Metodologias & Qualidade

Case de Lean Seis Sigma na área financeira: de 14,2% para 5,9% de medições glosadas

O projeto GB-2026-063 reduziu a taxa de medições glosadas em seis meses, com os doze documentos do DMAIC preenchidos e abertos ao lado de cada seção.

Thiago Coutinho
Publicado em 8 de set de 2026  ·  Atualizado em 8 de set de 2026  ·  41 min de leitura
Thiago Coutinho de camiseta preta sentado junto à janela folheando um livro aberto sobre a mesa, com uma pilha de livros ao lado, e o texto Case de Lean Seis Sigma na área financeira: de 14,2% para 5,9% de medições glosadas

Uma medição de obra é um pedido de pagamento com prova anexa. Quando a fiscalização do contratante recusa a prova, o dinheiro não desaparece: ele volta para o fim da fila. No Grupo Altavia Construções e Empreendimentos, 14,2% das medições apresentadas voltavam glosadas, e cada volta adiava o recebimento em média 23 dias. O que a equipe do Financeiro fez entre fevereiro e julho de 2026 está contado aqui, documento por documento. Case de Lean Seis Sigma com os doze registros do projeto abertos ao lado do texto: o índice fechou o semestre em 5,9%.

O grupo executa obras sob contrato para clientes corporativos e órgãos contratantes em MG, SP e ES. O Financeiro fatura cerca de 130 medições de obra por mês em 34 contratos B2B ativos, com tíquete médio de R$ 210 mil, algo perto de R$ 27,3 milhões por mês passando pela mesa. O projeto recebeu o código GB-2026-063, foi conduzido por uma Green Belt de Contas a Receber e teve como sponsor o diretor administrativo-financeiro do grupo. O escopo assinado nesse projeto de Lean Seis Sigma é estreito: mudar a montagem e a conferência da medição nos 34 contratos, sem abrir cláusula vigente.

Este artigo conta o projeto documento por documento, na ordem em que ele aconteceu: termo de abertura, SIPOC, plano de coleta, MSA por atributos, Pareto, Ishikawa, matriz causa e efeito, 5 Porquês, matriz esforço e impacto, plano de ação, plano de controle e OCAP. Os doze arquivos de Lean Seis Sigma estão preenchidos e abertos ao lado de cada seção, para você comparar com o que a sua empresa usa hoje. A ordem importa na leitura: quem chega ao plano de controle antes do MSA não tem como saber se os 93% de concordância autorizavam confiar no baseline.

Uma ressalva antes de começar, porque ela muda como você deve ler os números. Os doze documentos são material ilustrativo com dados fictícios, que a gente montou aqui na Academia de Certificação Lean Seis Sigma da Voitto para ensinar o preenchimento de cada ferramenta. O que está montado é o raciocínio completo de um projeto de faturamento de obras, com aritmética fechada entre as peças. Nenhuma empresa que existe com esse nome assinou os R$ 340 mil por ano do dossiê.

Escrevo sobre glosa de medição com alguma cicatriz no assunto. Eu abri e fechei 17 negócios diferentes, construção civil inclusive, e já fiquei quatro anos com o nome sujo depois de quebrar. Na construção eu estive do outro lado deste balcão: era a minha medição que estava sendo conferida por um fiscal, e o meu caixa do mês dependia daquela assinatura. Quem já esperou por isso lê a taxa de glosa de um jeito diferente de quem só a vê num painel. Quem estuda Lean Seis Sigma aprende cedo que taxa de defeito tem dono, tem custo e tem data.

Define: o que 14,2% de medições glosadas custavam por mês

O projeto não nasceu de um comitê de qualidade. Nasceu do Contas a Receber. A previsão de caixa nunca fechava com o faturamento apresentado, porque parte das medições voltava para correção. E ninguém sabia dizer quanto. Previsibilidade de caixa é problema de gestão financeira mais do que de obra: são R$ 3,9 milhões retidos por mês.

A primeira peça do projeto é o termo de abertura, com ganho validado pela Controladoria em 20/02/2026. Um project charter bem preenchido responde a seis perguntas antes de o time gastar uma hora de trabalho. São elas: qual é o problema em número, quanto ele custa e qual é a meta. Em seguida, qual é a fronteira do escopo. Por fim, quem faz parte, com quanta dedicação, e quando cada fase termina. Quem assina o termo de abertura assume prazo, escopo e ganho no mesmo papel. As seis respostas deste charter de Lean Seis Sigma saíram em número: 14,2% de partida, 6% de meta e 31/07/2026 de prazo.

O problema em número ficou assim. No censo de jun/2025 a jan/2026, 14,2% das medições apresentadas voltaram glosadas, com variação mensal entre 13,5% e 15,1%. Isso equivale a cerca de 18 medições por mês, de um volume de 130. São perto de R$ 3,9 milhões por mês entrando num ciclo de reapresentação.

Repare que o charter não parou no percentual. Ele traduziu a glosa em três consequências que a diretoria entende sem intérprete. O recebimento atrasa em média 23 dias e o PMR da carteira B2B está em 61 dias. O retrabalho consome cerca de R$ 14 mil por mês em horas de três equipes. As horas saem de 3 equipes: engenharia da obra, contratos e contas a receber.

O que o charter mediuBaseline (jun/2025 a jan/2026)Meta declarada
Taxa de medições glosadas (Y primário)14,2%≤ 6% até 31/07/2026
Atraso médio de recebimento por glosa23 diasconsequência
PMR da carteira B2B61 diascerca de 52 dias
Faturamento retido em reapresentaçãoR$ 3,9 milhões por mêsconsequência
Custo de retrabalho das 3 equipescerca de R$ 14 mil por mês≤ R$ 6 mil por mês

A meta foi escrita no formato que permite discutir prazo sem discutir intenção. Reduzir a taxa de medições glosadas de 14,2% para 6% até 31/07/2026. Tudo isso sem renegociar contratos vigentes, mantendo o calendário de faturamento e com orçamento aprovado de R$ 15 mil. Uma meta SMART de verdade tem número de partida, número de chegada, data e restrição declarada na mesma frase. Esta meta de Lean Seis Sigma coube em uma frase e em um semestre de 6 meses.

O ganho estimado é de R$ 340 mil por ano. Vem de duas contas separadas no próprio documento. São R$ 240 mil por ano de custo financeiro evitado. Vêm da antecipação média de 23 dias sobre cerca de R$ 2,3 milhões por mês que saem do ciclo de reapresentação. Somam-se R$ 100 mil por ano de retrabalho evitado das três equipes. Correspondem a cerca de 11 medições glosadas a menos por mês.

Com investimento de R$ 15 mil aprovados, o payback declarado é inferior a um mês. Esse tipo de conta é o que separa projeto aprovado de projeto tolerado. Vale aprender a montá-la antes de pedir orçamento: veja como calcular o retorno financeiro de um projeto Seis Sigma com o mesmo rigor que a Controladoria vai usar para conferir. Todo projeto de Lean Seis Sigma disputa orçamento com outras prioridades. Aqui a conta que abriu a discussão foi R$ 340 mil por ano contra R$ 15 mil de orçamento.

O escopo foi desenhado para caber em seis meses. Dentro dele, os 34 contratos B2B ativos, da apuração dos quantitativos em campo ao aceite da medição. A lista inclui boletim, conferência contra a memória de cálculo e pacote documental. Fecham a conta a formalização de aditivos para medição e a parametrização fiscal dos 34 contratos.

