Metodologias & Qualidade

Metodologia MASP: as 8 etapas, por que observação e análise são separadas e como aplicar

O que distingue a metodologia MASP não é ter oito etapas: é separar observação de análise. É essa etapa 2 que impede o salto do problema para a causa presumida

Thiago Coutinho
Publicado em 27 de nov de 2017  ·  Atualizado em 26 de set de 2026  ·  16 min de leitura
Aprenda a usar a Metodologia MASP na prática! Aplique soluções efetivas a seus processos

A metodologia MASP tem oito etapas, e quase todo material sobre ela gasta o espaço listando as oito. O problema é que a lista não explica por que o método funciona. Times que decoram a sequência continuam resolvendo problema do mesmo jeito de antes, só com mais formulário no caminho.

O que distingue o MASP não é a quantidade de etapas. É o fato de a etapa 2 e a etapa 3 serem separadas. Observação é uma coisa, análise é outra, e o método proíbe misturar as duas. Essa proibição é o método inteiro.

O comportamento padrão de qualquer equipe diante de um problema é saltar do sintoma para a causa presumida em poucos minutos. Alguém diz que é falta de treinamento, outro diz que é o fornecedor, e a reunião passa a discutir soluções para hipóteses que ninguém mediu.

O MASP é o PDCA levado a sério na fase de análise. O ciclo diz para planejar antes de agir, mas não diz como. O MASP responde: caracterize o fenômeno com dado antes de investigar a causa, e só investigue a causa depois de saber exatamente quando, onde e em quem o problema aparece.

A tabela das oito etapas, o mapa contra o PDCA e o exemplo de problema bem definido deste artigo foram montados no formato do Kit MASP da Voitto. Os números citados nos exemplos são ilustrativos, construídos para este texto e conferidos entre si. Nenhuma empresa real está descrita aqui.

A tese: MASP é PDCA com a fase de análise levada a sério

O ciclo PDCA estabelece que se planeja, executa, verifica e age corretivamente. É um enquadramento, não um procedimento. Dois times podem seguir o PDCA à risca e chegar a resultados opostos, porque o quadrante Plan aceita qualquer coisa que se pareça com planejamento.

O MASP preenche esse vazio. Ele pega o Plan e o divide em quatro etapas obrigatórias, com entregas distintas e ordem fixa. Identificação, observação, análise e plano de ação. As três primeiras acontecem antes de qualquer discussão sobre o que fazer.

Quem entende isso usa bem o método. Quem não entende acha que a metodologia MASP é o PDCA com mais papel, preenche os oito quadros de uma planilha no mesmo dia e devolve um documento que descreve uma decisão já tomada. O formulário fica completo e a causa segue desconhecida.

Vale fixar o critério prático desde já. Se a equipe consegue nomear a causa na primeira reunião, ela pulou a observação. O método não proíbe intuição, proíbe tratá-la como conclusão antes de o dado confirmar.

Origem: o QC Story japonês

O MASP não nasceu no Brasil. Ele é a versão nacional do QC Story, formato de relato de caso criado no Japão para os círculos de controle da qualidade. A JUSE, entidade que organizou o movimento da qualidade japonês do pós-guerra, padronizou a sequência para que operários pudessem apresentar melhorias em congresso.

A origem explica o formato. O QC Story é antes de tudo um roteiro de narrativa: tema escolhido, razão da escolha, situação atual, meta, análise, ação, confirmação do efeito, padronização e reflexão. A ordem existe para que um terceiro consiga auditar o raciocínio sem ter estado lá.

Esse detalhe costuma passar batido e muda o uso. O MASP não é só um método para resolver, é um método para provar que se resolveu. Cada etapa deixa um registro que sustenta a etapa seguinte, e é por isso que pular uma delas quebra a cadeia toda.

O contexto é o mesmo que produziu as sete ferramentas da qualidade e o vocabulário que a história da gestão da qualidade consolidou entre os anos 1950 e 1970. Ferramenta simples, aplicada por quem opera, com dado coletado no local do fato.

A adaptação brasileira e o papel de Falconi

A difusão no Brasil veio pela engenharia. Vicente Falconi Campos, professor da UFMG, coordenou a Fundação Christiano Ottoni, que a partir dos anos 1980 trouxe consultores japoneses e traduziu o repertório do TQC para a indústria nacional. O QC Story virou Método de Análise e Solução de Problemas.

