Metodologias & Qualidade

Modelo de relatório MASP preenchido, etapa por etapa

As oito etapas de um caso real de ponta a ponta: 1.080 ocorrências de erro de separação, meta de 6,0% para 2,5% e as contas ligando uma etapa à outra

Thiago Coutinho
Publicado em 25 de set de 2026  ·  Atualizado em 25 de set de 2026  ·  16 min de leitura

Quem procura um modelo de relatório MASP encontra a planilha em branco com os oito quadros nomeados. A planilha é a parte fácil. A dificuldade começa quando alguém precisa decidir qual número entra na identificação, quantos cortes fazer na observação e quando a cadeia de causas pode parar.

Este artigo faz o caminho contrário. Em vez do formulário vazio, um relatório preenchido etapa por etapa, com o texto que apareceria em cada campo, as tabelas como elas ficariam na planilha e as contas conferidas de uma ponta à outra.

O caso é um centro de distribuição com 6,0% de erro de separação. Os números se ligam entre as etapas: a observação reparte o total da identificação, a análise mira a fatia concentrada, o plano promete uma fração conferida contra a meta e a verificação apura o que de fato caiu.

Além do exemplo, o artigo trata de por que a observação existe separada da análise. Também cobre a montagem no Excel, o que cabe em cada campo, onde o MASP difere do DMAIC e o uso na reunião de acompanhamento.

Os números do exemplo foram montados para este artigo, no formato dos kits da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica de preenchimento e a aritmética que precisa fechar entre as etapas, não descrevem uma empresa real.

O que o relatório MASP registra, e por que ele não é a última etapa

O MASP, Método de Análise e Solução de Problemas, é um roteiro de oito etapas para levar um problema medido até uma contramedida padronizada. O relatório MASP é o documento que acompanha esse percurso: cada etapa concluída deixa ali o que produziu, com data e responsável.

A confusão mais comum é tratar o relatório como entregável de encerramento, escrito depois que tudo acabou. Quando isso acontece, o documento vira narrativa: quem escreve já sabe qual foi a solução e monta a análise de trás para frente.

Preenchido no ritmo do projeto, ele faz outra coisa: trava o avanço. A etapa 3 não abre enquanto a 2 não tiver a estratificação pronta, e a 4 não abre enquanto a 3 não tiver causa sustentada em dado. É o mecanismo que impede o grupo de pular direto para a solução.

MASP e PDCA: as oito etapas dentro das quatro fases

O MASP não é alternativa ao PDCA. É o ciclo PDCA aberto em oito etapas, com o Plan ocupando metade delas. Essa desproporção é deliberada: a fase de planejamento concentra identificação, observação, análise e plano de ação, quatro das oito etapas.

Fase do PDCAEtapas do MASPPeso no projeto
Plan1. Identificação, 2. Observação, 3. Análise, 4. Plano de ação4 de 8 etapas
Do5. Ação1 de 8 etapas
Check6. Verificação1 de 8 etapas
Act7. Padronização, 8. Conclusão2 de 8 etapas

Quem conhece o ciclo PDCA em quatro fases percebe o que o MASP acrescenta: ele nomeia o que precisa existir dentro do Plan e cria um ponto de parada entre cada coisa. No MASP, planejar tem quatro saídas nomeadas, cada uma com produto verificável.

A consequência aparece no cronograma. Em um projeto de doze semanas, é normal que as quatro primeiras etapas ocupem sete ou oito, e que a ação execute em duas. Cronograma que dá três semanas ao Plan e nove ao Do indica problema definido por suposição.

As oito etapas e o que cada uma entrega

Cada etapa tem um produto que pode ser mostrado. Não é reunião realizada nem discussão concluída: é artefato com número, data e nome.