Fora do escopo ficaram cinco coisas nomeadas uma a uma. Negociação comercial e reequilíbrio de contratos, cobrança e recuperação de inadimplência. E também obras próprias de incorporação sem medição a terceiros, a troca do ERP e os contratos do braço de hotéis do grupo. Escopo que exclui por escrito é escopo que sobrevive à terceira reunião de acompanhamento.

A equipe aparece no charter com dedicação declarada, e isso é mais raro do que parece. A Green Belt líder entra com 50% e a engenharia de obras com 20%. Contratos e aditivos entram com 15%, fiscal e tributário com 10% e o faturamento de contas a receber com 20%. Sem percentual escrito, todo mundo participa e ninguém tem tempo. A soma dá 115% de dedicação distribuídos por 5 pessoas, e é isso que reserva hora na agenda.

Vale ainda separar o Y das consequências. A taxa de medições glosadas é o Y primário, medido em censo mensal no ERP. PMR e custo de retrabalho são consequências que o projeto monitora, não variáveis que ele ataca. Misturar indicadores de desempenho de causa e de efeito é um erro clássico. Ele faz perder o foco do projeto no meio da fase Measure. Neste projeto de Lean Seis Sigma a separação teve consequência medida: o PMR caiu 9 dias sem nunca ter sido alvo de ação.

Measure: medir a glosa antes de acreditar no próprio número

A fase Measure começou por onde quase ninguém começa. A pergunta foi se o time sabia dizer, sem discutir, se uma medição tinha sido glosada ou não. Parece pergunta boba até você colocar três pessoas para classificar o mesmo lote e ver o resultado. Foi o que este projeto de Lean Seis Sigma fez antes de olhar o baseline: 3 avaliadores, 30 medições, 2 rodadas.

Antes disso, o time desenhou o SIPOC em quarenta minutos, em equipe. A meta era fechar a fronteira do que ia ser medido. O processo ficou com seis etapas. Vão da apuração dos quantitativos executados em campo até o aceite da medição pelo contratante e a emissão da fatura. Como fazer um SIPOC é menos sobre preencher cinco colunas e mais sobre concordar onde o processo começa.

O SIPOC também apontou onde os dados nascem. São dois os pontos naturais de coleta. O primeiro é a etapa de aceite, onde o contratante registra a recusa. O segundo é a conferência contra a memória de cálculo, onde o erro poderia ter sido pego antes de sair. Coletar no fim mede o estrago; coletar na conferência mede a prevenção.

A definição operacional foi escrita no plano de coleta com uma precisão que evita discussão depois. Medição glosada é aquela que recebe recusa formal, parcial ou total, do contratante, exigindo correção e reapresentação. Pedidos de esclarecimento sem devolução da medição não contam. E uma distinção que muda todos os gráficos seguintes: a taxa conta medições, o Pareto conta apontamentos.

São seis linhas no plano de coleta de dados do projeto. Cada uma diz o que se mede, onde, com que frequência, quem coleta e como se registra. Sem esse quadro, cada área traz um número de uma planilha diferente. Com as 6 linhas escritas, a reunião de Measure discute causa, e não fonte.

A análise do sistema de medição foi por atributos. É o formato certo quando o resultado é passa ou não passa. Três avaliadores classificaram 30 medições históricas em 2 rodadas, com critério de aprovação de 90% de concordância. O resultado, registrado em 13/03/2026, foi 93%. A análise do sistema de medição é o portão que autoriza confiar no baseline. Os 93% passaram o critério de 90% por 3 pontos, e o projeto de Lean Seis Sigma registrou a folga em vez de arredondá-la.

Vale registrar o nome técnico do que foi medido ali. Ele aparece na literatura com três sentidos parecidos e fáceis de confundir. O Guia Prático Lean Seis Sigma, na seção 23.2, sobre dados discretos, define concordância global como "a capacidade do grupo de avaliadores de escolher a resposta correta, de acordo com o padrão, quando avaliam todos os itens em todas as repetições" (p. 236).

O mesmo trecho separa reprodutibilidade de repetibilidade. Reprodutibilidade é o grupo escolher a mesma resposta entre si. Repetibilidade é o mesmo avaliador repetir a própria resposta. Os 93% do projeto são do terceiro tipo, o mais exigente. Comparam com o padrão do especialista, e não apenas o time consigo mesmo. Quando um relatório diz apenas concordância, pergunte qual das três. O tratamento estatístico dessas 3 fontes de variação está na caracterização do processo de medição do NIST.

Com o sistema de medição aprovado, o censo de oito meses virou série. Os valores mensais foram 13,8%, 15,1%, 14,0%, 14,6%, 13,5%, 14,9%, 13,9% e 14,2%, com média de 14,2%. Um gráfico sequencial desses oito pontos mostra oscilação sem tendência. É o desenho de um processo estável num patamar ruim: 8 pontos entre 13,5% e 15,1%.

Mês do censoTaxa de medições glosadas
113,8%
215,1%
314,0%
414,6%
513,5%
614,9%
713,9%
814,2%

A estratificação da amostra foi mais reveladora que a média. 62% das medições glosadas estavam em contratos com aditivo em andamento. E 70% delas tinham sido montadas nos últimos 3 dias úteis do mês. Estratificar é o passo que transforma um número plano em duas hipóteses testáveis. As duas hipóteses do Lean Seis Sigma saíram daí com endereço: aditivo em andamento e os 3 últimos dias úteis do mês.

A lacuna até a meta ficou explícita no documento. São 8,2 pontos percentuais, o equivalente a cerca de 11 medições glosadas a menos por mês. Escrever a lacuna em unidades do processo vale mais do que escrevê-la em pontos percentuais. É o que faz o time trocar 8,2 pontos percentuais por 11 correções evitadas no mês.

Quantas medições por semana o seu processo precisa deixar de errar? Se a resposta não sai em número, o baseline ainda não está pronto. Escrita em unidade de processo, a lacuna vira meta semanal sem passar por tradução. Escrita assim, a meta de 6% deste projeto de Lean Seis Sigma para 31/07/2026 deixa de ser percentual e passa a ser contagem de correção evitada.

Analyze: os 111 apontamentos que o Pareto separou

A fase Analyze abriu com a pergunta de contagem. No trimestre de nov/2025 a jan/2026 houve 55 medições glosadas, e essas 55 medições carregavam 111 apontamentos de recusa. Uma medição devolvida costuma voltar com mais de um motivo, e é por isso que o gráfico conta apontamentos. A unidade de contagem se decide antes do gráfico. No Lean Seis Sigma essa escolha define o denominador de tudo o que vem depois: 111 apontamentos, e não 55 medições.

O diagrama de Pareto desses 111 apontamentos ficou assim. A coluna acumulada é a razão de a ferramenta existir: 81,1% em 3 linhas.

Motivo do apontamentoQtde%% acumulado
Quantitativo divergente da memória de cálculo4036,0%36,0%
Documentação obrigatória incompleta3127,9%64,0%
Item fora do contrato ou aditivo não formalizado1917,1%81,1%
Erro de impostos ou retenções1210,8%91,9%
Outros98,1%100%

Os dois primeiros motivos somam 64% dos apontamentos. Com o terceiro, chegam a 81,1%, ou 90 dos 111. Esse é o corte que o projeto usou para decidir onde gastar as ações. Ele saiu do gráfico, não da opinião de quem tinha mais tempo de casa na reunião.

A estratificação por tipo de contratante mudou a leitura de novo. Órgãos públicos glosam mais por documentação, o motivo 2, enquanto clientes privados glosam mais por quantitativo, o motivo 1. Um contrato de obra pública e um contrato de galpão industrial exigem checagens diferentes antes do envio. Tratar os dois com o mesmo checklist genérico é aceitar errar em um dos dois.

