Modelo de relatório MASP preenchido, etapa por etapa
As oito etapas de um caso real de ponta a ponta: 1.080 ocorrências de erro de separação, meta de 6,0% para 2,5% e as contas ligando uma etapa à outra
Quem procura um modelo de relatório MASP encontra a planilha em branco com os oito quadros nomeados. A planilha é a parte fácil. A dificuldade começa quando alguém precisa decidir qual número entra na identificação, quantos cortes fazer na observação e quando a cadeia de causas pode parar.
Este artigo faz o caminho contrário. Em vez do formulário vazio, um relatório preenchido etapa por etapa, com o texto que apareceria em cada campo, as tabelas como elas ficariam na planilha e as contas conferidas de uma ponta à outra.
O caso é um centro de distribuição com 6,0% de erro de separação. Os números se ligam entre as etapas: a observação reparte o total da identificação, a análise mira a fatia concentrada, o plano promete uma fração conferida contra a meta e a verificação apura o que de fato caiu.
Além do exemplo, o artigo trata de por que a observação existe separada da análise. Também cobre a montagem no Excel, o que cabe em cada campo, onde o MASP difere do DMAIC e o uso na reunião de acompanhamento.
Os números do exemplo foram montados para este artigo, no formato dos kits da Voitto. São ilustrativos: mostram a mecânica de preenchimento e a aritmética que precisa fechar entre as etapas, não descrevem uma empresa real.
O que o relatório MASP registra, e por que ele não é a última etapa
O MASP, Método de Análise e Solução de Problemas, é um roteiro de oito etapas para levar um problema medido até uma contramedida padronizada. O relatório MASP é o documento que acompanha esse percurso: cada etapa concluída deixa ali o que produziu, com data e responsável.
A confusão mais comum é tratar o relatório como entregável de encerramento, escrito depois que tudo acabou. Quando isso acontece, o documento vira narrativa: quem escreve já sabe qual foi a solução e monta a análise de trás para frente.
Preenchido no ritmo do projeto, ele faz outra coisa: trava o avanço. A etapa 3 não abre enquanto a 2 não tiver a estratificação pronta, e a 4 não abre enquanto a 3 não tiver causa sustentada em dado. É o mecanismo que impede o grupo de pular direto para a solução.
MASP e PDCA: as oito etapas dentro das quatro fases
O MASP não é alternativa ao PDCA. É o ciclo PDCA aberto em oito etapas, com o Plan ocupando metade delas. Essa desproporção é deliberada: a fase de planejamento concentra identificação, observação, análise e plano de ação, quatro das oito etapas.
| Fase do PDCA | Etapas do MASP | Peso no projeto |
|---|---|---|
| Plan | 1. Identificação, 2. Observação, 3. Análise, 4. Plano de ação | 4 de 8 etapas |
| Do | 5. Ação | 1 de 8 etapas |
| Check | 6. Verificação | 1 de 8 etapas |
| Act | 7. Padronização, 8. Conclusão | 2 de 8 etapas |
Quem conhece o ciclo PDCA em quatro fases percebe o que o MASP acrescenta: ele nomeia o que precisa existir dentro do Plan e cria um ponto de parada entre cada coisa. No MASP, planejar tem quatro saídas nomeadas, cada uma com produto verificável.
A consequência aparece no cronograma. Em um projeto de doze semanas, é normal que as quatro primeiras etapas ocupem sete ou oito, e que a ação execute em duas. Cronograma que dá três semanas ao Plan e nove ao Do indica problema definido por suposição.
As oito etapas e o que cada uma entrega
Cada etapa tem um produto que pode ser mostrado. Não é reunião realizada nem discussão concluída: é artefato com número, data e nome.
| Etapa | Pergunta | O que entrega |
|---|---|---|
| 1. Identificação | Qual problema, de que tamanho? | Indicador, linha de base com período, perda financeira e meta |
| 2. Observação | Onde e quando o problema se concentra? | Estratificações do mesmo total, por tipo, turno, local e período |
| 3. Análise | Por que ele acontece? | Hipóteses levantadas, hipóteses testadas e a causa raiz sustentada |
| 4. Plano de ação | O que fazer, quem, até quando? | 5W2H com efeito esperado por ação e soma que alcança a meta |
| 5. Ação | O que foi executado de fato? | Status por ação, desvio de prazo e o que mudou no plano |
| 6. Verificação | O indicador mudou? | Série mensal pós-ação comparada à linha de base e o ganho apurado |
| 7. Padronização | O que impede a volta? | Documento revisado, parâmetro travado, treinamento e rotina de conferência |
| 8. Conclusão | O que fica e o que sobra? | Resultado final, residual por tipo, custo real e o próximo problema |
A coluna da direita é o critério de aceite. Etapa dada como concluída sem o artefato correspondente não fechou, ainda que a reunião tenha sido produtiva.
