Relatório MASP: como ler e preencher o QC Story, com 13 exemplos
Os oito blocos do QC Story, a leitura de auditor que cada um precisa aguentar, o plano de ação que costuma esquecer custo e riscos e a meta não atingida que também fecha a folha
Minha formação de auditor líder no IRCA, na família ISO 9000, me deixou um jeito só de ler papel. Vale o que está escrito, e o que ficou na cabeça de quem escreveu não conta para a auditoria. É com essa lente que eu abro um relatório MASP, a folha em que um projeto de melhoria resume as oito etapas do método.
O modelo que a gente usa na Voitto traz a mesma regra impressa no topo, com outras palavras. Quem lê a folha precisa entender o projeto inteiro em 15 minutos, sem o autor do lado. Essa frase é um critério de auditoria disfarçado de instrução. Ela transforma cada bloco numa pergunta que o papel tem de responder sozinho.
As etapas em si estão explicadas na metodologia MASP (Método de Análise e Solução de Problemas), e eu não as reconto aqui. Este texto trata do documento que sai delas: o que cada bloco precisa mostrar, como ler o relatório MASP de outra pessoa e onde ela costuma ceder.
Você vai ver os oito blocos, a fase de cada um e como ler a folha bloco a bloco. Depois vêm o plano de ação, que é onde a série de exemplos mais falhou, e a meta não atingida, que também fecha o relatório MASP. O artigo termina com 13 relatórios MASP preenchidos em setores diferentes e o modelo vazio para a sua equipe.
Cabe dizer de onde vêm esses relatórios. São peças ilustrativas: a gente montou cada folha para este artigo com base em documentos ilustrativos do setor correspondente. Os números que aparecem nelas já estavam nesses documentos, sem nenhum acrescentado para o texto. Quando um bloco não mostra um item, a leitura aponta a falta em vez de completar o que não está lá.
O que é o relatório MASP
O relatório MASP é a folha que resume um projeto de melhoria em oito blocos, um por etapa do método, do problema à conclusão. Ele é atualizado a cada etapa concluída. Funciona como QC Story, o relato do projeto de qualidade que a banca e o patrocinador leem sem o autor por perto.
O MASP nasceu na JUSE, a união japonesa de cientistas e engenheiros, e se apoia no ciclo PDCA. No meu livro, essa origem está na página 130. A Figura 15.1 distribui as etapas pelas quatro fases: da 1 à 4 no Planejar, a 5 no Executar, a 6 no Checar e a 7 e a 8 no Agir. O relatório MASP herda exatamente essa divisão.
Um detalhe de vocabulário ajuda a não confundir fonte. O livro não usa os nomes QC Story nem relatório MASP. Os dois vêm do modelo RM8 do kit da Voitto, que chama a folha de QC Story do projeto e a define como documento vivo, atualizado etapa por etapa.
Quem já trabalha com o relatório A3 vai reconhecer a ideia de caber numa folha só. A diferença está no esqueleto: aqui cada bloco é uma etapa numerada do MASP. A folha nasce vazia no começo do projeto e vai sendo preenchida conforme ele avança. Para quem vem do Seis Sigma, a comparação de etapas está em MASP x DMAIC.
Por isso o relatório MASP tem dois leitores. O primeiro é a própria equipe, que usa a folha para saber em que etapa está e o que falta provar. O segundo é quem chega depois: o patrocinador, a banca de certificação, a equipe que vai atacar o problema remanescente. É para esse segundo leitor que vale a regra dos 15 minutos.