A sigla é portuguesa, não inglesa. Aparece com frequência a afirmação de que MASP seria sigla em inglês, e isso está errado. A expressão inglesa correspondente é problem solving, e o nome MASP só existe em material brasileiro.

A adaptação fez duas coisas. Formalizou as oito etapas com subetapas numeradas, mais rígidas que o original japonês, e amarrou o método ao gerenciamento da rotina, de modo que o resultado de um MASP termina virando padrão de trabalho. Essa amarração é a contribuição brasileira mais útil.

Também criou um efeito colateral duradouro. Por ser muito prescritivo, o MASP brasileiro é fácil de burocratizar. A planilha preenchida passa a ser o objetivo, e o preenchimento substitui a investigação.

As oito etapas em uma tabela

A tabela abaixo é o mapa do método. A coluna que mais importa é a última, porque é ela que impede o avanço prematuro. Sem critério de saída, toda etapa se encerra quando a reunião acaba.

EtapaPergunta que respondeFerramenta típicaEntregaCritério para avançar
1. IdentificaçãoQual problema vamos atacar e por quêPareto, folha de verificação, matriz de priorizaçãoProblema definido em uma frase, com perda quantificada e equipe nomeadaA perda está em número e alguém patrocina a correção
2. ObservaçãoQuando, onde, em que tipo e com quem o problema apareceEstratificação, folha de verificação, histogramaCaracterização do fenômeno em dado estratificadoExiste pelo menos uma estratificação que concentra o problema
3. AnálisePor que o problema aparece justamente aliIshikawa, cinco porquês, diagrama de dispersãoCausa raiz confirmada por evidência, não por consensoA causa explica o padrão visto na etapa 2, inclusive onde o problema não aparece
4. Plano de açãoO que será feito, por quem e até quando5W2H, matriz de esforço e impactoPlano com responsável e prazo por ação, ligado à causaToda ação aponta para uma causa confirmada
5. AçãoAs ações saíram do papelTreinamento, gestão à vista, cronogramaAções executadas e registro do que mudou no processoExecução registrada com data, sem ação em aberto sem justificativa
6. VerificaçãoO bloqueio funcionouCarta de controle, gráfico sequencial, Pareto antes e depoisComparação do indicador antes e depois, com efeitos colaterais listadosO indicador melhorou de forma sustentada e a causa não voltou
7. PadronizaçãoComo impedir que voltePOP, treinamento, auditoria de aderênciaPadrão novo ou revisado, comunicado e treinadoO padrão está escrito, treinado e com aderência sendo medida
8. ConclusãoO que aprendemos e o que ficou pendenteRelatório, Pareto dos remanescentesRelatório de encerramento com lições e pendênciasPendências viraram novos problemas priorizados ou foram descartadas com motivo

Repare que os critérios da etapa 2 e da etapa 3 são diferentes em natureza. O da etapa 2 é sobre dado. O da etapa 3 é sobre explicação. Quem funde as duas perde justamente o teste que separa hipótese de conclusão.

Etapa 1: identificação do problema

Identificar não é descrever o incômodo. É escolher um problema entre vários e justificar a escolha com perda medida. Sem isso, o time trabalha no problema mais barulhento, que raramente é o mais caro.

A etapa tem quatro entregas. Definição do problema em uma frase verificável. Histórico com frequência, local e período. Perda atual em unidade que a diretoria entenda, como reais, horas ou peças. Equipe nomeada com prazo declarado para concluir o ciclo.

A priorização é o ponto decisivo. Um diagrama de Pareto sobre os tipos de ocorrência costuma resolver em uma tarde o que a reunião discute há meses. Priorize o que impacta resultado, não o que irrita mais gente.

Modo de falha típico da etapa: escolher um problema tão grande que ele não cabe em um ciclo. Reduzir refugo da fábrica não é problema, é objetivo. Reduzir refugo por rebarba na prensa 3 no turno da noite é problema.

Etapa 2: observação, a etapa que quase todo time pula

Observação responde a uma pergunta só: onde exatamente o problema mora. Não é sobre causa, é sobre distribuição. O trabalho é estratificar a ocorrência por tempo, local, tipo e indivíduo, e descobrir em qual recorte ela se concentra.

