga ou sobre especificação de embalagem. Descobrir qual exige abrir a barra vencedora em um novo Pareto, com os mesmos 412 eventos e outra variável.

O setor reclassificou as 412 avarias pela condição observada na chegada, com foto no recebimento:

Condição da avariaEventos% dos 412% acum.% do total geral
Empilhamento acima de cinco caixas no baú17342,0%42,0%13,8%
Pallet sem cinta de contenção11227,2%69,2%9,0%
Papelão abaixo da gramatura para o peso6816,5%85,7%5,4%
Manuseio na doca de transbordo4110,0%95,6%3,3%
Demais condições184,4%100,0%1,4%
Total412100,0%-33,0%

Agora existe alvo. Empilhamento acima de cinco caixas responde por 173 eventos, 42,0% das avarias e 13,8% das devoluções do trimestre. Em dinheiro, R$ 14.532,00, ou 16,7% do custo total: mais que qualquer categoria da primeira camada exceto a própria avaria e a validade curta.

E, diferente da categoria mãe, essa é acionável em uma frase: limitar o empilhamento a quatro caixas, marcar o limite no baú e incluir a verificação no romaneio. Duas camadas abaixo, um plano de ação começa a se escrever sozinho.

A regra de parada: desça camadas até que a categoria vencedora descreva algo que uma pessoa possa mudar na segunda-feira. Normalmente duas camadas, raramente três. Quem para na primeira volta no mês seguinte com o mesmo gráfico.

Quando as categorias estão mal definidas

Categoria ruim estraga o Pareto antes de qualquer fórmula, e os sintomas aparecem na planilha.

SintomaDiagnósticoCorreção
Acumulado passa de 100%categorias sobrepostas, evento contado duas vezesredefinir como mutuamente exclusivas
Distribuição plana em dez categoriasgranularidade fina demaisagrupar categorias irmãs
Uma barra com 70% do totalgranularidade grossa demaisabrir em segunda camada
"Outros" acima de 5%lista desatualizada ou classificação preguiçosaabrir o resíduo e recontar
Categoria com zero ocorrênciaherdada de outro processoremover da folha de verificação
Nome de categoria com "falha humana"categoria que já é conclusãodescrever o evento observável

O último item é o mais custoso. Categorias como "erro do operador" e "falta de atenção" não descrevem evento: descrevem julgamento sobre o evento. Elas absorvem tudo que é difícil de classificar, e o Pareto vira um gráfico sobre a opinião do conferente.

O teste: a categoria precisa ser algo que duas pessoas, olhando o mesmo evento, classificariam igual. "Terminal mal crimpado" passa. "Falha de atenção na crimpagem" não passa.

Quando a lista de categorias estiver ruim, não conserte no gráfico: volte à folha de verificação, ajuste a lista e recomece a coleta. Um mês de dado bom vale mais que um trimestre de dado ambíguo.

A leitura que gera ação

Um Pareto pronto precisa produzir três frases escritas, não uma impressão visual.

  1. A frase de concentração: quantas categorias respondem por qual percentual, com o número absoluto junto. "Quatro motivos de dez concentram 1.017 das 1.250 devoluções, 81,4%."
  2. A frase de alvo: qual categoria foi escolhida, por qual critério, e quanto ela vale. "Avaria no transporte, 412 eventos e R$ 34.608,00, líder por frequência e por custo."
  3. A frase de próximo passo: qual análise ou ação vem a seguir e quem conduz. "Abrir a avaria em segunda camada pela condição de chegada, com o supervisor de recebimento, até o dia 15."

Dentro do ciclo PDCA, o Pareto pertence à análise do Plan, entre a definição do problema e a investigação de causa. No método DMAIC, ocupa a etapa Analyze. No relatório MASP, é o instrumento da etapa de observação.

Com várias ações candidatas na mesa, a priorização não volta para o Pareto: ela sai da matriz GUT ou da matriz esforço impacto, que comparam ações entre si, não categorias de problema.

Depois que a ação entrar, o Pareto não verifica nada: ele mostra fotografia, não filme. Para saber se a mudança pegou, use carta de controle sobre o indicador afetado, que separa variação normal de mudança real.

Como o Pareto conversa com o resto do ferramental

Confundir o papel das ferramentas faz equipe rodar em círculo. Cada uma responde uma pergunta, e o Pareto ocupa um lugar estreito na sequência.

PerguntaFerramentaMomento
Quanto e de que tipo está acontecendo?folha de verificaçãoantes do Pareto
Como os valores se distribuem em faixas?histogramaem paralelo, para variável contínua
Onde o problema se concentra?diagrama de Paretoo que este artigo cobre
Por que a categoria líder acontece?Ishikawa e 5 porquêsdepois do Pareto
O que fazer, quem faz, até quando?5W2H e plano de açãodepois da causa
O processo mudou de patamar?carta de controledepois da ação

A linha do histograma merece nota. O histograma trabalha com variável contínua e mostra a forma da distribuição em faixas: tempo de ciclo, diâmetro, temperatura. O Pareto trabalha com categoria e mostra concentração. Barras encostadas em ambos, propósitos distintos.

A passagem para a execução acontece via 5W2H, que vira tarefa com dono e prazo. E com o processo sob acompanhamento contínuo, o Pareto entra como diagnóstico periódico dentro do controle estatístico de processo, não como monitoramento.

Erros no Excel que aparecem com mais frequência

A lista cobre o que mais aparece em planilha de Pareto quebrada, com o sintoma visível e a origem real.