Os oito blocos e o que cada um precisa mostrar
Acima dos blocos fica o cabeçalho, com projeto, líder, equipe, patrocinador, período e data de atualização. A data parece burocracia, e é o primeiro campo que eu confiro. Uma folha sem data não diz se o bloco vazio está atrasado ou apenas ainda não chegou a vez dele.
| Bloco | Fase | O que precisa aparecer |
|---|---|---|
| 1. Identificação do problema | Planejar | O problema em uma frase, a perda que ele causa e a meta com valor e prazo |
| 2. Observação | Planejar | Estratificação e ida ao Genba, o local onde o problema acontece, até chegar ao problema focalizado |
| 3. Análise | Planejar | A causa fundamental comprovada com dados, e as hipóteses que caíram no teste |
| 4. Plano de ação | Planejar | Contramedidas que bloqueiam a causa, com quem e quando, e o detalhe no 5W2H |
| 5. Ação | Executar | Treinamento antes, execução registrada e desvios anotados |
| 6. Verificação | Checar | Antes e depois na mesma métrica da meta, e se o bloqueio foi efetivo |
| 7. Padronização | Agir | POP revisado, treinamento no padrão e item de controle monitorado |
| 8. Conclusão | Agir | Problemas remanescentes, lições aprendidas e o lugar onde o relatório foi arquivado |
O modelo marca os blocos 1 a 4 como a maior parte do trabalho, e a proporção faz sentido. Metade do relatório MASP é gasta antes de qualquer ação, porque é ali que se decide se a equipe vai atacar a causa ou o efeito. Os blocos 5 a 8 são a entrega.
Se a sua equipe conduz as etapas numa planilha MASP, o relatório MASP é o resumo dela, e não uma cópia. Cada bloco guarda só o que sustenta o seguinte: o número, a decisão e a evidência. O detalhe fica na planilha, e a folha aponta para ele.
Abrir o modelo em branco do relatório MASP (PDF)
Como ler um relatório MASP bloco a bloco
Leio cada bloco com uma pergunta só, e a pergunta muda de bloco para bloco. Se a folha responde sem precisar do autor, o bloco passa. Se eu preciso perguntar, o bloco falhou, mesmo que a resposta falada seja boa.
- Bloco 1: a frase diz o que está errado, quanto isso custa e até quando a meta vale? O modelo sugere registrar por que aquele problema foi o escolhido, e a matriz GUT é o jeito mais comum de mostrar a priorização.
- Bloco 2: o problema ficou menor do que era no bloco 1? A estratificação e o diagrama de Pareto servem para isso, e a ida ao local serve para ver o que a planilha não mostra.
- Bloco 3: a causa foi comprovada ou votada? O diagrama de Ishikawa e os 5 porquês levantam hipóteses. Quem comprova é o teste com dados, e a folha precisa dizer qual teste foi feito.
- Bloco 4: cada contramedida ataca uma causa do bloco 3, com dono, data, custo e risco?
- Bloco 5: onde está o registro do treinamento, e o que desviou do plano?
- Bloco 6: a régua do depois é a mesma da meta?
- Blocos 7 e 8: quem vigia o ganho a partir de agora, e o que ficou para outro projeto?
O bloco 3 merece atenção à parte, porque é nele que o relatório MASP mostra se houve método. As 13 folhas deste artigo marcam hipótese descartada, e nos relatórios de origem 9 delas eram a explicação que parecia óbvia e caiu no teste: falta de treinamento, apontador, analistas novos, indisciplina, falta de médico, gente nova, falta de analista, falta de camareira, elevador velho. Uma hipótese descartada com dado escrito vale mais do que três causas confirmadas sem dizer como.
A mesma pergunta vale para o relatório MASP da sua equipe antes de ele ir para a banca. Entregue a folha para alguém de outra área, marque 15 minutos e anote cada pergunta que a pessoa fizer. Cada pergunta é um bloco que ainda depende de você.
O plano de ação é o bloco que mais falha
No modelo, o bloco 4 tem três colunas: contramedida, quem e quando. O detalhe da execução vai para o 5W2H, e é aí que a folha costuma perder informação. Quem preenche só as três colunas entrega um plano sem preço e sem risco. A folha passa a depender do anexo para ser entendida.
O livro pede mais do que as três colunas. Na página 131, a etapa de plano de ação traz como ferramentas sugeridas o brainstorming, o diagrama de Pareto, a matriz de custos, o 5W2H e a FMEA. Duas dessas ferramentas existem para responder quanto a ação custa e o que pode dar errado com ela. Por isso eu leio o bloco 4 procurando os dois itens.