EtapaPerguntaO que entrega
1. IdentificaçãoQual problema, de que tamanho?Indicador, linha de base com período, perda financeira e meta
2. ObservaçãoOnde e quando o problema se concentra?Estratificações do mesmo total, por tipo, turno, local e período
3. AnálisePor que ele acontece?Hipóteses levantadas, hipóteses testadas e a causa raiz sustentada
4. Plano de açãoO que fazer, quem, até quando?5W2H com efeito esperado por ação e soma que alcança a meta
5. AçãoO que foi executado de fato?Status por ação, desvio de prazo e o que mudou no plano
6. VerificaçãoO indicador mudou?Série mensal pós-ação comparada à linha de base e o ganho apurado
7. PadronizaçãoO que impede a volta?Documento revisado, parâmetro travado, treinamento e rotina de conferência
8. ConclusãoO que fica e o que sobra?Resultado final, residual por tipo, custo real e o próximo problema

A coluna da direita é o critério de aceite. Etapa dada como concluída sem o artefato correspondente não fechou, ainda que a reunião tenha sido produtiva.

Por que observação é uma etapa separada da análise

Observação e análise parecem a mesma coisa porque as duas olham para o problema, mas fazem perguntas diferentes.

A observação é descritiva. Pega o total do problema e o corta em fatias: por tipo de defeito, por turno, por equipamento, por cliente, por hora. Nenhuma fatia explica nada; elas mostram que o problema não está distribuído por igual. A saída é uma frase do tipo "metade do problema está aqui".

A análise é causal. Pega a fatia mais concentrada e pergunta por que aquilo acontece ali, com hipótese, teste e descarte. A saída é uma cadeia que termina em algo que pode ser mudado.

O que se perde ao pular a observação é o alvo. Sem estratificação, a análise trabalha sobre o problema inteiro, que tem dezenas de causas plausíveis. O grupo acaba com um diagrama de causa e efeito cheio de ramos genéricos, escolhe três por votação e monta um plano que trata um pouco de tudo.

O caso usado no exemplo preenchido

O exemplo é um centro de distribuição de higiene e cosméticos, com separação por coletor de código de barras, três turnos e 42 separadores. Toda devolução por erro de separação entra em um registro de ocorrência com tipo, pedido, rua, separador e turno.

A linha de base cobre o primeiro semestre: 18.000 pedidos expedidos, 3.000 por mês em média, e 1.080 ocorrências de erro de separação, 6,0% dos pedidos, ou 180 por mês.

Cada ocorrência custa R$ 112,00, somando coleta reversa de R$ 38,00, reprocesso interno de R$ 22,50 e crédito com frete de reenvio de R$ 51,50. No semestre, R$ 120.960,00; no ritmo do ano inteiro, R$ 241.920,00.

Etapa 1 preenchida: identificação do problema

A etapa 1 responde de que tamanho é o problema e o que se quer dele. É curta e quase toda numérica.

CampoConteúdo preenchido
ProblemaDevolução de pedidos por erro de separação
IndicadorOcorrências de erro de separação sobre pedidos expedidos
Linha de base6,0%, 1.080 ocorrências em 18.000 pedidos, 1º semestre
Frequência180 ocorrências por mês, estável nos seis meses
PerdaR$ 112,00 por ocorrência, R$ 120.960,00 no semestre
MetaReduzir para 2,5% até 31/12, no máximo 75 ocorrências por mês
DonoCoordenador de expedição
Prazo do projeto22/06 a 31/12

A meta tem os quatro elementos exigidos: indicador, linha de base com período, valor desejado e data. A tradução de 2,5% em 75 ocorrências por mês não é redundância: permite ao coordenador saber, no dia 18, se o mês está dentro ou fora.

O campo de perda sustenta o orçamento das etapas seguintes. Sem ele, qualquer investimento proposto na etapa 4 vira discussão de preferência.