Repare no que o Pareto não diz. Ele ordena sintomas, não causas. Quantitativo divergente da memória de cálculo é o que o fiscal escreveu no apontamento. A razão de a divergência existir ainda precisa ser encontrada. Confundir a barra mais alta com a causa raiz é o erro mais comum da ferramenta. Acontece com quem a aprendeu pela imagem e não pelo método. No Lean Seis Sigma a barra de 36% é sintoma, e a causa dela só aparece 3 ferramentas depois, no 5 Porquês.

Também vale olhar o motivo 4. Erro de impostos e retenções responde por 10,8% dos apontamentos, menos de metade da segunda barra. Mas é o único motivo que sai inteiro de um cadastro desatualizado. Barra pequena com causa simples costuma valer mais por hora de trabalho do que barra grande com causa distribuída. Foi por isso que o projeto de Lean Seis Sigma priorizou a parametrização fiscal dos 34 contratos, com 10,8% de glosas e custo de cadastro.

Analyze: do Ishikawa aos 5 Porquês, três causas-raiz

Com os sintomas ordenados, o time foi atrás das causas. O workshop aconteceu em 14/04/2026, com a equipe do projeto mais 2 engenheiros de obra e 1 analista fiscal. Trazer quem executa a medição para a sala é o que impede o diagrama de virar retrato da opinião do escritório. Das 14 causas levantadas nesse workshop de Lean Seis Sigma, 5 seguiram para a matriz de causa e efeito.

O diagrama de Ishikawa levantou 14 causas potenciais distribuídas nos 6M. Em método, a medição montada em um dia sem checklist nem dupla conferência. Somam-se o pacote documental não padronizado por contratante e o aditivo executado antes de formalizar. Em sistema, o boletim não vinculado à memória de cálculo e a parametrização fiscal de 34 contratos.

Em mão de obra, apontadores sem treinamento formal e conferência concentrada em uma única pessoa. Em informação, memória de cálculo desatualizada após revisão de projeto e registro fotográfico fora do padrão. Em medição, critério de medição interpretado de forma diferente entre obra e escritório. E em meio ambiente, a concentração de 70% das medições nos últimos 3 dias úteis, sob pressão do fechamento contábil.

Há uma frase na leitura do diagrama que merece ser lida em voz alta. Vale para qualquer projeto de melhoria: nenhuma das causas aponta para desempenho individual. Um Ishikawa que termina em nomes de pessoas é um Ishikawa que vai gerar advertência, não contramedida. Essa linha é a que separa Lean Seis Sigma de caça ao culpado.

Levantar 14 causas é fácil. Escolher 5 sem briga exige régua. A matriz de causa e efeito do projeto pontuou cada causa contra três saídas com pesos declarados, usando a escala de correlação 0, 1, 3 e 9. As saídas são três: medição aprovada de primeira com peso 10. Depois recebimento no prazo com peso 8 e baixo retrabalho com peso 6. Pontuar antes de escolher é o que deixa a priorização auditável meses depois. A matriz de Lean Seis Sigma deixou as 5 escolhidas com nota e peso, e as outras 4 no papel com a nota que tiraram.

Causa avaliadaTotalDecisão
Medição sem conferência padronizada contra a memória de cálculo216Priorizada
Pacote documental sem checklist por contratante180Priorizada
Aditivo executado antes da formalização132Priorizada
Concentração da montagem no fechamento108Priorizada
Parametrização fiscal desatualizada108Priorizada
Memória de cálculo desatualizada após revisão de projeto60Monitorar
Apontadores sem treinamento formal56Monitorar
Planilhas paralelas fora do ERP52Fase 2
Registro fotográfico fora do padrão44Coberta pelo checklist

O corte natural ficou em 108 pontos, que é onde a distribuição abre um vão. Repare que a parametrização fiscal entrou entre as priorizadas com 108, mesmo tendo correlação baixa com a aprovação de primeira. É ela que responde pelos 10,8% de glosas tributárias. E o custo de corrigir foi R$ 2.600 de revisão fiscal nos 34 contratos.

Para as três primeiras, o time aplicou os 5 Porquês em casos concretos, um por causa. O time não raciocinou no abstrato. Cada caso trouxe contrato, mês, valor glosado e o encadeamento até a causa raiz. São 3 casos, um por motivo alto do Pareto, e é assim que uma cadeia de Lean Seis Sigma para de terminar em falta de treinamento.

O primeiro caso foi a medição nº 14 do contrato 2041, um centro de distribuição em Extrema, em MG. A glosa foi de R$ 86 mil em escavação e aterro em mar/2026. A cadeia terminou em medição montada sem conferência padronizada contra a memória de cálculo e contra o critério de medição do contrato.

O segundo foi a medição nº 9 do contrato 1987, uma expansão hospitalar em Vitória, no ES. A glosa foi integral, de R$ 195 mil em fev/2026. O motivo foi ART vencida e diário de obra sem assinatura do responsável técnico. A causa raiz é a ausência de checklist de documentação obrigatória por contratante, com responsável nomeado.

O terceiro foi a medição nº 11 do contrato 2210, um galpão industrial em Betim, em MG. A glosa foi de R$ 62 mil em drenagem. A execução foi em regime de urgência no período de chuvas, em abr/2026. A causa raiz é aditivo executado antes da formalização, e a trava no boletim entrou na ação A3 em 20/05/2026.

Somados, os três encadeamentos respondem por 90 dos 111 apontamentos registrados no trimestre. Esse é o momento em que um projeto de Lean Seis Sigma deixa de ser coleção de ferramentas bonitas. Ele passa a ter uma tese: 3 contramedidas bem feitas cobrem 81,1% do problema.

Improve: oito soluções na mesa, seis aprovadas, um piloto

A fase Improve começou com oito soluções propostas e uma régua para escolher entre elas. A matriz esforço e impacto distribuiu as oito em quatro quadrantes. O valor da ferramenta não está nas que ela aprova, e sim nas que ela recusa por escrito. A solução recusada com justificativa vale tanto quanto a aprovada. Neste projeto de Lean Seis Sigma foram 8 soluções, 6 aprovadas e 2 recusadas com o motivo escrito ao lado.

No quadrante de fazer já entraram quatro. Checklist digital de medição por tipo de contratante, atacando as causas 1 e 2. Dupla conferência amostral contra a memória de cálculo, com 100% nos contratos-âncora e 30% amostral nos demais. Calendário de aditivos com trava no boletim. E janela antecipada de montagem, com início no dia 20 e pelo menos 80% das medições enviadas até o dia 25.

No quadrante de planejar ficaram duas, de maior esforço. Uma é a integração entre o boletim de medição e o ERP. A outra é a revisão da parametrização fiscal dos 34 contratos. São ações que dependem de terceiros e de agenda de TI. Por isso entraram com prazo mais longo, em vez de promessa curta.

Duas soluções não passaram, e as duas recusas ensinam mais que as aprovações. O portal de medições com o cliente ficou adiado, para reavaliar após 6 meses. O impacto real depende da TI de cada contratante. A célula dedicada de conferência foi descartada. A justificativa é a mais honesta que um documento de melhoria pode carregar: inspecionar mais é tratar o sintoma, não a causa. As 2 recusas saíram do quadro de Lean Seis Sigma com destino: o portal volta à mesa em 6 meses, a célula dedicada não volta.

As seis aprovadas viraram plano de ação com sete linhas, aprovado pelo sponsor em 11/05/2026. O que é 5W2H fica claro quando você vê o quadro preenchido. Cada linha diz o que será feito, por quê, onde, quando, por quem, como e quanto custa. Nenhum campo fica em branco. O plano de ação é onde a análise vira compromisso com data. Nenhum dos 7 campos fica em branco num plano de ação de Lean Seis Sigma: o que, por quê, onde, quando, quem, como e quanto custa.