A conta das 13 folhas mostra o tamanho do problema. Sete não mostram custo no bloco 4 e oito não mostram riscos. Ao todo, 9 relatórios têm pelo menos uma das duas faltas. Só quatro passam inteiros: alimentício, farmacêutico, hotelaria e sustentabilidade. Somando a falta de evidência de treinamento numa das folhas, são 16 marcas de ausência na série, e todas caem nos blocos 4 e 5.
As faltas de custo seguem um padrão. Em seis das sete folhas sem custo no plano, o orçamento aparece no bloco 1, junto da meta, e some do plano. Nas mesmas seis, o gasto só aparece no bloco 5, depois de executado. O dinheiro está no relatório MASP, mas nunca no lugar onde a decisão foi tomada. O leitor do plano não consegue saber se cada ação cabia no orçamento antes de ela acontecer.
A falta de riscos se esconde nas condições da meta. Quase toda meta da série vem com condições, como não contratar, não reduzir o ritmo e manter a segurança do paciente. Cada condição é um risco que o plano deveria tratar por escrito. Nas oito folhas sem risco avaliado, as condições estão no bloco 1 e o plano não as retoma. Na logística, a produtividade reaparece no bloco 5, entre os critérios do piloto.
O livro também põe o custo no começo. Na página 130, a identificação do problema inclui quanto o projeto vai custar, o prazo e o objetivo. Esses três itens vão para o termo de abertura do projeto, e o bloco 4 é onde o orçamento aprovado se divide pelas contramedidas.
A meta não atingida também fecha o relatório
Cinco das 13 folhas terminam sem SIM na coluna da meta. Três marcam PARCIAL, no alimentício, na saúde e em serviços. Duas marcam QUASE, na logística e na manutenção. Uma sexta, a do farmacêutico, marca SIM com asterisco, porque o número do depois ainda é projeção.
Nenhuma dessas folhas deixou de ser um relatório MASP válido. O livro manda, na página 131, acompanhar e registrar os resultados, positivos e negativos. Na página 132, diante de resultado insatisfatório, manda primeiro conferir se todas as ações foram implantadas. A meta não atingida é um resultado a registrar e a investigar. A folha continua de pé.
O que decide o caminho é o bloco 6, na pergunta sobre o bloqueio. Se o bloqueio foi efetivo e a meta ficou curta, o que falta costuma ser escopo. Pode ser um turno que não entrou no piloto ou uma rua que ainda não recebeu a mudança. Se o bloqueio foi inefetivo, o modelo é explícito: volte à etapa 2, e não à 4. A causa foi mal identificada. Trocar de contramedida só repete o erro com outro gasto.
O modelo diz ainda que o retorno documentado à etapa 2 vale mais para a banca do que um sucesso sem evidência. Eu concordo como auditor. Uma folha que mostra o PARCIAL, explica de onde vem a diferença e dá data para fechar deixa o leitor conferir cada número dela. A régua de antes e depois está detalhada na verificação antes e depois.
Padronização e conclusão: o que segura o ganho
Sem padronização, o ganho verificado dura até a próxima troca de turno. É a passagem do PDCA para o SDCA, o ciclo que mantém o padrão. O livro, na página 132, põe na padronização o procedimento operacional padrão e o fluxograma. O modelo acrescenta o treinamento no padrão, que muita equipe faz no posto por OJT, e o item de controle monitorado.
Nas 13 folhas, 12 vigiam o item de controle numa carta de controle, com limites e plano de reação. A exceção é a saúde, que usa um painel por turno com seis itens. As duas formas passam na leitura, desde que digam quem reage e em quanto tempo. O conjunto de itens, limites e reações cabe num plano de controle. O quadro da área, na gestão à vista, é onde a equipe o enxerga todo dia.
O bloco 8 é o mais curto da folha e o que aponta para o próximo projeto. No capítulo 15 do livro, “Método de Análise e Solução de Problemas (MASP)”, a etapa de conclusão tem cinco atividades. A primeira é relacionar os problemas remanescentes, e a última descreve a própria folha, na página 132: “Criar um relatório que contenha os resultados obtidos, a evolução deles, as lições aprendidas, os erros e as dificuldades na aplicação”. As 13 folhas listam remanescentes, e em várias o remanescente já vem com a indicação de um novo giro do método.