Por que observação é uma etapa separada da análise
Observação e análise parecem a mesma coisa porque as duas olham para o problema, mas fazem perguntas diferentes.
A observação é descritiva. Pega o total do problema e o corta em fatias: por tipo de defeito, por turno, por equipamento, por cliente, por hora. Nenhuma fatia explica nada; elas mostram que o problema não está distribuído por igual. A saída é uma frase do tipo "metade do problema está aqui".
A análise é causal. Pega a fatia mais concentrada e pergunta por que aquilo acontece ali, com hipótese, teste e descarte. A saída é uma cadeia que termina em algo que pode ser mudado.
O que se perde ao pular a observação é o alvo. Sem estratificação, a análise trabalha sobre o problema inteiro, que tem dezenas de causas plausíveis. O grupo acaba com um diagrama de causa e efeito cheio de ramos genéricos, escolhe três por votação e monta um plano que trata um pouco de tudo.
O caso usado no exemplo preenchido
O exemplo é um centro de distribuição de higiene e cosméticos, com separação por coletor de código de barras, três turnos e 42 separadores. Toda devolução por erro de separação entra em um registro de ocorrência com tipo, pedido, rua, separador e turno.
A linha de base cobre o primeiro semestre: 18.000 pedidos expedidos, 3.000 por mês em média, e 1.080 ocorrências de erro de separação, 6,0% dos pedidos, ou 180 por mês.
Cada ocorrência custa R$ 112,00, somando coleta reversa de R$ 38,00, reprocesso interno de R$ 22,50 e crédito com frete de reenvio de R$ 51,50. No semestre, R$ 120.960,00; no ritmo do ano inteiro, R$ 241.920,00.
Etapa 1 preenchida: identificação do problema
A etapa 1 responde de que tamanho é o problema e o que se quer dele. É curta e quase toda numérica.
| Campo | Conteúdo preenchido |
|---|---|
| Problema | Devolução de pedidos por erro de separação |
| Indicador | Ocorrências de erro de separação sobre pedidos expedidos |
| Linha de base | 6,0%, 1.080 ocorrências em 18.000 pedidos, 1º semestre |
| Frequência | 180 ocorrências por mês, estável nos seis meses |
| Perda | R$ 112,00 por ocorrência, R$ 120.960,00 no semestre |
| Meta | Reduzir para 2,5% até 31/12, no máximo 75 ocorrências por mês |
| Dono | Coordenador de expedição |
| Prazo do projeto | 22/06 a 31/12 |
A meta tem os quatro elementos exigidos: indicador, linha de base com período, valor desejado e data. A tradução de 2,5% em 75 ocorrências por mês não é redundância: permite ao coordenador saber, no dia 18, se o mês está dentro ou fora.
O campo de perda sustenta o orçamento das etapas seguintes. Sem ele, qualquer investimento proposto na etapa 4 vira discussão de preferência.
Etapa 2 preenchida: observação, três cortes do mesmo total
A etapa 2 não acrescenta dado novo. Corta as mesmas 1.080 ocorrências de maneiras diferentes até que um corte mostre concentração. O primeiro é por tipo de erro, em diagrama de Pareto:
| Tipo de erro | Ocorrências | % do total | % acumulado |
|---|---|---|---|
| Item trocado por SKU similar | 389 | 36,0% | 36,0% |
| Quantidade divergente | 292 | 27,0% | 63,1% |
| Item faltante | 173 | 16,0% | 79,1% |
| Endereço ou cliente trocado | 119 | 11,0% | 90,1% |
| Outros seis tipos | 107 | 9,9% | 100,0% |
| Total | 1.080 | 100,0% | - |
Item trocado responde por 389 das 1.080 ocorrências. O segundo corte pega só essas 389 e as distribui por turno:
| Turno | Ocorrências de item trocado | % das 389 |
|---|---|---|
| 1, das 06h às 14h | 96 | 24,7% |
| 2, das 14h às 22h | 108 | 27,8% |
| 3, das 22h às 06h | 185 | 47,6% |
| Total | 389 | 100,0% |
O terceiro corte é por rua de separação. A rua C, de cosméticos, concentra 241 das 389 ocorrências, 62,0%, contra 148 em todas as demais somadas. O cruzamento dos dois cortes fecha o alvo: 158 ocorrências, 40,6% do tipo, na rua C durante o turno 3.