AçãoPrazoResponsávelCusto
Checklist digital por tipo de contratante15/05/26Contas a ReceberR$ 3.800
Dupla conferência contra a memória de cálculo15/05/26Engenharia de ObrasR$ 0
Calendário de aditivos com trava no boletim20/05/26Contratos e AditivosR$ 0
Janela antecipada de montagem20/05/26Green Belt do projetoR$ 0
Treinar apontadores nas obras B2B ativas29/05/26Engenharia de ObrasR$ 4.200
Revisão da parametrização fiscal dos contratos26/06/26Fiscal e TributárioR$ 2.600
Integração fase 1 e painel semanal26/06/26Contas a Receber e TIR$ 1.800

O custo total das sete ações somou R$ 12.400, contra orçamento de R$ 15.000, uma folga de 17%. Três das ações custaram R$ 0, porque são regra de trabalho e não compra. Projeto de melhoria que só avança com orçamento novo costuma ser projeto que não olhou para o próprio método.

O treinamento merece nota. Foram 2 turmas de 4 horas por obra, nas 6 obras B2B ativas. O material foi o próprio critério de medição do contrato. Treinar apontador com o contrato na mão vale mais do que slide genérico de qualidade. São R$ 4.200 para fazer a apuração em campo nascer conferível.

Nada disso foi para os 34 contratos de uma vez. O piloto rodou em maio de 2026 nos dois contratos-âncora, 2041 e 1987, que respondem por 31% do faturamento. O critério de sucesso era de glosas menores ou iguais a 8%. O ciclo do piloto fechou em 6,8%. A escala para a carteira inteira só foi liberada após a aprovação em 05/06/2026. Piloto é a régua de risco do Lean Seis Sigma: errar pequeno, corrigir barato e escalar com prova. Piloto é o empurrão que tira o projeto da inércia. Foram 2 contratos em maio para liberar os outros 32 em 05/06/2026.

O padrão que se repete nas três ações de custo zero é o mesmo: transformar instrução em trava. O que é um checklist de verdade não é lembrete, é condição de passagem. O boletim que não fecha sem aditivo formalizado obriga o processo a acertar antes de sair. É a mesma lógica do trabalho padronizado na operação. Toda instrução que sobrevive ao esquecimento acabou virando trava. É o teste que separa o POP vivo do POP arquivado, e os POPs deste Lean Seis Sigma saíram em 10/07/2026.

Control: gráfico p, OCAP e uma divergência que vale declarar

O documento entrou em vigor em 29/06/2026, antes do fim do projeto. O plano de controle garantiu que o handover não fosse o momento de inventar o monitoramento. Ele monitora o Y e seis variáveis de processo, cada uma com meta, frequência e responsável nomeado. É a diferença de 32 dias entre a vigência e o handover que impede este Control de Lean Seis Sigma de ser inventado no dia da entrega.

O Y é acompanhado por gráfico p semanal. Sua linha central está em 5,9%, com limite superior de 8,4% e limite inferior de 3,4%. As variáveis de processo começam pela adesão ao checklist em 100%. Vem depois a dupla conferência em 100% nos contratos-âncora e 30% nos demais. Completam a lista zero itens sem aditivo formalizado e pelo menos 80% das medições enviadas até o dia 25. Entram ainda PMR de no máximo 52 dias e retrabalho de no máximo R$ 6 mil por mês.

A escolha da carta de controle por atributo faz sentido aqui. A medição é aprovada ou glosada, e a proporção de glosadas é o que interessa. Quem está estudando controle estatístico de processo costuma aprender a carta p depois das cartas por variável. Mas é a carta p que serve para indicador de qualidade. Ela conta unidades boas e ruins. A escolha da carta vem do tipo de dado. A referência aberta para o cálculo dos limites é o capítulo de cartas de proporção do NIST. A carta p entrou pelo dado e pelo volume de 130 por mês, e o plano de controle de Lean Seis Sigma registra o motivo.

Aqui, porém, há uma divergência entre o documento do projeto e a literatura. Ela é mais útil declarada do que escondida. O Guia Prático Lean Seis Sigma, na seção 31.3.1, diz: "A Carta p é usada quando o tamanho da amostra varia, de modo a traçar a proporção ou o percentual de defeitos. Nesse caso, os Limites de Controle no gráfico são irregulares porque refletem o tamanho da amostra individual de cada subgrupo" (p. 462).

Acontece que o documento declara limites fixos para um gráfico semanal. E o número de medições apresentadas por semana não é constante. Pelo texto do livro, os limites deveriam variar semana a semana. Abrem nas semanas de poucas medições e fecham nas semanas cheias. Limite fixo em amostra variável aperta as semanas magras e afrouxa as gordas, num volume de 130 por mês.

Na prática de muitas empresas se adota o limite médio quando o tamanho do subgrupo varia pouco. É provavelmente o caso de um volume perto de 130 medições por mês. Mas isso é uma simplificação assumida, não o método do livro. E um plano de controle honesto escreve a simplificação no rodapé. Se você for replicar este case, essa é a linha que eu ajustaria antes de imprimir. Neste plano de controle de Lean Seis Sigma a simplificação está no rodapé, e o limite médio vale enquanto o volume ficar perto de 130 por mês.

Com essa ressalva, a série de acompanhamento é boa. Nas semanas S19 a S30 os valores foram 6,8%, 6,4%, 7,0%, 6,1%, 5,8%, 6,2%, 5,5%, 5,9%, 5,3%, 5,6%, 4,9% e 4,8%, sem nenhum ponto fora dos limites e com as 4 últimas semanas abaixo de 5,6%. O baseline anterior era 14,2%.

Monitorar sem regra de reação é assistir ao problema com mais resolução. Por isso o projeto escreveu também o OCAP, o plano de ação para fora de controle. São quatro gatilhos, cada um com prazo e responsável. O OCAP deste projeto de Lean Seis Sigma nomeia 4 responsáveis antes de existir ponto fora do limite.

GatilhoPrazo de reação
Um ponto acima do limite superior de 8,4%Contenção em 48 horas
7 pontos consecutivos acima da linha central de 5,9%Diagnóstico em 1 semana
Glosa em contrato-âncora, 2041 ou 1987, de qualquer valorNo mesmo dia
Variável de processo fora do padrãoAntes do envio, com envio bloqueado

A sequência de resposta tem cinco passos, e o quarto é o que costuma sumir. Os passos são conter, diagnosticar, corrigir, verificar no gráfico p das 2 semanas seguintes e registrar. Sem as 2 semanas de verificação no gráfico p, toda correção parece ter funcionado.

O OCAP ainda traz três regras de prevenção que valem mais que os gatilhos. Contrato novo entra com padrão de entrada obrigatório e revisão de projeto obriga memória de cálculo atualizada com versão controlada. Mudança de exigência documental do contratante entra no checklist no mesmo dia. Gatilho reage; regra de entrada evita.

A governança fechou o ciclo. Os POPs foram publicados em 10/07/2026. A dona do processo assumiu no handover de 31/07/2026, com um corresponsável na engenharia. A revisão é mensal nos 3 primeiros meses e trimestral depois. A frase que encerra o documento é a régua do projeto inteiro: o plano não mede pessoas, mede o processo. O handover é a hora em que o projeto prova que o ganho não dependia do líder. O que sustenta o ganho deste projeto de Lean Seis Sigma depois de 31/07/2026 é a dona do processo, com um corresponsável na engenharia.