Etapa 2 preenchida: observação, três cortes do mesmo total

A etapa 2 não acrescenta dado novo. Corta as mesmas 1.080 ocorrências de maneiras diferentes até que um corte mostre concentração. O primeiro é por tipo de erro, em diagrama de Pareto:

Tipo de erroOcorrências% do total% acumulado
Item trocado por SKU similar38936,0%36,0%
Quantidade divergente29227,0%63,1%
Item faltante17316,0%79,1%
Endereço ou cliente trocado11911,0%90,1%
Outros seis tipos1079,9%100,0%
Total1.080100,0%-

Item trocado responde por 389 das 1.080 ocorrências. O segundo corte pega só essas 389 e as distribui por turno:

TurnoOcorrências de item trocado% das 389
1, das 06h às 14h9624,7%
2, das 14h às 22h10827,8%
3, das 22h às 06h18547,6%
Total389100,0%

O terceiro corte é por rua de separação. A rua C, de cosméticos, concentra 241 das 389 ocorrências, 62,0%, contra 148 em todas as demais somadas. O cruzamento dos dois cortes fecha o alvo: 158 ocorrências, 40,6% do tipo, na rua C durante o turno 3.

Todo esse recorte saiu do registro já existente, sem coleta nova. Quando o registro não tem os campos necessários, a etapa 2 começa com a montagem de uma folha de verificação e três a quatro semanas de espera.

Etapa 3 preenchida: análise, do leque de hipóteses à causa raiz

A etapa 3 parte do alvo e levanta hipóteses. O grupo usou um diagrama de Ishikawa para abrir o leque e depois testou cada ramo contra o dado disponível.

HipóteseTeste aplicadoResultado
Separadores do turno 3 são menos experientesTempo de casa por turnoDescartada, mediana de 19 meses contra 17 nos outros
Iluminação da rua C é insuficiente à noiteLux em 6 pontos nos três turnosDescartada, mesma leitura nos três
Volume do turno 3 gera pressaPedidos separados por horaDescartada, turno 3 separa 18% menos por hora
SKUs da rua C são visualmente parecidosInspeção das 34 embalagens da ruaConfirmada, diferença só na gramatura em corpo 8
Coletor não obriga leitura do itemParâmetro do WMS por ruaConfirmada, bipagem só de endereço

Duas hipóteses sobreviveram e se reforçam. A cadeia de 5 porquês foi conduzida sobre a que explica por que o erro não é barrado:

  1. Por que o item sai trocado? Porque o separador pega o SKU vizinho no mesmo endereço.
  2. Por que pega o vizinho? Porque as embalagens da rua C diferem apenas na gramatura, impressa em corpo 8.
  3. Por que a diferença não é notada? Porque a conferência é só visual, o coletor não pede leitura do código do item.
  4. Por que não pede? Porque o WMS foi parametrizado com bipagem apenas de endereço, para ganhar velocidade na implantação.
  5. Por que continuou assim? Porque a parametrização nunca foi revista e não há documento que defina em quais ruas a leitura do item é obrigatória.

Causa raiz registrada: ausência de leitura obrigatória do item nas ruas de SKU similar, somada à falta de critério documentado para definir quais ruas a exigem. O turno 3 aparece mais não por ser pior, e sim por ter maior participação da rua C na carga.

Etapa 4 preenchida: plano de ação com efeito prometido

A etapa 4 converte a causa raiz em ações. O formato é o 5W2H, com a coluna que quase sempre falta nos modelos genéricos: o efeito esperado em unidade do indicador.

AçãoResponsávelPrazoCustoEfeito esperado no semestre
Habilitar leitura obrigatória do item nas ruas C e F no WMSAnalista de sistemas15/08R$ 4.560,00412 ocorrências evitadas
Reendereçar a rua C separando gramaturas por corredor, com etiqueta em corSupervisor de estoque31/08R$ 3.868,00118 ocorrências evitadas
Escrever o POP de separação da rua C e treinar os 14 separadores do turno 3Coordenador de expedição10/09R$ 588,0096 ocorrências evitadas
Conferência por amostragem na expedição do turno 3 para pedidos da rua CLíder de expedição10/09R$ 8.700,0062 ocorrências evitadas
Total--R$ 17.716,00688 ocorrências evitadas

A soma precisa ser conferida contra a meta, e essa conta pertence ao relatório. As 688 ocorrências evitadas são 63,7% das 1.080 da linha de base. O residual fica em 392 por semestre, 2,18% dos 18.000 pedidos, abaixo da meta de 2,5%.