Todo esse recorte saiu do registro já existente, sem coleta nova. Quando o registro não tem os campos necessários, a etapa 2 começa com a montagem de uma folha de verificação e três a quatro semanas de espera.
Etapa 3 preenchida: análise, do leque de hipóteses à causa raiz
A etapa 3 parte do alvo e levanta hipóteses. O grupo usou um diagrama de Ishikawa para abrir o leque e depois testou cada ramo contra o dado disponível.
| Hipótese | Teste aplicado | Resultado |
|---|---|---|
| Separadores do turno 3 são menos experientes | Tempo de casa por turno | Descartada, mediana de 19 meses contra 17 nos outros |
| Iluminação da rua C é insuficiente à noite | Lux em 6 pontos nos três turnos | Descartada, mesma leitura nos três |
| Volume do turno 3 gera pressa | Pedidos separados por hora | Descartada, turno 3 separa 18% menos por hora |
| SKUs da rua C são visualmente parecidos | Inspeção das 34 embalagens da rua | Confirmada, diferença só na gramatura em corpo 8 |
| Coletor não obriga leitura do item | Parâmetro do WMS por rua | Confirmada, bipagem só de endereço |
Duas hipóteses sobreviveram e se reforçam. A cadeia de 5 porquês foi conduzida sobre a que explica por que o erro não é barrado:
- Por que o item sai trocado? Porque o separador pega o SKU vizinho no mesmo endereço.
- Por que pega o vizinho? Porque as embalagens da rua C diferem apenas na gramatura, impressa em corpo 8.
- Por que a diferença não é notada? Porque a conferência é só visual, o coletor não pede leitura do código do item.
- Por que não pede? Porque o WMS foi parametrizado com bipagem apenas de endereço, para ganhar velocidade na implantação.
- Por que continuou assim? Porque a parametrização nunca foi revista e não há documento que defina em quais ruas a leitura do item é obrigatória.
Causa raiz registrada: ausência de leitura obrigatória do item nas ruas de SKU similar, somada à falta de critério documentado para definir quais ruas a exigem. O turno 3 aparece mais não por ser pior, e sim por ter maior participação da rua C na carga.
Etapa 4 preenchida: plano de ação com efeito prometido
A etapa 4 converte a causa raiz em ações. O formato é o 5W2H, com a coluna que quase sempre falta nos modelos genéricos: o efeito esperado em unidade do indicador.
| Ação | Responsável | Prazo | Custo | Efeito esperado no semestre |
|---|---|---|---|---|
| Habilitar leitura obrigatória do item nas ruas C e F no WMS | Analista de sistemas | 15/08 | R$ 4.560,00 | 412 ocorrências evitadas |
| Reendereçar a rua C separando gramaturas por corredor, com etiqueta em cor | Supervisor de estoque | 31/08 | R$ 3.868,00 | 118 ocorrências evitadas |
| Escrever o POP de separação da rua C e treinar os 14 separadores do turno 3 | Coordenador de expedição | 10/09 | R$ 588,00 | 96 ocorrências evitadas |
| Conferência por amostragem na expedição do turno 3 para pedidos da rua C | Líder de expedição | 10/09 | R$ 8.700,00 | 62 ocorrências evitadas |
| Total | - | - | R$ 17.716,00 | 688 ocorrências evitadas |
A soma precisa ser conferida contra a meta, e essa conta pertence ao relatório. As 688 ocorrências evitadas são 63,7% das 1.080 da linha de base. O residual fica em 392 por semestre, 2,18% dos 18.000 pedidos, abaixo da meta de 2,5%.