Resultado: de 14,2% para 5,9% e nove dias a menos de PMR

A taxa de medições glosadas saiu de 14,2% e fechou o consolidado da carteira em julho em 5,9%, contra uma meta de 6%. A meta foi superada, e por pouco, o que é um resultado mais crível do que uma meta atropelada por larga margem. A meta é compromisso público. Fechar em 5,9% contra meta de 6% deixa 0,1 ponto de margem, e é essa margem que um comitê de Lean Seis Sigma prefere a uma meta atropelada.

Vale desmontar o número de queda que aparece na apresentação executiva, porque ele tem duas bases diferentes e isso confunde. O termo de abertura contratou uma queda de 58%, que é a distância de 14,2% até a meta de 6%. O resultado chegou a 5,9%, um pouco abaixo da meta. A queda realizada foi de cerca de 58,5%, contra os 58% contratados.

O PMR da carteira B2B saiu de 61 para 52 dias, uma redução de 9 dias. Para uma empresa que fatura cerca de R$ 27,3 milhões por mês em medições, nove dias pesam. A antecipação muda a conversa com o banco. É fluxo de caixa liberado sem crédito novo, em 9 dias de PMR a menos.

O ganho anual validado é de R$ 340 mil, com composição declarada. O custo financeiro evitado responde por R$ 240 mil ao ano. E R$ 100 mil por ano de retrabalho evitado. Contra isso, um investimento único de R$ 12.400 nas sete ações. É a diferença entre um projeto que reduz um indicador e um projeto que aparece nas finanças corporativas da empresa. R$ 340 mil por ano contra R$ 12.400 de investimento é a conta que um projeto de Lean Seis Sigma leva à Controladoria, e não ao comitê de qualidade.

Há um resultado intermediário que costuma passar batido e é o mais útil para quem vai vender o projeto internamente. Já no primeiro ciclo, o piloto entregou 6,8% nos dois contratos-âncora, contra baseline de 14,2%. Os 6,8% do piloto em 2 contratos foram o que financiou politicamente a escala para 34.

Seja honesto sobre o que ainda não está provado. Doze semanas de gráfico p mostram um processo novo estável, com valores entre 4,8% e 7,0%, mas sustentação se prova com o tempo. A Controladoria audita os R$ 340 mil por ano em jan/2027, seis meses depois do handover. É essa auditoria que transforma ganho estimado em ganho contabilizado. As 12 semanas de gráfico p deste projeto de Lean Seis Sigma provam estabilidade, e não sustentação: isso só em jan/2027.

A próxima fronteira já está nomeada: replicar o padrão no braço de hotéis do grupo, para contratos de reforma, no primeiro trimestre de 2027. A replicação não copia os números: ela refaz o baseline no processo novo, já em 2027.

Ferramenta por ferramenta: como cada documento do projeto foi preenchido

As doze peças abaixo formam o dossiê deste projeto de Lean Seis Sigma. Foram preenchidas como exemplo com os dados do GB-2026-063 que a leitura até aqui apresentou. Elas aparecem na ordem em que o DMAIC as produz, do termo de abertura ao plano de reação. Cada miniatura abre o documento inteiro em tela cheia. Lean Seis Sigma se aprende assim, com as 12 peças preenchidas ao lado do problema que resolveram.

Vale um aviso de leitura antes de abrir a primeira. O que interessa em cada arquivo não é o desenho da tabela. É o campo que costuma ficar em branco quando o projeto tem pressa. Aqui ele aparece resolvido com número, data e responsável. Se quiser comparar com outro setor antes de montar o seu, o case de Lean Seis Sigma em serviços usa 11 das mesmas ferramentas em um processo que não fatura por medição.

1. Termo de abertura: o contrato do projeto em duas páginas

Termo de abertura do projeto GB-2026-063 com problema, meta SMART, escopo, equipe, cronograma e ganho validadoNada começa antes de o sponsor assinar este documento. Depois da identificação do projeto, o charter do GB-2026-063 traz o contexto do negócio. São cerca de 130 medições de obra por mês em 34 contratos B2B ativos, com tíquete médio de R$ 210 mil. A ordem de um charter de Lean Seis Sigma é essa: primeiro os 34 contratos e o tíquete de R$ 210 mil, só depois os 14,2%.

Repare em três campos que costumam vir vagos e aqui vieram fechados. O problema traz janela de apuração, faixa de variação e efeito em dinheiro. 14,2% das medições voltaram glosadas, cerca de 18 por mês. São aproximadamente R$ 3,9 milhões por mês entrando em reapresentação, com atraso médio de 23 dias no recebimento.

A meta declara partida, chegada, prazo e restrição na mesma frase. Vai de 14,2% para 6% até 31/07/2026. Não renegocia contratos vigentes e tem orçamento aprovado de R$ 15 mil. O ganho de R$ 340 mil por ano aparece com data de validação pela Controladoria, e não como estimativa do time.

O campo de equipe é o que separa charter forte de charter decorativo. Os cinco nomes abaixo do sponsor entram com percentual de dedicação declarado, começando pela líder do projeto com 50% e a engenharia de obras com 20%. Quem já viu projeto morrer no terceiro mês sabe que ele morre nesse campo. E é por isso que o mapa de stakeholders vem anexo ao charter de Lean Seis Sigma, onde as 7 linhas do plano de ação vão buscar dono.

2. SIPOC: onde a medição começa e onde ela termina

SIPOC do processo de medição de obra com fornecedores, entradas, seis etapas, saídas e clientesO SIPOC foi construído em equipe, em 40 minutos, antes de qualquer coleta detalhada. A fronteira ficou entre a apuração dos quantitativos executados em campo e o aceite da medição pelo contratante. A emissão da fatura fecha as 6 etapas do processo.

As seis etapas do meio contam a história inteira. Apurar quantitativos, montar o boletim e conferir contra a memória de cálculo. Depois anexar o pacote documental, enviar ao contratante e registrar o aceite para faturar. Quem quiser encontrar o gargalo de faturamento da própria empresa começa desenhando essas seis caixas. Só depois se desce para o fluxograma de cada uma das 6 etapas.

A coluna de fornecedores mostra por que o problema não é do Financeiro sozinho. Entram a obra com os apontadores, a engenharia, contratos e aditivos, o fiscal e tributário e a qualidade. Cinco áreas alimentam um documento que uma área só assina. São 5 áreas alimentando o que 1 área assina, e é essa contagem que faz o Lean Seis Sigma tratar a medição como cadeia.

Os CTQs fecham o quadro com número. Medições glosadas em no máximo 6% e prazo médio de recebimento em até 52 dias. Retrabalho limitado a R$ 6 mil por mês e zero itens medidos sem aditivo formalizado. Requisito de cliente sem número é preferência, não requisito.

Repare no que o documento não faz: ele não detalha o fluxo interno de cada etapa nem tenta antecipar exceção. Essa contenção permite fechá-lo em uma reunião e ainda assim sair dela com fronteira, dono e requisito acordados. Fechar em 1 reunião só é possível por causa dessa contenção, e é o mínimo que o Lean Seis Sigma cobra antes de medir.

3. Plano de coleta: a definição operacional que evita seis meses de discussão

Plano de coleta de dados com definição operacional de glosa, matriz de coleta, resultado do MSA e baseline mensalA segunda seção do documento é a que mais importa. Ela define medição glosada como a que recebe recusa formal, parcial ou total, exigindo correção e reapresentação. E exclui dos 14,2% os pedidos de esclarecimento que não devolvem a medição.

Logo abaixo o documento fixa as duas unidades de contagem: o denominador da taxa é a medição, e a barra do Pareto é o apontamento. Uma medição devolvida pode trazer vários motivos, e misturar as 2 contagens produz percentuais que não somam com nada.