As lições fecham o relatório MASP. Uma boa lição diz o que a equipe faria diferente no próximo projeto, e não o que deu certo neste. O registro delas segue a mesma lógica das lições aprendidas de qualquer projeto: escritas, arquivadas e achadas por quem vier depois.
Erros comuns no relatório MASP
Os erros abaixo aparecem na série de exemplos, e cada um é uma pergunta que a leitura de auditor faria ao autor. Todos têm a mesma raiz: o relatório MASP pressupõe um leitor que já conhece o projeto.
- Preencher tudo no fim. A folha foi feita para ser atualizada a cada etapa. Escrita de uma vez, ela vira apresentação e perde as datas que mostram a ordem das decisões.
- Causa votada no bloco 3. Três pessoas concordarem não comprova causa. O bloco precisa dizer que dado confirmou e que hipótese caiu.
- Plano sem custo e sem riscos. É a falta mais frequente da série: três colunas preenchidas e o resto no anexo.
- Execução sem registro. O bloco 5 diz que houve treinamento, mas não diz onde está a lista de presença.
- Régua trocada no bloco 6. O depois medido de outro jeito, ou em outro indicador, não compara com a meta.
- PARCIAL escondido. A folha que arredonda o resultado perde a confiança do leitor no primeiro número que ele conferir.
- Conclusão sem remanescentes. Todo projeto deixa alguma coisa para depois. Quando a folha não diz o que ficou, o próximo projeto começa do zero.
13 exemplos de relatório MASP preenchidos
Os 13 relatórios MASP abaixo cobrem setores diferentes, e cada um vem num PDF de página única que você pode baixar. Todos seguem os oito blocos da tabela acima. O comentário de cada folha diz o que o relatório MASP mostra, o que ele deixa de mostrar e em que bloco.
Repare principalmente no bloco 4 e na coluna da meta, que são os dois pontos onde a série mais varia. O comentário não reconta o projeto. Para isso, o PDF está a um clique.
◆ FOLHAS ILUSTRATIVAS, MONTADAS PARA ESTE TEXTO SOBRE DOCUMENTOS ILUSTRATIVOS DE CADA SETOR. CADA UMA FOI LIDA COMO UM AUDITOR LÊ: SÓ CONTA O QUE ESTÁ ESCRITO NO BLOCO.
1. Hotelaria, o plano que mostra custo e riscos
Quartos liberados em 74 minutos, com a governança pedindo 45 e sem autorização para contratar. O prazo é 28/08/2026 e o recall não pode passar de 2%. O bloco 1 fecha as três partes que o modelo pede: problema, perda e meta com prazo. É o bloco 4, porém, que faz desta folha uma referência. Ele traz 7 ações, R$ 19.600 dos R$ 25 mil, e dois riscos avaliados: a velocidade derrubar o padrão de limpeza e a lavanderia ficar sobrecarregada.
A leitura segue sem tropeço. No bloco 3, a limpeza aparece estável em 28 minutos nas medições de campo, e a hipótese da falta de camareira cai ali mesmo. O piloto nos andares 4 a 6, com 45 quartos, fechou em 46 minutos antes da virada.
Na verificação, o tempo foi de 74 para 43 minutos, com SIM. O que ficou para depois também está escrito: pendências de manutenção no quarto, 68 ocorrências por mês, e a verificação financeira do ganho em fev/2027.
2. O orçamento que aparece na meta e some do plano (financeiro)
Orçamento de R$ 15 mil está escrito no bloco 1, ao lado da meta de levar as glosas de 14,2% para 6% até 31/07/2026. Quem desce ao plano procura esse valor distribuído pelas ações e não encontra.
O plano tem quatro contramedidas com dono e ciclo. São o checklist digital por contratante, a dupla conferência contra a memória de cálculo, a trava de aditivos no boletim e o envio antecipado das medições. Faltam os dois itens que o livro sugere para esta etapa. Nenhuma linha diz quanto cada ação consome dos R$ 15 mil, e nenhuma trata o que pode dar errado quando a janela de envio é antecipada.