Quando a soma não alcança a meta, há duas leituras e o plano de ação precisa dizer qual se aplica: ou faltam ações, ou a meta foi fixada acima do que a análise sustenta. As duas são aceitáveis; inaceitável é a soma não ser feita.

O custo total de R$ 17.716,00 se compara aos R$ 120.960,00 de perda semestral. É essa relação que autoriza a compra dos seis coletores sem nova discussão de orçamento.

Etapa 5 preenchida: ação, onde os desvios são registrados

A etapa 5 costuma ser a mais pobre dos relatórios, reduzida a um "executado conforme planejado". É justamente onde o desvio precisa ficar visível, porque ele explica boa parte do que a verificação vai mostrar.

AçãoPrazo planejadoConclusão realObservação registrada
Leitura obrigatória do item15/0822/08Janela de parada do WMS remarcada pelo fornecedor
Reendereçamento da rua C31/0802/09Mutirão em dois sábados, 8 pessoas por turno
POP e treinamento do turno 310/0908/0914 separadores treinados, 2 horas cada
Conferência por amostragem10/0919/09Coletores entregues com 9 dias de atraso

Os dois atrasos deslocaram o início do efeito. A leitura obrigatória só operou um mês cheio a partir de setembro, e a conferência por amostragem a partir de outubro. Esse registro é o que impede a leitura errada do primeiro mês de verificação.

A etapa 5 também guarda o que mudou no plano. Aqui, o reendereçamento cobriu 34 SKUs em vez dos 28 previstos, porque a inspeção encontrou seis itens de gramatura dupla fora do levantamento inicial.

Etapa 6 preenchida: verificação contra a linha de base

A etapa 6 compara o indicador pós-ação com a linha de base, na mesma unidade e no mesmo recorte. Série mensal, não média do período, porque a média esconde a subida do efeito.

MêsPedidos expedidosOcorrênciasTaxa
Linha de base, média mensal3.0001806,00%
Setembro3.1201334,26%
Outubro2.980953,19%
Novembro3.240782,41%
Dezembro3.060672,19%

Nos quatro meses somados, 373 ocorrências em 12.400 pedidos, 3,01%. No bimestre novembro e dezembro, com todas as ações em regime, 145 em 6.300 pedidos, 2,30%, abaixo da meta de 2,5%.

O ganho apurado usa dezembro como referência. Na taxa da base, os 3.060 pedidos do mês gerariam 184 ocorrências; ocorreram 67, portanto 117 evitadas, R$ 13.104,00. Em doze meses no mesmo patamar, R$ 157.248,00.

Contra o investimento de R$ 17.716,00, o retorno se paga em 1,35 mês, cerca de 41 dias. O payback pertence à etapa 6 e não à etapa 4, porque usa o efeito medido e não o prometido.

Etapa 7 preenchida: padronização, o que impede a volta

A etapa 7 separa melhoria de oscilação. Sem ela, o indicador volta ao patamar anterior em três a seis meses, e ninguém percebe até o relatório seguinte.

MecanismoFormaResponsável pela manutenção
Leitura obrigatória do itemParâmetro do WMS travado por perfil, alteração só pelo administradorAnalista de sistemas
Critério de rua com leitura obrigatóriaPOP-LOG-014, revisão anual, gatilho de 4 SKUs similares no mesmo endereçoCoordenador de expedição
TreinamentoMódulo incluído na integração de separador novo, 2 horasRH e coordenação de expedição
Conferência por amostragemFolha semanal, 30 pedidos da rua C por turnoLíder de expedição
Acompanhamento do indicadorCarta de controle p, revisão mensal na reunião de operaçõesCoordenador de expedição

O POP aqui não descreve só como separar: fixa o critério que aciona a leitura obrigatória em outras ruas. É o que faz a contramedida se aplicar sozinha quando o sortimento mudar.