A validação do sistema de medição foi por atributos, com 3 avaliadores classificando 30 medições históricas em 2 rodadas. O critério de aprovação era 90% de concordância e o resultado, registrado em 13/03/2026, foi 93%. Sem esse passo, o baseline seria opinião com aparência de dado. A validação por atributos é o passo que o Lean Seis Sigma herda da metrologia. E uma folha de verificação bem desenhada é o que torna repetível cada uma das 2 rodadas.

O baseline mensal fecha em 14,2% de média. E a estratificação mostra onde a glosa se concentra: 62% das medições glosadas estavam em contratos com aditivo em andamento. E 70% foram montadas nos últimos 3 dias úteis. A lacuna até a meta ficou em 8,2 pontos percentuais, cerca de 11 medições por mês.

4. Pareto: 111 apontamentos ordenados por motivo de recusa

Diagrama de Pareto dos motivos de glosa com barras por quantidade e linha de percentual acumuladoO gráfico cobre um trimestre inteiro e traz 111 apontamentos distribuídos em 55 medições glosadas. A unidade escolhida é o apontamento porque é ele que descreve o defeito, enquanto a medição só diz que houve defeito. Os 111 apontamentos descrevem o defeito e as 55 medições só dizem que ele houve, e é por isso que o Lean Seis Sigma conta apontamento.

A primeira barra é quantitativo divergente da memória de cálculo, com 40 apontamentos e 36,0%. A segunda é documentação obrigatória incompleta, com 31 apontamentos e 27,9%, levando o acumulado para 64,0%. A terceira, item fora do contrato ou aditivo não formalizado, tem 19 apontamentos e 17,1%.

A leitura de corte está na linha acumulada: com as três primeiras barras, o gráfico chega a 81,1%, ou 90 apontamentos. As duas restantes, erro de impostos ou retenções com 12 e 10,8% e outros com 9 e 8,1%, completam a distribuição. É a mesma leitura de concentração que a curva ABC faz no estoque, aplicada aos 5 motivos de recusa.

A estratificação embaixo do gráfico vale tanto quanto as barras. 62% das glosas ocorreram em contratos com aditivo em andamento e 70% em medições montadas nos últimos 3 dias úteis. Órgãos públicos glosam mais por documentação, os 27,9%, e clientes privados por quantitativo, os 36,0%.

5. Ishikawa: 14 causas potenciais distribuídas nos 6M

Diagrama de causa e efeito com as seis espinhas do 6M e as causas potenciais de glosa em cada umaO que o diagrama de Lean Seis Sigma acrescenta é a marcação em vermelho: as causas destacadas ali são as que seguiriam para a matriz de causa e efeito. A caixa do efeito fecha o quadro com 111 apontamentos no trimestre nov/25 a jan/26, 14,2% das medições glosadas, cerca de 18 das 130 do mês e recebimento adiado em 23 dias. Um brainstorming de causas sem quem executa o processo não teria levantado estas 14.

A espinha de método concentra o que o projeto atacou primeiro. Uma delas põe a medição de pé em 1 dia, sem etapa formal de conferência. Outra deixa o pacote documental a critério de cada contratante, e a terceira formaliza o aditivo depois da execução. São três causas de procedimento, não de esforço, e é essa distinção que o Lean Seis Sigma persegue. A espinha de meio ambiente guarda o achado menos óbvio. 70% das medições são montadas nos últimos 3 dias úteis do mês, sob pressão do fechamento contábil. Isso empilha as falhas de método nos 3 últimos dias úteis do mês.

O documento levantou 14 causas potenciais e destacou 5 para a priorização seguinte. E registra na leitura do diagrama que nenhuma das 14 causas aponta para desempenho individual.

6. 5 Porquês: três glosas destrinchadas até a causa raiz

Aplicação dos cinco porquês em três casos de glosa, cada um com contrato, valor e causa raiz identificadaA ferramenta foi aplicada em casos concretos, um para cada motivo alto do Pareto, em vez de ser usada no abstrato. Os três blocos abrem com a evidência, com valor e mês: glosa de R$ 86 mil em mar/2026, glosa integral de R$ 195 mil em fev/2026 e R$ 62 mil em abr/2026. Nos 3 casos montados aqui, a busca da causa raiz é onde os métodos de melhoria se encontram, como mostra a comparação entre MASP e DMAIC.

No caso 1, que vale 36% dos apontamentos, o encadeamento da medição nº 14 é direto. O quantitativo saiu de estimativa visual em campo e não existe etapa formal de conferência antes do envio. A medição é montada em 1 dia nos últimos dias úteis, e o processo nunca definiu checklist, dupla conferência nem janela de montagem. Cada obra faz do seu jeito, e é esse jeito que o Lean Seis Sigma registra como causa-raiz 1.

O caso 2, da medição nº 9, responde por 28% dos apontamentos, e a escada dele desce do documento para o hábito. O pacote foi anexado sem verificação de validade, e cada contratante exige um pacote diferente entre ART, diário, fotos e certidões. Ninguém consolida essas exigências, e o processo aposta que a obra sabe o que o cliente pede. São 5 porquês para chegar a conhecimento tácito, que é onde o Lean Seis Sigma acha causa de método.

O terceiro é a medição nº 11 do contrato 2210, com glosa de R$ 62 mil em drenagem executada em urgência. A cadeia termina no aditivo executado antes da formalização, no contrato 2210.

Os três encadeamentos, somados, cobrem a maior parte do que o Pareto já tinha ordenado. É isso que autoriza atacar três contramedidas em vez de quatorze. Cinco porquês feito em cima de caso concreto entrega ao Lean Seis Sigma uma tese testável, e não uma lista de suspeitas. Eu já vi cadeia de porquês parar no primeiro nome próprio que aparece. O projeto fecha com treinamento e a glosa volta no trimestre seguinte. Aqui a gente só parou quando a resposta virou documento, e não pessoa.

7. Matriz causa e efeito: pontuar as causas antes de escolher

Matriz de causa e efeito com pesos das saídas, correlações e pontuação total de cada causa levantadaA matriz existe para tirar a escolha das causas da esfera da influência pessoal. As saídas entram com peso declarado. Medição aprovada de primeira com peso 10, recebimento no prazo com peso 8 e baixo retrabalho com peso 6.

Só quatro pesos entram na correlação, e a distância entre eles foi escolhida de propósito: 0, 1, 3 e 9. Pular direto do três para o nove obriga quem preenche a decidir se a relação é forte de verdade, em vez de distribuir notas médias para todo mundo. Quem já usou a matriz GUT reconhece o mecanismo: a escala existe para forçar decisão, não para descrever sentimento.

O topo da tabela ficou com a conferência padronizada, somando 216 pontos. Vêm em seguida o checklist documental com 180 e a formalização de aditivos com 132. O corte natural ficou em 108 pontos, que é onde a distribuição abre um vão claro entre priorizar e monitorar.

Repare na parametrização fiscal, que entra entre as priorizadas mesmo sem correlação alta com a aprovação de primeira. Ela responde pelos 10,8% de glosas tributárias e se resolve com cadastro. É uma das melhores relações entre esforço e retorno da lista. 10,8% de glosas que se resolvem por cadastro é o que o Lean Seis Sigma chama de ganho barato com lastro.

8. Matriz esforço e impacto: o que entra agora e o que fica para depois

Matriz esforço e impacto com oito soluções distribuídas em quatro quadrantes de decisãoAs 8 soluções propostas foram distribuídas em quatro quadrantes, e o valor do documento está tanto nas aprovadas quanto nas recusadas por escrito. Nenhuma delas ficou sem destino declarado. Escolher o que fica de fora é tão metodológico quanto escolher a metodologia de melhoria na largada, e 2 das 8 soluções saíram sem aprovação.