O resto do relatório MASP segura bem a banca. O bloco 6 compara 14,2 com 5,9 na mesma régua da meta. O bloco 7 põe a taxa semanal em carta de controle com LC 5,9%, LSC 8,4% e LIC 3,4%, com contenção em 48h.
A hipótese do apontador caiu no teste com dados, e este relatório MASP registra isso como lição. Na lista do que sobrou, 12 apontamentos de impostos e retenções e mais 9 de outros motivos esperam a rodada seguinte.
3. Alimentício: um PARCIAL escrito com todas as letras
Sobrepeso de envase em 3,4% e alvo de 1,4%: o relatório MASP mostra 1,6 com a palavra PARCIAL, no prazo fixado em 11/12/2026. É uma queda de 53% contra os 59% prometidos. A folha explica a diferença: os 0,2 p.p. restantes dependem da carta por bico e do 3º turno.
O bloco 4 é um dos quatro completos da série. Cada contramedida traz quem, quando e quanto, como as vedações dos bicos 5 a 8 por R$ 3,2 mil. O total fecha em R$ 15,1 mil, abaixo dos R$ 25 mil de teto. Os riscos também estão lá: subpeso, mitigado com conferência de 20 pacotes por bico depois da troca, e perda de ritmo, vigiada no piloto.
Três hipóteses caíram na análise, entre elas a balança descalibrada, que respondia por uma parcela pequena das ocorrências. A lição guardada no fim da folha serve para qualquer linha de envase: a média de 3,4% escondia quatro bicos específicos.
4. Manutenção de elevadores e as três faltas de uma folha com SIM
Rechamadas estão em 4,1% na verificação, contra 8,9% antes do projeto e meta fixada em 4,5%. Mesmo assim, este é o relatório MASP com mais faltas da série. São três, e nenhuma delas está no bloco 6.
O bloco 4 lista quatro contramedidas com dono e data, todas até 11/05: checklist digital com 45 minutos mínimos, procedimento de porta com gabarito, kit de peças de desgaste nos veículos e escalonamento para a engenharia. Risco não é citado. O preço de cada ação também não, mesmo com o orçamento de R$ 70 mil definido desde o bloco 1.
O custo fica para a execução: o bloco 5 registra o gasto dentro dos R$ 70 mil orçados. É ali também que está a terceira falta. O bloco conta que os técnicos das 2 rotas foram treinados até 11/05 e a Central na árvore de 12 códigos. Falta dizer onde ficou o registro desse treinamento.
Nada disso derruba o resultado, que se sustentou 12 semanas sem recorrência. Mas quem pegar esta folha na próxima auditoria vai perguntar quanto custou cada ação e quem assinou a presença, e o papel não responde.
5. QUASE na logística, com um plano sem uma linha de risco
Quase atingida é a marca da verificação na logística. Nas ruas 5 a 9, o erro de separação caiu de 4,1% para 1,3% na semana 3, contra meta de 1,0%. A folha anota que o piloto seguia em rota. A conta em escala, de 2,8% para 1,0% com o ganho anual, fica no mesmo bloco como projeção validada com o Financeiro.
Custo o plano mostra, do scan reativado sem gasto até a identificação por cor nas ruas. O que falta é risco. Reativar o scan mexe na produtividade, e esse risco só surge no bloco 5, como critério do piloto: queda de até 3%. Uma linha no bloco 4 teria antecipado o que o piloto acabou medindo.
6. O asterisco do farmacêutico
Asterisco na coluna da meta é o detalhe que separa esta folha das outras doze. O bloco 6 marca SIM* no tempo de liberação, e o relatório repete o asterisco nos outros dois itens. A nota explica que o 6,0 é projeção: o ganho só vira definitivo depois de 3 meses de estabilidade na carta de controle.
Esse asterisco é o que um auditor espera achar. O relatório MASP podia ter escrito SIM sem ressalva e escolheu dizer que o número depende de tempo. A conclusão repete a condição como primeiro remanescente, antes do retrabalho por desvios e OOS, que ocupa 13% do tempo.