A carta de controle entra porque a taxa passou a variar em patamar estreito. Depois de 2,3%, o que importa não é mais a queda, e sim detectar quando um ponto sai da faixa.

Etapa 8 preenchida: conclusão e o que fica em aberto

A etapa 8 fecha o relatório com o resultado final, o que sobrou e o que vem depois. É o único lugar onde cabe avaliação da condução, e não só do resultado.

Resultado: taxa de erro de separação reduzida de 6,0% para 2,19% em dezembro, bimestre final em 2,30%, meta de 2,5% atingida em novembro. Ganho anualizado de R$ 157.248,00 sobre investimento de R$ 17.716,00, payback de 41 dias.

O residual de dezembro, aberto por tipo, mostra onde está o próximo problema:

Tipo de erroDezembro% do residualMédia mensal da base
Quantidade divergente2740,3%48,7
Item trocado por SKU similar1420,9%64,8
Item faltante1319,4%28,8
Endereço ou cliente trocado811,9%19,8
Outros seis tipos57,5%17,8
Total67100,0%180,0

O tipo atacado caiu 78,4% na comparação mensal, de 64,8 para 14. Quantidade divergente caiu 44,5% por arrasto, mas passou a ser o maior do residual, com 40,3%. É o problema do próximo ciclo, registrado como recomendação.

Lição registrada: o atraso de nove dias nos coletores mostrou que o cronograma tratou compra como tarefa administrativa. Nos próximos projetos, item com prazo de fornecedor entra com data de pedido e data de recebimento separadas.

A estrutura no Excel: uma aba por etapa e uma de dados

O modelo em Excel funciona melhor com dez abas: uma de capa, oito de etapa e uma de dados. A divisão permite travar cada etapa quando ela fecha.

AbaConteúdoCampos principais
00 CapaIdentificação do projetoTítulo, área, dono, equipe, datas, status por etapa
01 IdentificaçãoProblema e metaIndicador, linha de base, perda, meta, prazo
02 ObservaçãoEstratificaçõesTabelas de corte, Pareto, gráficos vinculados à aba de dados
03 AnáliseHipóteses e causaLista de hipóteses, teste, resultado, cadeia de porquês, causa raiz
04 Plano de ação5W2HAção, responsável, prazo, custo, efeito esperado, soma
05 AçãoExecuçãoStatus, data real, desvio, observação
06 VerificaçãoResultadoSérie mensal, taxa, comparação com base, ganho, payback
07 PadronizaçãoSustentaçãoMecanismo, documento, responsável, frequência de revisão
08 ConclusãoFechamentoResultado final, residual por tipo, lições, próximo ciclo
09 DadosBase brutaRegistro de ocorrências e série mensal, fonte de todos os gráficos

A aba 09 é a que dá integridade ao documento. Toda tabela e todo gráfico das abas 02, 06 e 08 apontam para ela por fórmula, nunca por valor digitado.

Na capa, o status por etapa usa lista suspensa com três valores: não iniciada, em andamento e concluída. A etapa só vai para concluída quando a célula de produto estiver preenchida, o que se resolve com validação condicional.

Quem prefere folha única encontra a mesma lógica no relatório A3, que comprime as oito etapas em uma página. A escolha entre os dois é de suporte, não de método.

O que cabe em cada campo, e o que não cabe

O campo do Excel aceita texto longo, e por isso precisa de limite combinado. Relatório em que cada campo tem meia página deixa de ser lido e volta a ser formalidade.