Quatro soluções ficaram no quadrante de fazer agora. Checklist digital por tipo de contratante. Dupla conferência com 100% nos contratos-âncora e 30% amostral nos demais. S3 é o calendário de formalização de aditivos, cuja trava impede que item sem aditivo assinado entre na medição. E janela antecipada, com montagem a partir do dia 20 e ao menos 80% das medições enviadas até o dia 25. São 4 contramedidas de Lean Seis Sigma nesse quadrante, e 3 delas não pedem investimento.

O quadrante de planejar traz as duas soluções com código: S5, a integração entre boletim e ERP, entra em fase 1 dentro do projeto e deixa a fase 2 para depois dele; S6, a revisão da parametrização fiscal, pede consultoria pontual. As duas foram para o 5W2H de jun/2026, dentro do orçamento de R$ 15 mil, e a revisão fiscal ataca a causa 5 do Lean Seis Sigma, que responde por 10,8% dos apontamentos.

As duas recusas ensinam mais que as aprovações. O portal de medições foi adiado para reavaliação após 6 meses, por depender da TI de cada contratante, fora do controle do projeto. A célula dedicada foi descartada porque inspecionar mais trata o sintoma. O piloto ficou nos contratos-âncora 2041 e 1987, com critério de sucesso de 8%. A regra que eu carrego dessa matriz é simples. Recusa sem justificativa escrita volta como pauta na reunião seguinte. Por isso as duas saíram do quadro com o motivo do lado.

9. Plano de ação 5W2H: sete linhas, cada uma com dono, prazo e custo

Plano de ação em formato 5W2H com sete ações, responsáveis nomeados, prazos e custo por linhaAprovado pelo sponsor em 11/05/2026, o documento traz 7 ações que implementam as 6 soluções aprovadas. Nenhuma linha tem campo em branco, o que já elimina a maior parte das desculpas de acompanhamento. O 5W2H é o fazer do ciclo PDCA escrito de um jeito que dá para cobrar.

Duas ações custam dinheiro de licença e treinamento: o checklist digital para os 34 contratos, com R$ 3.800, e o treinamento de apontadores em 2 turmas de 4 horas por obra, com R$ 4.200. A revisão fiscal sai por R$ 2.600 e a integração de fase 1 com painel semanal, por R$ 1.800.

Três ações custam R$ 0 porque são regra de trabalho, não compra: dupla conferência, calendário de aditivos com trava e janela antecipada de montagem. Somadas, as 7 linhas pedem R$ 12.400 e deixam 17% dos R$ 15.000 aprovados sem uso. Regra de trabalho não entra no orçamento, e foi por isso que 3 das 7 ações deste projeto de Lean Seis Sigma saíram por R$ 0.

A faixa de números abaixo da tabela mostra a estratégia de implantação. Os contratos-âncora 2041 e 1987 receberam o piloto por concentrarem 31% do faturamento. O critério de sucesso era de 8%, e o resultado foi de 6,8% contra baseline de 14,2%. A escala para toda a carteira só veio após a aprovação registrada na nota de governança, em 05/06/2026.

10. Plano de controle: o que continua sendo medido depois do projeto

Plano de controle com o indicador primário em gráfico p, as variáveis de processo, metas e responsáveisEm vigor desde 29/06/2026, antes do encerramento do projeto, o documento garantiu que o monitoramento já estivesse rodando no handover de 31/07/2026. Ele separa o indicador primário das variáveis de processo que o explicam. Essa separação entre resultado e processo é o que distingue um KPI de um número de relatório.

O Y do projeto entra no plano com gráfico p semanal. Os 5,9% ficam na linha central, entre um piso de 3,4% e um teto de 8,4%. O numerador e o denominador saem do registro de aceite e glosa no ERP, e a leitura fica com Contas a Receber. Desvio nesse gráfico aciona os gatilhos 1 e 2 do OCAP.

A folha lista 1 Y e 6 X de processo, cada um com especificação numérica. O checklist tem de estar completo em 100% das medições, a dupla conferência cobre 100% dos contratos-âncora e 30% nos demais, e nenhum item sem aditivo entra no boletim. Do lado do prazo e do custo, são 80% das medições enviadas até o dia 25, PMR de até 52 dias e retrabalho de até R$ 6 mil por mês. A regra de ouro escrita no pé é que o plano de Lean Seis Sigma mede o processo, e não as 3 equipes que o executam.

A governança fecha com dona do processo nomeada e POPs publicados em 10/07/2026. A revisão é mensal nos 3 primeiros meses, com auditoria do ganho anual pela Controladoria em jan/2027. E encerra com a regra de ouro: o plano não mede pessoas, mede o processo. Essa regra de ouro do Lean Seis Sigma mantém as 3 equipes fora da conta do indicador.

11. OCAP: o que fazer quando o indicador sai do padrão

Plano de reação OCAP com gatilhos, prazos, responsáveis e a sequência de contenção e verificaçãoO OCAP é o documento que impede o gráfico de virar enfeite de parede. Ele reage à mesma carta de controle do plano. A linha central fica em 5,9%, o limite superior em 8,4% e o limite inferior em 3,4%, em leitura semanal. Sem plano de reação escrito, gestão à vista vira decoração com dado dentro.

São 4 gatilhos com prazo declarado. Um ponto acima de 8,4% pede contenção em 48 horas. 7 pontos consecutivos acima da linha central pedem diagnóstico em 1 semana. Glosa em contrato 2041 ou 1987 aciona no mesmo dia, e variável de processo fora do padrão bloqueia o envio.

O documento fixa o prazo de cada gatilho antes de o sinal aparecer. Ponto acima de 8,4% pede contenção em 48h, e 7 pontos seguidos acima de 5,9% pedem diagnóstico em 1 semana. Glosa em contrato-âncora é tratativa no mesmo dia, e X fora do padrão bloqueia o envio. Cada uma das 4 linhas tem nome de responsável, e é assim que um plano de reação de Lean Seis Sigma dispensa interpretação caso a caso.

A seção de prevenção vale mais que os gatilhos. Contrato novo entra com padrão de entrada obrigatório. Revisão de projeto obriga memória de cálculo atualizada, com versão controlada. E mudança documental entra no checklist no mesmo dia. A lição final é que a medição é um produto com requisitos por cliente. Quando o gráfico apita, eu pergunto ao time uma coisa só. Quem foi avisado, e em quanto tempo? Se não houver hora na resposta, o OCAP ainda está no papel.

12. Apresentação executiva: o projeto inteiro em nove slides

Apresentação executiva de encerramento do case de Lean Seis Sigma com resultado, causas, ações, série de controle e liçõesO deck de encerramento resume o projeto em 9 slides. Abre com o número que a diretoria quer ver primeiro: glosas de 14,2% para 5,9% e ganho de R$ 340 mil por ano. Slide de abertura que começa por metodologia perde a sala. Diretoria não compra Lean Seis Sigma, compra os R$ 340 mil por ano.

O slide de resultados coloca os quatro números lado a lado. A queda das glosadas vem com a meta de 6% superada. Depois o PMR de 61 para 52 dias, o ganho anual e os 6,8% já obtidos no primeiro ciclo do piloto. A composição do ganho aparece aberta em R$ 240 mil e R$ 100 mil.

A série de controle ganha um gráfico próprio no slide de controle, com as 12 semanas entre o piloto e o handover variando de 4,8% a 7,0%. Mostrar a variação, e não só a média, é o que dá credibilidade. Muita gente já viu indicador melhorar em um mês e voltar no seguinte.