Quando a soma não alcança a meta, há duas leituras e o plano de ação precisa dizer qual se aplica: ou faltam ações, ou a meta foi fixada acima do que a análise sustenta. As duas são aceitáveis; inaceitável é a soma não ser feita.
O custo total de R$ 17.716,00 se compara aos R$ 120.960,00 de perda semestral. É essa relação que autoriza a compra dos seis coletores sem nova discussão de orçamento.
Etapa 5 preenchida: ação, onde os desvios são registrados
A etapa 5 costuma ser a mais pobre dos relatórios, reduzida a um "executado conforme planejado". É justamente onde o desvio precisa ficar visível, porque ele explica boa parte do que a verificação vai mostrar.
| Ação | Prazo planejado | Conclusão real | Observação registrada |
|---|---|---|---|
| Leitura obrigatória do item | 15/08 | 22/08 | Janela de parada do WMS remarcada pelo fornecedor |
| Reendereçamento da rua C | 31/08 | 02/09 | Mutirão em dois sábados, 8 pessoas por turno |
| POP e treinamento do turno 3 | 10/09 | 08/09 | 14 separadores treinados, 2 horas cada |
| Conferência por amostragem | 10/09 | 19/09 | Coletores entregues com 9 dias de atraso |
Os dois atrasos deslocaram o início do efeito. A leitura obrigatória só operou um mês cheio a partir de setembro, e a conferência por amostragem a partir de outubro. Esse registro é o que impede a leitura errada do primeiro mês de verificação.
A etapa 5 também guarda o que mudou no plano. Aqui, o reendereçamento cobriu 34 SKUs em vez dos 28 previstos, porque a inspeção encontrou seis itens de gramatura dupla fora do levantamento inicial.
Etapa 6 preenchida: verificação contra a linha de base
A etapa 6 compara o indicador pós-ação com a linha de base, na mesma unidade e no mesmo recorte. Série mensal, não média do período, porque a média esconde a subida do efeito.
| Mês | Pedidos expedidos | Ocorrências | Taxa |
|---|---|---|---|
| Linha de base, média mensal | 3.000 | 180 | 6,00% |
| Setembro | 3.120 | 133 | 4,26% |
| Outubro | 2.980 | 95 | 3,19% |
| Novembro | 3.240 | 78 | 2,41% |
| Dezembro | 3.060 | 67 | 2,19% |
Nos quatro meses somados, 373 ocorrências em 12.400 pedidos, 3,01%. No bimestre novembro e dezembro, com todas as ações em regime, 145 em 6.300 pedidos, 2,30%, abaixo da meta de 2,5%.
O ganho apurado usa dezembro como referência. Na taxa da base, os 3.060 pedidos do mês gerariam 184 ocorrências; ocorreram 67, portanto 117 evitadas, R$ 13.104,00. Em doze meses no mesmo patamar, R$ 157.248,00.
Contra o investimento de R$ 17.716,00, o retorno se paga em 1,35 mês, cerca de 41 dias. O payback pertence à etapa 6 e não à etapa 4, porque usa o efeito medido e não o prometido.
Etapa 7 preenchida: padronização, o que impede a volta
A etapa 7 separa melhoria de oscilação. Sem ela, o indicador volta ao patamar anterior em três a seis meses, e ninguém percebe até o relatório seguinte.
| Mecanismo | Forma | Responsável pela manutenção |
|---|---|---|
| Leitura obrigatória do item | Parâmetro do WMS travado por perfil, alteração só pelo administrador | Analista de sistemas |
| Critério de rua com leitura obrigatória | POP-LOG-014, revisão anual, gatilho de 4 SKUs similares no mesmo endereço | Coordenador de expedição |
| Treinamento | Módulo incluído na integração de separador novo, 2 horas | RH e coordenação de expedição |
| Conferência por amostragem | Folha semanal, 30 pedidos da rua C por turno | Líder de expedição |
| Acompanhamento do indicador | Carta de controle p, revisão mensal na reunião de operações | Coordenador de expedição |
O POP aqui não descreve só como separar: fixa o critério que aciona a leitura obrigatória em outras ruas. É o que faz a contramedida se aplicar sozinha quando o sortimento mudar.