CampoTamanho de referênciaO que não entra
Descrição do problema1 frase, até 25 palavrasCausa suposta, nome de responsável, solução
Linha de baseNúmero, unidade e períodoAdjetivo de intensidade sem medida
Meta1 frase com valor, prazo e basePercentual sem o absoluto equivalente
EstratificaçãoTabela, sem prosaInterpretação causal do corte
Hipótese1 linha por hipóteseHipótese que não pode ser testada com o dado disponível
Causa raiz2 a 3 linhasCausa sobre a qual a equipe não tem alcance
AçãoVerbo no infinitivo, objeto, localAção sem efeito esperado quantificado
VerificaçãoTabela mensal, sem média únicaComparação com período diferente do da base
Padronização1 linha por mecanismoTreinamento como único mecanismo
Conclusão5 a 8 linhasAgradecimento, texto de apresentação

A regra que resolve a maioria das dúvidas é de direção: da etapa 1 à 3 só entra fato e raciocínio, nunca solução; da 4 à 8 só entra ação e resultado, nunca diagnóstico novo.

MASP e DMAIC: onde a exigência de prova muda

MASP e DMAIC resolvem o mesmo tipo de problema e têm a mesma espinha. A diferença está no que cada um aceita como prova de que a causa foi encontrada.

AspectoMASPDMAIC
Prova de causaEvidência lógica e estratificação consistenteTeste estatístico com nível de significância
Sistema de mediçãoConfiabilidade assumida do registro existenteAnálise formal do sistema de medição antes de coletar
VariaçãoTratada por estratificaçãoTratada por capacidade e controle estatístico
Papel conduzindoSupervisor ou coordenador da áreaGreen Belt ou Black Belt formado
Duração típica8 a 14 semanas16 a 24 semanas
Custo de conduçãoHoras da própria equipeHoras da equipe mais dedicação do belt

A comparação entre MASP e DMAIC costuma ser apresentada como escolha de maturidade, e não é: é escolha de natureza do problema. Quando a relação entre causa e efeito é visível na estratificação, o rigor estatístico do método DMAIC acrescenta prazo sem acrescentar certeza.

Neste exemplo, o MASP bastou porque a causa apareceu em uma consulta de parâmetro e em uma inspeção de embalagem.

Os erros de preenchimento mais comuns

Os erros se repetem entre empresas e são quase todos de sequência, não de conteúdo. Quem revisa relatório MASP reconhece os primeiros de longe.

ErroComo aparece no relatórioCorreção
Solução na etapa 1"Problema: falta de treinamento dos separadores"Reescrever como desvio medido, treinamento é causa suposta
Observação puladaEtapa 2 com o mesmo total da etapa 1, sem corteEstratificar por pelo menos três dimensões antes de abrir a 3
Causa fora do alcanceCausa raiz apontando para o mercado ou o clienteDescer a cadeia até algo que a equipe possa mudar
Ação sem efeito esperadoPlano com 5W2H completo e coluna de efeito vaziaEstimar o efeito por ação e somar contra a meta
Verificação com médiaUm número único para todo o período pós-açãoSérie mensal, com a data em que o efeito começou
Padronização por treinamentoÚnico mecanismo: reciclagem anual da equipeAcrescentar trava de sistema, documento ou dispositivo
Relatório escrito no fimTodas as etapas com a mesma data de preenchimentoDatar cada etapa quando ela fecha

Quando as oito etapas têm a mesma data, o documento foi montado depois, e a sequência que o método impõe não foi cumprida em nenhum momento.

O relatório na reunião de acompanhamento

O uso que justifica o documento é a reunião quinzenal de meia hora. A pauta é a sequência das etapas, e a regra é que o grupo só discute a etapa aberta.

  1. Etapa aberta e qual é o produto que falta para ela fechar.
  2. O que foi feito desde a reunião anterior, com o dado que apareceu.
  3. O que impede o fechamento e quem destrava.
  4. Data em que a etapa fecha e o que abre em seguida.

Essa disciplina evita a conversa mais improdutiva do acompanhamento, que é discutir solução enquanto a análise está aberta. Quando alguém propõe uma ação na etapa 2, a ideia vai para uma lista lateral da aba de dados e volta na etapa 4.

Do lado do gestor, a função é fazer três perguntas fixas: de onde veio esse número, o que essa estratificação exclui e como saberemos que a causa é essa. As três cabem em qualquer etapa e mantêm o relatório honesto sem exigir que o gestor domine o caso.