No plano, nada falta. Cada ação tem custo, do painel de fila a custo zero à célula de nivelamento por R$ 8 mil, somando R$ 17 mil dos R$ 20 mil. Os riscos estão escritos, com o retrabalho vigiado em até 3%. A falta de analista, hipótese fácil, foi descartada pelos dados.
Metade da série. Até aqui vieram três planos completos e três com faltas, e na coluna da meta um PARCIAL, um QUASE e um SIM com asterisco. As próximas sete trazem o único plano que trata riscos e esquece o custo, mais um plano completo, dois PARCIAL e um QUASE.
7. Produção: riscos pensados, custo ausente
Parafusadeira descalibrada no 2º turno e lote de parafusos fora de tolerância: as duas causas do retrabalho de 12% têm comprovação no bloco 3. A hipótese de falta de treinamento caiu ali. O plano desta folha é o único da série que trata riscos e esquece o custo. Ritmo da linha monitorado no piloto e estoque de segurança para a devolução de lote estão escritos.
Valor, nenhum. O bloco 1 também não traz orçamento, então o relatório MASP inteiro não diz quanto o projeto consumiu. Já a verificação registra o ganho mensal saindo de menos 8 para mais 9 mil reais. Mostrar o ganho e omitir o gasto deixa a banca sem a conta do retorno.
8. Serviços, quando o custo só aparece na execução
Faturas com erro em 6,2% do censo mensal. Pelo bloco 1, a meta é 2,0%, com prazo em 11/12/2026 e orçamento de R$ 18 mil. Três linhas de plano agrupam as seis contramedidas, do formulário de aditivos em D+2 ao checklist com trava de tarifa. Todas levam dono e prazo, e o plano para aí.
O dinheiro chega um bloco depois. A execução conta que as 6 contramedidas entraram no fechamento de 16 a 20/11/2026, por R$ 14.500 dos R$ 18.000 orçados. É gasto registrado, bom sinal de execução, mas quem leu o plano não tinha como saber de antemão quanto cada linha ia custar. Riscos não aparecem no plano.
Na coluna da meta, PARCIAL: 2,6 contra 2,0, com os últimos pontos entre 2,1 e 2,2. O primeiro ciclo depois do bloqueio tinha critério próprio e passou nele, com SIM.
Dois modos seguram o patamar, segundo a folha: item ou serviço incorreto, 460 casos, e valor de medição divergente, 330. São eles que abrem a próxima volta do método.
9. Resíduo de obra: o risco de prazo amarrado à meta
Resíduo medido em m³ por m² construído, de 0,182 para 0,13, e uma condição dita logo no bloco 1: não atrasar a obra, com o projeto fechando em 31/07/2026. A condição de prazo volta no bloco 4 como risco avaliado, o atraso de cronograma, bloqueado com piloto nos pavimentos 8 a 10. As 7 ações somam R$ 38.200 dos R$ 45 mil. O plano ainda registra o que foi descartado, como a usina de britagem, pelo investimento alto.
A verificação prova a mesma condição: cronograma de 20 meses antes e depois, e resíduo em 0,125. Entre os quatro planos completos da série, este é o que liga meta, risco e verificação pelo mesmo fio.
10. Marketing: quatro frentes com dono e nenhuma com preço
Leads que chegam fora do horário comercial e esperam pela primeira resposta: é esse o problema focalizado. O plano responde com plantão digital de 15 minutos, das 8h às 22h, cadência de 5 toques em 7 dias, roleta de distribuição e ajuste de segmentação.
Cada linha tem responsável e prazo, três até 08/06 e a última no ciclo seguinte de mídia. O bloco 1 traz orçamento de R$ 22 mil, e o plano não diz quanto dele vai para cada frente. Risco também fica sem registro. O plantão estendido pede corretor disponível à noite, e a meta proíbe aumentar o quadro de corretores. Essa tensão merecia uma linha escrita.