A folha de verificação é a ferramenta central aqui, porque ela força a coleta no local e no momento do fato. Dado de memória não serve. O que se busca é a assimetria: o turno em que o defeito triplica, o lote de matéria-prima que concentra a falha.

Há um segundo movimento que o método exige e quase ninguém faz: ir ao local. Observar o processo rodando muda a lista de hipóteses. O que se enxerga no posto costuma não estar em nenhum relatório.

Modo de falha típico: aceitar o dado agregado. Um número mensal único não estratifica nada, e o time conclui que o problema é generalizado. Quase nunca é. Problema generalizado costuma ser problema mal observado.

Por que observação e análise são etapas distintas

A separação existe porque as duas etapas usam lógicas opostas. Observação é descritiva e trabalha com o que aconteceu. Análise é explicativa e trabalha com o que causa. Uma coleta, a outra interpreta, e interpretar antes de coletar contamina a coleta.

Quando as etapas se fundem, o time levanta hipótese e sai atrás de dado que a confirme. É viés de confirmação com aparência de rigor. A folha de verificação passa a registrar só o que interessa à tese, e o Ishikawa vira ata de opinião.

Há um segundo prejuízo, mais silencioso. A observação produz o teste que valida a causa. Se o defeito se concentra no turno da noite, qualquer causa proposta precisa explicar por que o turno da manhã escapa. Sem observação, não existe esse teste.

É essa lógica que separa o método de um brainstorming organizado. A investigação em análise de causa raiz só tem poder quando parte de um fenômeno bem caracterizado. Fundir as etapas devolve o time ao palpite, agora com formulário.

  • Observação responde: quando, onde, que tipo, com quem, com que frequência e com que magnitude.
  • Análise responde: por que o fenômeno tem exatamente essa distribuição e não outra.
  • Teste de separação: se você já sabe a causa antes de estratificar o dado, a etapa 2 não aconteceu.

Etapa 3: análise das causas

Análise parte do fenômeno caracterizado e busca a causa que o explica. O caminho tem três passos: levantar causas possíveis, reduzir a lista às mais prováveis e confirmar as sobreviventes com evidência.

O diagrama de Ishikawa serve ao primeiro passo, organizando hipóteses por família. Ele é bom para não esquecer nada e péssimo para concluir, porque trata todas as espinhas como igualmente plausíveis. É levantamento, não veredito.

A redução da lista usa o dado da etapa 2. Causa que não explica a concentração observada cai fora. O aprofundamento vem dos cinco porquês, que encadeiam o raciocínio até um nível onde exista ação possível.

A confirmação é o passo que define a etapa. Vá ao local, teste a hipótese, meça. Modo de falha típico: parar no consenso da sala. Se a causa foi eleita por votação e não por verificação, a etapa 4 vai gastar recurso na hipótese errada.

Etapa 4: plano de ação

Com a causa confirmada, o plano é quase mecânico. Cada ação precisa apontar para uma causa, e cada causa confirmada precisa ter ação. Ação órfã, sem causa vinculada, é melhoria avulsa que entrou de carona no ciclo.

O 5W2H é o formato padrão porque obriga a explicitar responsável, prazo e custo. O plano de ação resultante é o documento que o time vai cobrar nas reuniões seguintes, então ele precisa ser operável, não decorativo.

Dois cuidados evitam a maioria dos retrabalhos. Avalie efeito colateral antes de aprovar a ação, porque bloquear uma causa costuma deslocar carga para outro ponto. E defina qual indicador vai medir o efeito, com a linha de base já registrada.

Modo de falha típico: plano com responsável coletivo. Ação atribuída a uma área não tem dono, e o que não tem dono não tem data. Um nome por ação, sempre.

Etapa 5: ação

Executar parece a parte trivial e não é. A etapa tem duas metades: preparar quem vai executar e registrar o que foi feito. A segunda metade é a que costuma sumir.

Preparação significa explicar a razão da mudança, não só a tarefa. Operador que entende qual causa está sendo bloqueada sustenta a mudança quando o supervisor não está olhando. Operador que recebe ordem volta ao método antigo na primeira dificuldade.

Registro significa data, responsável e evidência de execução. Sem isso, a etapa 6 não consegue distinguir ação que não funcionou de ação que não foi feita. São diagnósticos opostos e levam a decisões opostas.