A carta de controle entra porque a taxa passou a variar em patamar estreito. Depois de 2,3%, o que importa não é mais a queda, e sim detectar quando um ponto sai da faixa.
Etapa 8 preenchida: conclusão e o que fica em aberto
A etapa 8 fecha o relatório com o resultado final, o que sobrou e o que vem depois. É o único lugar onde cabe avaliação da condução, e não só do resultado.
Resultado: taxa de erro de separação reduzida de 6,0% para 2,19% em dezembro, bimestre final em 2,30%, meta de 2,5% atingida em novembro. Ganho anualizado de R$ 157.248,00 sobre investimento de R$ 17.716,00, payback de 41 dias.
O residual de dezembro, aberto por tipo, mostra onde está o próximo problema:
| Tipo de erro | Dezembro | % do residual | Média mensal da base |
|---|---|---|---|
| Quantidade divergente | 27 | 40,3% | 48,7 |
| Item trocado por SKU similar | 14 | 20,9% | 64,8 |
| Item faltante | 13 | 19,4% | 28,8 |
| Endereço ou cliente trocado | 8 | 11,9% | 19,8 |
| Outros seis tipos | 5 | 7,5% | 17,8 |
| Total | 67 | 100,0% | 180,0 |
O tipo atacado caiu 78,4% na comparação mensal, de 64,8 para 14. Quantidade divergente caiu 44,5% por arrasto, mas passou a ser o maior do residual, com 40,3%. É o problema do próximo ciclo, registrado como recomendação.
Lição registrada: o atraso de nove dias nos coletores mostrou que o cronograma tratou compra como tarefa administrativa. Nos próximos projetos, item com prazo de fornecedor entra com data de pedido e data de recebimento separadas.
A estrutura no Excel: uma aba por etapa e uma de dados
O modelo em Excel funciona melhor com dez abas: uma de capa, oito de etapa e uma de dados. A divisão permite travar cada etapa quando ela fecha.
| Aba | Conteúdo | Campos principais |
|---|---|---|
| 00 Capa | Identificação do projeto | Título, área, dono, equipe, datas, status por etapa |
| 01 Identificação | Problema e meta | Indicador, linha de base, perda, meta, prazo |
| 02 Observação | Estratificações | Tabelas de corte, Pareto, gráficos vinculados à aba de dados |
| 03 Análise | Hipóteses e causa | Lista de hipóteses, teste, resultado, cadeia de porquês, causa raiz |
| 04 Plano de ação | 5W2H | Ação, responsável, prazo, custo, efeito esperado, soma |
| 05 Ação | Execução | Status, data real, desvio, observação |
| 06 Verificação | Resultado | Série mensal, taxa, comparação com base, ganho, payback |
| 07 Padronização | Sustentação | Mecanismo, documento, responsável, frequência de revisão |
| 08 Conclusão | Fechamento | Resultado final, residual por tipo, lições, próximo ciclo |
| 09 Dados | Base bruta | Registro de ocorrências e série mensal, fonte de todos os gráficos |
A aba 09 é a que dá integridade ao documento. Toda tabela e todo gráfico das abas 02, 06 e 08 apontam para ela por fórmula, nunca por valor digitado.
Na capa, o status por etapa usa lista suspensa com três valores: não iniciada, em andamento e concluída. A etapa só vai para concluída quando a célula de produto estiver preenchida, o que se resolve com validação condicional.
Quem prefere folha única encontra a mesma lógica no relatório A3, que comprime as oito etapas em uma página. A escolha entre os dois é de suporte, não de método.
O que cabe em cada campo, e o que não cabe
O campo do Excel aceita texto longo, e por isso precisa de limite combinado. Relatório em que cada campo tem meia página deixa de ser lido e volta a ser formalidade.