O resultado sobra: 8,4% para 14,8% contra meta de 14%, com a verba de mídia 22% menor. A lição registrada diz duas coisas. Velocidade e persistência rendem mais que volume de anúncio, e o teste barato com 60 leads evitou comprar mídia para alimentar o sintoma.
11. Manutenção: MTTR em QUASE e um plano sem risco
MTTR de 7,4 horas nas linhas 2 e 5 caiu para 3,6, a um décimo da meta de 3,5. O bloco 6 escreve QUASE. É leitura honesta: o relatório MASP não arredonda para SIM.
O custo do plano está à vista. São R$ 14 mil em kits e mín/máx para 120 itens e R$ 2 mil em guias de diagnóstico com treinamento dos 12 técnicos. Falta a análise de risco. A meta pede manter o custo total de manutenção e o padrão LOTO de bloqueio e etiquetagem, e nenhuma das duas condições vira risco avaliado.
A conclusão amarra o fechamento a um prazo. A rotina replicada nas linhas 1, 3 e 4 desde 23/11 e o painel semanal de MTTR entram no acompanhamento de 90 dias. Com o prazo escrito, o leitor sabe quando o QUASE volta a ser medido.
12. Pronto atendimento: o PARCIAL que tem endereço
Pacientes verde e azul ficavam 4,9 horas entre a porta e a alta, e a meta pedia 2,5 até 11/12/2026. A verificação fecha em 2,7, PARCIAL, uma queda de 45%.
O bloqueio funcionou, e a própria folha diz por quê. As duas esperas atacadas, laboratório e reavaliação, caíram sem reacúmulo no piloto. Ficou de fora do piloto o turno noturno, com 57% dos casos. É um PARCIAL de escopo. A conclusão marca o próximo ataque para 11/12/2026.
O plano, porém, mostra a falta mais comum da série. A etiqueta de prioridade, com prazo de 45 minutos pactuado com o laboratório, abre as três contramedidas, e o checklist de reavaliação fecha a lista. Preço e risco não aparecem em nenhuma delas. O orçamento de R$ 25 mil está no bloco 1, e o gasto, cerca de R$ 16 mil, só é anotado no bloco 5.
Numa área assistencial, o risco óbvio de acelerar a alta é a segurança do paciente, que a meta cita como condição. O plano não nomeia esse risco nem diz que controle o vigiaria.
13. Portas de pavimento e o gasto que chega depois do plano
Portas de pavimento voltavam para retrabalho em 11,6% dos casos. A folha pede 5%, com orçamento de R$ 60 mil e duas condições: manter o ritmo da linha e não criar posto novo de inspeção. Três das quatro linhas do plano atacam uma causa cada: os berços revestidos e o calibre dos gabaritos, até 05/06, e a tabela de solda, até 08/06. A quarta, também para 08/06, é o apontamento no MES, que mede o defeito sem atacar causa nenhuma. A tabela do plano tem colunas para contramedida, quem e quando, e nenhuma para custo ou risco.
No bloco 5, a execução registra quase todo o orçamento consumido e traz a nota de que os AGVs foram adiados e a inspeção 100% descartada por atacar o sintoma. Adiar os AGVs e descartar a inspeção foram decisões de plano. Anotadas no bloco 5, ao lado do custo, elas chegam ao relatório MASP depois que o dinheiro já saiu.
Modelo de relatório MASP para preencher
O modelo repete as oito linhas da folha de leitura. A coluna 2 traz a dica de cada bloco, a coluna 3 tem espaço para copiar o trecho do seu relatório e a coluna 4 tem caixas para marcar. O campo de data fica no quadro de uso, no topo. Leia o relatório da sua equipe bloco a bloco. Só passe do bloco 4 ao 5 quando o plano marcar dono, data, custo e risco. Caixa sem marca aponta o que ainda falta escrever.
O relatório MASP é uma das peças do kit de ferramentas de MASP da Voitto, que reúne os modelos das outras etapas. Nas academias de certificação, o aluno aplica essas peças num projeto da própria empresa e defende o resultado diante de uma banca. O Guia Prático Lean Seis Sigma descreve as oito etapas do MASP no capítulo 15, nas páginas 130 a 132.