Modo de falha típico: alterar o plano durante a execução sem registrar a alteração. O time implanta algo diferente do que foi aprovado, o resultado não bate, e ninguém sabe qual versão foi testada.

Etapa 6: verificação

Verificação compara o indicador antes e depois do bloqueio, no mesmo recorte usado na etapa 2. Comparar agregados diferentes é o jeito mais comum de declarar vitória sem ter vencido.

A pergunta a responder não é se o número caiu. É se ele caiu de forma sustentada e por causa da ação. Uma carta de controle separa melhoria real de oscilação normal, e é a diferença entre concluir com dado e concluir com dois pontos no gráfico.

A etapa também exige listar efeitos secundários, positivos e negativos. Ação que reduz refugo e aumenta tempo de setup precisa ter esse custo registrado, porque alguém vai reverter a mudança depois se o custo aparecer sem explicação.

Modo de falha típico: verificar cedo demais. Medir na semana seguinte captura o efeito do holofote, não o da ação. Espere pelo menos um ciclo completo do processo, com a rotina normal restabelecida.

Se o bloqueio não funcionou, o método manda voltar. Voltar para a etapa 3, não para a etapa 4. Ação errada quase sempre indica causa errada.

Etapa 7: padronização, a mais pulada de todas

A etapa 7 é a razão pela qual o problema volta. Ela é pulada com frequência porque, na etapa 6, o número já melhorou e o time sente que terminou. Melhorou porque as pessoas estavam atentas, e a atenção não é padrão.

Padronizar tem quatro movimentos. Escrever ou revisar o padrão, comunicar às áreas afetadas, treinar quem executa e medir aderência periodicamente. Os quatro precisam acontecer, e o quarto é o que sustenta os outros três.

O procedimento operacional padrão é o formato usual. Um POP que fica na pasta e não é treinado tem valor zero, e um POP treinado sem medição de aderência dura cerca de um trimestre.

Há um teste simples de padronização real: um funcionário novo, lendo só o padrão, executaria do jeito certo. Se a resposta depende de alguém explicar, o conhecimento ainda está nas pessoas e vai embora com elas.

Modo de falha típico: padronizar a solução e não a condição. Registrar que se passou a usar a ferramenta X não impede o retorno. Registrar o parâmetro, o critério de aceitação e a frequência de verificação impede.

Etapa 8: conclusão e o que registrar

Conclusão não é resumo. É a etapa em que o time separa o que foi resolvido do que sobrou, e transforma o que sobrou em entrada priorizada para o próximo ciclo. Problema remanescente sem destino declarado é problema esquecido.

O registro precisa conter cinco coisas: resultado alcançado contra a meta, ações que funcionaram e as que não funcionaram, efeitos colaterais, pendências com destino e as lições sobre a condução do próprio ciclo.

O último item é o mais negligenciado e o mais valioso. Onde o time travou, qual etapa consumiu tempo demais, que dado faltou. Essa reflexão é o que faz o segundo MASP custar metade do primeiro.

O formato de registro varia. O relatório de MASP segue as oito etapas e é o mais completo. O relatório A3 comprime tudo em uma folha e funciona melhor para circular entre áreas. Para montar o documento sem começar do zero, há modelos de relatório MASP em Excel prontos.

MASP e PDCA, quadrante a quadrante

O encaixe entre os dois é direto, e visualizá-lo desfaz a confusão mais comum. MASP e PDCA não são alternativas. A metodologia MASP é o detalhamento operacional do ciclo, com peso concentrado no primeiro quadrante.

Quadrante do PDCAEtapas do MASP que ocupamDecisão dominanteSinal de que o quadrante fechou
Plan1 Identificação, 2 Observação, 3 Análise, 4 Plano de açãoOnde atacar e com base em qual evidênciaExiste causa confirmada e plano vinculado a ela
Do5 AçãoComo preparar as pessoas e sustentar a execuçãoAções executadas com registro de data e evidência
Check6 VerificaçãoO bloqueio foi efetivo ou o ciclo voltaIndicador comparado no mesmo recorte, com efeito sustentado
Act7 Padronização, 8 ConclusãoO que vira padrão e o que vira próximo cicloPadrão treinado com aderência medida e pendências priorizadas

Quatro das oito etapas ficam no Plan. Essa desproporção é a mensagem do método, não um acidente de contagem. O PDCA aplicado sem MASP tende a inchar o Do e esvaziar o Plan, porque agir dá sensação de progresso e analisar não.