| Campo | Tamanho de referência | O que não entra |
|---|---|---|
| Descrição do problema | 1 frase, até 25 palavras | Causa suposta, nome de responsável, solução |
| Linha de base | Número, unidade e período | Adjetivo de intensidade sem medida |
| Meta | 1 frase com valor, prazo e base | Percentual sem o absoluto equivalente |
| Estratificação | Tabela, sem prosa | Interpretação causal do corte |
| Hipótese | 1 linha por hipótese | Hipótese que não pode ser testada com o dado disponível |
| Causa raiz | 2 a 3 linhas | Causa sobre a qual a equipe não tem alcance |
| Ação | Verbo no infinitivo, objeto, local | Ação sem efeito esperado quantificado |
| Verificação | Tabela mensal, sem média única | Comparação com período diferente do da base |
| Padronização | 1 linha por mecanismo | Treinamento como único mecanismo |
| Conclusão | 5 a 8 linhas | Agradecimento, texto de apresentação |
A regra que resolve a maioria das dúvidas é de direção: da etapa 1 à 3 só entra fato e raciocínio, nunca solução; da 4 à 8 só entra ação e resultado, nunca diagnóstico novo.
MASP e DMAIC: onde a exigência de prova muda
MASP e DMAIC resolvem o mesmo tipo de problema e têm a mesma espinha. A diferença está no que cada um aceita como prova de que a causa foi encontrada.
| Aspecto | MASP | DMAIC |
|---|---|---|
| Prova de causa | Evidência lógica e estratificação consistente | Teste estatístico com nível de significância |
| Sistema de medição | Confiabilidade assumida do registro existente | Análise formal do sistema de medição antes de coletar |
| Variação | Tratada por estratificação | Tratada por capacidade e controle estatístico |
| Papel conduzindo | Supervisor ou coordenador da área | Green Belt ou Black Belt formado |
| Duração típica | 8 a 14 semanas | 16 a 24 semanas |
| Custo de condução | Horas da própria equipe | Horas da equipe mais dedicação do belt |
A comparação entre MASP e DMAIC costuma ser apresentada como escolha de maturidade, e não é: é escolha de natureza do problema. Quando a relação entre causa e efeito é visível na estratificação, o rigor estatístico do método DMAIC acrescenta prazo sem acrescentar certeza.
Neste exemplo, o MASP bastou porque a causa apareceu em uma consulta de parâmetro e em uma inspeção de embalagem.
Os erros de preenchimento mais comuns
Os erros se repetem entre empresas e são quase todos de sequência, não de conteúdo. Quem revisa relatório MASP reconhece os primeiros de longe.
| Erro | Como aparece no relatório | Correção |
|---|---|---|
| Solução na etapa 1 | "Problema: falta de treinamento dos separadores" | Reescrever como desvio medido, treinamento é causa suposta |
| Observação pulada | Etapa 2 com o mesmo total da etapa 1, sem corte | Estratificar por pelo menos três dimensões antes de abrir a 3 |
| Causa fora do alcance | Causa raiz apontando para o mercado ou o cliente | Descer a cadeia até algo que a equipe possa mudar |
| Ação sem efeito esperado | Plano com 5W2H completo e coluna de efeito vazia | Estimar o efeito por ação e somar contra a meta |
| Verificação com média | Um número único para todo o período pós-ação | Série mensal, com a data em que o efeito começou |
| Padronização por treinamento | Único mecanismo: reciclagem anual da equipe | Acrescentar trava de sistema, documento ou dispositivo |
| Relatório escrito no fim | Todas as etapas com a mesma data de preenchimento | Datar cada etapa quando ela fecha |
Quando as oito etapas têm a mesma data, o documento foi montado depois, e a sequência que o método impõe não foi cumprida em nenhum momento.
O relatório na reunião de acompanhamento
O uso que justifica o documento é a reunião quinzenal de meia hora. A pauta é a sequência das etapas, e a regra é que o grupo só discute a etapa aberta.
- Etapa aberta e qual é o produto que falta para ela fechar.
- O que foi feito desde a reunião anterior, com o dado que apareceu.
- O que impede o fechamento e quem destrava.
- Data em que a etapa fecha e o que abre em seguida.
Essa disciplina evita a conversa mais improdutiva do acompanhamento, que é discutir solução enquanto a análise está aberta. Quando alguém propõe uma ação na etapa 2, a ideia vai para uma lista lateral da aba de dados e volta na etapa 4.
Do lado do gestor, a função é fazer três perguntas fixas: de onde veio esse número, o que essa estratificação exclui e como saberemos que a causa é essa. As três cabem em qualquer etapa e mantêm o relatório honesto sem exigir que o gestor domine o caso.