O último slide traz cinco lições e os próximos passos. Entram aí a auditoria formal do ganho em jan/2027 e a replicação no braço de hotéis do grupo. Um projeto que termina sem próximos passos datados costuma ser um projeto que termina de verdade. Registrar as lições aprendidas no encerramento é o que leva as 5 lições para o próximo projeto.

Falta no slide de encerramento uma coisa que a diretoria sempre pergunta na hora e que caberia em uma linha. O que exatamente impede a taxa de voltar ao patamar antigo? A resposta está no plano de controle, e trazê-la para o encerramento defende os 5,9% na sala.

O que este case de Lean Seis Sigma ensina para quem fatura por medição

Eu disse na abertura que já estive do outro lado deste balcão. Na época em que eu tocava obra, a medição do mês era montada na sexta-feira do fechamento. O engenheiro conferia o que dava tempo. O resto era fé de que o fiscal estivesse de bom humor. Quando voltava glosada, ninguém chamava aquilo de defeito de processo. Chamava de implicância do cliente, e não de 14,2% de defeito.

O que mudou minha cabeça, anos depois, foi entender uma coisa. A medição é um produto entregue a um cliente, com requisitos que variam por cliente. É a primeira das cinco lições da apresentação executiva, e a que reorganiza todas as outras. Produto se confere antes de entregar, não depois de o cliente reclamar. Essa leitura é a que o Lean Seis Sigma empresta de fora da fábrica.

A segunda lição é que a definição operacional vem antes do número. Enquanto glosa significava coisas diferentes para o Financeiro e para a obra, qualquer painel seria uma discussão. Os 93% de concordância no MSA foram a autorização para o resto do projeto existir.

A terceira é que a causa estava no método, não nas pessoas. Nenhuma das 14 causas do Ishikawa apontou para desempenho individual. As três causas-raiz eram falta de conferência padronizada, falta de checklist documental e aditivo executado antes de formalizar. Nenhuma delas se resolve com cobrança. Causa raiz que aponta para pessoa costuma ser análise interrompida cedo demais. O teste é simples: se a resposta é um nome, ainda falta pelo menos um porquê.

A quarta é a que mais economiza dinheiro: trava vale mais que instrução. O boletim que não fecha sem aditivo formalizado corrige o processo sozinho, todo mês, sem depender de alguém lembrar. Instrução depende de memória; trava depende de sistema.

A quinta é sobre calendário. Com 70% das medições montadas nos últimos 3 dias úteis, o pico de fechamento funcionava como multiplicador de erro. Antecipar a janela de montagem não custou nada e mexeu na causa que nenhuma ferramenta de qualidade alcançaria sozinha.

Se a sua empresa mede obra, note que quase nada aqui é específico de construção. Trocando medição por nota fiscal de serviço, ou por fatura de contrato recorrente, a estrutura se mantém inteira. É por isso que vale estudar o método, e não só o setor. A lean construction entra depois, quando o alvo passa a ser o fluxo da obra, e não o do faturamento. O Lean Seis Sigma viaja bem entre setores porque a régua é o processo, e não o produto.

Para quem quer avançar do case para a prática, dois caminhos costumam funcionar juntos. Um é montar as ferramentas com material pronto, e o kit de ferramentas que a gente montou aqui na Voitto traz os modelos que aparecem neste artigo em formato editável. O outro é aprender a conduzir o projeto inteiro nas academias de certificação de Lean Seis Sigma, que é onde o Green Belt aprende a defender R$ 340 mil por ano diante da Controladoria.

Se você chegou até aqui procurando por onde começar amanhã, comece pelo mais barato. Escreva a definição operacional do seu defeito. Conte os apontamentos por motivo durante um trimestre e olhe a coluna acumulada. Foi exatamente essa sequência que transformou uma reclamação recorrente em um case de Lean Seis Sigma com número auditável.

Perguntas frequentes

O resultado de 5,9% superou mesmo a meta de 6%?
Sim, e por pouco, que é o desenho mais crível de um projeto bem calibrado. A meta contratada no termo de abertura era chegar a 6% até 31/07/2026, partindo de 14,2%. O consolidado da carteira em julho fechou em 5,9%. Como o resultado ficou um pouco abaixo da meta, a queda realizada é ligeiramente maior que a queda de 58% que havia sido contratada. Vale prestar atenção nessa diferença de base sempre que ler um relatório de encerramento: a mesma porcentagem de queda pode estar medindo o alvo ou o resultado.
Quanto custou o projeto e em quanto tempo ele se pagou?
O orçamento aprovado foi de R$ 15 mil e as sete ações do plano consumiram R$ 12.400, uma folga de 17%. Três das ações custaram zero porque eram regra de trabalho, e não compra. Contra esse investimento único, o ganho validado pela Controladoria é de R$ 340 mil por ano, dividido em R$ 240 mil de custo financeiro evitado pela antecipação do recebimento e R$ 100 mil de retrabalho evitado. O payback declarado no termo de abertura é inferior a um mês, e a auditoria formal do ganho está marcada para janeiro de 2027.
Por que o projeto usou gráfico p e não outro tipo de carta de controle?
Porque o dado é de atributo: cada medição apresentada é aprovada ou glosada, e o que interessa é a proporção de glosadas no período. O <a href="https://www.voitto.com.br/digital/livro-guia-lean-seis-sigma">Guia Prático Lean Seis Sigma</a> descreve quatro cartas para atributos, e a carta p é a que controla a proporção de unidades não conformes. Uma ressalva importante para quem for replicar: o livro registra que os limites de uma carta p são irregulares quando o tamanho da amostra varia, e o plano de controle deste case adota limites fixos. Se o seu volume semanal oscilar bastante, calcule os limites por subgrupo.
Dá para fazer um projeto assim sem comprar software?
Dá, e a maior parte do resultado deste case veio de ações sem custo. A dupla conferência contra a memória de cálculo, o calendário de aditivos com trava no boletim e a antecipação da janela de montagem não exigiram sistema novo. A única compra relevante foi a licença do checklist digital. O que não dá para pular é a definição operacional do defeito e a validação do sistema de medição, porque sem elas o baseline não sustenta discussão nenhuma seis meses depois.
Qual a diferença entre medição glosada e apontamento de glosa?
A medição glosada é a unidade devolvida pelo contratante, contada uma vez por documento recusado. O apontamento é cada motivo de recusa registrado dentro dessa devolução, e uma mesma medição pode voltar com vários. Neste case, 55 medições glosadas carregaram 111 apontamentos em um trimestre. A taxa de glosa usa a primeira contagem, porque é ela que se compara com o volume apresentado; o Pareto usa a segunda, porque é ela que descreve o defeito. Trocar as duas é o erro mais comum nesse tipo de análise.
Esse case de Lean Seis Sigma serve para empresas que não são de construção civil?
Serve, e vale trocar as palavras para enxergar. Se você fatura por entrega comprovada, a estrutura é a mesma, seja uma nota de serviço com relatório anexo, uma fatura de contrato recorrente ou um repasse que depende de documentação. O cliente recusa a prova, o dinheiro volta para o fim da fila e o custo aparece no prazo médio de recebimento. As ferramentas usadas aqui não têm nada de específico de obra. O que muda é a definição operacional do defeito, e essa você precisa escrever com o seu processo na mão.
Thiago Coutinho
Escrito por
Thiago é engenheiro de produção, pós-graduado em estatística e mestre em administração pela UFJF. Especialista Black Belt em Lean Six Sigma, trabalhou na Votorantim Metais e MRS Lo…

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