A contrapartida é que o Act carrega duas etapas, e é ali que a melhoria vira permanente. Um ciclo que termina na verificação não fechou, apenas parou.

As sete ferramentas da qualidade ao longo das etapas

A metodologia MASP não traz ferramentas próprias. Ele organiza o uso das sete ferramentas clássicas da qualidade, distribuindo cada uma na etapa em que ela responde a uma pergunta real. Usar a ferramenta certa na etapa errada é a fonte mais comum de ciclo travado.

  • Folha de verificação: etapas 1 e 2, para coletar ocorrência no local e no momento do fato.
  • Estratificação: etapa 2, para quebrar o dado por turno, máquina, lote, operador ou período.
  • Diagrama de Pareto: etapas 1, 2 e 8, para priorizar o que atacar e comparar antes e depois.
  • Histograma: etapa 2, para enxergar a forma da distribuição e detectar mistura de populações.
  • Diagrama de causa e efeito: etapa 3, para levantar hipóteses de causa de forma organizada.
  • Diagrama de dispersão: etapa 3, para testar se a suposta causa e o efeito variam juntos.
  • Carta de controle: etapas 6 e 7, para confirmar efeito sustentado e monitorar a aderência ao padrão.

Cinco porquês e 5W2H aparecem no MASP o tempo todo e não fazem parte das sete clássicas. O primeiro é técnica de aprofundamento na etapa 3, o segundo é formato de plano na etapa 4. A distinção importa em prova e em auditoria.

Como escrever um problema bem definido

Problema mal definido é a causa mais frequente de ciclo abandonado no meio. Um enunciado vago não tem critério de conclusão, então o ciclo não termina, apenas perde força. A definição precisa caber em uma frase verificável.

A frase tem quatro componentes: o efeito indesejado em termos mensuráveis, o recorte onde ele ocorre, a magnitude atual e o período de referência. Nada de causa e nada de solução dentro do enunciado.

  • Ruim: falta de treinamento está gerando erro na expedição. Já contém causa presumida, e fecha a investigação antes de começar.
  • Ruim: precisamos melhorar a qualidade do atendimento. Não tem recorte, não tem número e não tem como saber se acabou.
  • Bom: divergência de itens em pedidos expedidos na doca 2 atingiu 4,1% dos pedidos no último trimestre, contra meta de 1,0%.
  • Bom: retrabalho de solda no conjunto A consumiu 96 horas por mês no primeiro semestre, equivalente a 12% da capacidade da célula.

Repare no que os bons enunciados permitem. Eles dizem onde estratificar na etapa 2, dão a linha de base para a etapa 6 e definem quando o ciclo pode ser encerrado. Um enunciado bom já é metade da etapa 1.

Quando o MASP é a escolha certa e quando o DMAIC serve melhor

Os dois métodos resolvem problemas com dado, e a escolha depende do tipo de problema. O MASP vai bem em desvio de padrão conhecido: o processo já rodou bem, parou de rodar bem, e existe um estado normal para o qual voltar.

O DMAIC vai melhor quando o alvo é um patamar novo de desempenho, quando há variabilidade crônica sem causa óbvia e quando o problema exige estatística inferencial, teste de hipótese e análise de capabilidade.

Há também a diferença de custo. Um MASP pode ser conduzido por um supervisor com treinamento de dois dias. Um DMAIC completo pressupõe papéis formais, projeto com charter e semanas de coleta. Usar DMAIC para um desvio simples é caro e lento.

A comparação detalhada, etapa por etapa, está em MASP e DMAIC lado a lado. Para decisão rápida: se você sabe qual era o normal, MASP. Se você quer definir um normal melhor, DMAIC.

Quanto tempo leva e como conduzir com equipe que nunca usou

Um ciclo honesto em problema de média complexidade leva de seis a doze semanas. A distribuição típica é de três a cinco semanas nas etapas 1 a 3, duas a quatro na execução, e o restante em verificação e padronização. Ciclo fechado em uma semana normalmente pulou a observação.