ErroComo aparece no gráficoOrigem
Denominador não travadoacumulado com valores absurdosfórmula sem $ no total
Ordenar só uma colunabarras fora de ordem decrescenteaceitar "continuar com a seleção atual"
Ordenar depois de calcularlinha acumulada que sobe e descesequência invertida de trabalho
Coluna C incluída no gráficotrês séries, gráfico ilegívelseleção contínua em vez de Ctrl
Eixo secundário automáticocurva com inclinação diferente a cada mêsnão fixar mínimo e máximo
Frequência armazenada como textobarra ausente sem avisoimportação de sistema sem conversão
Linha em branco no meio da listagráfico corta as categorias abaixocolagem de dados incompleta
"Outros" ordenado juntoresíduo no meio do gráficoesquecer de fixá-lo na última posição

Um último item é de uso, não de Excel: guardar o arquivo com um único período. O modelo de diagrama de Pareto rende mais quando a mesma planilha acumula trimestre a trimestre em abas separadas, com categorias idênticas. Comparar dois gráficos mostra se a barra atacada encolheu, e é isso que fecha o ciclo.

Perguntas frequentes

O que é um diagrama de Pareto?
É um gráfico que combina barras em ordem decrescente de frequência com uma linha de percentual acumulado, para mostrar onde um problema se concentra. A leitura padrão é quantas categorias respondem por qual fatia do total. No exemplo, quatro motivos de dez concentram 1.017 das 1.250 devoluções, 81,4%. O gráfico localiza a concentração; não explica a causa nem escolhe a ação.
Como fazer um diagrama de Pareto no Excel passo a passo?
Monte quatro colunas: categoria, frequência, percentual e percentual acumulado. Ordene o intervalo inteiro em ordem decrescente de frequência. Calcule o acumulado com =SOMA($B$2:B2)/SOMA($B$2:$B$11). Selecione categoria, frequência e acumulado com Ctrl, vá em Inserir, Gráficos Recomendados, Todos os Gráficos, Combinação. Deixe a frequência como colunas agrupadas e o acumulado como linha com marcadores no eixo secundário.
Qual a fórmula do percentual acumulado no Excel?
A mais robusta é =SOMA($B$2:B2)/SOMA($B$2:$B$11), digitada na primeira célula do acumulado e arrastada para baixo. O intervalo misto $B$2:B2 tem o início travado e o fim relativo, então ele se estende sozinho a cada linha. A alternativa encadeada, com =C2 na primeira célula e =D2+C3 nas seguintes, também funciona, mas quebra se alguém excluir uma linha do meio da tabela.
O princípio 80/20 vale sempre?
Não. O 80/20 é observação empírica de Vilfredo Pareto generalizada por Joseph Juran, não uma lei. Na prática aparecem 70/30, 90/10 ou distribuições planas em que nenhuma categoria se destaca. O corte entre poucos vitais e muitos triviais sai do degrau da curva acumulada, não do número 80 decorado.
Quando o diagrama de Pareto não funciona?
Quando a distribuição é plana: categorias com frequências parecidas e linha acumulada subindo quase em reta. Não há alvo, porque atacar a maior categoria elimina pouco do problema. Isso indica problema sistêmico, estratificação errada ou categorias fragmentadas demais. Antes de descartar a ferramenta, refaça o gráfico por outra variável, como turno ou fornecedor.
O que é o Pareto de segunda camada?
É refazer o Pareto usando apenas os eventos da categoria vencedora da primeira camada, com uma variável de classificação diferente. No exemplo, os 412 casos de avaria no transporte foram reabertos pela condição de chegada, e o empilhamento acima de cinco caixas apareceu com 173 eventos, 42,0% das avarias. A regra de parada é descer camadas até que a categoria líder descreva algo que uma pessoa possa mudar.
Devo fazer o Pareto por frequência ou por custo?
Depende da decisão. Por frequência, se o assunto é carga de trabalho e capacidade de atendimento. Por custo, se o assunto é dinheiro. A ordem costuma mudar entre os dois: no exemplo, validade curta é o quinto motivo por frequência, com 78 casos, e o segundo por custo, com R$ 16.380,00, porque cada ocorrência custa R$ 210,00. O ideal é montar os dois na mesma planilha.
A categoria Outros pode ficar grande?
Não deve passar de 5% do total. Acima disso, o resíduo esconde o que o gráfico deveria mostrar. Quando estoura, abra a categoria e verifique se algum motivo recorrente foi jogado ali por falta de opção na lista, se a lista está desatualizada ou se o conferente usa Outros para evitar classificar. Resolve-se na coleta, não no Excel.
O Excel tem gráfico de Pareto pronto?
Sim, a partir da versão 2016, em Inserir, Gráficos Estatísticos, Pareto. Ele ordena e calcula o acumulado sozinho a partir de duas colunas. É rápido, mas limitado: não troca a base de frequência para custo, não controla a posição da categoria Outros e dificulta a linha de referência. Para modelo reusável, o gráfico de combinação à mão rende mais.
Qual a diferença entre diagrama de Pareto e histograma?
O Pareto trabalha com variável categórica e mostra concentração: quais categorias respondem pela maior parte das ocorrências, em ordem decrescente e com linha acumulada. O histograma trabalha com variável contínua e mostra a forma da distribuição em faixas de valor, como tempo de ciclo ou diâmetro. Os dois usam barras encostadas, o que gera confusão, mas respondem perguntas diferentes e não se substituem.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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