Perguntas frequentes

O que é o MASP e como ele se relaciona com o PDCA?
MASP é o Método de Análise e Solução de Problemas, um roteiro de oito etapas que detalha o PDCA. As etapas 1 a 4 formam o Plan, a etapa 5 é o Do, a 6 é o Check e as etapas 7 e 8 são o Act. Metade das etapas fica no planejamento, o que é deliberado: a ênfase do MASP está em identificar, observar e analisar antes de agir.
Quais são as oito etapas do relatório MASP?
Identificação do problema, observação, análise, plano de ação, ação, verificação, padronização e conclusão. Cada uma entrega um artefato verificável: a identificação entrega linha de base e meta, a observação entrega estratificações, a análise entrega a causa raiz testada, o plano entrega um 5W2H com efeito esperado e a verificação entrega a série mensal comparada à base.
Por que observação e análise são etapas separadas?
Porque respondem perguntas diferentes. A observação é descritiva: corta o total do problema por tipo, turno, local e período até mostrar onde ele se concentra. A análise é causal: pega a fatia concentrada e pergunta por que aquilo acontece ali. Pular a observação deixa a análise sem alvo, e o plano acaba tratando um pouco de tudo, com custo alto e efeito disperso.
O que se perde ao pular a etapa de observação?
Perde-se o alvo e o orçamento. Sem estratificação, o diagrama de causa e efeito enche de ramos genéricos e a equipe escolhe causas por votação. A ação desenhada para o problema inteiro custa caro e rende pouco, enquanto a ação desenhada para a fatia que concentra metade do volume custa uma fração. No exemplo, a observação levou de 1.080 ocorrências para um alvo de 158.
O relatório MASP é preenchido no fim do projeto?
Não. Ele acompanha o projeto e é preenchido etapa por etapa, com data em cada fechamento. Relatório escrito no fim vira narrativa: quem escreve já sabe a solução e monta a análise de trás para frente. O sinal mais claro desse problema é o documento em que as oito etapas têm a mesma data de preenchimento.
Como estruturar o relatório MASP no Excel?
Com dez abas: uma capa com status por etapa, oito abas de etapa e uma aba de dados brutos. Todas as tabelas e gráficos das abas de observação, verificação e conclusão apontam para a aba de dados por fórmula, nunca por valor digitado. Assim, reclassificar uma ocorrência atualiza o Pareto, o residual e o ganho de uma vez só.
A soma das ações precisa alcançar a meta?
Precisa, e a conta pertence ao relatório. No exemplo, as quatro ações somam 688 ocorrências evitadas sobre 1.080, 63,7%, deixando residual de 392 no semestre, 2,18% dos pedidos, abaixo da meta de 2,5%. Quando a soma não alcança a meta, ou faltam ações ou a meta está acima do que a análise sustenta, e o relatório precisa dizer qual das duas.
Qual a diferença entre MASP e DMAIC?
A exigência de prova. O MASP aceita evidência lógica e estratificação consistente como demonstração de causa; o DMAIC pede teste estatístico, análise do sistema de medição e estudo de capacidade. O MASP roda em 8 a 14 semanas com a equipe da área; o DMAIC leva de 16 a 24 semanas e pede um belt formado conduzindo.
Quando o MASP é a escolha certa?
Quando o problema é crônico e conhecido, o dado já é registrado na rotina, a causa provável está dentro do alcance da equipe e o ganho não justifica meses de projeto. Se a causa envolve várias variáveis simultâneas, se o efeito é da ordem da variação natural do processo ou se a própria medição é suspeita, o DMAIC passa a valer o custo adicional.
O que fazer quando a meta não é atingida?
Fechar as oito etapas do mesmo jeito. A etapa 6 registra o que de fato mudou, a etapa 7 padroniza o ganho parcial que houver e a etapa 8 registra a hipótese que sobrou e o que seria tentado em seguida. Relatório que só existe quando dá certo transforma o arquivo em vitrine e deixa a empresa repetir a mesma tentativa alguns anos depois.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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