O prazo é dominado pela coleta. Se o problema ocorre poucas vezes por semana, a etapa 2 precisa de tempo de calendário para acumular ocorrências suficientes, e não há como comprimir isso com esforço.

Com equipe iniciante, três decisões mudam o resultado. Escolha um problema pequeno e visível para o primeiro ciclo. Separe fisicamente a reunião de observação da reunião de análise, com dias diferentes. E proíba a palavra solução até a etapa 4.

A separação das reuniões parece formalismo e é o truque mais eficaz que existe para instalar o método. Enquanto as duas conversas acontecem na mesma sala, a análise engole a observação em quinze minutos.

Conduzir o primeiro ciclo com um formato pronto também ajuda, porque o time gasta energia no conteúdo e não na estrutura. Uma planilha de MASP com as oito etapas já divididas reduz o atrito inicial de forma considerável.

Quer saber quem pode aplicar o método MASP? Confira o nosso vídeo tirando essa dúvida:

Perguntas frequentes

O que é a metodologia MASP?
MASP é a sigla de Método de Análise e Solução de Problemas, um roteiro em oito etapas para identificar um problema, caracterizá-lo com dado, descobrir a causa raiz, agir sobre ela, verificar o efeito e padronizar a correção. É a versão brasileira do QC Story japonês, difundida no país a partir dos anos 1980.
Quais são as 8 etapas do MASP?
Identificação do problema, observação, análise, plano de ação, ação, verificação, padronização e conclusão. As quatro primeiras equivalem ao Plan do PDCA, a quinta ao Do, a sexta ao Check, e a sétima e a oitava ao Act. A ordem é obrigatória e cada etapa tem critério próprio de encerramento.
Qual a diferença entre observação e análise no MASP?
Observação descreve o fenômeno: quando, onde, em que tipo e com quem o problema aparece, sempre com dado estratificado. Análise explica por que ele aparece justamente ali. Fundir as duas faz o time buscar dado que confirme a hipótese que já tinha, e elimina o teste que valida a causa.
MASP e PDCA são a mesma coisa?
Não. O PDCA é um enquadramento de quatro quadrantes e não diz como planejar. O MASP detalha esse planejamento em quatro etapas obrigatórias antes de qualquer ação. Metade das etapas do MASP cabe dentro do Plan, o que mostra onde o método concentra o esforço.
MASP é sigla em inglês?
Não. MASP é sigla em português para Método de Análise e Solução de Problemas. A confusão é comum em material online, mas o nome só existe em contexto brasileiro. A referência internacional equivalente é o QC Story japonês, e o termo em inglês para a prática é problem solving.
Quanto tempo leva um MASP completo?
Em problema de média complexidade, de seis a doze semanas. As etapas de identificação, observação e análise costumam consumir de três a cinco semanas, porque dependem de acumular ocorrências reais. Ciclo concluído em poucos dias quase sempre pulou a observação e trabalhou sobre causa presumida.
Por que o problema volta depois de um MASP?
Na maioria das vezes porque a etapa 7 foi pulada. A melhoria vista na verificação veio da atenção do time, não de uma mudança no jeito de trabalhar. Sem padrão escrito, treinado e com aderência medida, o processo retorna ao comportamento anterior em poucos meses.
Quais ferramentas são usadas em cada etapa do MASP?
Folha de verificação e Pareto na identificação, estratificação e histograma na observação, Ishikawa, cinco porquês e dispersão na análise, 5W2H no plano de ação, gestão à vista na execução, carta de controle na verificação e POP na padronização. A ferramenta segue a pergunta da etapa.
Quando usar MASP e quando usar DMAIC?
Use MASP quando existe um padrão conhecido que deixou de ser cumprido e o objetivo é voltar ao normal. Use DMAIC quando o alvo é um patamar novo de desempenho, com variabilidade crônica e necessidade de estatística inferencial. O MASP é mais barato e rápido de conduzir.
Como aplicar MASP com uma equipe que nunca usou o método?
Escolha um problema pequeno, visível e com dado disponível. Separe a reunião de observação da reunião de análise em dias diferentes, para que a segunda não engula a primeira. Proíba discussão de solução até a etapa 4 e use um formato pronto, para que o esforço fique no conteúdo.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Master Black Belt em Lean Seis Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Logísti…

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